Notas iniciais
♦ TheEvilQueen (EvilQueenGirl): oii, gente, finalmente estamos postando na data certa e agora pretendemos permanecer assim :D Espero muito que gostem do capítulo de revelações *---* ♦ TheOnlyOne (IAmTheDarkness): Olá, hahaha. Esse capítulo foi muito bom de escrever, espero que vocês gostem de ler tanto quanto gostamos de escrever. Boa leitura a todos!

— Sobre o que? – Não o respondi, apenas invadi sua casa e me virei para ele, cruzando meus braços enquanto as lágrimas tomavam conta.

— Sobre o fato de que você vem mentindo para mim desde que nos conhecemos! – Explodi, vendo-o me encarar um tanto quanto assustado. – Mas que inferno! Por que mentiu para mim todo esse tempo?

— Calma, Nic, se você não me explicar eu não vou poder te ajudar e...

— Eu não quero me acalmar! Eu tenho o direito de ficar puto e eu estou muito puto com você! – Eu gritei, pouco me importando com o que viria a acontecer se alguém me ouvisse. – Você, além de mentiroso, é mais falso do que as meninas da nossa escola. Quantos anos você tem, afinal? De onde você veio?

— Nasci na França, você sabe disso e eu tenho dezoito anos. Por que está me perguntando essas coisas e me acusando disso tudo? Eu não estou entendendo, Nicolas. – Eu queria acreditar naquela voz, eu queria mais que tudo, mas era impossível.

— Você tem dezoito anos? – Eu ri fraco. – Faz quanto tempo que você tem dezoito anos, Elieser Chermont? Se é que esse é mesmo o seu nome. Eu não sei nem se confio que essa é mesmo a sua aparência.

Elieser me encarava como se não entendesse nada, até que ele, de repente, sentou-se no sofá e encarou um ponto fixo à sua frente, ignorando minha presença. Sentei-me ao seu lado, decidindo explodir mesmo apenas quando arrancasse a verdade dele. Eu não ponderei, por nenhum segundo, a chance de Thomas estar mentindo, porque talvez parte de mim já soubesse que aquilo fazia mais sentido do que todo o resto.

Puxei seu rosto bruscamente e me aproximei mais dele. Sem respiração. Como eu nunca percebi isso? Empurrei-o para trás e coloquei a mão sobre seu peito, tentando sentir seus batimentos. Nada. Não senti nada. Coloquei a mão em qualquer lugar onde eu pudesse arrancar algum sinal de vida, mas não tinha nada em lugar nenhum.

Voltei a chorar, pensando no quão irreal aquilo parecia e no quão louco eu estava me sentindo por acreditar naquela loucura. Era quase como acreditar que um dos seres surreais dos meus livros tinha ganhado vida. Ou, nesse caso, morte. Eu fiquei esse tempo todo com um cara morto?

— Eu só quero a verdade. – Pedi depois de certo tempo e ele riu fraco, encostando-se no sofá.

— Você já sabe a verdade, pelo visto captou muito bem. Ou vai ver Thomas fez uma lavagem cerebral em você, nunca se sabe... a loucura dele é bem grande.

— Suas mentiras também. – Rebati, percebendo que ele não negou, apenas assentiu com a cabeça. – E eu quero ouvir você admitir isso. Admita! Faça o que não fez nesses últimos meses em que me enrolou: me conte a verdade!

— Tenho dezoito anos há muito tempo, Nicolas. Uns mil anos são pouco, até. – O encarei chocado. – Parece mentira, não é? Mas não é. Sei o que ele te disse, consigo ouvir seus pensamentos. E pode parar de querer me matar, você não vai conseguir... Eu sinto muito por isso, Nicolas, eu não queria que fosse desse jeito, só que me pareceu um absurdo te contar uma coisa dessas. Fora que você nunca acreditaria.

— Não acreditaria mesmo. – Levantei, voltando a ficar na defensiva e o julgar. – Eu me entreguei de corpo e alma para você, Elieser. E-eu... eu me apaixonei por você, fiz o que você queria apenas para que eu pudesse ficar com você... eu te amei nesses meses e você me usou, mentiu para mim.

— Eu não te usei. – Ele também levantou, aproximando-se de mim. – Pode dizer que tudo o que eu falo é uma mentira, mas nem tudo é. Eu escondi de você quem eu realmente sou para não te perder, ou vai dizer que ficaria comigo se visse isso?!

Permaneci o olhando, percebendo que seus dentes ficaram maiores, pontudos e aparentemente afiados. Seu rosto ficou todo com uma aparência quebradiça e seus olhos escureceram. Ainda assim, mesmo aparentando ver um monstro em minha frente, eu ainda o via da mesma forma. O meu Elieser, que ficou comigo nesse tempo todo e tentou me proteger das garras de Thomas.

— É assustador, não é? – Me perguntou, voltando ao normal.

— Nem é tanto assim. – Contornei, novamente ficando cara a cara com ele e tocando seu rosto. – Isso explica você estar sempre gelado.

— Você me perdoa? – Acariciou meu rosto, causando os costumeiros arrepios. Aparentemente isso não mudaria tão cedo.

— Depende. – Me afastei alguns passos, decidindo se seguiria em frente ignorando aquilo ou se arrancaria mais uma verdade dele, sabendo que se fosse mesmo real eu nunca o perdoaria e nunca mais o teria comigo. – Você matou Brian?

— Não. – Disse ele, não conseguindo olhar nos meus olhos. Depois de um tempo, seu olhar mirou o chão e sua voz saiu baixa e enrolada. – Foi um acidente...

— Mas que porra, Elieser, eu estava a ponto de conseguir conviver com sua condição. Acho que, no fundo, eu esperava que Thomas estivesse errado. Você mandou eu me afastar dele, mas agora me pergunto se não deveria era ter me afastado de você!

— Nic, eu te juro que foi um acidente. Eu não queria matar ele, não foi de propósito. Entenda, se eu tivesse como chorar, eu estaria agora chorando e eu me apeguei tanto à você que eu faria qualquer coisa para conseguir o seu perdão. Se eu pudesse, eu faria qualquer coisa, mas sei que nada do que eu disser vai fazer você mudar de ideia. Só que... se vale de algo, foi real para mim e... eu também me apaixonei por você, de uma maneira que eu só me apaixonei uma vez antes na vida.

Meu peito estava dolorido e as lágrimas permaneciam caindo, encharcando minha camiseta. Eu queria andar até ele e abraçá-lo, mas o ódio que eu sentia falava mais alto e eu não via maneira alguma de simplesmente ignorar tal ódio para voltar atrás na minha decisão. Precisava botar meus pensamentos no lugar.

— Cansei dessas mentiras. – Comuniquei-o. – Estamos terminados, se é que realmente tínhamos algo...

— Não, por favor. Da última vez você deu o ultimato no nosso relacionamento e eu não posso permitir que faça isso de novo. – Protestou ele, mas eu já tinha tomado decisão e não iria mudá-la. – Eu nunca menti quando disse que gostava de você e eu te dou total liberdade para seguir seu caminho sem mim, só que não posso permitir que acredite em tudo que Thomas te fala e duvide de mim. Sei que sou o errado, errei muito, mas eu posso te compensar. Eu posso fazer valer a pena. E-eu... eu posso me expor se isso for fazer você me perdoar.

— Eles te matariam, te queimariam, arrancariam sua cabeça ou te cravariam uma estaca. – Eu falei, horrorizado, vendo um pequeno sorriso surgir no canto de seus lábios.

— Você vale o meu sacrifício. – Ele se aproximou mais uma vez, me grudando contra a parede.

Suspirei, me sentindo ofegante apenas pela proximidade. Deixei que ele se aproximasse ainda mais e permiti que ele me beijasse, porém eu ainda chorava. Meus olhos ardiam com a força que eu os apertava, não querendo chorar ainda mais. Apertei forte seus braços quando ele segurou minha cintura e aprofundou o beijo. Me senti ainda mais viciado naquele gosto que só ele tinha e me senti aprisionado demais para fugir de seus toques. Eu ainda era o garoto apaixonado por ele, não tinha como negar.

Empurrei ele, já sentindo a falta de seus lábios e fui prensado contra a parede novamente, sentindo sua boca atacar a minha com urgência e sua língua invadir minha boca com força e intensidade. Deixei que ele me beijasse, mas logo o empurrei com ainda mais força que anteriormente e me afastei.

— Adeus, Elieser Chermont.

...ELIESER CHERMONT...

Quando Nicolas deu as costas para mim eu quis muito segurá-lo pelo braço e grudá-lo novamente contra a parede para novamente o beijar, mas senti que não era o certo a se fazer. Depois de mentir tantas vezes para ele, o mínimo que posso fazer é dar um tempo para que ele reflita e ponha seus pensamentos no lugar.

Falei sério a ele quando disse que choraria se pudesse. No instante em que ele apareceu chorando na porta da minha casa eu já sabia o que havia acontecido e sabia quem era o culpado por aquilo. Como Thomas teve coragem? Maldito!

Com esses pensamentos em mente e uma raiva tomando conta de mim, saí de casa com o propósito de ir atrás daquele desgraçado, vulgo Thomas. Não demorou para que e chegasse em sua casa e a invadisse como um verdadeiro animal raivoso.

— Quanta delicadeza! – Ouvi sua voz e, em dois segundos, ele estava prensado contra a parede. – Wow, alguém está agressivo hoje.

— Me dê um bom motivo para não quebrar seu pescoço e te colocar em uma fogueira. – Fui direto ao ponto, segurando-o fortemente pelo pescoço e o apertando contra a parede.

Eu sabia que aquilo não o machucava, sabia que se eu quebrasse seu pescoço eu apenas teria tempo o suficiente para acabar com sua existência e sabia que, nem mesmo, arrancar seu coração adiantaria.

— Você me ama, isso é um bom motivo. – Sorriu largamente, mostrando-me seus olhos se tornando obscuros e seus dentes crescendo. Eu também estava assim e, o pior, nem me importava. – Pelo visto o seu namoradinho já descobriu a verdade, não? Imagina que tragédia se você soubesse que...

— Eu sei que foi você! E ele não era meu namoradinho, não deu nem tempo de eu pedir ele em namoro. – Murmurei, soltando Thomas e me atirando contra o sofá com força. – Por que fez isso, Thomas? Eu não consigo te entender.

— Assim o caminho para que nós dois fiquemos juntos está livre, Elieser. Ele estava nos separando, não consegue entender isso?

— Ninguém estava nos separando, Thomas. Será que você não percebe que eu não sinto nada além de raiva por você? Nem o desejo que eu sentia está presente mais. – Joguei na cara dele, vendo ele dar um passo para trás. – E agora que você fez a maldade que fez apenas para ferir Nicolas e separá-lo de mim, meu ódio apenas aumentou. Parabéns, você acaba de conseguir que o grande amor da sua vida sinta nojo, repulsa de você. Eu nunca mais vou encostar em você se não for para te matar de uma vez por todas.

— Elieser, não, por favor, eu te imploro. Eu faço qualquer coisa. – Senti que ele se desmancharia naquele instante, mas vesti minha melhor feição indiferente e recuei, puxando forte o meu braço que ele segurava. – Não vai embora, não faz isso.

— Você não pode fazer o que eu quero, então apenas suma da minha frente. Se você fizer qualquer coisa contra Nicolas ou minha irmã, eu não vou apenas te ameaçar. Eu juro que te jogo em uma fogueira e você sabe que eu cumpro aquilo que prometo.

Andei até a porta e a abri, passando por ela e a batendo com força em seguida. Andei pela rua, sem rumo, sem vontade alguma de voltar para casa.

Queria poder sumir, queria acabar com aquilo que chamo de vida. Queria muitas coisas e não podia ter absolutamente nada daquilo que eu desejava.

Concluí, por fim, após muitos devaneios, que sem Nicolas eu não tinha nada.

Eu realmente o amava. Amava não, eu o amo. Eu amo Nicolas Henderson e eu nunca poderei tê-lo, apenas pelo fato de que eu não o mereço, nem nunca merecerei. Nunca serei merecedor de seu amor, não importa o quanto isso me doa.

E, para um ser imortal sentir dor, só com algo verdadeiramente importante.

Agora, a única coisa que me resta é esperar os dias da minha eternidade passarem. E pensar que eu sofri por um amor, quase mil anos atrás, um amor que eu tanto cuidava e zelava. Ele me feriu e agora tantos séculos depois, eu fiz a mesma coisa. O pior é saber que Dominic nem mesmo sentiu remorso pelo que fez comigo.

E eu apenas queria juntar os pedaços do coração de Nicolas e dar amor a cada parte desolada dele.

Só queria a chance de amá-lo corretamente. É pedir demais?

Notas finais
♦ TheEvilQueen (EvilQueenGirl): E o que acharam? Contem aí pra nós, meus amores ♥ ♦ TheOnlyOne (IAmTheDarkness): Estamos na reta final, pessoal, apenas mais seis capítulos e estaremos terminando a história :/ Nos vemos no capítulo de Sk8er Boy, haha.