You Set Me Free_ 2°Temporada

28 Every day is magic...And problematic


Notas iniciais
Eita o Nyah voltou! O Nyah voltou! Caramba, como é bom voltar a postar não é? Ou apenas ler, e ver suas "carinhas" por aqui. Enfim, não vou me prolongar, apenas falar que essa "faze" além de NOLA, está acabando em breve beleza? Boa leitura xD

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Demorou alguns segundos para eu descobrir porque a inconsciência não me envolvia mais. O barulho quase brutal chegou até meus ouvidos, e eu podia quase jurar que a cama se movimentou, como se de repente uma bomba tivesse explodido.

Quase automaticamente eu coloquei um travesseiro na minha cabeça, sentindo meu coração bater mais forte. Fiquei um pouco estática por alguns minutos até o som abaixar.

E quando o som abaixou, mas não cedido, o sono tinha ido embora. Meio grogue ainda, eu escorreguei por entre o edredom macio, e sair da cama a contra gosto.

Cocei meus olhos ao mesmo tempo em que os fechava, segurando um bocejar. A combinação de gestos naturais me rendeu um joelho ardendo, quando bati sem querer na cadeira ao lado da janela.

Murmurei algo incoerente, Apertando com força minha mão na pele ardendo do joelho. Abrindo bem meus olhos agora para ir até a varanda. Mas o barulho não vinha de lá, mas do lado esquerdo do quarto.

Havia uma janela ali, fechada que eu a abrir para poder ver o que acontecia. Ao olhar para baixo me surpreendi com a quantidade dobrada de bruxos que se divertiam! Havia até mesmo mais mulheres do batente da porta dupla que eu sabia que ficava depois da cozinha.

Voltei novamente meus olhos para os homens, que jogavam basquete de forma quase violenta. Era estranho, mas ao mesmo tempo familiar. O som alto vinha de uma caixa de música. E os jogadores pareciam tão embalados pelo rap que não se tocavam que era observado demais; pelas mulheres.

Eu mesmo não pude não encarar alguns abdomes definidos ou mesmo ficar interessada por tatuagens á mostras. Sentindo meu rosto corar com alguns pensamentos nada puritanos, voltei a entrar no quarto.

Demorou um pouco, mas acabei por me trocar de forma aprumada, para descer. Percebi sem conter-me que era bastante cedo, mesmo que “minha família” não notasse. Ou se importasse com os vizinhos que poderiam não esta gostando do barulho.

Lembrei, enquanto descia degrau por degrau dos dois lances de escadas, que a mansão Whitmore ficava em uma rua bem composta de casas de fraternidades, casas que deveriam estar vazia naquele final de ano.

Encontrei sem problemas as mulheres na cozinha, em uma movimentação alegre.

Pensei em entrar lentamente sem causar alarde, mas, aquele plano foi por água abaixo, quando me toquei, que eu era, de certa forma, novidade ali.

— Bella, essa é a sua irmã? — A voz feminina e meio estridente fez meu coração dar um pulo diferente. E meu estômago se contrair.

A garota de cabelo ruivo apareceu na minha frente tão rápido quanto minha irmã, quando se movia com presa.

— Oi eu sou... — Antes de terminar a ruiva baixinha já me abraçava. Ela tinha cheiro de jujubas e colônia cara. — Isís. — Terminei lentamente.

— Finalmente nos conhecemos. — Disse a ruiva, se afastado. — Eu sou Alice, e você me rendeu um bom dinheiro agora.

O movimento foi total, entre pulos de alegria, e muxoxos agourento. Eu devia ter meus olhos abertos de maneira estranha, procurando uma resposta por causa de tanto alvoroço.

Mas não conseguir mudar a expressão do meu rosto, principalmente quando Alice se virou, aceitando dinheiro de algumas outras mulheres.

— Eu falei que ela era bonita, vocês que apostaram que ela era ou não parecida comigo. — A voz de Bella, disse, vindo de trás do quartel feminino. — Deus do céu! Vocês se divertem com tudo. — A loira apareceu rindo, e me chamou com uma mão.

— O que é tudo isso? — Perguntei assim que me aproximei dela, que secava as mãos em um pano de prato.

— Eu é que pergunto. — Disse ela revirando os olhos, e colocando a mão na cintura. — Eu pedi para alguns bruxos aparecerem, ou Dimitri... — Ela abanou a mão, como se não fosse nada realmente importante. — Mas aí, a maioria dos mais velhos apareceram, dando a entender que New Orleans estava chata. — Bella falava aquilo como se incomodasse ela, mas havia um sorriso em seu rosto, que deixava claro que ela tinha um jeito de não demostrar. — Ah... Pera aí. — A loira se virou, enquanto eu era recebida por nomes e mais nomes de mulheres, e quando menos percebi havia uma loira do lado da minha irmã. Essa tinha uma pele quase translúcida, como se não fosse tocada pelo sol a muito tempo, e seus olhos azuis eram gélidos. E mesmo assim, ela era sim, muitíssimo parecida com Anabella. — Essa é Charlotte, nossa prima.

— Adoro quando ela fala a palavra prima. — Disse Charlotte me dando um sorriso quase glamoroso, enquanto franzia o rosto, quando se aproximou para me dar dois beijos na minha bochecha. — Soa tão... Pessoal. — Declarou como uma diva dos anos 60.

— Você é tão estranha. — Murmurou Bella sorrindo deliberadamente minuciosa, abraçando Charlotte pelos ombros. Elas pareciam modelos da Vogue ao se encararem e ficarem estáticas, como se esperassem pela próxima foto de um catalogo. Ou a próxima fala de um comercial.— Mas, que bom que veio. — Continuou Bella, sussurrando agora, como se falasse um segredo. — Soube que Leah está gravida, e odiaria a ver tão mimada quanto é.

Charlotte fez um muxoxo de confirmação. Depois quando todas as mulheres se movimentavam, percebi que levavam louças, e comidas para fora. O cheiro de panquecas, mel, e até mesmo leite de arroz, fez minha boca salivar. Soube sem perguntar, que o café da manhã ia ser algo importante.

E quando na noite anterior, quando Bella e Jeofrey pareciam tão fascinados e de fato, misterioso, quando saíram do hospital, depois da minha saída, eu sentia, que eles estavam finalmente descobrindo, ou mesmo, fazendo algo. Ou planejando algo.

Segurei alguns copos, e sair também para fora, vendo a quadra de basquete, ser coberta por mesas de plástico, que eu jurava ter visto no salão dentro da mansão. Os homens já ajudavam, ou flertavam descaradamente com algumas mulheres, que, ou aceitavam, ou como outras, ignoravam.

Havia uma mesa maior, colocada na frente do muro coberto de sequoias espanholas. Bella e Charlotte ainda conversando, foram naquela direção, e eu as seguir quase inconscientemente, olhando tudo ao meu redor.

A mesa era de cobalto azul, com uma toalha branca. Coberta logo por comidas, por várias mãos. Notei que nas outras mesas, não havia comida alguma.

A lembrança de uma festividade me veio à cabeça. Ou apenas, aquela seria a “mesa principal”.

—... Eu só acho que seria melhor. — Dizia minha nova prima, arrumando alguns pratos.

— Só porque seria, não significa que vai ser, Charlie. — Rebateu Bella politicamente suave. — Já estamos usando muitas terras dos outros covens que vivem em New Orleans há mais tempo do que nos. Buscar mais espaço seria tolice quando não precisamos. — Lembrou a loira que parecia realmente mais velha que “Charlie” ao falar daquela forma.

— Mas a regente, Josephine não as usa... — Charlotte parecia realmente decidida a fazer Bella a ouvir.

Porém a loira levantou a mão, fazendo nossa prima parar de falar, e encarou além da cozinha. O barulhinho sonoro da campainha, a fez sorrir largamente, para depois se virar para me encarar.

— Isís, porque não vai atender a porta...? — Pediu meio que mandando. Eu acenei com a cabeça, e dei um passo para trás. — Traga nosso convidado para o café da manhã. — Seu sussurro parecia um pouco lento demais, como se quisesse também, saber do que falava. Ela balançou a cabeça, e voltou a ser a irmã sorridente de antes.

Dei de ombros, passando por Dimitri, e outros bruxos, que falavam sobre alguma tese completamente não filosófica, sobre os novos jogadores contratados pela NBA.

Os corredores largos, cobertos de quadros de pessoas, podia quase contar a linhagem Whitmore, e eu poderia parar por alguns minutos para observar mais, se a campainha não começasse a ser tocada tão rápido, e tão irritantemente alta, que eu precisei correr para puxar a porta pesada de mogno.

O garoto ainda tocava nela, como uma brincadeira de inventar seu próprio jingle, como uma criança. Só que ele não era um garoto, mas um homem alto, com olhos pretos, e uma pele branca.

Ele estalou os lábios, nenhum pouco envergonhado por ser pego naquela sua brincadeira. E encarou seu dedo médio por um segundo, antes de o dobrar, como se se forçasse a parar.

— O que está fazendo aqui? — Perguntei sem saber como, abrir minha boca tão rápido.

Cada poro do meu corpo, parecia ter acordado completamente ciente, do que “ele” podia fazer comigo.

— E aí Iris... — Começou ele de jeito animado, abrindo os braços como se quisesse me abraçar, como um antigo amigo ou familiar. Como se já nos conhecêssemos.

— É Isís. — O cortei quase secamente ao o corrigir, tento completamente noção dos do espaço que nos separava. Na verdade eu mal conseguia o encarar por muito tempo, o que soava mais que rude — Como me achou? — Perguntei um pouco mais suavemente, retirando minha franja lateral do meu pescoço.

Ele sorriu sem mostrar os dentes, e depois apontou para trás de si. Fiquei na ponta dos pés, olhando para a rua cheia de carros, e vi o meu ali.

Não perguntei mais nada, na verdade, apenas fiquei o encarando, esperando que ele falasse algo. O silencio constrangedor nos assolou.

— Eu vim... — Ele engoliu em seco, colocando suas mãos nos bolsos da sua jaqueta. — Agradecer. — Disse finalmente, como se tivesse tirado um peso dos ombros. Então ele olhou para o teto, sorrindo orgulhoso, para si mesmo.

A vontade de fechar a porta foi muita, mas eu não seria tão grosseira, porque de certa forma, ele era... Diferente, a ponto de se tornar interessante. Mesmo que fosse uma esponja...

Balancei a cabeça espantando aqueles pensamentos, e então suspirei fundo, relaxando um pouco minha postura.

— Não tem de quê. — Disse, colocando minhas mãos para trás em um ato reflexivo as suas que foram pra frente.

Acho que por um segundo, pensei que ele oferecia sua palma para me cumprimentar, e aquilo de certa forma me assustou. Malachai fingiu que não viu, mas novamente o clima ficou estranho. Então ele pegou suas mãos, e as bateu na altura do peito, como se batesse palmas.

— Eu acho que devo... — Ele pareceu engasgar e depois sussurrou algo tão baixinho que eu não ouvir, mas de certa forma, parecia falar consigo mesmo. — Pedi desculpas por ter roubado... — Ele levantou os olhos lentamente, e finalmente me encarou. — Sua magia.

Fiquei refletindo nas suas palavras...

— Você acha? — Perguntei tentando soar sarcástica ou mesmo irônica, mas apenas saiu como se ele tivesse... Me magoado. Mordi os lábios, evitando encarar seus olhos, e segurei com força a maçaneta da porta. — No meu coven, ninguém rouba magia um do outro. — Expliquei ainda sem o encarar.

— Eu não fiz por mau! — Exclamou quase rápido demais, me fazendo o olhar. — Foi automático, eu estava morrendo...

— E não esta mais. — Constatei o que deveria ter percebido antes. Sua tez já estava mais saudável, assim como seus olhos bem mais límpidos. Suas bochechas nada proeminente exibiam um leve rosar, de constrangimento ou de saúde. — Como ficou bom tão rápido? — Perguntei curiosa.

Ele riu de forma quase anasalada, porém a risada não chegou aos seus olhos, que encaravam sua direta.

— Minha irmã deu sua magia para min, sabe como é?! — Não era uma pergunta, era mais “deixa pra lá”.

— Não. — Falei lentamente e seriamente. — Não sei. — Forcei mais as palavras, imaginando que tipo de pessoa diferente era aquela.

Ele acenou com a cabeça, e voltou a esconder suas mãos. De certa forma, parecia querer que eu visse que ele de nenhuma forma não iria me tocar, o que me deixava constrangida.

— É complicado. — Soltou enfim, quando eu não falei novamente por um bom tempo.

— Isís o café, não vem? — A pergunta me fez girar o pescoço e ver Bruce no corredor, ele era um dos poucos homens que verdadeiramente eram educados o suficiente para puxar assunto comigo.

Acenei um positivo, e ele sumiu pelo lobby indo em direção á cozinha. Volte-me para Malachai, que tinha a testa franzida, olhando além do que a entrada mostrava.

— Bem... — Ele deu um passo para trás, ao notar que eu o encarava. — Vou deixar você tomar seu café da manhã. — Prometeu quase se virando quando eu exclamei.

— Espere! — A voz de Bella não foi à única que eu ouvir quando pensei no que iria fazer. Na realidade, eu não sabia por que o convidei, mas o fiz. — Você não quer vim?

Ele olhou para o jardim, e depois sorriu amplamente.

— Tem bacon? — Perguntou enquanto eu abria a porta para ele passar. Levantei uma sobrancelha sem me conter. — O que foi? Bacon é ótimo no café da manhã. — Se explicou passando pelo meu corpo rapidamente.

Dei de ombros, o guiando sem muito jeito pelos corredores, a sala e finalmente a entrada da cozinha que sairia nos jardins dos fundos. Kai parou no batente, olhando para aquelas pessoas, como se fossem Leões prestes a devorarem ele, talvez aos seus olhos fossemos muitos, ou talvez fosse outra coisa. Eu não saberia por que ele quase covardemente, assoviou impressionado, e se encostou a min à medida que passávamos pelas pequenas mesas, aonde as vozes se misturavam em um ar de confusão.

A fila já era feita na mesa principal de tal forma que muitos já estavam sentados comendo.

Ninguém parecia realmente o notar, pensei, e me enganei quase rapidamente, quando vir os olhos afiados de Bella, em uma das mesas pequenas, aonde duas cadeiras estavam disponíveis, como se o tempo todo, ela nos esperasse.

Charlotte falava algo no seu ouvido, mas ela não ouvia, apenas encarava o moreno, que sorriu quase educado ao vê-la.

— Malachai Parker. — Disse ela quebrando primeiramente o silencio, enquanto fazia um gesto para sentarmos, e fazia Charlotte também prestar atenção e ficar em silencio. Sinceramente, eu não sabia o moreno, mas eu me sentir como uma criança, quando fizemos aquilo sem demoras. — Um nome bem diferente...

— Maligno na verdade. — Debochou o moreno, novamente com aquele jeito de ser tão despojado. — Mas me chamem de Kai. — Ele sorriu também para Charlotte, quando assim como eu, se acomodava naquela cadeira de plástico.

Bella sorriu quase docemente e amistosamente demais, para eu não ficar com a famosa pulga atrás da orelha. Percebi que aquela mesa sim tinha um café da manhã bem composto, ao ver minha irmã oferecer chá ao moreno que assentiu com a cabeça, enquanto olhava curiosamente para os lados.

— São todos da família. — Comentou Bella, passando uma cestinha de muffin para Charlotte, que depois passou para min.

— Jura? Caramba e eu pensei que minha família é que fosse grande! — Exclamou ele alvoroçado, se contentado em colocar no seu prato panquecas.

— Nossa Convenção é composta por bem mais cabeças do que essas. — Charlotte falou quase banalmente, porém, sentir um aviso nas entrelinhas, ou uma informação que deveria ser considerada.

— E qual é o nome desse coven mesmo? — Kai perguntou, ao fixar seus olhos no meu rosto.

Tentei engolir o chocolate mais rápido para o responder, mas não conseguir, e nem precisei.

— Valyria. — Falaram as loiras, em uníssono, quase como se elas se preparassem para cantar.

Kai travou seu corpo, por um tempo longo demais para eu não fazer algo. Dei um chute em sua canela o acordando, ele sorriu sem mostrar os dentes, e balançou a cabeça positivamente, e voltou a mastigar.

Voltamos a comer em silencio, enquanto apenas minha prima e irmã, conversavam quase sobre politica. Encarei Kai, e sinceramente aquele apelido bobo era de fato bobo, já que seu nome era melhor, pelo menos a meu ver, e o vi encarar Anabella, quase prestes a falar mais alguma coisa. Ou soltar outra pergunta.

— Na mesa principal tem bacon, vamos buscar. — Disse suavemente, puxando seu ombro com força. O moreno pareceu demorar meio caminho, para perceber que andava. — Qual é o seu problema? — Indaguei seriamente, quando paramos perto das sequoias, longe dos olhares, mas não das vozes.

— Esse é um dos maiores, se não a maior Convenção do mundo! — Exclamou com os olhos esbugalhados, e um sorriso maravilhado no rosto, como se visse um animal raro em uma gaiola.

— Somos organizados, mas não é pra tanto. — Soltei revirando os olhos. Entregando-lhe um prato, para ele mesmo pegar a quantidade de bacon com ovos que comeria.

Voltamos para a mesa, no exato momento que Bella parecia ter se lembrando de Malachai.

— Que bom que esta melhor hoje. — Disse ela amistosamente sorrindo.

— Você acha? — Perguntou ele grosseiramente se degustando, em vez de prestar atenção nela. Acho que o muxoxo de Charlie foi indicio de sua falta de educação. O moreno sorriu, depois de pelo menos engolir toda a comida que mastigava, e levantou o rosto. — Você é a líder desse coven? — Perguntou de forma rápida sem preliminares, ou ficou embaraçado por ser tão direto.

Bella riu verdadeiramente.

— Oh céus, não! — Exclamou ainda rindo, passando o dedo na borda da sua xicara. — Somos uma família, nossos lideres, os anciões não passam muito tempo com a gente. — Contou quase como se ele precisasse saber um pouco de detalhes sobre a família. — Agora me conte... — Pediu a loira de modo hipnótico ao se aproximar do moreno. — Como escapou da morte certa, e resolveu vim nos visitar logo pela manhã? — Não era apenas uma pergunta, notei, era uma ordem camuflada que ele contasse a verdade.

O clima não ficou tenso, não, tenso era pouco.

— Escuta... — Começou Malachai sério pela primeira vez. — Eu não sou um inimigo okay? — Agora era como se ele temesse que ela não acreditasse. — Apenas vim agradecer a Iris...

— Isís! — Exclamei estreitando meus olhos em sua direção, não acreditando que ele realmente não havia se lembrado do meu nome, de novo.

Porém, pareceu que eu não falei nada, para ninguém.

— Não acho que você seja um inimigo, Kai. — Disse Bella continuando a falar apenas com ele, pendendo sua cabeça para o lado, polidamente inocente. — Apenas não quero pensar que qualquer um que não tenha meu sangue, faça mal a minha família. — Ela encarou-me descaradamente.

Eu inconscientemente encarei meu pulso direito. A sensação de ter ele roubando minha magia, foi tão desagradável que eu não queria repeti nunca mais a dose.

— Não vai se repeti. — Respondeu o moreno seriamente, como se lesse meus pensamentos.

Bella o encarou de modo tão fixo, deixando seus lábios em uma linha reta, que eu achava que ela queria ver a alma do bruxo. Finalmente quando ela sorriu eu respirei no mesmo estante que ele, percebendo que havíamos prendido a respiração.

Acho que nunca pensei que minha irmã fosse assustadora até aquele momento, mas ela era quando queria.

— Então, conseguiu salvar a mulher ontem? — Ela perguntou realmente interessada, e eu não fazia ideia sobre o que ela falava.

— Liz Forbes? Sim, mas como sabe? — Perguntou confuso, para depois sorrir. — Estava me espionando em... — Ele riu e colocou o cotovelo na mesa, para deixar seu queixo nas palmas das mãos. — Eu sei, sou extremamente fiel à imagem de um salvador. — Se gabou rindo, mas ninguém mais riu.

— Apenas vi, e ouvir, que você ia sugar a magia dela. — Bella, voltou a tomar seu chá, e percebi uma careta sem controle nos lábios de Charlotte. — Para salvá-la. Mas que história interessante deve ser. — Disse a loira demostrando total curiosidade, quando levantou seus olhos, ainda segurando a xicara em direção aos lábios.

Malachai pareceu soberbo quando foi o centro das atenções.

— Oh, é uma história tediosa. — Começou a contar relaxando folgadamente na cadeira. Ou ele era bipolar, ou tinha dupla personalidade, porque no fim, apenas parecia diferente, e, estranho. — A filha vampira da xerife, ela é xerife acreditam? — Ele sozinho riu, como se não acreditasse. — Deu sangue para ela se curar de um tumor no cérebro, só que eles não sabiam que sangue de vampiro não cura tudo, mas adianta certas doenças. A mulher estava morrendo... — Ele deu uma pausa dramática, como um bom contador de historia faria para manter seus ouvintes atentos. — De uma forma mais rápida, do que vai morrer...

— Então você não a salvou. — Interrompeu Bella, umidificando os lábios com a ponta da língua. — Apenas adiantou o processo de morte.

Não era uma pergunta, e mesmo assim o moreno confirmou.

— Exato, mas isso não importa mais, com tanto que aqueles Salvatore’s me deixem em paz... — Kai bufou voltando a servir-se de chocolate quente, para minha surpresa ele serviu minha xicara também para min. — Vampiros são incrivelmente idiotas quando querem. — Comentou como se fosse um sábio no assunto.

Foi a primeira vez que Charlotte riu, fazendo Bella revirar os olhos. Era uma piada particular que ninguém estava a fim de dividir com o bruxo não familiar.

— Salvatore... — Bella praticamente soletrou o nome. Dando uma pausa, como se pensasse em algo. — Eles moram na cidade de Mystic Falls não é? — Perguntou não muito curiosa, mas também não muito propensa a deixar o assunto morrer.

— Stefan e Damon, sim, em uma mansão muito antiga. — Kai apenas deu aquela informação sem se importar, enquanto comia mais um pouco.

Porém notei a troca de olhares entre Bella, e Dimitri que estava na mesa a nossa esquerda. Ele provavelmente não ouvia a conversa, mas tanto Jeofrey quanto ele, esperava algum sinal dela.

— Stefan é o loiro não é? — Bella descruzou as pernas, para aproximar a cadeira um pouco mais da mesa. — De olhos claros?

— Sim... — Malachai riu quase maliciosamente. — Não está interessada... — Antes de ele terminar lhe dei novamente um chute na sua canela. — Aí! — Resmungou, abaixando sua mão para alisar provavelmente a pele machucada. Seus olhos transbordavam quase fúria a me encarar, então um segundo depois, ele parecia divertido com minha ousadia.

— Minha irmã é casada. — Resmunguei pateticamente, sabendo que ela ouvia.

Kai encarou descaradamente a mão da loira.

— Oh desculpe. — Foram apenas meras palavras, porque era claro que ele não ligava para sutilezas. — Bem, respondendo sua pergunta, sim Stefan é o loiro, o santinho do pau oco... — Ele riu, e, eu podia jurar que era porque a meia frase havia rimado. — Ele está a fim de achar uma cura para mamãe xerife. Até tentou fazer um acordo comigo... — Se gabou abanando a mão. — Mas o corpo dela está terrivelmente fadado, a não utilização.

— Não fale das pessoas como se fossem meramente descartáveis. — Soltei antes de me controlar.

— Ela é humana, ela ia morrer mesmo. — Disse ele, não se importando nenhum pouco com minha opinião.

— Isís tem razão. — Disse Bella confortável demais com o assunto. — Todos merecem ajuda. — Declarou solenemente. — Como você foi ajudado por ela, não é? — Bella lançou a lembrança, como se pedisse reembolso do meu “bem”, a ele.

— Bem... De fato. — Disse ele hesitante, e talvez finalmente percebendo que sim, Bella queria algo dele, e não daria nada em troca se não a satisfação de recompensar-me pela noite anterior.

— Isso é bom, sabe, ajudar as pessoas. — Bella sorriu animadamente, olhando-me fixamente. — Não acha que seria bom ajudar ela Isís?

— Seria bom ajudar qualquer pessoa. — Sussurrei tentando desviar os olhos dela. Mas falhando miseravelmente.

— Viu só? — Perguntou minha irmã encarando o moreno agora. — Essa garota realmente sabe estender a mão, como fez para você. — Ela não sorria mais, estava séria de uma forma que parecia finalmente pronta para falar o que queria. — Agora que tal fazer isso a apresentar-me ao Stefan Salvatore. — Não era um pedido ao bruxo Gemini. Não mesmo.

Kai franziu as sobrancelhas grosas, e de certa forma, sua curiosidade latente, não foi divulgada, quando ele concordou fazer aquilo com um aceno sutil.

Ao encarar novamente seus olhos, ainda sentada de perfil, notei que o preto ônix, estava banhado por uma linha quase dourada, tão fina, como um fio de linha de ouro. Talvez fosse o sol suave que batia no seu rosto, pensei, o encarando por tanto tempo que quando ele finalmente virou o rosto em direção ao meu, a fina linha dourada, ainda estava lá. Sutil, quase imperceptível, e de certa forma, camuflada por todo aquele preto.

Desviei o olhar novamente, mas agora, não com vergonha, apenas, não conseguia o encarar mais.