Notas iniciais
TheEvilQueen: Olá *--* Capítulo dedicado à Sean Sky que nos deixou uma linda recomendação ♥♥♥ Muito obrigada, viu? Obrigada de verdade ♥♥ TheOnlyOne (IAmTheDarkness): Sean Sky, obrigado por ter recomendado. Isso significa muito para nós :) Esperamos que goste!

Após perder o pouco de inocência que ainda tinha em mim, me escorei no peito de Elieser e por ali eu fiquei. Seu jeito indiferente e sua maneira estranha de cuidar de mim, por algum motivo no momento não estavam me irritando. Ele até parecia mais sociável comigo.

— Confia em mim quando digo para se manter longe de Thomas? – Inquiriu ele, escorando-se em seu braço para encarar-me profundamente com seus grandes olhos escuros, que me faziam estremecer. – Entenda, Nicolas, se eu pudesse eu te manteria o tempo inteiro ao meu lado. Eu não quero ele perto de você.

— Me sequestre, então. – Meu tom era de brincadeira.

— Não posso te sequestrar. – Olhou-me ainda mais profundamente.

— E por que não?

— Porque eu nunca pediria um resgate. – Elieser me puxou para mais perto ainda dele, abraçando-me com seu braço direito.

— Eu não te entendo. – Proferi depois de um tempo, sentando-me de frente para ele. – Até cedo da manhã você não estava nem aí para mim e depois desse Thomas chegar e se aproximar você está estranho. Até mesmo voltou a se deitar comigo. Isso é um capricho seu? Só você pode me ter ou o que?

— Eu não ligo para as pessoas com quem você fica ou deixa de ficar, Nicolas. Você realmente pensa que eu me importo? – Seu tom se tornou rude de repente e tudo em minha volta pareceu escurecer. – Eu só te quero longe dele em específico, porque o conheço há muito tempo e sei que ele vai te machucar.

— Não é muito diferente de você. – Esbravejei, já levantando da cama e me vestindo.

Elieser sentou-se na beirada da minha cama e ficou me encarando, ele praticamente dizia com seus olhos que o culpado de minha tristeza era eu mesmo, que sou tão iludido que pensei ter algum significado para ele. Para mim, seu olhar era o mais absorto de sentimentos que eu jamais havia visto.

Eu simplesmente queria conseguir alcançar ele de alguma forma, pois ele parece estar muito na minha frente. Ele parece entender de tudo como se fosse o maior experiente em todas as experiências do mundo e eu sou o jovem ingênuo que tenta acompanhar, mas que não obtém sucesso. E é óbvio que não vou obter êxito em nenhum dos quesitos que envolvem Elieser Chermont.

Ele é bom demais para alguém como eu.

— Entenda que é complicado. – Ele parecia tentar se explicar. Parece que não entende da minha teimosia. – Não consigo mudar do nada, Nicolas. Você precisa ter paciência comigo.

— Eu tenho paciência. – Disse óbvio. – O que eu não tenho é um coração que aguente tantas palavras e gestos ácidos e sem carinho vindos de você apenas porque a vida é complicada, como se eu também não tivesse problemas.

— Nicolas. Eu não disse que você não tem problemas e eu disse que é complicado, não que a vida em si é. Eu mesmo sou a complicação em pessoa e você precisa entender isso. – Eu apenas ri sem graça para ele e cruzei meus braços. – O que você quer que eu faça? Está esperando eu me ajoelhar e implorar?

— Você não pode impedir que eu me aproxime dele e se isso for te irritar, terei prazer em fazer. – Meu tom se tornou tão irônico quanto o dele, por isso aparentava ser tão diferente falar daquela maneira.

Ele precisava provar do seu próprio veneno. O feitiço precisava virar contra o feiticeiro uma vez mais.

— Foda-se, eu desisto, só não venha me pedir ajuda quando perceber que ele é muito pior e muito mais manipulador que eu. Eu tentei te avisar, mas não posso ajudar quem não quer ajuda. – E mais uma vez seu tom de voz mudou.

A calma que a voz de Elieser transmitia não fazia jus ao que ele provavelmente sentia. Seu olhar me fazia imaginar uma cena totalmente diferente, uma cena onde ele estaria ou me segurando pelo pescoço ou pelo braço, gritando que eu era um idiota por não escutá-lo.

[...]

Alguns dias se passaram. Cinco para ser mais exato. Elieser e eu não trocávamos olhares, trocávamos faíscas prontas para se tornarem um grande incêndio. Durante as aulas Thomas sentava comigo e eu fazia de tudo para puxar assunto com ele, afinal a ideia era provocar Elieser e eu conseguia sentir seus olhos me fitando o tempo inteiro.

Na hora do intervalo, Thomas estava sentado de um dos meus lados e Elieser estava do outro, com Gabriela ao seu lado; Brian e Andrew estavam em nossa frente. Eu conseguia perceber a troca de olhares entre os dois, a tensão no ar era palpável. E, com os dois, quero dizer justamente Thomas e Elieser.

— Nic, tudo bem se eu for na sua casa lá pelas quatro horas? Antes disso tenho um pequeno compromisso. – Perguntou-me Thomas, iríamos fazer uma atividade de inglês juntos.

— Claro que sim, sem problemas. – Sorri o mais abertamente que consegui.

Elieser levantou da mesa e saiu, até mesmo empurrou um menino durante seu percurso, mas ao contrário do que eu esperava que eu mesmo fizesse, não fui atrás dele. Eu não sou um brinquedinho que ele pode usar quando bem entender e, como homem, até entendo essa lógica dele, já que antes de cair em seus encantos eu também pensava assim.

Engraçado o que paixões podem fazer. O amor é capaz de enlouquecer, ou quem ama enlouquece. Algo assim, creio eu.

Não fiquei mais do que cinco minutos pensando sobre isso, eu sabia que iria cair na tentação de correr atrás dele caso pensasse. Preferi voltar a almoçar e conversar com meus amigos, além de Thomas e Gabriela.

Quando estava voltando para a sala de aula, fui puxado pelo braço por Gabriela, que entrelaçou seu braço no meu e saiu andando comigo pelo corredor, sorrindo tão lindamente como seu irmão, porém de uma forma mais doce e suave. Fico imaginando se Elieser tem esse lado doce que sua gêmea tem... acredito que não.

— Olá, Nicolas. Tudo bem? – Indagou ela, me encarando tranquilamente.

— Tudo. Eu acho... e com você?

— Também. Sabe, eu estou um pouco preocupada com o meu irmão e essa obsessão dele por você. – Paramos na parede ao lado da porta da sala e eu a encarei como se estivesse perguntando onde ela queria chegar. – Meu irmão já se apaixonou, não pense que esse jeito é natural e que ele gosta de ser a pessoa rude que é. Ele pode até negar, mas eu sei bem que isso é apenas uma casca que o envolve.

— Será mesmo? – Perguntei, sem necessitar de uma resposta. – Eu deixo claro em todos os meus gestos que se ele der uma chance podemos ir em frente e ele apenas ignora as minhas tentativas. Ele sabe que eu estou gostando dele de verdade e já deixou tão claro quanto água que não sente o mesmo e que só me quer para se divertir. Eu não quero isso. Não quero apenas diversão.

— Eu te entendo e acredite em mim, eu pedi para ele se afastar se fosse para te fazer sofrer, mas ele não me escuta, nunca escutou. – Ela revirou os olhos e começou a rir, foi ali que cheguei à conclusão de que ela e Elieser eram totalmente opostos um ao outro, mas percebi também que a personalidade dela não me atraía tanto quanto a dele. – Como eu disse, ele já se apaixonou e sofreu muito, tenho quase certeza de que ele pode até gostar de você, mas seu medo de se machucar e a insegurança de te magoar em um verdadeiro relacionamento assombram ele.

— E para não magoar a si mesmo e não correr o risco de me magoar, ele fica me machucando de outras maneiras? Olha, eu sei que ele é seu irmão, mas eu não sou obrigado a aguentar alguém que só se preocupa com si mesmo.

Terminei de falar e me afastei dela, voltando para a sala de aula.

Não posso negar, o que ela me disse realmente me fez parar para pensar.

[...]

As aulas acabaram mais rápido depois que eu perdi meus pensamentos quando passei a pôr em mente o que Gabriela me disse minutos antes daquela aula começar. O caminho até minha casa foi silencioso no que dependeu de mim, mas meus amigos foram tagarelando por todo o percurso.

Quando cheguei em casa e me atirei em minha cama acabei pegando no sono e é óbvio que eu sonhei justamente com quem eu não deveria: Elieser.

Eu só fui acordar – e totalmente tonto e desorientado – quando ouvi o barulho da porta, principalmente por eu saber que só podia ser Thomas ali tocando à campainha.

— Desculpa minha cara de sono, acabei dormindo. – Falei assim que abri a porta e encarei Thomas parado ali.

— Você continua lindo, aos meus olhos. – Precisei desviar o olhar dele, senti minhas bochechas esquentarem. – Então...

— Vamos fazer o trabalho? – Fui perguntando enquanto subíamos as escadas e entrávamos em meu quarto.

— Claro. – Assentiu e sentou-se no pufe que tinha perto da minha escrivaninha.

Passamos a fazer o trabalho e trocamos poucas palavras que não fossem referentes ao assunto do trabalho em questão e eu e ele pegamos para falar sobre música pop. Foi por sorteio, mas não reclamamos. Era um assunto relativamente fácil, só precisávamos de uma hora concentrados e poderíamos conversar sobre qualquer outra coisa.

Por diversas vezes nossas mãos se tocaram enquanto mexíamos em meu computador. Queria eu poder dizer que senti algo, nem que fosse um arrepio por conta de suas mãos estarem geladas, mas a verdade é que não senti nada.

De que adiantava eu procurar encontrar em outro aquilo que eu sabia que só me seria dado por uma pessoa específica? Não adiantava querer outros arrepios, outras inseguranças ou qualquer outra coisa. Elieser era o único que fazia meu coração de fato acelerar e meu raciocínio se perder por completo.

Só com ele eu sentia as atitudes involuntárias do meu corpo e a total falta de palavras, pois eu nem sentia necessidade de proferir qualquer coisa quando estava ao lado dele. Gestos falavam por nós. Nossos corpos falavam por nós e era difícil de calar nossos corpos.

Quando estou perto dele tudo o que eu sinto é uma sede insaciável de seu corpo e um desejo tenebroso de seu ser. É estranho, inexplicável e inconfundivelmente único e maravilhoso. Pena que o que eu tinha para provar dele parece ter acabado, já que, pelo que eu percebo, ele não vai se sujeitar a me dar uma real chance. Será que ele não percebe que o único entre nós dois que realmente está magoando o outro é ele?

— Nic? Estou falando com você. – Thomas estalava os dedos em minha frente, fazendo meus pensamentos se partirem por completo. – Você estava encarando um ponto fixo e me ignorando. Está bem?

— Estou. Do que estava falando? – Perguntei ainda me sentindo um pouco perdido. Eu realmente estava concentrado em meus milhares de pensamentos.

— Perguntei o que está rolando entre você e Elieser. – Mais uma vez desviei meu olhar do seu.

— Não está rolando nada. – Agradeci mentalmente por não gaguejar. – Apenas somos conhecidos e nossas famílias são muito amigas, nada demais.

— Entendo. – Seu sorriso aumentou um pouco. – Nesse caso ele não vai se importar se eu fizer uma coisa...

E eu senti meu lábio tremer só por sentir ele aproximar seu rosto do meu e eu senti que não tinha muito como escapar, até que senti um arrepio percorrer meu corpo e uma voz sussurrar em meu ouvido:

Feche seus olhos...

Quando dei por mim eu já estava de olhos fechados e sentindo dois braços me segurarem. Eu o obedeci sem nem mesmo saber o que ele faria. Eu me senti seguro, me senti protegido.

— Pode abrir. – Disse ele e, ao abrir meus olhos, tive a certeza que eu já tinha.

— O que você fez, Elieser? – Perguntei assustado, estávamos em seu quarto. – Como que... isso...

— Não importa como. Ele ia te beijar e você ia deixar, Nicolas. – Ele parecia inconformado com os fatos.

— Não entendo o porquê disso tudo. – O encarei. – Você mesmo disse que não ligava. Um beijo não mata, sabia?

— Mas que porra, Henderson! Que inferno. – Alterou-se e por reflexo eu acabei dando um passo para trás. – Será que você não entende? Será que não me entende? O que quer que eu faça, Nicolas? Me diz!

— Quero que pare de agir como se nada fosse capaz de te ferir. Para de agir como se nada te importasse e você não sentisse nada por ninguém. É isso que eu quero. – Assim que terminei de falar eu senti ele me prensar contra a parede e eu tive certeza de que eu mesmo praticamente ouvia o som do meu coração acelerado.

— Ok, Nicolas! Você quer que eu diga que você mexe comigo? Você mexe, e muito. Quer que eu admita que eu amo o gosto do seu beijo? Eu amo. O que mais você quer que eu diga? Ah, sim... – Ele fez uma pequena pausa. – Quer que eu diga que eu te desejo? Que te quero? Que te amo? Que quero você para mim? Eu já disse muitas vezes que não sou quem você quer que eu seja, mas se vai fazer você se sentir melhor, eu seria capaz de arrancar o coração de quem ousasse tocar em você e Thomas será o primeiro da lista se tentar fazer isso.

— Você não admitiu. – Murmurei, vendo ele rir fraco. – E não sei o motivo de tudo isso.

— Pensei que entendesse entrelinhas. Dizer que arrancaria o coração dele se ele te tocasse só prova uma coisa. – Permaneci o encarando ainda confuso. – Isso se chama ciúmes, Nicolas, e só quem realmente se preocupa sente ciúmes.

— Isso significa que...

— Que eu gosto de você, Nicolas Henderson. Eu gosto mesmo de você!

Notas finais
TheEvilQueen: Gostaram? Ele admitiu o/ Mas no próximo teremos um pouco mais sobre esse misterioso Thomas ♥ Até sexta que vem ♥ TheOnlyOne (IAmTheDarkness): Espero que tenham gostado, haha. Repararam que agora os capítulos têm capa?