You Set Me Free_ 2°Temporada
2 Salém
Notas iniciais
O galo cantou e eu acordei em um salto , saindo completamente do meu estado de inconciência . Estranho eu já era acostumada com o canto do galo, que nem acordava com ele. Percebi que acordei mais cedo do que era de costume. Principalmente quando a casa estava totalmente limpa, e eu não tinha nada para fazer até o anoitecer.
Gemendo em protesto, me remexi debaixo do grosso cobertor o retirando de cima do meu corpo, felizmente tinha me lembrado de fechar as janelas do meu quarto. Daria tudo para ficar o dia inteiro em casa, apenas curtindo um cobertor e um livro. Mas saber que havia outras pessoas na casa me deixava nervosa. Eu já estava tendo muito trabalho com lidar com minha mãe no jantar passado , que Bella não foi. Segundo sua mãe ela estava cansada da viagem.
Balancei minha cabeça me perguntando porque tinha levado meus pensamentos até a mulher desconhecida e a mesmo tempo familiar. Dã, ela era da minha família!
Sair grogue da cama , indo em direção ao meu guarda roupa , de lá tirei algumas roupas grossas , pois pelo chão gelado que os tapetes não cobriam , dava pra dizer que o dia ainda amanhecia lentamente no pequeno vilarejo de Massachusetts.
Depois de um banho rápido, passei pela ponta do pé de frente ao quarto da minha mãe , ainda não a perdoando totalmente pelo caso do batom. Desci para o primeiro andar , e vir pelas janelas de vidros que o sol começava a aparecer lentamente de forma bonita e pura. Os pássaros começavam a fazer um barulho gostoso , já habituados com nossa residência fixa ali.
Quando dei um passo em direção a cozinha , uma das salas do primeiro andar me chamou a atenção , por estar com a porta entre aberta. Era uma das maiores salas do primeiro andar , e nunca estava aberta , a não ser quando alguém ia limpá-la. Caminhei até lá com passos rápidos , pensando que algum gato poderia esta ali , mamãe odiava os gatos das vizinhas , que sempre apareciam pela casa pelo menos uma vez por semana.
Ao entrar, a grande parede coberta de vermelho veludo , com grandes linhas de ouro bordada em nomes de toda a família estava ali. Bem antes de eu nascer com certeza.
– Fascinante, não acha? – A voz mesmo suave me fez soltar uma pequena exclamação por causa do susto, coloquei minha mão no peito, sentindo meu coração bater rapidamente, e me virei vendo uma loira coberta com um robe pesado de costas para min. Bella levantou a sobrancelha e sorriu minimamente. — Desculpe-me , parece que peguei o costume do meu marido em não fazer barulho.
Assentir com a cabeça , enfiando as mãos nos bolsos da minha calça e me aproximou um pouco dela, dando de ombros. Era meio estupidez se assustar toda hora , mas era uma estupidez quase , unicamente minha.
– Logo seu nome estará ai. — Apontei com a cabeça para aonde ela olhava , havia nomes entre nomes em fios bordados , fazendo que toda a sala se entrelaçasse , em uma árvore genealógica. Os nomes só eram bordados depois que os rituais de Passagem e alguns mais fossem feitos pela bruxa.
– Essa sala exala magia . — Bella mordeu os lábios e encarou todas as quatro paredes e o teto , para sussurrar depois ao se aproximar de min. — E sussurra , como se tivesse …
– Espíritos aqui? — Perguntei querendo rir um pouco da falta de conhecimento que ela tinha, sobre seu próprio coven, mas me controlei. — É por causa do sangue. — Levantei um dedo em riste , e me aproximei da parede , toquei o carpete vermelho rapidamente , mas não tão rápido para não poder sentir a magia me perfurar como agulhas de Vudu. — É o sangue, vê? — Mostrei o dedo médio para ela , e seus olhos ficaram ligeiramente vesgos o encarando. — Há uma magia muito antiga em nosso sangue, ninguém que não o tenha pode entrar aqui.
– Eu acordei ouvindo sussurros , e de repente quando me vir , estava aqui. — Contou-me a loira girando o corpo para sair da sala. A seguir fechando a porta atrás de min. — Quase como se meu corpo não me obedece-se , como se eu fosse sonâmbula.
Seria um conto de terror para qualquer humano se ouvisse aquilo. Mas ela , parecia mais curiosa do que com medo , já eu sabia o que era aquilo.
– Os nossos antepassados , desejam que você comece a sua jornada em busca da sua herança Anabella. — Observei o que tinha minha vida toda aprendido a morar ali. Bella só ouvia absorvendo tudo , mas de certa forma receosa. — Cada grama , centímetro das casas foi fundada por eles sabe? É uma história meio tenebrosa , mas única.
Bella segurou-se na escada , e me encarou. Seus olhos pareciam me perfurar , e quando pensei em me sentir desconfortável , ela sorriu.
– O meu lugar preferido aqui é o celeiro , ainda tem cavalos não é? — Me perguntou subindo alguns degraus e eu assentir com a cabeça de forma afirmativa. — Que tal uma cavalgada?
Dei de ombros , e ela subiu os últimos lances dos degraus de forma ligeira e rápida como um gato. Fui até a cozinha , já vendo Suzanne bocejando e começando a preparar o café , ela me desejou bom dia , e eu a ajudei da melhor maneira possível. Laila , outra senhora jovem, também apareceu com um baúde cheio de leite retirado da nossa vaca. Quando você morava tão isoladamente , precisava ter muitos meios de se conseguir comida. Minha mãe desceu logo em seguido indo direto para a sala , para abrir as janelas , fazendo todo o cômodo ganhar mais luz.
Não me dirigir a ela , nem a encarei quando nos sentamos na mesa. Bella apareceu sorrindo , e como se desse um tapa na minha mãe , maquiada. Nada tão forte , mas seus lábios brilhavam em um rosado artificial.
– Bom dia. — Disse a jovem mulher, se sentando do meu lado. As outras responderam de forma educada e ao mesmo tempo.
– Espero que seu quarto esteja de seu agrado , Anabella? — Perguntou Suzanne passando um pouco de geleia na torrada.
– Me chame de Bella ou Ana por favor. — Pediu a loira, evitando o café , diferente de nos , o que me chamou atenção e indo direto para o leite morno e puro. — Sim eu gostei muito Suzanne , e as cobertas então! São feitas a mão não é mesmo? Uma delícia!
Bella com toda a certeza tinha um dom extraordinário para ganhar as pessoas. Com poucas palavras ela deixou as mulheres ali sorrindo orgulhosas de seus feitos. E bem mais confortáveis em sua presença. Menos minha mãe.
– Sim , nos mesmo fizemos. — Garantiu Suzanne.
A conversa começou bem simpática de forma que eu nunca vir. Quando você morava em uma prisão , palavras não eram muito gastas. Aquelas mulheres gastavam mais tempo fazendo artesanatos , do que conversando uma com as outras. Claro que pelo menos uma vez por dia elas se embrenhavam em seus grimórios , aprendendo sempre mais. Eu envergonhadamente afirmava que seguia aquela rotina a risca.
Voltei rapidamente a conversa quando ouvir meu nome.
– Acho que Isís poderia ir. — Falava Laila. — Estamos realmente precisando.
– Eu vou , não tem problema. — Garantir tentando não passar tanto entusiasmo.
Uma vez por semana, mais ou menos , eu ia até a cidade, menos de uma hora de carro , comprar mantimentos , dentre outras necessidades básicas para elas.
– Ótimo , vá depois do café. — Pediu Suzanne de forma calma.- Bella pode a acompanhá-la se quiser é claro , seu ritual começa só a noite.
– Nossa eu adoraria , obrigada. — Bella cortava com os dedos alguns pedaços de muffins no seu prato, de forma distraída.
– Bella é nossa visita, não precisa fazer tarefas. — Se intrometeu minha mão para nosso espanto.
Fiquei realmente com a pulga atrás da orelha , porque , qual era o problema dela com Bella? Ela sempre parecia anti-pática , mas já estava exagerando e muito!
– Não é tarefa nenhuma ajudar vocês , será na verdade um prazer. — Disse a loira de maneira tão suave quanto diplomática , ela se levantou . — E vou escovar meus dentes e já volto.
Dez minutos depois eu estava no Mercedes do lado de Bella que dirigia de forma rápida e confiante. Ela não quis pegar o outro carro , porque não sabia dirigir sem câmbio automático. Dei de ombros e a seguir até o outro , que descobrir que ela possuía as chaves. Ele era tão confortável e tão silencioso que dava para tirar um cochilo tranquilo em um dos bancos. Bella tomava mais cuidado quando começou a subir uma colina .
– Olhe , estamos saindo do limite. — Apontei para o espelho retrovisor , e Bella se impertigou para ver , ainda dirigindo.
Ali estava , toda Innsmouth sendo engolida por uma neblina tão tensa , que não era possível que não fosse mágica que dominava ali. Era como imaginar uma tigela coberta com um pano de prato. Tudo estava tão branco que seria impossível um viajante ou qualquer humano se importar em se aproximar.
– Parece uma cidade fantasma agora. — Afirmou Bella da forma mais explicativa possível.- Ou só um vale decerto. Mesmo nos dias de sol fica assim?
– Sim , é uma barreira mágica que impede que acha visitas indesejadas para elas. — Apontei com um o polegar paras as costas. — Elas não podem também sair.
Bella me encarou agora , e depois voltou a atenção a estrada de seixos.
– Mas você saiu.- Os lábios dela se comprimiram, fazendo-os ficarem em apenas uma linha fina. Percebi que era o mesmo tique que ela fazia no café da manhã, ela estava mais que pensando , analisando a situação. — Você não é como elas não é? Não envergonhou ou deu uma de rebelde contra o clã não é?
– Não Bella , eu nasci em Innsmouth. — Disse encarando a janela a minha frente.
– Todas nos nascemos. — Pontuou ela sem tirar aquela faceta investigativa do rosto.
– Sim é verdade. — Cocei minha nuca , um gesto nervoso , não tinha explicado direito. E não conversava sobre aquilo com ninguém para saber por onde começava. Eu havia visto muitos partos das mulheres do nosso clã, todas precisavam ir até nosso centro de poder para poder ter um parto “digno” do nosso clã, a criança ficava um tempo lá também, e as vezes até que sua magia aflorasse. Mas e quando ela não ia embora? Como eu? — Não sei explicar direito Bella , apenas …
– Sua mãe é a culpada, e você se embrenhou tanto nela ,que estar dividindo a sentencia com ela também. — Esclareceu ela de forma tão neutra , que eu não poderia esclarecer melhor.
Fiquei quieta por um tempo. Vendo como Bella falou , eu era a maior culpada da minha prisão. Mas, talvez eu tivesse medo de quando saísse , perderia tudo que eu conhecia. Deixei aquilo de lado para analisar melhor depois.
– Tenha uma ponte a dois quilômetros daqui , a entrada é difícil de achar. — Bella apenas sorriu para min de forma acolhedora.
Ficamos em um silêncio agradável depois daquilo. Com eu dando a direção da cidade de vez enquanto , e a música do rádio se tornando uma trilha sonora para nossa viagem. Finalmente chegamos a uma estrada da rodovia 99. Foi ali que o GPS do carro voltou a ativa. Apitando como um louco , como se finalmente estivesse ligado. Bella apertou alguns botões e aumentou o aquecedor do carro , realmente estava bem frio. A estrada parecia deserta se não fosse por alguns caminhões de madeira, e de gasolina passando. Uma grande placa dizia …
– Bem vindo a Salém. — Leu Bella em voz alta. — A cidade das bruxas , e não há uma única bruxa morando aí.
– Não ria. — Alertei quando ela riu sarcasticamente. — Porque pode ser mentira. — Vendo sua sobrancelha levantada em uma pergunta muda, continuei a falar de forma empolgada. — Eu estudei aqui , na academia de Salém para garotas. Uma viagem longa todos os dias , mas era a forma de escapar da loucura de conviver com um coven de bruxas , mamãe relutantemente deixou.
– Posso até te imaginar com uma saia rodada , e camisa branca com gravata. — Brincou Bella , me fazendo rir.
– Sim o uniforme era mais ou menos assim. — Vir que chegávamos já nas ruas habitáveis da cidade , e precisei informar Bella aonde queria ir para poder fazer as compras de maneira rápida.- Enfim , conheci duas professoras inteiramente bruxas no colégio.
– Do nosso clã? — Perguntou a loira visivelmente curiosa.
– Não , mas depois eu te apresento elas. — Lhe dei uma piscadela , e ela fechou a boca antes de perguntar mais.Retirei do meu bolso a lista de matérias para tricô que Suzanne escreveu em uma caligrafia invejável e perfeita. Havia alguns fios , agulhas e moldes novos. — Há uma loja na próxima rua. Pode parar lá.
Bella assentiu com a cabeça entendendo. Logo chegamos lá , e ela me pediu para ir as compras enquanto me esperava. Percebi assim que sair , que ela ligava para alguém com seu celular já com sinal. Não dei muita importância. Pedi logo a vendedora idosa , que me olhava com grandes olhos , por causa do óculos de grau elevado ,o que ia precisar. Dez minutos depois sair com uma caixa grande da loja , e a loira abriu automaticamente o porta malas aonde eu guardei os matérias. Entrei no carro , já sentindo o calor agradável me rondar.
– Kol … Kaleb? Nossa , eu não adivinharia isso tão cedo. — Comentava Bella de forma ansiosa no celular. Uma resposta veio do celular e a loira já manobrava o carro na calçada , voltando para a rua. — Há um feitiço de marcação de alma , é fácil de fazer … Não eu não posso fazer. — Bella realmente parecia devastada por não poder ajudar a outra pessoa na linha. Tentava muito não prestar atenção na conversa , mas era quase impossível. — Peça para Dimitri ou uma das bruxas do lado de Marcel... — Outra longa pausa. — Logo eu espero. Mas não posso prometer. — Bella suspirou fundo , dirigindo lentamente na linha reta da rua. — Também não posso ligar muito , meu celular só pega na cidade , e eu não posso vim muito para cá. Eu … Espere. — Bella se virou para min , e me pediu com um celular na mão que eu ligasse o viva voz do carro , enquanto ela acoplava o celular no dispositivo de música.
A luz acendeu uma informação na tela “Bluetooth ligado”.
“ Rebekah saiu um tempo da cidade com Hope” Comunicou a voz masculina levemente rouca e com sotaque pelos auto falantes. “ Minha mãe no corpo de uma adolescente o tempo todo e não vimos nada, ela marcou um jantar hoje a noite. Como uma parasita que quer se sentar a mesa”
– Acho que ainda é de manhã aí não é?! Você ainda pode achar uma bruxa que pode fazer um feitiço de marcação de alma , quando ela mudar de corpo novamente , ela terá uma marca que a revelará. — Explicou a loira de forma calma. Eu só ouvia , não ousando nem mesmo respirar alto , o assunto parecia muito sério. — E quanto a Rebekah , sinto muito por ela ter ido , não definitivamente , mas ido embora.
“É mais seguro dessa forma” A voz masculina parecia suspirar pela pausa longa que deu , como se dissesse sem palavras , que aquilo lhe doía , mas era necessário. “Vou tentar fazer o que você disse , porque Klaus só esta pensando em servir de sobremesa a cabeça dela”
Me arrepiei toda com aquelas palavras, por que, não parecia meras palavras.
– Não deixe , ela apenas se mudará para outro corpo , e vocês terão mais trabalho. — Recomendou Bella girando o volante do carro quase todo , percebi que ela estava indo na direção certa ao supermercado local , ela deveria ter passado por lá quando chegou , mas me surpreendi com a memória da loira. — Gostaria de esta aí.
“ E eu gostaria que estivesse” O tom do homem parecia , não meloso ou mesmo romântico, mas necessitado e intenso. Como se precisasse mais de uma ajuda , como se precisa-se de ar para respirar. Virei minha cabeça para a janela , fingindo não ouvir o diálogo do casal. Porque era óbvio que Bella falava com seu marido , e que eles se veneravam com tamanha intensidade que sentia minhas bochechas esquentarem. “ Tente voltar logo”
– Eu prometo. — A loira coçou a garganta profundamente . — Se cuide Elijah. — Bella desligou antes dele falar mais , mas acho que ela sabia que ele não falaria mais. Demorou cinco minutos para ela voltar a falar.- Então , vamos as compras ou não?
– Só estou esperando você estacionar. — Disse dando de ombros.
Entramos no supermercado , que eu sempre ia quando não era o senhor Fredy , e retirei novamente a lista de compras enquanto Bella puxava um carrinho da fila. Percebi que mesmo as poucas pessoas na manhã ali , encaravam a loira de forma intensa. Era meio óbvio que Bella não era dali. Fizemos as compras rapidamente, e encontramos um caixa aberto.
– Ei Isís. — Diego Miller me cumprimentou com um sorriso , ele trabalhava ali duas vezes por semana na parte da manhã, ele deixou sua revista de futebol sair da frente do seu rosto e sorriu. Ele era bonito, cabelos castanhos e grandes olhos castanhos , corpo grande e delineado , mas tinha uma amizade inegável com meu único e ex namorado. — Fazendo compras novamente essa semana?
– O que posso fazer , eu como . — Brinquei o fazendo rir , e retirando as latas de enlatados de pêssego do carrinho, procurei com o olhar a loira , mas ela não estava por ali. Deveria ter ido buscar alguma coisa para si mesmo , não me preocupei. — E aí , como vai os Crows?
– Quase na estatual! — Exclamou Diego feliz por falar de seu time de futebol , enquanto passava minhas compras no leitor de barras. — Quando vai ir para a Winston em?
– Não sei. — Mordi meus lábios apreensiva. A cidade de Salém não era tão pequena ,com mais de cem mil habitantes , para não se ter uma faculdade , mas, eu não estava afim de ir para uma faculdade pequena , eu já tinha muita coisa pequena na minha vida. Por isso quando terminei o colegial , fiquei alguns meses fazendo provas e mais provas para faculdades longe , e com aquilo comecei a ver o potencial que elas tinham com desejo.
– Olha só o que eu achei. — Bella apareceu com alguns pacotes de doces branco, e um sorriso enorme. — Marshmallow. Podemos fazer uma fogueira qualquer hora , o que acha?
Dei de ombros , vendo Diego paralisado, parando de empacotar minhas compras , ao encarar a loira como um garotinho na puberdade. A loira também percebeu e sorriu de lado.
– Olá. — Cumprimentou educada , e depois se voltou para min. — Seu amigo?
– É. Diego Miller , essa é minha … — Fiquei confusa em como a catalogar , mas Bella não.
– Irmã. — Bella levantou a mão , e o garoto a apertou de forma relutância , percebi porque , a aliança da loira brilhava na mão branca dela. — Prazer em conhecê-lo.
Diego murmurou algo incompreensivo e voltou a empacotar as minhas coisas. Bella me ajudou a leva para o carro , e me perguntou se faltava mais coisas.
– Só algumas coisas na farmácia e podemos voltar. — Respondi já dentro do carro.
– Mas voltar já? Não podemos almoçar por aqui? — Perguntou ela de forma ansiosa , dando algumas olhada para seu celular ainda acoplado ao ao carro , carregando. Ela percebeu que eu notei seu olhar e suspirou fundo , rindo sem graça. — Desculpe-me, só não gosto de ficar sem falar com meu marido tanto tempo , principalmente , quando ele esta pronto para quebrar o pescoço de alguém.
– Bella . — Abaixei a cabeça envergonhada com o que ia perguntar , mas não me segurei. — Seu marido é o vampiro não é?
Bella me encarou por um momento e riu. Riu de verdade , de forma divertida. Como se eu tivesse perguntado se o céu azul.
– Sim , ele é um vampiro , a notícia do meu casamento repercutiu por nosso coven não é mesmo? Olha Isís. — Bella mordeu os lábios pensando em como me contaria uma história. — Eu não me importo com isso , alguém precisava selar uma aliança com a família Original de vampiros , e fico feliz , agora ,por isso ter acontecido comigo.
– Por que você o ama. — Apontei ainda envergonhada de entrar em um assunto tão pessoal.
– Sim querida , porque eu o amo. — Ela sorriu de forma luminosa, ficando muito mais bonita do que já era. — Então … O que você precisa mesmo na farmácia?
Era só algumas pomadas e bandagens , porque remédios tínhamos os nossos. Sabia que levaria uma bronca da minha mãe mais tarde , mas não me preocupei. Cedi aos desejos de Bella e ficamos para almoçar na cidade , comigo mostrando a ela tudo que eu conhecia por ali. Encontramos algumas colegas do meu antigo colégio, e a loira as ganhou com simpatia e charme. Ela me perguntou porque eu não entrava na faculdade ali , e acabei lhe contando as ofertas que eu tinha de ir para algumas mais longe.
– Darthmouth? É ótima essa Isís , você devia aceitar. — Aconselhou ela animada. — Pode contar com minha ajuda se precisar.
– Obrigada. — Foi tudo que eu conseguir dizer ao ficar estranhamente animada e emocionada de poder contar com alguém de fora de Innsmouth.
Acabamos indo para meu antigo colégio , uma antiga basílica toda de tijolos vermelho, tão alta que havia tores de sinos no alto.
Como havia aulas , Bella pode ver o uniforme completo das garotas que passavam de uma aula para outra pelo longo jardim. Saias pretas até o joelho com linhas vermelhas , camisa branca com um pulôver de lã grosso , meias calças claras , e sapatos baixos.
Bella admirava tudo em silêncio , enquanto caminhávamos pelos corredores desertos, indo em direção a sala do diretor pedir autorização.
– Então , há uma escola só para meninos? — Perguntou a loira olhando as fotos nos quadros das paredes de antigos alunos , professores e diretores.
– Sim .Colégio de Salém para Meninos … Não tiveram muita criatividade para nomes , eu sei. — Brinquei nos fazendo rir.

Nos aproximando de uma sala antes a do diretor , e eu travei meu corpo , olhando para dentro por um segundo.
– Isís? O que esta fazendo aqui menina? — A professora Sophie Parker me encarou com um sorriso bondoso , enquanto abaixava sua xícara de chá na mesa a sua frente.
– Minha irmã queria conhecer um pouco a cidade. — Contei entrando na sala dos professores. Era meio estranho chamar Bella de irmã , mas ela passou a dizer aquilo para todos os meus colegas que eu é que não iria desmentir. — Então a trouxe para o colégio.
– Diga-se de passagem , um lindo colégio. — Elogiou Bella cumprimentando com um aperto de mão a bruxa em pé na nossa frente. As duas se encararam por um minuto, se auto analisando e depois sorriram.
– Fazemos o possível , sentem-se comigo um momento sim? Querem tomar um chá? — Ofereceu Sophie já se virando para a ala da cozinha da sala para nos trazer uma xícara de chá de menta e mel.
Nos sentamos na mesa redonda e foi a professora que quebrou o silêncio primeiro.
– Vejo que acabou de cumprir o seu dever ,com seu coven Anabella. — Comentou Sophie simplesmente. Apontando para a mão direita da loira.- Eu mais que ninguém sabe o quanto o dever com o coven é pesado , as vezes.
– Sim eu acabei de me casar , formando uma nova aliança para meu coven. — Bella tomou alguns goles de chá e depois sorriu. — Mas não foi muito pesado.
– Sorte sua. — Comentou Sophie quase tristemente. Ela devia ter uns quarenta anos , usava um terninho roxo escuro que combinava , estranhamente com seu coque alto no cabelo castanho claro , e tom de pele amarronzado. — No meu coven é extremamente difícil fazer o que temos que fazer.
– Qual é o nome do seu coven? — Perguntou Bella calmamente.
– Gemini , o coven dos gêmeos.- Contou Sophie , como tinha me contado a tantos anos atrás quando percebi o que ela era ao entrar no colégio. — Estamos há muito tempo desgarrados. Mais ainda sou tão bruxa quanto era ao nascer. Gostaria de conhecer o colégio agora? — Perguntou a professora mudando firmemente de assunto, mas sempre sorrindo amistosa.
Bella assentiu com a cabeça ,e sorriu de lado . Terminamos rapidamente nosso chá para voltar ao nosso tour.
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