Notas iniciais
Eu ando meio adoentada, então peço desculpas se soei meio melancólica nesse capítulo ;( Acho que uma garota tem seus momentos, não importa a idade, e sinceramente, não consigo ir tão fora do enredo da série nessa reta da fic. Então.... Boa leitura!

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O ar quente deixava meu corpo mole, como se eu precisasse me refrescar. E aquilo era constante. Enquanto dirigia sentia um filete de suor na minha nuca, então percebi que o ar-condicionado do carro de Elijah estava desligado, tão previsível já que vampiros mal se incomodavam em ligar qualquer coisa para ver, ouvir, ou mesmo se refrescar.

Abrir um sorriso mínimo enquanto o ligava, e acelerei um pouco naquela estrada deserta. Não queria perder tempo.

Encontrei o Toyota preto na beira de uma estrada, nivelada por árvores secas em ambos os lados, logo vi a loira, e seu rosto estava enrugado de preocupação, e por alguns segundos continuou assim, mesmo enquanto eu aproximava-me. Acho que está com um bebê, que não é seu, sem ajuda aparente, a deixou apavorada.

Buzinei tentando fazer ela relaxar, mas ela apenas deu um pulo enquanto apertava Hope mais em seu colo. Abrir a porta do motorista, saindo sem presa, quando estacionei atrás do carro que estava com o pneu baixo, provavelmente furado.

Cami relaxou tão rápido que seu suspiro alto, foi meio barulhento.

— Bom ver você também. — A cumprimentei com um sorriso, enquanto estendia os braços, quando me aproximei o suficiente, para segurar Hope que era tão corajosa, e com toda certeza devia se lembrar de min, para não chorar quando a beijei. — Oi meu docinho. — Afundei meu nariz em seu perfume puro em sua bochecha, doce e suave, como leite de rosas, combinado com o perfume natural de bebê.

— Você chegou faz tempo? — Perguntou Camille educadamente.

— Não faz nem duas horas. — Contei, olhando para as coisas em seu carro. — Vamos ter que colocar nesse carro, Elijah vem buscar esse depois.

— Tudo bem, sem problemas. — Cami falou prontamente, abrindo o porta malas para tirar algumas bolsas marrons. — Fico feliz que tenha voltado, de verdade.

— Hunn... — Mordi os lábios apreensiva, enquanto voltava para o carro de Elijah, com as perninhas de Hope na minha cintura, ela mordia um brinquedo rosa com gosto. A sentei no capô do carro, enquanto a segurava. — Espero que tenha ocorrido tudo bem? — Perguntei encarando a outra loira que ia e vinha com presa, de um carro para o outro.

Se era para temos essa conversa, era melhor á ter antes de voltarmos.

Cami riu antes de falar.

— Elijah é meio intenso quando a pessoa não é sua da família, não é? — Indagou, embora soasse mais com uma piada sarcástica.

— Eu diria que ele é um saco, um nojo, e egocêntrico pra caramba. — Dei de ombros melancolicamente, a fazendo rir. Sim, eu sabia como Elijah era quando não se preocupava em ganhar a confiança de alguém, ou mesmo desconfiava de uma pessoa. Não que ele desconfiasse da terapeuta, mas tão pouco confiava. — Acho que trabalhar com Klaus deve ser mais fácil. — Lancei as palavras um pouco defensiva, quando ela voltava, agora, com o bebê conforto.

Cami não respondeu de prontidão, apenas abriu a porta de trás para colocar a cadeirinha de segurança de Hope , que ainda estava mordendo seu brinquedo, enquanto eu a segurava.

— Elijah está melhor, mas acho que sua presença... — Ela hesitante, saiu de dentro do carro, e ficou do lado me encarando. — Sua presença é melhor do que minhas sessões com ele.

— Está dizendo que mesmo com Hope com vocês, ele não foi agradável? — Perguntei um pouco chocada.

Cami suspirou pesadamente.

— Elijah é difícil. — Ela disse, como se destacasse um diagnostico. Agora era eu que sentia-me melancólica. — Mas, vai sair dessa. — Seu sorriso não chegava aos seus olhos, mas eu não quis perguntar mais nada.

Assentir com a cabeça, enquanto lhe passava Hope, para Cami á-afivelar a criança na cadeirinha. Entrei no banco do motorista, e esperei. A outra loira logo entrou, e eu fiz um retorno aberta.

— Desculpe Anabella. — Pediu ela do nada, abrindo suas mãos como se quisesse se mostrar desarmada. — Apenas, foi tenso esses dias. — Seu olhar realmente demostrava cansaço.

— Tudo bem. — Garantir tentando sorrir. — Deve ser difícil mesmo ficar com uma criança, cuidar de uma criança, e um vampiro Original com problemas mentais. — A piada sem graça, não sutil o efeito desejado, em nenhuma de nós. Porque o clima só ficou mais chato. — Mas agradeço você, de verdade. — Lhe sorrir verdadeiramente agora, e ela retribuiu com um sorriso pequeno, mas verdadeiro. — Estou em divida com você. — Levantei uma mão antes que ela respondesse, ou negasse um favor futuro. — Apenas saiba disso.

Ela assentiu finalmente, e eu encarei pelo retrovisor Hope no banco de trás. Já estava tarde, e logo seria a hora dela tirar um cochilo, ou se alimentar.

Cami e eu não falamos mais nada, mas felizmente a tensão se fora, então o silêncio era confortável enfim. Uma batida suave soou, e eu encarei o rádio desligado por um segundo, para ter certeza que o barulho não vinha dali.

— Acho que é um celular... — Antes de Cami terminar, eu retirei meu próprio celular do bolso interno da minha jaqueta preta para olhar o visor.

— Fale. — Disse assim que atendi, colocando o celular entre minha orelha, e meu ombro.

Elijah não atende. — Diz a voz rouca e séria de Niklaus.

— O celular dele estava carregando...

— Isso não importa, apenas me diga que está com minha filha. — Klaus me cortou soando urgente.

— Sim, ela está aqui comigo. — Disse rápido, diminuindo a velocidade.

O suspiro de Klaus foi alto, como um bufar de puro alivio.

Preciso que saia daí, e leve Hope para longe, Finn sabe dela, e está á caminho. — Klaus parecia apresado, em seus próprios planos, como se se movimentasse enquanto falava.

— Mas Elijah! — Exclamei notando que os olhos confusos e preocupados de Cami estavam em min. Lhe sorrir minimamente, mas acho que pareceu mais com uma careta, porque ela ficou em estado claro de alerta. — Eu estou já fora da fazenda, mas ele não. — Sentir meu coração perder uma batida, e meu corpo tremer de medo.

Elijah sabe se cuidar, traga Hope para casa, me prometa Anabella! — Eu acho que pareci chocada pela forma que Klaus falava, implorativa, algo que nunca julguei ouvir em sua voz. — Me prometa!

— Eu prometo. — Garantir fortemente e ficamos em silencio por três segundo, desliguei celular enquanto sentia minhas mãos tremerem.

Eu tinha duas opções. Uma, pegar a estrada para interestadual, e fazer alguns desvios, para despistar qualquer espião de Finn, antes de chegar pela madrugada a New Orleans. Levar Hope a Klaus. E a segunda, a que eu faria, voltar para a fazenda, para ter certeza que Elijah estaria bem.

Pelo menos era um plano bom, aparentemente, um plano que deixou minha mente focada, e meu corpo coberto de adrenalina.

Acelerei o carro, fazendo o pneu cantar, e ignorei as perguntas de Camille.

A estrada até a fazenda era ladeada de cascalho, por isso tive que diminuir a velocidade do carro. Encarando tudo ao redor, eu sabia que estava tudo idêntico como a menos de uma hora, e anseie por ver Elijah, mesmo ao longe, aparecer na varanda. Mas do nada, o carro simplesmente parou.

— Inferno! — Praguejei baixinho, olhando o painel apagar, ou mesmo o ar-condicionado.

— Acho que a bateria deve ter morrido. — Disse Cami suavemente, não compreendendo o perigo que estávamos. Ou meu nível alterado de tensão.

Abrir a porta para checar, mas só tentei a abrir, como se ela tivesse sido chutada, ou mesmo meu corpo, vir-me sendo empurrada novamente, para dentro do carro. O nível de magia ali foi fantástico, e tão suave quanto puro. Olhei por sobre o ombro, e Hope ainda parecia ser uma linda bebê, mas tão certo quanto eu sabia qual era o meu nome, eu sabia que a magia vinha dela.

A explosão fez Cami guinchar, e eu mesmo tremer, e segurar um grito de pavor. Toda a adorável casa tinha ido aos ares, literalmente. As colunas de fogo me apavorou, mas não me fez ficar menos parada.

Como um passe de magica, o carro voltou a viver. Dei ré e esperei sinceramente, desesperadamente que Elijah estivesse bem. Afinal, ele era um vampiro Original, e não seria fogo que o mataria...Não o mataria.

[...]

[...]

Já era noite e a sensação de pânico havia sufocado qualquer outro sentimento. Hope chorava no banco de trás, enquanto Cami tentava acalmá-la, e se acalmar. Mesmo depois de horas aonde havíamos saído do estado do Kansas, e agora entravamos em Baton Rouge, para chegamos em casa, eu era tocada pela preocupação. Meu celular quando estava carregado, não possuía sinal. Nada podia ficar pior ao meu ver.

Encarei novamente pelo retrovisor, e vi Cami acalentar Hope, ou tentar.

As estradas estavam cheias de carros por uma ou duas horas, e quando não estavam, a sensação de ser observada era maior.

— Devemos parar, você precisa trocá-la, e alimentá-la, e eu preciso... — Suspirei fundo, tirando uma mão do volante quando vi uma parada de ônibus á frente. Meus dedos doíam de tão rígidos. — Eu preciso parar.

— Tudo bem, vou tentar ser rápida. — Prometeu Camille tremula, tirando algumas coisas da bolsa, que felizmente, ela havia trazido.

Quando parei abrir a porta, e encarei tudo ao nosso redor, e depois Cami ocupada em trocar a criança, antes de me afastar para ir até a cabine de telefone, tirei algumas moedas do porta copos do carro. Entrei na cabine transparente, sem tirar os olhos do carro, e liguei para Klaus.

— Está tudo bem com Hope, estamos chegando. — Avisei rapidamente, sabendo que era o que ele precisava ouvir. — Noticias de Elijah?

Não, mas ele está bem, eu tenho certeza. — Sua voz, mesmo rouca, agora era um pouco mais suave.

— Também tenho. — Garantir antes de me despedi e desligar.

Voltei para o carro, tirando as mãos dos bolsos da minha calça jeans, e me voltei em um giro rápido para escuridão. Sabia que tinha alguém ali, algo sobrenatural, eu podia sentir, como sentia o ar ao meu redor, então quando um vulto apareceu, eu abrir minha mão na minha frente, sentindo minha própria magia agradecer por ser libertada. Minha raiva me pegou desprevenida, e a Elijah que caiu de joelhos com a mão na cabeça.

— Elijah?! Oh céus! Eu sinto muito. — Desfiz rapidamente o feitiço, e fiquei em sua frente.

Sua camisa estava queimada em buracos, e seu rosto, como toda a roupa, estava encoberto de cinzas.

— Tudo bem. — Garantiu ele ficando de pé. Sua mão ficou ao redor da minha cintura, e ele me puxou em direção ao carro.

— O que aconteceu na casa? Finn está morto? — Perguntei rápido, aliviada por ele está ali, aparentemente bem.

— Conversamos no carro. — Disse simplesmente, olhando ao redor, antes de ficar aliviado também ao ver Hope atrás.

[...]

[...]

Eu estava feliz por está em New Orleans, simples assim. E eu poderia dormi por horas, se ainda o perigo aparente não estivesse rondando a aura de Elijah. Ele estacionou o carro dentro do pátio inferior do cassarão. E entramos por trás, ouvindo o barulho de pessoas pelo local.

Finalmente estava em casa. Camille estava indo na frente com Hope no seu colo. E eu estava do lado de Elijah que tinha, em uma parada, trocado de roupa, e parecia tão sóbrio quando poderia desejar.

A porta para o salão principal foi aberta, e Hayley veio com Klaus e Jackson ao seu encalço.

— Você a trouxe para cá? — Perguntou a híbrida aliviada, e preocupada ao mesmo tempo. — E Finn?

— Eu tomei precauções, não haverá penetras no seu casamento. — Garantiu Klaus solenemente. Olhei para além da porta aberta do salão, e realmente o lugar parecia está sendo decorado para um casamento. Olhei de soslaio para Elijah, mas ele não deu nenhuma dica de esperar, ou não aquilo. — Depois disso seus lobos serão a principal defesa da nossa filha.

Jackson, atrás da noiva, pareceu ficar resoluto da sua participação de segurança, mas também parecia orgulhoso de ser um apoio para Hayley que sorriu em agradecimento a Camille que lhe deu sua filha que ressonava baixinho, e como se tivesse recebido um choque a criança acordou.

Hayley deu um aceno sutil para Elijah, e o vampiro fez o mesmo, como se eles se agradecessem sem palavras, mas com uma intimidade alarmante que queimou meu peito. Notei que Jackson também notou, e como se ele pudesse perder Hayley, e as palavras pareciam estampadas no seu rosto, ele se fez notar ao se aproximar da mãe feliz.

— Eu preciso de uma bebida. — Garantir baixinho enquanto Niklaus se afastava, e ele parou apenas por um segundo, e acenou sem encarar-me.

Não me despedi de Cami, ou mesmo esperei Elijah e toda sua boa intenção, apenas seguir Klaus pelos corredores laterais que ele parecia conhecer tão bem, até o seu próprio estúdio aonde ele se serviu rapidamente de Whisky. E me ofereceu um copo de cristal.

Tomei meu próprio único gole, sentindo minha garganta queimar, e pedi mais, ele nada falou apenas serviu meu corpo novamente, e encheu o seu também.

Finalmente nos encaramos, e acho que mesmo sem palavras, Klaus parecia querer agradecer, seus olhos claros brilhavam em emoção, e soube que ele se sentia aliviado de ter a filha perto o suficiente dele, tanto quanto eu me sentir quando vi Elijah vivo. Abrir a boca para perguntar alguma coisa, mas a voz do meu esposo se sobrepões sobre o silêncio.

— Achei que ver sua filha bem, o agradaria. — Disse Elijah, me fazendo abaixar a cabeça, e tomar outro gole da bebida ardente.

Meu estômago ainda vazio, pareceu sensível por alguns segundos.

— Ah, eu estou ótimo! — Exclamou Klaus, se afastando um pouco do frente da mesa de bebidas, para encarar o irmão. — E vou ficar ainda mais, se você não fizer nada que convença Hayley a desistir desse casamento. — Klaus parecia usar palavras duras embaladas em graça, e eu sentir hesitação por min mesma está ali.

— Quer dizer alguma coisa Niklaus? — Perguntou Elijah encarando firmemente o irmão mais novo.

Eu por outro lado encarava Elijah, esperando que ele pelo menos sorrisse, ou me garantisse que estava tudo bem, que seu irmão era doente por insinuar qualquer coisa.

— Todo mundo sabe o quanto você gosta de bancar o herói. — Klaus levantou um dedo, mesmo que os outros quatro estivessem ao redor do seu copo pela bebida âmbar, e sua seriedade me assustou. — Mas ela tem uma obrigação com essa família.

— Eu tinha em mente que isso era uma decisão dela. — Elijah cruzou os braços, e franziu a testa para o irmão. Eu me sentia no meio de leões, assistindo uma partida de algum jogo de palavras. — Diga que não fez nada para influenciá-la, por favor?

A educação de Elijah era tão fria, que poderia congelar o oceano pacifico.

— Estamos montando um exército aqui, Hayley vai fazer o que lhe for pedido. — Klaus abriu os braços, como se desse por terminado o assunto. — E já que está tão bem comprometido com sua linda esposa... — Finalmente o híbrido, ou mesmo qualquer um deles, me encarou. O sorriso de Klaus mesmo sarcástico, era predatório. Uma armadilha enfeitada. — Sei que não vai fazer nada. — Zombou, voltando-se ao seu irmão, com um sorriso orgulhoso e vil.

Puta merda! Eu sentir meu queixo ficar trincado quando impedi que ele caísse. Era tão óbvio a insinuação que me sentir mal. Klaus estava mostrando uma opção para Elijah ali. Se ele demostrasse que “salvaria” Hayley de qualquer obrigação, que ela pudesse ter com Jackson, sobre aquele casamento, ele, no casso Elijah, estaria me ofendendo.

A mensagem subliminar das suas palavras pegaram Elijah, bem mais rápido do que minha mente confusa, suas mãos se apertaram com força, e sua postura ficou ereta.

— Elijah tem minha... — Soei fria, mas doida como se tivesse sido queimada em oleio quente. — Permissão mesmo não necessitando dela, para fazer qualquer coisa que puder por Hayley. — Percebi de soslaio que Klaus pareceu irritado por eu quebrar sua armadilha com minha benevolência, e também percebi que Elijah estava orgulhoso.

Antes que pudesse mandar eles se ferrarem, sair dali.

Eu queria tanto não ser altruísta, benevolente! Eu queria ser mesquinha, e mostrar a Elijah que concordava cem por cento com seu irmão, sobre ele não poder ser o herói de Hayley, que ela era maior de idade, que mesmo se aquele casamento fosse politico, ele não deveria mostrar nenhum sentimento negativo, por respeito a minha pessoa!

Mas, eu não podia soar infantil. Ou ser ciumenta. Mesmo que o ciúmes fosse a maior onda de negatividade banhando meu corpo naquele momento.

Deixei minhas mãos apertarem a grade da varanda, quando olhei para o salão interno. Havia uma grande chance do casamento poder ser realizado ali. As cortinas caiam da parede como véus de cascatas douradas e transparentes, as flores e ramos eram colocadas por cada área do teto que eu podia ver, os bancos eram cobertos por capas brancas com laços vermelhos. Parecia o casamento relâmpago mais bem organizado que eu já tinha visto.

Antes de pensar mais alguma coisa Dimitri apareceu olhando ao redor, obviamente procurando-me. Ele usava uma blusa amarela, com calças brancas, e mocassins marrom escuro.

— Ei! — Exclamei fazendo ele levantar o rosto, e seu sorriso aliviou um pouco a pressão do meu crânio, de raiva.

Desci as escadas rapidamente, e Dimitri estava no último degrau quando eu parei para o encarar.

— Quem pisou no seu pé? — Perguntou ele com uma sobrancelha levantada.

— Como? — Indaguei colocando uma mão no corrimão para o encarar de cima.

— Você está com uma cara péssima, como se alguém tivesse pisado no seu pé. — Brincou ele rindo da própria piada.

Bufei sem jeito, e meu olhar sério fez ele parar de ri.

— Eu apenas estou com fome. — Garantir colocando minha mão esquerda no seu ombro, para deitar minha cabeça em seu ombro, como um abraço lateral.

— E você fica um porre com fome. — Garantiu perspicaz, me puxando para si, enquanto sua postura e tensão deixava claro que sabia que eu não estava nada bem. — Venha, vou lhe fazer o café da manhã, enquanto você me conta suas aventuras.

Assentir com a cabeça, sem deixar de me encostar nele, como se precisasse de apoio.

[...]

[...]

Dimitri girou sua chave na maçaneta comum, e empurrou a porta do seu apartamento. Eu devia ter pelo menos ido ali três vezes, no máximo! E as coisas continuavam tão extravagantes, como entrar em um apartamento da Elle Decor. Era o estilo claro de Dimi.

Porém, era o tipo de lugar que era familiar, porque era da minha família.

— Então chegamos ontem á noite, e recebemos esse convite. — Dimitri tornou a falar, como se continuasse uma conversa que tivéssemos tido. Ele estendeu um envelope pardo que tirou de uma mesinha do lado do seu sofá verde envelhecido.

Olhei sem demora pra ver as palavras do convite de casamento de Hayley. Oito horas.

— Deixe-me adivinhar, somos obrigados a ir para mostrar lealdade? — Indaguei a min mesma, quando desabava no divã cheio de almofadas da sala pequena.

— Você mora lá, esqueceu? Não pode deixar de ir. — Lembrou Dimitri sem expressão, enquanto tirava seus sapatos. — Bells, você é linda, e eu te amo.. Mas sério, está toda suja. — Lembrou ele pesarosamente, e rir percebendo seu incomodo por ver minhas botas com lama encostarem no seu divã.

Sentei rapidamente, e comecei a tirá-las.

— Gostaria de tomar um banho... — Comecei a dizer e pensei em todas minhas roupas queimadas na fazenda, ótimo, meu humor melhorou e muito! — Tem alguma roupa que me sirva? — Perguntei vendo Jeofrey entrando pelo corredor dos quartos.

— Duvido muito. — Respondeu ele em vez de Dimitri.

Se não fosse por Jeofrey coçar os olhos, como uma criança que tinha acabado de acordar, a cena seria meio constrangedora. Jeofrey vestia apenas uma calça de moletom preta. Seu tórax bronzeado aparecia no meio da sua própria tatuagem. Desviei rápido a atenção dali, e me foquei no telefone ao lado da lareira, aonde um vaso com dálias negras estava banhando a casa com um perfume natural.

Charlotte atendeu minha ligação rapidamente, e pedi que ela me trouxesse uma muda de roupa, e um vestido para a noite. Charlie por coincidência, ou não, estava comprando um vestido para o casamento que também foi convidada, fiquei mais aliviada quando ela garantiu que não teria problemas em fazer-me aquele favor, e com permissão de Dimitri, que fazia panquecas enquanto Jeofrey o café, eu fui tomar um banho, me certificando que estava no quarto certo.

Minhas roupas sujas, e amassadas foram para o chão com gestos rápidos. E pensei, enquanto deixava a água cair nos meus ombros, o quanto era bom ter meus amigos ali comigo. Mesmo que soasse engraçado os dois morarem juntos. E logo não tanto, por Dimitri ter que se mudar.

Encontrei um roupão roxo atrás do banheiro, e me enrolei nele, enquanto esperava minha prima. O cheiro de panquecas fez meu estômago roncar sem vergonha. Tinha consciência do tempo que tomei no banheiro, e colocando minhas roupa sujas na maquina de lavar na área de serviço, para acreditar que os garotos tinham tomado liberdade para começarem uma conversa.

— ... Não acho que seja problemas. — Garantia Jeofrey sentado na mesa pequena no meio da cozinha.

— O que vai, ou não, ser problemas? — Indaguei enquanto entrava na cozinha, sentindo o cheiro de café também.

Sem cerimônias me servi em uma caneca, e sentei na frente de Jeofrey, enquanto Dimitri colocava um prato na minha frente cheio de panquecas.

— Dimi, quer saber se você vai se incomodar em ser meu par, já que será madrinha dele. — Jeofrey contou já com a boca cheia, enquanto o bruxo negro estava de costas terminando com a massa doce sobre a frigideira.

— E porque isso teria problemas? — Rolei os olhos mesmo sabendo que ele não veria, e me servir do café da manhã.

— Bem, eu só queria saber. — Garantiu Dimitri suavemente.

Jeofrey levantou a sobrancelha quando me viu tomar café, mas eu só dei de ombros.

Ficamos em silêncio enquanto comíamos, e devorávamos as panquecas. Eu acreditava que era adulta o suficiente para ir a qualquer lugar com Jeofrey sem deixar o passado atrapalhar, mas fiquei assombrada, por ele agir também como tal. Era meio claro, e meio estranho, começar a perceber que não éramos mais crianças.

Dimitri logo começou a falar sobre seu casamento, que seria no próximo final de semana, daria pelo menos seis dias para nos preparamos, e eu torci no fundo do meu coração, que não houvesse problemas nesse tempo.

— Mariah não quer mostrar a barriga tão cedo, por isso acha que é melhor agirmos rápido. — Contou Dimitri, parecendo não entender.

Jeofrey também não intendia, o que me fez rir da pouca experiência que eles próprios tinham com o que incomodava, ou não, uma mulher. Com certeza Mariah Montgomery era uma mulher incrível, se podia fazer Dimitri sorrir de forma tão apaixonada, como ele sorria ao falar dela.

Como o casamento era apresado, só haveria um jantar de noivado formal, aonde a mãe de Dimitri se propusera a vim, ele aguardava retorno do seu pai, de forma ansiosa.

Estranhamente, e felizmente, ninguém conversou sobre os planos dos anciões. Parecíamos jovens novamente, jovens sem problemas.

Jeofrey logo deu sua opinião própria para o local da festa, já que não teria muitas pessoas, ele achou que o chefe de Camille podia alugar o Russel’t. E eu me prontifiquei de cuidar de outras coisas, como contratar um buffet e ver a música. Como esperado, Dimitri não deixou que ninguém tocasse no assunto DJ, ele tinha um sorriso grande quando falou de uma banda ao vivo, suspeitei que ele cantaria algo para a nova esposa, mas não comentei nada.

Gradativamente, enquanto a conversa soava banal, eu sentia meu corpo relaxar. Então foi em um susto que alguém bateu na porta.

— Deve ser Charlotte! — Exclamei feliz, pronta para atender a porta, ninguém me impediu.

Voltei pela sala, e parei no lobby para destrancar a porta, e a abrir. Para minha surpresa não era Charlie, minha prima, mas Elijah, meu marido.

Não me permiti sorrir, por que ainda sentia um gosto amargo, ao me lembrar de seu sorriso quando eu disse que estava tudo bem, se ele fizesse qualquer coisa para Hayley.

— O que está fazendo aqui? — Perguntei educadamente, mas distante.

Ele franziu os lábios, em desagrado pelo meu tom, e como todos os homens, obviamente, não sabia o que incomodava uma mulher, e não tocaria naquele assunto tão rápido.

— Achei que precisasse de roupas. — Ele levantou uma bolsa branca e preta, e parou abruptamente o movimento, franzindo o cenho quando não consegui avançar.

— A casa não é minha. — Expliquei dando de ombros, pegando eu mesmo a bolsa pesada e provavelmente contendo roupas.

— Bella... — Ele suspirou fundo e talvez me observando pela primeira vez, não gostou do que viu. O roupão roxo era curto, e pequeno, provavelmente de Mariah quando passava seus dias ali. — De quem é esse apartamento? — Sua pergunta era uma ordem não disfarçada.

Sorrir malignamente por um segundo, me sentindo tentada a vingar-me.

— De Jeofrey... — Contei, e ele automaticamente deu um passo para frente, barrado pela parede invisível que não podia ser desfeita. Gostei de ver seu ciúmes ali, gostei muito, mas, não me degustaria dele. Suspirei fundo também. — E de Dimitri, que vai se casar em uma semana, e precisava conversar comigo sobre minha participação na cerimônia. — Tagarelei vendo seu rosto, e sua postura relaxar.

— Suponho que a verei no casamento hoje a noite, ou mesmo antes quando voltar para a casa? — Elijah tinha um sorriso educado nos lábios, mas seus olhos queimavam em irritabilidade.

Ele não gostava de me ver ali, mas tão pouco me daria um prazo para voltar para o casarão.

— Supões errado. — O desafiei, puxando um pouco a porta, para lhe barrar a visão do apartamento. — Irei um pouco antes do casamento, porque estou cansada, e não quero ficar na casa barulhento agora. — Lhe dei um sorriso doce, que não chegou aos meus olhos, mas que impedia ele de tentar reverter meus desejos tão simples. — E também, não vejo em que eu possa ajudar Hayley, já que ela tem você. — Pendi a cabeça para o lado inocentemente.

— Está irritada por algo? — Elijah parecia realmente perspicaz, pensei sarcástica.

— De maneira nenhuma, meu amor, apenas cansada. — Lhe encarei dos pés a cabeça, e o imaginei tomando banho em seu próprio quarto, nosso quarto, a horas atrás, ele estava limpo e impecável como um lorde inglês. Mordi os lábios, e voltei a lhe encarar. — Nos vemos de noite sim? Antes do casamento de Hayley. Exceto... — Parei dramaticamente. E ele levantou a sobrancelha, parecendo não me entender por completo. — Que tenha feito algo que fez o casamento ser cancelado. Deus sabe que eu não quero me arrumar por nada.

— Vai ter casamento, Hayley não desistiu. — Conclui sério. — Vai haver casamento.

— Ótimo! — Exclamei feliz por fora, e meio que aliviada por dentro.

— Não deixe Klaus te envenenar. — Aconselhou ele sabiamente, captando tardiamente o que me incomodava. — Ele é bom com palavras...

Rir sem humor, o fazendo parar de falar.

— Pelo menos seu irmão é sincero, mesmo quando é um canalha, já pensou nisso? — Perguntei lhe dando um aceno de adeus, antes de fechar a porta.

Eu queria mesmo que Elijah fosse sincero, mesmo que me ferisse, pensei enquanto deitava, já com uma roupa limpa, na cama de Dimitri que tinha saído para resolver algo sobre seu próprio casamento, com Jeofrey que lhe ajudaria, ou apenas queria me deixar sozinha.

Sentir uma lágrima rolar por minha bochecha, enquanto me encolhia cada vez mais na cama, enrolada a um edredom. O lugar parecia sombrio, pelas janelas fechadas e luzes apagadas.

Eu amava Elijah, e sabia que ele tinha fortes sentimentos por min. Todavia, mesmo depois de sexo fabuloso, e palavras doces, conexões fortes entre nós dois, eu não ouvia ele falar um: Eu te amo.

Cansada demais para pensar, e sabendo que aquela adrenalina de um dia e meio atrás tinha ido embora, adormeci.

Notas finais
Casamento da Hayley no next *-* Ou só uma parte. Nos vemos em breve xD