You Smile, I Smile
3 Flores.
Notas iniciais
Tenho que admitir que estou beeeem broxa com os cometários dessa fanfic ;; Ou melhor, com ~o~ comentário, porque ninguém tá comentando e e ;; Enfim, mais lamentações lá embaixo.
Aviso: Essa fic pode começar a ficar um pouco religiosa, mas é mais para entrar no tema "anjos". Eu sou espírita, cristã, mas a religião que me inspirei para escrever a fic foi a católica, então se alguém se ofender ou não gostar, desculpe por isso, esteja avisado :3
O capítulo tá bem grandinho, mais falando de uma relação em especial. Espero que gostem! ♥
– Mais um para a coleção – murmurou, ao pegar mais uma nota dez na prova de química.
– Whoaa! Teito ganhou mais um dez! – exclamou um garoto qualquer na sala.
– Eu não ganhei, imbecil, eu estudei e mereci esse dez, coisa que você deveria fazer de vez em quando também – falou baixo, mas sua voz impunha tanta autoridade que não precisava falar muito para que todos prestassem atenção.
Não que alguém realmente ligasse para suas agressões verbais. O garoto apenas virou, rindo do mau-humor de Teito, que bufou em desaprovação.
O intervalo ele passava com um cara do 3º ano, o nome do desafortunado era Barack. Nem quis investigar sobre ele porque, com certeza, acharia pais e parentes estranhos demais e eu não estava, e nunca vou estar, afim disso.
Eles eram bons amigos, até. Barack conseguia controlar Teito quando precisava e sempre o mantinha entretido na conversa. Acho que era coisa de Protetor ou algo assim, mas eu gostava de vê-los juntos, Teito parecia melhor quando estava com Barack.
Mas é claro que era só pra eu não ter ondas de melancolia alheia sempre me abatendo que eu fazia de tudo para que eles ficassem juntos.
– Ah... Eu lembro do meu 2º ano. Eu nunca tirava dez. Em nada – Barack comentou quando Teito contou sobre sua nota, querendo desesperadamente atenção e reconhecimento – Então parabéns, continue assim até a faculdade, lá é que você vai precisar.
Teito sorriu e continuou comendo seu lanche. Mas o que esse garoto esperava? Palmas e festejos durante toda a tarde?
– Qual é a sua aula agora?
– É vaga – respondeu dando de ombros.
Na verdade, sua aula era Educação Física, mas fora dispensado de toda e qualquer aula prática por puro capricho, já que não precisava de mais notas e se recusava a fazer Educação Física. Segundo ele, seu físico era ótimo, não precisava de mais. Bom, nisso ele estava certo. Apesar de ele ser magrelinho e baixo, tinha uma força extrema, tanto que não ligava de entrar em brigas. Mas claro que não fazia questão de estar em uma.
– Ok, então eu vou indo – disse Barack, dando de ombros. Deu um beijo na testa do meu Protegido como todos os dias e saiu, o deixando corado e confuso. Teito estava numa daquelas fases da amizade em que não sabia se sentia algo a mais pelo colega ou se era só um laço forte.
Ah, se ele soubesse que Barack já tinha alguém em mente e não era ele... Claro que eu não fiz nada para impedir o sentimento de se apossar do coração inocente e novato do meu humano, afinal, aquela não era nenhuma intenção e/ou intervenção maligna. Eu só queria saber como ele se daria com a situação, se admitiria que realmente gostava de Barack – como eu já pude ver em seu coração – ou se seria, mais uma vez, orgulhoso para admitir.
Avistei Barack indo em direção à sua sala com quem realmente lhe chamava atenção, sua amiga. Sorri sadicamente em direção à Teito me sentei ao seu lado.
Nessas horas, a vontade de quebrar as Três agora Antigas Leis me queimava por dentro. Eu queria tanto me mostrar pra ele e rir de sua cara corada e apaixonada!
Soltei uma risada abafada, me xingando de anjo sádico logo após, rindo ainda mais. Talvez eu estivesse pegando a mania dos humanos de falar sozinho...
As seguintes aulas foram tediantes para mim e para Teito. Não aprendemos nada, ou nada de interessante, não tiveram intrigas entre os alunos e nem nenhuma força do mal tentando alcançar um deles, muito menos o meu.
É, as influências do Inferno, ou demônios, se preferir, tinham um medo danado de mim. Eu posso ser arrogante e pouco me lixar para meu humano, mas nunca deixei de executar extremamente bem minha tarefa como Protetor. Axel me chamaria de robô do sistema se ainda fosse Celestial ou meu amigo.
Ele saiu da escola sozinho, disposto a ir para a corretora de viagens onde seu irmão trabalhava pegar sua chave para fazer uma cópia para si em algum chaveiro. Teve de pegar dois metrôs, um para a estação central e outro para a Therezien Straße, pois um local era longe do outro. Finalmente, chegou à corretora e pediu informação sobre a sessão em que seu irmão estava atualmente.
– Teito? O que faz aqui? – perguntou, indo encontrar seu irmão em alguma sala que, provavelmente, não era a que ele trabalhava.
– Quero sua chave de casa para eu fazer uma cópia em algum chaveiro agora – respondeu dando de ombros.
– Ah, tudo bem, deixa eu pegar – foi à sua sala e voltou trazendo um molho de chaves – É uma dessas...
– Ainda não decorou qual é a chave da própria casa, seu cretino? – perguntou, rindo. Claro, sendo parente de Teito, era tapado como o mesmo.
– Isso não é importante – disse – Em que chaveiro vai?
– Não sei ainda, vou procurar algum pela cidade.
– Tem um aqui perto, na rua depois da Hess. E, se não me engano, a floricultura daqui do lado está precisando de um atendente, por que não tenta um emprego lá? – informou sério, preocupado com o irmão.
– Tá, eu vou deixar meu nome por lá – disse – O-obrigado – agradeceu baixinho, num murmúrio. Moleque orgulhoso, seu irmão estava te ajudando, agradecer é o mínimo que podia fazer e nem isso fazia direito.
Se despediram e Teito foi à procura do tal chaveiro. Logo o encontrou, me surpreendendo, fora rápido demais para a anta do meu humano. Era um lugar pequeno, cheio de coisas velhas remendadas, era escuro e velho. Havia apenas um atendente e talvez fora sua aparência que deixara o lugar mais animado e menos assustador. Ele era baixinho (mas mais alto que o pintor de rodapé que Teito era), tinha cabelos brancos e um sorriso amigável.
Mas além de seus olhos de uma incrível cor violeta, não fora isso que me chamara atenção, mas sim sua áurea. Eu podia sentir e ver a áurea de todo e qualquer ser vivo, mas nunca vira uma como a dele. Era pura, expansiva e extremamente clara. Já era raro um humano ter a áurea pura, pois só crianças bem novas tinham, então era raro alguém de provavelmente 14 ou 15 anos ter. Infelizmente, não conseguia ver outros anjos, mas provavelmente o seu era muito devoto e não deixava seu humano sofrer.
Teito provavelmente sentiu também a áurea que o menino emanava porque ficou aliviado ao vê-lo.
– Bem vindo – o menino desejou quando Teito entrou, fazendo um sininho soar pelo pequeno cômodo. Sua voz era agradável, não era alta, mas dava para ouvi-la perfeitamente, como se ele estivesse sussurrando ao seu ouvido. Intrigante.
– O-oi – sorriu desajeitadamente, cumprimentando também. Teito geralmente era rude com quem não conhecia, então provavelmente não soube como agir quando, pela primeira vez, não quis ser mal educado com aquele menino, provavelmente mais novo que ele.
– O que deseja?
– E-eu queria fazer uma cópia dessa chave – pegou rapidamente a chave de casa do molho que seu irmão lhe dera e tirou de lá. Entregou para o menino e ele lhe sorriu, levantando uma alavanca de uma máquina antiga.
– Pode demorar um pouco pra ficar pronto – disse, ainda sorrindo.
– Tá, tudo bem – concordou, sem nem perguntar quanto tempo demoraria. Tapado. – Acho que vou na floricultura aqui da frente, então.
– Tudo bem.
– Vo-vou ver se acho emprego! – anunciou rapidamente, antes que o menino pensasse que ele era algum tipo de romântico – Sabe como é...
– Frau estava mesmo procurando alguém, tenho certeza de que adorará lhe ter com ele – comentou observando a chave, então olhando Teito nos olhos, o fazendo corar mais do que já corara a vida inteira.
Apenas assentiu e deu a volta, em direção à porta, mas parou à voz do menino.
– Com licença – começou, pegando um papel que estava em cima de um bolo deles – Que Deus o abençoe – desejou, o entregando o papel e dedicando sua total atenção à algumas chaves em cima do balcão.
Teito pegou o papel, mas logo o jogou de qualquer forma na bolsa, se emburrando de repente. E ainda por cima, eu tinha um Protegido ateu. Não, ele não era ateu porque quando a coisa apertava era para meu Pai que ele pedia ajuda, mas não gostava de coisas religiosas. Então, quando viu que o menino que ele julgava ser “decente” era religioso, logo ficou mal-humorado novamente.
Bom, fazia sentido que alguém devoto tivesse aquela áurea. Se eu tivesse sorte, Teito se apaixonaria por ele e se tornaria religioso também, afinal, talvez ele tivesse perdido suas chaves apenas para conhecer esse chaveiro.
Logo avistamos a floricultura do outro lado da rua e fomos até lá. O lugar era pouco maior que o chaveiro, com um balcão separando a loja do que provavelmente seria uma casa atrás. O lugar era uma mistura enjoativa de todo tipo de flor, alguns enfeites a mais e ursinhos de pelúcia. Alguma semelhança com Teito?
Havia uma placa de “fechado” na porta, mas Teito ignorou assim que viu um homem lá dentro, atrás do balcão.
– Com licença – chamou com impaciência, após entrar na loja e o atendente nem mesmo o olhar.
– O que quer, moleque? – perguntou, ainda sem o olhar. Já este atendente era alto, cabelos loiro-escuro e rebeldes, olhos de um azul claro e luminoso. Sua expressão era de total tédio, mas nem isso tirava a... hum... a beleza do homem à nossa frente.
Vi Teito suspirar profundamente, provavelmente querendo ser educado com aquele que provavelmente seria seu colega de trabalho.
– Vi a placa na rua e...
– Quer trabalhar aqui? – ele perguntou, com os olhos subitamente interessados e, talvez, até esperançosos.
– Ahn... Sim.
– Tudo bem, pode começar agora – disse, levantando-se, tirando o avental branco e vermelho e entregando a Teito.
– O que? Não vai nem pedir meu currículo ou pelo menos perguntar meu nome?
– Currículo? Faz-me rir, criança – disse, indo para os fundos da loja e voltando rapidamente com um balde com materiais de limpeza dentro e um rodo. Ri sadicamente com a idéia de que meu humano teria que trabalhar – Como é seu nome?
– Me fale o seu primeiro. – arrogante.
– Você trabalhará aqui, eu preciso saber seu nome.
– Por quê? – burro.
– Você mesmo disse para eu perguntar seu nome.
– Mas não quando estava com um balde e um rodo nas mãos – cretino.
– Então não quer fazer o trabalho pesado? – perguntou, fazendo Teito pegar o rodo e colocando o balde ao seu lado.
– Por que não faz você? – tapado.
– Eu tenho outras coisas para fazer.
– Se trabalha na loja, você é quem deveria limpar as coisas por aqui. – abusado.
– Caso não tenha notado, tem uma placa enorme dizendo “Precisa-se de atendente”! – gritou as últimas palavras, se irritando com Teito.
– Afinal de contas, quem é você?
– Frau Birkin, seu chefe.
Teito ficou sem palavras para rebater, afinal, não sabia que aquele cara seria seu chefe. Frau riu em deboche quando Teito pegou o balde e o arrastou para a entrada da loja, pretendendo começar a limpeza por ali.
– Seu nome, pirralho.
– Teito Klein – murmurou.
– Perdão, não ouvi.
– Teito Klein – continuou murmurando, um pouco mais alto.
– Ainda não ouvi.
– Teito Klein – disse em tom considerável, mas ainda sem olhar para o homem.
– Oi?
– Teito Klein, droga! – exclamou, olhando para ele apenas para ver sua expressão zombeteira, entendendo finalmente que ele só queria que Teito repetisse o nome olhando para ele.
Eu estava começando a gostar desse sujeito.
Bufou e continuou seu serviço, primeiro passando pano no chão, concluindo que não precisaria varrer antes porque o chão não estava tão empoeirado. Ou só por orgulho de não pedir uma vassoura para Frau.
– Eu vou dar uma saída, pirralho – anunciou, pegando suas chaves e um casaco pendurado atrás do balcão.
– O que?! – exclamou, inconformado – E se eu for um ladrão? Ou um psicopata? Como pode deixar sua loja nas mãos de qualquer um assim?
– Não estou deixando nas mãos de qualquer um, afinal, conheço seu irmão – respondeu, dando de ombros – Mikage é boa pessoa e já me falou algumas vezes de você.
– E como sabe que eu sou mesmo irmão de Mikage?
– Fotos, tecnologia existe hoje em dia – disse – E você acabou de me confirmar.
– Então já sabia meu nome!
– Te reconheci no exato momento em que botei os olhos em você – piscou e saiu da loja.
– Mas...!
– Sem “mas” – disse, já do lado de fora da loja – E coloque o avental. Vai ficar uma gracinha em você – apertou o queixo de Teito e piscou para ele. Eu ri da cara novamente corada dele e fui me sentar em cima do balcão, não sabia que horas aquele Frau voltaria e nem que horas Teito terminaria, então era melhor descansar. Mesmo que eu não tivesse nada para descansar.
– Que cara idiota – comentou, esfregando uma mancha no chão que não queria sair – E além de tudo deve ser pedófilo. Onde Mikage estava com a cabeça para me mandar vir aqui?
Ri de sua atitude tão estupidamente humana. Essa era parte engraçada de guardá-los, todos os humanos, sem exceção, falavam sozinhos às vezes. E os solitários principalmente. Os solitários e rabugentos, como Teito, sempre falavam sozinhos para xingar outras pessoas, por isso era mais engraçado ainda.
Terminou de limpar todo o chão e, sem nada mais para fazer, começou a dar uma ajeitada no balcão, prateleiras etc. Logo após, Frau chegou e deu uma boa olhada em volta antes de falar qualquer coisa, encontrando Teito passando espanador nas prateleiras.
– Até que fez um bom trabalho, moleque – disse Frau, bagunçando seus cabelos. Teito com certeza odiou o gesto, mas inflou o peito com o elogio. Carente.
– Espero que saiba que quero uma quantia a mais por esse serviço, afinal, você saiu sem nem me dizer meu salário – disse, se fazendo de indiferente, mas logo seguiu Frau quando ele fez um gesto com a mão.
– Me desculpe por isso Teito, eu devia ter dado mais atenção ao meu novo funcionário – disse, totalmente diferente de mais cedo. Meu deus, agora eu era obrigado a conviver com um bipolar?
– Devia mesmo.
– Eu estava meio atrasado, além de tudo – disse – Me ajuda a arrumar isso aqui? Aí poderemos negociar os detalhes do seu emprego.
– Tá, que seja – deu de ombros e pegou uma caixa grande na caçamba do pequeno caminhão florido de Frau. Logo os dois haviam levado todas para dentro da floricultura, demorando em abri-las, me deixando curioso sobre o que havia dentro.
– Eu tive que ir buscar essa encomenda numa floricultura em Stamberg, desculpe a demora – suspirou parecendo realmente cansado. Então eram flores lá dentro? Por isso as caixas eram tão grandes, mas pareciam tão leves.
– Onde vamos colocá-las? – perguntou, abrindo uma caixa que exalava um cheiro forte de orquídeas.
– Vamos trocar as que estão aqui – disse, tirando dois vasos de uma vez da caixa – Elas já estão murchas, uma vergonha. Por isso nem abri hoje.
– Tá.
Primeiro tiraram tudo de dentro das caixas, depois abriram espaço nas prateleiras, tirando as flores mais antigas e as colocando no chão. Logo as novas flores enfeitavam o local já naturalmente alegre e aconchegante. Até lembrava um pouco o Paraíso ali dentro, até porque Frau emanava uma áurea boa, apesar de seu temperamento.
– O que você faz com as flores velhas?
– Algumas eu replanto, outras, infelizmente, eu jogo fora – comentou, como se realmente odiasse fazer aquilo. Pediu a ajuda de Teito para colocar levar as flores dentro do cômodo atrás do balcão.
Eu era normalmente curioso, mas não ficava explorando o local à minha volta, era perigoso para Teito ficar sem proteção. A não ser quando ele estava dormindo. Era considerado a maior covardia do mundo atacar um humano em sua casa e ainda por cima dormindo.
Fomos para dentro e lá realmente era a casa de Frau. Muitas fotos dele a algumas pessoas que julguei ser família ou amigos estavam espalhadas por todo lugar alegando isso. Era uma casa pequena, provavelmente apenas para uma pessoa morar. Não pude analisar muito porque fomos direto para os fundos, passando a pequena sala, a cozinha a direita e, enfim, chegando a um pequeno jardim.
– Pode colocar em qualquer lugar por aí, depois eu as replanto – disse, colocando os vasos que segurava no chão.
– Quer ajuda pra isso?
– Tentando aumentar seu salário?
– Só quero ajudar, idiota – Teito disse, emburrando-se totalmente, fazendo Frau rir.
– Não precisa, a não ser que queira aprender a arte de replantar uma flor – respondeu, indo pegar outros vasos que ficaram na loja. Os dois levaram todos para o jardim e Frau primeiro separou as murchas para jogar fora.
– Se quiser, eu posso fazer isso. Vá replantar – dispôs Teito novamente. O que dera no moleque agora pra ficar ajudando esse homem que ele nem mesmo conhecia direito?
– Tá, eu prefiro assim mesmo – Frau disse, parecendo aliviado – Deixa só eu te mostrar como faz.
– Eu sei jogar uma planta fora, idiota.
– Não é só jogar uma planta fora, pirralho. Você tem que tirar, com cuidado, pelo amor de deus, as flores do vaso e enterrar naquele canto – apontou para uma parte no jardim em que a terra parecia mais fresca e viva, provavelmente porque as plantas enterradas ali viravam adubo.
– Tá... – concordou, tentando tirar a planta do vaso o mais cuidadosamente possível – Assim?
– É, só que tire a terra do vaso antes para a planta não sofrer muito. Se continuar puxando assim, ela quebra.
Teito suspirou, pensando em como Frau era obcecado pelas flores que cuidava. Fez como ele pediu na primeira flor e conseguiu tirar do vaso sem muitas reclamações de Frau. Cavou um pequeno buraco, grande o suficiente apenas para a flor, e a enterrou ali.
– Veja como ela parece mais feliz desse jeito, na terra mesmo – comentou. Os dois estavam agachados na frente do pequeno “cemitério” de flores, Teito olhava as plantas com descaso, mas achava incrível a dedicação de Frau com elas. Pff, mereço mais essa agora.
– É... – concordou, sem querer insultar o que parecia ser a maior paixão de Frau.
– Agora pode enterrar essas, vou replantar aquelas – disse, se levantando e separando mais uma vez as de melhor estado para replantar em alguns vasos vazios com terra, apenas esperando novas moradoras.
Teito fez tudo com cuidado, de vez em quando tentava sentir o mesmo que Frau, mas o máximo que conseguiu foi nos deixar entediado.
Quando todas já estavam enterradas, foi ajudar Frau, que fazia tudo mais devagar e com mais cuidado. Primeiro observou o que ele fazia para não o atrapalhar, já que parecia realmente concentrado.
Tirou uma de um vaso e replantou em outro, tentando fazer tudo com o mesmo cuidado de Frau.
– Como se interessou por flores? – perguntou de repente, sentindo a dúvida fluir de mim até ele. Ah, como eu adorava quando isso acontecia.
– Eu sempre via Labrador cuidar de suas flores e plantas como se sua vida dependesse daquilo, mas nunca me interessou. Até que seu pai morreu e, como ele não tinha idade suficiente para assumir a floricultura, a passou para mim – contou, levantando e colocando o vaso que segurava numa prateleira branca acima dos dois – Labrador ficou feliz por mim. Sempre vinha até aqui e me ensinava sobre flores para eu não me perder.
Teito ouvia tudo calado, evitando pensar qualquer coisa. Ah, meu querido Protegido, assim você só dava voz para minha curiosidade.
– E, com a convivência, aprendi a amá-las assim como ele. Talvez menos porque não conheço ninguém que goste mais de plantas do que ele, mas agora compartilhamos a mesma paixão.
– Quem é Labrador? – perguntei através de Teito. Não era exatamente fácil fazer aquilo, eu precisava me concentrar muito na pergunta e ele não podia estar pensando em falar alguma outra coisa. Então, aquele momento era perfeito porque Teito estava meio perdido, sem saber o que dizer. Afinal, ele não tinha um amor assim para falar que também se dedicava a alguma coisa.
– É um amigo de infância. Nossos pais eram amigos, então acabamos nos tornando amigos também. Mas ele é mais novo, tem apenas 15 anos agora.
– E você tem quantos? Quer dizer, se você o via com as plantas quando ele era menor e agora ele só tem 15...
– Era uma amizade estranha. Conheci Labrador com dezesseis anos, quando ele só tinha nove. Mas ele sempre fora adulto para a idade, então era como seu tivesse falando com alguém da minha idade – explicou, sorrindo provavelmente relembrando-se de alguma coisa, ainda replantando.
– Você ainda o vê? – Teito agora já perguntava por vontade própria, mas eu estava interessado no assunto também.
– Sim, ele sempre vem aqui cuidar das plantas comigo quando tem tempo de seu trabalho – respondeu, encarando Teito por alguns segundos. O que? Agora ele estava tentando fazer ciúmes?
– Devia o contratar, já que ele gosta tanto de plantas – disse num murmúrio. Mas Teito estava realmente com ciúmes?!
– Ele não pode largar seu emprego, é a única coisa que restou da família dele, tirando essa floricultura – deu de ombros, jogando os cabelos para o lado e limpando algumas poucas gotas de suor.
Teito o observou e deixou o queixo cair levemente. Pelo visto, estava impressionado com a beleza do homem à sua frente. Suspirei... suspirei novamente. E mais uma vez. Resolvi me abster de comentários antes que resolvesse me mostrar pros dois ali e colocar algum juízo na cabeça daquela criança.
– Acho que vou chamá-lo para dormir aqui em casa hoje se...
– Isso não é pedofilia? – Teito interrompeu, sentindo algo estranho que nenhum de nós dois conseguiu definir. Deixando isso de lado, ele corou pelo comentário.
– Seria se eu fosse abusar dele, moleque, e não pretendo fazer isso – Frau disse sério, sem expressar raiva ou deboche.
– Não me convence – disse, inflando o peito. É claro que ele não ia abaixar a cabeça para uma coisa que ele mesmo havia dito de errado – Você pode estar querendo abusar de mim também agora.
– Claro, por isso você está na minha cama e não no jardim da minha casa.
– Não enche – pediu – Mas e essa casa? Era do pai do... Labrador... também?
– Não. Eu comprei o terreno atrás e construí meu lar – respondeu, levantando-se e batendo as mãos na calça jeans velha para tirar a terra – Afinal, se tivesse uma casa aqui, ela seria de Labrador por direito.
– E faz tempo que mora aqui?
– Faz dois anos. Eu tinha 19 quando assumi a loja e construí minha casa – disse, esperando Teito levantar-se também.
– Saiu de casa com 19 anos e já construiu outra? Como arranjou dinheiro? E seus pais? – proferiu uma pergunta atrás da outra, ficando cada vez mais curioso em relação a isso. Mas era só ele. Eu não estava mais tão afim de saber porque provavelmente seria uma história com tragédias ou brigas, e eu odiava essas coisas chatas. Fora que parecia ser pessoal, mas Teito era tapado demais para perceber.
– Chega de perguntas, pirralho – disse, sem se importar em tirar a camiseta na sua frente. Teito logo desviou o olhar, o chamando de exibido mentalmente.
– Quanto eu vou receber?
– Apressadinho você – disse, rindo e o chamando para dentro de casa – Apesar de você ser um pé no saco, ajudou bastante hoje. Te pago um adiantamento por hoje e depois você pode receber a metade de um salário mínimo.
– O quê? Tá maluco, Birkin?! – exclamou, indignado. Pff, moleque abusado, e ainda queria salário de empresário.
– O que foi?
– Primeiro. Não será um adiantamento, será um adicional. Segundo. Você quer me pagar meio salário mínimo pra trabalhar 5 horas por dia, sem refeição, sem carteira assinada e sem transporte? Se for, me fale que eu saio daqui a agora e não volto mais.
– Pirralho insolente – disse, mas sorriu de canto – Sabe de seus direitos pelo menos.
Continuou andando pela casa, jogou a camiseta suja num cesto, lavou as mãos e começou a fazer um lanche. Com Teito atrás.
– Tudo bem. Você terá transporte e refeição, mas meio salário mínimo.
– Dois terços ou nada feito.
– Você acha que brota dinheiro nessa floricultura, pirralho?
– Me quer trabalhando pra você ou não? Posso fazer um marketing a parte para atrair mais gente.
– Golpe baixo.
– Se eu conseguir, um salário mínimo inteiro.
– Então, te pago meio salário mínimo até conseguir clientela. Se conseguir aumentar os lucros em pelo menos cinquenta... e cinco por cento, te pago um salário mínimo inteiro.
– Trinta por cento.
– 40.
– Fechado. Mas vou querer meu adicional. Agora, de preferência.
– Abusado – ouvi Frau murmurar, mas logo havia pegado sua carteira no bolso de trás da calça.
Ouvi a discussão com expectativa. Bom, Teito podia ser tapado e insensível, mas não era bobo com negociações, assim como não era em exatas.
– Só isso? – observou a nota de um valor alto nas mãos com descaso.
– Eu não abri hoje, se não notou – disse, jogando de qualquer jeito o lanche que estava fazendo para Teito em sua direção, num prato.
– Tá, que seja.
Os dois comeram em silêncio. Aproveitei para dar uma checada na casa enquanto os dois ficavam naquele climão. Era bonita, bem organizada e exalava uma boa energia. Não parecia um mau local para meu Protegido passar todas as tardes.
Mas algo me chamou atenção. Toda a casa, além de muito bem organizada, usava alguns métodos de proteção que só os mais entendidos do assunto conheciam. Os objetos em trio, amuletos discretamente envolvidos na decoração... Frau seria algum tipo de bruxo ou...? Nada deixava fresta para Intenções Malignas entrarem.
– Preciso ficar até às 18 aqui mesmo? – Teito perguntou subitamente, me tirando dos devaneios. Provavelmente estavam conversando antes, mas eu estava entretido demais com aquela decoração... peculiar.
– Não, se quiser pode ir para casa. Mas te quero aqui amanhã às 13.
– Tá. Pelo menos saio no mesmo horário que meu irmão – comentou, levantando-se.
– Sua mochila está pendurada atrás do balcão, lá na frente. Até mais, subordinado.
– Não me chame assim.
– De subordinado? Por quê?
– Não tem tal liberdade.
– Vá logo para casa, subordinado, até amanhã.
Teito revirou os olhos e saiu sem dizer mais nada. Foi direto para a estação mais próxima, contrário à direção do chaveiro. Mas como era irresponsável! Como ele ia deixar a própria chave com um estranho?! Sorte que Mikage chegava depois de todo mundo, então provavelmente não sentiria falta da própria chave.
Perdeu o primeiro metrô, mas logo o segundo veio. Fez a baldeação na Hauptbahnhof e seguiu para casa. Chegou e seu pai já estava lá, o esperando.
– Onde esteve?
– Ahn... Fui procurar um chaveiro para fazer uma cópia pra mim – respondeu, lembrando-se de que havia esquecido a chave, rezando para que seu pai não perguntasse.
– E ficou lá até agora?
– Bom, eu também fui procurar emprego.
– E conseguiu?
– Sim.
– Onde?
– Numa floricultura, perto do trabalho do Mika.
– Ótimo. – respondeu, sorrindo – Mas poderia ao menos ter ligado para avisar, não acha?
– Desculpe – abaixou o olhar, sem querer retrucar, gritando que não tinha celular pra ligar.
– Tá, não vou contar pra sua mãe. Só não faça mais isso, sorte que liguei para Mikage e ele sabia onde estava.
Teito sorriu amarelo, em agradecimento, e subiu para seu quarto. Deixou tudo em cima da cama de qualquer jeito, pegou sua toalha e foi para o banheiro. Tomou um banho demorado demais para o meu gosto, que tive de ficar naquele banheiro abafado junto dele. Não, eu não o ficava o olhando tomar banho, pelo o amor de deus.
Saiu e foi para seu quarto, se trocou e pegou sua mochila, indo fazer suas lições. Pra ele, nada muito difícil, apenas cansativo. Eu aproveitei e “chequei o perímetro” em busca de alguma coisa que pudesse fazer mal à Teito e, por sorte, não encontrei nada. Vida entediante...
Uns tempos depois, ele havia terminado tudo e estava guardando seus cadernos quando um papel no fundo de sua bolsa o chamou atenção. Ele o pegou e eu logo o reconheci como o que o menino chaveiro havia lhe dado. O leu com descaso, negando de leve com a cabeça.
“Que a paz esteja convosco!
No próximo domingo será comemorado o Dia do Anjo da Guarda! Uma missa especial e totalmente dedicada a eles será realizada. Venham e tragam seus anjos, tenho certeza de que vão gostar dessa dedicatória.
Próximo domingo, dia 02 de outubro, às 9:00 da manhã, na St. Michaelkirche, Karlsplatz.
Glória a Deus!”
– Anjos, até parece que essas coisas existem – bufou em seguida e amassou o papel de qualquer jeito, o jogando em algum canto em seu quarto. É claro que esse moleque cético não ia acreditar que nós existimos. Babaca. Seria interessante ir nessa missa, apesar de que eu já fui algumas vezes com Protegidos anteriores e é um saco, mas eu queria saber qual seria a reação de Teito.
Sentou na frente do computador e começou a postar coisas em blogs, conversar com umas pessoas que ele nunca havia visto na vida e escutar músicas sem nexo. Pouco tempo depois, estava entediado. Como sempre, ficava uma hora, uma hora e pouco, no computador e se entediava. Correu os olhos pelo quarto e o papel que havia amassado captou seu olhar.
Será que...?
Rapidamente, fui em direção ao papel e, naturalmente, a áurea do local ficou mais convidativa, fazendo Teito ir lá buscá-lo. Talvez ele realmente devesse ir nessa missa por algum motivo que, literalmente, só Deus sabia.
Com o papel na sua frente, digitou sobre o dia dos anjos na caixa de busca. Leu sem interesse os resultados e, então, pesquisou apenas sobre os anjos. Algo pareceu incomodá-lo na idéia de que um Ser Celestial o seguia e o guardava em todo lugar que ele ia, o fazendo sentir calafrios.
– Anjo da Guarda... Isso parece coisa de criança – comentou e eu tive que concordar com ele, coisa que raramente fazia.
Logo a idéia de que Anjos existiam já estava fixada em sua mente, ele acreditava piamente naquilo, como se soubesse desde que havia nascido.
– Teito! – uma voz fina e alta gritou do andar de baixo.
– Que é?!
– “Que é” nada, menino, me responde direito! – sua mãe gritou novamente – Vai ali no mercado buscar tomate pra mim!
– Anjos – disse com sarcasmo – Se eles existissem, isso não aconteceria.
Eu ri. Ri pra não chorar, porque aquele era o pensamento mais egoísta e prematuro que eu já ouvira.
Desceu e, sem nenhum dos dois se cumprimentarem, sua mãe lhe entregou o dinheiro e ele foi ao mercado mais próximo de sua casa. Comprou um saco de tomate e o trouxe com raiva.
Voltou ao seu quarto e se jogou na cama, sem paciência de esperar o jantar ficar pronto, querendo logo ir dormir, mesmo sendo pouco mais que 19 horas.
Virou-se de barriga para cima e encarou o teto, colocando as mãos atrás da cabeça. Pelo o que entendi, divagava sobre anjos. Correu os olhos pelo quarto, esperando me encontrar, mas bufou ao não ver nada de novo.
Continuou naquela posição por minutos, seus pensamentos não deixavam espaço para eu tentar decifrá-los. Ele estava pensando em anjos, isso era só o que eu sabia, mas havia algo mais, era um pensamento específico, desses que não eram emoções que eu podia ler facilmente, eram... Palavras.
– Anjo inútil – enfim, saiu daquela posição e murmurou o xingamento. Bufei igualmente, se ele soubesse o que eu faço por ele, nunca me chamaria de inútil.
Novamente, como na noite anterior, deitei ao seu lado na cama e tirei qualquer energia negativa que pudesse estar em seu corpo. Tendo certeza de que estava tudo bem, pulei da janela de seu quarto e subi em direção aos céus, deitando em minha pequena nuvem de coloração alaranjada e dormi.
Notas finais
POR FAVOR, DEIXEM COMENTÁRIOS ;; MANDEM REVIEWS, ME FALEM O QUE PENSAM, OU SÓ DIGAM "EU LI" OU SEI LÁ, ALGO COMO "GOSTEI." OU "NÃO GOSTEI." É SÓ O QUE EU PEÇO, NÃO TOU DE SACANAGI, SÓ QUERO SABER COMO MEU BEBE (vulgo You Smile, I Smile) TÁ INDO ;O;
Obrigada pela atenção, deixem review ;; Até semana que vem! ♥
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