You Set Me Free_1ª Temporada
3 What game is this?
Notas iniciais

.
.
— Todas as famílias deram de bom grado uma garota, na faixa do dezoito aos vinte e três anos. — Falava Briana calmamente.
— Desculpe-me, mas não me casarei com uma criança. — Reclamou Elijah tentando não soar mais emburrado do que irado. — Mesmo que não seja um casamento normal, ainda assim...
— Antigamente dávamos em casamento mulheres que desabrochavam, ou seja, garotas de treze a quinze anos. — Falou a Mãe suavemente naquela voz cantarolada. — Desejaria essas? Podemos pedir para as famílias que as mandem.
Elijah ficou horrorizado, mas não demostrou. Fez um aceno com a cabeça pedindo que elas continuassem a explicação.
Estavam alguns minutos naquela sala sombria, que lembrava uma velha adega, havia muitos vinhos ali e com certeza era abaixo da terra, e as paredes eram de tijolos vermelhos e antigos.
— Dependendo da escolhida teremos em torno de... — Waleska olhou uma prancheta antes de continuar. — Três mil pessoas da família na ocasião, umas cinco garotas que podem ser escolhidas tem bem mais parentes e aliados.
Elijah ficou pensativo, então esse tal casamento era também uma forma das bruxas consolidarem sua família? Perguntou mentalmente o vampiro.
— Esses pais não se importam de darem filhas para ser... — Elijah sentou mais tenso na cadeira de madeira que seria desconfortável se ele não fosse vampiro. — Minha esposa?
Elijah ainda não gostava do som daquela palavra e sempre hesitava ao falar ela.
— Quando uma bruxa Valyria nasce ela não é dos pais, é da família, do coven, nenhuma de nos fomos criados com pais maternos ou paternos, mesmo que algumas sim, não é um fato importante. — Falou a Mãe observando cada reação do vampiro. — Somos uma grande família, encabeçada por doze casas.
— E não é como se essas casas fossem comandadas pela senhora? — Perguntou Elijah dando um sorriso educado para a Mãe.
A velha sorriu taciturna e cheia de segredos. Mesmo perante a fala mansa e até mesmo galanteios dele, ela parecia tão inflexível como uma boa árvore. Um carvalho antigo e majestoso.
— Eu vejo o futuro senhor Mikaelson, se a criança de seu irmão fosse morta, mas que uma guerra mancharia nossa história. — Garantiu a velha, o cabelo dela tinha um tom loiro que fez lembrar-se da garota que havia trazido ele até ali e até os olhos profundamente azuis eram muito parecidos para ser meramente coincidência. — Mas também há um problema que nem o senhor imagina, o véu que era tão bem chamado do Outro lado foi desfeito, e nos vamos ter que o refazer.
Elijah olhou para as mulheres atrás da velha, sabia que estava em desvantagem, precisava ouvir antes de ter uma resposta para dar, pois só estava enrolando as três mulheres, ou pensando que estava.
— Por quê? — Foi tudo que ele conseguiu responder.
— Por quê? Ora, achamos que era o irmão mais inteligente. — Zombou Waleska séria.
Elijah a encarou tão seriamente que ela se encolheu.
— Pelo simples motivo que se uma bruxa morrer antes de ter terminado seus assuntos, ela não tem lugar para ir, ou tem, um lugar muito ruim que ninguém quer ir, não ouso falar. — Garantiu a velha. —Quando uma das nossas for ligada ao senhor, um Original, levantado pela magia, e porque não dizer um ser mágico?! Isso vai fortalecer nossas casas e teremos magia suficiente para abrir um novo véu.
O vampiro ficou pensativo, sabia que ela não estava falando tudo que queria ou sabia.
— Mas porque um casamento? — Perguntou Elijah, achando que estava deixando alguma coisa passar.
— Antigamente um casamento era mais que meros negócios ou mesmo amor, havia magia neles, na cerimonia das Valyrias há muito magia e bem, um Mikaelson como aliado, um Mikaelson honrado como aliado, é sempre uma aliança bem vinda. — Briana comentou tão normalmente que ele quase pode sentir o sarcasmo dela vazando por cada palavra.
— Quando seria? — Perguntou já rendido.
— Na lua de sangue, daqui a dois meses. — A velha ofereceu uma mão para, uma mão enrugada mais firme, ele pegou hesitante e ela apertou a mão dele levemente a virando para ver a palma.- Oh .... Sim, vejo agora.
O vampiro segurou a zombaria de falar que aquilo era besteira, já que obviamente não era. Pois só sentiu a magia rondar o ambiente como também pode sentir um tremor percorrer todo seu corpo.
— O que ver? — Elijah sabia que sua voz saiu fraca, mas não ligou, só queria obter respostas.
—Lutas, sofrimento, lágrimas, mas também vejo felicidade, um complemento de um ser para com o outro. — A velha deixou a mão dele cair e lhe encarou. — Você pode ser muito feliz, ou muito triste, mas vai ter que decidir abandonar o que você já foi e escrever uma nova história , ou continuar a ser o que é.
— Serei sincero, não entendi. — Disse ele crispando os lábios .
— Não precisa entender . — Garantiu a velha sorrindo.
.
.
Casarão dos Mikaelson
.
.
Rebekah segurou com delicadeza Hope e colocou-a no berço tomando cuidado para ela não acordar. Depois saiu de fininho do quarto interligado com o de Hayley vendo a nova híbrida observando a janela, encarando além da rua.
— Ele vai demorar. — Disse a loira Original.
Hayley cruzou os braços e se voltou para ela.
—Você confia nelas?
— Não confio e nem meus irmãos, mas não temos opções melhores, Hayley. — Garantiu Rebekah chegando mais perto da híbrida. — Sei que esta com medo por Hope, e sei que tem seus motivos, vamos fazer o que for necessário para ela ficar salva e segura, eu juro.
— Porque temos que ficar aqui? Porque não podemos simplesmente... — Hayley não terminou.
— Porque não há lugar seguro enquanto Esther estiver viva, não há. — Rebekah encarou a outra e viu no olhar dela que aquilo era o maior problema que afligia seu coração, mas não o único. — É só uma aliança de mentira, não é como se Elijah fosse se deitar com a ''esposa''.
Hayley bufou por ser tão transparente, mas nada respondeu, não sabia como voltar a se relacionar com Elijah, principalmente depois do nascimento da filha e estando mais que ligada a Klaus, mas seus sentimentos não haviam morrido, e aquilo a deixava a ponto de explodir.
A noite chegou e com ela trouxe um Elijah com cheiro de terra e expressão cansada de volta. Klaus entrou no quarto do irmão mais velho não querendo esperar mais por noticias, o vendo secando os cabelos com uma toalha ao mesmo tempo em que saia do banheiro somente de calça.
— Bater antes de entrar não é muito seu forte não é irmão? — A pergunta fora retórica e sarcástica.
— Então como foi? — A ansiedade de Niklaus era palpável.
—Muito bom... — Elijah contou por auto o que lhe fora dito. — Elas parecem esconder algo, mas não acho que seja algo para nos prejudicar, todavia eu não gosto disso.
— Eu também não, mas vamos jogar esse jogo em silêncio até saber quais são as regras. — Klaus cruzou os braços vendo o irmão se sentar na cama e cruzar as mãos sobre o queixo. — Quer é isso irmão?! Mais animação! — Pediu em zombaria maliciosa. — Se eu estivesse no seu lugar, com doze lindas, espero que sejam lindas pretendentes a minha espera estaria animado. — O híbrido riu esperando fazer Elijah rir, mas não deu certo e ele revirou os olhos. — Quando vai saber qual será? Quero dizer a noiva?
— Logo a tal Mãe falou algo sobre um ritual onde a escolhida será mostrada. — O vampiro encarou Klaus. — Sabe por que vou fazer isso não sabe?
— Pela família. Não é tudo por ela?! — Rebateu Niklaus agora também sério — Agradeço a você por isso e quero que saiba que algum dia se precisar de algo, eu farei. — Klaus falou sincero e solene, como não falava há muito tempo. Elijah balançou a cabeça simplesmente. — Enfim, amanhã temos um dia cheio, os mortos do Quartel Francês estão prestes a serem enterrados, pelo menos os humanos.. — Ele falava enquanto ia em direção à porta. — Boa noite.
O loiro deu as costas para o mais velho e estava prestes a bater a porta ao sair quando ouviu algo que lhe fez sorrir, mesmo perante a tensão.
— Será meu padrinho. — Elijah não perguntou só informou.
Antes de fechar os olhos para dormir, apagou as luzes do quarto e deitou sentindo seu corpo tenso a espera de uma boa noite.
Fale com o autor