You Smile, I Smile
17 Felicidade.
Notas iniciais
Basicamente, é isso. Mais dois capítulos estão para ser postados + epílogo e aí acaba >>: Espero que gostem desse, que era pra ser o último x3
BOA LEITURA ♥
Teito não se demorou a se enfiar entre os dois, fazendo-os rir com a infantilidade do menino.
– Que bicho te mordeu, filho?
– Só quero ficar aqui, ué – respondeu à sua mãe – Onde está Mikage?
– Saiu hoje cedo, disse que voltava de tarde.
– Será que ele está voltando?
– Liga pra ele – disse Fea, entregando um celular usado e velho. Teito suspirou, provavelmente por lembrar que ainda não tinha celular.
Não que ele fosse precisar daquilo no Céu.
Mas não foi preciso tal ato. Mikage logo irrompera da porta, suando.
– Mas o que aconteceu, moleque? – perguntou Kalía.
– Estou foragido, mamãe – respondeu, gargalhando – Só resolvi dar uma corrida – Todos os presentes riram e pude ver Teito olhando melancolicamente para seu irmão, enquanto ele perguntava o porquê de estarem todos reunidos tão amigavelmente.
Eu era um monstro por fazê-lo passar por aquilo... Mas Teito era teimoso demais!
– Você devia ter vergonha, Teito – disse Mikage – Um adolescente da sua idade devia estar fugindo da família, sabia?
– Por que eu faria isso?
– Porque é adolescente!
– E eu com isso? – perguntou, dando lugar no sofá para Mikage sentar no meio dos pais também – Eu amo vocês – deu de ombros, mas todos o olharam surpresos. Pelo o que me lembro, Teito nunca dissera aquilo para nenhum dos membros de sua família assim, tão aberta e claramente, espontâneo.
– Está pensando em se matar, irmãozinho? – perguntou Mikage, bagunçando seus cabelos, mas tremeu levemente com a ideia. Ele estava mesmo considerando...?
– Está ficando louco, Mikage? – perguntou Teito, olhando com descaso para tevê – O que? Agora não posso mais falar que amo vocês?
– Filho – chamou Fea, sério – Você precisa de uma namorada.
Todos riram e Teito o jogou uma almofada, que, pela sua ótima mira, acertou em Mikage, que jogou-lhe outra, propositalmente acertando em KalÍa, começando uma guerra de almofadas entre eles.
Ele ria abertamente, provavelmente sabia que aquele seria um dos últimos momentos felizes com sua família, não queria estragá-lo de forma alguma. Me senti um intruso no meio deles, não devia estar ali, não fazia parte. Aquilo não me enciumava, era só uma constatação de fatos. Não queria que Teito ficasse achando que precisava me dar atenção, então saí de perto deles e fui sentar numa poltrona do outro lado da sala – quase invisível.
Eles conversavam futilidades, Teito nem mesmo notou que eu saí de seu lado. Ou talvez notou e não deu importância, era difícil saber agora que não tinha mais conexão com seus pensamentos.
Atendendo um pedido de Teito de pegar alguma coisa que não prestei atenção em seu quarto, Mikage levantou-se e subiu as escadas, deixando Teito sozinho com seus pais.
Teito ficou em silêncio por uns instantes e todos o respeitaram. Parecia que sabiam que aquela tarde era especial de alguma forma para Teito, sabiam que deveriam fazer de tudo para não estragar o momento.
– Papai... Mamãe – chamou, olhando para os dois a cada lado de seu corpo. Ambos lhe encararam e sorriram-lhe carinhosamente, como se dissessem que sempre estariam ali para ele. Não consegui ver bem, mas pareceu que os olhos de Teito estavam beirando as lágrimas – Eu amo vocês!
Abraçou os dois, agora deixando as lágrimas escaparem sem vergonha. Seus pais trocaram olhares preocupados, condoídos com a cena de seu filho naquela situação.
– Também te amamos, filho – disse Fea, separando o abraço e segurando o rosto do filho com as mãos e dando-lhe um beijo na testa.
– Muito – completou Kalía. Teito os abraçou novamente, dessa vez rapidamente, fungou o nariz e limpou as lágrimas.
– Vou falar com Mikage.
Disse isso apenas e subiu as escadas. O segui imediatamente, agora não mais por ter de protegê-lo, mas por vontade de ficar ao seu lado não importa a situação. Ele segurou minha mão enquanto subíamos as escadas e eu a apertei, dando-lhe forças.
– Sabe que pode desistir de tudo isso – falei, tentando fazê-lo ver por outro ângulo – Eu não tenho nada a perder no Céu.
– Tá tudo bem, Haku – falou, sorrindo para mim e fazendo um carinho leve na minha nuca antes de entrar no quarto de seu irmão.
– Ó, não to achando não, guent... – Mikage ia dizendo, mas foi impedido por um abraço de Teito, forte e cálido.
– Eu te amo, Mikage, muito – declarou, apertando o irmão contra seu corpo, ficando na ponta dos pés – Você é o melhor irmão do mundo.
– Também te amo, irmãozinho – disse Mikage, massageando os cabelos de Teito, com a expressão um tanto confusa, como a de seus pais há poucos instantes.
– Nunca vou te esquecer.
– Espero que não, já que sou seu irmão – falou e soltaram-se do abraço.
– Idiota – bagunçou seus cabelos e colocou as mãos na cintura – Vai sair hoje de novo?
– Acho que vou na Kik compr...
– Passa no Frau pra mim? – pediu, interrompendo seu irmão – Por favoooor?
– O que quer de lá? – perguntou, sorrindo.
– Uma planta chamada winkhob.
– Uma planta? Não quer que eu o traga aqui para dizer que o ama também?
Teito engasgou antes de responder, o olhando incrédulo: — Que bobagem! Vá logo, Mikage.
– Ah, eu tenho um irmão tão carinhoso... – comentou, cantarolando. Saíram do quarto e Teito ficou na sala com seus pais, enquanto Mikage ia fazer o que ele pedira e comprar o que quer que fosse.
– Onde Mika foi? – perguntou Kalía. Teito deu de ombros, respondendo que ia comprar alguma coisa pra ele.
Mikage demorou apenas uma hora para voltar, também parecia ter notado o comportamento estranho de Teito e não quis demorar-se. Encontrou ele e os pais assistindo tevê, conversando sobre alguma coisa que viram semana passada. Eu não estava realmente prestando atenção, estava mais preocupado em memorizar as manias que Teito tinha para com sua família, já que não teria mais outra chance.
– Trouxe, Mika? – perguntou, levantando-se e indo ao encontro de seu irmão. Ele entregou uma caixa aparentemente leve para Teito, que sorriu com uma interrogação no rosto.
– Segundo Frau, você iria precisar de muitas.
Teito sorriu carinhosamente, provavelmente pensando em Frau, e isso sim me enciumou. Mas apenas sorri também, para o caso de ele olhar para mim e não ver nenhuma expressão constrangedora.
Voltei minha atenção aos dois, agora Teito levava a caixa para a cozinha. Havia pedido para que não entrassem lá, então os três apenas ficaram no sofá, provavelmente curiosos.
– Vai cozinhar? – perguntei, me postando ao seu lado para o caso de ele precisar de alguma ajuda extra.
– Não vão ficar tão bons quanto os do Frau, mas quero fazer um winkhob empanado legal – falou, pegando o que precisava e colocando em cima da mesa.
– Precisa de ajuda?
– Vai ser estranho se eles chegarem aqui – falou, sorrindo ante à ideia – Mas obrigado.
Balancei a cabeça, notando o quanto Teito havia mudado desde o começo para cá. Talvez essa seja a vantagem da raça humana, eles estavam sempre mudando, sempre evoluindo, e isso não era permitido para os anjos.
Colocou as plantas para cozinhar, preparando a farinha para empanar. Teito não era lá muito habilidoso quando tinha que fazer tudo sozinho, mas eu o ajudava numa coisa ou outra, como não deixar a panela cair.
Logo, estava terminando de empanar os winkhobs, que já exalavam um cheiro muito bom. Colocou no forno e subiu para seu quarto.
– O que vai fazer? – perguntei, estranhando ele estar pegando um caderno e uma caneta.
– Uma carta para minha família. Você disse que eu podia.
– Sim, eu disse. Mas... Tente não revelar muito.
– Não, Hakuren – negou firmemente – Eles são a minha família. O que eu tiver de dizer, direi. Eles precisam saber de tudo. Não vou medir palavras nessa carta.
– Mas... – tentei argumentar, mas eu não podia privá-lo daquilo também – Tudo bem.
E então, ele começou a escrever. Tinha mais ou menos vinte minutos até o empanado ficar pronto, então escreveu rapidamente, mas com uma letra bem legível. Notei sua expressão mudar de acordo com o que escrevia, as vezes sorrindo, as vezes ficando melancólico, mas eu não interferi. Nem mesmo quis ler. Ele devia escolher cada palavra que queria botar ali, sem interferências.
Em alguns minutos, ficou tudo pronto. Ele tirou as folhas do caderno, as dobrou e colocou dentro de um envelope de cartas que guardava no fundo de uma das gavetas de sua escrivaninha. Não a endereçou, colocou apenas “Para minha Família”, guardando-a embaixo de seu travesseiro.
Quando terminou, olhou no relógio e faltavam uns poucos minutos para tirar o empanado no forno e desceu, sentando-se numa cadeira na cozinha.
– Tem isso no Céu?
– O que? Comida?
– É, sabe... Cozinhar e essas coisas – explicou, sem saber bem como explicar.
– Não sentimos tanta fome quanto os humanos, logo você será assim também – falei, sem saber se implicava um tom positivo negativo àquela frase – Comemos frutas, legumes e plantas muito parecidas com as que Frau tem na floricultura. Tudo o que o Senhor criou.
– Que coisa chata... – comentou, levantando-se e tirando seus empanados do forno antes do tempo, sem paciência para esperar o tempo correto.
– Você é muito apressado.
– Prático.
– Tapado.
Ele me mostrou a língua e levou a bandeja de empanados para a copa, não deixando sua família ver o que era. Pôs a mesa sem minha ajuda, colocando pratos, copos, talheres e copos, juntos de uma enorme travessa de winkhob empanado que fizera.
Os quatro sentaram-se na mesa comeram ainda num clima agradável, mas estavam visivelmente mais... Curiosos, talvez.
– E onde foi que aprendeu a cozinhar assim, Teito? – perguntou Fea.
– Frau me ensinou algumas coisas – respondeu com a boca cheia, com um sorriso orgulhoso.
– E mais uma vez esse tal de Frau, não é?
– Ah, ele é um cara legal – comentou e eu não pude evitar fazer uma carranca enciumada, que foi pega por Teito, mas ele apenas riu – Mas saí da floricultura.
– E por quê? – perguntou Kalía.
– Não... Tava mais dando certo.
– Terminou com o Frau, foi? – brincou Mikage, fazendo Teito jogar um repolho nele.
– Não, bobão. Quer dizer, não terminei porque nunca tivemos algo. Mas digamos que eu tenho um amigo que não gosta muito dele – disse e eu arregalei os olhos em surpresa, mas ele apenas riu.
– Que amigo? – perguntou Mikage.
– Pai! – exclamou Teito, provavelmente não querendo responder a pergunta – Vai deixar no prato?
– Eu estou cheio!
– Mas eu fiz com tanto amor e carinho!
– É o terceiro prato do seu pai, Teito – disse Kalía, rindo do jeito mimado do filho.
– Mas...!
– Cala a boca, Teito – disse Mikage, enfiando um pedaço de winkhob na boca do irmão.
Continuaram comendo e conversando quando já haviam terminado, só queriam ficar perto uns dos outros.
– O que acham que existe no Céu? – perguntou Teito repentinamente.
– Muita gente bonita pra pegar – disse Mikage automaticamente, fazendo Teito revirar os olhos.
– Deus.
– Sapatos.
– Vocês não prestam, meu pai!
– Nem me venha com essa, eu disse “Deus” – disse Fea.
– Exatamente. Um foi mulherengo, o outro sacana e a outra consumista. To dizendo: Vocês não prestam.
– É isso que pensa de sua família, menino?
– Claro que não, mãe – disse, rindo – Talvez nos encontremos por lá qualquer dia.
Trocaram olhares confusos, mas Kalía logo se pronunciou: — Então vamos comemorar!
– O que, exatamente? – perguntou Fea.
– Sei lá, só vamos! – disse Mikage ao coro da mãe, indo até o armário e pegando uma garrafa de champanhe. Os pais lhe lançaram olhares reprovadores por ele saber onde a garrafa estava, mas havia um clima diferente naquela casa. Eles sabiam que algo ia mudar, por isso não interviram.
– Se tiver um coma alcoólico, Teito – disse Mikage, sorrindo de lado – Faça um testamento para mim com todos os seus bens antes de morrer.
– Idiota. Só por isso, vou colocar no nome do Labrador.
– Quem é Labrador? – perguntou Kalía e Fea.
– A melhor pessoa do mundo – disse Teito, sorrindo ante a imagem do amigo – Mikage deveria namorar com ele, isso sim.
– Labrador é inocente demais para mim – deu de ombros e começou a retirar a mesa. Voltou com taças de champanhe e serviu a todos.
Eles eram muito unidos, eu não conseguia deixar de pensar que se todos os humanos fossem como eles, o mundo seria muito melhor.
O resto da tarde foi mais animada. Os quatro ficaram apenas conversando e rindo muito – principalmente Mikage, que já estava sob efeito de uma garrafa de champanhe e meia de vinho, isso porque era “resistente” – e se divertindo como uma família.
Quando resolveram ir para o sofá, já era noite, por volta das 21. Estavam cansados, meio bêbados, mas felizes um com a companhia do outro.
Fea, o mais sóbrio, pegou os colchões dos quartos e os colocou na sala, permitindo que todo mundo deitasse junto. Eles realmente sabiam que havia algo de diferente naquele dia.
Deitaram e ficaram assistindo noticiário, dessa vez quietos, talvez com sono. Fea abraçava Kalía, que abraçava Mikage, que abraçava Teito pelos ombros, estava bem cômico.
– Já estão dormindo? – perguntou, após um tempo de silêncio. Todos murmuraram “não” e então ele continuou, com um tom melancólico – Então, eu to partindo. Vou dormir agora.
Disse e se aconchegou melhor no colchão, pronto para dormir. Todos notaram o tom carregado que ele usara ao dizer que ia partir, mas ninguém se pronunciou, apenas um abraçou o outro mais fortemente.
– Eu amo vocês – disse e lágrimas escorreram em disparata por seu rosto, molhando o braço de Mikage, que notou e abraçou Teito, lhe dando um beijo no topo da cabeça.
– Amamos você também.
E então, sabendo que havia algo errado, ele começou a chorar também.
Teito dormiu profundamente assim que lhe tirei as impurezas do corpo e deitei no sofá, esperando o amanhecer e o dia seguinte. Mas de madrugada, enquanto eu observava seu rosto andrógeno, ele acordou. Retirou com delicadeza os braços de seu irmão de cima de si e levantou-se.
– Pretende ir agora?
– Pretendo te ter para sempre agora.
O abracei forte, sabendo que ele precisava de alguém para se apoiar. Ele começou a chorar baixinho no meu ombro, me cortando o coração.
Agora era definitivo.
Ele rodeou meu pescoço com mais força, sem conter de seu choro ficar mais forte. Deu um leve impulso para cima e eu o segurei pela cintura, prendendo-o a mim. Subi as escadas que levavam ao seu quarto lentamente, permitindo-o dar uma última olhada em tudo. Ele apoiou a cabeça em meu ombro e abafou seus soluços na curva de meu pescoço.
Finalmente, cheguei em seu quarto e parei em frente a janela. Ele me olhou confiante e fez um sinal positivo com a cabeça, mesmo com os olhos inchados de chorar.
Abri minhas asas e pulei da janela, levando-o comigo para a escuridão da noite, subindo aos céus. Um último olhar e saquei minha espada, fechando os olhos com força assim que ela atravessou seu corpo magro sem dificuldades. No momento seguinte, ele já não estava mais em meus braços.
Com força e rapidamente, voei aos Céus e, assim que adentrei os domínios sagrados, a primeira coisa que vi foram vários Protestades sorrindo, me aguardando. Pude jurar que também vi Labrador ali.
Mas tudo foi inundado por um verde escuro e intenso, os olhos de Teito, enquanto me abraçava com força, logo sendo retribuído.
Naquela hora, eu tive certeza de que era pra sempre, para sempre juntos.
Notas finais
NÃO DESISTAM DA HISTÓRIA ONEGAISHIMASU! >3<
[edit geral aqui]
Ah, entray num desafio de melhor autor de 2012 e queria a opinião de vocês em uma coisa. Como as histórias não podem ser todas em 07-Ghost (kakaka que legal né) e, na verdade, não sei nem se pode ser em 07G, queria que me falassem um anime legal pra eu fazer uma história :33
E assim, vai ser a segunda história da pesquisa passada, o gênero viadinho de criaturas mágicas (é um gato que vira gente e é viado e é putão e é isso aí), que perdeu feio. Todo mundo prefere dark, qiss seus emo.
[edit]
Então, não estou mais em concurso nenhum, porque eles não permitem a categoria 07-Ghost e eu me recuso a escrever uma história que não seja da categoria que eu quiser, que eu não tenha liberdade para escolher isso. Fora que não quero abandonar meu fandom lindo u_u
Enfim, obrigada pelo carinho e por todo o apoio, sem vocês eu não teria saco pra postar minhas histórias, muito menos pra entrar num concurso u_u
ATÉ SEMANA QUE VEM PORQUE EU VOU CONSEGUIR ENTREGAR NO PRAZO! E QUEM DEIXAR REVIEW, VAI ME FAZER FICAR 01 HORA A MAIS ESCREVENDO, OU SEJA, ESTREGARAY O CAPÍTULO ASSIM QUE TERMINAR! OU SEJA² SE EU TERMINAR AMANHÃ, EU POSTO! ♥33333333333333333333
BEIJO PROCÊS, OBRIGADA!!!!1!!11!!!1!!!11!!!!111!111!!1!!!!!
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