You Set Me Free_ 2°Temporada
17 Stay and Stay
Notas iniciais

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Elijah Mikaelson
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Olhei novamente para meus dedos, todos limpos, e completamente frios. A água que jorrava por entre a torneira velha aberta, não ajudou muito a manter meus pensamentos histéricos dentro da minha cabeça. Ela sabia. Ela finalmente tinha visto o que eu era. E só de acreditar minimamente que ela iria ... me dar as costas, me chamar de monstro. Doía como o inferno me queimando.
— O que ouve? — a voz de Rebekah me trouxe de volta ao presente.
Olhei para o espelho em cima da pia, vendo o rosto preocupado da minha irmã. Olhando para meu rosto que também refletia certa angustia.
— Sinceramente? — Suspirei fundo retirando a toalha da grade brilhante da parede para secar meu rosto e mãos. — Eu não me lembro. — Sussurrei pela primeira vez mais do que envergonhado de admitir algo inapropriado, uma derrota pessoal. — Eu estava ali, esperando você, esperando Bella, e do nada, do nada tudo ficou vermelho ... — Coloquei minhas mãos envolta da pia redonda, e apertei a porcelana com força, achando que talvez se eu a quebra-se, talvez , me sentisse melhor. O barulho de objeto trincado me fez acordar para a possibilidade de assustar minha esposa ainda mais, ou Hope. — Como ela está?
— Não deveria pensar, como você esta agora? — Indagou Rebekah com um tom estranhamente mimado que me fez sorrir.
Talvez tivera sido de propósito, mas serviu ao seu propósito. Endireitei minha postura, e sai do banheiro antigo, e fui para o quarto burlesco que a anos não recebia visitante, assim como toda a casa.
— Sente ciúmes de Bella, irmã? — Indaguei divertido, sentindo um pouco da normalidade se apoderar de min.
— Não exatamente. — Replicou Rebekah, com um sorriso nos lábios. Sim, ela havia tentando me manipular para me fazer esquecer temporariamente o monstro que eu tinha deixado escapar. Que eu tinha sido. — Só acho bonito, você não se preocupar com você agora e com sua condição.
— Ela é minha esposa. — Deixei claro, não sentindo nenhuma vergonha de tal fato. Eu havia me casado com uma mulher depois de mil anos, e quando disse sim, não exatamente, peguei tudo o que aquele papel exigia. Até a necessidade de vê-la, garantir pessoalmente que eu mesmo não tinha a machucado. Joguei o terno envolta do meus ombros, e rapidamente coloquei os braços nos lugares certo. Notei como apenas uma mala estava ali. Em cima da cama de casal . Era preta e normal. Era minha. — Já arrumou seu quarto? — Perguntei tentando soar indiferente enquanto fazia o nó da gravata.
— Bem, peguei um dos quartos do outro lado do corredor, mas acho que você quer saber aonde estar a mala da sua esposa?! — Rebekah jogou sua cabeça para o lado, tão esperta como de costume, e cruzou os braços me olhando matreira.
Ficamos nos encarando em silêncio. Ela não ia dar o braço a torcer.
— Aonde Bella vai ficar? — Indaguei finalmente quebrando um pouco meu orgulho.
Rebekah riu balançando negativamente a cabeça. Fechei minhas mãos com força, não sabendo aonde ela estava vendo graça. Eu não estava. Não estava vendo graça, em perguntar a minha irmã e não a minha esposa aonde ela pretendia passar a noite. Passei por seu corpo, e fui em direção a saída, indo encarar meu temores.
— Ela não tirou a mala do carro, pretende voltar ainda hoje para Nova Orleans. — Contou Rebekah andando pelo corredor ao meu lado. — Mas, sei que apenas estar insegura com suas atitudes.
Parei no meio da escada que dava para o saguão, e comecei a ouvir os sons pela casa, enquanto respirava fundo.
— Não se sinta constrangida, Alexei é assim mesmo, gosta de festas... — A voz doce e forte de Bella falava.
— Mas ele me deu diamantes! Não posso aceitar quando eu nem sequer o vir. — Outra voz feminina rebateu.
Um som cortante como algo sendo triturado fez o som suave da risada forçada da bruxa ser sufocado..
— Pare de ficar ouvindo e ande, sei que ela só esta preocupada com você. — Aconselhou Rebekah dando um tapa no meu ombro. — Eu vou primeiro pegar Hope. — ela passou como um furacão na minha frente, e abriu uma porta que eu sabia que dava na cozinha.
Apurei novamente minha audição, enquanto terminava de descer as escadas.
— ... Não se preocupe com a minha mãe, ela não ousaria fazer-te mal. — Bella parecia selvagem ao garantir aquilo. O que me deixou curioso. — Ah ... Isís, eu posso ligar depois para você?!
— Claro, eu preciso mesmo ir, até. — Isís, irmã da bruxa desligou primeiro.
Eu cheguei finalmente até a porta, e levantei uma mão preparado para empurrá-la. Mas não o fiz. Esperaria Rebekah sair primeiro.
— Ela deu trabalho? — Perguntou Rebekah parecendo falar de Hope. Eu podia ouvir três corações batendo.
— Duvido, só ficou me olhando, enquanto mordia seu brinquedo, — Rebateu Bella, parecendo bem, mas não completamente confortável.
Rebekah pareceu não notar enquanto falava.
— Ah que bom! Então eu posso deixar ela com você, porque acho que só macarrão para nosso almoço não rola não é? Vou até a cidade aqui pertinho antes da Hayley e Nik chegarem...
— Espera! Como assim me deixar cuidar dela? Não me leva a mal Rebekah, mas... — Bella parecia genuinamente nervosa. O que fazia seu rosto adorável aparecer na minha memória. — Mas eu não sei lidar com crianças não.
— Eu que não sabia, nunca fiquei com uma criança em mil anos, e aprendi não é? Agora me der licença...
Me afastei da porta, e deixei minha irmã passar. Ela me deu uma piscadela e saiu da casa. Parecia que realmente tinha em mente nos deixar sozinhos quando ligou o carro e saiu em alta velocidade. Ouvir um suspiro pesado e um muxoxo.
Foi minha deixa para entrar e ver Bella encarando Hope que lhe olhava diretamente também, sentada em uma cadeira de criança, enquanto mordia algo verde.
— Parece que está cozinhando. — Disse a primeira coisa que me veio a mente, quando vir a bagunça na grande cozinha. Ou só as portas e gavetas dos armários. E o cheiro forte de algo no forno.
O coração da loira bateu mais rápido, e ela se endireitou ficando rente ao batente da cozinha. Seus grandes olhos azuis banhados em cinza me encararam com certo receio. Felizmente, sem medo.
— Hoje é tecnicamente Natal, o que não significa muito... — Ela abaixou o olhar parecendo não saber como me encarar. — Para minha família, já que somos tecnicamente pagãos.
Sentir uma pontada no meu peito por não me lembrar de algo tão simples como o natal. Não pela dada em si, mas por não ter feito nada por ela.
Caminhei entrando mais na cozinha, levemente, fazendo ruídos que deixavam humanos, ou mesmo uma esposa bruxa que tinha visto o pior do seu marido, confortável.
— Vocês comemoram o solstício de inverno, não é? — Entrei mais na cozinha, e me aproximei de Hope, lhe dando um beijo na testa. Não só pelo beijo em si, mas mostrar que estava controlado o suficiente para chegar perto da minha sobrinha.
Bella pareceu não ver, quando foi até a geladeira, ou mesmo Hope que não tirava os olhos de Bella.
— Sim, exato. — Respondeu ela um tanto abatida retirando algumas cestas de maçãs verdes da geladeira. — Acha que Klaus gosta de torta de maçã? — Perguntou ela agora dando um sorriso luminoso.
Franzi a testa não entendendo o motivo da preocupação de fazer uma torta para Klaus. Quando era eu, e ela sabia, que não gostava de torta de maçã.
— Porque está perguntando isso? — Indaguei confuso.
Ela deu de ombros.
— Talvez pelo mesmo motivo que você, dando voltas com suas palavras. — Concluiu ela, retirando uma faca de uma das gavetas, enquanto começava a cortar as mãos. — Para não conversamos sobre o que ouve.
Me sentir um pouco exaurido, em só de imaginar ter que começar aquela conversa. Mas ela merecia. Sentei em um dos bancos altos, ouvindo os resmungos de Hope que tentava mastigar o brinquedo ou só coçar suas gengivas que devia esta começando a irritar.
— O que deseja saber? — Perguntei seco, abrindo um botão do terno para me sentar de modo descente.
— O que ouve? — Ela foi direta, e também me encarou fixamente, talvez pensando que eu mentiria.
Molhei os lábios com a ponta da língua, sentindo certa secura dominar minha boca.
— Sinceramente? Eu não me lembro. Tudo é um borrão em vermelho. — Lhe confessei, esperando que seus lábios voltassem a sorrir, e parassem de ser apenas uma linha apertada rosada.
Bella assentiu com a cabeça. E depois voltou a cortar as maçãs. O que me irritou profundamente de uma maneira que não deveria. Porque ela estava fazendo qualquer coisa para Niklaus?
— Bem, então parece que temos um problema. — Garantiu ela diagnosticando meu caso, sem pensar duas vezes. — Um grande problema.
— Como assim? — Indaguei ficando mais firme e ereto.
— Você está escondendo algo de min, sei que esta. — Ela deu de ombros, mesmo quando seu olhar deixava claro que aquilo a magoava. — E talvez até para seus irmãos, mas … Isso está afetando seu lado vampírico.
— Não fale como se eu mesmo não soubesse o que está acontecendo comigo…— Comecei a falar com uma voz um pouco alta e estridente.
Ela riu alto jogando a cabeça para trás , fazendo eu fechar minhas mãos em punhos, quando certa adrenalina correu para o meu coração.
— E você sabe? — Perguntou ela como se soubesse como me afetar. Ou só quisesse que eu esquecesse um pouco minha polidez para lhe confessar meu crime.
— Eu.. Eu. — Não sabia, ou não queria admitir. Estava perdido, só precisando …
A olhei de novo. E Bella inclinou a cabeça para o lado. Seu cabelo estava preso em um coque elegante, seu vestido era todo preto com mangas longas, com um decote quadrado, e suas costas estavam abotoadas com botões estilo pérolas. Ela praticamente implorava para ser despenteada. Ou despida. Eu precisava dela! Do seu conforto.
— Não sei. — confessei finalmente, e sentir certa angustia ir embora. Até um peso em cima dos meus ombros. — Não sei o que está acontecendo, ou mesmo como evitar que aconteça novamente.
Bella largou finalmente a faca afiada, e começou a limpar a mão em seu avental amarelo. Agora sim parecia uma senhora de verdade. Tão poética. Tão boêmia, como uma garota dos anos 50. Limpa. Sentir a necessidade de me afastar quando ela voltou a se aproximar.
— Então deixe-me entrar, deixe-me ver. — Pediu minha mulher com sincera esperança que podia me ajudar. Demorou meio segundo para eu associar suas palavras com o que ela pretendia fazer. Suas mãos envolta do meu rosto me causaram pânico.
— Não! — Exclamei alto demais, me levantando e me afastando em um borrão.
O choro de Hope não ajudou muito. Talvez ela ficou assustada com o grito, mas … Minha respiração era alta como se eu quisesse fugir, ou mesmo … Me alimentar. Bella bufou com raiva, e girou na bancada, para tirar minha sobrinha da cadeira e acalentá-la em seus braços.
— Calma meu amor, tá tudo bem, tudo bem. — Garantia ela enquanto lágrimas pequeninas no rosto rosado da bebê caíam por sua bochecha.
Bella começou a beijá-la e esfregar suas costas com gestos tão carinhosos, que Hope finalmente se aquietou.
— Parece que não vamos mais conversar sobre isso por hoje. — Disse ela se voltando para min, enquanto ainda balançava Hope que ficou deitada quieta em seu ombro. — Quer que eu vá embora?
— Não! — Garantir rápido demais. Balançando negativamente a cabeça para meu comportamento infantil e bizarro. — Por favor, só fique aqui.
— E não ajudá-lo? Eu não consigo ficar distante quando é claro que você precisa de ajuda Eli. — Garantiu ela com dor, usando aquele apelido bobo que tinha posto em min.
Voltei até elas, acariciando o queixo de Bella, tentando suavizar com os dedos, aquela expressão que me doía também.
— Você já me ajuda ficando comigo, estando segura, feliz. — Deixei claro, porque a mera perspectiva de não vê-la fazia algo novo, e doloroso, surgir em meu peito. — Eu vou descobrir o que está ativando esse meu lado… — Cocei a garganta, e cobrir uma das suas mão atrás das costas de Hope, podendo sentir nossas alianças se tocarem. — Mas sei o que não ativa, você aqui. Comigo.
Ela mordeu os lábios depois de os umidificar com a língua. Parecia um gesto inocente, para ela. Mas era tão sensual que me enervava. Por décadas eu olhava a beleza das mulheres de forma distante, como observava um quadro ou uma escultura. Como se fossem apenas objetos encantadores, agradáveis aos olhos, mas sem nada que exigisse um envolvimento real. Mas não com ela. O que era assustador de certa forma.
Ela sorriu de maneira exitante no começo. E depois mais abertamente, e suas bochechas se tonalizarem de rosa.
— Estamos separados por muito tempo, para você ser tão encantador enquanto está tão perto, querido esposo. — Disse ela cinicamente maliciosa por um momento, para eu entender do que ela falava. Depois se voltou para Hope que já tinha os olhos fechados e ressonava baixinho em seu peito.
— Concordo. — Me inclinei sobre ela, menor do que eu, e a beijei suavemente. — Vou colocá-la no berço, e depois, venho te ajudar.
Bella me deu a pequena criança. E depois assentiu com a cabeça. Eu abrir a porta dupla que era acoplada a uma das salas, e vir que um pequeno berço havia sido colocado ali, claramente por Rebekah. Deitei Hope entre as cobertas, e ainda ajoelhado, olhei por sobre o ombro, vendo Bella voltar a cortar maçã, enquanto balançava seu calcanhar. Ela estava descalça. Parecia uma cena tão familiar, que não sabia o que sentir sobre aquilo. Fiquei de pé novamente, e retirei o terno o colocando no sofá, para depois levantar as mangas da camisa branca até o antebraço.
— Porque está tão preocupada em cozinhar? — Não concluir “Para Niklaus” porque acho que sairia errado as palavras, ou mesmo me colocaria em uma posição aonde eu poderia demonstrar que estava com receio. Ou ciúmes.
Mas ela novamente pareceu descobrir minhas intenções por trás de poucas palavras.
— Bruxas, pelo menos as do meu coven, fazem algo especial para sua família em datas especiais. — Bella deu de ombros. — Sei que Klaus ainda não me ver como da família. Mas, eu só queria fazer algo, qualquer coisa que me fizesse me movimentar.
— Deveria descansar, não deve ter dormido de noite. — Falei suavemente, retirando uma das mexas decorativas do seu pescoço elegante. Sentindo sua pele pulsar sobre minha mão gelada. Bella ficou claramente arrepiada. — Não importa o que Niklaus pensa de você, desde que ele te respeite! — Deixei claro, retirando a faca das suas mãos. — Você é da minha família e é isso que importa. — Levantei seu queixo, tentando ver seus olhos que as pestanas dela escondia. — Entendeu?
— Siim… — Gaguejou um pouco sofrida pela nossa proximidade. Eu sorrir ainda mais, e lhe abracei os ombros por trás. — Mas isso, só faz eu querer o ajudar ainda mais. Porque não me conta o seu problema? —Pediu ela sem desistir.
Eu suspirei alto, apoiando meu queixo em seu ombro, enquanto a abraçava agora pela cintura.
— Porque isso afastaria você de tal forma, que acho que eu não poderia remediar as coisas. — Disse sincero, saboreando o perfume da sua pele.
— Sempre vai poder remediar as coisas entre nos, desde que seja sincero, e … — Ela virou seu pescoço, tocando seu nariz na minha bochecha. — Continue com esse seu charme reverente. — Brincou ela com um sorrisinho de lado.
— Tentarei. — Prometi, me afastando enquanto a girava para ficarmos frente a frente. — Vá descansar um pouco, eu cuido do resto.
Bella balançou negativamente a cabeça.
— Eu não quero descansar, não hoje.
— Tem certeza? — Perguntei ainda preocupado com sua posição tão humana que assim como Hope merecia um pouco de descanso.
— Sim, ainda é cedo, e eu só quero fazer um belo almoço. — Pediu ela novamente mordendo os lábios.
Me inclinei sobre ela, e agora a beijei devidamente. Ela rapidamente abriu a boca, em um convite mudo para que nossas línguas se tocassem. Bella gemeu sem nenhum pingo de vergonha, e me abraçou pelos ombros, juntando ainda mais nossos corpos. A levantei pela cintura sentindo que agora sim, estávamos no mesmo nível de altura. Eu sentia que ela se derretia cada vez mais, me oferecia cada vez mais de si própria.
Não havia monstros, temores, ou mesmo nada tão assombroso em seus lábios. Parecia certo. Porque era, porque ela era minha esposa… Assim como Tatia deveria ter sido. O pensamento inapropriado me fez parar o beijo, e sentir seu toque, suas mãos massageando meu cabelo, me acalmar antes daquela nuvem vermelha cobrir meus pensamentos e me afundar novamente, enquanto o outro tomava conta do meu corpo. A porta vermelha se fechou antes que eu chegasse no meio do corredor.
— Deixamos isso para depois. — Garantir beijando sua bochecha agora. A colocando gentilmente no chão.
— Isso quase soou como uma promessa senhor Mikaelson. — Preveniu ela com um sorriso acanhado, enquanto tentava recuperar o folego.
— E como tal, devo cumpri-la, senhora Mikaelson. — Confirmei altivo e sério, fazendo ela sorrir ainda mais. Ela balançou a cabeça positivamente, e eu olhei o relógio tentando manter meu corpo sobre controle assim como minha mente, ainda era cedo mesmo. Provavelmente Hayley e Niklaus chegariam a tarde. — Preciso te contar algo, não sobre o que ouve. — Deixei claro, vendo ela dando uma olhada no forno.
— Como sua voz é suave ao falar isso. — Ela girou o pescoço, apoiando seu próprio queixo no seu ombro. — Estou ouvindo.
Olhei para os lados, puxando meus dedos, sentindo eles estalarem, ainda podia ouvir Hope dormindo, e toda a calmaria que a falta de Rebekah nós garantia.
— Sobre a proposta de Esther. Sobre eu me tornar humano. — Comecei vendo ela ir até a pia, e começar a lavar um pouco de louça, deixando as maçãs de lado. — Eu acho que devo aceitá-la.
Bella ficou paralisada, no momento exato que ligava a torneira. Eu olhei novamente para as minhas mãos, ouvindo o coração dela bater mais rápido.
— Porque está me dizendo isso? — Perguntou ela finalmente se movimentando.
— Porque és minha esposa, necessito saber o que acha de tal mudança. — Não sabia se as palavras soaram tão certas como eu queria que soassem, mas era o meu melhor.
Bella se apoiou na pia, enquanto ainda estava virada, e pareceu refletir sobre algo.
— E porque faria isso? Porque seria humano? — Indagou ela sem me encarar. Com um vinco grande entre suas sobrancelhas.
— Porque não sei mais como prosseguir, viver, desse jeito. — Joguei minhas mãos envolta do meu corpo, necessitando que ela me encarasse. — Sou um vampiro por mil anos, e agora quando lembro, de coisas que eu fiz, ou mesmo quem um dia eu fui, não consigo mais me encaixar.
A bruxa suspirou fundo, colocando uma mão na cabeça, fechando seus olhos por um segundo.
— Você está tendo uma faze difícil, vai superar. — Garantiu ela, com certa fé na voz.
— Talvez. — Consentir. — Mas o que você pensa sobre isso?
— Sobre você ser humano? — Indagou ela em palavras que soaram como longas demais para alguém que tivesse entendido desde do começo aonde eu queria chegar.
— Sim Anabella! Ser humano! —Falei impaciente. — Não me amaria mais meu corpo? É por isso que não ver a possibilidade…
— Porque acha que eu amo seu corpo? — Rebateu ela me fazendo parar de falar. Havia certa agressividade no seu olhar, como havia na sua voz.
— Talvez eu tenha deixado meu ego inflamar. — Engolir em seco sentindo certa vergonha por ter colocado as palavras daquela forma.
Ficamos em silêncio por um longo tempo, até que ela finalmente falou algo que desatou aquele nó no meu peito.
— Eu amo você, o homem, vampiro por completo, não só seu corpo. Apesar dele me satisfazer. — Ela se aproximou, colocando seu braço direito na bancada, enquanto olhava fundo nos meus olhos. — Se quer ser humano, tem que ser pelos motivos certos.
— E é! — segurei sua mão entre as minhas. — Sendo mortal, eu posso ter meus próprios filhos, com você.
Ela afastou minha mão com certa rudeza, que me desconcertou.
— Eu já disse que não penso em ter filhos. — Falou duramente, enquanto dava um passo para trás. — Sente tanta inveja de Niklaus por ele poder ter uma prole, que não pode aguentar ficar sem o mesmo?
Suas palavras me irritaram. Porque por um lado, parecia ser verdade, ou mesmo por um ângulo pequeno.
— Não é isso Ana. — Apertei minhas mãos, sentindo certa dor com tal ato, que me fez voltar ao assunto principal. — Se vamos ficar juntos, e eu quero que ficamos. — Deixei claro, vendo seus olhos fixados nos meus. — Eu quero ter você por completo. Te dar tudo que você merece.
— Uma casa com cerca branca? — Perguntou ela com certo pânico no olhar. Abraçando a si mesmo, como se temesse cair. — Desculpa-me, mas sua proposta parece um sonho. Um sonho que uma bruxa do meu coven não tem.
— E se fosse possível?— Perguntei colocando uma mão no meu bolso, para evitar tocá-la. Ela beirava a fragilidade. — E se eu aceitando a oferta de Esther pudesse ter tudo que queremos.
— Eu não ousaria te pedir tal coisa. — Protestou ela firmemente. — Você é um dos seres mais poderosos do mundo, é um vampiro Original! Pelos céus Elijah, como pode pensar em ser humano? Fraco, com contas para pagar, e uma vidinha simplória de pai de família?!
— Eu esperava ouvir isso de Niklaus. — Rebati firme e surpreso.
— E ainda tem isso, como pode pensar em deixar sua família? Seus irmãos? —Lançou ela as palavras que pareciam verdadeiramente a incomodar.
— “O homem deixará pai e mãe e se unirá à sua esposa, e os dois e se tornarão uma só carne.” — Recitei convicto, vendo os olhos dela ficarem maiores. — Me diga que outro problema você ver? —Bella piscou várias vezes, e algo novo brilhou em seus olhos. Lágrimas.— Amor, o que foi? — Peguntei segurando seu rosto entre minhas mãos, me sentindo incapaz de não a tocá-la.
Ela abriu a boca, e depois a fechou, e depois a abriu novamente, parecendo ter problema para encontrar as palavras certas.
— Eu não sei se posso engravidar. — Ela deu voz ao seu temor. E me sentir terrivelmente mal, por não conseguir afugentá-lo. Pedi que continuasse com um aceno. — Quando estava com Jeofrey, era irresponsável, eramos jovens, crianças. — Ela forçou uma risada, deixando ainda mais meu corpo tenso.— Então eu passei mal em uma noite, eu pensei que não era possível. — Ela balançou a cabeça presa em sua memória. —Lembro-me que Dimitri comprou o teste na farmácia, ele ficou do outro lado da porta do banheiro enquanto eu o fazia. Estava tão assustada, tinha acabado de entrar na faculdade, e sabia que mesmo namorando Jeofrey, ele não seria meu esposo. — Ela afastou minhas mãos do seu rosto, e tentou se desvencilhar do meu aperto em seus dedos. — O teste deu negativo. E eu nunca mais me cuidei, esperava ter algo maior do que eu , do que o coven … — Ela olhou para Hope por cima do meu ombro. — Ter algo meu, mas não conseguir. Sou meio que inútil nesse aspecto. — Seu sorriso enviesado não chegou a seus olhos.
— O que os médicos disseram? — Não ia fugir de um assunto tão delicado, já que era uma parte dela.
— Que eu sou normal, capaz de conceber. — Bella deu de ombros. — Mas minha mãe disse que, algumas de nós, são sugadas bem mais do que outras, e foi por isso que ela perdeu seus primeiros bebês.
— Está falando de magia? — Indaguei franzindo meu rosto.
— Sim, somos todos conectados, o coven. — Explicou ela parecendo gostar de mudar de assunto. — É como um grande corpo mágico que gera mais e mais magia, ao coração.
— O coração de quem?
— Nossos líderes. — Ela voltou a dar de ombros. — O que quero dizer, é que, você não pode querer ser humano quando não sabemos se, sendo humano você irá consegui tudo que deseja.
— Vamos dar um jeito se você não puder, porque mesmo sem essa possibilidade, você vai … — Doía falar aquela palavra, por isso encolhi em seco. — Se acabar com o tempo.
Bella riu suavemente.
— Eu sei que vou morrer algum dia, ou mesmo envelhecer e não lhe agradar mais. — Brincou ela torcendo o pescoço para os lados. — Mas vamos ir conforme a maré. Confia mesmo que Esther é a sua melhor opção? Que ela será fiel mesmo se você aceitar sua oferta?
— Tem razão. — Garantir suspirando fundo vendo aquela parte do problema. — Mas você é uma bruxa, pode descobrir o feitiço e me colocar em outro corpo.
—Uau. — Ela colocou as mãos na cintura, e eu levantei a sobrancelha. — Porque também não vamos ao mercado e compramos um corpo? Sabe tem que ser bonito também, maior do que eu, porque eu curto sua altura… —Ela levantou o dedo começando a contar o que queria. — Olhos claros, provavelmente loiro, também com uns trinta anos , não menos, e nem mais….
—Anabella. — Alertei irritado, não gostando dela falar com certa ironia e sarcasmo sobre o assunto.
— O que? Se você quer ser humano, provavelmente sabe que terá que escolher algum corpo. — Ela deu de ombros, e bateu um pé no chão. —Eu só estou visando a melhor ideia que faça minhas necessidades serem supridas.
— Eu não acredito que estamos conversando sobre isso. — Bufei irritado, só pensando nas possibilidades, dela está falando sério sobre escolher um corpo para seu próprio benefício.
— Oh querido então somos dois. — Ela levantou os braços em um gesto irritado.
Nos encaramos por um momento, e finalmente eu sorrir rindo um pouco. Assim como ela, que se aproximou me abraçando pela cintura.
— Porque você quer ser humano? Você é perfeito assim, pra min.
— Você viu o que eu fiz naquela lanchonete Bella, não sou seguro. — Afaguei suas costas, enquanto encarava seus olhos pidões.
— Então vamos trabalhar nisso! Agora, no presente, eu quero te ajudar, e se não for suficiente, acharemos outra maneira.
Porque ela tinha que sempre falar aquelas coisas? O que eu precisava ouvir, o que eu queria ouvir. Eu era um vampiro Original e estava oficialmente vulnerável.
— O que foi? — Indagou ela pelo meu silêncio repentino.
— Quando tudo isso acabar, o perigo com Hope… — Apertei meus lábios, e respirei fundo pelo nariz. — Vamos achar uma maneira, que seja agradável a ambos. — Afaguei sua bochecha direita com as costas das mão. — Mas quero que até lá, descubra o feitiço que me permita ser humano. — Ela abriu a boca para falar, mas eu não permitir. — Será apenas uma opção, deixaremos isso em aberto. Prometa-me que fará isso. — Pedi segurando seu queixo entre meus dedos.
Ela exitou, mas finalmente assentiu com a cabeça.
— Eu prometo. — Ela pareceu relutante, mas havia cedido. — Agora será que eu posso cozinhar? — Pediu claramente não querendo mais tocar em nenhum assunto problemático.
— Tudo bem, eu vou ajudá-la. — Me afastei e esfreguei minhas mãos, deixando claro que ia pô a mão na massa.
— Obrigada. — Pediu ela com um sorriso lateral, que a fazia mais bela.
— Pelo quê? — Indaguei confuso sem entender.
— Ser um marido de verdade. — Ela apertou suas mãos na altura do peito. Um gesto aflito. — Eu estou tão acostumada com a falsidade da minha família, com esses casamentos que parecem molduras de ouro em fotos de famílias de comerciais de margarina, que sempre achei que teria o mesmo destino.
— Não acredito em destino. — Informei sincero.
Bella apenas sorriu e ficou graciosamente nas pontas dos pés, se encorando no meu peito, com as mãos aberta , me oferecendo seus lábios novamente. Demos um beijo casto, e eu fechei os olhos apoiando minha testa na sua, enquanto apenas saboreava sua permanência em minha vida.
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