You Set Me Free_ 2°Temporada

27 White on black, following the tracks.


Notas iniciais
Eu disse que não ia demorar não foi??? Então aqui estou com um capítulo bem demorado, que me custou bastante pesquisas. Gente, é sério eu amo demais escrever, é um relaxante que eu sempre acho que sou doida para me apoiar tanto em algo que não rende dinheiro, como meus parentes idiotas falam. Então quando eu escrevo é mais para min mesma, porque essa é minha história. Lembrando-me de palavras sábias que uma amiga me fez decorar, é você mesmo Absinthe *-*, cá estou para dedicar esse capítulo ao George R.R. Martin! Sim eu sei que ele não ler essa fic, kkkk quem me dera, ou Deus me livre! Mas ele me fez ver, que independente de como eu "ando" com a fic, ela é minha sacam? "Tentar agradar a todos é um erro terrível. Eu não estou dizendo que você deve irritar seus leitores, mas a arte não é uma democracia e nunca deve ser uma democracia. É a minha história, e as pessoas que ficam incomodadas devem dar uma volta e escrever suas próprias histórias. As histórias que elas querem ler." Eu não estou falando que eu não quero agradar meus leitores! De maneira nenhuma, mas que... Eu vou deixar eles ficarem comigo na doença, ou na tristeza, na morte dos personagens, ou meramente quando eu não os agradar. Então gente, eu sinceramente estou desabafando um pouco. É difícil, muito, quando os leitores não entendem a sua trama. Eu sei que as coisas andam paradas, mas eu nunca quis escrever uma fic Mary Sue, estou trabalhando arduamente, e gostaria um pouco, pouquíssimo na verdade, de apreço valeu? Eu sou muito aberta a idéias, e certamente não desprezaria nenhuma! Então me mandem o que vocês acham, mas saibam, que na minha cabeça, a fic já tá no final, e que tem um enredo um pouco, eu não diria Sinistro, mas é a única palavra que me vem a cabeça. Enfim, boa leitura!

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Puxei com agilidade e presa, o short do baby-doll entre minhas pernas, e arrumei o elástico ao redor da cintura, enquanto caminhava pelo banheiro cheio de vapor que aquecia meu corpo cada vez mais.

Girei o pescoço, sentindo ele completamente relaxado. A sonolência, depois de alguns goles de café tinha ido embora, me dando a oportunidade de demorar um pouco mais ao secar meus cabelos. Finalmente quanto terminei procurei a blusa do conjunto do baby-doll e não a achei. Sair do banheiro apenas de sutiã e short, segurando um grito quando encarei o quarto, que devia está vazio, mas não estava.

— Inferno Jeofrey! — Gritei me abraçando enquanto via o loiro revirando os loiros, encostando-se à grade da cama, de forma relaxada. — Nunca mais entre no meu quarto de fininho. — Avisei enquanto o ameaçava com meu olhar duro.

— Acredite, não tem nada que eu já não tenha visto... — Disse sua voz, relaxada e sarcástica ao mesmo tempo, enquanto eu me virava vendo a blusa em cima do criado mudo ao lado do guarda roupa vitoriano. — Desde que você tinha cinco anos de idade.

Pensei em rebater, mas prolongaria aquela conversa, e depois eu ficaria irritada. Respirando fundo coloquei minha blusa de costas para ele.

Na verdade não me sentia de forma alguma envergonhada. Jeofrey tinha razão, já tínhamos nos visto nus, mais vezes do que eu poderia contar ou meramente me lembrar, e nem todas eram de formas adultas e maliciosas, porém, de certa forma, a situação era completamente diferente porque eu era casada.

— O que está fazendo aqui? — Perguntei me virando, retirando aqueles chinelos para sentir meus pés frios no tapete grosso que cobria mais da metade do quarto.

Jeofrey se levantou e me ofereceu o que parecia uma agenda pequena.

— Dimitri disse que pediu isso, antes. — Disse ele, me oferecendo aquele caderninho de capa dura preta.

Bufei sentindo o mau humor querendo preencher o ambiente. Então, como era quando erámos crianças, eu deixei aquilo de lado, e cedi a sua animosidade. Peguei sua agenda, a abrindo, para ver sua letra predominando a maioria dos espaços em branco. Era grossa e forçava as letras F e R de uma maneira estranha.

Foquei-me nos desenhos, enquanto dava a volta no seu corpo, para me sentar na cama, de pernas cruzadas.

— Isso é o feitiço de troca de corpos que Esther tentou usar em você?! — Não era exatamente uma pergunta, porque estava bem explicado nos desenhos, fatores, e observações.

— Tecnicamente é só um feitiço de vasta magia negra, que força um corpo... — Ele bufou. — Como forçou o meu, a se tornar um hospedeiro para uma anima.

— Alma. — Sussurrei coçando a garganta, penetrando e tentando calcular o potencial daquele feitiço. Elijah havia me feito prometer que saberia o usá-lo se fosse precisar futuramente. Por isso havia pedido para Dimitri sondar o que havia acontecido com Jeofrey. Toquei com a ponta do meu dedão o desenho de uma costa marcada por vinte e quatro pontos pequenos com setas que fazia algumas observações. — Você ainda tem isso? — Indaguei voltando o desenho para ele ver.

— Pra quê tanto interesse? — Perguntou ele confuso, mas de certa forma preocupado. — Achei que a sua sogra já não era mais problemas. — Zombou de modo irritante.

— Tem ou não? — Questionei quase rispidamente, enquanto ficava de pé, levantando e rodando um dedo para ele se virar.

Jeofrey me conhecia completamente bem, para saber quando eu não daria o braço a torcer, ou não contaria algo a ele. Ele olhou para o teto, parecendo pedi paciência a alguma divindade, e se virou enquanto puxava sua camisa branca, pela gola da nuca.

A calda de um escorpião apareceu bem desenhada em tinta preta na tatuagem que pegava uma vasta parte da sua bacia e costas. Mas o que realmente havia chamado a minha atenção foi os vinte e quatro pontos na base da sua coluna toda. Parecia, e era, como pequenas feridas sendo cicatrizadas aos poucos.

— Camille também ainda tem, provavelmente. — Comentou Jeofrey quase banalmente.

Revirei os olhos não querendo tocar na sua vida sentimental. Mas a curiosidade era grande. Voltei minha atenção para a agenda, enquanto ele voltava a colocar sua camisa. De certa forma, trabalhávamos tão bem juntos, que não precisávamos falar para entender um ao outro.

— O que é essa lista? — Perguntei vendo a pequena lista de ervas e até mesmo pedras quase na última folha da agenda.

— Como você sabe, ervas deixam rastros quase venenosos no nosso sangue se usada de modo incorreto ou... Para matar. — Explicou ele dando de ombros, enquanto eu assentia com a cabeça entendendo. — Eu fiz um exame toxicológico que garantiu que Esther havia me dado uma quantidade... — Ele gesticulou com as mãos. — Exorbitante de lobélia e beladona.

— Ela queria te apagar de “você” mesmo. — Resmunguei balançando minha cabeça de forma abismada. — Deixar a sua anima tão ínfima que ao ligar, Elijah... — Respirei fundo, desnorteada com a ideia. — Ou qualquer um, ao seu corpo, seria fácil demais o hospedar, como você mesmo disse. — Apontei ficando emburrada, ou mesmo irada, não com ele, mas com aquele tipo de magia.

— Exato. — Garantiu ele, cruzando os braços na altura do peito, fazendo seu tamanho parecer dobrar. — Mas ela não sabia que eu tinha um contra feitiço, nos feitiços de proteção sobre meu corpo. — Ele sorriu esperto. — O que garantiu uma chance de liberdade.

Mordi meus lábios voltando a andar pelo quarto, e ler novamente o feitiço de troca de corpos, que poderia ser feito, mas que de forma alguma seria algo fácil ou suave. Era composto de magia negra. O que eu estava começando a aprender quando estava em Salem. Mas que não achava possível fazer sem precisar dormir uma semana inteira depois.

Uma batucada na porta, nos fez nos virar para ver ela se abrindo segundos depois. Por Dimitri que segurava um notebook prata nas mãos, e não segurava um sorrisinho malicioso nos lábios.

— Atrapalho? — Perguntou encarando Jeofrey que ria baixinho sobre a respiração anasalada, como se segurasse uma gargalhada. E eu que o encarava com a sobrancelha levantada.

— Jura que você já pensou maldade? — Perguntei severamente brincalhona. — Seu pervertido do caramba! — Exclamei revirando os olhos, enquanto ele ria, e se aproximava para sentar na frente da cama, no sofá cheio de almofadas com babados. — Como vai ser um pai desse jeito? — Questionei deitando no pé da cama, de barriga para baixo, quase colocando meu queixo no ombro do bruxo negro que parecia um pouco estranho com minha constatação.

Encarei Jeofrey que se sentava do outro lado do nosso amigo e irmão, e ele me encarou com um olhar desacreditado. Levantei as mãos como se perguntasse se estava perdendo alguma coisa.

— Dimi, vai ser um ótimo pai... — Garantiu Jeofrey dando uma palmadinha no ombro do mesmo. — Só não sei se vai ser um bom marido mas... — Voltou a suas piadas, me fazendo rir.

— Sempre vai poder contar conosco Dimi. — Prometi pegando uma almofada colorida para colocar no meu peito, para poder ver mais claramente a tela do notebook que o bruxo mexia.

— Ótimo. — Falou ele não muito animado, mas relaxando um pouco. — Podemos voltar agora às coisas sérias?

— Desde que não chegue mais ninguém... — Dei de ombros. Mas um pouco preocupada de aparecer mais bruxos para o meu quarto.

— Todos já foram dormi, estão cansados, e nenhum pouco, animados para saberem sobre como eu desvendei... — Ele começou a teclar ferozmente, abrindo algumas janelas do google, e algumas paginas de Word. — As loucas informações de Bones sobre a duplicata... — Ele parou completamente de falar, de modo claramente dramático enquanto abria uma foto anexada ao seu e-mail. — Tom Avery.

A foto se abriu mostrando um homem jovem, na base dos vinte e poucos anos, com olhos claros, cabelos espesso castanho loiro, sorriso doce e um olhar meigo. Um rosto bonito ao todo.

— Como meu tio Bones conseguiu mesmo essa informação? — Indaguei curiosa.

— Ele pagou. — Quem respondeu fora Jeofrey também concentrado nas palavras de Dimitri.

— Exatamente. — O bruxo negro, abriu outra pagina. — Há um bando de bruxos, vampiros, ou meramente algum humano que sabe demais... Enfim. — Dimitri passava fotos e mais fotos de Tom Avery. A que mais me chamou atenção, foi a foto que ele estava de uniforme médico. — O bruxo da Carolina, amigo do coven, vendeu essas mesmas informações para os Viajantes. Alguns meses antes deles morrerem... O caso é que Tom Avery, paramédico em Atlanta Georgia, ficou sumido por alguns meses antes de aparecer com o pescoço quebrado em um estacionamento, perto do hospital que ele trabalhava.

— Tadinho. — Soltei sem querer, ou mesmo pensar, fazendo os homens me encararem de forma pasma.— O que foi? — Perguntei incomodada. — Continua Dimi. — Pedi os vendo segurarem uma risada dos lábios.

— Como muitos podem pensar esse não é a duplicata certa. — Dimitri voltou a contar, enquanto abria outra foto na tela. — Pelo simples fato de ser humano. — Explicou ele. Outra foto se abriu, e eu podia jurar que era errada, por ser o mesmo homem, se Dimitri não continuasse a falar. — Esse é Stefan Salvatore, nascido em primeiro de novembro de mil novecentos e quarenta e seis. Mas olhem isso... — Ele passou outras fotos, e agora era como entrar em um filme, aonde o mesmo homem aparecia, com varias roupas de época, em fotos distante, no meio de pessoas, ou sozinho. — Ele é vampiro desde mil oitocentos e sessenta e quatro, segundo o obituário de Mystic Falls.

— Mystic Falls? — Perguntamos eu e Jeofrey ao mesmo tempo.

Dimitri riu.

— Vocês não fazem ideia... — Sussurrou ele matreiro. Deixando a foto mais nova de Stefan Salvatore aparecer. Ele vestia uma beca vermelha, e jogava um chapéu para o alto como toda a turma de cerca de dois anos atrás.

— Ele estudou no colégio? — Pareceu meio surreal a pergunta, mas a medida que Dimitri achava mais fotos de bailes e etc, era claro que sim. O vampiro, fiz as contas nos dedos, de mais de 160 anos, estudara sim, se fazendo passar por um adolescente.

— Sim... Mas querem saber aonde Silas entra? — Dimitri parecia apresado ao perguntar aquilo. Como se quisesse revelar algo grande. Agora ele abriu um vídeo. Stefan Salvatore estava em um corredor largo e bonito, a câmera, era claramente de segurança. Ele entrou em uma sala e logo o corredor estava vazio de novo. — Agora olhem isso. — Dimitri adiantou o vídeo e logo Stefan Salvatore, apareceu novamente, andando pelo mesmo corredor.

— Sem jaqueta. — Murmurou Jeofrey, como se visse um segredo não revelado.

Demorou alguns segundos para eu mesmo encontrar o erro na figura. Um estava com uma jaqueta preta, e outro não.

— Exatamente meus caros, um dos dois era... — Dimitri adiantou a gravação, e agora um dos “Stefan’s” saia da sala, colocando a jaqueta e olhando furtivamente para os lados. — Silas. E isso foi há quase um ano, em... — O bruxo negro me olhou fixamente antes de falar. — Whitmore.

Fiquei sentada em um pulo, como se tivesse tomado um choque poderoso.

— Há quase um ano? — Indaguei surpresa, vendo Dimi sorrir e concordar com um aceno de cabeça.

— Sim. — Dimi saiu do vídeo, e entrou no site da faculdade mesmo. Havia uma seção de fotos antigas de bailes animadamente com temas. — Esse foi um baile de casais famosos... Olhem só essa foto. — Ele aumentou a foto de pessoas dançando, e logo eu pude ver Silas ou Stefan, dançando com o que seria uma garota de pele bronzeada, que parecia esta vestida de Cleópatra. — Agora pode parecer ridículo supor, eu sei, que essa garota... — Ele apontou para Cleópatra. — É Qetsiyah. — Ele não nos deixou o retrucar porque logo continuou a falar rapidamente. — Mas ouve um roubo na coleção especial de artes obscura na seção de Ocultismos, no mesmo dia do baile.

— O que roubaram? — Perguntou Jeofrey o que eu queria ter perguntado.

— Um colar raríssimo, de mais de um milênio. — Dimitri não sorriu e eu sabia por quê. Levamos a sério demais o roubo de objetos mágicos. Erámos bruxos afinal. — E segundos algumas anotações de Bones, o colar pertencia a Qetsiyah.

— Mas como pode achar que a Cleópatra ali... — Apontei com o dedo em riste, tentando evitar ter esperanças de que nossa busca estava realmente perto de acabar, ou fazer sentindo de algum ângulo. — É a Qetsiyah.

— Fácil. — Ele sorriu e voltou a abrir a aba do vídeo de segurança. A tela havia sido pausada quando Silas ou Stefan saia pelo corredor, mas, ele novamente adiantou, nos fazendo ver Cleópatra agora com um dos loiros entrando na sala. Dimitri adiantou novamente o vídeo e quem entrava na sala era a Duplicata ou o Original sem jaqueta. — O que vocês podem não saber, é que essa sala, é a dos artigos raros de ocultismo. O colar roubado, sumiu dali.

— Então, basicamente, sim é provável que a Cleópatra fosse Qetsiyah?! — Mordi meus lábios sentindo minha cabeça rodar de tantas informações. — Que estava no mesmo lugar, na mesma hora com Silas, e sua Duplicata?

Ficamos em silêncio absorvendo tudo. Estávamos tão perto de descobrir algo e mesmo assim...

— Esperem! — Gritou Jeofrey nos fazendo sair do silencio de maneira assustada. — Volta naquela foto do colégio de Mystic Falls. — Pediu ele, fazendo eu franzi a sobrancelha, e Dimitri responder rápido a abrir a foto dos formandos de becas vermelhas. — Dar zoom aqui?! — Mandou novamente o loiro, colocando o seu dedão na tela.

Também encarei a imagem atentamente crescendo, e bem ali, do lado de Stefan Salvatore, sorrindo para uma garota de cabelo castanhos, havia uma loira de perfil. Demorou um tempo para eu associar seu rosto distorcido pelo movimento, á alguém.

— A vampira do bar! — Foi minha vez de gritar e euforia. Como se finalmente eu tivesse achado um ponto de nexo naquela bagunça. — Caroline For... — Tentei terminar, mas demorou mais para eu lembrar seu sobrenome. — Forbes, isso, Caroline Forbes é o nome dela!

— Parece que temos, finalmente alguém... — Jeofrey parou de falar quando meu celular praticamente gritou no toque irritante ao lado da cama.

A adrenalina que corria pelas minhas veias, de finalmente ter alguma informação realmente boa para começar, me fez demorar um pouco para atender o celular.

Vi sem interesse o numero desconhecido na tela e atendi.

— Alô? — Disse apresada, doida pra voltar à conversa com os bruxos que já nos tinha feito sair do beco interditado que nos encontrávamos antes.

— Ahnnn... Bella, eu não te acordei não é? — A voz do outro lado era tão familiar e tão estranhamente doce que foi fácil demais a associar a um rosto.

— Isís? Porque está me ligando do seu quarto? — Perguntei confusa, pulando da cama, para ficar sentada na beirada da cama. Os cochichos de Jeofrey e Dimitri deixavam claro que eles não estavam interessados em prestar atenção na conversa.

— Talvez porque eu não esteja no meu quarto. — Disse ela quase cansada e de fato, envergonhada por algo.

— Você saiu? Nossa desculpa por não perceber. — Falei realmente sincera, e agora envergonhada. Havíamos chegado de Mystic Falls tão cansados, que eu não notei nada, a não ser o quarto aonde eu estava. — Mas aonde foi?

— Bem... — Ela hesitou e pareceu pela primeira vez sussurrar. Uma sensação preocupante me fez ficar ereta. — Eu fui fazer compras no supermercado... E, bem, sério não foi minha culpa!

— Calma. — Pedi suavemente, tentando passar calma, eu quase podia a ver segurar o choro, ou de alguma forma desesperada. — Me explica o que houve? Você está por acaso... — Batuquei meus pés no chão de modo nervoso, preparada para aquela informação. — Presa?

— O quê? — Ela era muito nova pra ficar de certa forma chocada, pensei rindo, sabendo que aquele “o quê” era uma negativa. Fiquei aliviada. — Não! Claro que não! Eu estou no hospital.

Meu sorriso e meu alivio morreram.

— Eu acho que... — Forcei a garganta, sentindo minha boca seca. — Deus você esta bem? — Perguntei já procurando uma roupa pra ir busca-la, deixando as portas do guarda-roupa se abrir com um barulho desagradável.

— Sim estou ótima, apenas me traga uma roupa limpa, e depois eu te conto tudo. — Ela desligou antes de eu falar mais alguma coisa. Parecendo de fato apresada.

...

...

...

Jeofrey demorou bem mais do que eu gostei, para encontrar uma vaga no estacionamento do Pronto Socorro. Então quando ele abriu a porta dupla da entrada da recepção, eu passei como um furacão, quase me deitando no balcão de madeira, aonde uma jovem de cabelo bem apertado me encarava normalmente. Como se fosse super normal as pessoas pararem na sua frente ali.

— Em que posso ajudá-la? — Perguntou ela de modo rápido enquanto eu tentava recuperar meu folego.

— Estou procurando minha irmã... — Comecei a dizer, sentindo a mão de Jeofrey no meu ombro, como se me apoiasse mesmo na minha loucura. Segundo ele, eu estava de fato preocupada desnecessariamente. — Isís...

— Bella! — O grito veio antes de eu continuar. Girei meu corpo rapidamente, vendo Isís... Com a blusa branca suja de sangue, assim como os sapatos.

— Você bateu o carro novinho? — Perguntou Jeofrey em tom repreendedor.

— Cala a boca. — Mandei andando em direção a garota, que me encontrou na metade do caminho.

— Eu estou bem! — Garantiu ela com as mãos levantadas. — Não é meu sangue.

— Isís, é praticamente de madrugada, e eu estou com a cabeça doendo, então, por favor, seja mais clara. — Pedi impaciente, e quase rude, fazendo ela abaixar a cabeça, segurar meu braço, e me puxar pelo corredor de luz morna.

— A história é complicada. — Começou ela hesitante. — Lembra-se de Sophie Parker?

— A sua professora de Innsmouth? — Perguntei me lembrando de vagamente do nome. Jeofrey vinha sempre perto de nos, mesmo emburrado, ele se incumbiu de me trazer ali, e deixar Dimitri continuar com suas pesquisas.

— Sim, eu a encontrei aqui. — Entramos no elevador no exato momento que ele se abriu vazio. — Não exatamente “aqui”, mas perto, conversamos e bem... Aconteceu um acidente, e não foi comigo. — Ela me encarou com os olhos vividos e brilhantes. — Mas com um parente dela. — O elevador começou a subir quando ela apertou o botão do terceiro andar. — Eu trouxe ele pra atendimento médico, e eles não me deixaram ir embora, acham que eu de alguma forma estou “responsável” por ele, até ele acordar.

— Faz sentindo, já que você o trouxe. — Lembrou Jeofrey sarcasticamente, me fazendo o encarar com raiva.

— Se não vai ajudar, fique quieto. — Pedi secamente, o fazendo rir, enquanto saímos do elevador. O corredor, talvez por ser àquela hora, estava bem vazio, com luzes no teto apagada. Apenas aquelas amareladas e fracas iluminavam o chão de azulejo azul e branco.

— Mas foi isso mesmo, porque eu o trouxe, e ele ainda não acordou, disseram que eu teria que esperar o que eu não achei exatamente um problema... — Lá estava a criatura que seria uma medica completamente humana algum dia. Sorrir orgulhosa de ter uma irmã tão gentil, insana por ajudar um desconhecido, mas gentil e humanitária. — Mas não dava pra ficar assim. — Ela apontou para sua própria roupa suja. — Ele vomitou em min. — Murmurou ela.

— Eca. — Jeofrey se afastou de supetão dela, com a cara enojada.

— Deus do céu! Você é um babaca. — Concluir o encarando por um momento.

— Entrem. — Pediu Isís, abrindo uma porta, para um quarto pequeno do lado de um maquina de café. — Tem um banheiro no leito que colocaram ele.

Dei-lhe a bolsa que havia trazido com uma muda de roupa, e ela agradeceu com um sorriso enquanto entrávamos no quarto com duas camas de solteiro, e aparelhos que bipavam. Isís foi em direção ao banheiro, enquanto eu ouvia a televisão zunir em um programa qualquer.

Automaticamente meus olhos foram em direção a cama perto da janela, vendo o homem deitada, ligado a um aparelho que bipava alto.

— Não acredito! — Exclamei vendo aquele rosto branco, na verdade pálido que eu sabia que conhecia. — Eu já o vi. — Apontei o óbvio quando ficava perto da cama o suficiente, para sentir a quentura do corpo relaxada que parecia apenas estar em um estado de sono.

— Tipo, na vida, ou em suas... — Começou a dizer Jeofrey ficando do outro lado.

— Ao ler as cartas de tarô. — Afirmei de supetão segurando o queixo do que parecia ser um garoto pela forma que seu rosto era suave. — É ele, acho que é importante, mas eu não sei por que, apenas me vi, apertando sua mão... — Fiquei novamente afastada, encarando Jeofrey como se esperasse que ele tivesse todas as explicações que eu não tinha. — Como se fechássemos um acordo.

— O nome dele é Malachai Parker. — Disse Isís voltando do banheiro, já com a camisa e calça, dela mesma, só que agora limpas. Ela se jogou no sofá pequeno do lado da janela, colocando as meias que eu havia trazido também. — Do coven Gemini. Como Sophie.

— Gemini?! — Perguntou alto Jeofrey encarando, de min, para ela, de forma rápida, como se de alguma forma esperasse que desmentíssemos. — Gemini, tipo o coven que falhou com o nosso? — O bruxo realmente, parecia querer está enganado.

— Como assim falhou com o nosso? — Fiquei curiosa e de certa forma mais convicta da presença do homem ali na cama.

— Você estudou mais história do que eu. — Seu tom ficou um tanto sombrio quando ele levantou a sobrancelha direita. — Lembra-se dos acordos de mil e novecentos?

Forcei minha memoria a se lembrar de fatos que estavam gravados em minha mente, mas de certa forma, apagados pela falta de uso.

— Havia uma convenção no Oregon... — Sentir que as palavras criaram um estopim para toda a informação ser revelada. — Que estavam crescendo de modo rápido, os Gemini’s. — Sorrir um pouco confiante. — Nosso coven, queria uma ligação por casamento com esse coven, que sumiu em meados de mil novecentos e noventa e três, ou quatro? — Cruzei meus braços me encostando na outra cama atrás do meu corpo.

— Sabe que nossa convenção não leva muito bem, uma recusa. — Me lembrou Jeofrey assentindo com a cabeça. — Mas, o estranho é que eles realmente sumiram e depois que não se tornaram de fato importantes, nosso costume de fazer acordos políticos via casamentos... — Ele sorriu sarcasticamente idiota ao me encarar. — Ficou meio que aberto com essa convenção.

Isís ficou de pé amarrando seu cabelo, enquanto se aproximava aturdida, ficando com as mãos depois, na grade da cama aos pés do moreno que ainda ressonava baixinho.

— Mas você disse que eles falharam com o nosso coven? O que isso significa? — Perguntou ela curiosa, mordendo os lábios inferiores.

— Quando uma convenção, ou qualquer um que queremos como aliados se comprometem... — Comecei a explicar o que sabia que Elijah tinha feito. — Eles assinam um contrato mágico, algo realmente comprometedor. — Gesticulei abrindo minhas mãos. — Simplesmente é algo que não dar pra ser desfeito só por uma parte. Quando a convenção Gemini nos deixou... — Procurei uma palavra para ela assinalar bem e rápido a ideia

— Á ver navios. — Colou Jeofrey com suas palavras.

Acabei rindo, mas aceitei aquelas ditado popular.

— Isso... Á ver navios. — Repeti suavemente. — Eles deixam esse contrato “em aberto”. — Fiz aspas com os dedos no ar. — Então imagine o que é não honrar sua palavra, e ponto de ser ensinados a crianças bruxas, na aula de história que tínhamos com nosso tutores, que há um furo terrivelmente grande na falta de comprometimento com nosso coven, que sempre cumpre nossa palavra.

— Esta dizendo... — Isís encarou Jeofrey, e depois a min. — Que de alguma forma a convenção Gemini... — Ela demorou em achar as palavras, mas sabia que tecnicamente ela sabia quais usar, apenas não gostava de como soava. — Deve á nos?

— Exato. — Garantiu, Jeofrey e eu, em uníssono.

— Eles deixaram uma divida pendente, em nossas mãos, entende? — Continuou Jeofrey pacientemente agora. — Eles nos ludibriaram com uma futura aliança que nunca aconteceu, então de certa forma, eles falharam conosco.

— Isso é meio... Bizarro. — Concluiu Isís um pouco temerosa.

— Sim querida, mas é de certa forma, o nosso modo de fazer politica. — Dei ênfase ao “nosso modo”, para ela entender que aquele era seu legado também.

— Mas isso é passado não é? Não vamos bancar os cobradores com ele, não é? — Ela perguntou apontando para o homem que estava estranhamente quieto agora.

— Claro que não, isso é história. — Garantir astuta. — Não é algo, que exatamente me incomode nem a Jeofrey. — Concluir olhando seriamente para Jeofrey. E depois para o moreno na maca. Jeofrey não demorou a entender, apenas balançou a cabeça positivamente. — Só não entendo porque teve que ajudar ele, e não a tia dele. — Disse ao lembrar daquele furo na história contada de modo apresado.

— Sophie não quis ajudar. — Contou Isís, e foi completamente surpreendente notar que ela estava irada. — Ela era tão gentil, e de repente, quando ele começou a vomitar sangue, ela apenas o chamou de aberração dizendo que ele me mataria e fugiu! — Ela falou aquilo em um só folego de modo franco e raivoso.

— Hunn... — Mordi os lábios, encarando novamente Jeofrey que se preparava para segurar o garoto pelos ombros. — Que tal ele contar a versão da história dele? — Perguntei alto, mesmo desnecessariamente, ficando ao lado do moreno. — Porque ouvir a conversa alheia não é legal. — Afirmei autoritária e ele abriu os olhos, escuros como ônix, enquanto abria também um sorrisinho quase infantil de uma criança que era pega na traquinagem.

— E aí galera?! Tudo bem? — A forma dele falar também era bem despojada. — Eu sou Kai, e vocês são? — Sua falta de formalidade, encarando por alguns segundos cada rosto ao seu redor, me fez fazer um pedido mudo com o olhar para o bruxo de pé, que soltou seus ombros, mas, permaneceu no seu outro lado atento.

— Eu sou Isís. — Disse minha irmã soando quase como uma enfermeira caridosa, que sempre dava pirulitos às crianças boazinhas. — Essa é minha irmã Anabella, e esse é Jeofrey. — Apontou a mais nova com os dedos.

Ele tossiu molhadamente como se estivesse com uma gripe forte, quando se sentou na cama. Sua testa antes pálida, e seca, começou a verter suor.

— Você esta doente. — Constatei o óbvio, encarando Isís que deu um passo para frente. Ela sabia mais sobre magia curativa do que eu na minha vida toda.

Abrir caminho, para ela tocar a testa do moreno, que quase automaticamente, colocou a própria mão em cima da dela. Uma onda invisível, porém quente e elétrica arrepiou os pelos da minha nuca de tal forma, que eu procurei qualquer fonte de magia pelo quarto do hospital.

A fonte era Kai, sem sombra de duvidas, que parecia quase deliciado por tocar na pele de Isís que tinha uma careta no rosto.

— O que está fazendo? — Perguntei apresada, afastando Isís pelo ombro, e eu mesmo tocando o garoto para afastar sua mão, da mão da minha irmã. Ele segurou meus dedos, ainda de olhos fechados, e sentir algo querendo tocar minha magia. Como uma mão invisível, como um vácuo obscuro.

Como havia feito antes com Cassandra, quando burlávamos algumas magias espirituais que sugavam nossa magia, eu abrir uma brecha espelhada, que revertia qualquer ataque a minha própria magia. Segurei forte o pulso do garoto e o empurrei pelo pescoço, até ele voltar a se deitar.

Ele abriu os olhos surpreso.

— O garotinho estava mesmo tentando roubar sua magia? — Perguntou Jeofrey pasmo e irritado, sempre ligeiro, captando bem demais tudo ao seu redor, para não saber o que ouve.

— Pera aí! — Pediu Isís levantando as mãos. — É isso que ele faz? Ele é uma Esponja magica? — Agora sim ela demostrava medo.

— Tecnicamente ela falou tudo. — Consentiu Kai respirando fracamente, pelo aperto da minha mão em volta do seu pescoço.

— Por que fez isso? — Perguntei nenhum pouco propensa a soltá-lo de novo.

Aquilo era magia antiga, hereditária que não tocava minha linhagem, mas que possuía algumas recorrências na convenção para nos preocupamos.

— Por que... — Ele tossiu ficando mais pálido. — Estou morrendo e preciso de ajuda.

— E você a terá. Eu sou Josette Laughlin, médica, por favor, queiram me dar licença. — A voz nova, feminina e contida, veio da porta, só que eu não me virei quando retirei minha mão, e meu dedão do pomo de adão do pescoço do moreno.

A mulher que apareceu tinha cabelos tão pretos como os dele, vestia um jaleco branco, e tinha olheiras profundas ao redor dos olhos claros , porém, na pele pálida quase translucida como eu achava que seria também a dele de modo saudável. Ela parecia muito com Kai. Porém... bem mais velha que ele.

— Finalmente maninha. — Disse ele aliviado e ainda zombeteiro, quando nos afastávamos para deixar ela cuidar dele agora. — Deixe-me adivinhar, você também esta mal, e também esta morrendo como seu gêmeo aqui? — O moreno a encarava de modo intenso, como se quisesse as respostas.

— Agora não é hora Kai, preciso de sua ajuda. — Disse ela, enquanto pegava a prancheta aos pés dele. Encarei Isís, e olhei para sua bolsa, pedindo que ela a pegasse para podemos ir embora. Já estávamos quase na porta quando eu pude ouvir mais. — Stefan Salvatore esta trazendo a xerife Forbes pra você drenar a magia dela.

Kai respondeu alguma coisa, em meio a torcidas, enquanto eu sentia Jeofrey me empurrar pra fora.

No corredor o encarei fixamente, sabendo que meus olhos estavam maiores.

— Eu também ouvir. — Garantiu ele sussurrando. — Quer esperar e ver se é o mesmo? — Perguntou ele um pouco lentamente demais.

— Claro que sim! — Balancei minha cabeça, enquanto via Isís tentando entender do que falávamos. — Vamos esperar ter certeza que esse é a Duplicata, e depois chamamos os outros.

Jeofrey assentiu concordando com o plano enquanto voltávamos para a recepção. Tentei ver qualquer coisa relacionada ao futuro certo, mas não conseguir.

Se fosse... Na verdade eu achava que era, o destino, nos levando aos lugares certos, na hora certa, então havia algo grande que ocorreria. Foi o que Cassandra havia me ensinado no decorrer de todas as nossas aulas. Que tudo acontecia por um motivo.

Notas finais
Eu espero que não tenham levado para o lado mal meu desabafo lá em cima! *-* Sério eu sou um amor de pessoa, mas, sou só uma (1) pessoa aqui do outro lado, enquanto vocês são mais de 100 leitores! Nos vemos em breve ;)