Notas iniciais
Olá, meus queridos ~ O número de review subiu um pouco, estou me sentindo mais contente para postar agora. Massss fizeram um coisa que... Bem, explico lá em baixo.
Talvez esse capítulo seja um pouco religioso demais, então estejam avisados sobre seu conteúdo. Desculpe novamente se eu ofender alguém com isso n_n
Boa leitura ♥

Acordei no dia seguinte já ao lado de Teito. Em 400 anos de servidão, eu ainda não havia me acostumado com aquilo. Imagine você dormindo tranquilamente numa hora e, de repente, ao lado de um moleque sonolento noutra. Ainda bem que na Terra eu não sentia sono, senão Deus e eu teríamos uma conversinha.

Ele se espreguiçou e, tentando evitar pensar em sua cama, pegou sua toalha e foi tomar banho. Arrumou-se rapidamente, já mais desperto e tomou um café da manhã apressado com sua mãe, saindo de casa primeiro que todos os outros. A não ser seu pai, que trabalhava de madrugada, das 2 às 14.

Quase dormiu no metrô se não fosse eu para acordá-lo com leves e “naturais” sustos de vez em quando. Logo estava na sala de aula, copiando matéria. Se eu achava aquilo chato, que dirá ele.

No intervalo, ele e Barack conversaram animadamente como sempre. Mas ele ficou emburrado quando seu amigo o deixou para ir conversar com uma garota que ele havia visto umas poucas vezes. Ri de Teito, ri muito dele. Aquela era a garota que Barack provavelmente estaria namorando, mas não queria contar para Teito ainda.

- Aquele ruivo idiota – comentou – Não, a idiota é aquela menina.

O final da manhã foi mais interessante. Um demônio idiota de 1º classe – a mais baixa e fraca – tentou capturar um dos humanos presente. Pelo visto, aquilo era apenas um teste que seu superior lhe impusera, o humano era apenas um qualquer.

Assim que ele surgiu na sala, todos os anjos se tornaram visíveis uns para os outros e fizemos de tudo para derrotar o demônio, proteger nossos humanos e o humano em perigo. Não havia sido difícil, com alguns golpes de espada os anjos próximos haviam conseguido matar o demônio, eu nem mesmo precisei sair do lado de Teito, apenas empunhei minha espada caso algum outro aparecesse.

Trocamos olhares confidentes e nos tornamos novamente invisíveis uns para os outros.

Não era nada pessoal, apenas era mais fácil circular por aí quando se era invisível, já que quando nos tornávamos visíveis, também nos tornávamos sólidos. Só para os anjos, claro.

O sinal tocou e os alunos saíram da escola como se nada tivesse acontecido. E não tinha mesmo, não para eles. Teito foi um dos primeiros, já que o metrô que teria que pegar diariamente agora passaria daqui a pouco. Chegou quase em cima da hora, tendo que correr um pouco para pegá-lo na linha. Viu no visor rapidamente que o trem adiantara-se 1 minuto, o que era raro, então teria 1 minuto a mais todos os dias, que era muita coisa num país disciplinado e cronometrado como aquele. Por isso eu amava a Alemanha.

Desceu e dessa vez foi direto ao chaveiro, sentindo-se acuado com tanta positividade sendo emanada do pequeno jovem chaveiro.

- Boa tarde – cumprimentou sorridente o menino de cabelos estranhamente brancos arroxeados.

- Boa tarde – Teito cumprimentou também, ficando corado ao lembrar-se do porquê de estar ali. Ah, até ele admitia que era um tapado por esquecer as chaves – Eu vim pegar as minhas chaves, não sei se lembra que...

- Oh, sim, elas já estão feitas – interrompeu, não rudemente, mas apenas para poupar Teito de mais constrangimento – Coloquei essa capinha, se não se importa – disse e mostrou a chave encapada com um tipo de plástico amarelo.

- Não, claro que não – negou, pegando as duas chaves num chaveiro só – Vai ser ótimo para Mikage, que nunca sabe qual é a chave de casa – comentou, aéreo.

- Mikage?

- É meu irmão – deu de ombros – Bom, acho que já vou indo, então.

- Posso perguntar se irá à missa para os anjos?

Teito ficou encarando o menino por alguns segundos. Não queria ir de forma alguma, só havia ido à missa uma vez na sua vida e porque fora obrigado a se batizar. Mas não podia negar nada para aquele sorriso tão vívido e sincero.

- Não sei, acho que terei um compromisso nesse dia – mentiu rapidamente. Até eu, que não sabia fazer isso, mentia melhor.

- Mas seu anjo deve estar cansado! – insistiu – Lá, tudo é montado especialmente para que eles se sintam bem. Você vai ver que, quando sair de lá, estará revigorado, pois seu anjo também estará.

- Você parece que entende desse assunto – comentou, querendo mudar o foco da conversa.

- Sim, Padre Antônio me ensinou tudo sobre eles – respondeu, sorrindo ainda mais, se é que era possível.

- Trabalha pra igreja?

- Eu sirvo ao senhor – disse – Sou o coroinha – anunciou, inflando o peito. Teito segurou o riso, não achando prudente começar a rir do garoto – E estudando para me tornar padre!

- Você quer ser padre? – perguntou, incrédulo.

- Sim, por... quê? – perguntou, não entendendo a reação de Teito.

- É que... Quantos anos você tem?

- Tenho 15.

- Tão novo! Não quer aproveitar a vida? Sair por aí, namorar...?

- Ah, não gosto dessas coisas tão... Impuras – disse normalmente, sorrindo após terminar de falar. Não era à toa que tinha uma áurea tão pura e ingênua.

- Você não é um garoto normal – Teito comentou, negando com a cabeça.

- Irá à missa?

- Talvez. Como eu posso saber que anjos existem mesmo? – perguntou, mesmo já acreditando que existíamos.

- Você não o sente? – perguntou, como se sentir o anjo da guarda fosse a coisa mais normal do mundo.

- Não.

- Se concentre! – exclamou, se animando – Vamos, faça o seguinte. Como posso te chamar?

- Teito Klein – respondeu normalmente, confiava no coroinha.

- Eu sou o Labrador – disse radiante, saindo de trás do balcão e indo de encontro a Teito, que o olhava incrédulo. Então, aquele era o Labrador? Teito parecia estar sentindo ciúmes, não parava de pensar em como Labrador e Frau se davam, em como se conheceram, como um tinha paciência com outro. Talvez não fosse ciúmes, só curiosidade, mas ele com certeza não estava vendo o menino como antes.

Labrador parou à sua frente e segurou suas mãos. Teito o encarou confuso e eu me aproximei mais dos dois para ter uma visão melhor daquela situação bizarra.

- Feche os olhos.

- Pra quê? – perguntou bruscamente, tirando a suavidade da fala do albino.

- Vou te ajudar a sentir seu anjo – respondeu, sorrindo. Teito, enfim, fechou os olhos com a visão dos olhos do outro à sua frente. Era uma cor única, um tom de roxo nunca visto em lugar algum. Questionou-se como ele teria conseguido olhos tão incríveis.

- E agora?

- Respire fundo, relaxe, não pense em nada – pediu calmamente, dizendo cada palavra a seu tempo, para que Teito pudesse as assimilar – Agora tente sentir alguma presença além da minha.

Não sei se aquilo iria adiantar alguma coisa porque Teito era um tapado, mas não pensar em nada, relaxar e tentar sentir minha presença eram boas técnicas, mesmo que fossem simples. Me aproximei mais de Teito, ficando atrás de si, para que fosse mais fácil para ele. Não sabia bem porque estava fazendo aquilo, acho que queria que ele tivesse certeza de que eu estava lá pra ele, no que precisasse.

- Não sinto nada.

- Teito – chamou Labrador – Abra sua mente, deixe que Deus entre no seu coração. Ninguém vai te julgar por isso.

Teito abriu os olhos novamente e encontrou o olhar acolhedor de Labrador à sua frente, pouco acima de si. Ainda estava relutante em se entregar à religião, não sabia se era a coisa certa.

- Não sei se convenho pra servir à Deus – comentou, desviando o olhar.

- Não faça nada que não queira – disse, soltando suas mãos devagar – Mas se deixar entrá-Lo na sua vida, se acreditar Nele, tudo vai valer à pena, você vai ver – sorriu mais uma vez, encorajando Teito.

Ele sabia que não era uma decisão fácil. Nunca fora de acreditar em Deus ou ir à Igreja, então decidir naquele momento se queria ou não acreditar não era fácil.

- Não precisa ir à Igreja todos os dias, nem pregar palavras religiosas para todos, se é o que está pensando – disse Labrador, rindo de Teito.

- Então do que adianta acreditar em Deus?

- Teito, acreditar em Deus não significa ser padre – riu baixinho – Basta ter fé, se tiver fé vai entender que não precisa de muito mais para ser feliz, porque você já terá o que precisa, que é fé e Deus em seu coração.

- Ele não devia ajudar todos os seus filhos?

- Você é filho de Deus, Teito? – perguntou Labrador, inclinando a cabeça levemente para o lado.

- Sim, todos nós somos, não?

- Então, se acredita que é filho de Deus, acredita Nele.

Teito ficou sem palavras. Nunca havia pensado dessa forma. É claro que não, era só um moleque ingênuo, metido a ateu. Ele ficou realmente confuso por uns segundos e Labrador apenas o esperou.

Durante toda a sua vida, esse fora seu paradigma. Deus pra ele existia, estava lá para quando ele fosse precisar, mas não acreditava Nele. E então, em dois minutos, Labrador provou que durante toda a sua vida ele sempre acreditou em Deus.

Encontrou o olhar de Labrador após aquietar a mente.

- Só precisa crer Nele agora, Teito.

Teito novamente pensou por alguns segundos. Segundo ele, não teria mal algum aceitar logo de vez “Deus em seu coração”, já que ninguém precisaria saber. E também queria saber o que era aquela fé que todos falavam.

Senti uma mudança em seu coração, ele estava mais leve. Teito havia, finalmente, feito a escolha certa.

Sem dizer mais nenhuma palavra, apenas fechou os olhos e fez o que Labrador pedira anteriormente. O albino sorriu largamente, feliz por ter Teito ter aceitado sua proposta.

- Respire fundo – disse, baixinho, enquanto colocava as mãos em seus cabelos – Relaxe – repetiu, descendo as mãos pelo rosto, ombros e braços de Teito, calma e levemente – Agora sinta. – pediu, segurando suas mãos, passando-lhe uma energia calma e positiva.

Fiquei levemente nervoso, imaginando se Teito realmente me sentiria. Logo seus braços se arrepiaram e seus sentimentos ficaram surpresos e talvez, até, alegres. Eu existia para ele.

Abriu os olhos e sorriu largamente para Labrador, que retribuiu da mesma forma.

- Não é uma sensação ótima?

- É... Incrível! – exclamou – É uma presença forte, como eu nunca notei?

- Antes você não cria.

- Labrador – chamou – Eu posso me comunicar com ele?

- Naturalmente – respondeu, espantando até a mim. Não era mentira que podíamos nos comunicar sem eu me mostrar, mas exigia uma concentração grande por parte do humano, não era certo dar esperanças pra Teito se ele tivesse chances de não conseguir.

- Como?

- Vocês se comunicariam em pensamentos, claro.

- Mas... Ele me responderia de alguma forma?

- Sim. Você precisa estar bem atento às imagens que a sua cabeça formará, é assim que seu anjo vai te responder, já que têm as mentes conectadas – explicou, ainda segurando as mãos de Teito. Tá legal, alguém me explica como esse pirralho sabia tanto sobre nós?

- É que, bem, eu tentei algo parecido antes – disse baixinho, corando como um tomate – E não deu certo.

- Você precisa conversar em voz alta... – começou, mas se interrompeu quando o sino de sua loja tocou. Era Frau.

- Labrador, eu... Teito? – perguntou, confuso, olhando de Labrador, para as mãos dadas e para Teito. Logo um sorriso sacana surgiu em seu rosto – Achei que quisesse virar padre, Labrador.

- Mas eu quero! – disse, rindo, provavelmente sem entender a piada. Teito, que era pouco menos ingênuo, soltou as mãos e perguntou o que Frau estava fazendo lá.

- Não é da sua conta, pirralho – disse, bagunçando os cabelos de Teito – Eu que pergunto o que faz aqui, sendo que devia estar trabalhando.

- E-eu vim pegar uma chave, afinal, isso é um chaveiro – disse, tentando ser altivo, mas estava corado por Frau pensar que aquilo provavelmente era mentira, já que estava de mãos dadas e sorrindo com Labrador agora há pouco.

- Ahã, acredito. Depois Labrador me conta o que aconteceu.

- Não foi nada, Frau – disse ele – Só estava ensinando à Teito como sentir seu anjo da guarda. Ele finalmente aceitou Deus!

- Sério, é? – Frau perguntou, olhando com ironia para Teito.

- Ele disse também que vai à missa domingo.

- Eu não disse nada!

- Então irá comigo! – Teito e Frau exclamaram ao mesmo instante, mas a voz de Frau fora a mais imponente, fazendo Teito se emburrar e sair da conversa, deixando os amigos com privacidade, indo para a entrada da loja, sem sair.

Frau segurava um vaso de plantas, que entregou animado para Labrador.

- Floresceu de ontem pra hoje, Lab – disse, sorrindo carinhosamente para o amigo, deixando Teito desconfortável – E ela está tão linda que não queria deixar naquele meu jardim sem graça. Você poderia cuidar dela?

- Mas é claro! Muito obrigado, Frau, ela é linda! – agradeceu, segurando o vaso na altura dos olhos para olhar melhor a flor – Deixe na floricultura que quando eu sair, passo lá e levo para casa.

- Tudo bem. Ah, ontem chegou a encomenda daquele jardim no interior que você comentou.

- Sério? Quero passar logo lá para ver como estão! São lindas, não é?

- Sim, são! Nunca vi Diphiniums tão grandes. E tive que enterrar bem poucas também, então foi bem aproveitável – comentou, fazendo Teito bufar por ele ter desprezado seu trabalho do dia anterior.

Os dois ficaram pares de minutos conversando sobre flores. Primeiro eu me entediei porque pra mim era nada de mais, mas Teito ficava cada vez mais desconfortável. Ele sentia-se inútil por não saber tanto de flores quanto os amigos à frente e também sentia que nunca seria tão bom quanto Labrador, no sentido de amizade.

- Dá para irmos logo? – Teito perguntou, se irritando com o sorriso de Labrador, que nunca saía do rosto, e com o fato de Frau não parar de arranjar assunto – A loja está aberta.

- Está trabalhando com Frau?

- Estou – respondeu rispidamente, mas se arrependeu porque era impossível ser mal educado com o timbre calmo e sincero de Labrador e não sentir remorso.

- Vamos logo então, pirralho – Frau passou os braços pelos ombros de Teito, segurando o vaso de flores com a outra mão, e os dois seguiram para a loja. Se despediram com acenos de cabeça para Labrador e saíram do pequeno chaveiro.

Os dois foram para a loja, no outro lado da rua, e Teito deu uma boa olhada ao redor. Não tinha muita coisa diferente, não. Foi para trás do balcão e esperou Frau dar as comandas.

- Vai usar isso aqui. – mandou, entregando um avental de pano branco e florido para Teito.

- Não vou não! Você não usa.

- Eu sou o chefe. E, caso não tenha notado, tudo que eu uso tem flores. O que anula o fato de eu precisar usar o avental – sorriu de lado para Teito, que se emburrou novamente e colocou o avental, provavelmente notando junto comigo que realmente quase tudo de Frau era florido. Seu pequeno caminhão, a casa, a loja, os vasos e até mesmo as galochas que usava.

- Como vou saber os preços daqui?

- Aqui tem uma tabela – apontou para um caderno jogado no balcão – Tem os nomes e os preços.

- Mas eu não conheço nenhuma flor que tá aqui! – exclamou, depois de olhar para a tabela e notar que nenhum nome lhe era familiar. Desde que eu entrara ali, notara que não era uma floricultura normal por não vender as famosas rosas ou crisântemos, mas o que eu podia fazer? Era apenas um anjo.

- Venha, enquanto não tem nenhum cliente, eu posso te ensinar – disse, indo para frente da loja, que havia alguns vasos maiores espalhados. Apontou para os maiores, dizendo seus nomes com a facilidade de quem pisca os olhos. Teito olhava confuso para cada um, tentando memorizar o nome do anterior, mas Frau falava rápido de propósito.

- Frau... – tentou chamá-lo.

- Esse aqui é um winkhob – disse, apontando para uma estranha planta que parecia ser carnívora – Ele é o que mais sai porque assado fica uma delícia. Sai por 10 euros.

- Winkob? Ca-calma!

- Esse é um eyefish – continuou, sem se importar com o menino confuso atrás de si.

Eu estava realmente começando a gostar de Frau. Ele fazia com Teito o que eu queria fazer todos os dias.

Logo, um cliente, provavelmente conhecido de Frau, chegou e pegou dois vasos pequenos de flores e colocou em cima do balcão.

- Uma nova vítima, Frau? – perguntou o homem, parecendo bem mais velho que o loiro. Tinha cabelos pretos para trás e parecia ser um algum professor.

- Vítima?!

- É, nenhum empregado de Frau dura por mais de um mês aqui – continuou e Frau bagunçou os cabelos de Teito, concordando com um sorriso sacana – Boa sorte, garoto.

- O-ok – concordou, tentando sorrir, mas estava aterrorizado com o fato de talvez perder o emprego. Como se Teito não fosse orgulhoso o suficiente para tentar ficar o máximo que podia naquela loja só para provar que era capaz – Frau?

- Deixa que eu faço isso, garoto – tomou o lugar de Teito no balcão e disse o nome da flor que o homem estava comprando e seu preço.

O cliente foi embora com suas flores e Teito ficou olhando acusadoramente para Frau, que limpava distraidamente uma prateleira. Virou-se, sentindo o olhar de seu subordinado e perguntou inocentemente o que era.

- Me ensine direito, droga! Como quer que eu aprenda tudo isso em um dia com você mal falando o nome das flores?!

- Tenho culpa se é tapado? – perguntou. Eu ri e ri muito mesmo, como nunca nessa “vida”. Alguém, enfim, estava enfrentando Teito.

- Não sou tapado! – gritou, realmente alto.

- Tá bom, moleque, posso pedir para Labrador vir aqui e te ensinar. Não tenho paciência pra isso.

Teito bufou sem responder e começou a andar pela loja. Parou na frente de uma prateleira com pequenos vasos com flores que pareciam brilhar.

- Frau – chamou – Como é nome dessas?

- Diphinium – disse, sorrindo, provavelmente por Teito estar demonstrando interesse em flores – Dizem que seu chá tem um gosto diferente de acordo com a pessoa.

- Como assim?

- Por exemplo, para alguém que nunca sofreu realmente, seu gosto é amargo – explicou, bem mais calmamente que antes – Mas é doce para quem já teve sua alma despedaçada.

Teito voltou a observar a pequena planta. Ouvira Frau comentar com Labrador que nunca vira tão grandes, mas aquelas eram tão miúdas! Passeou pela loja, perguntando vez ou outra os nomes das flores, para não esquecer. Incrivelmente, Frau explicava sobre as flores, dizia suas origens e suas funções calmamente. Eu estava sentando em cima do balcão, observando os dois conversarem.

Bem, talvez não fosse para conhecer Labrador que Teito tivesse perdido suas chaves, mas para conhecer Frau. Eles... Tinham certo clima. Mesmo que parecesse impossível, talvez o amor nascesse mesmo ali. Dei de ombros. Como se aquilo importasse para mim. Importaria se Frau fosse algum tipo de demônio, mas sua áurea era tão pura quanto a minha. Não, sem exageros.

Os clientes que entravam, era Teito que atendia. Frau apenas falava o nome das flores e ele fazia o resto. Logo, ele já sabia boa parte dos nomes das plantas, resultante de sua boa memória.

- Já são 16 horas, daqui a pouco o Labrador fecha o chaveiro – disse Frau, indo para dentro de sua casa.

- Tá... – concordou, folheando um cartaz de plantas que estava jogado numa das gavetas.

Frau voltou alguns minutos depois com dois pratos com lanches generosos, acenando para Teito ir lá para dentro pegar o suco: — Está em cima da mesa.

Logo os dois estavam comendo ali no balcão mesmo. Eu achei uma falta de educação tremenda, mas quem era eu? Um simples anjo mesmo.

A porta se abriu timidamente, mostrando um Labrador com um leve sorriso estampado. Frau logo o mandou entrar e ele se acomodou ao seu lado, atrás do balcão.

- Labrador, querido, se não é muito incômodo, poderia ensinar os nomes das flores para esse pirralho tapado? – perguntou Frau, sorrindo para o amigo.

- Mas é claro! – concordou, dando leves pulinhos – Venha, Teito! – pegou sua mão e foram para a frente da loja – Eu vi vocês agora há pouco aqui, mas pela sua cara não estava entendendo nada, não é?

- Não mesmo, Frau é um babaca que não sabe ensinar nada.

- Não fale assim dele, depois você se acostuma.

- Pra você é fácil, ele te trata super bem – murmurou, corando.

- Mas não foi sempre assim. Quando nos conhecemos, ele pegava bem mais no meu pé do que pega no seu agora. Acho que ele foi melhorando com o tempo.

- Sério? – perguntou, tentando imaginar Frau tratando Labrador mal – Mas... Bom, só espero que ele não fique me enchendo por muito mais tempo.

- É só não demonstrar que se incomoda com ele – aconselhou – No começo, eu achava que aquele era só o jeito dele, que ele não fazia de propósito, então eu ignorava e o tratava normalmente. Mas ele resolveu parar de implicar comigo num dia.

- Por quê?

- Ele disse que não tinha graça se eu não ficasse irritado – riu, com o olhar perdido. Algo me diz que aqueles dois adoravam os tempos de criança.

O assunto encerrou ali, quando Labrador começou a falar sobre plantas. Ele explicava tudo detalhada e calmamente, deixando Teito fazer perguntas e repetindo o nome de certas flores quantas vezes fossem necessárias.

- Acho que já decorei essas da frente – comentou, olhando para um wink-wink distraidamente, observando suas folhas que pareciam dois olhos enormes que piscavam, dependendo da posição do sol.

Eu me perguntava onde aquele loiro havia conseguido flores tão raras. Elas existiam na Terra, mas eram muito mais comuns no Paraíso. Talvez por isso, por ter tantos elementos do Céu na floricultura, ali fosse um lugar leve e calmo.

- Não é decorar, Teito – disse Frau, aparecendo na entrada da loja e se apoiando no batente – Você tem que sentir as flores. Assim, ficará fácil lembrar-se de seus nomes.

- Tá legal, agora plantas também tem alma?

- Sim! – disse Labrador, juntando as mãos como se fosse rezar – Elas sentem, aconselham, se apavoram ou, como estão agora, ficam alegres.

- Você... sente... as flores, Labrador? – Teito perguntou, mais uma vez incrédulo. Ele assentiu levemente, sorrindo e ainda com as mãos juntas – Você também, Frau?

- Não, esse dom foi concedido apenas à Labrador.

- É incrível – sussurrou, olhando admirado para os olhos violeta do albino a sua frente, sem deixar de pensar que ele era incrível.

- Mas meu dom, por exemplo, é cozinhar. Quer testar? – piscou, sorrindo de lado para Teito.

- Não sei se é uma boa idéia...

- Vamos, Teito! Fique aqui conosco essa noite, Frau cozinha realmente muito bem – pediu Labrador, fazendo Teito ponderar se deveria ou não.

- Tenho que voltar para casa às 18, desculpem – sorriu amarelo, querendo intimamente aceitar o convite.

- Sem problemas! Fechamos às 17 e você fica até 18, simples – Frau deu de ombros, propondo.

- Mas Frau! Não pode fechar a loja assim, vai perder clientes por sua irresponsabilidade.

- Os clientes que tenho são todos antigos e fiéis, ninguém vai deixar de vir aqui tão facilmente, relaxe.

- Mas quando eu começar atrair clientela, não vai mais poder fazer isso.

- Por acaso está vendo algum cliente novo, Labrador? Porque eu não estou – disse sarcasticamente, fazendo Teito bufar e entrar para a loja.

- Você é muito mau com ele, Frau – ouvi Labrador ralhar com o loiro, não parecendo realmente bravo.

- Ele é só um pirralho, Lab – deu de ombros e entrou para a loja depois de mim. Os três ficaram conversando sobre nada especial até as 17. Na verdade, Labrador e Frau ficaram conversando sobre flores, Teito só tentava aprender e reconhecer os nomes que eles falavam, as vezes perguntando se era mesmo a que ele estava pensando. Labrador era sempre muito educado, mas Frau não perdia uma chance de irritar Teito.

- Kaunis é aquela pequena ali, não é? – perguntou Teito, numa dessas.

- Sim, está com a memória ótima, para se lembrar de uma Kaunis, Teito!

- Claro, como se fosse muito difícil lembrar do idioma do país de cima – disse Frau, provavelmente se referindo ao fato de que “kaunis” era “belo” em finlandês.

- Eu não sei falar finlandês, seu cretino!

- Se não soubesse, como saberia que “kaunis” é finlandês? – perguntou e Teito ponderou, realmente confuso. Teito, meu querido, seu anjo da guarda era muito inteligente e lhe transmitia conhecimento. Afinal, eu sabia falar todos os idiomas da Terra, já que já tive Protegidos por todo o globo.

Cinco horas da tarde, Frau fechou a loja, colocando os vasos que ficavam pra fora dentro da floricultura, e eles foram para a casa improvisada atrás. Teito e Labrador ficaram sentados na mesa à frente da pequena cozinha, enquanto Frau cozinhava.

- Vou fazer o suco – dispôs Labrador, pegando uma jarra e água gelada na geladeira.

- Posso fazer algo pra ajudar?

- Não atrapalhar – disse Frau, mexendo alguma coisa quente numa panela.

- Frau! – ralhou Labrador – Venha, Teito, me ajuda com isso aqui.

Labrador apenas terminou o suco, o colocando na geladeira, e foi para a bancada ao lado do fogão, ao lado de Frau também. Tinha uma mistura de farinha de rosca e de trigo jogada ali e uma bacia com espetos de alguma coisa temperada que não conhecia.

- Me ajude a empanar esses espetos, fica uma delícia! – disse e pegou um, mostrando a Teito como fazer. Logo estavam todos com farinha, só faltava fritá-los. Mas essa parte era com Frau, que parecia ter muito ciúmes com suas comidas.

Meia hora depois, estava tudo pronto. Os três sentaram-se à mesa, depois de pô-la, e Labrador disse algo realmente curioso.

- Vocês já vão comer?

- Sim – Teito e Frau responderam, o olhando confusos.

- Não vão convidar seus anjos para sentarem-se também?

Os dois se entreolharam e olharam para Labrador.

- É só chamá-los.

- Faça você primeiro – disse Frau.

- Enviado do Senhor, eu o convido para sentar-se à mesa conosco.

- Labrador... Não tem cadeira o suficiente – Teito disse e todos os presentes riram dele. É claro que anjo nenhum ia sentar-se à mesa, retardado.

- Teito, não é literalmente sentar e comer como nós. É apenas uma forma de dizer que ele é bem vindo nessa refeição.

- Ah... – corou e abaixou a cabeça, fitando uma sopa realmente estranha que Frau preparara.

- Enviado do Senhor – começou Frau, assim como Labrador – Senta aí, véi.

Labrador riu e Teito o encarou com um olhar reprovador. Logo repetiu exatamente as palavras de Labrador timidamente e os três puderam comer. Aquilo não fazia muita diferença para mim, mas pelo menos eu sabia que Teito não estava me ignorando, assim como fizera sua vida inteira.

- Frau – chamou Teito, antes de começar a comer – O que, exatamente, é isso?

- É sopa de eyefish – deu de ombros, garfando o que realmente parecia ser um olho de peixe.

- Coma, Teito, é uma delícia – encorajou Labrador, comendo um eyefish também. Sem coragem para tal ato, pegou um dos espetinhos que empanara com Labrador e o comeu, achando realmente muito delicioso.

- Isso é ótimo! É algum tipo de frango? – perguntou, com a boca cheia e colocando mais.

- Na verdade, é winkhob empanado.

- O que?! – exclamou, lembrando-se da planta carnívora na frente da loja. Mas era tarde, já havia devorado tudo. Os dois à sua frente riram dele mais uma vez e Teito observou que a sopa deles já estava acabando. Olhou para a sua e tomou coragem, dizendo a si mesmo que, se havia comido winkhob empanado, sopa de eyefish não seria um problema.

Garfou um olho de peixe e colocou temeroso na boca. Mastigou e sentiu o olho se dissolver em sua boca, com um líquido saindo de dentro. Incrivelmente, era muito bom.

- É... ótimo – disse, olhando para a sopa sem entender como algo com a aparência tão estranha pudesse ser tão bom.

Os três terminaram sua refeição e Frau comentou sobre como temperara os winkhobs, um dia antes.

- Posso fazer um chá de Diphinium, Frau? – perguntou Labrador, tirando os pratos da mesa, logo sendo ajudado por Teito. Frau colocou as mãos atrás da cabeça, afirmando.

Labrador deixou fervendo uma jarra com água e foi pegar o chá, numa gaveta do pequeno armário. Com a água já nos copos, dizendo que a água não podia ficar fervendo senão a planta morria, colocou duas sementes em cada copo e entregou para os dois à mesa.

Teito observou, abismado, as plantas nascerem na hora dentro da água. Labrador dissera que aquela era uma planta aquática e que nascia muito mais rápido na água. Elas eram comuns nas fontes do lado leste do Paraíso, por isso eu não me surpreendera.

– Frau me falou sobre elas – Teito disse, antes de tomar, temendo que tivesse um gosto amargo.

– Então beba e saiba em que estado sua alma está.

Observou os dois amigos tomarem e provavelmente sentirem um gosto maravilhoso. Mas algo nos chamou atenção. Os dois tomaram e fecharam os olhos, segurando a xícara perto do corpo e respirando fundo. Teito tomou um gole e se surpreendeu ao sentir um gosto levemente adocicado no final, mesmo que o começo fosse bem amargo.

– Teito? – perguntou Frau, estranhando a expressão surpresa do moleque tapado.

– É amargo, mas... No final, é doce. – constatou, olhando para os dois ramos de flores dentro da xícara transparente. Frau trocou um olhar com Labrador e os três terminaram seu chá.

Quando já eram 18:30, Teito se despediu dos dois, dizendo que ia para casa.

– Eu te levo até a porta, moleque. – Frau o levou até a porta da loja, que era mais próxima da entrada do metrô do que a porta de trás, e pediu o número de telefone do Teito, passando o próprio.

– Frau, posso te perguntar uma coisa? – perguntou, após anotar o número do chefe em um caderno qualquer.

– Fale.

– Que gosto seu chá tinha?

Frau ponderou um pouco antes de responder, olhando para Teito: — Era doce.

Disse isso e fechou a porta na cara do meu Protegido. Ri mais uma vez de sua expressão melindrada. Ele seguiu para a corretora onde Mikage trabalhava para irem para casa juntos. Logo encontrou seu irmão parado à porta do banco, conversando com uns amigos. Quando avistou Teito, logo foi ao seu encontro.

– O que faz aqui, irmão?

– A partir de hoje, iremos juntos pra casa – deu de ombros e seguiu o irmão para onde a moto de Mikage estava estacionada, seguindo pra casa.

– Então, está mesmo trabalhando com Frau?

– Sim.

– E está gostando?

– Sim, é tranqüilo lá. Apesar de ser um pouco doideira demais para mim.

– Como assim?

– Muito olho de peixe para pouco Teito – riu, lembrando-se da deliciosa sopa feita por Frau.

Os dois chegaram em casa normalmente. Teito subiu para seu quarto e foi fazer um trabalho de história que o professore pedira na última aula, constatando que as folhas de seu caderno estavam acabando, enquanto Mikage foi tomar banho.

Terminou a primeira parte do trabalho rapidamente e foi para o próximo, biologia. Também terminou a primeira parte e logo tinha a noite livre para si, mas decidiu tomar um banho. Já vestido e cheiroso, foi jantar com sua família. Sua mãe ainda não estava totalmente normal com ele, mas ele fez o que sempre fazia. A tratou normalmente, como todos os dias e logo eles estariam conversando como se nada tivesse acontecido.

Sem paciência para esperar sua mãe lhe perdoar, subiu as escadas e se trancou no quarto. Ficou na internet por algum tempo, até sentir seu corpo pesar. Despediu-se de todos que conversava e deitou na cama.

Eu já estava indo deitar-me ao seu lado, como todas as noites, mas algo me impediu. Teito estava com pensamentos agitados e confusos, então pronunciou-se.

– Você tá aí, não tá? – perguntou para ninguém em especial, olhando para o teto. Demorei a entender que ele estava falando comigo, achando que meu humano estava ficando doido.

– Não, moleque, sou seu anjo e estou lá cuidando do Labrador – comentei, mesmo que ele não pudesse ouvir. Concentrei-me em mandar alguma imagem para ele, pensando em uma foto que ele havia visto dias antes na internet, de duas amigas num quarto.

Eu não era muito bom em responder com imagens porque raramente havia feito aquilo, mas daria meu melhor. Quer dizer, senão Teito ia ficar falando sozinho, sem me deixar relaxar! Não era como se eu quisesse realmente falar com ele...

Ele se surpreendeu quando visualizou a imagem em sua mente, sorrindo em seguida.

– Então Labrador estava certo – continuou – Você tá aí e pode falar comigo.

Era a minha vez de responder. Pensei rapidamente em alguma imagem, mandando uma coisa bem sem noção. A primeira coisa que pensei foi no Bumblebee, aquele camaro amarelo de Transformers, com as mãos na cintura. Fazia sentido! Ele também tinha um problema para se comunicar, protegia o humano e não era da Terra.

– Francamente, Bumblebee? – ele disse, mas não conseguia parar de sorrir, talvez realmente contente por estarmos tendo aquela conversa. Se é que aquilo podia ser chamado de conversa.

Era raro ver Teito sorrindo.

Eu não tinha muito o que responder, então deixei que ele continuasse.

– Sabe, é bom saber que você existe mesmo – ele começou, olhando para o vazio em seu quarto, talvez novamente me procurando – Mesmo tendo o Barack, eu sempre me senti meio sozinho. Bom, é claro que você sabe disso. Labrador disse que nós tínhamos uma ligação com os pensamentos, então você deve saber de tudo o que se passa comigo.

Eu ponderei antes de “responder”. É claro que eu sabia de tudo sobre Teito. Sabia de coisas que nem mesmo ele sabia, mas era estranho, realmente muito estranho, ouvir isso dele. Ouvi-lo desabafando, coisa que ele nunca fazia, ainda mais para mim. O que eu era pra ele? Ele acabou de descobrir sobre a minha existência, então por quê...?

– Agora, acho que posso dizer que eu tenho o Labrador e, mesmo ele sendo um idiota, o Frau também – continuou, vendo que eu não ia mandar nenhuma imagem sem noção.

Então, ele já considerava aqueles dois seus amigos? Melhor, assim ele... não sei, talvez assim ele não se sentisse tão sozinho.

– O Frau é realmente um idiota – suspirou. De repente, parou de falar, de pensar em sua vida e se concentrou em mim, em minha presença – Caramba, seu anjo inútil, dá pra você responder, mandar imagem ou sei lá? Estou me sentindo louco falando sozinho.

Eu ri dele e a primeira imagem que pensei foi alguém numa camisa de forças, com seu rosto nela.

– Está me chamando de louco, seu cretino? – perguntou, jogando uma almofada no vazio de seu quarto, talvez tentando me acertar. Acho que o último lugar que ele pensaria que um anjo estaria, era sentado na cadeira da mesa de seu computador, por isso passou longe de mim.

Pensei em Frau e em Labrador, como se dissesse que aquela era a influência dos dois, já que, dependendo da função que eu dava para a imagem, ele interpretava de forma diferente.

– É, aqueles dois não batem bem mesmo – ele riu e se deitou – Vou dormir, seu inútil, você precisa treinar essa de me mandar imagens.

Me imaginei dando um peteleco em sua mente, mas não deixei que ele visse, senão me veria. Apenas fui para seu lado na cama, só que ele ocupava a parte que eu geralmente ficava. Imaginei meu espaço vago na cama e deixei que ele visse. Ele olhou para trás incrédulo.

– Você dorme comigo?!

Ri de sua pergunta. O imaginei bebezinho e eu ao seu lado, mas antes de deixar que ele visse aquele pensamento, cobri minha imagem com uma espécie de fumaça branca, para que ele não visse meu rosto. Era contra as Leis! Pelo menos, contras as antigas.

– Você sempre dormiu comigo? Ai, caramba, além de meu anjo ser inútil, é também um pervertido – negou com a cabeça, mas deu o espaço do lado da parede para mim.

Pensei numa imagem dele dormindo e eu saindo do quarto pela janela, voando.

– Você me abandona quando eu durmo? Então, quer dizer que eu fico às traças quando estou dormindo? Que tipo de anjo é você? – perguntou e eu pude sentir seu medo por adormecer.

Tentei imaginar que ninguém podia tocá-lo enquanto ele estivesse dormindo, mas talvez ele não tenha levado a sério, pois o máximo que consegui foi uma bolha em volta da casa dele, como naqueles comerciais de inseticidas.

– Francamente, viu... – começou, cobrindo-se todo com a coberta – Você é um inútil mesmo. Só não saia daqui enquanto eu não dormir.

Quase me arrependi da imagem de um soldado fazendo saudação para seu superior que mandei, como se dissesse que ele é meu mestre, mas logo esqueci isso quando ele sorriu para mim. Fiquei observando seu sorriso por alguns instantes, talvez quisesse memorizar aquilo, já que era raro ver Teito sorrindo espontaneamente. Mas o que mais me enchia o coração, era perceber que ele estava sorrindo para mim.

– Deita logo aqui – murmurou. Deitei de frente para ele e fiquei o encarando, enquanto ele me encarava de volta. Era estranho, seus olhos eram profundos e pareciam que queriam algo a mais de mim, como se não bastasse apenas nos comunicarmos, o que já estava se tornando fora de cogitação para mim.

Como todas as noites, passei, quase sem encostar, a mão por seu rosto. Só que, naquela hora, enquanto minha mão descia para seus ombros, seus olhos se fecharam, acompanhando-a, como se sentisse tão facilmente o toque quanto como se estivesse o vendo. Concentrei-me em tirar as impurezas de seu corpo, que eram muitas devido ao ataque do demônio mais cedo.

Ele logo adormeceu e eu relutei em deixá-lo, temendo mais algum ataque ou talvez com medo de que ele acordasse no meio da noite querendo me ver e eu tivesse que ser acordado no Céu também.

Não.

Não era isso.

Eu só queria ficar ali, guardando-o, protegendo-o e deixando que ele sentisse minha presença, que se acalentasse com ela e que soubesse que eu nunca o deixaria.


Notas finais
E aí, gostaram? Ficou ~Deus~ demais? Gostaram a ponto de me deixar um review para eu continuar com vontade de postar? Gostaram a ponto de favoritar a fanfic... Epa. O que?

É, pois é. Andei investigando e vi que favoritaram meu bebê (aka You Smile, I Smile), mas a pessoa foi tão sacana que nunca deixou um review na fic. Favoritou, na cara dura, e não deixou um mísero review. Não precisava ser coisa grande, fazia que nem umas fofas estão fazendo, só falando que leram. Sério, não quero coisa grande. Claro que um review legal e elaborado seria interessante, mas acho que esse é o ~sonho~ de toda ficwriter e não dá pra realizar todos eles, certo?

Voltando ao ponto, para quem não sabe, o Nyah! disponibiliza os dados das pessoas que estão lendo, quem mandou review e quem favoritou. Claro que não colocam o user, não tema isso, querido Sacana Que Favoritou.

Olha, tudo bem não deixar review (não acredito que disse isso), eu mesma só deixo review no que eu gostei bastante, eu só acho que favoritar sem postar um comentário é até falta de educação.
E olha só, eu fiquei tão frustrada com isso (acho que com raiva é a expressão certa, mas não quero colocar esses sentimentos negativos numa pessoa que, aparentemente, está gostando da fic) que atrasarei a postagem em uma semana. Aproveitem hoje porque semana que vem não vai ter postagem, a não ser, claro, que o nosso querido user sacana se pronuncie em algum review.
Obrigada pela atenção de vocês, desculpem o desabafo, mas é que estou sensível nos últimos dias com fanfics e isso começou com meu bebê, porque foi a fic que eu mais surtei pra fazer. Então, pode parecer exagero, mas pra mim é importante, ok? ;;

[MUITOS MESES DEPOIS DE TER ESCRITO ISSO] O Nyah! evoluiu, grazadels, e agora eu consigo ver quem favoritou. Ou seja, ja descobri quem foi que favoritou e nao mandou review, foram duas pessoas. Mas ah, agora que a fic ja ta toda postada, acho que nem ligo mais pra essas paradas x3

Nao quero apagar o desabafo porque, sei la, era o que eu tava sentindo na epoca, entao nao quero "trair" o meu eu do passado [WHATAFÃQ]

Beijos, até semana que vem se o ~user que favoritou e não deixou review~ se pronunciar, ou até daqui a duas semanas se ninguém vier falar nada :D

Beijos.