You Set Me Free_ 2°Temporada
14 Fraternal Bonds.
Notas iniciais

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Anabella
O banco de três lugares (que parecia um balanço) grande na varanda fazia Nova Orleans parecer um enxame de vaga lumes. A piscina no pátio no segundo patamar me fazia pensar por que Alexei adorava hotéis. O vapor que subia dela aquecia o lugar de tal forma que soava convidativo uma nadada. Parecia que fazia anos que eu tive a oportunidade de nadar.
– Aqui esta. – Papai voltou do quarto e me ofereceu uma xícara de leite quente com canela.
Pareceria cômico se eu não precisasse tanto de atenção. Aceitei a xícara abaixando o cobertor até meu colo. E papai se sentou do meu lado encarando também a cidade e o céu estrelado. Seu suspiro cansado me fez perceber que envolta dos seus olhos as veias da idade eram mais claras dando um aspecto anormal de idade elevada. Rugas , Alexei estava com rugas e mais magro do que eu me lembrava.
– Quando chegar a hora consagraremos todos aqueles que morreram depois do véu ser quebrado no solo sagrado de Nova Orleans , no ligando para sempre com a magia ancestral. – Ele contou tão rápido como se já estivesse decorado a fala. – Entende o quanto é importante não colocar em risco nossa família agora?
Deixei o leite me aquecer e saboreei o momento antes de ter que prestar contas.
– Alguém precisa liderá-los, alguém que vive junto com eles. – Minha voz era suave e persuasiva , como se eu quisesse que ele visse o lado bom do que eu tinha feito. – Sim eu usei minha influência sobre os mais novos para meu bem …
– Ou do seu marido. – Me cortou ele bagunçando seus cabelos extremamente bem aliados , tão loiro que já estava entrando na base do branco. – O nosso povo podia ter morrido , principalmente quando os lobisomens do lado de Esther apareceram. – Apontou ele com olhos afiados , me mostrando o quanto sabia de tudo que acontecera.
– Elijah estava capturado! – Exclamei alto me sentindo acuada, Alexei mantinha o balanço imóvel com seus pés. O transformando em apenas mais um banco , não em algo infantil como eu tinha pensado antes. – O que eu deveria fazer? Deixar nossa família nas sombras? Quando era claro que era a hora de demonstrar o quanto somos fortes? – Me aproximei dele me virando para o ver melhor. – A melhor defesa é um bom ataque. Principalmente quando estamos lidando com facções que só respeitam poder. — Forcei soando irritada por ele não ver o óbvio.
– É isso que acha? – Quis saber cruzando as mãos para apoiarem o queixo, os cotovelos nas coxas enquanto ficava em uma postura curvada .
– Claro que é! – Respondi rápido sentindo a necessidade de mostrar meu ponto de vista. – As bruxas podem não gostar do que eu fiz , de as liderar para salvar meu marido , mas eu fiz , e faria de novo. – Disse com satisfação. – E ajudaria qualquer uma delas a fazer algo importante também.
– Colocaria sua vida em risco também? Como elas fizeram? – Perguntou ficando rapidamente ereto para me encarar sério.
– Sim pai , eu faria. – Respondi fielmente aos princípios que tinham sido enraizado ao meu caráter. – Lutamos pela nossa família , mesmo que isso doa.
Ele balançou a cabeça negativamente apoiando seu outro cotovelo no encosto do balanço acolchoado.
– Gostaria que não tivesse dito isso. – Falou parecendo um pouco animado apesar da situação não exigir isso , ele se levantou e se encostou no batente da varanda de pedras. – Gostaria que não fosse a líder que nossa família precisa agora. – Apontou como se fosse algo que eu deveria me orgulhar , mas que ele sofria ao mesmo tempo.
– O que esta dizendo papai? – Me levantei colocando o cobertor para o lado.
– O que vamos viver nos próximos meses , fará com que a fé em tudo que aprendemos , em tudo que criamos , se abale. – Profetizou sério. Porém não preocupado com aquilo , apenas conformado. – Mas você terá a liberdade de fazer o que achar melhor para a nossa família. – O impacto de suas palavras me fizeram perder o ar , literalmente. Eu achava que ia ser punida , não promovida. – Até que ela acorde. – Avisou com um lembrete claro.
– Ela? – Perguntei me sentindo angustiado por esta perdendo algo essencial na conversa.
– Nossa primeira mãe , a responsável por nossa existência. – Ele rapidamente segurou meus braços me trazendo mais para seu corpo. – Me prometa que independente do que ache , ou queira , será fiel a sua família.
– Claro que eu prometo. – Falei rapidamente sem pensar no peso das palavras. Mas quando as falei sentir o ar pesar ao nosso redor. – Eu não entendo … – Arranhei minha garganta de modo alto quando minha voz saiu sussurrada. – O que quer de min?
– Por agora … – Alexei me abraçou de lado e me puxou para a visão do patamar aonde a piscina ainda fazia a névoa aquecer o lugar. – Cuide de nos. – Pediu sério e cansado. Balancei a cabeça positivamente me encostando no seu peito. Ficamos um pouco em silêncio até que suas próximas palavras me afastaram. – Sua mãe esta aqui nesse hotel.
– Oh … E provavelmente me culpa por algo? – Perguntei emburrada me lembrando de como a tinha abandonado em Innsmouth. Ela deveria ter ficado furiosa e só por aquele motivo me impedia de pensar nela. – Seja lá o que ela falou , não foi minha culpa , aquela maluca da Cassandra fez algo comigo , me obrigo a dizer que se eu não tivesse ido embora como fui ela teria …
– Tudo bem Anabella , eu não a culpo. – Cortou ele rindo suavemente.
Abrir a boca para falar algo , mas não conseguir. Ele entrou para a suíte e eu o seguir fielmente. Pareceu tenso por uns momentos enquanto mexia na sua maleta. Eu me sentei no sofá me sentindo preguiçosa ,já era tarde vir pelo relógio em cima da lareira , então na verdade me sentia sonolenta.
Eu estava descalça e pensava seriamente em dormir ali. Deixar Elijah preocupado? Sorrir minimamente com o pensamento. Porém quando Alexei se aproximou e ofereceu o que parecia uma foto algo dentro de min foi pinicado.
Meu sexto sentindo ao tocar naquela foto me deu ... Temor.
– Sua mãe disse que uma garota veio com você pra Nova Orleans. — Começou ele suspirando fundo , como alguém que se prepara para correr uma maratona.
Eu encarei a foto vendo o bebê de cabelo ralo castanho , grandes olhos chocolates , enrolado em uma manta rosa. Claramente era uma menina.
– O nome dela é ... — Comecei a falar porém , a letra fina e bonita atrás da foto me desconcertou. — Isís.
– Essa é a única foto que eu tenho dela. A única que Maisha me permitiu ter. — Sua voz séria tinha voltado , encarei seus olhos por um bom tempo e depois voltei a olhar a foto e o nome "Isís" atrás. — Ela é sua irmã Bella. A garota que você trouxe.
Cocei com o dedão minha sobrancelha sabendo que eu não deveria me sentir irritada ou mesmo chateada. Na verdade eu só me sentia , surpresa.
Ficamos ali no silêncio da sala luxuosa por muito tempo e quando finalmente ele falou , foi para me contar sua história.
Isís
A caminhonete vermelha de Oliver só tinha bancos na frente. O loiro ocupava o maior espaço me fazendo encolher cada vez que ele precisava utilizar a marcha conhecendo perfeitamente bem seu próprio automóvel. Eu tentava ver qualquer coisa , mas como as luzes estavam apagadas a sensação de breu era imensa.
Estávamos dentro daquela estrada de terra batida a quase dez minutos e nem o som baixinho que vinha do rádio ligado era suficiente para me aquietar.
– E então , o que você gosta de fazer no seu tempo livre? — Questionou Oliver me fazendo quase pular de susto quando sua voz de trovão ecoou pelo pequeno espaço quente. Ele riu. — Quero dizer , eu nunca conversei com uma bruxa antes , não é possível que vocês vivem mexendo o caldeirão e voando de vassouras o dia todo , não é? — Brincou ele em uma sátira grotesca da visão de bruxas.
– Ha, ha , ha ... muito engraçado. — Rebati olhando rapidamente para trás para ver uma imensidão escura engolindo a estrada . Meus olhos fracos vasculharam a área em busca de alguma coisa suspeita, estranha ou perigosa, mas não conseguia ver muita coisa com a falta de iluminação. – Eu gosto de pescar , futebol americano e as vezes cozinhar , também gosto muito de ler … – Voltei a encarar Oliver que tinha um sorriso bonito que fazia seu queixo forte mostrar uma entrada charmosa. – E você?
– Luta livre – Disse simplesmente me fazendo o encarar com a sobrancelha levantada. – O que foi? É muito legal. – Declarou solícito dando de ombros. – Mas sério , você curte futebol?
– Muito. – Falei animada me virando no banco para o encarar melhor. – Na cidade aonde eu cresci tínhamos um time local , era a única oportunidade que eu tinha pra sair final de semana , acabei me acostumando.
– Faz tempo que eu não pego um bom jogo para assistir. – Oliver pareceu falar mais para si mesmo em modo refletivo. Seu sorriso cresceu enquanto ele girava o máximo possível o volante , e diminua a velocidade. – Você já viu o Super Dome? Quando eu era menino ia para lá com meu pai … – Seu sorriso se apagou como uma vela sendo assoprada.
– Bem , se eu ficar mais tempo em Nova Orleans , adoraria ver... – Parei de falar subitamente quando a luz no final da estrada ficou maior e maior , até que estava vendo novamente a cidade. – Você deu a volta?
– Exato. – Respondeu sorrindo. – Peguei um atalho na verdade , apenas os lobos sabem como sair do French Quarter sem serem visto.
Segurei a pergunta do por quê eu gostaria de sair do Quartel ( era como ele chamava) sem ninguém ver na ponta da língua. As vezes era melhor não saber de tudo.
A avenida movimentada me deixou mais relaxada , assim como toda a beleza das luzes misturadas as estrelas. Era incrível. Oliver acabou estacionando mais rápido do que eu pensei ser possível. Seguimos a pé serpenteando na multidão de pessoas e em algum momento ele segurou minha mão quando um casal de pessoas robustas quase me esmagaram entre um poste. Pelo susto me agarrei a ele ignorando seu olhar divertido.
Finalmente chegamos no bar lotado , e já não era tão divertido sair. Meu pé havia sido pisado pelo menos cinco vezes , eu entrei sem querer no meio da rodinha aonde um cara fazia truques de lanças com fogos e quase derrubei um cara que tocava sax ao lado de um poste. Eu era um acidente ambulante por me encantar com todos os detalhes a minha volta.
– Vou pegar um chope para nos , tente achar um lugar. – Gritou o loiro por cima da música, quando entramos , tão perto de min que sentir seu hálito quente no meu pescoço me fazendo arrepiar.
Assentir com um aceno simples e fiquei na ponta dos pés quando ele se afastou para pegar nossa bebida , e eu fui procurar um lugar. Como havia pessoas dançando no meio tive que dar a volta até encontrar uma mesa redonda na área dos fumantes. Péssima ideia, mas era a única opção que me faria sentar mais rápido. E parar de ser um acidente ambulante.
O bar era grande , e extremamente rústico , fazia tudo parecer acolhedor como uma cabana de telhado pontudo. Porém o Blues suave era tão gostoso de ouvir que tudo parecia uma cena de algum filme.
Enquanto eu pensava alguém estalou os dedos na frente do meu rosto e quando eu vir era Hayley que parecia ter me chamado antes.
– Ei garota , no mundo da lua é? – Perguntou um pouco divertida , e extremamente exausta.
Por ter crescido com tantas mulheres em praticamente uma vila eu tinha adquirido um sexto sentido para saber como os sorrisos , principalmente de mulheres , poderiam ser superficiais. E aquele foi muito.
– Não exatamente. – Sorrir para ela que se sentou na minha frente sem demora. – Tudo bem com você? – Perguntei tentando não soar muito curiosa. Mas pela sua postura derrotada não parecia estar , então foi mais uma constatação de que via que ela não estava bem.
– Quem dera. – Falou por sobre seu fôlego , tomando outro gole da sua cerveja engarrafada.
– Você não deveria esta com Jackson buscando nossa salvação? – Perguntou a voz de Oliver vindo atrás de min. Seu ar amistoso tinha dado lugar a um desconfiado.
Hayley deixou seus olhos em fendas perigosas quando ele colocou um copo enorme de chope na minha frente e se sentou do meu lado.
– E você não deveria esta em repouso? – Rebateu ela não respondendo a pergunta dele.
Experimentei um gole da bebida gelada, deixando eles se alfinetarem como irmãos deveriam fazer.
– Agora é sério. – Oliver olhou para os lados , como se de repente alguém pudesse o ouvir , mesmo que sua voz estivesse baixa e a música ao vivo fosse alta agora. – O que Ansel falou?
Hayley olhou para suas próprias mãos e depois seus olhos fixaram nos meus me fazendo tomar mais rápido a bebida borbulhante. Ela deu um sorriso mais vívido como se de repente visse a luz.
– Ele falou sobre o ritual de unificação de alfas. Mas Jackson não sabe se é verdadeiro. – Ela disse de certa forma para min. – Isís , você não sabe alguma coisa sobre isso , sabe?
– Esta falando sobre um casamento?! – Apertei meus lábios fortemente tentando me lembrar de algo. – Na verdade sei , antigamente meu coven casava uma linhagem mais pura com outros lideres .Claro que para um ritual desse tipo dar certo , você precisa ter uma habilidade especial ...
– Espera. — Pediu Oliver me cortando, e encarando Hayley que ficou sem expressão enquanto eu falava. — A maioria dos Crescentes, do meu tempo já ouviram falar desse ritual , pode dar certo , você e Jackson são alfas , e você tem uma habilidade especial! — Exclamou ele contente com um sorriso enorme. — Pode se transformar quando quiser. Não ver que isso é a solução para nossos problemas? Todos os anéis da Lua iram para o lixo , assim ... — Oliver parou de falar repentinamente quando viu que ninguém estava sorrindo. Eu abaixei a cabeça sentindo meu rosto esquentar. Só um homem mesmo para não perceber "o problema". — O que foi? O que há de errado? — Ele encarou Hayley que parecia perdida em seus próprios pensamentos , e depois se voltou para min. — Isís , qual é o problema desse ritual?
Engoli em seco mordendo meus lábios, não sabendo como a noite poderia ficar mais estranha.
– É um ritual de unificação . Versão para leigos... — Tentei brincar mais ninguém riu. — Um casamento aonde você tem que ser fiel aos seu votos. — Rir sem graça quando ele ainda me encarava fixamente. — Sabe ... — Levantei os dedos fazendo aspas no ar. — Até que a morte os separe.
– Oh ... — Oliver deixou sua boca aberta quando finalmente a "ficha caiu". — Mas que inferno que tem isso? Você e Jackson são praticamente noivos a muito tempo ..
– Oliver . — Ameaçou Hayley com os dentes apertados, quando era óbvio que ele estava passando do limite. Porém um bipe alto a fez parar de falar.Ela tirou um celular do bolso. E encarou com espanto a tela antes de atender. — Qual é o problema agora? — Perguntou ela para a outra pessoa. — Sua irmã ... Hãn? Ah tá , sim ela tá aqui. — Hayley fixou seus olhos nos meus. — Hotel Salt Inn? Claro que sim , por que eu não tenho nada melhor pra fazer do que ... — Falou ela sarcasticamente se levantando. — Okay mas você vai me dever uma. — Ela desligou seu celular e colocou no bolso interno da sua jaqueta. — Bella quer te ver , parece importante. — Disse ela fazendo um sinal com a cabeça de "Rápido , levanta". Foi o que eu fiz . Sentindo que estava perdendo algo.
– Espera , você já vai? — Perguntou Oliver segurando meu braço.
– Sim , nos vemos depois okay?! — Prometi já vendo Hayley se afastar talvez para nos dar um tempo para se despedir.
Oliver também se levantou e sorriu minimamente me dando um beijo no rosto.
– Tudo bem nos vemos depois. — Garantiu um tanto decepcionado , enquanto eu balançava a cabeça confirmando.
Ainda sentia a quentura de seus lábios na minha pele quando sair. E aquelas malditas borboletas que pinicavam meu estômago. Hayley estava me esperando na porta olhando para todos os lados com os olhos semi fechados. Completamente cautelosa.
– Então quando ia me dizer? — Perguntou quando começamos a caminhar.
Sentir um certo nervosismo. Será que ela achava que tinha algo acontecendo entre min e Oliver?
– O que? — Perguntei timidamente. Por que se ela pensava aquilo , estava enganada , tudo bem que ele era bonito , mas eu tinha planos, estudar , talvez nem em Nova Orleans ...
– Que era irmã da Bella. — Apontou ela fazendo meus pensamentos ficarem em branco. Fiquei paralisada e ela parou de andar para girar os calcanhares e se voltar para fixar seus olhos nos meus. — Foi o que ela disse "Minha irmã está com você?"
– Ela sabe. — Sussurrei sentindo um sorriso teimar em brotar nos meus lábios.
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