You Set Me Free_ 2°Temporada
23 Going in search of bodies.
Notas iniciais

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Olhei emburrada para a janela e depois voltei para o meu livro. Porém as letras já estavam ficando embaçadas à medida que eu não conseguia me concentrar mais na leitura.
Ouvir um respirar alto, e olhei para meu acompanhante completamente entediado assim como eu. Não demorou muito para que ele quebrasse o silencio.
— É dito que todo amor começa e termina com a pessoa que nos deu a vida. — Filosofou Klaus, enquanto eu virava uma página do livro, fingindo que lia. — Há milhares de anos, nossa mãe nos transformou em monstros. — Levantei a cabeça para encarar o híbrido que parecia divagar sozinho, seus olhos estavam semicerrados, fixos no nada a sua frente, ou só estava farto do silêncio e do trânsito parado que precisou puxar assunto. — Ainda assim ela dizia que amava seus filhos. Mesmo tendo jurado nos destruir. — Seus olhos astutos e sombrios, se fixaram no meu rosto por um segundo, como se agora obtendo minha atenção, ele finalmente pudesse falar o que queria. — O nobre Elijah... Atormentado por ficar enterrado em segredos vergonhosos. — Seu sorriso belicoso fez meu coração se comprimir. — Kol, que sempre está em problemas. Com ninguém além dele mesmo. — Klaus batucou seus dedos no volante, recostando sua cabeça no encosto do banco. Suspirou fundo e continuou. — Finn, o acólito devotado, seu amor foi facilmente distorcido pelo ódio de nossa mãe. A feroz Rebekah... — Ele sorriu entortando o pescoço, para seu lado esquerdo, me proibindo de ver além das suas emoções exposta na tensão dos seus ombros. — Disposta a arriscar tudo para que um dia possa ser feliz.
— E você? — Perguntei querendo saber o que ele pensava de si mesmo.
Klaus sorriu quase contemplativo, seus olhos brilhavam com certa resignação sombria.
— E eu... — Ele apertou levemente o volante, fazendo os nos dos seus dedos ficarem levemente mais brancos. — O filho bastardo. A maior vergonha da minha mãe. — Ele acelerou mais um pouco, e eu quase podia sentir o cheiro salgado da maresia, estávamos entrando na ponte vermelha, em cima do rio Mississipi. — Agora que finalmente a derrotamos, dando-lhe a escolha que nunca pensou em nos dar. Entre viver como um dos monstros que criou, ou sofrer a morte agonizante que ela merece.
Um arrepiou gélido ondulou pelo meu corpo, fazendo minha coluna ficar tão tensa que achei que não podia me mexer sem antes respirar fortemente.
— Nunca pensou em apenas... — Abracei a Arte da Guerra no meu peito, e mordi os lábios, apenas receosa de falar aquilo. — A deixar ir?
Klaus riu jocosamente.
— Ela já foi até para o inferno, aonde o próprio satã a expulsou. — Falou ainda entre risadas, como se gostasse do rumo da conversa.
Revirei os olhos bufando.
— Você me dar medo às vezes Niklaus. — Admitir vendo aquela fila enorme de carros ao nosso redor.
— Fico feliz em ouvir isso. — Falou orgulhosamente, colocando seu cotovelo no batente da janela do carro, e depois as costas da sua mão no seu queixo.
— Por quê? — Perguntei quase inocentemente demais, me virando no assento para encará-lo melhor, o cinto há muito tempo eu tinha me livrado dele. — Não gostaria que além de eu respeitá-lo, o... — Hesitei vendo seus olhos claros, esperando minha fala. — O amasse como um irmão?
Ele balançou a cabeça minimamente, olhando com tédio para os carros que mal se moviam na nossa frente.
— Você fala como Elijah ás vezes. — Desdenhou secamente. — Por isso gosta dele?
Deitei minha cabeça no encosto do banco também, levantando minhas pernas, para ás abraçar ao redor do meu peito. Nunca faria aquele gesto com meu marido ao lado, seus olhos desaprovariam. Já o híbrido, não se importava.
— Por isso eu o amo. — Dei de ombros o corrigindo, de modo simples, o vendo desviar o rosto de novo. — E você gosta da Cami?! — Não era exatamente uma pergunta, mas fiz soar como uma. Ele já não sorria. — Deixe-me advinha. — Segurei um sorriso maior brotar nos meus lábios, adorando demais seu incomodo. — É complicado.
— Tudo é complicado, menos seu amor pelo meu irmão. — Disse ele, matreiro, mudando novamente o foco da conversa.
Rir suavemente coçando meu queixo com desdém. Se ele achava que eu tinha medo de conversar sobre como me sentia em relação a Elijah, ele estava enganado. Logo a ponte abriu, e o trafego ganhou velocidade.
— E fácil amar alguém, quando ele planta esse sentimento no nosso... Interior. — A palavra que eu ia usar seria “coração”, mas quando Klaus levantou a sobrancelha, se preparando para zombar, eu apenas mudei de direção. — Cami é fiel a você. — Lancei as palavras de modo suave, como se temesse que ele achasse minha intromissão abrupta demais.
Ele acelerou o carro, girando para a pista direita. Não parecia tão incomodado com minha afirmação.
— Ela ainda é muito nova, tem muitas oportunidades pela frente, muitas coisas a serem vivida. — Klaus parecia reflexivo, como se não fosse á primeira vez que tinha pensado sobre aquilo.
— E eu não tenho? — Perguntei meio chocada.
— Você é uma bruxa, e ela é uma humana, é diferente. — Disse maliciosamente, me fazendo revirar os olhos. — Acho que quando chegar a hora, Elijah vai pedi a você que se transforme. — Ele sussurrou as palavras, como um segredo sombrio.
O encarei seriamente, me lembrando das palavras do próprio Elijah, sobre viver uma vida humana comigo. Será que Klaus não via aquela possibilidade? Não via que seu irmão podia o deixar?
— Hunnn... Você podia transformar Cami. — Sugeri mudando novamente o rumo da conversa. Eu nunca tentaria colocar os irmãos em lados oposto. Não quando via que eles se amavam.
— Chega de falar da Camille. — Pediu fazendo um gesto de mão, deixando uma careta no seu rosto. — Você e Elijah estão bem?
— Sim. — Admitir apertando meu olhar em sua direção. — Estamos bem, mesmo ele não estando. Acha que ele vai superar isso? — Perguntei me lembrando do que queria perguntar antes.
— Com o tempo. — Foi tudo que Klaus disse, de modo sério. Depois ele voltou a sorrir, e mesmo dirigindo com uma mão, se virou para me encarar. — Precisamos montar um plano de ataque a Finn, assim que possível eu vou atrás dele.
— Espero que não espere minha ajuda. — Disse pausadamente. Vendo que ele só queria minha confirmação de esta bem com seu irmão, para já começar a me pedir favores. O fazendo ficar sério novamente. — Eu tenho que cuidar de algumas coisas, do meu coven.
— Finn é o problema, Anabella. — Garantiu Klaus, mordendo os lábios com força. — Não ouviu o que eu disse sobre família? — Perguntou, parecendo quase ofendido por eu não ficar as cegas seguindo suas ordens.
— Céus Niklaus! Você fala muita besteira. — Resmunguei, abaixando minhas pernas, para voltar a colocar o cinto de segurança, agora que o carro já se movimentava mais rápido. — Não curto jogo de palavras, se quer algo de min, peça. Até parece que não... — Revirei os olhos, olhando para meu lado da janela, vendo já as ruas festivas perto da Praça Jackson.
— O que? — Incentivou ele, e mesmo sem o encarar, eu tinha certeza que ele se controlava para não gritar.
Ele queria minha ajuda para acabar com Finn? Sim. Mas eu não conseguia nem lidar com o fato que ele tinha matado Ansel, seu pai biológico, ou ter deixado sua mãe para morrer, quando ele tocou no assunto com simplicidade.
A verdade era que Niklaus me assustava, quando mais tempo eu ficava perto dele. Eu não sentia que ele gostava de min, não como Elijah para relevar algumas palavras ditas de supetão. Ou deixasse meu sorriso preencher as lacunas do silêncio. Eu queria sim o amar como um irmão, mas ao seu redor, havia uma grande e tensa camada escura que formavam um escudo. Um escudo sombrio que me barrava.
— Me conhecer. Você não me conhece. — Soltei, o encarando seriamente. — Eu sempre vou ajudar sua família, porque sou parte dela, mas não posso ser uma ajuda vinte quatro horas. Tenho meus problemas também. — Falei suavemente, ainda vendo seus olhos brilharem em revolta. Ele não ouvia muito não.
— Tudo bem. — Disse ele duramente, desviando o olhar, apertando seus lábios em uma linha fina.
— Já imaginou se quem tivesse se casado comigo fosse você? — Perguntei sem me controlar, não gostando do seu rosto tenso. A verdade era que se Elijah estivesse com aquela expressão carrancuda, eu teria que cede-lhe o que ele quisesse. Tanto por o amar, quanto pelas minhas obrigações como esposa. — Ia fazer valer todos seus direitos de marido, aposto. — Resmunguei analítica, vendo um sorrisinho mínimo machista brotar da sua boca, fazendo sua bochecha se erguer.
— Meu irmão não sabe aproveitar o peso da liderança. — Zombou me fazendo o fuzilar com um olhar duro e pesado.
Revirei os olhos, em descaso, e fiquei novamente relaxada no banco. Levantei o livro, marquei a página, e o guardei na bolsa aos meus pés. Klaus dirigiu mais rápido, e apenas trocamos mais algumas palavras sobre o tempo, sobre aquela área que tinha bruxas. Ele conhecia muito bem Nova Orleans.
Quando entramos no French Quarter, sentir um arrepio queimar minha nuca. Klaus dirigia mais habilmente, como se soubesse de cor o caminho para a casa. Casa... Pensei, não parecia à mesma coisa sem Elijah.
Quando o híbrido estacionou na frente do complexo, apertei meu cachecol ao redor do meu pescoço, e desci quando abria a porta. A cidade estava gélida. Havia bandeiras vermelhas, pessoas andando e gritando por todos os lados, e árvores de natal pela calçada.
— Deixe aí. — Pedi vendo o híbrido começar a tirar minha mala, quando deu a volta no carro. Ele levantou a sobrancelha em uma pergunta muda. — Eu vou para o Hotel ver minha irmã, talvez durma lá. — Contei simplesmente não entrando em detalhes.
— Você que sabe. — Ele não pareceu se importar muito, apenas se voltou para o complexo, e entrou a passos largos.
O segui de perto, garantindo que a chave do seu carro estava na ignição. Ele abriu as portas de madeiras, e esperou eu passar para podemos entrar no corredor escuro.
Havia vozes altas, e não me surpreendi por ter tantas pessoas ali no meio do primeiro patamar.
Sentir aquela força que sempre sentia ao estar novamente em Nova Orleans não permitir que eu abaixasse a cabeça. Afinal eu era uma Mikaelson. E Mikaelson não deixavam se intimidar. Mesmo que vampiros e lobisomens me encarando, me intimidasse, eu não poderia demostrar.
Sorrir polidamente, não mostrando meus dentes, e continuei a caminhar do lado do híbrido que não se permitiu a ser educado ou mesmo olhar duas vezes para ninguém. Subimos as escadas, ouvindo as vozes voltando a ganhar vida, e finalmente eu fui para o meu quarto, não ligando para onde Klaus iria.
Meu quarto estava impecável, como se alguém o tivesse limpado todos os três dias que eu não tinha o visto. Fui ao banheiro, e depois sair secando meu rosto, atendendo meu celular que tocava alto em cima da cama, aonde foi jogado.
— Espero que já tenha chegado. — Disse Dimitri meio alvoroçado.
— Sim, estou no Complexo. — Contei, indo ate minha penteadeira para arrumar meu cabelo um pouco. — Novidades sobre aquele assunto? — Era estranho conversa em códigos, porém a necessidade exigia. Até mesmo as mensagens do bruxo fizeram minha mente queimar.
— Muitas. — Garantiu animado. — O voo parte daqui a duas horas.
— Mas hoje? — Perguntei estupidamente, já ficando de pé.
— Estamos meses procurando isso Belle. — Disse o bruxo um pouco mais intenso quase falando em Francês para eu entender mais rápido. — Não temos mais tempo a gastar. Sua irmã também vai, já que é para o mesmo lado.
Suspirei fundo, realmente soava bom Isís poder nos acompanhar, mesmo que fosse até certa parte da Missão.
— Tudo bem. — Aceitei, sentindo meu estômago se contrair levemente. Eu estava com fome. — Vem me buscar, ou...
— Já estamos chegando. — Anunciou apresado. — Te pego na frente.
Ele desligou o celular antes mesmo de eu poder falar mais alguma coisa. Suspirei fundo, vendo meu quarto, a cama arrumada, me chamando. Eu queria tanto deitar em uma superfície plana um pouco, mas não o fiz. Corajosamente apaguei novamente a luz, e sair sem olhar para trás.
Antes de descer vi uma luz por perto acessa. Se você morava em um complexo tão antigo, sabia que se uma luz estivesse acessa, não de vela, havia alguém lá. Não era o quarto de Klaus obviamente, e me surpreendi ao ver de fato quem era.
— Vejam só quem de fato se junta a família! — Exclamei sentindo uma pontada de animação.
O jovem de cabelo preto, rosto meio infanto-juvenil, me encarou com visível surpresa, mas não menos sorridente. Seu sorriso beirava a marotagem, porém havia uma pitada de malicia que fazia ele parecer com um moleque.
— Olá cunhadinha, ou prefere Bella? — Perguntou se aproximando com passos largos e grandes.
Entrei no quarto e aceitei seu abraço rápido.
— Faz tempo de fato, mas ainda é Bella... — Mordi os lábios evitando sorrir ainda mais. — Kol.
Ele riu de forma gostosa. Como um jovem mesmo faria.
— Alguns meses. — Admitiu se voltando para sua mala em cima da cama. — Nik me ofereceu um quarto no complexo , o que acha? — Perguntou fazendo um gesto amplo para o quarto.
Era quase idêntico aos demais, se não fosse pela janela que dava em uma escada de incêndio, uma lareira embutida na parede, e um toque um tanto sombrio por não ser habitável. Dei de ombros, indo em direção a foto em cima da lareira.
— Oh, não acredito que esse é você! — Exclamei virando a foto para ele. Havia outro Kol ali, alguém mais velho, mas que tinha o mesmo sorriso que o de agora exibia.
— Eu sei, eu era lindo do mesmo jeito. — Garantiu pomposo olhando para o teto, como se estivesse fazendo uma posse para tirar uma foto. — Ou talvez mais. — Se gabou bagunçando charmosamente o cabelo. Acabei rindo alto, e lhe dando um soco no ombro.
— Eu sou uma mulher casada agora Kaleb, e sei bem quem você é. — Adverti-lhe fingindo dar uma bronca.
Ele levantou as mãos como quem se rendia.
— E Elijah? — Perguntou um pouco mais sério.
Pendi minha cabeça para o lado, não sabendo como responder. Eu não era tão Mikaelson, e ao mesmo tempo era, para saber quem era ou não confiável. Kol não era, porque nem deveria saber que tinha uma sobrinha.
— Resolvendo alguns assuntos de última hora. — Mentir soando incrivelmente suave, estranhei também a forma como as palavras pareciam terem sido gravadas na ponta da minha língua. — Logo ele aparece, todavia... — Olhei de modo significante para a porta. — Eu preciso ir.
— Então, é isso, nos vemos depois. — Ele me ofereceu sua mão, e eu dei a minha pensando que ele a apertaria. Porém, cavalheirescamente, com um sorriso pequeno nos lábios, ele se curvou sobre seu próprio corpo, fazendo uma mensura real. E tocou as costas da minha mão com sua boca. — Senhora minha cunhada.
Apertei os olhos, dei um passo para trás, e fiz uma mensura fingindo que segurava um vestido imaginário.
— Até mais tarde. — Lhe dei uma piscadela lhe fazendo rir, e sair do quarto sem olhar para trás.
Desci novamente as escadas, agora apresada. Acho que agora que Klaus já não estava comigo, ninguém realmente se sentia intimidado para ficar em um silêncio constrangedor. O que agradecia de fato.
— Ei, podemos conversa? — Pediu Hayley aparecendo na minha frente, antes mesmo de eu terminar o último degrau.
— É muito importante? Porque estou atrasada. — Perguntei ao mesmo tempo que sentia algo novo nela, pelo menos no seu olhar em relação a min. Não havia um peso afiado que eu jurava sempre haver.
— Só queria saber... — Ela balançou o corpo de forma lenta, me chamando para o canto embaixo das samambaias do teto. — Bem você sabe...
A seguir fielmente, demorando um pouco para entender o que ela queria saber. Ela fez um gesto circular para sua barriga, e olhou para os lados de forma nervosa.
— Oh. — Entendi, e sorrir sem me conter. — Camille esta ótima. — Garantir mudando o nome de Hope. Hayley suspirou fundo sorrindo brandamente, pareceu que um peso enorme saiu dos seus ombros. Eu balançava descontraidamente meu celular na mão, e então me lembrei de algo. Passei o dedo na tela, abrindo os aplicativos depois de circular a senha correta. — Olha isso. — Mostrei a primeira foto que tinha tirado enquanto fazia a mamadeira de Hope pela manhã.
Hayley sorriu largamente, pegando o aparelho nas duas mãos, quase com medo de desfazer a imagem que aparecia na tela minúscula. Seus olhos lagrimejaram á medida que ela passava as fotos. Hope tomando banho, no meu colo olhando para o jardim.
— Hayley, tudo bem? — Perguntou Jackson se aproximando visivelmente preocupado.
A híbrida riu sem graça, desviando o rosto, e me devolvendo o aparelho.
— Como vai Jackson? — Perguntei educadamente, dando uns segundos para ela se recompor.
— Bem, e você? — Disse ele me olhando por um momento curtíssimo, preocupado obviamente com sua noiva.
— Indo. — Dei de ombros, cruzei meus braços, e lhe dei um aceno me retirando.
Cruzei ainda com Marcel, que me cumprimentou formalmente com um sorriso gentil, e um apertar de mãos. Havia uma garota de cabelo preto perto demais dele para não soar estranha a forma fixa que ela me encarava. Uma vampira.
Não me prendi aos detalhes, e sair finalmente do complexo, vendo um dos vampiros começar a abrir o carro de Klaus, provavelmente para guardá-lo na garagem. Dei uma corridinha e pude tirar minha bolsa do banco da frente, e ele retirou a mala de trás. Deixando-me ali na calçada em espera.
Girei meu pescoço sentindo certa tensão criar um peso quase físico sobre meu corpo. O carro branco de Dimitri não demorou muito a aparecer. E fiquei feliz ao ver quem estava no banco de trás com um sorriso enorme me cumprimentando.
— Ei irmãzinha. — Segurei sua mão suavemente, abrindo mais meu sorriso. — Tudo bem?
Ela apenas balançou a cabeça suavemente. Destrancando a porta para eu me juntar a ela. Mas Dimitri saindo, me barrou.
— Só isso? — Perguntou marotamente olhando a mala grande e minha bolsa pendurada no meu ombro.
— É bom ver você também. — Lhe dei um beijo no rosto, ao mesmo tempo em que sentia seus lábios na minha bochecha. — Será que dar tempo de comemos antes? — Perguntei segurando a porta do carona quando ele deu a volta no carro para abrir o porta-malas. — Estou faminta.
— Seria estranho se você não estivesse. — Disse outra voz conhecida me fazendo revirar os olhos.
— Já começou a implicância é Joff? — Perguntei também implicando, usando seu apelido, quando entrei no carro. Vendo o bruxo loiro com óculos de sol. Desleixadamente encantador sentado no banco da frente. Virei-me para Isís a abraçando fortemente. Sentia saudades daquelas pessoas mais do que imaginava. — E você, trouxe tudo? — Perguntei um pouco preocupada da presa não ter lhe agradado.
O carro começou a andar, e Dimitri ligou novamente o som baixinho, talvez nos dando um pouco de privacidade. Afastei-me de Isís, a vendo confortável ao meu lado.
— Sim, ou pelo menos tudo que importava. — Garantiu ela sorridente. Ela era mais nova. Provavelmente faria vinte anos logo. E era tão suave quanto uma flor no meio de ervas daninhas. Alexei estava certo, era melhor que ela saísse de Nova Orleans. — Olhe... — Ela tirou um papel de dentro da jaqueta, na verdade era algo plastificado, dobrado em quadrados perfeitos.
Abrir vendo uma certidão de nascimento. A dela. E no lugar que antes deveria esta vazio, havia o nome de Alexei. Nosso pai. Olhei novamente para ela, sentindo uma emoção borbulhar pelo meio peito, fazendo minha garganta queimar. Isís sorria ainda mais fortemente, parecendo tão contente com algo tão simples.
— Você o viu antes para se despedi? — Perguntei maciamente.
— Oh sim, tomamos café da manhã. Ele lhe mandou um beijo. — Disse ela alegremente balançando a cabeça. Apertei sua mão assentindo que havia entendido, e me voltei para os garotos.
— Dimi, temos mesmo que ir de avião? — Perguntei o vendo entrar em uma rota circular — Não dar para ir de carro?
— De avião é mais rápido, menos de três horas. — Garantiu o bruxo negro. Acelerando o carro até o nível limite.
— Toma. — Jeofrey me ofereceu uma caixa pequena de passas secas, sem nem me encarar.
— Obrigada. — Agradeci fervorosamente alegre, abrindo a caixa de papelão, para tirar as passas cobertas de chocolate dali. Ofereci para Isís que negou com um aceno de cabeça. — Vamos direto para a Virgínia? — Perguntei e logo a pós comecei a comer o doce.
— Sim. — Garantiu Dimitri. — A magia ao redor da cidade caiu, e todos os feitiços de localização se acenderam como um farol há quase cinco dias atrás. — Contou ele animado arrumando seu chapéu preto na cabeça. — Ninguém imaginou que o lugar que estava em branco no mapa, fosse onde eles estão.
— Do que vocês estão falando? — Isís não era tão inocente quanto eu pensava, ao notar que estava sendo deixada de lado.
— Precisamos encontrar um casal de bruxos antigos, ou seus corpos. — Lhe contei suavemente, vendo Jeofrey se virar para me encarar com um aviso no seu rosto sério. Um aviso que eu não gostei. Suspirei fundo e sorrir minimamente para minha irmã. — Mas é claro, que antes eu vou garantir que você tenha tudo para começar sua faculdade. — Mudei de assunto polidamente, como estava começando a fazer tão bem quanto mentir. — Um apartamento perto do campus, um carro.
— Mas isso... Isso. — Isís ficou corada, não sabendo como recusar tal ajuda.
— Papai já economizou muito comigo Isís, o deixe gastar um pouco com você. — Brinquei, vendo Jeofrey voltar a se sentar direito.
— Saudades de ir para a faculdade de bicicleta Bells? — Perguntou Dimitri me encarando pelo retrovisor, me fazendo rir, e até mesmo Jeofrey.
— Com certeza. — Balancei a cabeça positivamente só para dar mais ênfase a minha afirmação.
Ficamos em silencio agradável, e quando chegamos ao aeroporto de Nova Orleans, percebi que não éramos os únicos que iam atrás de Qetsiyah e Silas, mas uma boa dúzia de bruxos do nosso coven, todos tinham rostos familiares, felizmente. Eu e Isís deveríamos ser as únicas mulheres ali. Interceptei Jeofrey quando fomos fazer o check in . Preparada para deixar claro algumas coisas.
— O que foi? — Perguntou ele baixo, não esperando exatamente uma pergunta vinda de min, para continuar a fala. — É óbvio que seu pai e você querem a garota segura, e acredite Ana, é melhor ás vezes não saber de tudo.
— Eu sei Jeofrey, não sou burra. — Falei duramente em um tom ríspido. — Apenas não der a entender que eu não quero que ela saiba das coisas, ela é da família.
Ele apertou os lábios, e soltou minha mão do seu braço, que eu nem percebi que estava ali amaçando sua camisa.
— Você anda muito maternal. — Gruiu ele, como se não reconhecesse aquela aquisição nova na minha personalidade.
— Apenas liderando isso tudo, essa missão, lembre-se disso. — Falei levantando o dedo em riste para o seu nariz.
Não o deixei falar mais nada, mesmo quando sua boca estava aberta sendo preparada para retrucar. Porque era a hora de passar pela segurança. Desliguei meu celular, e fiquei atrás de Isís, na fila grande, que parecia nervosa. Será que ela tinha medo de altura? Perguntei-me, preparada para questioná-la. Mas ela falou antes.
— Que cidade você vai que é perto de Whitimore? — Perguntou demostrando sua curiosidade.
— Mystic Falls. — Lhe confidenciei sabendo sim que ela era confiável.
— Espero que não tenhamos problemas. — Resmungou Dimitri do meu lado, ouvindo a conversa, e diferente de Jeofrey não se importando por eu contar a Isís. Levantei a sobrancelha pedindo que ele continuasse. — Investiguei a cidade. Muitos casos de mortes por... — Ele levantou os dedos fazendo aspas no ar. — Animais.
— Vampiros. — Sussurrei a palavra, mesmo sentindo Victor e Cláudio, bruxos de confiança atrás de min.
— Sim, estou pensando em dobrar nosso pequeno contingente. — Propôs ele pensativo.
Olhei para trás, vendo aqueles bruxos experientes, e fortes. Será que eles não seriam suficientes? Perguntei-me quando a fila começou a andar.
— Não vamos arriscar. Assim que chegamos a Virginia garanta reforços. — Aconselhei ao mesmo tempo em que mandava. Apenas sabendo que com Dimitri eu não teria problemas em liderar aquilo.
Por ser mulher ou não, eu nem queria liderar nada, mas o concelho pela boca de Alexei me garantiu liberdade de escolha, então eu precisava me sobrepor um pouco sobre Jeofrey e talvez um ou dois machistas dos que nos acompanhavam. Sabia que bruxos não eram sutis em procurar nada. E eu não era queria vitimas, vampiras, ou não, no que deveria ser só uma viagem curta de no máximo dois dias.
Sentir minha cabeça começar a doer quando entramos no avião. Eu deveria ter contado para Klaus aonde eu iria, e garantir que Elijah não veria problemas naquilo. Mas eu não tinha tempo. E talvez no fundo soubesse que Elijah me forçaria a ficar e ajudar seu irmão quando ele não podia. Eu tinha obrigações com minha família consanguínea tanto quanto a do meu marido. Eu dizia para min mesma, todas as vezes que pensei em ligar para o vampiro original de terno.
E aquela sensação de não saber a quem colocar primeiro na minha lista, era sufocante.
— Tudo bem? — Perguntou Isís parando de contemplar a sua janela.
— Tudo, eu só preciso de uma bebida. — Dei de ombros, esperando impaciente que aquela viagem acabasse logo.
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