You Set Me Free_ 2°Temporada
34 Teaching, learning and living....
Notas iniciais

Meu coração se apertou de uma forma completamente diferente. E muito desagradável.
— Você não podia fazer nada. — A voz suave, e ao mesmo tempo distante de Elijah tirou um pouco minha mente das curvas confusas, que a embriagues temporária tinha me levado.
Eu ainda estava tonta pela quantidade alarmante de álcool que havia consumido, ou mesmo pela noite ter ido do ponto alto de alegrias dançantes, a uma melancolia fatal.
Eu estava sentada na minha cama, no quarto de casal que dividia com Elijah, repassando o casamento de Hayley. Acho que decidir seguir o concelho de meu marido quando descaradamente, e sem avisar ninguém, Klaus anunciou a filha a toda a comunidade Crescente, vampira e bruxa da ocasião, e quanto também convidou Jackson para morar no casarão.
Era meio óbvio a forma como ele sorriu para Elijah, que aquilo foi um desafio subliminar. Então fui diverti-me com minha família e uma garrafa de Chardonnay.
Abrir minha boca para perguntar novamente. ”Então, Kol, está morto? Definitivamente?” Mas a expressão distante de Elijah, ao fazer nossas malas, o fazia parecer um guerreiro pronto para a guerra. Sabia que não tinha como eu tirar informações dele.
Abracei um pouco mais o travesseiro na minha barriga, e deixei minhas costas eretas no estrado duro da cama. Elijah saiu novamente do closet, com outra leva de roupas, como se procurasse se movimentar para não fazer seu corpo se violentar contra qualquer um. Descobri rápido que ele não pretendia ficar ali, claro que com o casamento de Hayley e Jackson, eu também não esperava dividir uma casa com mais um casal, mas, mesmo assim, achei que a gente podia conversar na manhã seguinte, não a meia noite.
Fiquei de pé rapidamente, e achei uma roupa mais confortável que aquele vestido longo. Blusão de tricô amarelo, e um short curto preto. Elijah mal notara minha presença quando passava de um lado para o outro, e eu tão pouco me incomodava em me demorar.
Quando coloquei uma bota confortável preta de cano longo, fui a procura de alguém que poderia me contar mais sobre a morte de Kol. O salão de festa estava ainda enfeitado, e com cheiro de bolo de laranja com glacê. E foi ali que encontrei Niklaus. Bebendo da garrafa de Bourbon, sentado em um banco alto em frente ao bar improvisado.
— Não estou a fim de conversar. — A voz rouca de Klaus, acentuava mais seu sotaque, e lhe dava um ar mais poderoso e maligno. Como se ele estivesse rosnando.
Sentir um tremor de puro aviso, tocar minha espinha, como gelo sendo derretido.
— Eu só queria saber se você estava bem. — Ao ponto que falava, notei que não era uma mentira deslavada que saia da minha boca, de certa forma, sim, eu queria saber se ele estava bem, assim como Elijah, ou mesmo Rebekah, que estava com Davina.
Os ombros de Klaus ficaram mais tenso, e outra onda de aviso me fez dar um passo para trás. Me sentindo ainda pior, como se fosse possível, dei outro passo para trás, suspirei melancolicamente, e me virei preparada para deixa-lo em seu luto, como Elijah queria ser deixado, talvez os irmãos precisassem de espaço naquele momento. Talvez eles não lidassem bem com a morte...
— Vou matar Finn, pelo que ele fez. — As palavras de Klaus, mesmo sendo repleta de ódio, tinha um toque psicótico e completamente maligno. Mas, havia certa dor ali, bem embaixo, mas que parecia englobar todos os significados da frase. Eu fiquei paralisada.
Olhei para os lados, vendo os quadros antigos da família Mikaelson, sendo recolocados pela equipe de limpeza que andava silenciosamente como vampiros, mas eram apenas humanos fazendo seu trabalho rápido e provavelmente hipnotizados. Caminhei até o bar, aonde me sentei lentamente, talvez por medo de fazer movimentos bruscos, do lado do híbrido.
— O ajudarei se for possível. — Engoli em seco, não sabendo se deveria encarar muito Klaus, seu rosto tenso, assim como seus lábios rubros, de sangue seco, estavam me deixando encabulada, como se tivesse o visto em um de seus momentos pessoas, e provavelmente estava. Por via das duvidas, peguei um copo de vidro limpo em cima da bandeja de prata, e me servi de uma dose de Whisky da garrafa pela metade do híbrido.
— Kol, era um pirralho mimado e lunático. — Klaus soltou um bufo risonho, como se estivesse falando com ele mesmo, e saboreando a graça da piada interna.
Tomei um gole da bebida antiga, que queimou meu estômago por alguns segundos. E ele pegou a garrafa de volta, como se temesse que eu a roubasse.
— Como todos os homens. — Aproximei meu copo do seu, tentando sorrir da sátira, mas o brinde foi seco, e silencioso quando o loiro tocou no seu copo no meu.
Não falamos “Ao Kol” como todos os brindes aos mortos, mas as palavras estavam empresas em nossas mentes.
Pensei que se eu pudesse me arriscar, lhe daria um abraço de pêsames, mas nem meu próprio marido parecia querer um abraço, então, qual seria minhas chances ali?
— Precisa de alguma coisa? — Questionei solicita, balançando o que seria meu ultimo gole de Whisky.
— Que tal, um pouco mais de sangue. — Disse ele de prontidão, felizmente colocando um pouco de sarcasmo e malícia que era de seu feitio na frase.
Segurei um sorriso, porquê não ia deixa-lo saber que fiquei aliviada de o ver ao seu natural.
— Minhas veias estão fora do cardápio. — Zombei sarcasticamente também, o vendo de perfil, enquanto eu encarava seu pescoço tenso.
— Não custa tenta, não é?! — Rebateu ele com um sorriso cretino, que não chegava aos seus olhos.
Klaus era tão diferente de Elijah na sua própria dor, que de certa forma, eu queria entender as minúcias deles. O loiro tentava parecer indiferente, mesmo quando já tinha duas garrafas vazia de Bourbon na sua frente, e antes provavelmente um pescoço, mas não queria deixar ninguém se aproximar para lhe ajudar, como um verdadeiro super macho alfa.
Perguntei-me, por um minuto no silêncio que se seguiu, se eu poderia ligar para Camille e pedi para ela vim conversar com ele. Sabia que Hope estava no quarto ao lado do de Hayley e Jackson, e provavelmente Klaus não a veria essa noite sem incomodar os noivos, e que Rebekah ao se apoiar em Davina, ou ao contrario, também não poderia ajudar. E mesmo querendo que Elijah tirasse aquela mascara fria do rosto, e tão bem colocada, sentia que era Klaus que parecia sofrer mais.
— Ele te falou algo? Antes de morrer? — Perguntei gentilmente, e pausadamente, como quem toca em uma ferida cheia de pus.
Os olhos de Klaus ficaram maiores, e eu quase pude ver, mesmo com a luz amena do salão, eles vítreos, como se relembrasse a cena, sua íris para meu espanto ficou dourada. Sua mandíbula se cerrou, como um animal prestes a rugir, suas costas se encurvaram, e seus punhos se apertaram. Minha mente não captou tão rápido meu movimento, mas lá estava eu, com a mão estendida prestes a tocar a sua, e foi o que eu fiz, como se quisesse garantir, fisicamente, que ele não se transformaria em um lobisomem a qualquer momento.
A lembrança nítida de um Kol, jovem, como Kaleb, deitando no chão, sendo abraçado por Rebekah, também em seu novo corpo, sendo observado cautelosamente por um Elijah quase distante e ao mesmo tempo preocupado e doído, não me abateu tanto quando ver pelo ponto de vista a cena na mente de Klaus. Ou ouvir as palavras de Kol claras, como se falassem para min.
Toda minha vida, a única coisa que eu sempre quis, foi que se preocupasse comigo.
Eu rapidamente sair da mente de Klaus, mesmo não sabendo como infernos eu estava lá, e ele se levantou rápido demais para eu ver o movimento, como se eu tivesse o insultado, o ferido, o manipulado, tudo ao mesmo tempo. Seu gesto bruto, fez o banco que ele estava cair no chão, com um baque alto.
Sentir minhas bochechas queimarem em pura vergonha, e meus olhos se abrirem mais.
— Como ousa? — Sua pergunta tão gélida como o pior inverno, fez meu peito arder e minhas veias congelarem.
Eu engoli em seco.
— Sinto... Muito. — Falei com dificuldades, enquanto me colocava de pé, com a cabeça ainda tonta. Percebi, talvez tardiamente, que a dor que se apossara do meu coração, e machucava minhas entranhas, não era minha, mas de Klaus. — Não foi sua culpa a morte de Kol... — Soltei sem pensar, me amaldiçoando por dentro. Mordi meus lábios com força, e sentir a bancada do bar, me barrar de uma fuga rápida e vergonhosa. — Niklaus, eu sinto muito. — Falei novamente sincera, colocando as palmas das minhas mãos suadas, na bancada fria de madeira como se precisasse me estabilizar.
Talvez minha sinceridade, banhada a pânico, tenha feito ele suspirar fundo, e relaxar, mesmo que minimamente. Ele olhou para o chão por um momento, e apertou seus punhos, sua irritação era nítida, mas era melhor do que a fúria implacável que muitas vezes era libertada. Ele mordeu novamente seus lábios, e sangue latejou na ferida semiaberta, ele parecia precisar querer sentir dor. Sua camisa, antes impecavelmente branca, mostrava manchas de sangue na gola, e nos punhos, como se ele tivesse feito uma caça antes de se sentar ali.
Eu devia sentir asco, ou mais medo, mas apenas parei de me preocupar em não ser eu mesma.
Eu dei um passo para frente, chamando novamente a atenção do híbrido, seus ombros se retesiaram, como se ele soubesse o que eu iria fazer, e mesmo assim não se afastou quando eu o abracei.
Meus braços envolveram seus ombros com certa delicadeza, como se eu tratasse de uma criança, e não de um vampiro e híbrido original. Sua tensão não se dissipou como eu esperava, quando deixei meu ombro entre o vão do seu pescoço, eu queria ser sua amiga, pelo menos naquele momento, todavia não sabia como me aproximar mais.
Pensando que já tinha sido constrangedor demais, me afastei, ou tentei, quando ele, Klaus, tomou a iniciativa de abraçar-me pela cintura. Eu fiquei mais alguns segundos ali, apreciando o contato ameno e quente de alguém parecendo despedaçado, eu queria dizer a ele que ajudaria, se ele quisesse, a juntar todos seus cacos, mas eu não podia. Não quando eu não sabia como lidar com ele completamente.
Kol abriu outra ferida nele, pensei, quando sentir sua cabeça deitar um pouco no meu ombro direito. Ferida que só poderia ser cicatrizada pela morte de Finn, ou o auto perdão de Klaus, temia, e sabia, que o híbrido ficaria com a primeira opção.
Quando nos afastamos, não nos encaramos, mas acho que por que já sabíamos quem nos observava.
— Podemos ir? — Perguntou Elijah sem expressão, e com uma voz quase monótona que incomodou-me.
Assenti com a cabeça, enquanto Klaus dava a volta ao meu redor, e sentava-se novamente no bar, para abri outra garrafa de sua bebida preferida. Parecia que minha solidariedade foi apenas uma ilusão sonhadora, quando eu seguir com Elijah para fora do Casarão.
Mas, eu sabia que foi real, pelo sangue no meu ombro, manchando meu blusão amarelo.
...
...
... Dias Depois ....
...
...
— Eu sou realmente péssima, inferno! — Exclamou Rebekah pela centésima vez naquele dia.
Eu suspirei colocando a mão na minha cabeça.
Eu não era uma excelente professora, mas me colocava na categoria “boa” pelo simples fato de tentar ensinar, o que eu já sabia desde de sempre.
Estávamos no galpão embaixo da minha casa, ou apenas o loft que Elijah achava que poderia ser tratado como casa para min. Nenhum problema pelo local, mas ao descobri que estava morando no território de vampiros, Argel se tornou um lugar de incrível tensão, ao meu já afiado senso de preservação.
— Escuta, já estamos nisso faz quase duas horas, vamos dar uma pausa okay? — Pedi vendo Rebekah com seu novo rosto, olhar feio para as velas á sua frente. — Eu preciso ir para o cemitério, e ainda de tarde... — Lamentei colocando meu braço ao redor dos seus ombros, para a puxar para a escada. — Tenho o casamento de Dimitri.
— Você anda muito ocupada. — Enfatizou Rebekah, com seu ar mimado intocado pelo novo corpo.
Apenas dei de ombro, e a puxei para cima.
Rebekah nem fazia noção de como eu estava ocupada, na semana que passou tão rápido que eu mal tive tempo de dormi. Havia começado as lições de Consagração com a maioria do meu coven á cima de vinte anos. Por um estante eu não sabia que consagrar um corpo, fazendo a magia ser acumulada “pela terra” de Nova Orleans, fosse tão puxado, mas as lições, quando eu já me considerava expert, apenas foram ficando cada dia mais difícil por tantos corpos que eu precisava ainda consagrar.
27 anciões, e 4 crianças que não passava dos sete anos, todos os rostos, depois da magia de preservação ser retirada, ainda estava na minha memoria. Aquilo era perturbador, e ao mesmo tempo recompensador. Eu estava em todas as consagrações, como Dimitri, e mais algumas bruxas mais aplicados, quando terminava, eu me sentia sobrecarregada de magia, mas meu corpo, tão mole quanto gelatina.
Sentia a frieza de Elijah bem vinda, pela falta de explicação que ele não requeria. Eu chegava depois da madrugada, e saia depois de acordar, quase as oito, o via poucas vezes, pelo simples fato de morávamos juntos, então dois dias atrás, ele me pediu para ajudar Rebekah a manipular a magia com perfeição no corpo que agora possuía.
Eu queria lhe dizer para beber ácido sulfúrico, mas a resposta mal criada, ficou perdida a medida que eu fechava os olhos e me entregava ao sono cheio de pesadelos.
— Espere um pouco aqui. — Pedi para Rebekah, quando entramos no meu quarto novo.
Eu não gostava da decoração sombria a lá gótica chique, mas adorava o ar de maresia que entrava pelas janelas de vidro. Talvez, na próxima semana, eu pudesse mudar alguma coisa, se tivesse tempo. Anotei mentalmente, quando sair do closet pequeno, segurando meu vestido na sacola.
— Então, você vai me deixar, depois de eu mal conseguir acender uma simples vela? — Perguntou Rebekah fazendo bico, enquanto se olhava no espelho.
— Porque ser sua professora é tão bom! — Exclamei sarcástica, antes de me controlar.
— Ui, alguém está estressada. — Alfinetou Rebekah, dando uma risadinha maligna.
Antes de sair do quarto, lhe mostrei o dedo do meio, me sentir jovem novamente, quando rimos ao descer para a garagem.
— Rebekah! — A voz de Elijah me fez travar por um segundo.
— Sim, Elijah? — Perguntou Rebekah, parando de andar.
Eu não parei, apenas não encarei Elijah, que parecia surgi do prédio vizinho, o Quartel General dos vampiros de Marcel. Abrir o porta malas, sentindo um frio agudo na base do meu pescoço, Elijah claramente me encarava.
— Aonde vai? Não ia ter uma aula agora? — A pergunta na voz de Elijah, parecia ser feita a min, não a Rebekah que respondeu.
— Bella tem um casamento para ir. — A nova bruxa parecia, ou tentava parecer, alheia a nossa frieza inabitual. — Então vou voltar para o Casarão, e atormentar o novo marido da Hayley...
— Não, não vai. — Dei a volta no meu carro, e abrir a porta do motorista. Deixei uma perna entrar, e encarei Rebekah. — Eu tenho horário, entra logo no carro sim? — Pedi educadamente gélida.
Rebekah, naquele novo rosto escuro, com cabelos castanhos e encaracolados, dava giros rápidos, como se encarasse uma partida de tênis.
— Vocês estão bem? — Perguntou ela enxerida como sempre.
Encarei Elijah com um sorriso doce, apaixonado e falso.
— Ótimos.
— Muito bem. — Disse ele ao mesmo tempo que eu.
Porem sua resposta era automática, como se pedisse para a irmã não se meter, mas a minha cínica, o surpreendeu e lhe tirou a mascara do rosto.
Entrei no carro, e liguei o motor, vendo que Rebekah não se movimentava, eu buzinei a acordando.
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— Ele está tão distante, e mal responde minhas perguntas, depois de dois dias de conversas monossilábicas, eu desistir. — Reclamei jogando minhas mãos para o auto, quando o sinal se fechou.
— E se fechou também. — Deduziu Rebekah, parecendo minha analista particular. — Qual é! Você é mulher, não sabe mesmo como o tirar de sua mente em luto? — Perguntou a Mikaelson, de um jeito animadamente falso, como uma líder de torcida.
— Luto? Acha mesmo que ele está em luto? Por Kol? — Perguntei com desdém. — Ele mal toca nesse assunto, pelo menos com Klaus foi mais fácil saber como o luto pode deixar uma pessoa de luto. — Lamuriei rápido demais, quando pisei no acelerador.
— Estamos todos em luto, espera! — Pediu Rebekah, com as mãos abertas. — O que Klaus tem haver com isso?
Suspirei fundo, e tirei uma mexa do meu cabelo, quando dava a volta em uma praça.
— Eu apenas, nem sei o que está acontecendo com eles ultimamente. — Desconversei, porque nunca iria dizer a Rebekah que tinha dado apoio a Klaus, não quando meu próprio marido parecia tão distante. — Vou tentar conversar com Elijah hoje de noite. — Prometi a min mesma. — Tentar saber qual é seu problema. E tentar lhe apoiar.
E quando alguém vai me apoiar? Aquela vozinha egoísta cismou.
Trocamos mais algumas palavras, e confidencias. Rebekah parecia doida para falar como ela não tinha falado com Marcel ainda, e achava que ele estava namorando com a garota que levou para o casamento de Hayley.
— Gia? Ah sim, eles tiveram um caso, mas já acabou. — Respondi de bate pronto, tentando localizar o endereço em Iberville.
— Como você sabe? — Indagou ela curiosa, mas satisfeita.
Não respondi, porque faria ela questionar minhas fontes, que era apenas Charlotte e sua boca grande, que sabia dos rolos de todo mundo sobrenatural.
Parei na frente de um casarão antigo, com cerca de três andares, e sair do carro, pedindo para Rebekah me acompanhar, ainda era nove e meia, e o casamento de Dimitri seria as onze, no cartório local, para iniciar as festas depois no Rousseau’s.
Empurrei o portão de ferro baixo, e entrei na divisa do jardim, sabendo que a garagem era provavelmente atrás da casa, como toda casa antiga de New Orleans.
— Ei! — Exclamou Rebekah, fazendo-me voltar para ela, que estava paralisada no batente. — Eu não sou mais vampira, isso tecnicamente, não deveria acontecer. — Resmungou chateada, tentando passar novamente.
— Mas você não tem nosso sangue, por isso não pode entrar simplesmente. — Disse categoricamente, oferecendo minha palma para ela. — Pegue minha mão, e poderá entrar.
Ela bufou ainda um pouco irritada e pegou minha mão, a puxei para dentro do jardim, e não precisei falar o feitiço que usaria para levar convidados ali. Se havia um bônus de tanta magia que era canalizada pela minha família naquela cidade, era aquele, todo feitiço agora era simples, como respirar ou piscar.
— Essa é uma das casas que nossas crianças ficam. — Contei a Rebekah, que olhava com cuidado para uma criança, uma garotinha, sentada na janela do primeiro andar, não tinha possibilidades dela cair, já que ela apenas olhava para as flores em um jarro no seu colo, com visível concentração. — Depois do período escolar normal, quero dizer, quem vai para a escola normal, as crianças veem para cá.
— É como uma creche? — Perguntou a nova bruxa com um olhar sério.
— Mas para um lugar aonde as crianças da minha família podem socializar com outras iguais, seus pais... — Começamos a subir as escadas até a varanda, e já começamos a ouvir o burburinho infantil. — Pelo menos aqueles que moram aqui, aprovaram a ideia. — Dei de ombros e abrir a porta, não querendo entrar em detalhes.
— Como a casa de Fauline? — Indagou Rebekah com quase pânico.
— A casa de Fauline é uma prisão fora do Quartel, aqui é... — Abrir os braços quando ficamos na frente da sala. Havia crianças de todas as idades, com aparência bem cuidada, e uma alegria inocente, mas bem contida. — Um lar.
Havia algumas garotas que brincavam de bonecas, ou, outras que levantava penas de travesseiros, provavelmente praticando magia. Quando era criança, também ia para uma dessas casas, socializar com meus familiares, mesmo que apenas só houvesse alguns na França.
Os garotos jogavam videogames, pelo menos os mais novos, já os mais velhos, eu achava que estava no andar de cima.
— Bella! — A exclamação de Gabrielle me fez sorrir.
Abracei a garota de pele pálida, e cabelos tão pretos como a noite.
— Em que posso lhe ajudar? — Perguntou ela, depois de dar um sorriso educado a Rebekah, não apresentei ambas, porque Gaby parecia ocupada, e prestes a voltar a cozinha, e porque a nova bruxa ao meu lado, não pareceu interessada em apresentações.
— Apenas estava pensando, quem é a criança prodígio e entediada daqui?
Os olhos de Rebekah ficaram maiores, parecendo entender meu plano. Mas, menos de três minutos depois, quando subíamos para o terceiro andar, eu sabia que tinha feito a escolha certa.
O garoto de cabelo loiro cor de mel, e olhos poderosamente analíticos, analisou-me com uma frieza calculista, quando eu fazia o mesmo. As gotículas de água ao seu redor, se transformaram em agulhas afiadas de gelo, ele, não as olhou para atingir o alvo a sua frente.
— Você deve ser Jacob? — Perguntei suavemente, enquanto me aproximava um pouco mais. O local era claro, pelas janelas aberta, e pelo espaço com poucos móveis, parecia o que seria o local aonde as crianças colocariam sua magia em pratica, sem risco de queimar, ou derrubar a casa, pensei vendo os símbolos de proteção pintados no teto e chão.
— E você deve ser Anabella, somos primos de quarto grau. — Ele falou com indiferença clara, mesmo nos seus treze ou quatorze anos. Sua roupa simples, uma camisa branca e calças pretas, era o suficiente para eu ver ele como alguém versátil.
— É provável. — Respondi cruzando meus braços. — Gaby disse que as professoras não lhe dão devida atenção... — Lancei as palavras, vendo Rebekah andando pelo local, como uma xereta. Ela foi em direção a prateleira alta de grimórios com ousadia de uma Mikaelson. — Achei que poderia lhe desafiar.
Jacob colocou suas mãos, nas bolsas das suas calças, e levantou uma encantadora sobrancelha, ele me lembrava Jeofrey. Com os olhos cristalino como água.
— E como seria? — Perguntou visivelmente curioso.
— Preciso que ensine ela... — Apontei com um dedo Rebekah, que estava de costas folheando um grimório. — O básico.
— Ei! Eu não preciso que uma criança me ensine...
— E o que eu ganharia com isso? — Perguntou Jacob ignorando completamente sua futura aluna.
Mordi os lábios pensativa.
— O que você quer? — Rebati, sentindo a nova bruxa ao meu lado.
— Bella, eu não acredito que esteja fazendo isso. — Resmungou Rebekah.
— Escuta. — Lhe segurei os ombros, lhe encarando seriamente. — Você só precisa pegar o básico, com alguém que realmente se lembre como é o básico... — Quando cuspir as palavras, sentindo certa tensão. — E depois eu te ensino mais, sério, você tem muita magia em você, eu sinto, mas precisa ser treinada pelo começo, e infelizmente eu ando sem tempo para isso. — Aconselhei e prometi, tentando fazer ela entender.
Ela suspirou fundo se rendendo.
— Se eu vou ensinar ela o básico, mesmo não sabendo, e não querendo saber o porquê... — Jacob disse, ao mesmo tempo que um sorriso lhe aparecia nos lábios, ele era magro, mas de uma forma saudável. Suas bochechas eram bem coradas, como um doce anjo de covinha no queixo, que saia de sua singela graça, para a idade terrível da puberdade. — Quero que me ensine algumas coisas também.
Agora foi minha vez de parecer chocada, ser tutora não estava nos meus planos, mesmo de alguém com visível capacidade.
— Eu pensei em lhe dar outra coisa... — Tipo dinheiro, completei mentalmente.
— Não, ter uma tutora com alguma imaginação deve bastar. — Dispensou ele, falando consigo mesmo, enquanto voltava ao seu feitiço com as partículas de água do próprio ar ao seu redor.
— O truque está no pulso. — Fiz um movimento com o pulso para atrás, e segurei por dois segundos a mais, do que Jacob fazia.
Uma das gotículas de água ficou densa e congelou e se esticou, até virar uma agulha afiada, e quase invisível pelo ar.
Jacob franziu o cenho, e tentou novamente, sem agradecer, eu não esperava agradecimento, pelo lugar vazio, era claro que a animosidade e antipatia do garoto por ser um prodígio, fazia dele um ser solitário.
Me despedi de Rebekah, e fui para o cemitério Lafayette, para depois ir para o cartório ser madrinha de Dimitri.
O dia passou tão rápido, que pareceu que eu pisquei e mal pude celebrar um dos dias mais felizes do meu melhor amigo. Fiquei um pouco na festa, mas não deu mais, quando sair do Quartel, e fui de vestido mesmo para a casa em Iberville pegar Rebekah. Era um vestido simples florido curto, que passava sofisticação e classe a ponto de eu não precisar trocar-me imediatamente.
— Veja! — Exclamou Rebekah, assim que eu me viu, levantando as mãos, e sussurrando um feitiço, as chamas das velas ao seu redor se acenderam claramente, magicamente.
Sorrir e encarei Jacob com um olhar respeitoso. Ele corou levemente, e tentou parecer tedioso, mas de certa forma, estava orgulhoso de ser um bom tutor.
— Vou te dar meu celular, para marcamos um dia na semana que vem. — Lhe prometi, oferecendo minha mão, para apertar a sua pequena, e com calos.
Ele deu de ombros, e voltou a seus afazeres, que se constituía em tentar ser um garoto normal, já que seu pai, que eu descobri logo ser alguém conhecido, foi lhe buscar. Bruce para minha surpresa. Lhe sorrir lhe falando o filho incrível que ele tinha, e ambos parecem felizes pelo elogio.
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Rebekah não queria ir para a casa, e nem tão pouco eu, ainda era de tarde, quando decidimos parar em um mercado a céu aberto, depois de almoçamos em um restaurante no Tremé. Um mercado de iguarias bruxas.
Klaus ligou para Rebekah, dando uma informação que abalou nosso humor ainda frágil. O corpo de Finn, havia sido roubado do necrotério em Kansas, mesmo que achássemos que Finn tivesse pulado para outro corpo, não era noticias animadoras.
Eu estava inclinada em uma sessão espantosa de pedras magicas, enquanto pensava no que podia fazer para ajudar dessa vez.
— Que lindo. — Disse a ninguém especificamente, enquanto levantava um colar com uma pedra vermelha que pendia em um colar de prata simples.
— Duzentos por essa pedra, que possui um feitiço de ocultação. — Disse um homem franzino na frente da barraca.
— Ou eu mesmo posso fazer um feitiço de ocultação. — Rebati um pouco sarcástica.
O homem franzino com problemas claros de pele, levantou a mão como quem se rende. Ele era um bruxo, sabia que eu era uma bruxa, e ambos sabíamos daquilo.
— Cento e cinquenta, então. — Ofereceu ele barganhando.
Bufei achando graça, mas lhe paguei e levei a pedra vermelha, dentro da minha jaqueta.
Procurei pelos lados Rebekah, mas não conseguir encontrá-la, talvez ela tivesse parada em alguma barraca, perguntei mentalmente, e olhei para os lados, vendo Rebekah parada na frente de uma barraca de penas e velas. Fui em sua direção, mas não rápido o suficiente para ver ela sendo empurrada pelo ombro, por um homem de capuz.
— Me desculpa também! — Exclamou Rebekah, venenosamente sarcástica.
O homem se virou com olhos escuros, encarando a nova bruxa com raiva.
— Algum problema? — Perguntei ficando na frente de Rebekah, como quem a protegeria de alguma coisa.
O homem desapareceu na leva da multidão que passou por nós. Encarei os olhos negros de Rebekah, e não precisamos falar nada, para tentarmos sair dali. No meio de pessoas, e mais pessoas, começamos a andar mais rápido, de mãos dadas, como se temêssemos nos perder. Olhei por sobre o ombro, e tive noção clara que estávamos sendo seguidas, puxei Rebekah quando começamos a correr.
Mas Rebekah me puxou com mais força para um claro beco, que não tinha saída. Seu desespero, foi o único motivo que me proibiu de olhá-la com raiva.
— Inferno! — Rebekah olhou para cima, como se necessitasse acreditar que não podia pular como uma vampira naquela hora critica.
Os dois homem que apareceram, um loiro e um negro careca, se aproximavam com facetas enojadas que me não faziam sentido. Eram bruxos.
— Vocês querem alguma coisa? — Perguntei, prestes a lançá-los para trás.
— Nos dê ela, e poderá ir. — Disse o careca, encarando Rebekah, que estava um pouco atrás do meu ombro esquerdo. — Ela vai morrer pelo que fez...
O homem loiro e branco, que deixara cair o capuz, passou um bastão de Vodu para o negro, que o pegou rapidamente, e o balançou no ar. Rebekah gritou, e eu apenas rangi meus dentes, suportando a dor.
Levantei minhas mãos e disse claramente:
— Motus versalles!
Eles foram lançados para os lados, como se tivessem sido empurrados por carros em movimentos, carros invisíveis, e seu choque de encontro com o prédio lateral, me desnorteou. Eu quase podia ouvir o osso deles se quebrando. Coloquei a mão na boca em claro choque.
— Boa cunhadinha. — Agradeceu ainda gemendo Rebekah, enquanto se levantava, e limpava com as costas da mão, seu nariz que sangrava.
— Vocês estão bem? — A pergunta feita por Marcel, que estava ladeado por dois vampiros, e surgiu caindo a nossa frente, foi a última coisa que eu pude ouvir.
— Eu quero sair daqui. — Quase supliquei para Marcel que encarava Rebekah, como se soubesse, e provavelmente sabia, quem ela era de verdade, além da sua aparência.
Estávamos sendo seguidas? De certa forma, eu achava que sim, mas não importava. Sentir a mão de um dos vampiros ao redor da minha cintura, e fechei os olhos quando a velocidade de ser carregada por um vampiro me desnorteou.
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