You Smile, I Smile
14 Surpresa?
Notas iniciais
- Teito! – exclamei, sem agüentar ver aquela cena parado – O que pensas que estas fazendo, humano idiota?!
Ele apenas circundou o pescoço de Frau e abanou as mãos em minha direção, como se fizesse pouco caso da situação.
- Mas o que... você... acha que está conseguindo com isso?! – admito, era muito mais fácil ficar irritado quando se estava falando nesse dialeto atual –É loucura! Era pra você estar brigando com ele, batendo, sei lá! Fora que... que é errado! Ele tem mulher, e você? Como fica? Tu mesmo...
Teito separou aquele beijo meloso e nojento e tentou alertá-lo da loja, mas Frau apenas disse que estava tudo bem. E assim ficaram, só parando quando a respiração lhes faltava. Até que o estômago de Teito rosnou alto, fazendo os dois rirem. Eu podia vomitar ali mesmo.
- Vou preparar alguma coisa pra você – disse e riu, indo procurar alguma coisa nos armários para preparar.
- E os lanches que deixou?
- Era mentira, só queria ver sua reação quando não encontrasse nada.
- E você ainda quer ficar com esse cara, Teito? – exclamei, novamente sem conseguir me conter – Não vê que ele consegue ser mais babaca que você?!
- Cretino – apesar disso, segurou seu rosto e lhe deu um selinho. Ah! Desisto desse idiota!
Não quis prestar mais atenção no que eles diziam e/ou faziam, apenas averigüei o perímetro, testei meus zaiphons de proteção otimizados. E agora que só conseguia captar 50% (ou menos) dos sentimentos de Teito, ficava mais fácil a parte de ignorar.
Mas admito. Às vezes, eu olhava apenas para morrer de indignação. Qual era a de dançar – sem música – enquanto cozinhavam? E Frau, por que ele estava deixando Teito cozinhar a sopa? Era o prato principal, não era?!
Ah... Por isso.
Com Teito no fogão, ele podia abraçá-lo por trás e mordiscar sua orelha e/ou pescoço. Nojento. Aquele homem era irritante!
- Teito! Já são quase seis e meia – avisei, querendo logo ir embora de lá – Seus pais vão ficar preocupados! – ele pareceu não se importar, estava ocupado demais dando sopa na boca para Frau – Ah, então quer dizer que agora você dá dor de cabeça pra sua mãe por estar trabalhando e ainda quer chegar atrasado em casa?
Foi golpe baixo envolver sua mãe, mas somente assim ele pareceu me dar ouvidos.
- Frau... – chamou, levando os pratos para a pia – Tá tarde, preciso ir embora.
- Dorme aqui, Teitoooo – alongou seu nome proposital e irritantemente, o virando e o beijando demoradamente. Quando eu vi que aquilo não ia acabar tão cedo...
- Teito! Foco, garoto!
- Frau – chamou entre o beijo – Eu preciso ir.
- Tá, tudo bem. Não quero problemas com a sogra.
- Idiota – murmurei, enquanto os dois iam para a entrada da loja. Me recuso a comentar como foi a linda despedida deles – Você é algum tipo de masoquista, Teito Klein?
- Gostaria de entender qual é a obsessão das pessoas por falarem meu sobrenome... – comentou em voz alta, fazendo duas mulheres que passavam de bicicleta o olharem torto.
- Teito! O que foi que você fez, garoto?
- Te ensinei alemão contemporâneo?
- O que vai fazer quando a noiva daquele loiro idiota voltar?
- Sei lá – deu de ombros – Como eu disse, a gente dá um jeito.
- Teito Klein!
- Hakuren, me deixa em paz.
- O que?!
- Não, sério, na estação tem mais gente, não vai dar pra eu te responder em voz alta.
- Você...!
- Isso, muito bem.
Bufei em pura raiva, sentimento meio que proibido para os Seres Celestiais. Mas quem disse que eu ligava? Não estava no Céu, não tinha Trono nenhum pra me encher e eu realmente estava com raiva de Teito, de Frau, de toda aquela situação. Como eu iria botar juízo na cabeça daquele menino?
Fomos para casa em silêncio. Mesmo enquanto estávamos em seu quarto, não trocamos nem mesmo uma palavra. Após o jantar, ele ainda ficou um pouco no computador – por pura birra, tenho certeza.
- Você pode ir dormir logo? – pedi, impaciente.
- O que? Agora quer ficar lá com seus Arcanjos e aqueles anjinhos saltitantes?
- Esses são os cup... – me interrompi, me dando conta do que estava acontecendo – O que há agora? Eu tive que agüentar você e aquele babaca o dia inteiro hoje e agora você quer me cobrar presença? Faça um favor para mim e para a sociedade, Teito Klein: Menos egoísmo, por favor.
- Egoísmo? Como egoísmo?! Você que está exigindo que eu vá dormir pra poder aproveitar a noite!
- Exatamente! Porque fiquei o dia inteiro tentando te avisar de que está jogando seu coração no lixo e agora, a única hora em que posso ter descanso do seu... Masoquismo sem limites, você fica me empatando por pura birra! – me descontrolei, gritando com ele, fazendo um esforço sobrenatural para não me mostrar.
Teito não falou nada. Como já tinha tomado banho, apenas desligou seu computador e foi se deitar. Saí sem nem ao menos lhe dar boa noite, antes de ele adormecer. Claro que fiz umas 600 barreiras de proteção, afinal, querendo ou não, aquele ainda era meu trabalho e eu precisava realizá-lo perfeitamente.
- Hakuren? – o ouvi chamar, provavelmente não sentindo minha presença. Planei à frente de sua janela, vendo-o levantar-se e correr os olhos pelo quarto. Sua expressão ficou magoada e captei certa melancolia vinda dele. Mas nada de arrependimento. Saí de lá rapidamente, mas não sem antes ouvir um “boa noite”.
No dia seguinte, acordei com o irritante barulho do despertador. Continuei sem dizer nada, acho que era aquilo que chamavam de “estar brigado”. Nunca pensei em ficar brigado com alguém. Pelo menos, não em meu período de servidão aos humanos.
- Me deixou desprotegido ontem.
- Posso cuidar do meu trabalho sozinho, obrigado pela preocupação.
Foi tomar seu banho sem mais dizer nada, tomou seu café da manhã em silêncio, mesmo sua mãe não tendo nada a ver com a situação. Na escola, mesma coisa. Não trocamos uma só palavra, nem no refeitório, muito menos quando um demônio tentou jogar uma praga em toda a escola. Logo uma brigada de anjos protetores apareceu e acabou com a situação toda.
- Você vai continuar com essa loucura? – perguntei quando ele estava à caminho da floricultura.
- Resolveu falar comigo?
- Você sabe que sairá ferido, Frau nunca abriria mão de uma família pra continuar esse amor impossível – não medi palavras, mesmo sabendo que ele poderia se ferir.
- Sabe o que acho que há com você, Hakuren? Está com ciúmes – disse e eu tive que rir de tamanho absurdo – Sabe que nunca conseguirá ser como o Frau é para mim. Porque você é só um anjo, não tem corpo, tem apenas voz e esta nem mesmo me causa efeito algum. E sabe por quê? Porque eu gosto do Frau e vou continuar a vê-lo todos os dias enquanto nós pudermos.
Aquilo... Me pegou desprevenido. Não imaginava tamanha agressividade vinda de Teito. Ele parecia me odiar. Será que ele não entendia que eu apenas queria seu bem?
- Mas eu tenho algo que Frau não tem, Teito Klein.
- Ahn, tem melanina? – chutou, transbordando sarcasmo – Ah, é, você não tem pele. Nem corpo.
- Mesmo não tendo corpo, mesmo sendo um mero anjo que te protege incondicionalmente, eu não abriria mão de você por nada — falei confiante, usando daquele argumento, pois sabia que Frau poderia abrir mão de Teito para ter uma família.
Vi culpa em sua expressão, mas mesmo assim isso não o impediu de abrir a porta da floricultura e esquecer-se completamente de mim ao ver Frau. Eu nem mesmo sei por que disse aquilo... Afinal, eu abriria mão de Teito por uma coisa. Apenas uma.
Não havia nada como aquele lugar. O Céu era minha casa, meu lar, era ali que eu pertencia.
Não quis ficar para ver como foi maravilhoso o dia dos dois juntos. Como se eu pudesse fazer isso... Tive que ficar lá, agüentar toda aquela bajulação por parte dos dois, foi realmente... Foi... Não sei descrever o que senti, mas foi algo perto de tristeza.
Para salvar meu dia, Labrador foi até a casa de Frau quando os dois estavam lanchando.
- Olá, Lab.
- Oi, Labrador.
- Bote juízo na cabeça desses dois.
- Oi, pessoal – respondeu aos dois, sorrindo. Estranhou o fato de Teito estar sentado no colo de Frau, inclinando levemente a cabeça para o lado, mas não disse nada – Vocês parecem felizes.
- E estamos – respondeu Frau, mordendo a bochecha de Teito, que apenas corou, olhando para baixo – E não faça essa cara, Lab. Teito sabe.
- E o que vão fazer quando ela chegar?
- Podemos falar sobre isso depois?
- Claro, ele não quer falar na sua frente que vai te largar quando ela chegar.
- Frau... – começou Labrador, o olhando em desaprovação.
- Labrador, vai ficar tudo bem. Nós dois daremos um jeito, no final – disse Teito, tentando encorajar mais os dois do que a si mesmo. Patético.
Frau trocou um olhar triste com Labrador, que apenas negou com a cabeça, com a expressão triste. Afinal, o que ele poderia fazer?
- O que aconteceu? – perguntou Teito, inocentemente.
- Aconteceu que...
- Eu vou embora – me interrompi quando Labrador disse subitamente – Até mais, Teito. E Frau... Esse destino – apontou para Teito – já está decidido. Está perdendo seu tempo.
Ficamos Teito e eu sem entender muita coisa, mas quando fui me dar conta, aquilo já era outra profecia daquele humano de olhos violeta.
- Não entendo como ele consegue profetizar... – comentei, frustrado. Teito olhou em minha direção, mas não disse nada. Simplesmente continuou comendo seu sanduíche com Frau. Os dois não perderam o clima com aquilo e eu não perdi a chance de pensar sobre qualquer coisa pra me distrair daqueles dois.
Finalmente, a hora de Teito ir chegou e ele foi-se. Novamente, rejeita-se comentários sobre qualquer tipo de despedida daqueles depravados. O caminho para casa fora silencioso novamente, inclusive já em sua casa, no jantar, nas lições, banho... Mas não consegui me conter pouco antes de ele ir dormir.
- Teito.
- Sim? – respondeu de pronto, sentando-se em sua cama, como se mostrasse que estava prestando atenção. Estaria ele querendo voltar ao que éramos antes?
- Só... Aconteça o que acontecer, não vá pra cama com Frau.
- Po-por quê? – perguntou, tentando ser altivo, mas sua face corada o delatava.
- Não sei bem, pra ser sincero – eu disse, pensando no que Labrador dissera sobre o destino de Teito e que Frau estava perdendo o tempo dele – Mas não sinto que vai ser uma coisa boa.
- Pra mim ou pra você?
- Ambos.
- Ah, claro.
- Se você não está bem, Teito, eu não estou. Afinal, posso sentir o que sente.
- Parcialmente – declarou, sorrindo de canto, totalmente sacana.
- Só não diga que não avisei – eu disse, indo pra janela – Eu to indo.
- Hakuren! – me chamou, assim que eu estava prestes a saltar. Apenas o esperei falar, dentro do quarto para ele sentir minha presença – Você não vai... Er... Sabe... Me purificar e aquelas coisas que você faz?
- Nessas horas você resolve se lembrar que eu existo, não é? – perguntei, sem ser rude, apenas... Triste. É, era isso. Eu estava triste por aquele nosso afastamento, ainda mais porque não fora escolha nossa, alguém estava causando isso.
Sentei-me ao seu lado e comecei o ritual diário, limpando todo seu corpo das Influências que ontem eu não havia tirado. Terminei em tempo recorde e já ia novamente saindo.
- Haku – chamou novamente – Me guarda?
Posso ter sido fraco ou qualquer coisa naquele momento, mas quando o olhei... Aquela expressão envergonhada, culpada e confusa, aquele pedido tão inocente... Não dava pra dizer não. Era incrível como aquela frase tinha um efeito tão devastador no meu coração.
Deitei-me ao seu lado e apenas o observei enquanto ele pegava no sono. Tão ingênuo, tão puro, tão inocente... Não deveria cair nas garras da personificação dos pecados. Passei a mão por seus fios quase azuis de tão pretos, imaginando o que aconteceria em nosso futuro. Frau, será que ele magoaria Teito tanto quanto eu estava pensando que faria? E nós, será que ficaríamos juntos? Pra sempre era tempo demais?
Não entendia o porquê de Teito conseguir exercer tanto poder sobre mim. Ele era só um humano, eu era mais que ele! Então, por quê? Por que eu nunca conseguia negá-lo alguma coisa? Por que eu sempre acabava cedendo?, com prazer.
Era inquietante o fato de que eu, pela primeira vez, estava pensando mais em outro alguém do que em mim mesmo. E era ainda mais inquietante não saber o que esse alguém representava pra mim. Quer dizer, o que eu sentia por Teito Klein, exatamente?
Eu não queria que ele fosse apenas meu Protegido, muito menos meu amigo. Amigos não dizem o que eu tenho em mente para amigos.
Talvez, só talvez, eu não simplesmente odeie Frau. Talvez Teito esteja certo, e se eu tiver ciúmes do que ele pode fazer, dizer e sentir com Teito? Ele tem o que eu nunca vou ter, e talvez seja isso o que me incomoda.
Era difícil admitir, mas talvez Frau não fosse tão ruim. Ele dissera que amava Teito, eu não vira falsidade, exatamente, em seu olhar. Mas meu ciúmes fora tão grande e complicado, acabei confundindo os sentimentos. E mesmo assim, não posso permitir que eles fiquem juntos, sou egoísta demais para desistir de Teito assim.
Mesmo estando incrivelmente chateado com ele, não consegui sair de seu lado naquela noite.
- Bom dia, Haku – me desejou assim que acordou e sentiu minha presença ao seu lado.
- Bom dia.
- O que prevê para o dia hoje?
Estranhei sua pergunta, mas dei de ombros: — Irá para aquela floricultura?
- Sim – respondeu prontamente.
- Então será péssimo.
- Ótimo, então será ótimo – disse, se levantando e pegando a toalha – Quando você acha que será bom, é ruim; então nesse caso só pode ser o contrário.
- Entenda que se Frau está em seu dia, ele é péssimo.
- Seu dia é, santo egoísmo.
- E seu anjo ter um dia ruim não é péssimo pra você?
- Não – respondeu, sorrindo de lado, piscando. Abanou as mãos como se dissesse pra eu não me preocupar, que ele estava brincando, mas foi só. Entrou no banheiro e demorou mais do que o habitual, se atrasando e tendo que se arrumar e sair de casa correndo.
O dia de aula foi normal. Conversamos pouco mais que o dia anterior, mas eu ainda ficava incrivelmente irritado quando o assunto era Frau. Ou seja, quase sempre. Eu ainda tentava convencê-lo de que aquilo não valia à pena.
- Hakuren, na boa, você tá parecendo o amigo nerd que tá tentando convencer a menina que ama que o cara que ela tá é um babaca – disse numa dessas, no intervalo no terraço.
- O cara que você tá é um babaca.
- Só que eu não sou a menina que você ama.
- E-eu nunca disse o contrário – falei, apenas para saber que reação ele teria. Afinal, eu tinha que saber se... Saber o que Teito achava disso, dessa de não termos apenas uma relação Protetor x Protegido – que, na verdade, já não temos desde o primeiro dia em que nos comunicamos.
- Então, acha que eu sou menina? – perguntou, fazendo uma expressão de tédio – Tudo bem, então está dizendo que me ama?
- Também nunca disse isso!
- Pô, Haku, se decide.
- O que diria se eu não te amasse?
- Eu ficaria triste, pra falar a verdade. Não é todo dia que um anjo te ama, não é mesmo?
- Tudo bem. E o que diria se eu te amasse?
- Acho que seria a coisa mais... – ele se interrompeu, se assustando com o sinal. Pareceu esquecer completamente de terminar a frase, levantando-se e indo para a sala de aula. “Vamos, Haku”, foi só o que disse.
Por incrível que pareça, a sorte (não) estava do meu lado. O professor do último período faltou e não havia substituto. Parece que todo mundo ficou doente. Isso é obra de demônio que não tem o que fazer, em minha opinião. Mas era um alerta, era bom tomar cuidado com Teito, afinal, muita gente ficar doente ao mesmo tempo não era bom sinal.
Ele foi quase saltitante para a floricultura, querendo logo chegar para abraçar Frau – segundo o mesmo. Foi aí que parei de falar. Como se ele fosse me ouvir, de qualquer forma...
- Frau! – exclamou, assim que chegou à porta. O loiro estava atrás do balcão lendo uma revista e sorriu ao ver Teito, beijando-o.
- Teitinho!
- Não me chame assim, lady – fez um trocadilho com seu nome, abraçando-o – Saí mais cedo da escola e vim direto.
Mas quando eu achei que seria apenas mais o começo de um entediante dia, algo estranho aconteceu logo quando Teito chegou à floricultura.
- Que bom que chegou, tenho uma surpresa pra você.
- Surpresa?
- Sim, vamos para meu quarto. – disse, colocando uma placa de fechado na porta. Frau nunca deixou ninguém entrar em seu quarto.
Algo estava realmente muito estranho.
- Po-por quê? – perguntou Teito, corando por estar entrando naquele cômodo tão íntimo.
- Podemos avançar um pouco mais? – perguntou, assim que entraram, o prensando na porta. Todos os porta-retratos estavam virados para baixo.
Teito era bonito. Lindo, arrisco dizer. E Frau só queria isso, sua beleza. E ingenuidade, inocência...
- Teito! Saia daí agora! – gritei, assim que notei o que estava acontecendo – Frau não está afim de você, ele só quer seu corpo! Por que acha que ele se interessou por alguém... – me calei, assim que notei que estava piorando minha situação. Ele me olhou magoado, negando com a cabeça. Droga, agora ele estava pensando que eu queria estragar sua primeira vez!
- Deite – pediu Frau, indo felinamente para cima dele assim que deitou.
- Teito! Ele vai te traumatizar! Por favor, pare com isso.
- Posso? – perguntou Frau, alheio ao meu desespero, apontando para a camiseta escolar de Teito.
- Faça o que quiser comigo, Frau – respondeu ingenuamente para ele e para mim, fazendo-o sorrir e arrancar a peça.
A partir daquilo, meu desespero começou. Frau fazia tudo com pressa, não era agressivo exatamente, mas tinha certa violência em seus gestos. Teito precisava sair dali. Se ele quisesse, não parecia que Frau o impediria.
- Por favor, Teito não faça isso consigo mesmo – tentei novamente, olhando a cena de meu humano sendo devorado por olhos famintos e bocas insaciáveis – Não faça isso comigo.
Era torturante. Frau o tocando daquela forma obscena em lugares tão íntimos, beijando e deixando sua marca por onde passava...! Eu sentia raiva. Por diversos motivos! Era o meu Teito ali, o bem mais precioso que eu tinha!
- Frau – chamou, contorcendo o corpo preso por aquelas presas – Tá machucando... Ai...
Por estar destruindo o futuro do meu Teito, por ser tão repulsivo e asqueroso, por Teito ser tão orgulhoso e teimoso, mas ao mesmo tempo ingênuo demais.
- Não precisa me provar nada, Teito – tentei como recurso – Não precisa fazer isso só porque quer que eu veja que pode. Não faça isso pensando em alguém além de si... Por favor, pare. Eu imploro, pare.
Mas acho que o que eu mais sentia era tristeza. Por Teito não estar fazendo aquilo completamente por vontade própria – porque captei certos sentimentos de orgulho –, mas principalmente porque Frau estava tocando o corpo do único ser que eu consegui amar em toda a minha vida.
- Teito! – exclamei desesperado ao notar que Frau estava querendo fazer tudo relacionado a sexo – Não o deixe encostar em você! Não o deixe... Teito!
Mas era tarde. Frau o colocou em cima de si, conectando os corpos o mais profundamente que os seres humanos conseguiam.
Naquela hora, eu... Não entendi o que aconteceu em meu coração, mas nunca senti nada tão forte. Tão forte que eu não consegui agüentar e acabei liberando em forma de... Como era mesmo o nome?
Ah, lágrima.
- Eu pedi – falei, não agüentando mais aquela expressão dolorida em seu rosto – Eu implorei – continuei, e talvez minha voz embriagada de choro o tenha chamado sua atenção – Por que não me ouviste?
- Haku... – chamou, involuntariamente.
Naquele momento, com o corpo de outro dentro dele, olhando diretamente em meus olhos, senti toda e qualquer ligação que tínhamos ser cortada dolorosamente. Eu já não mais o sentia.
-x-
Angelical.
Era ironia demais descrever um anjo como angelical?
Mas era assim que tu eras. Angelical, ofuscante, suntuoso.
Vossos cabelos eram de um dourado intenso, nunca visto antes.
Vossas asas, elas não eram reais, eram?
Tão graciosas, majestosas, me faziam hipnotizar.
Vossos olhos eram de um roxo claro, brilhoso. Talvez pelas lágrimas.
Estavas tão triste...
Por que vossos olhos profundos refletiam tanta tristeza?
Eu sabia que a culpa era minha.
Mas admitir era ter o peso dos Céus nas costas.
E eu preferia
apenas
Admirar.
Notas finais
Estou chatiada hoje, gentem ): Por isso não vai ter presentinho, mas vou ficar muito feliz se receber um review ♥ E desculpem messsssssssssmo não estar respondendo, estou fazendo isso aos poucos. Aos leitores das outras fics que leem essa também, sorry ): (E MISTSURUGIIIIII KD VOCÊ)
Obrigada por tudo, gente ♥ Até semana que vem!
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