You Set Me Free_ 2°Temporada
21 The Christmas candy that had.
Notas iniciais

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Isís.
Nova Orleans
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Dimitri girou meu corpo em seus braços de forma tão rápida que perdi o folego. Depois ele me fez cair em seus braços, meus olhos se arregalaram quando eu vir tudo de cabeça para baixo. Quando fiquei novamente para cima, sentir minha cabeça rodar minimamente. Mas o riso que soltei foi completamente involuntário.
— Vai devagar. — Pedi tentando soar rabugenta, mas ele apenas me rodou novamente, fazendo seu corpo se colar por trás do meu, enquanto me abraçava de forma cruzada em cima dos meus próprios braços.
Rir novamente alto, tentando entender aqueles passos estranhos. As crianças dançavam ao nosso redor, e os mais velhos tinham uma cara fria pela música estilo R&B. Em pensar que o almoço inteiro só se tocava música clássica que me deu sono. Mas ao cair da tarde, a música estridente de um rock, funk, dance foi colocada. A pista se transformou em algo estranho e bem eclético. Que fazia a grande maioria da família se diverti.
— Chega, chega! — Exclamei por sobre a música que acabou, e se enrolava em outro começo.
— O que? Não, não, não. — Disse o bruxo negro balançando a cabeça negativamente, me puxando pela cintura enquanto eu tentava voltar para a mesa.
Rodei seu braço rápido, e dei uma corridinha passando por um casal que abriu espaço no seu corpo, mas não abaixaram suas mãos no alto. Passei abaixada entre eles, rindo sem me conter, até que voltei à mesa, pegando a taça com água, para aliviar um pouco aquele calor do local fechado.
— Já cansou, é?! — Indagou Dimitri com aquele sorriso enorme e animado, quando se sentou na minha frente, voltando a beber seu drink. — Bella no seu melhor dia ficaria dançando a noite toda.
— Bem, eu não sou acostumada. — Dei de ombros como se não me importasse dele ficar toda hora me comparando a minha irmã. Mas fazia sentido, já que ele era seu melhor amigo. — Sinceramente já estou até pronta para dormi. — Resmunguei voltando a comer aquela pasta cremosa de chocolate, embrulhada em um tipo de bolacha.
Dimitri pareceu incrédulo, mas depois riu alto.
— Bela piada. — Aprovou, me fazendo sorrir largamente.
Apesar de cansada, eu poderia ficar me divertindo, como uma adolescente que eu nunca fora. Durante dias. Dimitri parou de ri, e encarou por sobre meu ombro, algo.
Eu girei meu pescoço automaticamente, colocando meu queixo no meu ombro. Vendo um homem novo como ele se aproximar. Era um pouco loiro, e tinha um porte forte e chamativo, percebi como algumas garotas giraram o pescoço automaticamente para acompanhar seu andar. E curiosamente ela parou na frente do bruxo negro que se levantou.
— Jeofrey, onde estava? — Indagou Dimitri dando um abraço masculino de segundos pelos ombros do loiro que tinha seus cabelos levemente molhados, notei.
— Ajudando Cami. — Respondeu simplesmente o outro, de forma cansada, enquanto suspirava e coçava seu queixo.
Desviei rapidamente o olhar voltando a beliscar meu pavê, sabendo que não deveria ficar encarando os outros. Principalmente quando ele havia notado, e se virado para me encarar de forma curiosa.
— Ah, essa é a Isís. — Apresentou Dimitri, me fazendo levantar minha cabeça, para lhe dar um sorriso pequeno de cumprimento. — Isís, esse é o Jeofrey.
— Prazer. — Falei polidamente.
— Oi, tudo bem?! — Disse ele da mesma forma, me dando um rápido olhar. Depois puxou uma cadeira entre min e Dimitri para se sentar.
Levantei-me sentindo que o clima ficou um pouco pesado, ou foi meramente o olhar deles. Inventei qualquer coisa para sair dali, e eles consentiram sem delongas. Quando me afastei da mesa. O tal Jeofrey estava debruçado sobre Dimitri que perderá definitivamente seu sorriso. Problemas a caminho, com certeza.
Passei por algumas bruxas que definitivamente estavam embriagadas pela forma que riam alto. E depois sai do salão. Meu pai não estava mais lá. Por isso não me preocupei em voltar e falar um até logo. Havíamos conversado muito. E quando ele precisou voltar para seu telefonema e reuniões (como Dimitri tinha dado a entender) eu apenas me afastei. Havia entendido plenamente que apesar dele me amar, ele tinha sua vida, e logo, eu também teria. Bem, eu esperava ter.
Sair pelos corredores que davam para outro salão, e acabei pedindo informações para um segurança que me mostrou o caminhão até o saguão. Chegando lá, simplesmente passei por mais pessoas, rindo, felizes, parecendo incorporar o espirito de natal.
No saguão mesmo, havia uma pequena árvore decorativa, que brilhava tanto que diminuíram as luzes ao seu redor. Fazendo-a parecer quase um objeto encantado.
Levantei a barra do meu vestido, quando comecei a descer as escadas pequenas, sempre olhando para baixo para evitar cair. E o assoviou alto, bem masculino me desconcertou de tal forma, que quase me desiquilibrei em cima do salto alto, e provavelmente cairia se não fosse pelos braços fortes me amparando.
— Oliver?! — Perguntei sentindo meu coração bater mais rápido pelo susto, ou pelo seu rosto tão perto.
— Boas festas para você também. — Disse brincalhão, se afastando minimamente, mas não o suficiente para simplesmente deixar de circular com um braço minha cintura.
— Ah... Sim. — Balancei a cabeça tentando me orientar. Sua presença era de certa forma potente. Ele parecia preencher minha visão com seus ombros largos, e com seu sorriso brilhante. Ele oficialmente me deixava nervosa. — Boas... — Cocei minha garganta, olhando para baixo, para descer o último degrau, e assim me afastar dele. — Boas festas para você! — Desejei de modo sincero, já podendo pensar melhor, quando ele não me tocava. — Você veio para a festa? — Perguntei animada.
— Festa?! Está tendo uma festa e ninguém me convidou é? — Perguntou fingindo-se de surpreso. Ele até colocou as mãos na cintura, balançando a cabeça de forma descreditada, e eu não pude evitar rir. — Mas realmente... — Ele voltou a ficar sério. — Ninguém realmente me convidou.
— Oh. — Foi tudo que eu conseguir dizer, e nem significava palavras. Apenas fiquei meio que envergonhada. Bem mais que envergonhada, na verdade.
— Não tem problemas, de verdade. — Garantiu o loiro balançando as palmas das mãos rapidamente. — Eu curto mais ficar com a minha matilha. Mas, resolvi sair, esta uma loucura na Bayou.
— Espero que seja uma loucura boa — Soei animada. E ele sorriu ainda mais fazendo seus olhos brilharem.
— Muito boa. Finalmente parece que nossa matilha vai se unir de novo. — Ele deu um suspiro rápido, como se tivesse tirado um peso dos ombros. E fosse mais leve apenas o ato de respirar. — Então, você esta mesmo morando aqui?
— Bem... — Hesitei mordendo meus lábios. E abaixei meus olhos depois de reparar pela primeira vez o que ele usava. Uma calça jeans escura, camisa branca, e um terno preto. Ele estava realmente bonito. Com seus cabelos claros, até o ombro, penteados para trás. Percebi naquela inspeção rápida, o que tinha em uma de suas mãos. Era um embrulho pequeno, e rosa! Levantei a sobrancelha, sem me conter, e ele apenas riu, mas agora envergonhado. — Não me diga que é para min? — Indaguei sem me conter, parecendo chocada.
— Não foi comprado okay?! — Se justificou parecendo um pouco acanhado na verdade. Não soube o que dizer, todavia, meu corpo sabia o que sentir. Havia tantas borboletas no meu estômago, que eu jurava que tudo ao meu redor tinha saído de foco. Mas, não saiu.
— Com licenças senhorita. — Disse um garçom, tentando subir pelas escadas que estávamos barrando, com um carinho de bebidas em garrafas.
— Sim, claro! — Dei um passo para o lado, e Oliver me seguiu, não antes de falar.
— Ei amigo, será que eu posso? — Perguntou para minha surpresa, já levantando duas taças e uma garrafa de champanhe.
— Fique a vontade senhor. — Disse o moço educado, parecendo apressado. — Se eu fosse vocês se apressariam. — Aconselhou, empurrando o carrinho. — Os fogos de artifícios já vão começar!
— Valeu amigo. — Disse Oliver simplesmente. Voltando a ficar do meu lado. — Eu trabalhei em um hotel quando era mais novo. — Contou maciamente, me dando um olhar seguro, para imos em direção ao elevador. — Quer apostar quanto que o terraço é aberto hoje?
Eu acho que eu não queria apostar nada. Já que não conhecia o Hotel. Todavia, seguir ele fielmente para dentro do elevador, aonde algumas pessoas, com crianças por suas pernas, saíram, correndo com presa.
Sentir o elevador subir, quando ele apertou o último botão, e apenas esperei pacientemente, perguntando se ele queria que eu levasse as taças, que ele segurava entre seus dedos. Ele negou ajuda.
O embrulho rosa pequeno parecia ter sido escondido. Não perguntei tão pouco sobre aquilo. Mas sentir novamente aquele formigamento interior, aquecer meu corpo de tal forma, que minhas bochechas ardiam. Quando as portas se abriram, Oliver olhou para seu relógio de pulso, e apresou os passos para uma das portas vermelhas.
Subimos dois lances de escadas, e acabamos em outra porta fechada.
— Acho que vamos ter que voltar... — Comecei a dizer sentindo a animação morrer, porém aquilo não impediu o lobisomem.
Com uma força extraordinária, ele quebrou a maçaneta com um leve chute, a meu ver, fazendo um barulho alto ecoar pelo espaço vazio. Abrir minha boca prestes a retrucar, mas ele não deixou, apenas riu da minha careta, e me empurrou para dentro com sua mão gelada por causa da garrafa de champanhe que tocou minhas costas por um segundo, me fazendo arrepiar.
— Deixe-me adivinhar, você é do tipo, certinha? — Perguntou soando novamente malicioso e encrenqueiro.
— Eu cresci em uma vila só de mulheres. — Comecei a contar seriamente. — Para depois estudar em uma escola rígida de só garotas, então sim, eu sou ... — Parei de falar, quando vir o céu a cobrir nossas cabeças, como um teto.
Parecia que havia, por que havia milhões de estrelas bem ali. Imóveis, apenas fazendo o que faziam de melhor. Serem um quadro perfeito da arte da própria mãe Terra. A lua crescente complementava o cenário, brilhando alva sobre o tapete azul escuro chamado céu, assim como as estrelas.
— As vezes, quebrar as regras, vale a pena. — Filosofou o loiro maquiavelicamente em um sussurro sombrio, e divertido ao mesmo tempo. — Venha! — Chamou o loiro, indo em direção ao que parecia, os patamares de caixas pequenas d´água.
Voltei a levantar meu vestido, vendo a escada de ferro, sem alicerce, Oliver subiu primeiro, com uma agilidade admirável para alguém com seu porte.
Engoli em seco, tentando não temer, e subir o primeiro degrau, me segurando na barra de ferro, com uma mão, e levantando meu vestido com a outra. Subir mais um degrau, e não foi preciso subir os outros quando Oliver segurou meus pulsos com força, e me puxou para cima, como se eu não pesasse nada. Soltei um gritinho sem me conter, o que só o fez gargalhar mais.
— Deve ser legal ter super poderes físicos. — Soei ranzinza, quando ele me soltou firmemente no chão.
— Qualé! Você deve fazer umas macumbinhas legais. — Falou entre risadas, enquanto eu lhe dava um olhar mortal, que se desfez quando eu acabei rindo da piada boba, quando ela não soou tão ofensiva, pelo toque de elogio que ele colocou nas palavras.
— Não zombe com a magia. — Pedi girando meus calcanhares, para ver que estávamos ainda mais em cima da cidade que brilhava ao nosso redor. No fundo, se podia ver a ponte em cima do rio Mississipi iluminada por luzes industriais. — O natal é sempre assim em Nova Orleans? — Perguntei sem deixar de me animar.
O pouco vento que batia ali parecia ser barrado pelas caixas d’água lateral. O que favorecia ficamos na beirada do patamar. Que lembrava uma laje, de concreto.
— Quando somos inocentes, sim. — Respondeu se flexionando em uma barra bem alta que segurava a tampa da caixa d’água em suas costas. Seus pés mal tocavam o chão.
— Como assim? — Perguntei não entendendo.
— Bom... — Ele deixou seu corpo voltar a cair no chão e se aproximou de min. — Você é inocente, mesmo para uma bruxa. E isso não é mal... — Deixou claro, com uma mão levantada. — Mas perigoso.
— Tentarei levar suas palavras como um elogio. — Confessei novamente não entendendo.
— Então as leve. — Permitiu sorrindo por um estante. — Você não me respondeu se vai morar aqui? No hotel... Ou na cidade?
Olhei para o chão por um segundo, cruzando meus braços. E depois o encarei corajosamente.
— Eu vou para a Virgínia, para uma faculdade de medicina, Whitmore. — Contei sem respirar. — Talvez essa semana mesmo.
— E não há boas faculdades em Nova Orleans? — Perguntou quase soando distante, seu sorriso parecia forçado. — Esqueça! Eu nem sei por que perguntei isso. — Disse, se auto repreendendo, deixando um sorriso estranho brotar nos seus lábios, quando voltou a ficar de costas para min, quando foi pegar a garrafa de champanhe que tinha colocado no chão.
— Então vai ser assim? — Perguntei minimamente irritada, por sentir que o “clima” amistoso tinha ido embora. — Eu falo algo que você não quer ouvir, e você me ignora?
— De maneira nenhuma! — Negou rápido, de modo sério. — Eu mais do que ninguém, sei aproveitar as coisas que estão prestes a acabar. — Ele olhou para a bebida entre suas mãos, e voltou a abaixá-la. — Que tal recomeçarmos em?! Ainda é natal, e faltam poucos minutos para vemos os fogos queimando.
Assentir com a cabeça, me abraçando um pouco. A adrenalina de uma fuga da festa, com um lobisomem que sempre me fazia sentir coisas que eu não deveria. Acabou me fazendo sentir o frio ambiente corporal que me incomodou.
— Tome. — Ofereceu o lobisomem, com um sorriso grande, me dando o embrulho pequeno rosa. Eu mesmo que fiz. — Garantiu, pegando minha mão para ele mesmo abrir a palma e colocar o embrulho ali. Era quadrado, um pouco pequeno, saia apenas minimamente fora da minha palma.
— Oh, Oliver, eu não comprei nada para você. — Disse abrindo lentamente o papel, para não o massacrá-lo. Quase com receio.
— Você me deu uma segunda chance. — Disse roucamente de forma solene. Olhei para os seus olhos parando de abrir o presente, vendo o quanto ele levava a sérios suas palavras. — Se você não tivesse aparecido praticamente do nada. Eu estaria morto. — Garantiu parecendo saber seu próprio destino.
— Outra bruxa ajudaria ... — Tentei fala, não dando importância ao que tinha feito para ele, ou não querendo receber tantos créditos que me deixavam envergonhada.
— Não. — Falou firme, balançando negativamente a cabeça para dar mais ênfase ao meu erro. — Você é inocente Isís, porque não sabe o que essa cidade faz com as pessoas. Bruxas não se manifestam para salvar lobisomens, elas os amaldiçoam, e os lobisomens em busca de vingança... — Ele pendeu sua cabeça para o lado, fazendo uma careta. — Bem, é melhor não saber. O que quero dizer, é que, você me salvou, e vou sempre esta em dívida. — Ele sorriu mais largamente. — Então abra seu presente, por favor! Antes que as coisas fiquem estranhas demais. — Pediu rindo.
Assentir com a cabeça, sentindo minhas bochechas arderem. E meu peito se apertar. Quando terminei com o papel, encontrei uma caixinha marrom. E lá dentro uma pulseira de fios de alguma planta que não soube reconhecer de imediato, misturada a couro em tiras. Apenas sabia pelo cheiro doce que exalava que não era verbena ou wolfsbane. Havia uma pedra quase perolada em uma ponta, e uma lua de madeira, entalhada artisticamente, do outro lado da pulseira.
— Jackson estava fazendo um para Hayley. — Confessou claramente nervoso pela minha reação muda. — Na verdade um colar! É, um colar! Quero dizer, pra Hayley sabe. — Falou rápido, parecendo ter problemas para afirmar que aquilo não era nada demais. Como um presente corriqueiro, que você dava por obrigação.
Voltei a olhar para o presente em questão, na minha mão E quando sentir a pedra da lua no meu dedo, pequena e feminina, soube que era sim alguma coisa. Não tinha um formato qualquer, ou mesmo fina. Devia ter sido procurada com cuidado. E a lua entalhada por ele mesmo me emocionou bem mais do que o colar de diamantes no meu pescoço. Era um presente quente, vivo. Como ele.
Com a adrenalina percorrendo loucamente minhas veias, fiquei nas pontas dos pés, sem me conter, apenas agindo por instintos e vontades. Ele era mais alto, mas não tanto graças ao salto alto. Com a mão levemente trémula lhe tracei o contorno do rosto com as pontas dos dedos de minha mão livre.
Sua barba áspera tocou minha mão macia, fazendo a sensação arrepiante ondular pelo meu corpo. Percebia sem sombras de dúvidas, o interesse em seu olhar. E talvez, foi aquilo que me incentivou a continuar. Enchendo-me de coragem, pousei minha mão em seu ombro forte, e depois a deslizei para seu pescoço, o puxando para min.
Foi como ser atingida por um raio que atravessou meu corpo, espalhando faíscas por todo meu sistema nervoso. Quando toquei seus lábios com os meus. Em um beijo doce e lento. Fechei meus olhos saboreando cada sensação.
Seus lábios, quente e macios se moviam com quase cuidado, saboreando cada segundo, como os meus.
Suas mãos ampararam minhas costas, fazendo meu corpo ser aprisionado entre o seu, e o vazio. Seus braços envolveram minha cintura, como uma corrente de aço.
Provando seu hálito quente, quando sua língua tocou minha boca, pedindo passagem sem demora, sentir sensações indescritíveis me invadirem, quando consentir que ele aprofundasse o beijo. Sentir que perdia a noção da realidade, porque desejei que o beijo não parasse com todas as forças do meu ser.
Foi uma colisão dura e faminta, quando sentir sua língua em minha boca de modo mais áspero, seus dentes quase mordiscando meus lábios. Quase possessivamente buscando seu bel prazer. Beneficiando-me no processo.
Segurando seu presente no meu peito, com força, me afastei relutantemente, quando o ato simples de respirar foi necessário. Suguei o ar com força para meus pulmões percebendo que o barulho que entoava ao nosso redor, não era meramente o meu coração que batia fortemente.
— Olhe! — Gritei sem me conter, jogando minha cabeça para trás, vendo os fogos de artifícios subindo no céu, que ganhando mais cores e barulho. Vermelhas, verdes, prata. Tudo brilhava.
Oliver riu alto, retirando suas mãos das minhas costas, para ele mesmo colocar a pulseira ali.
— É. Realmente foi um bom natal. — Disse quase para si mesmo. — E eu nem precisei enganar você com o lance do azevinho para ganhar um beijo. — Brincou maliciosamente me fazendo corar até um novo grau, antes desconhecido.
Eu, eu mesmo, o havia beijado, de livre e espontânea vontade! Espantei a vergonha o máximo possível, lembrando que ele havia correspondido de imediato.
— Não me diga que tinha isso em mente?! — Perguntei sem graça, mas de certa forma sentindo certa sensação que fazia o conforto se tornar mais profundo à medida que ele entrelaçava seus dedos dos meus, depois de jogar o embrulho e a caixinha do presente em algum canto.
— Claro que sim! Seria bem clichê... — Garantiu me puxando para seu corpo. — Mas é natal, e tudo vale.
Balancei a cabeça negativamente, com um sorriso enorme no meu rosto que eu não pretendia contê-lo tão cedo.
— Se você diz. — Dei de ombros, sentindo seus lábios tocarem minha bochecha.
— Feliz natal, bruxinha. — Desejou ele de modo sincero, fazendo seus olhos claros, brilharem em algum tipo de alegria intima.
— Feliz natal, lobo. — Também desejei no mesmo tom que ele. Zombeteiro.
— O champanhe! — Exclamou alto, e seus olhos ficaram maiores, quando ele se lembrou da bebida.
Ri da sua presa, quando ele ofereceu-me as taças, e foi abrir o champanhe, que explodiu em uma espuma grossa. No começo. Sua pulseira apertada no meu pulso fazia certo apelo chamativo para eu a encará-la a cada meio minuto.
Sentamo-nos no patamar das caixas d’águas, com as pernas balançando no ar, olhando os fogos que não pararam tão cedo. Saboreando o champanhe que fazia cocegas no meu nariz, começamos a conversar sobre tantas coisas, que eu sabia que veríamos o sol nascer. Seu terno foi colocado em algum momento por cima dos meus ombros, em um gesto cavalheiresco. Mas o que acabou de vez, com a sensação de: “Parabéns Oliver, esta sendo bem galante, me fazendo suspirar que nem boba!”.
Foi ele me roubar um beijo. E depois outro, quando começou a me contar dos jogos de futebol das matilhas quando era criança, e depois outro, quando eu comecei a falar de forma difícil ( segundo ele) sobre as formas naturais de se curar várias doenças, e porque eu amaria ser médica.
— Deus você fala muita coisa que eu não entendo! — Exclamou divertido, rodeando seu polegar na minha bochecha, sem deixar de encostar seus lábios nos meus.
E quando finalmente o sol raiou, percebi que inventamos tantos assuntos, porque quando eu fosse, seria de verdade um adeus. Eu ia embora de Nova Orleans, em busca dos meus sonhos. E ele não pediu nada, apenas algumas horas. Como se realmente soubesse aproveitar as coisas que estavam acabando. Ou no nosso caso, acabando antes de começar.
Meramente pensei sobre aquilo por alguns minutos. Percebi que não valia a penas se preocupa com o depois, só saborear aquele momento incrível. Coloquei minha cabeça em seu ombro, sentindo seu braço forte ao redor do meu ombro, e suspirei perante a beleza do pôr-do-sol que se estendia no horizonte.
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