Notas iniciais
Bem, eu sei que demorei, mas não falarei sobre isso. Agradeço de coração pelo apoio dos capítulos anteriores, sei que a história ainda está meio "parada" mas ao meu ver, está em uma reta que fará todo sentido depois. Enfim, boa leitura!

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— Eu sinto muito. — Disse sentindo o telefone pressionado no meu ouvido, enquanto eu estava sentada embaixo da árvore do jardim. — Sabia que escondia algo, mas não sabia que era... — Dei uma pausa mordendo os lábios. — Aquilo.

Finn tirou um peso sobre meus ombros, não sinta muito. — Aconselhou Elijah parecendo, mesmo do outro lado do estado, um homem que não se apegava ao passado. Ele estava querendo passar confiança, mas eu não acreditava totalmente. — Eu precisava contar aquilo, principalmente a Niklaus.

— Achou mesmo que ele me tiraria de você, se por acaso sentisse... — Não conseguia terminar porque imaginar que meu marido tinha ciúmes do irmão, me deixava constrangida.

— Klaus é completamente irracional, ao ser racional. — Filosofou Elijah soltando um suspiro. — Quando se sente roubado, acha que deve buscar o troco, a todo custo.

Não gostei da sua analise empática do seu próprio irmão, mas não comentei.

— Seria indecente admitir que eu tinha uma queda por ele antes? — Perguntei sorrindo, naquela clara brincadeira que fez o riso baixinho do meu querido esposo, soar do outro lado da linha. E o clima amenizar.— Ei! Não fale isso para ele tá? — Pedi quase docemente. Como se ele fosse meu melhor amigo, e eu tivesse lhe contado um segredo. — Odiaria que seu ego crescesse mais.

— Não se preocupe, seu segredo está a salvo comigo. — Garantiu nobremente, fazendo-me sorrir quase encantada. Ficamos em silêncio por um momento até ele fazer uma pergunta que não tinha se dado ao trabalho de fazer antes. — Aonde está?

Puxei minhas pernas para cima, e retirei uma folha da minha coxa.

— Whitmore, na Virginia. — Contei quase preocupada. — Meu coven precisa de algo, e eu preciso mostrar meu valor. — Ainda ouvia sua respiração tranquila do outro lado, por isso continuava a falar.— Mas deixarei as coisas com Dimitri, e voltarei ao Kansas, para ficar com você e Hope.

— Bella... — Sua voz soou quase emocionada, e eu não podia não me sentir igual. Eu querendo ou não, buscava sua aprovação. — Eu adoraria que você visse ficar comigo, mas se for realmente necessário, eu não quero monopolizar você com os problemas da minha família, Deus sabe que são muitos, e não cessam. — Ele lamentou com pesar.

— Achei que eu fosse da sua família. — Comentei quase apaticamente.

A parte que ainda pode sair salva disso tudo. — Ele parecia realmente convicto de que o melhor, principalmente depois de sua confissão sobre Tatia, fosse eu não me aproximar.

— Cala a boca Elijah! — Mandei quase com raiva. — Sabe que eu não vou desisti do nosso casamento, você querendo ou não. — Garanti fortemente sem tomar fôlego. — Sobre Tatia, eu não sei se fico com ciúmes, ou simplesmente tento ignorar que você já amou alguém.

E que a matei... — Lembrou ele sombriamente.

— Sabe tem chocolate na cozinha, eu mesmo coloquei um sorvete no congelador. — Falei alegremente de supetão soando da muito cínica.

— O quê? — Perguntou ele confuso, não ligando os pontos.

— Se você vai ficar se lamentando, e bancando uma mulher de TPM, precisa se chocolate, querido. — Disse por fim terminando aquela piada da muito sem graça que o fez bufar. — Estarei com você provavelmente amanhã de tarde, depois de terminar um assunto aqui. Espero ter noticias de Rebekah até lá.

Eu também, lhe manterei informada...

— Anabella! — A voz de Charlie me fez virar o pescoço para olhar para as portas duplas que se abriam depois da cozinha.

— Tudo bem. — Falei ainda com Elijah, enquanto me colocava de pé. — Nos vemos em breve.

Ainda ouvindo seu respirar do outro lado da linha, foi eu que desliguei dessa vez. Era estranho, e meio constrangedor admitir que não terminávamos as ligações de modo decente para recém casados. O “eu te amo” nunca estava ali, o que fazia um peso enorme apertar meu coração.

Balancei a cabeça, e dei uma corridinha subindo os degraus da porta fundo para encarar Charlotte.

— Eles estão na porta. — Comunicou a loira com um olhar firme no meu rosto. — Tem certeza que está bem?

— Porque não estaria? — Retruquei irônica revirando os olhos, achando que minha posse altiva lhe daria a dica que eu não precisava da sua preocupação. Sentindo-me um pouco mal, pela sua careta, eu a deixei sozinha ali, e fui em direção a porta da frente.

Vendo os olhos em min, eu sabia que todos achavam que eu não deveria continuar com aquela negociação, todavia me importava menos com a opinião dos meus familiares, e mais com os meus instintos. Eu estava sendo prática agora, e iria mostrar a eles que eu não era fraca. Não que de fato eles achassem, mas, no fundo eu devia ser apenas um cargo politico que encobria uma aliança com vampiros em New Orleans, não fora.

Sem encarar ninguém cheguei ao lobby de entrada, e vi Dimitri de costas, encarando fixamente Stefan Salvatore e um homem moreno, de cabelo preto e lindos olhos azuis de pele branca.

— Stefan, como vai? — Perguntei docemente, como uma típica amiga, ou no máximo, aliada, que estivesse á sua espera.

— Trouxemos o que nos pediu. — Stefan levantou uma grande mala na altura do peito, com tanta facilidade, que demorou para eu associar suas palavras, ao nosso encontro anterior, com uma urna aonde um corpo, ou só ossos, deveriam estar.

Parei entre o vão da porta, á eles, e encarei o homem moreno que me deu um sorriso extraordinariamente, lascivo.

— Eu sou Damon Salvatore, e esse... — Ele levantou sua própria mala, e sorriu de lado, como um felino. — É Silas, ou o que restou.

— Jura? — Minha voz era um pouco enérgica demais, mas eu sabia que meu rosto sereno estava meio desapontado. Eu sabia que estava sendo muito influenciada por Elijah ou Klaus, para falar aquilo, e por um segundo me sentir mais velha. — Olhe... — Levantei as mãos, tendo noção dos meus bruxos atrás de min. — Eu lido muito com vampiros, e acho que eles são seres incríveis, mas sério... — Pensei em como chamá-los ao estreitar meus olhos. — Se estiverem mentindo, nosso começo de negociação acaba aqui. Então, espero que esses ossos, sejam mesmo de quem estamos a meses procurando, e não de alguém... — Suspirei fundo, dando um passo para trás, enquanto colocava minhas mãos na cintura. — Desnecessários.

Os irmãos, claramente, tentaram, de todas as formas não se encararem, não darem a entender que conversavam com os olhos. Damon tinha uma estatura perigosa, e de fato, parecia perigoso. Sua roupa preta na preta, banhada de couro, me fazia o imaginar perfeitamente bem em cima de uma moto como um badboy. Mas, ele não parecia me ver como tola, não agora, então julguei, que a ideia de passar a perna na minha família, não vinha dele.

— Ótimo, você nos pegou! — Exclamou o vampiro moreno dando uma risada sarcástica. — Que tal voltamos para Mystic Falls, e pegar os ossos certos dessa vez, em irmãozinho? — Enquanto falava ele dava um passo para trás, e segurava no braço do irmão.

Sentir a comoção poderosa dos meus bruxos nas minhas costas. E sabia que todos ouviam nossa conversa.

— Não. — Disse Stefan, se desvencilhando da mão do que seria seu irmão mais velho. Seu corpo era tenso, mas sua voz séria. — Eu não sei como descobriu sobre o corpo de Silas e Qetsiyah estarem em Mystic Falls, mas já tivemos problemas demais com eles, se pensa que eu vou dar-lhes uma chance de trazer-lhes de volta a vida...

— Então é esse seu problema, Stefan? — Cruzei os braços, deixando meu rosto relaxar um pouco na mascara. — Sabe, você deveria ter me perguntando antes se eu, ou minha família tem planos de trazer esses bruxos milenares de volta a vida, que provavelmente guardam mágoa de você, ou... — Encarei Damon, pendendo minha cabeça para o lado. — Vocês.

— Também conhecemos muitas bruxas. — Apontou o vampiro moreno, como se tivesse sido pego, e não se importasse nenhum pouco. — E sabemos que você, ou seus amigos não devem só querer os ossos...

— Não presuma nada, meu querido. — Avisei séria, o calando, e me voltei para Stefan. — Você tem ainda duas horas para a meia noite, e se caso não voltar com os ossos que estou pedindo... — Minha voz já era seca, e afiada, eu estava cansada de tentar ir pelo lado da politica, e algo me dizia, que os dois vampiros na minha frente, eram do tipo que desconfiavam da própria sombra. — Eu os encontrarei sozinha, mas... — Levantei meu dedo em riste. — Não ajudarei mais sua amiga, e tão pouco moverei um dedo, quando meus amigos... — Apontei para trás deles, e como um comando, bruxos apareceram do nada, fazendo um círculo atrás dos vampiros. Bruce, Axl, Jeofrey, e mais alguns, tinha uma faceta tão firme, e cruel, que não pareciam bons atores, mas, bruxos que sabiam como usar sua força. — Buscarem qualquer informação do modo mais bruto possível... — Os irmãos agora se encararem, não demostrando exatamente medo, mas tão pouco predileções para abaixarem a cabeça. — Me encarem como uma negociante que gosta de fazer tudo limpo, e seguro. Todavia, sou a minoria aqui, então peço, que revejam minha oferta de paz, por assim dizer. — Dei de ombros. — E retirem o melhor da minha oferta, ao salvarem uma amiga sua... — Fiz um aceno com o queixo, e os bruxos atrás dos irmãos abriram caminho. — Isso é tudo por hora.

Esperei eles se virarem, não antes de me lançarem um olhar sinistramente sobrenatural, e chegassem até o seu carro, para poder dar meia volta e voltar para dentro. Sabia que já havia dois bruxos em seu encalço, por isso não me preocupei de não dar mais qualquer tipo de ordem. Uma pontada na minha cabeça me fez fazer uma careta, quando entrei na biblioteca.

— ... Eu sinceramente prefiro o Twitter, sabia que você pode seguir seus artista favoritos? — Perguntava Kai laconicamente sentado no sofá do lado de Isís, e por um momento eles pareciam jovens apenas.

— Eu vim de uma cidade pequena, não sou burra... Ei não use essa foto! — Isís exclamou puxando com força seu próprio celular, que curiosamente, estava na mão do bruxo Gemini.

— O que estão fazendo? — Perguntei chamando atenção deles, enquanto fechava a porta, tentando ignorar as vozes que viam além do corredor.

— Kai, estava me mostrando como fazer uma conta em redes sociais, acho perda de tempo, mas... — Isís deu de ombro, enquanto eu sentava na poltrona na frente deles. Ela nem ao menos me encarou, mas tinha uma tonalidade avermelhada na sua pele, enquanto teclava no seu celular.

Malachai por outro lado, era a inocente em pessoa. Tinha seus olhos afiados, como uma criança precocemente cínica, e um sorriso matreiro que me fazia duvidar se quando me olhava, não mexia em algo. Sua juventude, era apenas um vislumbre rápido de algo maior, algo indecifrável.

— Você estava certo. — O cumprimentei com um aceno de cabeça, quando as palavras saíram naturalmente. — Os irmãos Salvatore, estão pesando suas possibilidades, e obviamente, só vieram aqui essa noite, para saber mais sobre meu coven.

Ele sorriu orgulhosamente, mesmo não sabendo que eu não precisava exatamente da sua intuição, ou seu espião em Mystic Falls, para deduzi aquilo, eu deixei ele levar o crédito. Era estranho, mas eu queria que Kai se sentisse inclinado a confiar em min. Simples assim, como puro instinto.

— É claro que eles fariam isso! — O bruxo balançou a cabeça, sorrindo abertamente, e jogou suas pernas na mesinha de frente, enquanto relaxava no sofá, como se fosse seu próprio. Ele se mantinha um pouco afastado de Isís, mesmo estando lado a lado, aquilo era meio intrigante, e me deixava mais inclinada para o trazer ao meu lado.

— Eu separei tudo que você me pediu, para o feitiço. — Isís falou agora, pegando da mesinha ao seu lado, o caderno de anotações de Jeofrey. — Não é muito fácil, mas acho que vai ser útil mudar algumas coisas...

— Eu confio em você, pode fazer as mudanças que achar melhor nos matérias. — Entoei em uma voz mecânica, enquanto ainda encarava Kai, como se ele fosse uma pintura abstrata que precisasse ser desvendada. — Me conte sobre sua própria Convenção. — Pedi educadamente, colocando meus braços, no meu colo, enquanto relaxava meu pescoço no encosto de trás.

— E porque eu faria isso? — Seu sorriso tinha se enfezado minimamente, demostrando claro desagrado.

— Porque quer ser nosso amigo. — Respondi o óbvio, tentando ser gentil. — E eu quero que você seja. — Deixei claro, e ficamos nos encarando em silencio, enquanto ele batucava seu celular no seu joelho, completamente sem ritmo. Parecia um tique de nervosismo.

— Eu sou o líder do meu Coven... — Ele parou dramaticamente, e mesmo no choque de Isís, ele é que não parecia muito convencido de tal cargo. — Gemini... — Ele revirou os olhos em descaso. — Sabe, quando eu era menino, esperei que ser um líder me faria ter um trono, mas agora, nem ao menos os vejo. Como se me importasse. — Kai sorriu agora, mas havia algo nos seus olhos, que não me passou despercebido.

Mágoa.

— Deixe-me adivinhar, você é mais temido, do que respeitado. — Sorrir em simpatia, mas não o deixei falar nada. — As vezes Malachai, precisamos abaixar um pouco nosso ego, para nos encaixarmos, mesmo na nossa família.

— Você sabe o que é ser um parasita na sua própria casa? — Ele perguntou em um mero grito que me arrepiou. Seu ódio pelo assunto me fez levantar as mãos, como quem se mostrava rendida.

— Desculpe por ter tocada em um ponto sensível. — Pedi, me curvando sobre meu corpo, para o encarar mais de perto. — Mas eu vejo potencial em você, mas, sinto e receio, que ainda não esteja pronto para nosso tipo de... — Dei uma pausa para soar mais dramática. — Laços familiares. Somos á cima de tudo leais a nossa família, e aos nossos tratados. Nossas alianças, entende? — Perguntei suavemente. — E antes de perguntar porque eu acho, que você, quer e deseja isso... — Fiz um aceno ao redor, incluindo quem não podia ser visto, ou seja, minha família. — Eu devo lhe perguntar, o que está, ainda, fazendo aqui?

O silencio se tornou pesado, e longo, e eu quase podia ouvir as engrenagens do cérebro de Malachai trabalhando. Quando por fim desistir de esperar sua resposta, voltei a me pôr de pé, e sair da sala, esperei alguns minutos no corredor, e não vendo Isís saindo, os deixei lá. Ótimo, eu não sabia o que estava sendo criado em minha própria mente a respeito de Malachai Parker, mas, sentia que tinha algo vindo, tão rápido como uma epifania.

Eu queria a lealdade dele, eu queria a lealdade da sua Convenção, mas, infelizmente, ainda não sabia porque. Sentia eu fome de poder? Ou havia algo mais? Algo que nem eu entendia. Citando The Godfather “Eram apenas negócios”. Bem, deveria ser.

Sentindo que eu não teria nenhuma liberdade ou privacidade, enquanto não me afastasse de Whitimore, me coloquei a espera de Stefan Salvatore, sentada no muro baixo da varanda de frente. Meus bruxos parecendo atendo a qualquer movimento, me seguiram até o lado de fora, ficando eles mesmo sentados longe, ou rondando o jardim de frente. Todos estavam cansados da incerteza, todos queriam acabar logo aquilo, deixar nossos anciões orgulhosos, colocar uma risca vermelha naquele item que todos tinham obrigação de cumprir.

Nosso poder, uma grande soma pelo menos, agora, era gerado, no solo sagrado de New Orleans, e precisava ser mantido, regado, constantemente. Enquanto eu pensava naquilo, me auto policiava, á não pensar em Elijah. Em suas carícias, em seu cheiro, no que ele representava á minha pessoa. Era dolorido amar alguém, e não o ver. Os Franceses, acreditavam que aquele tipo de amor desejoso, era quase a mesma coisa que ser atingido por um raio. Eu não duvidava de que eles estavam certos.

— Não gosto desse garoto, o Gemini. — A voz de Charlotte sussurrou até o meu ouvido, ela sem esforço nenhum sentou ao meu lado. — Ele é de dar medo, e sua curiosidade, soa perigosa.

— Nossa família, para as outras Convenções também são de dar medo, Charlie. — Resmunguei no mesmo tom dela, baixo, como se conversássemos segredos. — Não dispense tão rápido a possibilidade de aliança com a Gemini. — Ela riu baixinho, como se não acreditasse em minhas palavras, como se tivesse feito uma piada. — Esqueça... Por agora, apenas o deixe nos ajudar, e então, quando ele realmente ver que não somos como sua própria família, se juntará a nossa causa. — Percebi que as palavras tinham saído sem eu pensar nelas, como uma profecia ou algo mais. Estremeci sentindo uma vibração na base da minha coluna.

— Acho que estou com receio de perguntar que causa é essa. — Charlie ainda tinha um ar divertido, e falava como se não acreditasse em min.

Deveras, aquilo me frustrou.

— Sobrevivência. — Novamente, a palavra saiu da minha boca sem eu pensar, rápida como uma flecha, afiada como uma faca cortando queixo. — Agora me conte mais sobre suas preocupações com a regente Josephine LaRue? — Pedi fingindo entusiasmo, esperando que ela esquecesse tudo que eu tinha falado.

Não deu outra, Charlotte começou a contar seus próprios problemas com a região do Tremé. Ela estava incumbida de manter a paz com as bruxas daquele bairro, mas sua arrogância tinha-nos custados alguns ataques. Ela queria com força demostrar as bruxas, que seria nosso coven que mandava agora, e queria a ajuda dos vampiros, ou seja, ela queria usar-me para pedi aquilo a Elijah, e consequentemente a Marcel. Mas ao meu ver, aquilo geraria uma guerra, principalmente se as outras Convenções se sentisse inclinada a entrar na briga.

Novamente me sentir velha por aqueles pensamentos pragmáticos.

Ficamos conversando prós e contra durante algum tempo, e quando finalmente faltava cinco minutos para a meia noite, os vampiros retornaram, agora não sozinhos, e tão pouco não preparados para oferecem sua parte daquele trato.

Uma ambulância veio com eles, e Caroline Forbes, trazia sua mãe, junto com outra vampira. E a doutora irmã de Malachai Parker. Não me preocupei em pedi nomes, mas minha felicidade e alivio por ter acabado bem, foi indicio de que eu não gostava de violência. Pelo menos, Stefan notou aquilo.

Eu levantei-me rapidamente, e fiquei os esperando na varanda. A mulher adoentada foi a primeira a falar algo.

— Sou Liz Forbes, espero que isso acabe bem e logo. — Ela olhava com receio para os lados, e seu nervosismo latente, me fez fazer um sinal para os bruxos entrarem.

Sorri minimamente, mas de verdade, como se aquele gesto pudesse demostrar o quanto queria que ela estivesse certa, e de total, confortável com situação.

— Acredite senhora Forbes, eu também. — Acenei a cabeça, e encarei agora as malas que Stefan e Damon, atrás das mulheres, traziam. — Acho que não terei que explicar de novo como as coisas vão funcionar não é?

Ninguém respondeu como esperado. Jeofrey e Dimitri, que não saíram das minhas costas, se inclinaram para a frente, com as mãos levantadas, esperando os ossos verdadeiros de Silas e Qetsiyah.

Os irmãos se encararam por um momento, e ladearam um pela esquerda e outro pela direita, para nos dar nosso pagamento. Novamente tentei sentir algum peso na consciência, mas não veio nada, porque eu daria o que meu coven queria, e ajudaria os vampiros. Aquilo parecia um bom plano, mas um plano, pesado, como se eu não soubesse o que estava me custando, de verdade.

— Trouxeram o corpo? — Perguntei olhando a ambulância do outro lado da rua.

— Você verá. — Fora a irmã de Malachai quem respondeu, e fora ela que pareceu chocada quando entramos de ver o próprio irmão ali.

Não dei oportunidade para mais perguntas quando os levei mais para dentro, no salão de festas, e abrir as portas, enquanto os vampiros traziam o copo ainda vivo, que seria usado como hospedeiro.

Isís estava ali, terminando alguns pentagramas em uma das mesas, enquanto sua concentração estava inclinada na medicina do processa. Eu pedi educadamente que o corpo e Liz Forbes ficasse em cima das mesas, da direita a esquerda.

Isís sorriu acanhadamente, e encarou a senhora Forbes enquanto lhe dava as orientações necessárias. Dimitri voltou a sala, e mal conseguia fechar seu sorriso brilhante. Ele assentiu com a cabeça e voltou a sair. Sua palavras mesmo não ditas, estavam escritas naquele sorriso. Os testes deram certo, finalmente estávamos em posse do ossos de verdade de Silas e Qetsiyah.

— Eu preciso apenas que esteja de costas, nuas de preferencia. — Incumbiu minha jovem irmã. Sentir os vampiros afastados, e não gostei dos seus cochichos.

Os encarei friamente sorrindo, pensando o que faria se eles por algum momento tentasse feri minha família. Isís voltou a dar ordens, incluindo a doutora mais velha, e as duas outras vampiras, Caroline chamou por um momento a garota de cabelo castanho, seu nome era Elena, e ela demostrava tanto carinho pela mais velha, que podia serem irmãs.

Os preparativos haviam sido feito, Isís havia perfurada toda a coluna de Liz Forbes com exatidão e rapidez enquanto murmuravam encantamento, e usava ervas para uma cicatrização rápida. Eu as rodeava enquanto ouvia o mastigar alto de Kai se entupindo no que parecia ser bacon, acabei revirando os olhos em sua direção, enquanto ele perguntava com a boca cheia.

— O quê?

Voltei a encarar as mulheres, e vi o que seria o novo corpo de Liz Forbes. Era uma jovem mulher que tinha cabelos pretos, e não possuía marcas de idade, era claramente mais nova, como uma quase adolescente. Segurei minha curiosidade, mas Josette viu. E talvez tentando parecer sociável, explicou.

— Liane está em coma já faz onze anos, dez dos oito, os pais não quisessem desistir. Mas sua morte cerebral já é... — Josette não terminou nem precisava.

— Bem, podemos começar o processo de transferência. — Disse Isís alto, encarando-me fixamente.

— Então é isso? Vocês vão fazer uma magia, e minha mãe vai para esse corpo? — Perguntou Caroline soando apavorada.

— Definitivamente. — A lembrei.

— É, isso é importante, definitivamente... — Repetiu a vampira loira segurando a mão da mãe. — Ei mamãe, eu vejo você daqui a pouco tá?

Liz não respondeu, já parecia está no meio do limbo.

— Se afastem do círculo. — Pedi mostrando o circulo ao redor das mesas.

— Venha Care. — Chamou a vampira de cabelo castanho.

Olhei todos ali, vendo apenas algumas mulheres da minha família, elas tomaram seu lugar no pentagrama antes do circulo de sal, e esperaram minhas ordens.

— Vou ser clara agora. — Encarei Stefan e Damon, e suspirei fundo para falar aquilo que era preciso. — Eu vou fazer o que eu puder para manter minha palavra intacta, mas, se por um segundo eu achar que vocês não saíram daqui de forma amigável, ou mesmo que estão tramando algo contra qualquer bruxo aqui, as coisas vão... Ficar desagraveis para vocês, entendem?

— Eles entenderam. — Disse Axl do outro lado do salão, com mais alguns bruxos do seu lado.

Damon Salvatore fez uma careta, mas seu irmão assentiu com a cabeça.

— Ótimo. — Dei um passo para trás do círculo enquanto as garotas, e Charlie era uma delas, cortavam a palma da sua mão. — Comecem.

O sangue jorrou até seus pés, e logo circulavam até se encontrarem na estrela toda. Isís era o centro, e ela recebeu toda a força que fosse necessária daquela magia negra, para falar as palavras de poder. Aquilo deveria ser rápido, mas foi poderoso. A magia que ondulou pela sala, foi o suficiente para manter os vampiros paralisados, e talvez inclinados a irem embora quando terminássemos, sem violência era o que eu esperava.

— Porque não é você ali? — A voz de Kai não me sobressaiu de todo, mas me deixou atenta as palavras. Era óbvio que ele falava de Isís que praticamente brilhava ao ser banhada em magia.

— Porque preciso da minha magia o máximo possível. — Dei de ombros. — Vou embora daqui á algumas horas, e não tenho tempo para ficar e me recuperar.

— Oh, não me diga que seu marido sente saudades... — Começou a piada de modo infantil.

— Shii.... — Coloquei os dedos nos lábios pedindo que ele se calasse, mas sua risada me arrepiou sombriamente.

Todos esperamos, receosos e preocupados, e quando tudo acabou, corri até Isís antes que ela caísse. Ela tinha um sorriso cansado, mas orgulhoso.

Caroline Forbes estava do lado da mãe em segundos, ou do novo corpo da mãe. As costas, de Liane, que agora deveria ser Liz Forbes, estava salpicada de pontos, como o corpo que segundo o laudo da doutora Laughlin, se encontrava morto.

Como alguém imergindo de águas profundas, a garota reviveu para tomar ar, enquanto se sentava.

— Caroline, querida, deu certo! — Ela exclamou em exultação, enquanto olhava suas próprias mãos.

Os sorrisos da vampira loira, e de Elena foram idênticos, e foi a última coisa que eu pude ver do momento, quando meu celular tocou, o atendi rapidamente quando vir o visor brilhar indicando quem era.

Corri rapidamente para fora, enquanto abaixava o volume do celular, o máximo possível

Rebekah apareceu. — A voz de Niklaus do outro lado da linha, me fez suspirar em alívio, se algo acontecesse com a loira vampira Original, julgava me culpar. — Mas, Finn está sumido junto com os vampiros de Marcel.

— Isso é bom, e ruim... — Suspirei fundo, não esperando mais para dizer. — Iria encontrar Elijah no mais tardar hoje possível, mas posso voltar para New Orleans.

Seu suspiro foi alto, algo lhe preocupava.

Vá encontrar Elijah, eu ligo depois.

Ele desligou antes de eu terminar. Resmunguei um palavrão, e girei meus calcanhares para voltar para a casa. E travei meu corpo antes de me aproximar do vampiro loiro que estava na porta.

— Obrigada, parece que deu tudo certo. — Ele parecia sincero, então sorrir.

— Não foi realmente um sacrifício ajudar, sabe? — Dei de ombros, retirando um mexa do meu cabelo que o vento jogou para a frente.

Seus olhos ficaram fixados na minha mão, e notei porque, a aliança, ou talvez só a pedra de diamante fria, brilhava na luz que vinha de dentro.

— Jo disse que seu coven, tem o costume de fazer acordos políticos por meios de casamentos, e sem querer ofender, você parece alguém que gosta de seguir leis. — Disse ele curioso, mas suave.

— E eu sigo. — Assentir com a cabeça, e me aproximei, com vontade de entrar e terminar minhas malas. — Por isso me casei com um vampiro Original, para manter a paz com essa espécie.

— Vampiro Original? — Indagou Stefan um pouco surpreso, se não muito, pelos olhos maiores..

— Sim, Elijah Mikaelson, você o conhece? — Não era necessariamente uma pergunta pelo modo como ele deu alguns passos para trás, ele não só o conhecia, como parecia saber bem mais do que eu, sobre vampiros Originais.

Abrir minha boca para fazer mais perguntas, mas Caroline apareceu para me agradecer também, e para o chamar. Eles foram embora sem demora.

Voltei para o meu quarto, ouvindo aprovações no caminho todo. Mal as ouvir. Para minha surpresa, e interminável dia, quando abrir a porta do meu quarto, soube quem estava ali.

— O que eu tenho que fazer para ser amigo da sua Convenção? — A pergunta de Kai foi séria, e de certo modo, a pergunta que eu já esperava.

Sorrir cansada, e fechei a porta com um chute, quando pensei que ainda tinha tempo para aquela conversa, ou futura, aliança.

Notas finais
Caramba, quem já assistiu The Originals 3x01? Sério, a coisa tá estupenda!