You Set Me Free_ 2°Temporada

29 Falling in the shadows spirals


Notas iniciais
Gente do céu! (Como minha avó diz) Eu estou mal, do tipo ter que escrever enquanto tomo soro na veia! Bem, era isso ou ler, e como eu não conseguir, trouxe meu tablet comigo para a sala aonde meu irmão tá me enchendo o saco! "Eita vida sofrida a sua em neném" Sim x( Ele me chama de neném que nem meus avós, o que é só um claro futucamento, que me deixa irritada! Mas voltando a explicação, eu estou gripada, sentindo que cada parte do meu corpo foi estranhamente amolecida! Então com o soro e com o café expresso eu pareço meio que "de pé" de novo. Meu irmão, que está de férias veio comigo ao PS, para ficar no meu pé o dia todo, o que significa ser completamente "amada". Irmãos mais velhos são um saco... Não liguem, minha boca tá mais do que aberta hoje, eu estou no 220! Mas vamos ao cap, vamos ver Elijah de volta a ativa, e se aconchegar um pouco mais no Kai *-* Sério, estou adorando esse ex-psicopata! Boa leitura!

— Parabéns. — Disse Dimitri encostado na bancada da recepção vazia, enquanto eu folheava uma revista antiga. — Blefou bem, em todo o tempo com o maluco. — Era estanho, mas eu sabia a quem ele referia-se ao “maluco”, quase o tempo todo Dimitri era o tipo de cara que gostava de novos amigos, e mesmo assim, não se deu bem com Malachai Parker.

— Só porque ele é diferente não creio que seja... Doido. — Aquilo soou realmente lento, como se eu quisesse de certa forma ter certeza do que meramente dizia. Dimitri riu daquela forma que tanto me irritava, como se eu fosse uma criança que ainda não conhecesse as pessoas. — Acho que há algo nele. — Tirei a revista do meu rosto, e a abaixei no meu colo. — Algo que realmente poderá ser útil... — Dei outra pausa dramática, enquanto mordia meus lábios. — Futuramente. — Enquanto eu falava, sentia que era verdade. Eu não acreditava que as pessoas poderiam serem realmente boas ou más, mas havia sempre um meio termo.

Mesmo que o moreno Gemini, que não falava muito sobre si, no caminho que fizéssemos até o Pronto Socorro fosse de fato um bruxo, havia algo nele que quase repelia todos ao seu redor. Até mesmo Isís. Como se ele por ser uma Esponja fosse uma Aberração. Eu deixei um pensamento muito humano, a medida que encarava o sorrisinho dele, entrar em meios aos meus pensamentos. Devia ser difícil nascer com aquele tipo de defeito para alguns, e dons para outros.

Me perguntei quase inconscientemente o que eu achava sobre o caso, o interessante, foi que eu não obtive respostas.

Suspirei fundo e voltei a folhear a revista sem nenhum pouco de interesse. A tossida muito forçada de Dimitri fez-me levantar os olhos e encarar automaticamente o corredor por onde Kai vinha do lado do loiro, quase uns dez metros a nossa frente.

Deus, era difícil olhá-lo sem ver a Duplicata em flashbacks, na minha mente, em todas as fotos que havíamos pesquisados antes. Na madrugada anterior, eu apenas o vi de longe, e mal tinha visto o decline do seu nariz em contraste com os lábios. De fato, ele era bonito. Com ombros largos, e passadas firmes percebeu meu olhar sobre ele rápido, como um bom predador agora.

Pensei em ficar de pé, mas não o fiz, talvez eu estivesse deixando aquele lado dos Mikaelson se fixar um pouco na minha personalidade, mas eu estava em um ponto tão crucial naquela missão, que não poderia falhar.

Sorrir sem mostrar os dentes, quando ele passou entre eu, e a mesa de centro da recepção. Sobre seus ombros, eu já não podia ver Dimitri, ninguém poderia. Aquilo era o plano C, do plano B.

— Você deve ser Anabella. — Disse primeiramente Stefan Salvatore, quebrando o silêncio. Percebi que ele esperava um sobrenome, que eu não dei.

Descruzei as pernas, e coloquei a revista no banco de lado.

— E você Stefan Salvatore. — Segurei um sorriso no meu rosto que deveria ser classificado como politico. Elijah sempre dizia que era um dos sorrisos que eu devia mais usar. Não mostrava o que você queria dizer, mas fazia a outra pessoa se abrir um pouco. — Ótimo, todos nos conhecemos. — Continuei o analisando rapidamente, sabendo que ele fazia o mesmo comigo, quando algumas enfermeiras passaram por trás dele, sua tensão ficou óbvia. — Não soa agradável? — Perguntei quase de forma monótona. — Conhecer novas pessoas?

— Eu disse que ela é realmente diferente? Não disse? — Perguntou Kai do seu lado, dando uma palmadinha no seu ombro.

Stefan girou seu pescoço, abaixando o queixo, para encarar a mão do bruxo ainda parada no seu ombro, mesmo por cima da sua camisa, o vampiro demostrava que não gostava do toque do outro. O bruxo riu, e se afastou, como se não se incomodasse com a suspeita do vampiro.

— Ele disse que você pode ajudar minha amiga. — Disse o loiro sendo direto, enquanto me encarava fixamente sério. — Pode ou não? — Ele parecia desesperado agora, de uma maneira nada resoluta.

Suspirei batucando meu pé, lentamente, pensando em como fazer aquilo. Acho que se por acaso eu tivesse colocado os garotos para fazerem aquele trabalho de “manipulação”, não seria tão bem feito do que por uma mulher. Jeofrey já havia dito que se aquele plano desse certo, eu estaria acabando com a graça da história. Claro porque dar socos em umas caras era de fato agradável, para eles.

— Acho que essa... — Coloquei minhas mãos na minha cintura, quando fiquei de pé, e cerca de uns dois passos dele. Ele não era tão alto, mas não tão baixo a ponto de fazer-me levantar a cabeça para o encarar. — Não é a pergunta.

— Você é uma bruxa — Apontou o vampiro obviamente. Levantei a sobrancelha como se perguntasse “E?”. — E como todos os bruxos, eles querem algo em troca por todos os feitiços que fazem. — Ele engoliu em seco, bufou ao mesmo tempo que suspirava, olhava entre Kai e eu, e depois decidindo a tratar apenas comigo, soltou a pergunta que realmente contava em qualquer conversa de negócios. — Você quer o quê?

— Primeiramente... — Suspirei fundo, e desviei o olhar do seu perpétuo olhos afiados. — Preciso vê-la. — Sentir uma ânsia forte de tocar na minha nuca, só para a relaxar um pouco. Eu estava também tensa, mesmo não querendo admitir. — Saber se posso realmente fazer alguma coisa.

Stefan assentiu com a cabeça, como se também analisasse a situação em que se encontrava. Era fácil demais saber aonde ele estava, como Kai havia dito, ele não tinha nada o que perder.

Ele fez um gesto sutil com a cabeça e ficou de perfil, para podemos ir. Eu sentia um forte ímpeto de está com um bruxo de confiança ao meu lado, não o bruxo Gemini que sorria belicosamente divertido, como uma criança adorando aonde estava se metendo. Era engraçado por um lado, mas sombrio em noventa por cento daquele círculo que constituía o que Malachai Parker poderia fazer.

Finalmente chegamos a um quarto normal de hospital, mas diferente por só haver uma cama no meio do quarto branco e azul. Os aparelhos ligados também pareciam muitos para uma pessoa que sairia logo de um leito.

Uma criança, na minha Convenção tem até os seis anos para obter “a febre”. Uma doença rara que decidi se o jovem vai ou não se tornar um adulto capacitado pela magia, para crescer. Por tanto, se chegasse aos sete anos, ele era saudável, bem, contra doenças simples.

Todavia, era difícil encarar uma senhora, não tão velha, doente a ponto de respirar dolorosamente a cada lufada de ar. A garota na sua frente, tinha os olhos atentos a cada movimento que eu dava a aproximar-me. Sorrir lhe reconhecendo assim que vi aqueles cabelos loiros.

— Olá Caroline Forbes. — A cumprimentei baixinho, para não acordar a adoentada.

— Tenha cuidado, bruxa. — O aviso era firme, e muito sério, eu podia ver em seus olhos claros, que ela quebraria meu pescoço sem pensar duas vezes, se eu viesse a machucar a mulher.

Sabia pelos olhos fundos da loira, que sua mãe, e eu tinha uma curiosidade anormal para perguntar como aquilo era possível, que ela a amava.

Assentir com a cabeça, e me coloquei do outro lado seu. Eu não precisava ser médica para saber que a mulher exalava a morte. Além de branca cadavérica, sua pele mal possuía calor. A mulher estava mesmo mal.

— Tenho que tocá-la. — Avisei levantando minha mão. Eu não tinha muito tempo, então não encarei ninguém para saber se podia ou não fazer aquilo.

Julguei por si só, que Malachai havia contato até mesmo a vampira o que eu queria. Bem, nas palavras dele eu poderia ajudar, mas no fundo do meu coração, eu não sabia se realmente podia.

Toquei a testa gelada da xerife, sentindo um formigar estranho quando canalizei minha magia no seu corpo. Fechei meus olhos, e lá dentro da sua mente, eu ainda podia sentir que ela lutava, aquilo era um começo. Sua anima estava viva, mas seu corpo... não dava para ser remendado.

Retirei minha mão da sua pele, abanando ela no ar sentindo ainda uma certa ardência na mão.

— Pode ajudá-la? — Caroline perguntou de modo urgente.

— Não seu corpo. — Respondi fazendo um aceno para saímos dali. Enquanto saímos, notei que o tempo todo o moreno Gemini estava no batente da porta observando, como se eu fosse uma atriz no meio de um palco. Ao meu ver, ele estava aprendendo mais sobre meu coven, do que eu gostaria. Mas novamente, aquilo não parecia ser o problema. — Tem uma forma de salvar sua mãe. — Contei, girando meus calcanhares quando sentir a parede próxima. Os vampiros ficaram na minha frente esperando mais informações. — Não vai ser fácil, mas é rápido.

— Do que precisa? — Caroline questionou pronta para tudo. Eu apareci com a solução perfeita, sendo ela qual fosse.

Mas... Encarei Stefan, enquanto colocava minhas mãos nas costas, para deixar meu corpo relaxar na parede.

— O que você quer em troca? — Stefan era rápido, sabia que aquela era a pergunta certa o tempo todo.

Eu me sentia mal, não podia evitar, por ter que fazer aquilo, trocar uma vida por um capricho dos meus líderes. Mas, aquela era minha família, e eu participava agora, efetivamente dos seus planos. Suas vitórias, eram minhas vitórias.

— Serei sucinta. — Avisei tomando fôlego. — Sabemos que os corpos de dois bruxos estão em Mystic Falls, mas não sabemos aonde. Bruxos poderosos, e muito antigos. — Caroline e Stefan se encararam, girando as cabeças para quase se comunicarem por olhares intensos. Levantei a sobrancelha, quando continuei. — Não direi o nome... — Aparentemente minha boca estava um passo á frente do meu cérebro. — Mas vocês me dirão. — Acho que entendi, quando parei de falar, que aquilo me pouparia tempo. Se eles dissessem o que eu queria ouvir, antes de eu falar, não teriam tempo para planejar mentiras. Acho que Stefan tinha que tomar a decisão pelo modo que Caroline o encarava como um ídolo, por isso continuei lhe dando outra pista. — Não se preocupe não estou atrás de você, Duplicata.

Ele apertou as mãos na lateral do corpo, encarando-me, como se pudesse ler minha mente, ou meu coração. Sua decisão estava sendo tomada pela forma como sua testa se franzia em linhas tensas e cruas.

— Você quer Qetsiyah e Silas?! — Não era de verdade uma pergunta, mas soando como uma, eu assentir com a cabeça. — Deve saber que eles estão mortos...

— Ela quer os ossos, para os consagrar. — Quem disse foi Kai, parecendo mais inteligente do que revelava. Encarei seus olhos escuros, que para minha surpresa estavam sérios. — Uma magia muito antiga e muito... Diferente. — Ele parecia impressionado.

— É isso que precisa para salvar minha mãe? — Caroline não estava convicta das consequências, e notei porque quando a encarei. Ela sabia aonde onde os bruxos antigos, os primeiros imortais da história estavam.

Retesei minha coluna na parede, controlando-me a ficar parada e ereta, mas o anseio de me lançar contra ela, segurar seus ombros e perguntar aonde eles estavam, era forte.

— Tecnicamente... — Umidifiquei meus lábios com a ponta da língua, enquanto engolia em seco. — Isso seria um pagamento pelo trabalho dos meus bruxos. — Sentir um comichão no meu umbigo, que não dei importância. — Mas o que eu preciso mesmo para salvar sua mãe... — Parei dramaticamente enquanto os encarava. — É um corpo. Inutilizado de preferência.

— Quer que matamos alguém...

— Deixe-me explicar melhor. — Prosseguir enquanto interrompia a vampira. — O corpo da sua mãe, já não está mais saudável. — Revirei os olhos a min mesma. — O que é claro, já que esse é o problema. — Sorrir inteligentemente. — Mas sua anima, sua alma e seu espirito estão perfeitos para uma transfusão de corpos. A anima da sua mãe, está quase... — Pensei em palavras direta para explicar-me, mas elas não vieram. — Flutuando entre o limbo e o físico. — Abrir minhas mãos gesticulando. — Eu poderia, com magia é claro, fazer uma passagem da alma da sua mãe, e a colocar em um corpo inutilizado.

— Como Katherine fez com Elena. — Sussurrou Stefan para a vampira. E depois se voltou para encarar-me. — Mas isso é perigoso, os Viajantes mal conseguiram...

— Ei, ei, ei. — Levantei as mãos pedindo para ele parar de falar. — Ninguém tá falando aqui daquele feitiço amaldiçoado dos Viajantes! — Exclamei convicta que eles sabiam mais de magia, do que deixavam transparecer. — Estou falando de colocar sua mãe em outro corpo, oficialmente.

— Mas, o que quer dizer inutilizado? — Perguntou Caroline cruzando os braços.

— Vocês estão em um hospital, deve ter alguém em coma, não acham?! — Tentei lembrá-los de modo abstraído, porque novamente aquela pontada no meu umbigo me angustiou. Todavia, agora, não era apenas uma dorzinha, era um puxão quase mágico. — Olhem, eu preciso ir. — Coloquei a mão na minha testa. — Se quiserem fazer o acordo, levem os restos mortais de Silas e Qetsiyah até a mansão Whitmore que eu estou hospedada. Junto com o corpo inutilizado para meus bruxos começarem os preparativos no novo hospedeiro. — Me desloquei para o lado, encarando o elevador por um momento. Eu não queria lhe dar mais explicações, porque sentia certa urgência em meu ser — E com um litro do sangue da sua mãe. — Continuei a encarar-lhes, a dor ao redor do meu umbigo tinha ido embora, mas a vontade de sair dali não. — E se não acharem um corpo sem uma alma dentro, bem, acho que posso trabalhar com isso... — Encarei o teto colocando um dedo nos lábios, algo estava errado. — Mas vocês decidem... — Dei um passo em direção ao elevador, quando notei que o bruxo Gemini não estava me seguindo. Girei meu pescoço, o encarando, o vendo com um olhar vago e longe. — Malachai, você não vem?

Ele pareceu acordar, e sorriu de lado, quando ficou do meu lado, oferecendo-me seu braço como um cavalheiro. Segurei a vontade de fingir uma risada, e o segurei como um apoio.... Inferno, o que estava acontecendo?!

Finalmente no interior do elevador eu encarei meu reflexo no espelho que cobria as duas paredes do espaço pequeno, ao meu lado, por um segundo era eu, olhos azuis, cabelo loiro, e depois por um segundo Elijah sem expressão.

— Sabe, estou começando a ficar impressionado com o nível de magia que você pensa em manipular... — A voz do bruxo ficou longe, quando eu levantei a mão para tocar o meu rosto.

Novamente a imagem sumiu e eu era eu, só que em vez de roupa moderna, usava um vestido branco, que mais parecia um lençol transparente que tapava até mesmo meu rosto. E tinha um olhar tão vago como uma estátua.

Assim que o elevador se abriu, falei para Malachai com urgência.

— Dimitri, agora. — Ele não demorou a entender pelo modo que seus olhos ficaram maiores, quando minhas pernas pareceram falhar em um passo que eu procurei dar em direção ao estacionamento vazio. Na verdade foi mais pelo meu peso em seu corpo, que ele pareceu entender que algo estava errado.

Acho que era ali que se via o caráter de alguém, pensei por um segundo com medo dele fazer-me algum tipo de mal, como roubar minha magia e sumir com o meu corpo.

Mas ao invés disse, ele segurou em minha cintura, e ajudou-me quase carregando todo meu peso, a chegar até algum dos carros da família.

Aquele puxão ao redor do meu umbigo se tornou algo tão forte que sufoquei na falta de fôlego. Me encurvei sobre min mesma parando de andar completamente.

— O que você fez com ela? — A voz era de Dimitri, e os passos era de alguns bruxos que viam em nossa direção.

Fiquei aliviada por um lado.

— Não foi ele. — Conseguir dizer sentindo minha boca seca.

Fiquei de pé com muita dificuldade ouvindo a voz de Elijah soar quase tão perto, que eu quase podia ver seu rosto.

“....Uma imagem do meu passado, eu era jovem. Era a porta para um matadouro. As vezes ela aparece para min em flashes...”

Olhei ao redor, mas não vir nada, então o puxão agora tocava meu coração, meu corpo todo. Eu encarei Dimitri com os olhos assustados, e sentir meus olhos rolarem na órbita antes de deixar-me cair.

Mas eu não tinha peso, não tinha corpo, porque não era físico. Eu fui puxada por ondas negras de escuridão, um lobo uivou.

E eu sentir-me cair agora de modo tranquilo. Minhas costas estavam em algo amplo e uma névoa cinza cobria tudo, fazendo a escuridão ir embora. Toquei minha garganta e meu rosto, não havia mais dor, nem queda livre, era só eu ficando confortável como se de repente tudo tivesse voltado ao normal. Me sentei apertando meus olhos, tentando ver além da névoa que abaixava gradativamente rápido, mostrando o que parecia ser uma casa pequena.

Uma luz bruxuleante começou a fazer o local aparecer. O teto era de madeira, e havia um frio quase invernal a toca-me além da minha camisa fina. Me abracei ficando de pé, encarando o que seria um tapete feito a mão aos meus pés. Sentir um suspiro cansado no pé do meu ouvido, e girei meu corpo assustada, vendo Klaus com olhos fechados por um segundo, quando ele abriu também tomou uma longa golfada de ar, como se precisasse respirar.

— Nik? — Chamei o fazendo encarar-me. Ele parecia aturdido, e não tinha palavras para demostrar também surpresa.

— Anabella? Niklaus? — A voz agora era outra, e tão familiar e conhecida que não precisava encará-lo para saber de quem era.

Mesmo assim eu fiz, junto com o híbrido, nos viramos ao mesmo tempo, vendo Elijah, com um dos seus ternos impecáveis, sair de uma pilastra de madeira, a casa tão pequena era tão rustica que tinha quase cheiro... De pinho e ervas.

Alguém mais estava ali, saindo do outro lado da escuridão, que a medida que a lenha na lareira pequena e antiga queimava a madeira, iluminava mais a casa.

Sentir Elijah caminhando até nós, sua mão no meu ombro era uma pergunta muda, enquanto eu encarava seus olhos saudosamente. Balancei a cabeça afirmando que sim, eu estava bem.

— Vocês três? — Perguntou agora para a surpresa de todos, Kol, aparecendo também confuso.

Notei atrás dele, as frestas da parede sendo iluminadas, como se tivesse amanhecendo.

— Que inferno é isso? — Perguntou Klaus finalmente encontrando sua voz, irritada.

Não fui a única a olhar para os lados. Nós parecíamos ter uma luz própria, o que soava quase fantasmagórico, e mesmo nossas vozes tinha um eco inconfundível de largueza. Éramos espíritos.

— É um chambre de chasse. — Respondeu Kol mais convicto do que eu.

— Quarto de caça. — Traduzi quase automaticamente aquele francês totalmente barroco. Quase inconscientemente eu estava mais encolhida entre o peito e o braço que dava a volta na minha cintura, de Elijah.

Não estávamos nos falando a quase um dia, mas a situação parecia de fato perigosa para voltarmos ao nosso drama. Sentir a maciez da sua gravata tocar minha bochecha quando deitei um pouco em seu peito.

— Exato. — Continuou Kol encarando o que seria a cabeça de um cervo com grandes chifres, empalhado. — É onde bruxos trazem suas presas para prática mental de alvo. Nossos corpos estão no mundo real, e nossas mentes estão aqui, representadas por essas cabeças de animais.

E realmente era verdade, havia também uma raposa com pelagem ruiva, um lobo, e um javali. Preparei-me para perguntar aonde eu estrava, quando vi perto da porta soprada pelo vento que entrava na fresta do chão. Uma Sacerdotisa de madeira, embalada por um véu branco. Quase imaculado demais.

Me soltei de Elijah, e caminhei quase encantada para minha representação. Enquanto Klaus falava.

— Deixe-me adivinhar quem é o autor desse pesadelo. — Sua voz estava gélida e afiada, como mil agulhas. — Finn, apareça!

Acho que só me toquei o quanto estava perto da porta, quando ela se abriu fazendo eu ir para trás. Finn, ou Vincent, melhor dizendo, saiu da porta com sua pomba de super poder. Na verdade, ele exalava muito poder.

Klaus me ultrapassou tão rápido, mas tão lentamente, com a mão esticada na altura do pescoço do bruxo, que eu não fui a única que soltou um palavra agourenta.

— Guarde suas forças. — Aconselhou o bruxo negro sorrindo, e indo até o meio da sala ficando no meio de nós. — Aqui eu sou intocável. — Ele abriu os braços orgulhosamente, sorrindo de modo exibido. Sentir certa raiva se apoderar do meu corpo, e mesmo enquanto ele falava, eu tentava usar alguma magia, absolutamente nada vinha do meu âmago. Eu era inútil, mas não era a única. — Minha mágica, minhas regras. — Continuou o bruxo. Ele encarou-me parecendo finalmente se dar ao trabalho de dirigir-se a min. — E você querida, me pegou desprevenido da última vez, mas não mais, então não use nenhum truque aqui. — Ele colocou uma mão no bolso e sorriu para Niklaus. — Então...Fiquem a vontade!

Ele passou por nos e se sentou na cadeira alta, na frente do Javali, de modo relaxado e divertido. Como se estivesse adorando nos ter naquela jaula.

— Você deixou ele escapar? — Perguntei com raiva para Niklaus, me aproximando dele.

— Você está fora dos assuntos e da cidade, perdeu algumas coisas. — Disse por fim o híbrido. Tão tenso quanto todos.

Encarei Elijah, quase propensa a pedi desculpas, mas ele apenas acenou a cabeça uma única vez, como se dispensasse. Quase podia ler em seus olhos “Estamos com problemas maiores agora”.

— Ao menos essa prisão, é mais confortável que a caixa, aonde vocês, meus irmãos, prenderam-me por 900 anos. — Disse Finn voltando a falar, como se lembra-se de um ponto que os irmãos não tivessem discutidos.

Encarei Kol, tentando ler seu rosto, e ele também não parecia ter ideia do que fazer para quebrar aquele feitiço.

— As cabeças. — Klaus apontava para o lobo. Sua voz já voltava a ser cínica. Bufei e revirei os olhos, sabendo que aquela tensão estava oficialmente não ajudando em nada. Ele levantou o dedo. — Eu sou o grande lobo mal... — Ele riu roucamente como se sua representação fosse patética, por ser tão óbvia. — Kol a raposa astuta. — Ele apontou para a raposa que por coincidência estava em cima da onde Kol se encostava. — Elijah o nobre cervo.... E você, muito apropriadamente, é o javali.

— E Anabella, a sacerdotisa. — Concluiu Elijah, fazendo os irmãos notarem pela primeira vez o totem de madeira coberto com um lençol branco.

Ignorei a conversa e fui sentar-me na cadeira embaixo do cervo que representava Elijah. Eu precisava pensar calmamente.

— Mas para quê tudo isso? — Perguntou Klaus abrindo os braços abertos, a medida que sorria mais amplamente sádico. — Pera aí... — O híbrido ficou a um palmo do bruxo negro. — Não me diga que é por causa da mamãe? — Ele riu encarando-nos por um segundo, como se quisesse que nos juntássemos a sádica ideia de tirar sarro de quem tinha as melhores cartas na mão. Ninguém fez nenhum movimento. — Não a fiz beber sangue e trair o que preza. — Continuou ele encarando tecnicamente o mais velho deles. — Foi escolha absoluta, dela!

— Isso não é sobre a mãe! Isso é sobre você! — Exclamou Finn mais do que irritado. — Quero que sabia como é se sentir impotente. Então irei tirar o que mais importa para você. — Klaus deixou sua cabeça pender para o lado, não ousando encarar eu e Elijah que sabia do seu segredo. — A cidade que você ama tanto. — Concluiu por si só, me fazendo suspirar de alivio, e Klaus deixar de apertar as mãos em punhos.

— A conversa acabou. — Declarou Elijah politicamente e seriamente, não dando brechas para ele continuar com aquela ladainha de rejeitado. — Você vai nos libertar, agora.

Ao meu ver, Finn no corpo de Vincent tinha tudo que sempre quis. Poder, uma vida não amaldiçoada de vampiro, e mesmo assim, parecia querer atenção dos irmãos, se fazer ouvir. O que soava tristemente, patético.

— Eu vou. — Garantiu o bruxo encarando meu marido. — Depois do pôr do sol. Porque aí, quando os manifestantes da passeata estiverem nas ruas, meu feitiço de barreira ao redor do casarão, irá cair. Marcel e seus vampiros famintos serão libertados para fazer uma matança no Quartel. — Sentir meu queixo cair. Eu estava oficialmente caindo de paraquedas na situação, deveras, perigosa. — Imagino que agora com os bruxos do coven da sua esposa... — Finn parecia deliciado ao se voltar para encarar-me. — Fora para fazer “seja lá o que for”, as atrocidades acometidas pelos vampiros, os faram serem forçados a deixar New Orleans.

— Olhe, não me importo nada com a cidade! — Quem falou com força foi Kol, fazendo-se aparecer um quase lunático. — Eu só me importo que meu corpo humano está caído aos pés de vampiros famintos. Sua luta é com eles não comigo!

— Tudo com o que você se importa, é sua mortalidade frágil.... — Finn demostrava completo antipatia pelo modo covarde de Kol, estranhamente, eu, Klaus e Elijah, estávamos com ele nessa. — Mas e se eu torná-lo, vulnerável? — O único bruxo que devia ter poder ali, demostrou aquilo com um mover de mão em direção a Kol que se empertigou levantando a cabeça. Seu nariz começou a sangrar como se ele tivesse levado um soco.

Me movimentei desconfortavelmente no meu lugar. Ótimo, pensei o que todos deveriam está pensando. Finn realmente tinha o poder.

— Okay... — Kol falou estancando seu nariz que verdadeiramente sangrava. Mesmo espíritos podíamos sangrar? A constatação não era agradável. — Ninguém gosta mais de uma piada do que eu aqui, mas se devolver-me ao meu corpo...

— Devo confessar, eu gosto de ver você nervoso assim. — Disse Elijah, e demorei alguns segundos para notar que ele falava com Kol, quando tirou um dos seus muito lenços do bolso interno do seu terno, para lançá-lo ao irmão caçula, que pegou no ar, e colocou no nariz. — Diferente de como deixou a Rebekah á própria sorte.

— Isso! O que você fez com a Rebekah? — Perguntou Finn adorando todos prestarem atenção a conversa. Como se em toda sua vida sendo o excluído, ele gostasse da atenção, mesmo ela sendo claramente forçada.

Levantei a cabeça, vendo Elijah agora, atrás da cadeira aonde eu estava para perguntar o que havia acontecido com Rebekah, mas ele não olhava-me.

— Por Deus, ela me traiu! Eu só me vinguei. — Se justificou Kol, como se fosse óbvio. — Se me devolver meu corpo, direi o que precisam saber.

— Que idiotice, você é um bruxo mas pensa como um vampiro! — Foi minha vez de falar algo que poderia nos dar mais tempo. Finn levantou a sobrancelha como se pedisse sem palavras para eu continuar. — Pelo visto Rebekah está sumida e a única coisa que está entre seu paradeiro, é Kol, só eu vejo o quanto sua mente é pequena aqui? — Vir de perfil Elijah parecer confuso, mas do outro lado, Klaus por outro lado, pareceu entender-me perfeitamente bem, pelo elevo de seus lábios contidos no sorriso distorcido.

— Tem razão. — Finn abriu sua mão, e Kol sumiu como em um borrão holográfico levado pelo vento. — Parece que sua nova Tatia, irmão, é bem mais inteligente do que parece. — Elogiou o bruxo negro, sorrindo enquanto se virava para voltar a se sentar no seu banco.

Encarei Klaus e depois Elijah, enquanto suspirava por um nano segundo, feliz de poder ajudar. Se Finn retirasse qualquer informação sobre o paradeiro de Rebekah, de Kol, duvidava muito que ele compartilhasse as boas novas, depois.

Finn novamente falou, e agora eu não estava afim mesmo de participar do debate sobre pais. Levantei a cabeça, sentindo o encosto desconfortável barrar meu pescoço. O cervo estava ali, como o javali, a raposa e o lobo. Mas cadê a coruja?

Quando eu era criança, como bruxa, eu sabia que meu espirito animal era uma coruja. Um animal noturno com uma visão aprimorada. Nunca captei a ideia de fato, mas agora, vendo todos aqueles animais ali, me perguntei porque eu era representada por uma sacerdotisa...

— Porque ele não quis me trazer aqui. — Sussurrei respondendo minha pergunta mental, quando fiquei de pé indo até o totem coberto com um lençol branco. Ignorando o olhar deles, eu puxei o lençol, mas não havia nada embaixo se não outro lençol. — É uma magia muito... — Girei meus pés no mesmo espaço, e encarei Finn com um sorriso. — Delicada, a mágica representacional, não é? — Encarei Elijah que sentou na cadeira, onde segundos eu estava, e tudo parecia ter feito sentido quando vir o cervo á cima dele, por coincidência ou não Klaus estava também nas sua cadeira, sendo visto não muito bem, por um lobo. Passei a mão em meus cabelos. — Principalmente quando havia eu como empecilho. — Sentir a aliança crua tocar na minha orelha. E soube que Elijah tinha captado aquele movimento pelo modo que encarou sua própria aliança. — Ele não me trouxe porque quis... — Comuniquei apenas Elijah. — Mas porque estamos ligados, por um objeto magico. — Toquei meu pescoço, sabendo que não gostaria de fazer aquilo, ou falar. — A magica representacional exigi um alto gral de precisão. — Desviei os olhos de Elijah, para o cervo, o fazendo entender rápido demais o preço que teríamos que pagar para sair daquele feitiço.

— Se representar errado, o encantamento sobre nossas mentes seria quebrado. — Concluiu Elijah se levantando. — Certo? — Perguntou ele encarando Finn.

— Garanto que não representei nada errado. — Disse o bruxo convicto.

— Isso dependente do quanto o caçador conhece a presa. — Elijah encarou as próprias mãos, como se de repente ele não as reconhecesse. Quando se virou olhou diretamente para o cervo. — Essa ilusão que eu criei aos longos dos anos, de nobre cervo.... — Ele parou parecendo sofrer pelas palavras não ditas ainda. Fechei minhas mãos em punhos, cruzando meus braços e estremecendo a mera lembrança dos corpos mutilados do vampiro há dias atrás em um restaurante a beira da estrada. — Isso é uma mentira, que eu criei de min mesmo. — Elijah tinha agora a voz quase rouca, e mesmo não querendo me aproximar dele, eu sentir uma urgência incontrolável de garantir que estava tudo bem. — Você citou antes que Bella era outra Tatia... — Elijah se voltou para Klaus. — A primeira mulher que amamos, não é irmão? — Ele deu outro passo em direção ao loiro que mal se movia na sua cadeira, seu rosto parecia ser uma máscara de dor. — Bem, eu espero que não, porque fui eu quem matei Tatia. — O rosnado do lobo me fez quase pular em direção a Elijah, para fazer-me de escudo. Mas eu não conseguia nem mover-me, de tal surpresa que era a revelação do meu marido. — Eu a cacei... E sem piedade me alimentei de sua carne. — Não havia súplicas na voz dele, apenas arrependimento. — Eu a arranquei de nós. — Ele deixou seu corpo cair aos pés de Niklaus, como se esperasse uma sentença. — Irmão, tenho certeza de que se você soubesse antes, você nunca iria me perdoar e pior! Tiraria ela de min. — Elijah foi incrivelmente prático a olhar para min, como se eu fosse realmente alguma divindade. A sala tremeu como se estivesse saindo de foco, mas não nos movíamos. Ele voltou a encarar o híbrido. Com certo apelo nos olhos transbordando de lágrimas.

Só por causa daquilo, faria Finn pagar futuramente, eu prometi silenciosamente sentindo minha garganta se fechar naquela angustia. Quanto tempo estávamos ali? Eu não sabia, mas não queria continuar. Estávamos expostos.

— O ato pode ser condenável, mas você admiti-lo, prova que você é o homem que achei que fosse. — Declarou Finn. — Minha magia permanece.

— Permanece? — Perguntei roucamente, indo até Niklaus, pousei minha mão em seu ombro com força como se pudesse com só aquele toque, transmitir o que esperava dele.

— Acontece que meu irmão... — Klaus encarava Elijah totalmente sem emoções. — É ainda mais vil do que eu. — A mão do híbrido tocou a minha por um segundo, de modo quase suave, e eu a retirei para ele se levantar. Estávamos trabalhando em equipe, como eu nunca nos vir. — Elijah não é mais o nobre cervo. Mas sim um diferente monstro. Como Anabella também viu... — Klaus se voltou para Finn. — Você também falhou em sua representação sobre min! — O loiro estava bem em cima do bruxo negro, enquanto eu dava a volta naquele circulo de cadeiras, para ficar atrás de Elijah. — Você, Finn, nunca viu que eu sou bem capaz de... — O loiro parou dramaticamente, para colocar de modo consolador a mão no ombro de Elijah que já respirava com dificuldades. — Perdoar. — Garantiu por fim Klaus, fazendo o irmão se colocar de pé entre ele e eu.

A sala tremeu, e eu segurei com força a mão do meu esposo.

— Finn, você, permaneceu um javali durante séculos, mas aqui é onde se encontra a sua verdadeira culpa. — Enquanto Klaus falava com seu pior olhar, quase mortífero em direção ao bruxo. Eu sentia cada vez mais aquela sensação que havia me trazido até ali. Aquele repuxar na ponta do estômago. A sala novamente tremeu, e a magia que suportava todos os animais, parecia derreter, como a o fogo na lareira que perdia luz gradativamente. — Você nunca aprendeu que os laços de família superam qualquer coisa! Tais laços, vencem ciúmes mesquinhos, rixas antigas, e, sim! Eles são capazes de permitir um monstro, perdoar os grandes pecados de outro. — Klaus segurou a outra mão de Elijah, enquanto se voltava para ele, e juntos ficamos no meio da sala, vendo o cervo, o lobo e a sacerdotisa pegarem fogo.

— Como isso é possível? — Perguntou Finn surpreso, se pondo de pé.

— Sua magia é tão falha quanto você. — Respondi sua pergunta, sentindo as sombras nos rodear novamente. Encarei Elijah, segurando seu rosto em minhas mãos. — Eu logo voltarei para você, eu prometo...

Antes de eu terminar, sentir seus lábios na ponta dos meus dedos, e aproveitar o momento, eu voltei a cair, girando em aspirais nebulosas e sombrias.

Quando me coloquei de pé estava sentada na sala de Whitmore, recuperando o fôlego vendo os bruxos ao meu redor.

— Isso foi massa! Vocês sempre são tão animados assim? — Perguntou Kai simplesmente, na poltrona mais próxima, como se fosse uma criança que tinha acabado de ver o melhor desenho do mundo e adorado o final do episódio.

Ignorei os olhares aliviados de Isís, Dimitri e Jeofrey, que vi primeiro, e ri sem conter-me, enquanto jogava meus cabelos para trás, e deitava novamente.

Notas finais
EU escrevi metade desse capítulo no começo dessa semana, então, a outra metade foi no Pronto Socorro, espero que tenham entendio! Porque assistir uma série por um celular é fogo. PS: Indicação de leitura! Porque eu amo ajudar novos escritores xD Uma mistura de TVD com deuses romanos! Super recomendo algo que pode ser grande. https://fanfiction.com.br/historia/647756/Blindspot/