You Set Me Free_ 2°Temporada
22 The hope around us.
Notas iniciais

.
.
O desejo de não querer levantar da cama era forte. Não só por ser muito cedo, como também pela quentura que o corpo quente, junto às cobertas me propulsionava. Elijah estava encurvado sobre min, com uma das suas mãos enroladas no meu tronco, enquanto eu estava deitada de barriga para baixo. Me afastei um pouco dele com cautela, percebendo que mesmo meus movimentos não o acordavam ou faziam sua respiração suave ser alterada.
Quando tirei um braço do cobertor, a sensação de frio me deu arrepios.
O sono me bateu de novo, mas com tanta coragem quanto era possível se ter quando outra vida precisava de você, levantei-me sem fazer barulhos, sentindo a camisa social masculina não ser exatamente quente.
Minhas pernas estavam descobertas, e tremi quando meus pés descalços tocaram o chão gelado... Ótimo, pensei o aquecedor estava quebrado. Fui o mais rápido possível ao banheiro, e quando voltei a sair, já estava vestida com a melhor roupa que me agasalhava um pouco. O que não significa muito já que meu banho rápido deixou meu corpo já quente.
Sair apresada do quarto, e fui verificar a preciosidade dos Mikaelson. Hope estava envolta de cobertas, com as bochechas rosadas, e os olhos preguiçosos piscando, como se meu mínimo barulho a tivesse acordado.
— Bom dia querida. — Eu não sabia como falar com uma criança, ou mesmo se ela me entendia. Mas parecia patético só a encará-la ou mesmo a vê-la me encarando e não falar nada. — O que acha de um banho quente, antes de começamos o dia em? — Indaguei a pegando no colo, com certo cuidado.
Hope fez alguns sons enquanto começava a morder as mãos, depois de coçar os olhos. Rir achando engraçado, e rumei para o banheiro de seu quarto. Como o meu havia um boxe antigo, e uma banheira pequena. Acabei enchendo a banheira, me dando conta que não havia uma pequena para ela.
— Uhnn... Isso não é uma coisa boa. — Resmunguei oficialmente não sabendo o que fazer, por que era lógico que ela era pequena demais para entrar em uma banheira sozinha.
Respirei fundo, joguei suas pernas gordinhas no meu quadril, e voltei para o quarto, enquanto a banheira enchia. Acabamos por tomar banhos juntos, e descobrir que se eu fosse tomar banho com uma criança, nunca colocaria muito sais na água. Hope parecia ficar encantada com as bolhas de sabão e quentura agradável da água, quando saímos, eu a enrolando primeiro em uma toalha, ela começou a chorar. Coloquei-a sobre o trocador do banheiro e fiquei enrolada em um roupão.
— Rebekah dever ter-lhe mimado muito querida, o banho já acabou. — Tentei explicar enquanto a trocava.
Talvez minha voz forte, enquanto abotoava seu macacão cor de rosa a fez parar de chorar, mas fui uma atriz e tanto por não entrar em pânico ao ouvi-la chorando.
Dei-lhe a chupeta e desci com ela até a cozinha para lhe preparar uma mamadeira quente o mais rápido que conseguir. Ela parecia faminta. Sim, eu sabia a base para se cuidar de uma criança. Limpá-la, alimentá-la e a distrair.
Fui até a varanda, e a deitei no meu colo quando me sentei na cadeira de balanço para lhe dar a mamadeira, era oficialmente uma cena atípica e ao mesmo tempo normal, que aquecia meu coração. Ela tomava o leite com força. Enquanto eu segurava a mamadeira com uma mão. Deixando meu braço servir de travesseiro para seu pescoço.
— Notícias de Nova Orleans. — A voz forte de Elijah me despertou dos meus pensamentos. Girei meu pescoço vendo ele vim até nos, apenas usando uma calça social, e uma regata que quase sempre ele usava embaixo das camisas brancas, sorrir sem me conter pela visão. — O plano deu certo, Esther é uma vampira em transição, logo Rebekah voltará, mas... — Ele parou de falar visivelmente ansioso.
— Odeio esse, mas. — Disse receosa, encarando Hope, que estava terminando seu café da manhã.
— Eu também. — Ele se aproximou com um suspiro pesado e continuou a explicar. — Enquanto as coisas ainda não se resolverem, Niklaus na última hora decidiu que seria melhor usar a oportunidade no feitiço de troca corporal. Rebekah foi para um novo corpo, por um “desvio” que Kol fez.
— Ela vai voltar em um novo corpo, e fugir novamente com Hope? — Perguntei, e ele balançou a cabeça confirmando, quando se aproximou, batendo seu celular na mão direita, como um tique impaciente. — Isso é tão injusto! Ela merece ser criada com os pais. — Indignei-me. — Porque ele não a leva logo de volta...
— Ele não quer correr nenhum risco, Esther não é mais um problema. — Ele se agachou na minha frente e acariciou a bochecha de Hope. — Mas Finn, que curiosamente escapou é, e ainda alguns lobisomens são. — Ele me encarou fixamente. — E quero saber como anda as bruxas.
— O meu coven?! — Indaguei com a sobrancelha levantada. — Sabe que eu não posso te contar muita coisa, e mesmo se pudesse, não saberia o quê, já que eu quase não paro para me atualizar sobre tudo. — Ele assentiu a cabeça, e tocou minha mão livre, de forma suave. Percebi que parecia quase um gesto... — Eu preciso voltar não é?! — De despedida. — E você não vai comigo.
— Logo voltarei. — Prometeu antes de eu mesma terminar de falar. — Só preciso esperar Rebekah. E garantir que elas saíam do estado pelo menos.
— Tudo bem Elijah. — Garantir lhe sorrindo. — Eu entendo.
Voltamos e encarar Hope que ainda sugava o bico da mamadeira, de forma mais leve agora. Seu café da manhã estava acabando. O vampiro apenas nos deu um último olhar intenso, perguntou se eu queria tomar café, eu neguei, e ele voltou a entrar.
Afastei a mamadeira de Hope, e lhe dei uma chupeta, ela parecia agradavelmente feliz olhando para tudo ao nosso redor, enquanto eu a sentava no meu colo deixando suas costas no meu peito.
— É, parece que meus dias de tia, acabaram. — Resmunguei sentindo o cheiro do seu cabelo tão ralo e loiro, que suspirei absorvendo mais.
O perfume era puro demais para não ser apreciados. Coloquei meu queixo na curva do seu pescoço, de forma suave, e também fiquei a olhar para tudo.
O jardim seco, regado pelo sol quase gélido, o vento mesmo pela manhã forte. O campo aberto além do celeiro enorme. Era pacifico demais, solitário demais.
Fiquei de pé, abraçando Hope, enquanto a enrolava na sua manta branca, e andava pelos arredores da casa. A bebê ficou mais encantada com o passeio do que parecia soar possível. Sempre se remexendo no colo, como se quisesse ser levada para onde seus olhos pousassem. Imaginei como seria quando ela começasse a andar.
Atrás da casa havia um varal com alguns prendedores coloridos, e bem lá no fundo, um balanço torto. Mas, o que me chamou atenção mesmo foram os girassóis quase sem vida nascendo dentro de um circulo de pedras.
— Olha meu anjo. — Me agachei pegando um caule quase seco demais, que já estava murchando. E ofereci a Hope, vendo as pétalas amarelas tão vivas como se fosse pitadas a mão. — O que acha? Consegue revivé-la? — Perguntei vendo Hope não demonstrar interesse a planta. — Renaître. — Sussurrei vendo a flor se empertigar como se o vento a fizesse ficar de pé, de modo quase orgulhoso.
As pétalas ganharam vida, e se soltaram começando a voar ao nosso redor. Como pequenos e delicados vagalumes. Hope riu deixando sua chupeta cair no meu braço ao seu redor, e eu também acabei rindo, ao ver sua felicidade.
Ouvindo o barulho suave de carro, quebrando os seixos da estrada, girei meu pescoço sentindo certa intuição pinicar por meus instintos.
— Aposto que é o papai. — Sussurrei alegre vendo Hope também se virar em direção ao barulho.
Caminhei até dar a volta na casa, e entrei pelo cercado da casa, vendo Klaus de costas, e Camille prestando atenção ao que ele dizia. Fiquei mais próxima deles, perguntando mentalmente a onde estava Elijah.
— Aí, meu, Deus! — Exclamou a humana completamente chocada, quando prestou atenção a nossa chegada.
Voltei minha atenção para eles, e Klaus deixava claro para a humana que o único jeito de proteger sua filha, foi garantir que o máximo de pessoas acreditasse em sua morte. E que quando Cami pudesse voltar para Nova Orleans, aquele segredo ficaria aqui.
Camille obviamente deixou claro que era de confiança, e subiu os degraus da varanda para nos encontrar. Ela ofereceu a mão para a Hope que soltou um resmungo. Eu apenas sorrir a balançando suavemente. Oferecendo ela para Cami, que parecia tão absorta em encará-la que estava começando a talvez a assustá-la.
— Ela é perfeita. — Sussurrou Camille, encantada, fazendo Klaus sorrir largamente atrás de si.
— Tente conter-se Cami, não queremos que o ego do super híbrido, nos esmague. — Aconselhei seriamente como se fosse o segredo, fazendo a humana rir.
Klaus revirou os olhos, e estendeu os braços para pegar sua filha, que não fez charme ao se jogar nos braços dele. Aquilo pareceu o orgulhar cada vez mais.
— Acho que sabe por que trouxe a Camille. — Disse Klaus sombrio, me fazendo assentir com um movimento de cabeça. — Faça o aceitar.
— Tentarei. — Prometi rendida a sua ideia.
Quando os dois foram para a sala, fui à caça do meu marido. Achei que ele estivesse no quarto, e não me decepcionei. A cama já estava arrumada, e as janelas abertas, fazendo o sol entrar.
Ele estava absorto segurando meu cachecol vermelho em suas mãos, de frente a mala aberta que era minha. Porém, notei que não era um absorto qualquer. Ele estava mais que voltado para os próprios pensamentos. Sua respiração estava ruidosa, e seus gestos completamente paralisados.
— Elijah. — Chamei baixo, entrando cautelosamente no quarto. — Elijah amor, tudo bem?!
Ele piscou e voltou à realidade, como se eu de certa forma o tivesse o acordado.
— Humf... — Ele suspirou de forma tão pesada, que seus ombros estremeceram. — Anabella. — Disse meu nome suavemente, ao fixar seus olhos no meu rosto por um momento, e depois sorriu de lado por um segundo, quase como se uma careta o impedisse de sorrir por completo. — Estou arrumando suas coisas, não queria a atrapalhar com Hope. — Ele deixou de lado aquele cachecol vermelho.
— Oh, tudo bem. — Garantir dando de ombros, contornando a cama, para separar uma roupar para vestir na viagem de volta. — Seu irmão já chegou, com Camille, porque não vai dar um oi. — Recomendei sem encará-lo, quando ele deu passagem para eu mexer na mala aberta.
— Não sabia que ele vinha com Camille. — Disse agora mais sério, voltando a ser ele mesmo. Ele devia estava absorto mesmo para não ter ouvido a humana.
Revirei meus olhos, e girei meus calcanhares, fazendo meu corpo se moldar ao dele, quando fui arrumar sua gravata.
— Sim ela, veio, e acho bom. Ela pode... — Hesitei, colocando meus braços em torno do seu pescoço, e minhas mãos no seu cabelo. Deixando meus olhos perto dos seus, querendo passar confiança. — Te ajudar. Soube que ela é uma ótima terapeuta...
— Eu não preciso da ajuda dela. — Disse seriamente seco, recusando se mostrar em qualquer falha que poderia o fazer um fraco. Ou me fazer o ver como tal.
— Mas você vai aceitar. — Falei secamente também, de forma séria, e afastei minhas mãos de seu corpo demonstrando impaciência. — Você não esta bem, é claro, e querendo ou não, eu preciso ir. Então, fique aqui e usufrua de uma profissional capacitada que talvez faça você se abrir, mais do que comigo.
— Está de alguma forma mandando em min? — Perguntou terrivelmente charmoso, quando sorriu de lado, demostrando um pouco de descaso pela minha pessoa, me proibindo de ver o quadro todo de sua beleza.
— Talvez. — Dei de ombro. Um pouco irritada. — Mas talvez você precise que alguém mande em você, como uma criança que faz birra para não tomar um remédio! — Exclamei com raiva, bufando em seguida, para virar-me novamente para a mala, deixando o assunto encerrado.
Tentei achar alguma calça, sem ser a que eu tinha já usado, ou mesmo shorts, mas me deparei com saias e até vestidos. Céus! Era óbvio quem fez aquela mala tão seca e sem graça. Preto, cinza... Procurei algo colorido ou vivo, mas não achei. Acabei separando uma saia preta branca e cinza de tricô e meias calças. Aquilo poderia ser útil.
Mãos fortes seguraram minha cintura, me trazendo para trás, para sentir seu corpo se modelando aos meus quadris. Elijah achou uma brecha no meu pescoço. E de forma quase perigosa fez seus dentes correrem por minha pele.
O calor se espalhou pelo meu corpo, fazendo meu sangue borbulhar. Fechei os olhos por um segundo, tentando não me mover.
— Tem medo? — Perguntou em um sussurro rouco.
— Deveria? — Rebati corajosamente mordendo meus lábios, tentado aplacar aquele sentimento tão agridoce de desejo e algo mais que eu não conseguia identificar.
Eu não estava preparada para a onda de puro fogo que percorreu minhas veias. Como se a adrenalina fizesse meu corpo trabalhar mais rápido. Retirei suas mãos da minha cintura, lhe dando um leve jogue com a magia que hibernava dentro de min, todas as vezes que ele me tocava. Como um calmante.
Girei meu corpo lentamente, vendo seus olhos de vampiro faiscando com certa raiva, enquanto apertava suas mãos que deveriam ter ficado um pouco dormente.
— Não é legal fingir que quer me assustar, sabia?! — Apontei não me incomodando com veias pretas que pareciam pinicar sua pele imaculada, a medida que ele mordia os lábios.
Não falei mais, porém, comecei a desabotoar aquela camisa de mangas longa que cobria minha lingerie preta, de forma lenta, enquanto o encarava seriamente, preparada para qualquer gracinha dele. Deixei a camisa cair no chão, e comecei a desabotoar minha calça.
Seus olhos voltaram ao normal, e seu rosto se tornou uma sombra turvada. Observando cada movimento que eu fazia. Quando me curvei retirando ainda a calça, abaixando ela com força na parte meu joelho, falei alto.
— Vá cumprimentar seu irmão. — Empurrei a calça dos meus pés, e fiquei ereta novamente. — E Camille.
— Achei que estivesse tentando me seduzir. — Falou com a voz rouca ao se aproximar como um predador.
— Não. — Garantir levantando a mão direita em forma de “pare”, o fazendo parar relutantemente surpreso. — Estou apenas querendo me trocar. — Disse firmemente séria.
Ele levantou a sobrancelha, não sabendo como reagir a minha recusa. Mas eu precisava o recusar. Porque precisava testar seu temperamento antes de ir embora. Ele ficou seriamente irritado, e depois suspirou fundo, apertando seus olhos em direção a min, arrumando seu terno, parecendo ficar altivo como uma estatua grega de Adônis. Mostrando seu orgulho.
Ele foi até a porta, e saiu sem mais delongas ou qualquer palavra. Sorrir aliviada, sentindo meu coração se contorcer na calma fingida. Ótimo, ele estava melhor. Porque um vampiro nunca gostava de receber um “não” como resposta, ou mesmo ser provado. Pensei enquanto trocava de roupa.
Antes de sair do quarto, vir na mesinha de cabeceira o livro que Klaus tinha me dado, de capa dura preta em letras vermelhas. O peguei colocando na bolsa de ombro, e não me esqueci de verificar meu celular que estava completamente carregado. Garantir a Dimitri que estava voltando. E depois o coloquei no vibrador, dentro do bolço interno da minha jaqueta. Enrolei por fim o cachecol vermelho ao redor do meu pescoço, e sair do quarto.
Desci com a bolsa e a mala, as deixando na frente da porta, e fui em direção às vozes na sala de estar.
—... E pra começar eu tenho que lidar com o duradouro problema que é o Finn. — Dizia Klaus parecendo discursar.
— Quando ele descobrir o que você fez com sua mãe, ele vai enlouquecer. — Garantiu Camille, soando nervosa.
Passei um dedo em um quadro na parede, e continuei a me aproximar tentando soar distante.
— E é exatamente por isso que você tem que ficar aqui. — Klaus não deixava brechas para discussões com sua voz potente. — Bella e eu vamos voltar para a casa, e cuidar do que podemos. Acontece... — Klaus hesitou, e eu finalmente podia ver a cena. O híbrido sentado em uma poltrona de costas para min, a loira na sua frente no sofá, e Elijah olhando para a janela também de costas, só que para todos, como se dispensasse a conversa. — Que Elijah vai ficar aqui com você. Ele esta sofrendo de alguns efeitos colaterais do tempo que ficou como prisioneiro da nossa mãe. — Cruzeis os braços, colocando meu ombro na parede dispensando ficar mais próximo a eles. — É melhor ele ficar e se recuperar. — O híbrido usava palavras calmas, mas não menos zombadoras. Acho que mesmo ele querendo se mostrar solidário, a situação era hilária a seu ver.
Apertei minhas mãos, com vontade de socar sua cara, mas não era idiota ou infantil de fazer aquilo, por isso me contive. Encarando as costas tensas do meu marido.
— Um pequeno ataque violento, em um restaurante de beira de estrada... — Elijah se virou lentamente, e seus olhos encontram os meus, como se soubesse onde eu estava, mesmo sem me ver antes. — E não param de falar disso.
— Não tente fazer piadas sobre a situação. — Aconselhei mordendo meus lábios sem conter-me.
— A Cami tem experiência com mentes perturbadas. — Klaus sorriu e girou o pescoço para me encarar. — Não acha que eles vão se dar bem? Não “viu” isso? — Perguntou debochadamente malicioso e pueril.
Cami corou quando entendeu certa parte da sua fala. Não que eu desconfiasse dela, de maneira nenhuma. E talvez se estivesse ainda enciumada com Hayley, podia mesmo ver algum problema naquilo. Mas a piada soou muito sem graça, me fazendo fuzilar o híbrido com um olhar duro. E Elijah apenas fingiu que não ouviu.
— Eu vi o seu pescoço ser quebrado, em meio segundo, se não calar a sua boca. — Ameacei com frieza, o fazendo sorrir mais em descaso. Percebi pela visão periférica, Elijah se retirando da sala. — Não se preocupe Cami, ele não vai te machucar. E, espero que goste da casa. — Dei uns passos em direção ao corredor esquerdo, não me prendendo a falar mais com a loira, eu estava com presa demais.
— Não demore! — Avisou Niklaus em um grito quando eu já não estava por perto.
Elijah estava na sala menor, onde um berço de Hope estava posto no meio, e ela brincava tranquilamente dentro de um cercadinho. Ele estava agachado balançando uma boneca de pano para a criança, que não o encarava, ela parecia mais entretida em morder cavalinhos de borracha.
— Esta com raiva? — Perguntei rendida, querendo apenas me despedi de modo tranquilo.
— Não de você. — Disse sincero, ficando de pé.
— Eu sei. — Consentir, balançando minha cabeça. — Nos veremos em breve.
Ficamos nos encarando por um momento longo demais, parecendo querer falar um milhão de palavras, aonde apenas algumas serviria. Eu finalmente desviei o olhar, voltando minha atenção a Hope. A peguei novamente no colo, para abraçá-la suavemente, lhe beijando seu rosto.
— Nos vemos também em breve meu anjo. — Sussurrei em seu ouvido me despedindo, voltando a sentir o cheiro puro de bebê aquecer meu coração.
Voltei a deixa-la com seus brinquedos, e encarei novamente Elijah, andando com passos calmos de costas fazendo nossa distancia ser maior, seus olhos intensos brilhando de modo suave me fez sorrir apaixonadamente.
Antes de desistir me virei indo em direção à saída e a porta dupla que dava para a varanda. Apenas peguei a bolsa de ombro, deixando a mala para Niklaus levar. Mesmo eu não podendo ver, sabia que ele se despedia da filha.
Quando pensei em ir para o Jeep do híbrido, sentir uma mão gelada apertar a minha, tão familiar, tão conhecida que não precisei olhar para saber de quem era. Deitei minha cabeça em seu ombro, colocando meu braço para trás, para fazê-lo se aproximar mais do meu corpo quando enrolou seu próprio braço pelas minhas costas, como um abraço lateral. Sem deixar de apertar minha mão.
Caminhamos em direção ao carro de Niklaus e nos separamos quando Elijah abriu a porta malas, colocando ele mesmo minha mala ali, jogando minha bolsa depois no banco do passageiro pela janela aberta.
Ao se voltar depois de fechar o porta-malas, ele apenas me puxou de forma abrupta para seus braços, colocando com presa, e desejo seus lábios nos meus. Sua língua mergulhou profundamente como se quisesse me provar uma última vez. Enviando uma onda gostosa de choque que atingiu meu núcleo e depois ondulou para cada célula do meu corpo. Eu correspondi seu beijo impotente. Sentindo seus dedos entrelaçando-se no meu cabelo.
Alguém coçou a garganta fortemente, pedindo para morrer, ao quebrar aquele encanto.
— Odeio interromper... — A voz maliciosa de Niklaus fez Elijah afastar lentamente seus lábios dos meus. Eu revirei os olhos impaciente. — Mas, precisamos ir.
— Sabemos o quanto você odeia fazer algo, como nos interromper, irmão. — Zombou Elijah ironicamente, fazendo certa irritação ser nítida nos seus olhos afiados.
Não olhei para o loiro, apenas ouvir seu risinho maldoso, e uma porta sendo aberta.
Elijah voltou de novo sua atenção para minha pessoa, e segurou meu pulso, com uma expressão quase sofrível no olhar, não duvidava que a minha estivesse pior, ele entrelaçou seus dedos nos meus, para depois os levar até seus lábios.
Quando beijou minha aliança e depois a pele sensível do lado interno do pulso, meu coração pareceu se acalmar. Tão rápido que julguei que se ficasse em seus braços poderia dormi mais um pouco, o calor suave agora, era como manteiga derretida.
— Nos vemos em breve. — Prometeu, ainda com os lábios no meu pulso.
Percebi que o Jeep foi ligado, e Klaus fazia baliza. Voltei a encarar Elijah, e o abracei ficando nas pontas dos pés, para esconder meu rosto em seu pescoço. Ele me apertou mais em seu próprio abraço, levantando meu corpo, fazendo meus pés balançarem no ar.
— Me ligue quando chegar a cidade. — Recomendou sério em um sussurro.
— Tudo bem. — Prometi, ouvindo a buzina do carro próxima o suficiente para eu levar um susto. — Já vai Niklaus! Que saco! — Exclamei com raiva, sendo colocada novamente no chão, como se fosse uma boneca.
Elijah beijou minha testa uma última vez, e abriu a porta do Jeep que estava do lado do nosso corpo. Eu entrei sem demora, puxando o cinto de segurança, vendo meu esposo dar a volta no carro para falar com seu irmão.
— Cuide de Hope, até Rebekah voltar. — Pediu o híbrido ficando sério como poucas vezes eu o via.
— Eu prometo. — Garantiu nobremente o outro Original, tocando o ombro do irmão com firmeza. Como se não houvesse piadinhas ou mesmo problemas que os desunisse se a causa da união fosse Hope. — Cuide dela. — Elijah apontou com o queixo para min, não deixando dúvidas de quem ele falava.
— Farei meu melhor. — Prometeu o híbrido pausadamente, surpreso como eu, pelo pedido direto de Elijah.
Dei-lhe um sorriso por um segundo, e ele apenas balançou a cabeça, se afastando do carro para Klaus voltar a acelerar o Jeep. Quando o carro se afastou um pouco, olhei para o retrovisor ainda o vendo parado, olhando para nos. Suspirei fundo, afundando no banco quando já não podia mais o ver. O híbrido não falou nada, e agradeci mentalmente por aquilo.
Fale com o autor