You Smile, I Smile
18 Intenso.
Notas iniciais
O captulo ta giganto, d pra compensar o atraso u_u
Uma pergunta: Cs curtem mpreg?
CHEGA DISS, BOA LEITURA ♥
O abracei com força, não querendo soltá-lo nunca mais. Ele igualmente me abraçava e pude sentir suas lágrimas caindo e molhando meus ombros, mas eu não conseguia me sentir culpado, afinal, estava chorando também.
Naquela hora, eu tive certeza sobre tudo, sobre cada ação. Estávamos juntos, era um fato. Eu não conseguia aguentar a felicidade dentro de mim, Teito estava comigo no Céu! Teito morava comigo! Aquilo era tão utópico que eu demorei a raciocinar a frase inteira, apertando-o cada vez mais contra mim.
Suas emoções estavam acentuadas, o que não era normal no Céu. Estranhei aquilo de início, mas tudo fez sentido quando notei que minhas emoções não estavam diminutas como costumavam ser.
Isso era porque nosso amor era tão grande, tão intenso, que nem as barreiras naturais de emoções do Paraíso o impediria de engolfar tudo a seu redor. Eu amava Teito, Teito me amava. Aquilo era tão normal, agora.
– Haku – chamou e um arrepio correu por todo meu corpo. Sua voz tão próxima, tão real, e lá comigo – Agora é pra sempre, não é?
– Literalmente, meine liebe – ele corou com o apelido carinhoso e eu ri, nervoso.
– Meu Deus, ficar pra sempre com você... – falou, olhando em volta –... aqui.
Havia uma multidão de seres celestiais olhando para nós, encarando meu pequeno sem dó, o achando um intruso. Eu queria gritar com todos eles por estarem nos encarando daquele jeito assustado, nervoso ou indiferente, queria gritar por estarem nos olhando. O que? Agora era proibido amar?
Mas eu sabia a resposta e, justamente por saber, não podia me exceder. Nenhum humano nunca, jamais, pisou naquelas nuvens sagradas; também nunca foi permitido para um anjo o amor. Eu estava atiçando as vontades mais insanas daqueles corações robotizados.
– Hakuren... – chamou baixinho, com a cabeça baixa – Podemos sair daqui?
– Há anjos por todo o Céu, Teito, precisamos encarar isso.
– Tudo bem, mas... Precisa ser agora?
Ele ainda encarava o chão, mas seu olhar transmitia vergonha e desconforto. Segurei seu rosto com as duas mãos e deixei um beijo no alto de sua testa, o fazendo me olhar, buscando apoio desesperadamente.
– É claro que não – sorri, lhe transmitindo confiança, e ele sorriu de volta, agradecendo – Vem, quero te mostrar o Paraíso.
Sorri com sua expressão excitada, mesmo estando desconfortável com os olhares perfurando sua autoconfiança, ele não conseguia esconder que estava pulando de euforia por toda aquela situação.
Abrindo caminho por todos aqueles anjos insultados, demos as mãos e seguimos para fora das imediações do Portal Celestial – uma espécie de “entrada” para o Céu. E é claro que expliquei isso para Teito quando saímos do campo de visão alheio.
Seu olhar se iluminou quando pôde, enfim, levantar o olhar e ver tudo o que lhe aguardava. As nuvens estavam correndo lentamente por nossos pés, num tom alaranjado, fofas. Ao longo, anjos, Tronos, Virtudes, Domínios, Protestades, Principados, todos andavam de um lado para o outro. Não usavam apenas as nuvens como passarela, mas o ar, me fazendo enciumar um pouco quando Teito passou a admirar as diferentes asas à sua frente. Mas apenas ri, fazendo um carinho leve em sua mão.
Ao longe, podia-se ver o Castelo Celestial, tão grandioso e belo quanto qualquer outro. Expliquei a Teito que era ali que tudo no Céu era resolvido, onde qualquer um poderia entrar e ver como estava o coral organista, por exemplo.
– É tudo tão bonito... – comentou, olhando de um lado para o outro, não sabendo se admirava o lugar ou os anjos ali presentes, voando ou andando, ocupados demais para reparar no meu pequeno.
Quando passamos pelo Castelo Celestial, tudo se acalmou. Todos os murmúrios das vozes baixas dos celestes cessaram, a correria acabou, as expressões que se seguiram foram mais relaxadas. Não estávamos mais perto do Castelo, logo, estávamos longe de qualquer tipo de trabalho; logo, o tão esperado sossego.
Teito correu até a beira do pequeno desvio, que guardava abaixo a parte mais acolhedora daquele Céu tão enorme. Era ali que os mais velhos descansavam, após cumprir seu trabalho no Céu, que os organistas ensaiavam em pequenos grupos em baixo de árvores colossais que davam diferentes frutos, que os harpistas tocavam solitariamente para quem quisesse ouvir e se deixar levar pela música.
Um enorme lago, que surgia por entre as nuvens róseas, dava abrigo a diversas espécies de peixes – que nunca eram pescados, claro. Ficava ao centro, cobrindo boa parte da Clareira do Amor com suas águas calmas e cristalinas, servindo de reflexo para as árvores vivas e verdes, grandes, que não precisavam de cuidados especiais para dar a quem quer que necessitasse, um pouco de amor.
Teito observava tudo com uma expressão abobalhada e eu podia entendê-lo, aquele lugar trazia tanta paz e calma quanto um coração apaixonado. Fomos nos aproximando, contornando o lado, passando pelas poucas árvores espalhadas por sua extensão, recebendo sorrisos acolhedores dos músicos e artistas ali presentes.
Teito retesou quando um simpático artista pulou em nossa frente, trazendo consigo um papel pouco menor que uma cartolina, na Terra. Ele sorria amigavelmente, então Teito relaxou, e me entregou o papel. Me cumprimentou brevemente com um “Olá, Anjo Oak” e voltou ao seus desenhos, com um apoio para quadro e uma aquarela em mãos. Aquele era o artista que sempre pintava os anjos do Céu, tão mais famoso por sua simpatia do que por qualquer incrível trabalho que podia fazer.
Mas tive que discordar dessa última afirmação quando vi o desenho que ele nos entregara. Era tão suave, tão gentil, tão real; extraordinário. Éramos nós, Teito e eu, andando de mãos dadas pela Clareira do Amor, exatamente como fazíamos. Mas seus olhos estavam destacados, brilhando ao olhar para o Céu estrelado, mesmo estando ainda claro. Eu o sorria com amor e carinho, estava claro que éramos um casal apaixonado.
Sorri em agradecimento e continuei a caminhada, finalmente o mostrando a Teito.
– Está... Incrível! – exclamou, o pegando em mãos e analisando cada traço, encantando – Como ele conseguiu fazer tão rápido...? – perguntou mais para si mesmo do que realmente questionando aquele fato.
– Os artistas daqui são surpreendentes – respondi, apenas para contar-lhe mais sobre o meu lar – Apesar de que, até chegarmos aqui, foi uma boa caminhada, daria para nos retratar facilmente.
– Ainda assim é incrível – falou, num tom baixo. Sorri com isso, pensando que ele já estava se acostumando à leveza e calmaria dali, contagiando-se.
Olhando para seu belo rosto, não notei onde estávamos indo, deixando-o nos guiar. Mas não foi necessário muita dedução quando sua expressão tornou-se completamente surpresa, admirada e, com certeza, maravilhada. Me virei para contemplar junto a si o Palácio de Deus, o lugar mais sagrado do Céu.
– Esse é o Palácio de Deus, Teito – falei, enquanto o admirava contemplar o lar do Pai.
Aquele era a maior construção do Céu. Tão esplendorosa por fora quanto qualquer outro lugar que pudesse existir ali, já que nem mesmo eu conhecia todos os lugares do nosso enorme Céu. E o mais incrível era a conexão direta que as águas da ilha do Palácio tinha com as águas do lago.
Era uma enorme ilha, feita de nuvem, como tudo ali, flutuando no ar. Suas nuvens pareciam sempre cheias, pois estavam continuamente fazendo pequenos jorros de águas caíram em direção do lago, que se estendia até pouco depois da ilha flutuante.
E, em cima dessa maravilha divina, havia um palácio feito de cristal, que parecia querer se erguer o mais acima possível, com suas torres altas e finas. Asas celestes emolduravam as laterais da construção, como se mentissem o palácio no ar. Ele tinha uma forma cilíndrica no chão, mas suas torres se erguiam sem seguir um padrão, como se tivessem vida própria. Era esplêndido.
– É aqui que o Senhor vive, com os querubins e serafins.
– É incrível...
– Você já disse – ri baixinho de seu espanto, achando engraçado o tanto de vezes que ele já havia dito que algo é “incrível”.
– Vocês nunca os vêm? – perguntou, desviando momentaneamente o olhar para mim.
– Os querubins e serafins, sim; mas o Pai, nunca.
– Entendo.
E essa foi a última palavra que ele disse antes de passar a admirar com devoção cada detalhe do Palácio. Ficou minutos inteiros abobalhado, olhando para os pequenos fluxos d’água que caíam, para as torres, as janelas com folhas de cristais em seus entornos. Notei algumas lágrimas solitárias caírem de seus olhos e uma pontada forte acertou meu coração, afinal, a última coisa que eu queria era que Teito chorasse.
Abracei seus ombros, mas não o tirei daquele momento. Eu sabia que ele precisava daquilo, era além de admiração. Ele estava processando todas as informações, cada situação e emoção que estava passando. Talvez estivesse até mesmo orando.
Ele me abraçou pela cintura e acomodou a cabeça na curva do meu pescoço, pude sentir suas lágrimas escorrendo. Ele chorava baixinho, me abraçando cada vez mais forte. O abracei forte também, lhe dando apoio.
Senti seu choro diminuir bruscamente, como se ele quisesse sair daquela situação rapidamente. Ele levantou a cabeça e seus olhos ainda derramavam lágrimas, mas ele tentava contê-las, engolindo qualquer vontade de chorar.
– Hey – chamei, o segurando pelos ombros, ainda próximo a mim – Eu não estou com pressa.
Seus olhos novamente se encheram de lágrimas e eu lhe beijei na testa, sabendo que seria impossível fazê-lo parar, já que era algo que ele precisava. Voltou à posição inicial, chorando ainda mais impetuosamente, enquanto eu afagava seus cabelos.
Dessa vez, ele não se conteve, chorou o quanto precisava, sem medo de ter sua voz ouvida. Talvez aquele não tenha sido um simples choro de emoção, mas o choro de toda a sua vida, tudo o que ele passou e segurou para si, tudo o que ele sentiu e aguentou sozinho, por não ter alguém para compartilhar isso.
Vê-lo assim, tão sensível, era triste para mim. Mas eu estava feliz, apesar de tudo. Ele estava me usando para aliviar a dor de toda a sua vida, para compartilhar sua emoção, sua tristeza por abandonar seu lar, sua surpresa, confusão e amor. Ele havia me escolhido, ele tinha confiança em mim o suficiente para mostrar seu lado mais vulnerável.
E, para sempre, eu estaria ali para protegê-lo de tudo, aguentar sua dor junto a si, ampará-lo e, principalmente, lhe dar todo o amor necessário e mais um pouco. O apertei mais junto a mim, para transmitir-lhe a segurança que eu estava disposto a arriscar tudo para dar.
– Hakuren – ele chamou após um tempo com a voz rouca, que me arrepiou momentaneamente. O encarei e o esperei falar – Não quero mais dúvidas. Me leve logo onde eu tenho que ir para acertar minha vida aqui em cima.
Seu tom era decidido, profundo. Apesar de sua frase, ele não parecia ter dúvida alguma, estava certo do que queria e do que fazer. Acariciei seu rosto e sorri, assentindo. Ele havia mudado.
Voltamos de onde havíamos saído, para o Castelo Celestial. Ele não olhava para outro lugar senão a frente, para onde o Castelo estava. Não virou o olhar uma só vez quando os anjos passando por ali o encararam, mas apertou minha mão mais fortemente. Apertei em retorno, lhe dando confiança para continuar.
Logo estávamos passando pelas enormes portas abertas, sendo apresentados para o interior daquele esplendoroso castelo. Pensei em parar para lhe explicar o que cada porta representava, aonde a enorme escada central levaria, mas ele apenas me pediu para levá-lo onde ele deveria ir.
Assenti e subimos a enorme escadaria de prata, chegando a uma série de corredores com diversas portas, de diversos tamanhos, cores e formatos. Paramos em frente a uma porta preta, alta e larga, talhada com imagens de anjos.
– Fique aqui, vou entrar e perguntar o que será feito – pedi, segurando suas duas mãos. Ele assentiu mudo e soltamos as mãos, me deixando levemente frustrado, afinal, o queria para mim sempre. Mas não sabia se ele podia entrar ali.
– Anjo Oak – logo um Trono se pronunciou. Eles estavam sentados em fileira, pouco acima do chão, em uma távola meia-lua, que ocupava toda a sala. Apesar da porta sinistra, a sala era completamente branca e azul claro, bem acolhedora para o que acontecia ali diariamente; os julgamentos. No centro da sala não havia nada e era ali onde ficaríamos para decidir o que seria do destino de Teito.
– Onde estas vosso humano? – uma Virtude perguntou e todos me olharam em expectativa, como se já nos esperassem.
– Do lado de fora, eu o chamo?
– Por favor.
Logo saí dali e chamei Teito. Ele suspirou e eu lhe beijei nas mãos, falando que tudo ia dar certo. E realmente ia. Porque esse era o certo, Teito ficar comigo para sempre.
Quando ele entrou na sala, todos os presentes o olharam curiosos. Realmente, nenhum deles ali costumava ver humanos, então ter um espécime tão perto, tão comunicável, provavelmente era uma experiência instigante.
Claro, porque nenhum deles precisou trabalhar como anjo, já que foram criados pelo próprio senhor e nunca saíram do Céu. Eu fui um humano em alguma vida distante, por isso era considerado “inferior”. Hierarquia idiota.
– Tu és Teito Klein – um Domínio afirmou, mas Teito respondeu timidamente que sim com a cabeça – Tu estás certo de que viver no Paraíso é o que queres?
– Viver com Hakuren no Paraíso é o que tenho certeza que quero.
Todos trocaram olhares atravessados, mas ninguém o contestou.
– Tens noção de que terá que trabalhar por 2000 anos como Principado, o dobro do que seria natural para um humano que vem para o Paraíso?
– Absoluta.
– E de que servirá o Paraíso eternamente?
– O que quer dizer? – perguntou Teito, olhando de mim para o Trono que falara.
– Quando terminar seus anos de servidão, não será livre para escolher tornar-se humano novamente.
– O que? – perguntei, me impondo ao Trono e segurando a mão de Teito.
– Não podemos permitir que Teito Klein torne-se humano novamente por já ser um.
– Mas ele se tornará Principado em poucas horas!
– Isso não muda fato algum – um Domínio disse, entoando o Trono que falara.
– Mas é claro que muda! – exclamei – Ele servirá por 2000 anos e depois não poderá nem mesmo escolher voltar para a Terra?!
– Não.
– Mas isso é um ultraje! – exclamei novamente, elevando os braços automaticamente, em revolta. Estavam extorquindo todos os direitos dele! – Isso pode ocorrer? – perguntei diretamente para uma Virtude, que era da ordem que traduzia a vontade do Senhor.
– Somos nós quem transmite as ordens – um dos Tronos disse, levemente insultado.
– Hakuren – Teito chamou baixinho, segurando minha mão, quando eu ia dar uma resposta bem mal-educada – Tá tudo bem. Não me importo com essa imposição.
– Mas...!
– Só me importarei se você quiser se tornar humano – falou, me olhando fundo nos olhos – Aí terei que dar um jeito para ficar com você na Terra também.
Ele sorriu e foi o suficiente para me acalmar completamente, me fazendo esquecer de toda raiva anterior. Acarinhei seu rosto e me virei novamente para o Conselho à minha frente.
– Tudo bem, prossigam.
– Teito Klein deverá servir ao Paraíso por 2000 anos como Principado, impedindo acidentes não naturais na Terra, qualquer interferência, sendo maligna ou não... – o Domínio falava quase que automaticamente, provavelmente já havia “formado” muitos Principados, pois o texto parecia decorado.
Basicamente, disse tudo o que eu já havia explicado a Teito. Mas mesmo assim, ele prestava atenção em cada palavra, parecendo se atentar aos mínimos detalhes. Resolvi prestar atenção também, talvez alguma imposição nova vazasse sem que eu percebesse.
– Tu terás uma Fonte Profetisa – disse o único Protestade ali, pelos cabelos ruivos, provavelmente era Castor – Ela lhe mostrará o núcleo de cada acidente não natural que pode vir a acontecer, sem garantias de que realmente ocorrerá. E assim, saberás como impedir.
– Certo – confirmou, com um tom um tanto confuso, mas pelo visto, os esperou concluir antes de tirar alguma dúvida.
– Tu impedirás indo para a Terra imediatamente e fazendo o possível para reverter a situação – o Domínio anterior voltou a falar, com sua voz de texto decorado – Não poderás usar o Portal Celestial, vossa única maneira de ir e vir será usando o Portal que vossa Fonte cria.
Ele parou por alguns instantes, dando a Teito tempo para raciocinar. Tempo esse que achei inútil, pois aquela parecia ser a dúvida dele e, agora que estava sendo sanada, não precisava de tempo algum para pensar.
– Basta tocar no fundo das águas que será imediatamente transportado para o local onde o acidente começará ou ocorrerá – Teito assentiu e ele continuou – A Fonte sabe quando e onde deves estar, não precisará preocupar-se com isso.
– Perfeito.
– Aqui está – Castor fez materializar-se em sua mão algo parecido com uma pequena plataforma redonda, fazendo Teito arregalar os olhos, surpreso. Desceu da távola onde se encontrava e foi ao nosso encontro. Entregou para Teito o estranho objeto e foi só então que eu notei que aquela era Fonte.
– É lindo – disse baixinho, passando os dedos pelos tralhados de ouro em forma de rosas entrelaçadas a trepadeiras.
– Ela será sua companheira pelos próximos 2000 anos, Teito Klein – falou, sorrindo – Assim que virar Principado, ela lhe mostrará o que deve fazer.
– E quando isso acontecerá? – perguntou, ainda sem tirar os olhos da Fonte e de suas águas, que mais pareciam fumaça.
– Teito Klein – falou, num tom diferente, firme – Dá a sua palavra de servidão ao Céu por 2000 anos como Principado?
– Sim, eu dou – afirmou prontamente, olhando fundo nos olhos de Castor.
– E nos anos seguintes, não poderá retornar a Terra. Concorda com isso sem intervenções?
– Sim, eu concordo – disse, num tom mais firme, segurando sua Fonte perto de si. Castor sorriu e tocou o alto da cabeça de Teito, fazendo uma luz sair de sua mão e preencher seu corpo.
– Anjo Oak, sabe onde levá-lo.
E, assim, todos eles sumiram, sobrando apenas Teito e eu na sala. Ele me olhou confuso e eu sorri, bagunçando seus cabelos.
– Agora você é Principado.
– Sou, é?
– Não sentiu nada diferente?
– Agora que falou... Estou sentindo o peso de 2000 anos nas minhas costas.
– É isso aí – falei, e ri de sua expressão ainda confusa – Agora pode olhar na sua Fonte.
– Já?!
– É, o trabalho aqui não para.
– Mas... Mas... E minhas asas?!
Eu ri alto de si, o puxando pela mão para fora do Conselho: — Então, só queria ganhar asas?
– Mas é claro!
– Vem, eu te levo.
– Então vou mesmo ganhar?!
– Claro que vai, bobão – falei circundando seus ombros com meus braços – Não percebeu que todo mundo aqui tem?
– Ai meu Deus – falou, parou e depois riu, notando a ironia na frase – Me leve logo pra onde quer que seja que eu tenha que ir pra ganhar minhas asas.
– Sempre tão calmo – cantarolei, o guiando para um dos enormes corredores.
– Ah, Haku – chamou – Como sabe quem são os Tronos, Domínios... Ahn... Esqueci o resto.
– Tronos, Domínios, Protestades e Virtudes – disse, rindo – Viu o símbolo que eles carregam no peito? – ele assentiu – Cada um deles representa sua hierarquia. Com o tempo, você vai conseguir diferenciar cada um deles também.
– Eles me dão medo, isso sim – quase se interrompeu ao virar e encontrar um corredor pouco mais extenso, mas com portas bem mais... Enfeitadas, eu diria.
– Se acertar qual porta tem que entrar, ganha um beijo.
– Tentador – falou, girando os olhos. Observou cada desenho e formato das portas e parou na frente de uma bem óbvia. Muitos cupidos soltando flechas estavam pintados, mas passou dessa, indo para a que tinha uma enorme borboleta Morpho Catenarius pintada à mão por algum artista talentoso – Aqui?
Olhei abismado dele para a porta, me perguntando como ele havia deduzido. Bom, perguntava depois, agora tinha uma aposta para pagar. Segurei seu rosto com as mãos e sorri de lado, vencido. Ele me olhou orgulhoso e piscou um dos olhos, fazendo meu coração acelerar. Ele era... Tão lindo.
– Parabéns – disse e lhe depositei um beijo nos lábios, permanecendo ali enquanto descia minhas mãos até sua cintura, trazendo-o para mais perto. Ele circundou meus ombros com os braços, aprofundando o beijo de forma calma.
Bagunçou meus cabelos e separou nossos lábios de um beijo que fora único. Me deu um selinho e eu lhe dei outro, mordiscando seu lábio inferior. Ele riu e me abraçou, pude ver que ele estava corado.
O apertei em meus braços e rimos feito bobos. O tirei do chão e o coloquei na frente da porta onde deveríamos entrar. Nos separamos e ele me olhou, transbordando excitação.
– É só... Entrar?
– É, ué.
– Então, vamos.
Nos demos as mãos e ele entrou, encontrando duas celestes com rostinho de adolescente, uma tocando uma pequena harpa e a outra dançando alegremente, soltando um caminho de brilhos por suas mãos pequenas. Eram lindas.
– Oh, então tu és Teito Klein – uma delas falou, sem que a outra parasse de tocar – Nós somos as que dão vida aos Celestes.
– Exatamente. Nós damos as asas – a outra falou, largando a harpa no ar, que continuou tocando sozinha.
A sala era pequena, suas paredes eram enfeitadas com pinturas de flores de todos os tipos, que pareciam mudar de cor quando não se estava olhando. E eu não duvidava nada que aquilo era possível. Havia apenas uma mesinha, com alguns papéis jogados, na parede lateral. Na parede da frente, duas janelas com vista privilegiada para o Céu. E só.
– Então, eu vou mesmo ganhar minhas asas? – perguntou, sorrindo radiante para as meninas.
– Mas é claro!
– Venha, venha – falaram, como se uma estivesse emendando a frase da outra. Eu estive naquela mesma sala 400 anos atrás, mal lembrava de como fora o processo de receber minhas asas. Bom, teria a oportunidade de ver novamente...
– Mas ele...
– ...terá de sair.
– O que? Por quê? – Teito logo perguntou, olhando de uma para a outra, que conseguiam ser mais baixas que ele.
– Preferimos que...
– ...apenas quem receberá as asas...
– ...fique na sala.
– Se for assim, saiam vocês também – falou, um tanto quanto agressivo – Desculpe – murmurou – Mas, por favor, o deixe ficar.
– Se quer tanto assim...
– ...que seu anjo fique...
– ...por nós não há problema – era cômico vê-las completando a frase uma da outra.
Teito suspirou aliviado e novamente se postou ao centro da salinha. As duas celestes pararam uma de cada lado de seu corpo e levantaram as mãos. Teito automaticamente fechou os olhos e, então, o mesmo brilho que saía das mãos das duas antes de nós chegarmos, circundou Teito e ele foi levemente levantado no ar.
Meu queixo caiu em admiração quando um par de asas foi surgindo em suas costas, pequenas, crescendo aos poucos. Teito estava com os olhos levemente abertos, parecia estar mais sentindo do que vendo alguma coisa. Em pouco tempo, ele tinha suas asas postas, lindas e grandiosas.
Mas... não eram asas comuns. O formato era mesmo, como um “A” de cada lado do corpo, mas sua cor era de um azul claro, quase branco, mas ainda dava para notar a diferença. Me perguntei o porquê daquilo.
Ele voltou a pisar no chão e a primeira coisa que fez foi abrir o máximo que conseguiu suas asas, com o maior sorriso do mundo no rosto. Ele ficara... Incrível. Tão bonito, tão intenso.
– Elas são azuis...
– ...porque seu humano não passou pela transformação. – referiam-se à transformação de humano para anjo.
– E como as asas são feitas à cor da alma...
– ...e alma dos humanos é azul, não importa sua natureza...
– ...suas asas ficaram igualmente azuis.
– Mas de que isso importa? – perguntou, agora tocando cada peninha azulada – Eu tenho asas! Eu posso voar! Igual você, Haku, eu tenho asas!
Ele me abraçou em meio a tanta empolgação e eu retribui na mesma intensidade, rindo junto a ele.
– Sim! Você tem asas! E elas são lindas! Parabéns, Teito – falei, também as tocando, fazendo Teito se surpreender com o toque. Eu fora o primeiro a tocar suas asas! Além dele, é claro.
– Sim, elas são tão lindas e... Obrigado, Hakuren! E a vocês também, obrigado! – agradeceu as duas celestes, que apenas soltaram risinhos tímidos e voltaram a sua dança, mudamente nos expulsando dali.
Logo saímos do Castelo, ele estava praticamente correndo pelos corredores. Ao chegar perto da porta, eu nem precisei perguntar, já abri minhas asas e voei aos Céus com ele, para o mais alto que conseguimos, para longe do Castelo. Nem mesmo precisei avisá-lo para não ir muito alto, logo ele estava enterrando rapidamente em direção ao chão, levantando pouco antes de alcançar as nuvens, indo para todos os lados.
Eu nem mesmo tentava lhe acompanhar, estava voando rápido demais e para direções muito desconexas. Mas não tirava o sorriso do rosto, um dos mais iluminados que eu já o vira dar. Seus olhos deixavam um rastro de lágrimas por onde passavam e eu sorri, contente por deixá-lo tão feliz.
Quando ele pareceu se acalmar, apenas planando no ar, fui ao seu encontro e o abracei forte, enquanto íamos inconscientemente para mais alto. Ele riu com vontade, um riso de pura alegria, segurou uma das minhas mãos e a com a outra apoiou em minha cintura, nos fazendo ficar numa posição engraçada de dança. Ele ia para lá e para cá, numa dança sem compasso, me fazendo rir alto e entrar em sua brincadeira, o rodopiando no ar.
Ele segurou ambas as minhas mãos e me encarou fundo nos olhos, pude ver todos os seus sentimentos ali, tão entregues à mim... Sorri com carinho e ele me abraçou, deixando sua cabeça em meu peito, enquanto eu o enlaçava pela cintura.
– Obrigado, Hakuren – sussurrou e sua voz me arrepiou. Ele não precisava dizer mais nada, aquilo me era suficiente. Teito não sabia lidar muito bem com palavras, mas seus sentimentos eram claros para mim, eu o conhecia melhor do que qualquer um. E, exatamente por isso, eu sabia tudo o que aquilo estava representando para ele.
– Quem tem que agradecer aqui sou eu – falei e ri baixinho – Você me deu uma vida, Teito. O que eu era sem você? Um anjo? Mais um entre tantos outros? Sem sentimentos nem quereres. Você, além de me dar a alegria que eu nunca pensei existir, me deu amor. Você salvou meu coração, Teito, que eu nem sabia que existia.
O abracei mais fortemente, colando nossos corpos, e sorri ao sentir seu coração batendo forte contra minha pele. “Eu te amo”, disse e ele me olhou com os olhos brilhando por lágrimas não derramadas. “Eu te amo” ele disse baixinho e eu lhe beijei nos olhos levemente, para depois beijar seus lábios calmamente.
Sorrimos um para o outro, demos as mãos e descemos às nuvens.
– Ei, Haku – chamou, após algum tempo – Onde nós vamos dormir?
– Em algum lugar depois da Colina do Saber – falei, dando de ombros. Ele me olhou e perguntou com a cabeça onde era tudo isso – Ok, vou te levar lá.
– Não é mais rápido voando?
– Com certeza – falei, já alçando voo e rindo na frente. Ele me seguiu, também rindo. O guiei até um lugar onde não havíamos ido, mais à direita do Palácio de Deus, onde era completamente calmo, com algumas árvores espalhadas, nascendo e sempre crescendo em cima das nuvens.
– Aqui é lindo – ele disse, pairando sobre as árvores. Havia poucos celestes descansando ali naquela hora, então eu tinha liberdade para segurá-lo pelas mãos, abraçá-lo e descer ao chão. Sentamos ao pé de uma árvore, ele entre as minhas pernas e meus braços circundando seu corpo.
– Hey – chamei, quando ele apoiou o pescoço em meu ombro – Quer dar uma olhada na sua Fonte?
– Já... Posso? – perguntou, parecendo notar pela primeira vez que ela estivera ali em sua mão o tempo todo.
– Sim, na verdade, já era pra ter salvado alguém a essa altura. – brinquei e ele se desencostou na hora.
– O que?!
– É brincadeira, bobão – falei e o fiz deitar em mim novamente. Era tão bom tê-lo assim, em meus braços, tão meu – Vai, liga esse negócio logo.
Ele me olhou confuso e eu fiquei confuso também. Afinal, como aquilo deveria funcionar?
– Como...? – perguntou, deixando a frase morrer ali, olhando a fonte com um olhar interrogativo. Mas não foi preciso mais, sua expressão tornou-se surpresa, intrigada logo após e, enfim, excitada – Haku! Eu consigo ver! Consigo ver a Terra daqui!
– Consegue? Sério? – perguntei, olhando também para a Fonte, mas vendo apenas uma água cristalina acima de um fundo prateado.
– Sim! Posso ver as pessoas indo para lá e para cá, parece ser a Hauptbahnhoff aqui! – exclamou, quase pulando – Será que Mikage... ?
– Teito, sabe que não pode ficar na expectativa de achá-los – falei, cuidadoso – Vai se frustrar a cada dia se esperar por isso.
– Eu sei – deu de ombros, parecendo ter pensando muito naquele assunto – Foi só curiosidade – sorri para sua compreensão e voltei a atenção à Fonte, imaginando se algum dia eu poderia ver alguma coisa – Hey – chamou – Não deveria aparecer alguém prestes a sofrer algum acidente?
– Não sei, não está vendo nada? – perguntei e ele negou – Deve ser porque em Munique não está acontecendo nada, e você está encarregado de cuidar dessa cidade.
– Entendi... – comentou, olhando para as pessoas.
Algumas semanas se passaram. Eu estava ansioso para levar Teito no desfile que ia ter, seria sua primeira vez vendo Serafins e Querubins. Eu dei sorte de a criança que agora eu cuidava estava dormindo, esse era o lado bom dos primeiros dias de Protegido. Eu tinha que cuidar de um bebê e eles costumam ficar a maior parte do tempo dormindo, então tive bastante tempo livre com Teito nos últimos dias. Só queria ver quando o pequeno Capella crescesse...
Teito teve uma espécie de crise de ciúmes quando eu falei que precisava voltar a Guardar. Foi a primeira vez que o vi tão descontrolado, para falar a verdade. Ele ficava repetindo coisas sobre eu abandoná-lo, enxotá-lo do Céu, trocá-lo pelo Capella. Eu só conseguia rir, para falar a verdade, só parei quando seus olhos começaram a marejar. Eu não tinha culpa, a ideia de abandoná-lo era tão ridícula e incogitável que chegava a ser cômica.
Ele acabou aceitando, após algumas horas sem falar comigo. Pelo visto, viu que não tinha como eu deixá-lo depois que eu perdi a paciência e gritei alguma coisa sobre também sentir ciúmes quando ele ia pra Terra. Ele disse que a ideia de ele me trocar era absurda e, então, entendeu como eu me sentia. Não lembrava muito bem daquele dia, não gosto de guardar coisas ruins na memória.
Assim como eu voltei para meu trabalho, Teito começou o seu. Admito, eu me sentia muito desconfortável quando ele me contava sobre as coisas que fazia na Terra para salvar pessoas. Eu sempre achava que ele, sozinho lá embaixo, seria capturado a qualquer momento e o pior poderia acontecer. Por isso, falei com os Tronos para dá-lo um tempo para aprender a batalhar, já que nem mesmo sabia usar seu zaiphon, que recebeu assim que ganhou suas asas.
Ele já estava há alguns dias recebendo um treinamento intensivo de Castor, já que não lhe foi permitido entrar no curso que todos nós fazíamos antes de exercer nossas funções. O preconceito ali ainda era grande, e o que mais me frustrava era não poder fazer nada.
Mas eu estava feliz por ele, pelo o que me foi relatado, ele tinha ótimas habilidades com zaiphon – o que me aliviava muito – e estava indo bem no treinamento. Admito, as vezes eu dava uma escapada apenas para observá-lo treinar com o ruivo. Era uma cena incrível toda vez que eu a presenciava. Teito levemente suado, a expressão séria e concentrada, a espada sendo segurada com força em suas mãos, apenas uma calça cobrindo seu corpo e, claro, suas asas azuis resplandecendo, ofuscando tudo o que estava à sua volta.
Aquele era um dos raros momentos no Céu, era quando tudo parava para ver os seres mais próximos do Senhor esbanjar sua graça. Todos sentiam-se revigorados, era um prazer imenso e uma paz sem igual estar na presença daqueles seres.
– Mas Hakuren – chamou Teito, baixinho, ao meu lado – Por que tá todo mundo aqui? Quer dizer, como fica nosso trabalho?
– Teito – falei, com meu melhor sorriso de “você deve ser novato” – Podemos parar o tempo na Terra para isso – expliquei e ele arregalou os olhos, em surpresa – Em algumas raras ocasiões, como essa, os próprios Querubins se encarregam de cuidar de tudo, inclusive dos nossos humanos, que também não podem ser atingidos por demônio algum.
– Isso é incrível!
– Já perdi a conta de quantas vezes você disse isso nas últimas semanas – brinquei, abraçando-o pelos ombros e ele circundou minha cintura com seus braços.
Alguns minutos se passaram, ficamos conversando amenidades, sobre como era seu trabalho ou seu treinamento. Eu evitava falar do meu e do Capella-chan, mas as vezes deixava uma coisa ou outra escapar, ele não ligava mais.
– Ei – senti um cutucão e olhei para trás. Fora da fila indiana daquele lado do caminho onde seria o desfile, que começava no Castelo Celestial e terminava para lá das Colinas Cantantes, já que todos os celestes se reuniam em duas filas indianas, estava um homem.
Sorrindo de forma preguiçosa, era o mesmo artista que sempre ficava à beira do lago pintando quem passava. Ele sorriu para mim e para Teito, nos mostrando a pintura de nós dois abraçados. Consegui novamente me surpreender com o talento daquele artista, ficara perfeito!
– Hey! Ficou lindo – Teito exclamou, tomando-a em mãos, analisando mais de perto.
– Obrigado – agradeceu com um sorriso de orelha a orelha – Vocês formam um casal lindo – falou e eu estranhei o sotaque terráqueo, mas não disse nada. Artistas costumavam ter mente aberta, provavelmente ele passou muito tempo com humanos e não quis perder o sotaque, dependendo do seu passado.
– Acho que só você pensa assim – Teito murmurou e eu senti o peso do mundo nas minhas costas. A culpa de ele estar daquele jeito era minha.
– Na verdade não, tenho alguns amigos que admiram a coragem de vocês – sorriu mais uma vez – Vocês são tão lindos...
Coramos com o elogio e nos entreolhamos, mas não dissemos nada. Aquele homem não parecia bater muito bem mesmo. Ele era baixinho, tinha cabelos castanhos e desgrenhados, suas roupas estavam cheias de pingos e manchas de tinta, mas tinha feições infantis, ao mesmo tempo em que parecia ser bem mais velho que Teito.
– E onde estão esses amigos?
– Eles têm vergonha de vir falar com vocês – ele riu um pouco mais alto, como se achasse a ideia realmente absurda – Afinal, você é o humano, não é? Como é seu nome?
– Teito Klein.
– Muito prazer, eu sou o Antonie – falou, cumprimentando Teito veementemente – Anjo Oak, já nos conhecemos.
– Sim, mas como nunca fomos formalmente apresentados – falei, esticando a mão para ele – Muito prazer, sou Hakuren Oak.
– Antonie Intohimo! – disse, parecendo ainda mais contente.
– Toni! – uma voz fina gritou ao fundo e eu vi dois adolescentes vindo em nossa direção. Conhecia os dois também, eram os gêmeos que tocavam órgão juntos. Eu estava me sentindo uma criança ali no meio, já que todos pareciam já ter cumprido seus 1000 anos como Anjos, independente de sua aparência física – se escolhêssemos ficar para sempre crianças ou adultos, para sempre ficaríamos com a mesma aparência.
– Hey, venham, quero apresentar o Teito para vocês! – gritou, acenando para os dois.
Toni nos apresentou Isabelle e Pierre Lapersa, eles eram gêmeos realmente muito idênticos. Eu poderia dizer que eram duas meninas, pois Pierre usava o cabelo loiro caído aos ombros e tinha feições muito andróginas. Já Isabelle, tinha uma aparência muito fofa, com um coque alto e uma tiara de flores nos cabelos cacheados.
Eles eram divertidos, os dois. Conversamos bastante antes de começar o desfile, Isabelle tinha um instinto protetor engraçado, dizendo que Teito não podia deixar de cuidar de suas asas, já que eram muito novas ainda. Já Pierre tinha um humor um tanto quanto azedo, adorava fazer comentários sarcásticos quando Teito comentava sobre alguma coisa do Céu.
– Mas eu não posso sair gritando que eu sou alemão – ele disse numa dessas, quando estávamos conversando sobre o chamarem de Principado Klein e ele detestar, pois parecia que era de propósito.
– Claro, falou o humano que vive um relacionamento amoroso no Céu – comentou Pierre – Sem querer cortar sua onda, ô Teito, mas “não posso” é uma expressão que você não pode usar.
– Mas é que...
– Não liga pra ele, Teito, apenas me fale como foi se apaixonar por esse cara aqui – falou Isabelle, apontando para mim – Soube que você era o maior dos maiores antipáticos do Céu.
– Bem... – comecei, ficando desconcertado. Eu realmente era, mas... Não sei, não via mais necessidade para tal – Acho que era ,sim.
– Isso, eu estava mesmo querendo ouvir uma história de amor! – disse Antonie, com um ar infantil em volta de si. Pierre, que era mais alto, circundou seus ombros, fazendo o pintor rir e abraçá-lo pela cintura.
– Tudo começou quando...
– Olha lá eles! – alguém na multidão, na fila da frente, gritou.
– Parece que vamos ter que adiar essa conversa – disse Isabelle e nos empurrou para nossos lugares na fila, dando um jeito de encaixar os outros dois ao nosso lado.
– Desculpe – uma voz grave chamou atrás de nós – Teria algum lugar para mim?
– Misha! Venha, já está na hora – ela exclamou, dando seu lugar para o homem alto, moreno e imponente atrás de nós.
E, com todos reunidos, observamos os Serafins passarem. Teito não tirava os olhos daqueles seres tão ancestrais e bondosos, tinha uma expressão de pura paz. Era tão calmo observá-los, parecia que nada poderia nos abalar ali.
Os celestes que os tiveram passados por si, tinham uma expressão calma, sorriam levemente. Os que os esperavam, a expressão era de excitação e ansiedade, mas todos sorriam com a graça daqueles seres.
Os Serafins eram todos loiros, loiríssimos, quase albinos, tinham cabelos longos e rebeldes. Alguns tinham cabelos presos, outros lisos e soltos, alguns usavam franjas que emolduravam os rostos delicados. Eram todos incrivelmente belos e transmitiam tranquilidade apenas com seus gestos.
Mas o que mais chamava a atenção, tanto em Serafins quanto em Querubins, era suas asas. Eram incrivelmente belas, grandes, com penas mais desenvolvidas e de um branco quase perolado. Era maravilhoso.
Os Querubins tinham cabelos curtos e castanhos, a maioria era cacheado. Pareciam ser mais novos que os Serafins, por suas feições mais pueris. De repente, surgindo no meio de todos eles, reconheci um rosto. Sim, com certeza era ele. Com os cabelos mudados, agora curtinhos e castanhos, mas com certeza era...
– Labrador – Teito disse, olhando fixamente para o celeste que passava em sua frente.
– Sim, é ele – falei, com o tom mais incrédulo que já fiz numa frase afirmativa.
Logo ele passou pela nossa frente e estranhamos confirmar que realmente era o chaveirinho da Terra em outra vida. Estranhamos ainda mais quando ele se aproximou de nós, sorrindo. Não mudara nada. Colocou suas mãos na cabeça de Teito e o sorriu mais amplamente, para depois continuar sua passarela.
– O que ele fez? – perguntei curioso.
– Não sei... – falou, levemente confuso, mas tinha um sorriso imenso – Mas agora eu posso fazer o que quiser. Posso ser feliz completamente. É como se o meu coração tivesse sido libertado. Não, meu coração não, minha alma.
Suas asas tremiam, como se ele estivesse louco para usá-las, alçar voo e ser livre pelos céus.
– Os Querubins são os mais puros, talvez ele tenha limpado qualquer rastro de insegurança da sua alma – falei, sorrindo gentilmente para meu humano, que segurou minha mão.
– Mas a única coisa que eu sinto que está absolutamente igual – apertou o nó de nossos dedos – É o meu amor por você – falou baixinho, corando como nunca, mas uma explosão de felicidade me atingiu.
E, ali, pela primeira vez, eu estava completo. Eu tinha amigos, vivia com a pessoa que eu mais amava no mundo e estava vivendo no melhor dos paraísos.
– Isabelle pediu para eu te entregar – Teito disse atrás de mim, que estava descansando embaixo de uma árvore numa parte afastada no Céu, que pegamos para ser nosso “lar”.
Ele me entregou uma espécie de tiara, mas bem menor, toda feita com pequenas flores azuis e vermelhas, minhas cores favoritas. Encarei confuso o pequeno objeto e Teito pegou da minha mão, sorrindo como se dissesse que eu era muito bobo.
– Aqui – disse, pegando o rabo baixo de cavalo que eu ainda usava e colocou por cima do elástico que eu usava para prendê-lo – Ficou lindo. Isabelle tem mesmo o dom para essas coisas.
Já haviam se passado muitos dias desde o desfile em que conheci os gêmeos Lapersa, Antonie e Misha. Nos tornamos uma espécie de família disfuncional, cuidávamos um do outro, nos reuníamos sempre que dava para conversar e rir à toa. Era mais fácil para mim, mas Misha ainda tinha dificuldades em manter seus horários, já que Protegia um adulto um tanto quanto workaholic.
Eu havia realmente me identificado com aquele cara, dos quatro, era o que eu mais falava. Uma parte por ele ter o mesmo trabalho que eu, mas por ele ser mais calmo e sóbrio. Já Teito, adorava a companhia de Antonie. Eu desconfiava que era porque o pintor lembrava seu irmão, Mikage.
– Pierre ainda está doido com ela – comentou, acarinhando meus fios loiros, que agora com certeza estavam mais charmosos – Principalmente quando ela contou que fora pra Terra.
– Mas ela não estava com o Misha?
– Acho que foi por isso mesmo que ele ficou irritado – disse, rindo – Disse que ia ter que virar Anjo de novo pra poder protegê-la, tamanha era a quantidade de vezes que ela ia pra Terra.
– Deus queira que ela não se dê mal por isso – comentei, achando graça da situação, realmente não me preocupando. Pierre era só estressado demais, nunca era nada grave.
– Aí ficou falando que depois que ela foi pra Fonte dos Saberes com o Misha, voltou com ideias malucas na cabeça.
Ele balançou a cabeça negativamente e sentou-se entre minhas pernas, apoiando a cabeça nos meus ombros, enquanto eu circundava seu corpo magro com meus braços.
– Ele está passando muito tempo com o Antonie, tá ficando louco igual a ele.
– Realmente está – riu – Adoro vê-los juntos. Formariam um bom casal.
– Sempre seremos o casal número um, você sabe – falei, lhe dando um selinho. Ele apenas riu e pegou sua Fonte, analisando o que eu só conseguia enxergar água.
– Desse jeito, nem mesmo vou conseguir ficar com saudade da Terra – sorriu brincalhão, olhando para ela, provavelmente sem ver nada especial.
– Mas hein – chamei, sussurrando próximo a seu ouvido – Vai ficar o dia inteiro olhando para outras pessoas?
– Está com ciúmes, Haku? – perguntou, sorrindo de lado.
– Não. Só quero meu Teito só para mim – falei, mesmo sabendo que aquilo era o mesmo que ter ciúmes.
Ele se virou entre minhas pernas e me beijou, de forma profunda e carinhosa. Eu brincava com sua barriga enquanto o abraçava pela cintura e ele acariciava meus cabelos. Estar com ele era calmo, simples. Não precisava pensar para entender que ele me fazia extremamente bem, era algo que eu simplesmente sabia.
Teito também sabia disso, por isso não se esforçava para me fazer sentir bem, apenas por ele me olhar nos olhos, eu poderia ter toda a felicidade do mundo. O sentimento era recíproco, pois quando eu o tocava, leves arrepios se espalhavam por seu corpo, seu coração dava alguns saltos. Era tudo tão calmo, mas tão intenso.
E exatamente por isso, por aquela intensa calma, por sabermos tão bem o que queríamos, que não me assustei quando seus dedos finos rasgaram firmemente minha toga, abrindo-a pelas costas, de onde minhas asas saíam. Teve certa dificuldade, afinal, aquela não era uma roupa própria para ser tirada tão facilmente, mas quando apenas meus ombros a seguravam, eu rasguei a sua, com mais urgência apenas por saber que era impossível não fazer um estrago. Naturalmente, os dois tecidos caíram em nosso colo, tornando-se um intruso na visão de nossos corpos nus.
Meus beijos tomaram vida própria, desenhando em seu corpo caminhos inexistentes de paixão e carinho, sentindo cada tremor em sua pele sensível. Beijar cada parte de seu corpo, sentir por completo o gosto do homem que eu amava, eu estava vivendo uma realidade alternativa.
Não importava o que, mas meus lábios tomavam como mais uma parte de seu corpo que precisava ser pintada com o prazer que eu queria lhe dar, fazendo-o sentir o prazer que movimentava seu corpo contra mim.
Sabendo, como num ensaio, ele segurou meus cabelos e meus lábios foram parar nos seus novamente.
– Hakuren... – gemeu baixinho, porém carregado de um prazer compreendido. Espalmou suas mãos em meu peito, me fazendo deitar nas nuvens. Porém, eu não mais as sentia.
Ele fora feito para mim; e eu para ele. Nos encaixávamos perfeitamente, nos completávamos. Carne penetrava carne, ele ditava o ritmo, movimentava-se acima de mim de forma enlouquecedora. Eu sentia meu prazer, sentia o seu; ambos mesclavam-se no ar, sendo transmitidos por nossas vozes roucas e desconexas.
Estávamos conectados. Da forma mais profunda possível. Fisicamente, emocionalmente, espiritualmente. Eu era dele, ele era meu, a lógica mais simples do mundo, tão natural, tão calmo, tão intenso.
Eu me desmancharia apenas observando a visão majestosa à minha frente. Suas asas abertas, seu rosto suado, seu corpo subindo e descendo em cima do meu. Era como se só existisse aquela visão, todo o resto havia sumido. Angelical,delicado, afobado.
Minha semente invadiu seu corpo, dando a luz a mais e mais amor. Juntamente a mim, ele se despejava de forma prazerosa. Em meu peito descompassado ele descansava, tentando recuperar o ritmo que eu também havia perdido, dizendo tudo o que precisava ser dito no olhar negro e nublado.
– Eu sei.
Notas finais
MAS E AE, GOSTARO?
Eu não sei se gostei, pra falar a verdade... Então, me digam le verdade, a opinião de vocês será a minha também, é.
Hm, só pra vocês se situarem um pouco mais: Eu fiz o Antonie Intohimo (que significa "paixão" em finlandês n_n) inspirado no personagem mais lindo, fofo, engraçado, mulherengo, bêbado, brisado, cutecute do mundo, o Feliciano Vargas.
O Misha eu pensei no Misha Collins KK Tipo, sério -q A Isabelle eu só consigo ver a Amanda Seyfried e o Pierre eu pensei no [s] Lúcio Malfoy [/s] Légolas para fazê-lo ♥
E olha só, eu tava tão inspirada pra escrever que resolvi botar um lemon que não estava nos planos -q Nem sei se posso chamar isso de lemão, acho que é só um lime básico -q E qualquer semelhança com Alguma Poesia, Carlos D. Andrade, [não] é mera coincidência hehe Mas espero que tenham gostado, eu o fiz num dos picos de criatividade. É, fiz o começo, aí pulei pro final, depois fiz o meio, então se acharem que o meio ficou meio fora de contexto, é por causa disso n_n
Pois é, eu nunca sigo uma linha do tempo. Tanto que escrevi o próximo capítulo antes desse estar pronto *apanha* Então, semana que vem, sexta-feira, vou estar aqui religiosamente postando, porque já tá tudo prontinho u_u
POR FAVOR, ME DIGAM COMO FICOU ESSE CAP. ESTOU NUMA SÉRIA DÚVIDA SOBRE ELE >_>
QUEM DEIXAR REVIEW.......... HEHE........ JÁ ESTARÁ COM ESPAÇO GARANTIDO NO CÉU, NESSE CÉU, COM O ANTONIE E O PIERRE, O HAKU E O TEITO, O MISHA E A ISABELLE -Q (ok, sei que vocês nem conhecem eles, mas enfim -qqqq). SABEM AQUELA HISTÓRIA DE POUPAR AGORA PRA SENTIR OS BENEFÍCIOS DEPOIS? ENTÃO, DEIXE UM REVIEW AGORA QUE QUANDO TU FOR PRO CÉU (se você for, porque eu não vou -qqqqqqqqqqqqqqqqq)VAI GANHAR YAOI DE GRAÇA TODO DIA, TODA HORA E RAWR! n
OBRIGADA PELO CARINHO, PELA ATENÇÃO, PELA PACIÊNCIA COMIGO E E BEIJO, ATÉ SEMANA QUE VEM, VOCÊS TÃO AQUI ~♥~ ;3;
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