Notas iniciais
Olá ~
Espero que tenham gostado do Prólogo, aí vai o primeiro capítulo. Sugiro que prestem atenção nesse capítulo, nas informações, serão necessárias lá na frente :3
Então, boa leitura!

Olhei com descaso a cena à minha frente. O que tinha de mais? Era apenas meu Protegido sendo assaltado, quer coisa mais normal numa sociedade como essa? Assaltos aconteciam todos os dias e se todo Protetor se dispusesse a ajudar seu Protegido, a ordem natural das coisas seria alterada.

Como o idiota que sempre fora, reagiu ao assalto. Deu um soco bem dado no rosto magro do assaltante, que logo levantou e o empurrou, pegando seu celular e fugindo antes que ele conseguisse se levantar. Bufou em pura raiva, jogou a mochila nas costas e continuou andando.

Suas chaves haviam ficado no chão e ele nem havia notado. Eu que não as pegaria e colocaria imperceptivelmente em seu bolso, o tapado era ele, ele que se virasse. Mas também, ele só as perdeu para que algum outro acontecimento importante em sua vida se sucedesse, disso eu tinha certeza, por esse motivo não quis implicar.

— Mas que droga! – ele exclamou baixinho e pude sentir a inquietação em seus pensamentos, já que tinha uma linha direta com eles.

Continuou sua caminhada ainda sobressaltado. Pelo nível de sua angústia, estava pensando no que diria à sua mãe quando chegasse em casa e tivesse de explicar o porquê de não estar mais com o celular que acabara de ganhar.

Pouco tempo depois, estava na porta de casa, discando o número do celular do pai por um orelhão, já que este costumava chegar mais cedo que sua mãe ou seu irmão. Levava uma pequena bronca calado, sem questionar, achando justo tudo o que o pai lhe dizia pelo telefone. E ainda por cima era fraco. Nem sua culpa fora!

Em meia hora, estava dentro de casa, trancado em seu quarto a tarde inteira enquanto ouvia música no último volume em seus fones, correndo o risco de ficar surdo. Não que eu me importasse.

Alguém bateu em sua porta e entrou, era seu pai.

— Teito – ele chamou e eu pude sentir o mesmo calafrio que meu Protegido havia sentido. Ele apenas avisou que o jantar estava pronto e que era para ele descer logo.

O jantar foi incrivelmente silencioso. Era nessas horas que eu sentia um pouco – só um pouco mesmo – de pena do moleque. Sua mãe não era das mais amorosas, chegando até ser fria algumas vezes. Claro que nunca lhe deixara faltar nada e, quando estava tudo bem entre os quatro membros da família, ela era uma mãe normal.

Teito odiava a forma dela de tratar os problemas. Já que seu pai já havia lhe dado uma bronca, não havia necessidade dela de dar outra, mas o que ela fazia era pior na visão de Teito: O ignorava. Teito odiava ser ignorado por qualquer um que seja, mas quando era sua mãe que fazia isso, ao invés de raiva, ele sentia dor, muita dor. Era como ser rejeitado, como não ser bom o suficiente para estar naquela família.

Seu irmão lhe lançava diversos olhares preocupados durante o jantar, mas ele não via nenhum, pois tinha medo de levantar a cabeça e encontrar o olhar reprovador de um de seus pais.

Foi o primeiro a levantar. Geralmente, esperava todos terminarem para depois se levantar, boa parte por educação, mas é que sempre estavam mantendo uma conversa legal, mas, claro, não naquele dia.

— Ficará sem celular até que possa comprar o seu – sua mãe avisou simplesmente, antes de ele subir as escadas para o quarto. Talvez fosse melhor continuar sendo ignorado do que receber aquela notícia. Ele não trabalhava, não tinha mesada e nem conseguia juntar dinheiro facilmente, então como compraria um?

Apesar de ser um tapado por ainda não ter arranjado trabalho com plenos 17 anos, logo pensou em alguma coisa para fazer já que as férias estavam aí. Claro, filhinho protegido, nunca que iria pensar em trabalhar pra ganhar alguma coisa, já que era só pedir para os pais que – geralmente – lhe davam.

Ele não era de uma família rica exatamente. Mas por ser praticamente filho único, já que seu irmão, Mikage, já estava se formando e já tinha um emprego, seus pais lhe davam o que pedia apenas pra ele não se sentir menos amado. Mas era exatamente assim que se sentia.

Em quase 400 anos de proteção – eu era um Protetor novo –, nunca havia tido um Protegido tão complicado. Seus pais não lhe mimavam demais, mas também nunca deixaram faltar nada, mas mesmo assim ele se sentia sozinho, sem amigos e sem amor de ninguém.

Sim, ele tinha amigos. Sim, muita gente morria de amores por ele. Sim, ele era tapado demais pra perceber que tudo o que ele queria estava na frente dele. Mas o que eu podia fazer? Teito é um garoto sonhador e das antigas, ele sonha com um amor de novelas, alguém para se apaixonar perdidamente, alguém que lhe dê amor, carinho e proteção. Coisa que, segundo ele, não ganha de ninguém.

Como ironia do destino, seu irmão bateu na porta. Eu ri discretamente. O que eu estava divagando era exatamente o que Teito também estava, já que tínhamos a maldita conexão de pensamentos. Eu não podia ler os pensamentos dele, mas sentia tudo o que ele sentia e, por alguns anos de prática, aprendi a ler os sentimentos.

— Oi, Mika... – falou com a voz fraca. Claro que ele não notou que alguém estava se importando com ele e que tinha alguém para compartilhar sua dor, além de si mesmo.

— Daqui a pouco eles esquecem, irmãozinho, você sabe – ele disse sorrindo, sentando-se de frente para o irmão na cama.

— Mas até lá o que eu vou fazer? Fingir que mamãe também não existe?

— Exatamente isso, como sempre faz – deu de ombros, sorrindo – Já aconteceu coisa parecida comigo na sua idade, depois ela esqueceu e me deu um novo.

— Mas o que havia perdido?

— Bem... Um livro... – comentou, sabendo que nem se comparava ao celular de Teito – Mas fora igualmente caro!

— Tá, Mika, vai dormir – falou, sorrindo, bagunçando os cabelos do irmão e se deitando.

— Tá me expulsando? Eu vim aqui na maior boa vontade te acalmar e vo...

— Tá tudo bem, sério. Como se isso nunca tivesse acontecido antes né. – disse, tentando se fazer de forte para não preocupar o irmão demais.

— Tudo bem, então. Vou dormir, boa noite – disse, cobrindo o irmão com o edredom.

— Mas está tão cedo... – comentou entre bocejos. Realmente estava, era cerca de 21h.

— Tenho que acordar cedo amanhã também, reunião do pessoal da corretora.

— Okay, boa noite.

— Boa noite – deu um beijo na testa do irmão e foi para seu quarto.

Olhei para Teito e notei que ele não estava com tanto sono quanto aparentava. Ainda estava chateado pelo incidente com a sua mãe e se culpava um pouco pela perda do celular. Deu um suspiro longo e profundo, decidido a dormir e a esquecer os problemas. Eu somente observei enquanto ele rolava por minutos na cama. Eu não sentia sono, nem cansaço, fome, sede ou qualquer necessidade humana, por isso podia guardar meu humano pelo resto da noite sem reclamações.

Fechei a cara quando notei aquela típica sensação de que precisava fazer algo. Era coisa de Protetor, precisávamos proteger. Isso incluía cuidar, confortar, acalentar... era tão chato.

Fui para seu lado na cama, deitando no espaço vago mais para o canto da parede e deitei no travesseiro. Relutante em ter que passar a noite inteira daquele jeito, comecei a afagar seu rosto, descendo por seus ombros, tórax, barriga, coxas e voltando o percurso. Eu mal o tocava, queria apenas tirar as más sensações e influências de seu corpo, afinal, como Ser Celestial, eu não podia deixar nada de ruimapossar o corpo do meu humano, por mais que eu sentisse antipatia por ele.

Quando senti que ele estava “limpo”, pude notar sua expressão mais relaxada, o sono chegando mais rápido. Comecei a brincar com os fios negros de seus cabelos, para o deixar mais confortável. Eu podia ser o Protetor mais frio do mundo, mas gostava de ver meu humano relaxado e até, talvez, feliz.

Não, não era pra tanto. Eu só queria que ele fosse dormir logo para eu poder fazer outras coisas, como voar para o céu e descansar um pouco nas nuvens. Eu não sentia nada na Terra, mas dormir no Céu era... Bem, era um paraíso.

Por isso muita gente me chama de Anjinho da Guarda, por eu viver no céu e guardar humanos. Eu prefiro Protetor, soa mais adulto e menos feliz.

Sim, era uma droga ser um anjo. Ter que cuidar por anos de humanos egoístas e burros, tendo que protegê-los de tudo quanto é coisa maligna. E o melhor de tudo, assim que seu humano morre, você tem mais outros milhares na lista. Ou melhor ainda! Se você morre, tem de começar do zero. Teve anjo que já passou quase 4000 anos Protegendo, sendo que com 1000 anos você podia se prestar a outros serviços no Céu, como os organistas, que era o que eu queria ser. Mas tínhamos, todos, sem exceção, que cumprir os 1000 anos de servidão aos humanos.

Um saco, apenas.

Tinha anjo que amava ser anjo. Já até mesmo ouvi casos de anjos que se apaixonaram perdidamente por seu humano, chegando ao ponto de se mostrarem pra eles. Foi o caso de um amigo meu, o Axel. Era um cara bacana ele, mas nunca mais o vi porque o infeliz havia abdicado seu posto como Ser Celestial para se tornar um relés humano para poder viver com outro, um tal de Roxas. Eu achei o maior absurdo do mundo! Tanto que, para isso, o idiota conseguiu fazer os Protestades mudarem as Três Leis Divinas dos anjos, fazendo ser possível haver uma relação – amigável ou amorosa – entre anjo x humano.

Claro que eu nunca deixei de seguir as Três Principais, pra mim elas continuam inalteradas. Eu, eu, Hakuren Oak, considerado por muitos o anjo mais antipático do Céu, falar com um humano? Deus é mais!

São elas “1. Anjos não devem se mostrar e/ou comunicar-se de qualquer forma com nenhum humano que tenha consciência do certo e errado.”; “2. Anjos não podem interferir nas decisões de um humano, uma vez que também os anjos da guarda só podem proteger seus humanos de influências sobrenaturais.”; “3. Anjos jamais devem fazer mal a outros humanos ou a outros anjos.”. Fácil, não? Por que o cretino do Axel não simplesmente as seguiu?!

Resolvi aquietar meus pensamentos antes que estes alcançassem Teito. Do mesmo jeito que eu o sentia com extrema facilidade, ele também podia me sentir, mas só se meus pensamentos forem intensos e ele não tiver com muita coisa na cabeça. O que não era difícil, já que aquele ali era um avoado.

Me certifiquei de que ele estava dormindo e voei para os céus com minhas incríveis e imaculadas asas. Encontrei meu cantinho mais afastado de todos e fui dormir, tendo certeza absoluta de que estaria ao lado de Teito quando ele acordasse. Deitei numa nuvem fofinha e dormi, com a visão de muitos outros anjos adormecendo também.

Era clichê? Pois os humanos retrataram bem. O Céu era um lugar limpo, pacífico e agradável, eu adorava aquele lugar. Nós, qualquer um dos Seres Celestiais, dormíamos nas nuvens, muitas vezes ouvindo harpistas solitários ou organistas sombrios tocarem.

Não trocaria aquilo por nada.

Notas finais
E aí, gostaram? Sentiram o climão? Ai, gente, mandem reviews, por favor, estou muito insegura com o rumo dessa história, mesmo já estando escrita p(>3<)q Me falem o que estão achando, eu ralei pra escrever isso aí, então imaginem a pilha de nervos que eu to por estar postando omg dlkdajsd
Obrigada pela atenção gente, até sexta! ♥