Notas iniciais
TheEvilQueen: Nós demoramos muito, não é? Nós sabemos, mas eu juro que não foi de propósito :( Teremos três capítulos entre hoje e domingo para compensar nossa demora ♥ TheOnlyOne (IAmTheDarkness): A quem não desistiu de nos acompanhar, nossas mais sinceras desculpas. Esperamos que gostem.

— Então vocês estão mesmo juntos? – Gabriela perguntou para eu e Nicolas, que corou com tal pergunta.

— É, pode se dizer que sim. – Acabei dando de ombros.

Era praticamente verdade. Já havia se passado um mês e eu pertencia apenas a Nicolas da mesma forma que ele dizia pertencer apenas a mim. Eu confiava nele e gostava de saber que ele aprendera a também confiar em mim, por mais difícil que tal tarefa tenha sido para ele.

— Não sei qual a graça que encontrou nele, Elieser. Honestamente, sem querer me gabar, eu era um partido muito melhor. – A voz de Thomas pôde ser escutada por nós três e eu apenas virei lentamente em sua direção. Estávamos dentro da sala de aula. – Vai dizer... eu sou muito mais bonito que ele, tenho um corpo muito mais desejável, uma voz irresistível. Ele só tem essa cara de criança, esse corpo magrelo e um beijo muito ruim.

— Escuta aqui, você respeita ele. – Levantei-me rápido da cadeira. Thomas poderia ser alto, mas eu ainda era maior e mais forte. – Se não respeitá-lo, acho que então terei que te mostrar o seu lugar.

— É? E qual é o meu lugar?

— O seu lugar? – Me alterei, sem me preocupar de estarmos com a nossa volta repleta de adolescentes. – É de quatro em uma cama implorando para que alguém transe com você, aí você pode gemer que nem a verdadeira prostituta gratuita que você é.

— Mesmo que eu não fosse gratuito, você iria me querer mesmo assim. – Disse de maneira sarcástica e eu apenas ri, ainda mais debochado que ele.

— Só nos seus sonhos, porque na realidade, aquele que me tem não é você. Sinto muito, mas... parece que vai ter que ficar com sua imaginação e sua mão.

Desdenhei dele mesmo e se fosse preciso faria de novo. Thomas encarou-me surpreso, aparentando não ter argumentos para rebater em mim. Eu apenas ri, sentando-me de volta e fazendo questão de dar um beijo de tirar o fôlego em Nicolas, parando apenas porque o professor chegou e nos interrompeu.

Um bilhete foi parar em cima da mesa e encarei a pessoa que o colocou ali em cima. É óbvio que só podia ter sido Thomas e, mesmo muito receoso, abri o papel e o li.

“Isso não vai ficar assim. Não sou um objeto que você usa e larga quando sentir vontade. Se você não se afastar desse moleque por bem, vai se afastar por mal e não irá gostar do que farei. E, como eu disse, sou um partido muito melhor. Só eu te dou prazer como você gosta. Sabe disso. Sempre soube. Talvez no fundo até me ame.”

Eu comecei a rir sem parar ao ler aquilo. Depois de tantos anos ele realmente acha que eu o amo? Durante todo esse tempo eu apenas o usei quando sentia vontade, ele era sim como um objeto para mim e eu pouco me importava para seus sentimentos ridículos. Ele sabia disso, mas nunca admitiria que o seu grande amor o usou e o largou. Acabei escrevendo uma resposta de qualquer jeito, não dando a mínima para o que ele realmente queria.

“Me esqueça, não sou seu, nunca fui, nunca serei. Você também sabe disso. Quem ama alguém aqui é você. Para de tentar me atrapalhar, venho te mostrando há muito tempo o quão insignificante você é, não me faça mostrar isso para o resto do mundo também.”

Ainda fiz questão de mandar uma piscada para ele, provocando ao máximo a fera que existia ali dentro. No decorrer dos anos eu mostrei a ele de todas as formas possíveis que eu não sentia absolutamente nada por ele, nenhum tipo de sentimento vinha de minha parte e eu não tinha culpa se ele era apaixonado por mim.

Ele sempre permitiu que eu usasse seu corpo, não é como se eu o estuprasse. Ele também queria aquilo, então agora não tinha que vir reclamar de mim ou de minhas atitudes, eu apenas fiz a mesma coisa de sempre. Enquanto ele quisesse apenas sexo, era uma coisa, depois de nutrir sentimentos por mim, tudo mudou. Ele não queria mais aquela agressividade, ele queria carinho.

Mas quem sou eu para ser carinhoso com alguém? Nicolas é uma exceção, porque sim foi alguém que eu desejei e conquistei com o tempo. Talvez eu não o mereça. Talvez não... sei que não o mereço. Mas eu ainda tenho a chance de conseguir reverter isso e aos poucos estou tentando mudar, só que não é com Thomas me atrapalhando que irei conseguir.

E não importa o quanto eu tente afastar Thomas de mim, ele é como um viciado em drogas, que sempre corre atrás do seu vício. E quem é o vício dele? Eu mesmo, para o meu triste azar.

As aulas pareceram se passar em questão de segundos enquanto por baixo da mesa a mão de Nicolas estava entrelaçada na minha. Eu estava permitindo que eu me apaixonasse por ele e, pior que isso, estava amando essa sensação, estava amando inebriar-me daquele sentimento louco que me contagiava mais a cada instante.

No nosso almoço, deparei-me com Thomas em cima de uma mesa gritando para todos da escola mentiras sobre Nicolas e até mesmo sobre mim.

— Eu vou matar ele. – Falei com raiva para Nicolas, que apenas deu de ombros.

— Não precisa se estressar, eu não ligo para ele. – Nicolas disse rindo.

— Você se acha, não é mesmo, Elieser? – Thomas parecia recém ter notado a minha presença. – Pena que nem vontade de te ter na minha cama eu não tenho mais. Eu não quero mais você.

— O que? – A voz de Nicolas foi o que me impediu de ir atrás de Thomas para acabar com a vida dele de uma vez por todas.

— Espera aqui, Nic, eu posso te explicar. Primeiro eu vou acabar com esse show ridículo.

— Até nisso ele é mais importante que eu. – O Henderson disse, caminhando em uma direção qualquer. Tentei impedi-lo, mas ele não me escutou.

— Eu falei que isso ia acontecer. – Gabriela me deu um tapa no braço. – Agora deixa o Thomas comigo e vai atrás dele, conserta isso antes que seja tarde. Idiota!

Mexi a cabeça afirmativamente para ela e corri na direção de Nicolas, pegando-o já no portão da escola. Sussurrei um ‘segure-se em mim’ e o peguei em meus braços, ouvindo seus pensamentos borbulharem em confusão. Carreguei-o até que estivéssemos dentro do meu quarto, sentados em minha cama.

— Como...

Calei ele com um beijo antes que ele pudesse me fazer aquela pergunta, soltando um grande ‘foda-se’ em seguida. Não importava como eu tinha feito aquilo, o que importava era o fato de que ele era crucial em minha vida, em meu coração principalmente – mesmo que meu coração não batesse mais.

— Não age desse jeito comigo, Nicolas. Isso aconteceu antes, bem antes, tudo bem? Desde que nós nos ajeitamos um com o outro eu me mantenho sendo apenas seu. Sei que não temos um verdadeiro relacionamento, mas eu estou me esforçando ao máximo. Mas, se quer saber quando aconteceu, lembra quando eu te dei a coleção de livros? Bem, foi naquele dia. – Confessei, me sentindo um pouco melhor por contar a ele a verdade.

Eu esperava que ele fosse surtar, gritar comigo, até me bater e dizer que não queria mais me ver, mas ele não fez isso, ele começou a chorar. Será que ele não percebe que eu não sei agir nesses momentos? O que fazer quando alguém começa a chorar em sua frente? Sou péssimo com palavras, para mim a solução dos problemas sempre foi sexo.

Mas eu sabia que se ousasse apenas pensar em tirar a roupa dele agora, teria algo mito precioso para mim sendo cortado fora, então apenas permaneci ao seu lado, esticando meu braço para tocar-lhe o rosto levemente.

Nicolas me surpreendeu ao puxar-me pela nuca para um beijo sedento e cheio de desejo, repleto de uma quantidade inumerável e variada de sentimentos. Fui o responsável por puxá-lo para que o toque se aprofundasse e ele acabou sentado sobre minhas pernas. Minhas mãos apertaram com força suas coxas e assim eu o trouxe para ainda mais perto.

— Essa é a sua forma de dizer que me perdoa? – Questionei quando nos soltamos por alguns segundos.

— Não. Essa é a minha forma de dizer que está tudo bem, não estou irritado. Eu só, eu gosto mesmo de você e confesso que me mordi de ciúmes por saber que você e Thomas já se tocaram e tudo o mais. Me machucou. – Vi seus olhos marejarem e acabei acariciando seu rosto. – Você está tão diferente ultimamente...

— Você está me mudando. – Sorri para ele, capturando novamente seus lábios. – E eu estou amando mergulhar nesse novo mar de experiências. Ter sentimentos não é tão ruim quanto eu me lembrava. É bom. Além do mais, não precisa ter ciúme. Thomas é meu passado.

— E eu sou o seu futuro, Elieser Chermont? – Perguntou-me de seu jeito doce, me fazendo sorrir.

— Ah, Nicolas Henderson, eu espero que sim.

Notas finais
TheEvilQueen: Tem um grupo para os leitores, gente *-* (mesmo que o outro autor não esteja lá ¬¬), quem quiser entrar no grupo me manda uma mensagem ♥ TheOnlyOne (IAmTheDarkness): O que acharam? O próximo capítulo está recheado de surpresas, haha. Até mais!