You Set Me Free_ 2°Temporada
13 Fears Infamous.
Notas iniciais

.
.
Isís
Meu peito estava no chão enquanto eu folheava sem interesse o grimório de Bella. Era tão antigo quanto qualquer um que eu tinha tido a honra de ler. Porém os rituais descritos ali eram meio sombrios ou totalmente. Me cansei rapidamente da leitura e fiquei procurando qualquer coisa para me ocupar . Não havia televisão no quarto ,e não era como se eu gostasse de assistir já que só assistia raramente quando tinha oportunidade . Também não havia aparelhos de sons , nem mesmo uma vitrola. Já passava das dez e eu começava seriamente pensar em dormir cedo. Quando suspirei alto em indagação o barulho vindo da varanda fechada me chamou a atenção.
Pleck … Pleck.
Corri rapidamente para ver do que se tratava e quando abrir as portas uma pedrinha bateu na minha barriga. Me abaixei e percebi que era um seixo preto do tamanho de uma noz
– Ei! – Soltei alto quando outro seixo lançado quase acertou meu rosto.
A risada alta me fez ficar na batente e olhar para baixo para ver o que acontecia. O loiro do outro lado da rua tinha total responsabilidade pelos seixos , era claro pelo modo que ele movia sua mão de um lado para o outro. Como se estivesse se preparando para lançar outra pedrinha.
– O que você acha que esta fazendo? – Perguntei franzindo meu cenho achando aquilo muito estranho , falando o mais alto possível que era permitido para não gritar.
Oliver balançou suas mãos fazendo gesto do tipo “Desça aqui”.
– Hãm …? – Pendi minha cabeça para o lado não compreendendo nada.
Ele pareceu revirar os olhos impaciente e correu cruzando a rua vazia já aparentando esta perfeitamente bem de saúde. Me encurvei na varanda o máximo que pude para poder ver ele lá embaixo andando com uma agilidade anormal para alguém tão grande. A parede coberta de trepadeiras foi seu alvo , ele moveu as trepadeiras abrindo espaço para uma escada quase invisível ao lado da minha varanda. Com agilidade o loiro subiu até passar suas pernas pelo muro e eu sinceramente achava que minha boca estava aberta ou eu fazia uma cara muito engraçada por que ele riu como um idiota.
– Se quiser ser minha Julieta , serei seu Romeu. – Propões fingidamente dramático fazendo uma reverencia exagerada.
– Não , obrigado? – Pareceu mais uma pergunta do que uma afirmação. Me encolhi cruzando meus braços e me afastei o máximo que podia dele que ria claramente do meu nervosismo. – Por que subiu por aqui? Você não mora aqui? – Perguntei estupidamente me fazendo de curiosa.
– Claro que não. – Rebateu rapidamente como se eu fosse doida e o tivesse o insultado. Levantei a sobrancelha fazendo uma pergunta muda. Ele suspirou fundo se aproximando e acabando com minha ideia de não me sentir intimidada com sua presença super masculinizada. – Só estamos de passagem, quero dizer eu e minha matilha , eu moro na Bayou. – Falou com um sorriso de orgulho.
– Eu fui lá hoje , é muito bonito. – Tratei de falar com sinceridade e um sorriso , mesmo não tento certeza que se morar no “Bayou” era uma localização generalizada ou o endereço mesmo.
– Bem … – Oliver olhou para o quarto e depois cruzou seus braços fazendo eles parecem bem maiores e musculosos quando me encarou. Desviei rapidamente o olhar me policiando para encarar seus olhos somente , como qualquer pessoa normal faria. – O que vai fazer agora? – Perguntou animado como um garoto maroto que prepara alguma brincadeira.
Pensei em mentir de forma brilhante, mas resolvi prolongar a resposta antes de saber qual era o propósito dele com aquela pergunta. Sim , eu estava me sentindo desconfiada , principalmente com um homem daquele tamanho na minha frente.
– E isso te interessa? – Rebati sem me controlar e depois que as palavras soaram grosas me arrependi. Porém o lobisomem apenas riu não levando a mal.
– Na verdade não exatamente me interessa. – Falou em um sussurro , como se compartilhasse um segredo comigo. – Apenas não acho que alguém que salvou minha vida mereça passar uma sexta feira em casa , quando eu e meus amigos vamos ao nosso bar favorito.
Eu não sabia exatamente o que falar , meus pés estavam começando a me incomodar no chão gelado junto com o vento cortante que bagunçava meus cabelos. Mas sobre o olhar quente dele , e intenso eu me sentia paralisada para fazer qualquer coisa que me fizesse confortável. Aquilo era um convite? E se era por que ele não era mais explícito?
– Já te disse que eu salvaria qualquer pessoa, se pudesse. – Apontei obviamente abaixando meu olhar para o chão , percebendo o quanto seus pés grandes na bota marrom estavam perto dos meus. – E eu vou dormir...
– As dez horas? – Perguntou de modo exagerado , alto e pasmo me cortando , agora sim me chamando de doida mesmo que as palavras não tivessem saído literalmente daquela forma.
– É quase onze. – O corrigir com o nariz em pé me sentindo minimamente irritada. Seu sorriso zombador junto a sua expressão de deboche criou um sentimento novo ,constrangimento, por que aparentemente , eu era uma criança em comparação a sua ideia de sexta feira a noite. – E por que você subiu pela varanda? Por acaso eu tenho cara de princesa? – Rebati mudando de assunto girando ao redor do seu corpo para me afastar quando me sentei na cadeira antiga contra a parede.
– Quer mesmo saber a resposta?! – Ele pendeu sua cabeça para o lado , colocou uma mão na cintura e a outra no muro me analisando da cabeça aos pés de uma forma que me tirou o fôlego.
– Ei! Não seja tão descarado. – Mandei cruzando meus braços ao redor do vão dos meus seios. Sentir minha bochecha queimar e me levantei rapidamente para entrar no quarto podendo ouvir seu riso atrás me seguir.
– Eu vim pela varada por que sinceramente essa casa já esta cheia demais de vampiros para o meu gosto. – Respondeu a pergunta anterior parando na frente dos quadros ao redor do quarto fazendo uma careta. – Quem é que decora essa casa pelo amor de Deus? A Mortícía da Família Adams? – Debochou de um quadro preto e branco de um navio cruzando o mar negro sobre a lua prateada.
Revirei os olhos e molhei meus lábios olhando também para o quadro que tinha achado muito bonito.
– Eu acho que você se esqueceu , ou melhor não sabe que eu não sei nada sobre essa casa ou Nova Orleans. – Confessei derrota , trazendo novamente seu olhar desacreditado para min.
– Garota , você precisa se arrumar agora. – Oliver declarou , e com apenas alguns passos cruzou o espaço abrindo sem pudor nenhum a primeira gaveta da cômoda ao lado da cama. Como se pretendesse achar algo para eu vestir.
– Tudo bem , tudo bem. – Disse apressada me colocando entre ele a gaveta ( que por acaso era a de calcinhas e meias) perdendo o ar e ficando corada em só de pensar em ele ver minhas peças íntimas. Coloquei minhas mãos em seu peitoral e o empurrei com força para trás. – Me espere lá embaixo , eu vou falar com Bella e depois me trocar …
– Sua amiga loira esta na sala de jantar , ocupada demais com uma garrafa de vinho. – Avisou sabendo bem mais do que eu do que acontecia naquela casa. – Você é de maior não é? – Perguntou debochadamente sorrindo de lado enquanto eu ainda o empurrava pela varada com uma expressão zangada.
– Claro que sou. – Respondi me sentindo ofendida. – Agora saia pela porta ou eu te jogo daqui. – Disse pausadamente sentindo seu peito se mexer mais fortemente quando ele riu alto de novo.
– Okay , eu te espero lá embaixo , em cinco minutos. – Oliver virou de costas se preparando para pular da varanda , então se virou e sorriu de lado. – Leve sua identidade , só para garantir , você sabe. – Ele deu de ombros e pulou.
Cocei meu pescoço me sentindo realmente nervosa. Mas pensando em que roupa usaria.
~~X~~
O gosto doce do vinho me deixava anestesiada por pouco tempo. As torradas já tinham acabado , e mesmo o sorvete não parecia apetitoso. Mas o vinho me inebriava , eu rodeava a borda da taça com o dedo , o cristal tão antigo que eu não saberia identificar a marca. A grande mesa na minha frente parecia um borrão enquanto eu pensava. Eu procurava algo em min que fizesse uma luz se acender para revelar o que eu tinha feito de errado.
Então eu me dava conta de que não havia nada pra procurar, e nada pra encontrar. Eu me dava conta de que nunca houve nada além desse vazio, daquela melancolia , e nunca houve nada além disso pra mim... Nada além de nada.
Eu desejava poder estar entorpecida de novo, mas eu não conseguia me lembrar de como fazia isso antes. Eu nunca precisei evitar me sentir inteiramente mal. Mesmo o álcool não era suficiente , mesmo a sensação de poder levantar um caminhão com minha magia não era suficiente.
Eu havia me casado com um vampiro , e mesmo se tivesse me casado com um bruxo ou mesmo humano , eu nunca seria Anabella , só Anabella com sonhos e desejos. Estava no meu sangue algo que eu nem entendia , algo que me fazia desejar poder ser digna da minha família . Apenas eu tinha invertido isso , para Elijah. Eu queria ser uma mulher forte por ele , e ele me praticamente , deliberadamente deu a entender que eu nunca seria suficiente.
Era isso que era esta apaixonada e não ser correspondida? A dor aguda que fazia você sentir seu coração pulsar de forma mais rápida , como se quisesse fazer o sangue circular mais rápido para o tempo passar? O vazio profundo que fazia você reviver o melhor de épocas melhores?
Se fosse eu não queria. Não mesmo. Eu estava no auge da minha vida e tudo se resumia a fazer o melhor pelos outros. Mas só de pensar em quebrar as regras , algo me puxava para tudo que eu acreditava. A lealdade para minha família. Para o coven.
Suspirei fundo esticando meu braço na mesa para poder ver a aliança impecável no meu dedo , enquanto tomava mais um gole do vinho na taça.
– Jantando sozinha? – A voz rouca e baixa chegou até min como um sopro.
Fechei meus dedos , apertando o punho até que eu não podia ver mais a aliança , só o brilho dourado que ela reluzia por causa das velas acessas.
– Que barulho é esse? – Perguntei não respondendo a sua constatação quando girei na cadeira podendo ver Klaus com um ar divertido no rosto , encostado com os braços cruzados no batente da porta.
– Apenas os lobisomens de Hayley indo embora. –Seu sorriso blasé não chegou aos seus olhos. Ele deu um passo para frente ao mesmo tempo que puxava as portas de correr. – Devo parabenizá-la pelo trabalho bem feito?
Levantei a sobrancelha não associando rápido ao que ele se referia. Klaus sorriu e foi em direção ao armário de porcelana. Ele pegou uma taça igual a minha e ficou na minha frente quando se serviu do vinho. Coloquei nos assuntos para serem desenvolvidos um risco grande quando vir minha oportunidade de tirar minha dúvida do dia quando me visse sozinha com ele.
– Não achei possível você e Hayley trabalhando juntos … – Começou puxando a cadeira para se sentar ao meu lado , eu estava na cabiçeira por isso tive que me virar minimamente para poder o encarar melhor. – Mas cá estamos , com meus irmãos presos no cômodo ao lado. – Ele sorriu largamente como um maníaco irônico e narcisista tornando a situação engraçada para sua mente diabólica. Sua taça tocou a minha como a um brinde. – Graças a vocês.
– Bem , você estava ocupado. – Dei de ombros tentando não me afastar de seu olhar fixo. – Agora é sério Niklaus. – Olhei para a porta fechada e diminuir drasticamente o tom de voz , fazendo ele se mostrar mais interessado. – Por que esta bancando o benfeitor dos lobos a ponto de abrigá-los?
– Ora minha querida , eu não posso esta querendo ser um pouco solidário? Ou mesmo filantropo? – Rebateu gesticulando com as mãos de modo elegante , com um sorriso inocente que beirava a falsidade.
– Ou você quer fazer eles sentirem que deve a você. – Deduzir mais séria e mais tensa.
Sua feição mudou rapidamente, era fascinante ver como ele mudava. Era rápido , como uma mascara caindo. Seus olhos ficaram maiores , como se eu tivesse dado um soco figurativo em seu ego. Sua postura mais tensa , como se ele se preparasse para pular em min. E até mesmo seus lábios crispados o fazia aparecer mais velho.
– Aonde quer chegar?! – Questionou com um tom que não dava brechas para meia respostas.
Sorrir minimamente , depositando a taça vazia a minha frente e me voltei para o encarar séria.
– Não gosto de saber aonde não piso. – Disse um pouco mais nervosa demonstrando nervosismo , eu sabia algo sobre os Mikaelson pela convivência , eles se abriam mais com a fragilidade aberta , do que ultimatos. Ou pelo menos eu esperava esta deduzindo certo. – E não acho que morar aqui com uma … – Mordi meus lábios pensando em como falar aquilo sem o ofender. – Alcateia, é a melhor forma de demonstrar a aliança que você forçou com o relacionamento de Hayley e Jackson.
O silêncio foi tenso e prolongado , e eu realmente estava tão leve , talvez por causa da bebida , que não sentir medo do olhar afiado dele. Finalmente ele riu , com um humor negro que me arrepiou totalmente.
– Isso é uma pena. – Disse não fingindo que não sentia pena nenhuma. – Por que você vai morar aonde seu marido morar. – Defendeu ele com uma voz potente. Eu fiquei rapidamente em pé me sentindo ultrajada pelo modo que ele falou, como se eu não tivesse opção , como se eu não pudesse ir contra Elijah. Será que tinha uma placa na minha testa escrita “Tola Apaixonada”?
– Fique sabendo que talvez isso não seja a única opção. – Disse debochando claramente de como não precisava da permissão de Elijah para nada. Andei até o encosto da cadeira e me encurvei nela o encarando de cima. – Já que talvez a minha aliança com seu irmão , meu marido, acabe mais rápido do que você poderia imaginar.
Klaus se levantou também e suspirou fundo , parecendo agora sim ter entendido a causa da minha falta de companhia a minutos atrás.
– Os lobisomens não ficaram aqui por muito tempo. – Consentiu encarando o candelabro de velas no meio da mesa. – Se isso te preocupa ou mesmo seu coven , acredite. – Seus olhos incisivos me encararam friamente. – Vocês estão seguros , e nossa aliança ainda esta de pé.
– O meu problema não é morar com eles Niklaus. – Disse em tom baixo cruzando meus braços e ficando ereta. Soando tão sincera quanto eu podia. – É não ter confiança de que eles estão do nosso lado.
Sua expressão tão jovial e satisfeita de minutos atrás , mudou para algo muito sombrio , cheia de tensão mostrando que estava mesmo levando minha pessoa a sério. Ele se aproximou , e eu automaticamente dei um passo para trás da cadeira abrindo espaço entre nos , porém ele não parou. Suas mãos foram em direção ao meus ombros de modo acolhedor e de forma caridosa. Nunca tínhamos tido aquela proximidade por parte dele , por isso meu desejo foi de me afastar, mas me sentir paralisada.
– Algum dia … – Sua voz sussurrada me fez apurar mais meus ouvidos quando ergui a cabeça para o encarar melhor. – Eu serei o alfa que estou destinado a ser. – Prometeu mais para si do que para min. – Não se preocupe com besteiras. – Aconselhou sério , fazendo seus olhos refletirem a luz das velas de maneira hipnotizante. – Elijah não esta bem , não leve a sério o que ele deve ter lhe dito.
– Achei que você era o irmão que destroçava gargantas e ele o diplomático. – Tentei zombar , porém saiu como uma verdadeira constatação. Ele riu suavemente fazendo seu hálito quente bater na minha bochecha.
– Então somos dois. – Garantiu tirando suas mãos do meu ombro para meu alívio.
Porém não nos afastamos , apenas ficamos ali na mesma posição próxima , presos cada um em seus pensamentos. E eu podia jurar que era sobre Elijah. Era como diziam ; falar ou mesmo pensar no diabo o fazia aparecer. A porta de correr fez um barulho alto nos fazendo se voltar para encarar a pessoa que entrava por ela.
– Interrompo? – Perguntou Elijah no seu tom polido e educado que só me irritou.
Por que ele não podia esta como eu? Com os pensamentos tão bagunçados que mal conseguia respirar?
– Claro que não irmão. – Respondeu Niklaus, por min, sorrindo alegre, quando se voltou para o armário. – Apenas estava aqui parabenizando Anabella por seu trabalho exemplar de capturar Finn … enquanto tomávamos uma taça de vinho. – O loiro abanou outra taça entre os dedos. – Junte-se a nos. – Convidou amistoso , forçando com toda a certeza a barra.
Tentei ignorar muito Elijah , mas foi impossível , seu olhar distante ainda estava ali. Porém agora questionador. Abaixei o olhar para a mesa quando o híbrido começou a encher as taças de novo. Porém algo mais me chamou a atenção enquanto o loiro dava a volta na mesa para servir o irmão. Meu celular vibrou acendendo a luz no visor demonstrando uma nova mensagem recebida. O peguei rapidamente e deslizei o dedo para ler: “ Cinco minutos na frente da sua casa. D”. Resmunguei algo incompreensivo por que sabia do que se tratava , quando a taça parou na minha frente.
– Algum problema , amor ? – Perguntou o híbrido soando novamente zombeteiro quando eu abaixei o celular do seu olhar analítico.
Apertei meus olhos em fendas irritadas em resposta ao seu sorriso maligno, por que ele sabia o quanto havia se aproximado antes , e agora fingia ser um idiota sarcástico. Lidar com Niklaus era como viver entrando na fila da montanha russa. A sensação de adrenalina do começo era legal , mas quando você chegava ao meio e seu grito era alto e irritante até para seus ouvidos , você daria tudo para sair do carrinho e não terminar a curva.
– Nenhum querido. – Rebati cordialmente fingida , aceitando a taça agora cheia para tomar o vinho em um único gole e a deixar na mesa. – Se me deem licença. – Não falei para ninguém especificamente , já que não olhei para nenhum dos dois quando passei por eles.
Nos morávamos na frente de uma rua movimentada por turistas , não era novidade. Por isso quando sair da casa estranhamente quieta dei de cara com uma rua também vazia. Talvez fosse o vento gelado com cheiro de chuva no ar que fazia as pessoas entrarem nas suas casas , ou provavelmente um bar , para aproveitar a noite. Ou só a noite que já estava no seu fim. Eu havia perdido o senso de hora , sabia daquilo. E mesmo que me assusta-se , eu pensava , por que não aproveitar?
Caminhei calmamente até o meio da rua respirando o ar e aproveitando a solidão momentânea. Eu não estava com minha jaqueta ou mesmo com uma blusa decente para esta esta na rua tão tarde, mas não sentia frio. Então quando ouvir o ruído do som alto me virei para a direita aonde os faróis do carro se aproximava. A música alta preencheu o silêncio de forma desagradável. Ou talvez eu estivesse tão ranzinza que não estava apreciando nada. Provavelmente era a segundo opção , pensei vendo o Rolls Royce branco vindo em alta velocidade na pequena rua. O carro freou bruscamente parando a centímetros na frente da minha perna.
– Você nunca desvia! – Gritou Dimitri aparecendo na janela com seu ar majestoso de gangster e um sorriso brilhante.
– E você sempre para. – Deduzir contornando o carro. – Agora faça o favor de abaixar o som. – Pedir entrando pela janela aberta com um movimento rápido.
– Ui , alguém esta com raiva. – Constatou o bruxo negro sem se abalar enquanto abaixava o rap e acelerava o carro de novo.
Olhei para trás para ver o casarão e podia jurar que um movimento na janela era de alguém que espionava minha saída. Talvez Elijah? Voltei rapidamente para as palavras de Dimitri, tentando não me sentir bem com aquilo.
Balancei a cabeça e abracei minhas pernas no peito sorrindo com as piadinhas do meu amigo sobre o desaparecimento de Jeofrey. Insinuava ele, que Camille tinha algo com aquilo. Eu acabei rindo não para ele não perceber que estava triste e magoada , mas por que saiu.
Era Dimitri que fazia aquilo. Ele sempre parecia tão feliz em me ver, ou que ele não ficava me vigiando pelo canto dos olhos, esperando que eu fizesse alguma coisa que provasse que eu era louca ou deprimida, ou fatídicamente traidora.
Dimitri dirigia como se já estivesse familiarizado com as ruas. Acabamos colocando a conversa em dia , e como o preocupado amigo/irmão , ele comentou vagamente o quanto era preocupante eu estar morando com lobisomens. A guerra de facções podia não esta no auge , mas não tinha acabado. Havia a familiar película transparente em todo o assunto. Lobisomens , bruxas , vampiros , humanos , você tinha que escolher um lado , e mesmo quando estava em um , precisava ficar atento as outras. Eu sabia daquilo.
Quando Dimitri parou em um depósito primeiro , eu não entendi muito bem, mas não me preocupei. Eu estava com minha família. E gostaria de me sentir daquela forma com Elijah , e talvez até Niklaus. Dando passos no escuro mesmo quando só suas mãos me apoiavam , era o certo. Apenas o certo.
– Olhe isso Bella. – Pediu ele quando chegamos perto de uma orda de vigilantes.
Me abracei agora sim sentindo frio enquanto Dimitri dava pequenos acenos ao bruxos. Mais família que tiraram sorrisos de min. Dois bruxos , Filipe e Andros ficaram na frente da porta pesada de ferro e as empurraram para cima com uma força que só um homem podia ter. O galpão enorme estava com tantos feitiços de sigilo que foi impossível á primeira vista ver do que se tratava.
– Caixões? – Perguntei em um sussurro pasmo deixando meu queixo cair.
Dei um passo para a frente , tomando cuidado para não pisar nas linhas de sal ao redor da porta. O primeiro caixão que vir era de mogno , grande com um grande V talhado na tampa.
– Lembra do que nossos pais falavam sobre paciência? – Disse Dimitri feliz por algo que eu ainda não havia captado.
– Se você tiver seis horas para cortar uma árvore … – Comecei olhando para ele de soslaio.
– Use quatro para afiar o machado. – A voz do meu pai vinda por trás não me surpreendeu de verdade.
Mas mesmo assim não pude evitar me sentir protegida e receosa pelo que estava por vim.
Fale com o autor