Notas iniciais
Quero agradecer a Escritora Nova , minha escritora linda fantasminha do momento que recomendou a fic! Valeu mesmo flor você é DEZ

O altar estava coberto por um véu branco aonde as estátuas ficavam com seus olhos abertos me seguindo , não que elas estivessem de fato me seguindo , era apenas a sensação. Eu sentia cada poro do meu corpo queimar só de estar ali. A Igreja San't Anne tinha algo que eu nunca tinha notado , uma aura quase tocável de sombras. Era quase como espíritos sussurrando. Balancei minha cabeça tentando não pensar nisso quando olhei para Cami ainda grogue da perda de sangue. A primeira fase do plano era simples. Camille saiu para um “encontro” com Vincent e Marcel se passou por um lobisomem que a sequestrou. Faze um: Completa. Faze dois: Em ação.

– Sempre achei que uma mulher pulando em meu pescoço seria mais erótico. – Resmungou Cami tentando soar engraçada , ainda com um pano cobrindo o ferimento do pescoço.

– Não faça piadas … – Pedi receosa aproximando-me assim como Hayley com um cálice contendo algo que cheirava fortemente a ferrugem e sal. Não me atrevi a olhar a cena quando ela deu o cálice para a loira.

– É melhor você ir deitar um pouco , tipo no porão , Aiden ainda não voltou. – Explicou Hayley olhando paras as portas duplas além do que eu podia ver dos simples bancos de madeira.

– Eu ajudo você. – Se prontificou Josh aparecendo depois de apagar as velas acessas ao redor da conficiónario.

Eles desaparecem juntos por portas laterais. O silêncio foi tanto que acabei sentando no degrau e me apoiando na mesa do altar ao lado de Hayley.

– Certo , conte o plano outra vez. – Pedi em uma voz baixa abraçando meus joelhos no peito.

Ela suspirou fundo engolindo uma boa golfada de ar para poder falar sem pausas.

– Aiden trará Vincent ao altar então eu pulo nele e você ajuda. – Gesticulou ela com pequenos gestos de mão.

A encarei de lado séria.

– Quer que eu lute? – Perguntei desacreditada levantando uma sobrancelha. – A única coisa que eu já fiz na minha vida foi Yoga!

– Tá … – Hayley levantou as mãos como quem se rente mas sua voz já começava a soar impaciente. – Você usa sua magia de longe se não quer se machucar. – Disse com um tom sarcástico.

Olhei para o teto sem ver nada. Eu estava já algumas horas com Hayley , preparando qualquer coisa para apanhamos Vincent e ajudar Marcel e Jofrey a pegar Kol. Mesmo assim era a primeira vez que eu estava sozinha com ela.

– O problema não é me machucar , o problema é não a machucar. – Falei semicerrando os olhos de forma indireta para ela.

– E por que faria isso? Por que se seguraria para não me ferir?– Perguntou Hayley totalmente desacreditada.

– Querendo ou não você é da família! – Exclamei já notando que nossa voz já estava alterada. Respirei fundo coçando meu nariz com um polegar em um gesto nervoso de aplacar minha raiva. – Por que é tão difícil conversar … Não! – Balancei a cabeça negativamente me auto corrigindo quando dei um sorriso cansado. – Estar no mesmo lugar com você sozinha e ficar segundos sem brigar?

A híbrida bateu seu pé como um timing de ritmo fazendo o barulho ecoar na madeira de forma alta.

– Não é que eu não goste de você. – Confessou um pouco envergonhada virando o rosto para não me encarar. – Só … você é perfeita!

Sentir o baque das suas palavras me chocarem ainda mais. Por um momento eu não soube como rebater aquilo e por isso um grande espaço em silêncio apareceu entre nós. Então eu rir , rir alto como fazia tempo não ria.

– Oh Deus! Perfeita?! – Retruquei balançando minha cabeça de forma desdenhosa. – Talvez é como você me veja , e como todas as mulheres da minha família aparentam ser. – Conseguir dizer. – Mas somos quebráveis , não fisicamente , mas figurativamente em todo detalhe que criamos … Eu sei que invadir seu espaço. – Apertei meus dedos e encarei minhas unhas. Eu sabia que Hayley deveria sentir-se daquela forma. – Sei que fiz você perder qualquer chance com Elijah …

– Talvez eu não tenha perdido. – Declamou ela me cortando.

No mesmo segundo encontrei seus olhos abertos e desafiantes. Uma sensação estranha me dominou. Chegou na ponta da minha barriga e foi subindo até meus punhos. A queimação era quase incontrolável , mas eu a controlei como havia aprendido a fazer , dominar meus impulsos. Fechei minhas mãos para não fazer nada de que me arrependeria.

Cada grama do meu corpo me dizia que o que havia ouvido não era certo. Mas …

– Se quer ter uma chance com Elijah … – Limpei minha garganta audivelmente e me mexi no meu lugar demonstrando desconforto. – Então … – Encarei seus olhos tentando ao máximo não piscar. – Tente a sorte.

– Você é muito confiante se acha que eu não posso ter sorte. – Hayley falou fazendo seus lábios tremerem de raiva? Ela se levantou de supetão e caminhou pelo meio dos bancos só alguns passos.

– Talvez você tenha … talvez não – Eu me sentia uma expectadora vendo a cena de fora de fato. Mas não conseguia me colocar como uma garotinha apaixonada que brigaria pelo amado. Por que se eu apenas brigasse com ela e suas ideias enraizadas , eu já teria perdido. – Mas se é importante para você , faça. – Falei como se lhe desse um conselho de amiga.

Hayley se voltou para min como um animal faminto, prestes a atacar.

– Por que você … você …. – Ela obviamente procurava uma palavra para talvez me fazer agir de modo desesperado o que só faria ela mesma acreditar que teria exito , não só em ter Elijah , mas em me magoar. – É assim?

Me levantei calmamente e apoiem minha cintura na mesa atrás de min. Não havia respostas curtas para aquela pergunta. Eu não era perfeita , estava longe disso. Mas os rituais do meu coven haviam de fato me ajudado a aceitar um lado que apenas as mulheres da minha família tinham. Um lado mais analítico para as ameaças , mais seco para os sentimentos e mais perseverante para os desejos.

– Se Elijah tiver que ser meu marido , não é o casamento que temos que vai me fazer acreditar na fidelidade dele, Hayley. – Disse calmamente. – Mas o tempo.

Hayley abriu a boca para dizer alguma coisa , mas mudou de expressão e rapidamente sumiu aparecendo no segundo andar na mesma reta que eu, ela tinha em suas mãos as correntes anti-bruxos e um aviso claro no olhar. Continuei ali parada olhando para a frente esperando.

De repente Aidan entrou voando pelas portas abertas. Josh apareceu ao seu lado e o puxou para um dos cantos distante.

Os passos pesados ecoaram pelo lugar formando a espera em expectativa crescente. Ele provavelmente achou que era uma boa deixa para aparecer , e foi o que fez. Sua pele era escura como chocolate , e seus olhos fundos como um buraco negro. Ele levantou os braços e todas as velas antes apagadas se acenderam. A magia exalava dele como ondas de calor. Era óbvio que ele era forte.

– Camille! – Seu grito forte chegou até min , e foi a minha deixa para aparecer.

Ele claramente não havia me visto por isso eu desci os degraus fazendo esforço para que os saltos da minha bota fizessem seu trabalho. E fizeram quando Vincent parou de andar e seus olhos se focaram nos meus.

– Creio que ainda não fomos apresentados. – Falei em uma voz clara e até animada. Demonstrando o quanto o avaliava com meu olhar analítico. – Você prefere Finn ou Vincent?

Seus olhos se apertaram em fendas e sua postura rija já se encontrava desfeita , quase como se ele se preparasse para se defender agora , e não como chegou , para atacar.

– O que fez com Camille? – Questionou alto quando eu parei de andar em sua direção.

Cruzei meus braços e sorrir mais abertamente mostrando meus dentes.

– Sério?! Qual é o problema de vocês Mikaelson com loiras? – Brinquei mas logo mudei de tática e voltei a ser séria. – A não ser que … Você esteja tramando … algo …. – Enquanto deduzia me aproximava mais , vendo nos olhos escuros dele uma movimentação sutil de surpresa. – Ou sua mãe maluca. – Alfinetei como se passasse uma agulha em um balão de ar , e ele explodiu.

– Não ouse falar da minha mãe! – Exclamou nervoso levantando sua mão. – Não é ela que casa com vampiros sugadores de sangue como...

Me preparei para o choque do ataque , mas ele não veio. Hayley apareceu em um flash e empurrou o bruxo no chão ao mesmo tempo que colocava as algemas nele.

– Vampiros ou bruxos , você falam muito. – Disse a híbrida com um sorrisinho de lado de trabalho bem feito.

Dei de ombros , por que era verdade.

~~x~~

Isís mantinha um olhar focado na pequena panela na sua frente. Ansel lhe tinha passado as orientações que ela já sabia. O que o surpreendeu de certa forma. Assim como o loiro que andava de um lado para o outro na grande cozinha do Casarão.

Vendo a jovem bruxa cozinhar. Seria até admirável se ele não tivesse tanta coisa na cabeça. Sua recém-descoberta do pai biológico morto , agora vivo envolvia mais tramas de Esther. Se ela pensava que Ansel podia de alguma forma fazer ele aceitar a oferta de viver como um lobisomem , ela estava enganada. Mesmo que fosse tentador poder tirar todas as dúvidas que algum dia surgiu sobre o pai , Klaus sabia que era pisar em um terreno perigoso lhe dar alguma brecha.

– Isso vai demorar muito? – Questionou o loiro demonstrando sua total impaciência.

– Não tanto quanto os cinco minutos que eu te dei … – Isís levantou a cabeça da panela e lhe deu um sorrisinho cansado. – Há cinco minutos.

Niklaus parou de andar definitivamente ficando de frente para o balcão aonde o cheiro das frutas no fruteiro era forte e adocicada demais para o seu paladar que necessitava de uma boa dose de uísque.

Ele fechou as mãos com força enquanto sua mandíbula estava trincada. As veias de seu pescoço começavam a aparecer em uma pulsação mais irritada e profunda. Ele podia ouvir o coração compassado da garota mudar drasticamente de tom. Ela corou e parou de rodar a colher de pau na panela. Ele bufou alto não acreditando que tinha feito a garota ficado com medo , não que ele se importasse de fato , só , bem só que ele não tinha tempo para aquilo.

– Escuta Isís... – Ele falou seu nome de forma suave respirando fundo para ficar com uma postura mais relaxada. – Apenas tente acabar logo com isso. – Disse usando um tom mais calmo e psicoticamente controlado que não enganou muito o nervosismo dela.

A garota piscou várias vezes e acabou voltando a sua tarefa. A pasta havia sido feita com sucesso , e foi usada com mais sucesso ainda. Foi ali que Bella chegou , deixando Hayley cuidar de trazer Finn

quando Marcel terminasse de encontrar Davina e Kol com a ajuda de Jofrey.

Bella subiu as escadas de maneira receosa , com Isís contanto sobre seu dia. Ela sorriu para a garota que afirmou que Nova Orleans era incrível. E se despediu da mesma quando andou rumo ao seu quarto. Klaus saia de lá com uma mão envolta do pescoço como se tirasse toda a tensão do local com os dedos . Eles não se falaram quando passaram ombro a ombro, apenas cada um seguiu em direções opostas.

~~x~~

Entrei de fininho no quarto , como se ele nem fosse meu. A pouca luz fazia tudo parecer uma cena de um filme antigo e nem era pelos móveis antigos ou a lareira acesa, era só pela falta dele. Encarei assim que passei pelo batente da porta a cama vazia , foi automático eu sentia a necessidade de procurar ele. O barulho no banheiro se sobrepões me fazendo ficar minimamente aliviada , ele estava bem , estava ali , atrás de uma porta. Eu só precisava … Me contive rapidamente percebendo que estava caminhando em direção ao banheiro.

– Céus. – Resmunguei mais para min mesma puxando com força meu cachecol e jogando no puff ao pé da cama com até mesmo raiva. De min. A sensação de urgência pinicava meu corpo de todas as formas possíveis, a urgência de ver seu rosto , de tocar seu corpo era tão grande que eu me sentir entorpecida. Eu não assim. Relutantemente fui para trás , e me virei para ficar na frente da lareira.

Retirei minha jaqueta e joguei na poltrona ao lado do sofá aonde me sentei. Era estratégico é claro. Eu sentiria quando Elijah saísse do banheiro. E com isso teria tempo para controlar minhas emoções. Sim o normal era que eu me jogasse nos seus braços , ou mesmo entrasse no banheiro sem aviso prévio , mas não era o certo. Talvez fosse o tempo separados que me fez ficar com receio de me aproximar. Ou só o que havia visto nos pensamentos de Elijah quando ele estava dormindo.

Eu balancei minha cabeça e respirei fundo, tentando acumular um pouco de coragem. O estranho era que eu me sentia culpada , talvez pela distância , talvez por ter me apaixonada por um vampiro original que nunca seria completamente meu. Talvez por não ser suficiente …

Meus pensamentos foram cortados quando eu ouvir o trinco suave da porta sendo virada, eu até podia imaginar a maçaneta dourada antiga e sua mão envolta dela mesmo sem olhar , e foi assim que eu continuei. Por um bom tempo apenas captei os ruídos ao meu redor imaginando o que estava acontecendo . Um farfalhar suave no tapete na frente do closet me dizia que Elijah tinha entrado ali.

Não me aguentei mais e me levantei, encarei as portas duplas do closet. Então ele saiu , estava de volta , perfeitamente na maneira que eu me lembrava. Seus olhos afiados se encontraram com os meus tão rápido que eu quase dei um passo para trás se não fosse pela visão dele. Limpo , cheirando a sabonete e água fresca. Suas mãos estavam ocupadas, abotoando os botões da camisa preta perfeitamente passada . Seu tórax definido aparecia me deixando instantaneamente quente , a chama invisível tão bem conhecida por min fez eu fechar minhas coxas internas e ficar em uma postura tensa. Não era a hora e mesmo assim sua visão lindamente sexy e sombria me fazia querer , desejar , que fosse.

– Quando voltou? – Perguntou ele de uma forma distante. Me fazendo acordar.

– Faz quase dois dias. – Respondi rapidamente me sentindo tentada a ajudá-lo com aquele trabalho árduo de arrumar as abotoaduras de sua manga. Me policiando eu levantei meu rosto , engolindo em seco , ao mesmo tempo que enrolava meus dedos no coz da calça jeans. – Como se sente? – Questionei me aproximou a passos calmos , quase como se temesse me aproximar mais.

– Como você acha? – Retrucou um pouco mais firme , fazendo sua voz dura me desconcertar, encarei o chão por meio minutos e parei de me aproximar. – Você desaparece por mais de um mês. – Continuou com um ar acusatório um pouco mais alto, como se quisesse a muito tempo falar aquilo, ou melhor jogar na minha cara. – E vem me perguntar como eu estou?

Um golpe invisível dado em meu estômago e um tiro acertando meu coração, não era uma analogia adequada para demonstrar como me sentir. Seus olhos queimando no meu rosto como se precisa-se compartilhar muito mais do que frases acusadoras me davam a sensação de derrota. Eu sentia a necessidade em minha pele de sentir a sua apenas para lembrar que ele era quente e vivo. Não frio como gelo , como parecia ser.

– Por favor … – Sussurrei sentindo meus olhos arderem e minha garganta se fechar. Era patético. Limpei minha garganta e balancei a cabeça me controlando ainda mais , me afastei mais um pouco, mesmo que aquilo me machucasse. – Entenda que eu tenho obrigações também com o meu coven. – Expliquei tentando ser mais séria , cruzando seus braços de maneira protetora. – E eu abandonei tudo para vim te ajudar. – Lembrei como se fosse uma criança precisando de aprovação, ou só reconhecimento.

Em meio segundo Elijah estava na minha frente. Seu olhos tão perto me fizeram recuar para olhar para cima e poder o ver , o admirar melhor. Seu perfume puro e natural me inebriou , assim como o toque de suas mãos no meu braço. Sua mão direita subiu demoradamente por meu ombro nu apertando com seu dedão a minha pele , eu já estava arrepiada , e agora estava sem fôlego.

– Isso não é mais concebível . – Ele falou de forma lenta, mas não suave. Com uma onda de náusea, eu percebi que não havia compreendido. Então balancei minha cabeça pra frente e pra trás mecanicamente tentando clareá-la. Ele esperou calmamente, sem nenhum sinal de impaciência.

Abaixei meu olhar e encarei suas mãos sobre meu ombro , podia ver claramente a aliança , e o seu anel da luz , talvez tivesse sido o objeto dourado que me fez entender do que ele falava.

– Issoo... ? – Eu gaguejei me sentindo idiota pela forma como aquilo não soava bom. Na verdade parecia que eu estava no meio de ter tudo que tinha criado no meu interior desmoronando, sendo quebrado por ele. Eu estava perdendo algo? Talvez uma palavra que não havia entendido?

Sentir a necessidade de me afastar e segurei seus pulsos o afastando , para que o contato pele com pele acabasse. Por que só assim eu pensaria mais claramente.

– Minha mãe ... – Ele suspirou pesadamente e colocou uma mão na cabeça massageando a têmpora de modo derrotado . Sua mascara séria caiu momentaneamente ali. – Esther , me fez ver que você merece mais … – Elijah parecia relutar em dizer aquilo , mas saiu. – Merece alguém melhor.

– Eu não quero alguém melhor! Quero você! – Exclamei perdendo a compostura jogando as mãos no ar de raiva. Ou queria parecer estar raiva, mas só parecia que eu estava implorando. Implorando para ele sorrir , para me tocar intimamente , me olhar com amor ...

Ele respirou fundo e encarou, sem ver nada, o chão por um momento. A boca dele se contorceu só um pouquinho. Quando ele finalmente olhou pra cima, seus olhos estavam diferentes, mais duros. E novamente , distante.

– Você é jovem , isso passará. – Aconselhou ele com um rosto mais suavizado e um sorriso mínimo e estranho nos lábios. – Só peço que espere um tempo. – Ele ficou de costas e pegou a gravata no pé da cama que jogou ao redor do pescoço. – Até essa história de Esther acabar.

– Esta terminando comigo? – Questionei duramente e houve uma pausa , um curto silêncio entre nos enquanto eu repetia as palavras na minha cabeça algumas vezes, analisando elas pra saber seu verdadeiro significado. Mesmo com a dor , a raiva se sobressaia. – E garantindo que terá apoio da minha família para obter ajuda para acabar com Esther?!

Sentir que meu ultraje o deixou estranhamente distante , ele deu um passo para trás e quando olhou para min novamente parecia uma estátua.

– Eu lamento, mas eu não sou humano , não posso te dar o que deseja. – Concluiu ele politicamente parecendo um estranho querendo meu voto e perdão. – Levei isso muito longe.

Eu abri minha boca pra dizer alguma coisa, e então a fechei de novo. Estava perplexa. Ele esperou pacientemente, seu rosto totalmente limpo de emoção. Eu tentei de novo. Mas nada saiu. Meu corpo inteiro ficou entorpecido. Eu não conseguia sentir nada abaixo do pescoço, e mesmo assim minha cabeça parecia ser povoada por uma população de abelhas que me ferroavam.

– Não levou . – Conseguir dizer finalmente. E sorrir estranhamente infeliz. – Apenas acreditou que eu te pediria isso não é? – Falei mais para min mesma e me virei de perfil me segurando no batente de poltrona sentindo seus olhos ainda em min. – Esta acabando comigo por que simplesmente teme que chegue a hora que eu queira mais de você . – Rir sem humor me sentindo sem chão. – Peça que deixe sua família , que faça você desejar ser humano , como Esther quer.

– Eu sempre serei … – Ele exitou me fazendo olhar para seu rosto que encarava as chamas da lareira , fazendo assim seus olhos brilharem intensamente. – Grato pelos bons momentos que passamos.

Eu estava definitivamente tonta, era difícil me concentrar. Eu havia me machucado uma vez , quebrado um braço aos treze anos quando inventei de subir no telhado da casa da professora de piano. Quando descobrir que magia não daria jeito naquela dor insuportável fui levada ao hospital. Mas nada se comparava aquele momento de dor misturado a pânico .

As palavras dele giravam na minha cabeça, e eu podia ouvir o médico que me atendeu na noite fatídica naquela primavera enquanto ele me mostrava os exames de Raio-X

(Você pode ver aqui? É uma fratura clara.) Os dedos deles percorriam a figura do meu osso fraturado. (Isso é bom. Significa que vai sarar mais facilmente, mais rapidamente. Apenas tente não aprontar de novo bonequinha.)

Eu tentei respirar normalmente. Eu tentei me concentrar, pra encontrar uma forma de

sair daquele pesadelo. De acreditar que assim como meu braço tinha ficado sarada , a perda de seu sorriso único direcionado a min não ia fazer tanta falta. Seus braços ao meu redor não iam... A vontade de chorar me fez piscar rapidamente os olhos. Encarei meus dedos e me sentir tentada a tirar aquela aliança. Mas não o fiz , por que não era a hora , talvez eu tivesse sentido um sobro de esperança rondando através do vento que entrava pela janela , ou talvez eu tivesse desde o começo acreditado que a noite não ia acabar em beijos e sexo , já que era claro que ele não estava bem.

– Grato? Me sinto honrada de ter tocado um vampiro original a ponto dele sentir gratidão por min. – Falei com tanto cinismo que quando levantei a cabeça meu sarcasmo pareceu o atingir. – Acabamos por hoje Elijah? – Perguntei polidamente. – Ou ainda temos amanhã para discutir o assunto?

– Anabella , não … – Sua boca ficou crispada minimamente e ele voltou a arrumar sua camisa , como se tivesse esquecido de um detalhe , ou só quisesse acabar logo com aquela conversa. – Continuamos amanhã.

Antes mesmo dele terminar me dirigir a porta e sair do quarto da melhor maneira possível. Sentir a parede da porta nas minhas costas e me permitir a ser um pouco frágil a ponto de me apoiar ali para suspirar fundo , recebendo com gratidão o ar rarefeito do corredor deserto. Coloquei a mão na minha barriga e sentir novamente a onda de náuseas mais fortes , eu estava a horas sem comer e já me sentia fraca. Fazia tanto tempo que eu não me preocupava comigo mesma que podia sentir o resultado daquilo me turvar a visão. Me desloquei da porta e me virei para sair daquela área quando andei pelo corredor sendo barrada por Marcel.

– Desculpe. – Pediu ele com aquele sorriso grande nos lábios.

– Não por isso. – Garantir forçando um sorriso mínimo a brotar. Coloquei minha mãos nas costas e tentei ficar em uma postura confiante e confortável sob aquele olhar.

– Algum problema? – Perguntou Marcel receoso com um vinco reto entre as sobrancelhas.

Rir sem graça e dei de ombros.

– E Davina? – Desconversei andando um pouco para caminhar até a grade e me apoiar na sacada interna aonde os candelabros davam um ar charmoso ao lugar.

– Bem , com Josh em Argel. – Contou Marcel olhando para baixo e me fazendo seguir para olhar ali também. – Hayley esta trazendo Kol e Finn , vim chamá-los.

– Bem , você já me chamou. – Comuniquei rodeando seu corpo para me encaminhar ao lance de escadas. – Agora pode chamar Elijah.

Não encarei seu rosto de novo ,por que não conseguiria. Marcel era claramente muito perceptível. E eu não queria que ninguém percebesse como eu estava fora de órbita e a última coisa que queria era me preocupar ou fingir estar querendo a companhia de alguém.

Notas finais
Até semana que vem! ps: Se a foto de início não apareceu , aqui tá o link. https://scontent.xx.fbcdn.net/hphotos-xtp1/v/t1.0-9/s720x720/11063960_1630766593808112_5130375066080720300_n.jpg?_nc_eui=AWgfpXt7IQCAFZX6Z_3TfVqWYEm5k_FArN9ReQ&oh=99621dab15098331dc8bf1d8785428f2&oe=560789A9