You Worth My Sacrifice

5 Não foi uma pergunta, foi uma ordem


Notas iniciais
TheEvilQueen: Mesmo postando pro vento, cá estamos nós o/ Altas emoções nesse capitulo *---* Boa leitura! ♥ TheOnlyOne (IAmTheDarkness): Espero que gostem, hahaha.

Eu e Elieser permanecemos sem quebrar o contato entre nossos olhos, que mais pareciam chamas prestes a fazer nossos corpos explodirem. Por algum motivo, eu estava relutante em sair de seus braços. Eu estava confortável o encarando daquela maneira.

— Nicolas... – Minha mãe mais uma vez chamou, mas eu ouvi isso tão baixo que não me preocupei.

Ainda sem quebrar o contato visual com o Chermont, me estiquei um pouco e tentei tocar seus lábios com minha boca, mas ele virou seu rosto para o lado.

— Você vai ficar. – Falou ao levantar e me puxar pelo braço.

— Não sei se posso... – Estremeci ao ver seu olhar um pouco ameaçador.

— Isso não foi uma pergunta, Nicolas. Foi uma ordem. – O som de suas palavras era hostil, mas eu me senti ainda mais hipnotizado por ele. – Volte ao meu quarto e deite-se na cama. Vou dizer aos seus pais que você pegou no sono.

E eu apenas assenti, vendo ele se afastar de mim no momento em que entramos em seu quarto mais uma vez. Não me deitei como me havia sido ordenado, mas me sentei na cama e puxei um dos travesseiros dele para os meus braços, inalando seu forte perfume e permitindo que o mesmo ficasse impregnado em mim.

— Eles já foram. – Avisou-me ao entrar novamente no quarto e trancar a porta. – Você deveria cuidar ao sair irritado com os outros e descer escadas.

— Obrigado por ter me ajudado. – Agradeci, vendo ele soltar uma risada e desabotoar sua camisa, botão por botão. Eu seria exagerado por admitir que aquilo fez um calor subir por todo o meu corpo?

— Seria mais divertido se você tivesse caído. – Admitiu, me encarando. – Não me agradeça, porque eu realmente não ligo.

— Por que você é assim? – Questionei, vendo uma confusão se estampar em seu olhar. – Por que você é tão frio com as pessoas? Parece sempre querer afastar todo mundo de perto de você.

— Deve der porque eu quero. Eu não ligo para ninguém, Nicolas. Acostume-se com isso. – Vi ele então abrir o zíper de sua calça e a jogar em um canto qualquer. Seu corpo era, sem dúvida, perfeito. Quem fez Elieser caprichou até demais. – Então... Qual vai ser? Vamos ficar aqui nos encarando?

— C-como assim? – Ele subiu por cima de mim na cama, me prensando contra o colchão, eu o sentia tão próximo de mim que acredito que ele pudesse escutar as batidas do meu coração.

— Eu não sou do tipo que fica apenas nos beijos por muito tempo, Nicolas. É bem simples.

— Mas eu não... Eu...

O que ele esperava que eu fizesse? Eu não ia transar com ele. Não. Pelo menos, não agora.

— E o que acontece se eu não fizer nada? – Engoli em seco com minha própria pergunta.

— Então essa será nossa última conversa. Eu não vou ser aquele com quem você vai ter um romance de filme. Eu estou mais para o vilão de suas histórias. Te avisei isso desde o início. – Informou enquanto se atirava na cama ao meu lado.

— Mas eu não quero me afastar de você. Recém nos conhecemos. – O encarei.

— Você não é o primeiro, muito menos o último, que não quer se afastar. – Também me encarou. – E sabe o que mais? Eu estou pouco me fodendo para suas palavras ou para você.

— E o que quer comigo, então?

— Sexo. – Sorriu largamente.

— Só sexo? – Perguntei incrédulo, sentindo lágrimas se formarem em meus olhos e praticamente queimá-los.

— Só sexo. – Confirmou pausadamente. – Boa noite, Nicolas.

Virou-se para o lado e me deixou ali, fitando o nada. Por que ele tem a mania de ser tão irritante? Tão idiota? Tão arrogante? Raiva dele é o que eu sinto agora e uma vontade imensa de me matar. Eu deixei que ele fosse entrando em meu coração apenas para agora o ter partido. Isso é péssimo.

Eu sabia que demoraria a dormir, mas forcei meus olhos a não derrubar aquelas lágrimas que pareciam tão pesadas. Eu não iria parecer um fraco idiota perto dele. Não daria a ele o gostinho dessa vitória.

...ELIESER CHERMONT...

Nicolas estava inquieto, como se estivesse negando a si mesmo de dormir. Estava bem claro para mim que o desejo que ele sentia por mim não era tão grande quanto seu encanto por mim e, mais claro ainda, que esse encanto precisava acabar. Eu estava disposto a conquista-lo até conseguir arrastar ele para minha cama, mas resolvi que quebrar o seu coração antes disso seria melhor. Talvez isso poupasse um pouco de sua dor.

E eu também não ligo para nada disso, portanto nada me afeta ele estar agora se revirando de um lado para o outro sem dormir.

— Será que dá para fechar a porra dos olhos e dormir? – Rosnei impaciente, ouvindo ele bufar. – E para de agir como uma criança, por favor.

— E você para de ser rude. Que inferno! – Reclamou ele e eu sorri, vendo ele me olhar como se me contemplasse. – Para de sorrir desse jeito estranho.

— Então para de olhar como se estivesse me endeusando. – Rebati, vendo ele revirar os olhos mais uma vez. – A criança precisa de uma historinha para poder dormir.

— Vai para o inferno! – Mandou ele, virando-se para o outro lado e eu dei uma risada zombeteira.

— Quer ir comigo? – Sussurrei próximo ao seu ouvido.

— Eu só quero dormir. – Soltou um suspiro, voltando a me encarar em seguida. – Para de me olhar desse jeito.

— Estou só te olhando. Tenho olhos para isso.

— Você é muito irritante.

— E você é muito chato. – Reclamei, sendo o primeiro a dar as costas dessa vez. – Dorme logo.

— Boa noite... – Falou baixo e eu não movi um centímetro do meu corpo, apenas permaneci em silêncio.

Virei-me e fiquei fitando o teto enquanto sentia sua respiração indo de encontro à minha pele fria. Senti vontade de encará-lo quando percebi que ele já dormia, mas esse não seria eu. Eu não ligo para as pessoas, sou uma pessoa de corpo e mente frios, um alguém que manipula todos até conseguir o que quer. E eu não ligo para os sentimentos dos outros.

Não ligo nem mesmo para os meus próprios, se é que os tenho ainda, já que por tantos anos eu os reprimi. Nem sempre eu fui tão frio, nem sempre fui tão odiável. Eu já amei.

1026...

— Dom, espera... – Eu disse em meio a risadas enquanto corria atrás de Dominic. – Você sabe que eu vou te alcançar. – Mesmo que eu quisesse, precisava fingir que não era mais rápido e precisava correr como um humano, mas nesse momento eu só queria alcança-lo, o que não demorou a acontecer. – Peguei você!

— Ah, assim não tem graça, Eli. – Ele fez bico e eu achei tão adorável, que me aproximei e o beijei no meio das árvores que nos cercavam. – Odeio que isso seja um segredo.

— Você vale a pena, mesmo que em segredo. Ninguém nunca irá nos aceitar, sabe disso. – Minha voz saiu um pouco triste, mas eu sorri quando o vi se esticar para me beijar. Ele era tão baixo perto de mim.

— Se eles nos pegarem, você pode ser enforcado. – A voz de Dominic voltou a ser triste.

— Você vale o meu sacrifício. Lembre-se sempre disso. – Levemente toquei seus lábios mais uma vez e o vi sorrir. – Eu te amo.

— Eu também te amo, Eli. – Sorriu mais abertamente ainda, enrolando suas mãos em meu pescoço e eu levei as minhas até sua cintura. – Ninguém vai mudar isso.

TEMPOS ATUAIS

Lembrar disso causa uma dor em mim que eu nem mesmo posso verdadeiramente sentir. Queria apagar as memórias que ainda tenho. Queria ter o poder de esquecer Dominic da mesma maneira que ele me esqueceu.

Como ele mesmo previa, fomos pegos juntos e como ele era menor de idade e eu tinha dezoito anos – mesmo sendo um vampiro com bem mais de dezoito anos – eu fui para a forca. Eu poderia ter fugido com ele antes disso acontecer, mas os pais dele me seguraram antes que eu pudesse fazer isso, justamente porque tinham medo de eu colocar meu plano em ação.

No dia do enforcamento eu deixei que as pessoas falassem o que quisessem de mim e deixei que me enforcassem, afinal eu não morreria. Gabriela me olhava com certa angústia em sua feição, mesmo sabendo que eu sairia dali como se nada tivesse acontecido.

Um dia após isso, eu fui atrás de Dominic para saber como ele estava e me deparei com ele beijando outro da mesma maneira que me beijava e, pior que isso, dizendo que o amava e que estava feliz que tinha se livrado de mim. Eu estava tão cego de amores por ele que não percebi o que estava por trás de suas falsas palavras.

Após esses péssimos acontecimentos, eu matei o garoto com quem Dominic se relacionava e fiz isso com os próximos vinte, até que eu percebi que ele tinha se apaixonado de verdade e, como forma de vingança, matei o único rapaz que ele conseguiu amar. Destruí seu coração da mesma maneira que ele esmagou meus sentimentos.

Alguém como ele não merecia compaixão. Ele merecia era a morte por ter feito comigo o que fez.

Sem me aguentar mais, acabei me virando e encarando Nicolas. Sua respiração tranquila me tocava. Me senti tentado a levar minha mão até seu rosto e o tocar, mas sabia que minha pele gelada talvez o despertasse. Antes que eu pudesse me repreender, eu já estava o puxando para mais perto e o sentindo envolver seu braço em torno de mim, encaixando seu rosto em meu peito.

E eu nem mesmo me movi. Eu permiti que ele ficasse desse jeito. Não me incomodei com a proximidade como pensei que me incomodaria. Uma hora se passou e eu percebi que Nicolas estava ferrado em seu sono. Me levantei sem movimentos bruscos e o peguei em meus braços, decidido a leva-lo para sua casa.

O trajeto não foi complicado. Minha habilidade em velocidade sempre me ajuda muito nesses momentos. O larguei em sua cama e o cobri com o fino lençol de super-herói que havia ali. Dei uma última olhada nele e saí pela rua.

O vento frio não me incomodava, como normalmente. Eu precisava me alimentar. Andei por um tempo, procurando por alguém que estivesse andando na rua. Avistei um grupo de jovens, algumas meninas estavam se agarrando com alguns meninos. Peguei a primeira das garotas e a levei para um beco um pouco afastado, sem me preocupar com seus gritos durante o percurso, já que os mesmos só me incomodaram quando começaram a ecoar pelo beco escuro e silencioso.

— Silêncio. – Ela encarou meus olhos e eu vi o reflexo nos olhos dela.

Meus olhos, agora completamente escuros contrastavam bem no reflexo dos olhos claros dela. A maneira quebradiça que se encontrava ao redor de meus olhos era de se admirar. Meus dentes agora estavam maiores e mais pontudos, prontos para fazer um estrago no pescoço pálido da garota loira.

Cravei em seu pescoço meus dentes sem piedade alguma, sentindo aquele líquido invadir meu organismo. Ao largar o corpo já morto dela no chão, após a garota tanto se debater e tentar me socar, percebi algo que eu definitivamente não queria.

Tinha um gosto melhor do que sangue e que eu queria sentir novamente:

Os lábios de Nicolas.

Notas finais
TheEvilQueen: O que acharam? Nos contem ♥ Bjo ♥ TheOnlyOne (IAmTheDarkness): Espero muito que tenham gostado.