You Set Me Free_ 2°Temporada
11 Aliance.
Notas iniciais

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Isís
Eu estava feliz de estar vestida de modo confortável para caminhar , estava realmente feliz de sentir o sol esquentar as plantas e árvores ao meu redor fazendo o cheiro doce e forte se tornar cada vez um perfume puro cítrico , o barulho de passarinhos no alto , mas não estava feliz de estar atrás de um híbrido de mais de mil anos que não falava comigo.
Havíamos feito uma viagem rápida de carro até o Bayou , sem música , sem troca de olhares sem nada. Tá talvez eu devesse tentar puxar assunto , mas não conseguia. Eu não estava nada , nada mesmo confortável com a presença dele. A tensão fazia minha nuca ficar dura e meu estômago embrulhar. Então me decidir a ignorá-lo quando ele começou a se afastar a passos largos e silenciosos indo claramente pelo caminho que achava ser apropriado. Havia planejado a manhã toda a conversa: Por que não me mostra um pouco a cidade? A propósito sou sua irmã , pode me apresentar ao nosso pai?
Enquanto seguia os passos do híbrido , ficava com meus pensamentos longe. Bella parecia me aceitar como … outra bruxa , e provavelmente ( eu desejava) me aceitaria como irmã. Ela demonstrou que se preocupava , mas e quanto ao nosso pai? Ele me aceitaria? Me desejaria como filha? O pensamento angustiante de que talvez não, fez eu perder o ar e meu coração saltar. Talvez o loiro estivesse prestando mais atenção a min do que eu podia imaginar por que parou e virou um pouco o rosto em minha direção. Corri de certa forma desajeitada e quando fiquei novamente perto o suficiente lhe disse.
– Então você não gosta muito de falar não é? – Perguntei soando educada colocando minhas mãos dentro dos bolsos da jaqueta. Ele não me respondeu se voltou para a frente e voltou a caminhar , só que agora eu não lhe deixei ir na frente , fiquei do seu lado. – Tudo bem , as pessoas com quem convivo falam muito . – Dei de ombros sorrindo o vendo com o canto dos olhos. – Então é uma mudança de ares completa. – Brinquei divertida.
– Escute... – A voz masculina rouca e hostil saiu de seus lábios bem desenhados e ele se virou para levantar o dedo em riste em direção ao meu rosto me fazendo parar também , aquilo me assustou profundamente. Sua expressão estava fechada e mal humorada como se estivesse querendo não só me fazer calar a boca , mas acabar com seu péssimo começo de dia. Porém assim que lhe encarei notei como sua expressão mudou drasticamente rápido , sua sobrancelha se levantou e ele levantou o queixo e fungou. Em menos de um piscar de olhos eu estava sozinha , só sentindo o vento fazer meus cabelos cobrirem meu rosto.
– Ei! – Gritei para o nada , agora sim assustada por me encontrar sozinha.
Fechei minhas mãos sentindo minhas unhas machucarem as palmas e olhei para o redor não vendo sinal nenhum de pessoas vivas. Ótimo fui abandonada. Foi o que pensei antes de surtar. Um graveto se quebrando me fez sair de perto da árvore robusta na minha frente e a virar até que observei que além da paisagem esverdeada um vislumbre preto me chamou a atenção. Era a jaqueta do híbrido. Suspirei aliviada indo naquela direção saindo da trilha para me embrenhar nas raízes e pedras altas. Quando vir o loiro ele não estava sozinho. Havia um homem na sua frente , mas especificamente dentre suas mãos , ou só a garganta.
– Olááá …. – Prolonguei a palavra o máximo que pude e o híbrido bufou afastando suas mãos e corpo do outro homem como se tivesse se lembrado que eu estava por perto.
– Olá. – Me cumprimentou o que me lembrava um caçador , não só pela besta atravessada em uma correia em seu peito junto a uma bolsa de flechas , mas pela roupa rústica. Seus olhos se voltaram para min e seu rosto duro deu um sorriso mínimo de alguém que se esforçava a soar educado. – Eu sou Ansel.
– Eu sou Isís … – Comecei a dizer e fui abruptamente interrompida.
– Vim aqui para ajudar minha família verdadeira. – Disse o loiro soando cínico e irritado quando se voltou para o outro homem mais velho. – Então trate de sumir. – Avisou ele para o tal Ansel com o dedo em riste. – Venha garota.
O híbrido passou ao meu lado não percebendo a pontinha de irritação começar a brotar no meu rosto. Primeiro ele me ignorava e depois me chamava como se nem soubesse meu nome.
– Vocês estão atrás da orquídea Marelok. – Ansel disse antes de eu me mover fazendo o outro parar de andar e fazer barulhos ruidosos de quem gostava de expressar sua raiva de alguma forma. – Vir você com a bruxa levando seu irmão Elijah para a casa ontem a noite.
– Sabe aonde tem a orquídea aqui? – Perguntei me fazendo presente. Minha esperança soou palpável.
Os olhos claros do caçador brilharam minimamente orgulhosos. Era óbvio que ele sabia.
– Minha mãe trouxe você de volta a vida. – Acusou o híbrido com os lábios em uma linha reta de alguém que se esforçava a não gritar. – Meu senso de estratégia me diz que não foi para brincar de esconde-esconde entre pais e filhos.
O loiro venho em minha direção segurando meu braço de forma firme fazendo o contato mesmo sobre o tecido da jaqueta ser quente. Ele me puxou para o segui-lo e eu estava a ponto de me afastar quando a voz de Ansel novamente o paralisou.
– Pode fugir no seu ataque de teimosia se quiser Niklaus , mas sugiro que faça isso para o oeste.
– Finalmente uma pista. – Disse mais para min mesma torcendo meu braço na mão forte do loiro de forma ríspida , tomando cuidado de não lhe encarar muito no rosto , eu não era muito desafiadora , mas o caso era que ele estava começando a me incomodar com sua acidez.
– Você pode fazer um feitiço localizador? – Perguntou intensamente me olhando de cima com uma postura encurvada em direção a min.
– Para uma planta? – Rebati fazendo sua pergunta soar como débil. Sua raiva soou como uma onda quente. E antes que ele pudesse me conter fiquei na frente do homem de blusa de flanela xadrez. – Eu não sei sobre o que ele acha , mas adoraria uma ajuda para esse dia acabar logo. – Pedir de modo emplorativo fazendo Ansel sorrir de lado. Seus olhos claros fez a frase “pais e filhos” do híbrido fazer sentindo.
– Me siga. – Pediu Ansel fazendo um floreio com a mão a sua esquerda.
Comecei a o seguir lado a lado e antes de pensar olhei um pouquinho por sobre o ombro vendo Niklaus ainda parado atrás. Não importava muito ao meu ver.
– Então , você fala ou é como o outro que vai me deixar naquele silêncio agourento e constrangedor também? – Perguntei olhando de lado para o caçador.
Ele para minha surpresa riu baixinho ajeitando sua correia no peito.
– Niklaus esta preocupado , não exija muito dele. – Me pediu quase docemente como se conhecesse o híbrido melhor do que ninguém. – Mas o que quer saber? – Concedeu enigmático.
Olhei para minhas botas completamente sujas de terra e pensei no que queria saber. Ele era pai do híbrido mesmo? Era um lobisomem pela forma como a magia antiga parecia rondar ao seu redor? Por que parecia que nos seguia antes?
Porém quando abrir a boca nenhuma daquelas perguntas faziam sentido como a primeira.
– Sabe mesmo usar essa besta? – Questionei dando de ombros quando seus olhos antigos me encararam.
Ansel voltou a andar só que agora mais rápido, mesmo que eu fingisse não notar e quisesse muito olhar novamente por sobre meu ombro , eu havia memorizado os passos suaves do híbrido para ter certeza que ele nos seguia.
– Sim meu pai me ensinou há muito tempo. – Respondeu ele simplesmente olhando para a frente , seu cabelo acinzentado combinava perfeitamente com seu rosto antigo, não que ele parecesse muito velho apenas , intenso. Era difícil explicar. – E você sabe usar?
Segurei o sorriso me sentindo mais confortável. Sim aquilo era uma conversa! Depois de quase duas horas com uma pessoa em pleno silêncio eu tinha certeza. O homem não era uma ilha. Eu precisava falar ou mesmo só ouvir alguém na imensidão verde da floresta ou mesmo da nova cidade.
Ele começou a subir por um monte de terra e eu tomei mais o dobro de cuidado fincando meu calcanhar o máximo na terra quando o seguir. Cair não ia ser nada legal.
– Sim , minha mãe também me ensinou. – Contei chegando segundos depois ao pé do monte. Lá embaixo as árvores altas pareciam terem dado lugar a um espaço plano de samambaias altas.
– Estranho. – Murmurou Ansel descendo para andar ao redor do campo , parecendo visar o outro lado da floresta.
– O que é estranho? – Perguntei sentindo as samambaias roçarem na minha mão de tão altas.
– Uma mãe obviamente bruxa ensinar a uma filha a usar armas e não feitiços. – Ansel respondeu de costas para min.
– Ela ensinou os dois … Senhor Ansel , aquilo são …? – Perguntei mudando de assunto olhando cautelosamente para as primeiras árvores que se aproximavam. Nas raízes embrenhadas pequenas flores que mais pareciam grãos roxos brotavam.
– Verbena. Sim são. – Consentiu o homem parando de andar. Junto olhamos por sobre o ombro vendo o rosto cismado do híbrido olhando também para o chão.
Ele havia nos seguido o tempo todo, apenas em silêncio. Eu não era tão tola para não saber que aquilo deixava os vampiros mais fracos , e bem o híbrido era metade vampiro.
– As orquídeas estão mais para a frente , aonde a Verbena só fica mais tensa. – Informou Ansel olhando seriamente para o loiro.
– Bella tinha razão , Esther planejou isso visando que seria eu que viria. – Falou ele mais para si mesmo olhando para o chão. – Isso é uma armadilha!
– Não tem problema , eu pego para você. – Ofereceu Ansel confiante.
Niklaus riu alto fazendo o som soar como algo diabólico e cínico. Fiquei arrepiada.
– A que preço? – Perguntou ele deixando sua cabeça pender para o lado totalmente sarcástico.
– Nenhum , a garota vai comigo obviamente , e depois … – O mais velho se aproximou do loiro. Ficando frente a frente com ele. – Vamos conversar , filho.
– Eu tenho um plano melhor , a garota vai reunir as orquídeas e você … vai embora. Sem falar mais nada – Apontou o híbrido olhando para o outro de forma raivosa.
– Ei eu tenho um nome sabiam?! E posso fazer o que quiser por que esse é um pais livre! – Exclamei alto não gostando deles falarem de min como se eu não estivesse ali ou não tivesse opinião própria.
– Não tenho nada contra você senhorita. – Garantiu Ansel educado se voltando para sorrir paternalmente para min. – Apenas quero garantir que não estou do lado de Esther e que independente da covardia de Niklaus ele deveria se lembrar que é seu irmão que esta sofrendo. Por isso devemos andar rápido.
O loiro pareceu ofegar e encarou o homem como se ele fosse uma assombração , uma ofensa maior por só respirar.
– Vou dar a volta e encontrar vocês do outro lado , e lembre-se que posso ouvir muito bem. – Informou o loiro secamente sumindo como havia feito antes , em um borrão.
Entrei novamente dentro das árvores altas sentindo a falta de sol ser maior ali. Cada árvore , cada raiz forçava o nascimento desnatural de Verbena, até mesmo o cheiro delas , doce porém forte , fazia qualquer um se sentir incomodado.
– Sem querer ofender , mas ele não parece seu filho. – Apontei desacreditada.
– É complicado … – Ansel olhava para os lados e eu seguir seu olhar , não havia sinal de vida e até mesmo o barulho de passarinhos haviam cessados, de repente ele me encarou de modo diferente , não entendi tão cedo o que aquilo significava. Apenas quando ele começou a falar. – Niklaus foi criado por outro homem , alguém cruel e até brutal. – O caçador instintivamente colocou uma mão por dentro da camisa na cintura , lá havia um facão bem escondido , ele o puxou e começou a cortar as plantas mais próximas a nos como um tique nervoso. – A mãe dele me proibiu de o ver , de ficar até perto dele.
– Ela e minha mãe se dariam bem. – Disse pensando em minha própria história. Novamente a sensação angustiante de não saber se eu seria aceita pelo meu pai me doeu. – Mas você o ama não é?
– Sim , o amo muito. Eu o observei por mil anos , do outro lado. – Ansel falou de uma forma suave , quase perdida no próprio tempo. Ele estava falando mais para seu filho! Era claro que Niklaus ao falar que podia nos ouvir tinha dado uma brecha para o próprio pai.
– Eu realmente não entendo. – Contei ainda o seguindo. – Você estava morto , e uma bruxa trouxe você do outro lado? Provavelmente antes dele entrar em colapso não é?
– Você é muito inteligente senhorita. – Elogiou com uma voz mais animada.
– As vezes acho que sou. – Passei as mãos no meu cabelo voltando a apertá-lo por entre o elástico. – E o senhor esta tentando ganhar a lealdade dele? Ou seu amor?
– Algo me diz que você não esta fazendo as perguntas por mera curiosidade. – Ansel cortou novamente um ramo de plantas e eu me abaixei para pegar um pouco da Verbena que caia nos nossos pés.
– Tá … – Guardei uma das plantas no meu bolso , e suspirei fundo antes de falar mais. – Imagina que você tem uma filha , e que essa filha tenha uma mãe que a prendeu por muito tempo , a mãe não descobriu que ela sabe quem é seu pai , mas a filha sabe que além de um pai tem uma irmã , e ela quer encontrar seu pai , quer que ele …. – Sentir minha garganta se fechar e quase bati nas costas de Ansel quando ele parou de andar. – Que que ele a ame. Se o senhor tem mesmo mil anos , deve ter uma dica sensata para a filha , não é? – Pedi em um murmúrio nervoso.
– Apenas seja sincera , um pai de verdade sempre amará um filho... – Ansel voltou a andar e parou apontando com seu facão para a frente. Embaixo de uma árvore amarelada , antiga até , havia orquídeas Marelok brotando por todo canto , em meio é claro a Verbena. – E fará qualquer coisa por ele.
Ansel sorriu e juntos nos aproximando para pegar o máximo da flor quase preta em galhos finos.
– O senhor é mesmo um lobisomem? – Perguntei sentindo certa timidez por fazer uma pergunta tão boba.
Ele riu e se levantou primeiro me dando sua mão livre para me ajudar a levantar. Com um puxão forte estava em sua frente vendo quase um sorriso de verdade se formar em seu rosto.
– Sim , e você é mesmo uma bruxa? – Devolveu me dando uma bolsinha de couro aonde tinha guardado suas próprias orquídeas.
A peguei juntando com as minhas e assentir com a cabeça.
– Sim , uma bruxa. – Respondi fechando a bolsa para guardá-las e fazer a pasta necessária que ajudaria o marido de Bella.
Anabella
Fechei a porta deixando Elijah ainda dormindo , ou preso seria a melhor palavra a ser usado, dentro do quarto. Arrumei minha blusa de frio sentindo a necessidade de voltar para dentro e ir buscar algo que eu sabia que não iria precisar. Enquanto andava pelo corredor bem guardado por lobisomens joguei a jaqueta marrom por cima da blusa de frio sentindo meu celular pender no bolso. O peguei rapidamente ainda não vendo sinal de que Dimitri havia recebido minhas ligações.
– Dar pra você andar logo? – Pediu Hayley em voz alta , e eu levantei meu rosto vendo ela no final da escada que eu descia as cegas. – Ou precisa de uma coroa para combinar com os brincos?
– Talvez com os sapatos. – Retruquei inocentemente. – Eu não ligo muito para brincos. – Rebati sarcasticamente não gostando do tom duro dela.
Ela revirou os olhos em completo descaso e começou a caminhar para a entrada do casarão. A seguir sem demoras , passando por alguns dos lobisomens que davam acenos sutis a Hayley.
Quando chegamos as portas duplas nas sombras , Jeofrey entrava infelizmente sozinho.
– Ei! Cadê Dimitri? – Perguntei olhando por sobre seu ombro imaginado que mais bruxos apareceriam. – E cadê a maioria …
– Seu pai quer falar com você. – Interrompeu Jeofrey tirando seus óculos de sol do rosto. Encarei Hayley com a testa franzida imaginando que ela não tinha ouvido o que eu ouvir , mas como seu rosto também se encontrava confuso … – Sim , seu pai quer falar com você , e boa parte do nosso conselho também . Parece que colocar em risco nosso povo para salvar seu marido não foi muito bem visto. – A voz maliciosamente suave dele me fez estreitar os olhos. – Para sua felicidade eu não ligo muito para regras que podem claramente serem quebradas quando você jogar suas palavras sábias e liderança na cara deles , por isso estou aqui.
– Mas eles querem falar comigo quando?
– Amanhã. – Jeofrey desarrumou charmosamente seus cabelos dando de ombro.
Não fiquei pensando muito no assunto. Tinha outras coisas em mentes.
– Então vá embora , ninguém precisa de um piadista na equipe. – Murmurou Hayley saindo e batendo propositalmente no ombro do bruxo.
– Que bom que não é ela que manda. – Falou ele ironicamente me encarando.
Revirei os olhos e passei também por ele o sentindo me seguir. A última coisa que queria saber era sobre meu pai e o conselho , por isso arquivei a informação na minha mente. Já que não tinha Dimitri do meu lado , aceitaria Jeofrey de bom grado.
O carro alto e forte de janelas pretas que Hayley já entrava estava com a porta do banco do carona aberta. Entramos nele sem a encarar. A híbrida emanava irritação , mas com o tempo de viagem ela se acalmou , parecia que afinal estávamos lutando do mesmo lado.
Quando começamos a sair da cidade o cheiro de maresia ficou evidente. Estávamos chegando perto do rio. Em um silêncio contemplativo. Jeofrey tocou minha mão e antes deu imaginar o que significava ele apontava para além da sua janela. O grande galpão da beira do que parecia ser pedras jogadas do tipo seixos estava a vista , tijolos avermelhados criavam uma quase fábrica abandonada.
– Lembra-se de Marcel? – Perguntou Hayley indo mais devagar para estacionar dentro do galpão escuro.
O rosto do vampiro negro me veio a mente quando saímos e não vimos nada ali dentro apesar do sol lá fora.
– Você disse que tinha uma equipe , é só Marcel ou ? – Indaguei mas ela não respondeu.
Hayley começou a subir uma escada quase invisível que rangeu sobre meus pés e como em fila indiana a seguimos. Ela abriu uma porta fazendo a luz me fazer piscar. Saímos em uma ante sala vazia e logo depois em uma sala aonde as paredes de tijolos vermelhos e altas janelas de vidro mostravam uma paisagem de uma ponte ao longe e o mar ao seus pés. Mas o que me interessou mesmo foi a loira virada para nos.
– Camille? – Perguntei confusa mas até mesmo alegre.
– Anabella. – Devolveu a loira se aproximando. Nos abraçamos brevemente e sorrimos em sincronia quando nos afastamos. – Que bom que esta bem.
– Também acho. – Disse simplesmente não sabendo como reencontrar uma pessoa de verdade. Talvez fosse por que Cami fosse humana ou mesmo só ela , gentil e forte de várias formas, ela fizesse eu me esquecer minimamente dos problemas que tudo parecia ter. – Mas você também esta envolvida nisso?
– De uma forma que você não pode imaginar. – A voz macia de Marcel soou pela sala ampla , não me prendi aos detalhes apenas ao vampiro de sorriso bonito vindo até nos com um copo de whiskey nas mãos. – É bom revê-la senhora Mikaelson.
– Grrrr... Por favor nunca mais me chame assim. – Pedir achando estranho como aquilo soava quando estávamos claramente tentando ferrar com a primeira senhora Mikaelson , depois aceitei sua bebida e lhe dando um sorriso gentil. Ele riu junto com Cami.
– Ei! Será que podemos? – Perguntou Hayley e nos viramos para o espaço do sófas no meio da sala. Ela estava do lado de dois garotos , um vampiro e lobisomens desdobrando o que parecia ser um mapa na sua frente.
– Claro. – Consentir indo na sua direção. – A propósito esse é Jeofrey . – Anunciei vendo o bruxo encarando as janelas com desconfianças. – A única retaguarda que eu posso ter hoje .
– E aí?!– Disse Jeofrey saindo de perto das janelas para se sentar do meu lado dando acenos de cabeças para os homens. E um sorriso gentil para Cami como se eles já tivessem se conhecido antes , Cami fez o mesmo abaixando timidamente o olhar para uma caixa aos seus pés. Voltei a encarar Jeofrey que deu de ombros confirmando minhas suspeitas.
– Pera aí , então se nem Hayley vai trazer mais lobos , e nem você vai trazer mais bruxos … – Marcel assobiou alto e colocou as suas mãos na cintura de forma altiva e preocupada . Perdendo completamente seu jeito animado. – São apenas nos contra Finn e Kol?
– Desculpe-me se os lobisomens estão alvoroçados pela descoberta de que o pai de Klaus, um lobisomem alfa de mais de mil anos esta vivo e Jackson quer encontrá-lo para ajudá-los a nos unir. – Retrucou Hayley séria sentado no chão olhando confusa para os mapas.
– Ou só descobrir se ele sabe algo de grande importância. – Disse um dos garotos de cabelo castanho sentados lado a lado no sofá a minha frente.
– Ei! Você não é um dos garotos lobisomens que estavam ontem no cemitério? Aidan não é? – Perguntei vendo ele envergonhado por ser obviamente descoberto.
– Eu meio que estou servindo de espia. – Ele esfregou nervosamente as mãos uma nas outras. – Eu sou leal a Jackson.
– A propósito eu sou Josh. – Cortou o outro em voz alta fazendo a atenção ser direcionada a ele agora.
– Olá. – Lhe sorrir sentindo uma energia protetora vinda do vampiro para o lobisomem. – Espere Hayley. – Disse voltando ao assunto vendo a híbrida ainda olhando para os mapas. – Você disse que íamos tirar tudo que Esther ama , não disse que era uma pessoa.
– Tecnicamente é dois Mikaelson traidores no corpo de bruxos. – Relembrou ela tirando o cabelo dos olhos. – Finn vem causando o terror no corpo de um bruxo chamado Vincent …
– Griffith? – Questionou Jeofrey de modo rude e alto. – Que história maluca é essa?!
Jeofrey se levantou de modo nervoso nos fazendo o encarar.
– Você conhece ele? – Perguntei também me colocando em pé , não era exatamente uma pergunta , eu conhecia Jeofrey bem e tempo demais para saber o quanto ele era transparente para comigo. – Deus Joffy , por favor não me diga que ele é seu amigo?
Cruzei meus braços de modo firme com uma mãe repreendedora. A pergunta não tinha nada a ver com o que eu queria saber , mas podia sentir que pelo olhar dele , ele tinha entendido o que eu queria saber.
– Não Ana , claro que não. – Falou ele seriamente balançando a cabeça negativamente para dar mais ênfase. – Eu nem sei se é o mesmo … Escuta vocês tem uma foto? – Perguntou ele voltando-se para nossa pequena plateia.
– Ah … eu tenho. – Disse Cami para minha surpresa tirando seu celular do bolso do seu vestido. – Ele anda fingindo que é meu orientar . Aqui esta. – Cami virou a tela do seu celular nos mostrando uma foto de um homem negro com um cabelo um pouco alto. – É esse. Vincent Griffith ou Finn Mikaelson se desejarem.
– É ele mesmo , o conheci no bar há mais de um mês. – Declarou Jeofrey jogando suas mãos para o alto gesticulando em completa derrota.
– Achamos que ele estava atrás da Cami por ele ter uma queda por ela. – Marcel aponto para Jeofrey fazendo sua voz soar contemplativa. – Agora um dos bruxos Vallyria também foi enganado , só eu acho que tem algo que não estamos vendo?
– Provavelmente não. – Decidir convicta mentindo claramente. Encontrei os olhos da Marshal e levantei minha sobrancelha. – Plano?
– Cami vai servir de isca. – Continuou a híbrida fazendo todos se voltarem para os mapas.
– Ele quer se encontrar no salão de preservação. – Informou a loira.
Me aproximei mais pegando o copo de Whiskey que havia deixado na beirada da mesa para tomar um gole. Desceu queimando.
– Mas ele não estará indefeso. – Confessou Aidan apontando para as portas do que parecia ser um bar. – Haverá lobos aqui e aqui.
– Pode manter esse beco aberto? – Perguntou Marcel apontando para uma das laterais do mapa.
Ainda balançou a cabeça positivamente.
– Ótimo , eu estarei lá para arrancar sua cabeça. – Ironizou Hayley.
– Na verdade eu pensei sobre isso. – Cami colocou sua caixa branca no meio da mesa. Parecia bugigangas. – São alguns objetos negros que meu tio tinha. Cataloguei usando as notas de Kieran e até aonde sei , podem ser usadas contra ou a favor de bruxas especificamente.
Marcel puxou uma corrente grande com algemas de ferro velho nas pontas. No meio das coisas uma caixinha preta me chamou a atenção , enquanto ouvia Marcel contar que as algemas foram usadas na guerra a cem anos pelas rainhas vodu's peguei a caixinha a abrindo vendo um jogo completo de cartas de tarô.
– Anabella... – Disse Hayley e não pareceu a primeira vez que me chamava. Encontrei seus olhos voltando ao assunto. – Precisamos saber se as algemas que impedem bruxos de usar magia funciona mesmo , se importa?
– Ah … – Encontrei o olhar preocupado de Jeofrey sabendo que ele estava ali para qualquer coisa. – Não , claro que não. Escuta Cami. – Me voltei para a loira antes de me prontificar a tarefa. – Será que posso ficar com isso?
– Com tanto que tente ver meu futuro de graça depois , por que não?! – Brincou ela sorrindo , não sabendo o quanto tinha acertado no que eu queria fazer com o baralho. Coloquei rapidamente a caixa dentro do bolso interno da minha jaqueta e ofereci meus pulsos para Marcel me prender. Assim ele o fez.
Tentei usar minha magia focando na janela a minha frente mas nada aconteceu.
– Parece que tem um truque. – Disse Jeofrey do meu lado observando com cautela o objeto negro.
Tentei novamente fazer a janela pelo menos rachar mas nada. Meu coração pulou mais alto e eu me sentir mais do que nervosa.
– Incendia. – Murmurei olhando agora para as velas em cima do balcão do bar e nada aconteceu. Olhei para as algemas sentindo elas mais pesadas.
– Talvez fosse melhor tirá-las. – Consentiu para minha surpresa Hayley talvez notando o meu pânico.
– Não , tem realmente um truque. – Confirmei olhando para Jeofrey que segurava meu pulso direito também curioso com o funcionamento do objeto negro. Respirei fundo , pausadamente até não sentir nenhum pingo de vontade de usar minha magia , como pensei as algemas ficaram novamente leves e um clique único fez elas caírem no chão.
– Duvido que Vincent descubra …
Antes que Jeofrey pudesse terminar de falar as janelas racharam e as velas por todos os lados se acenderam com uma chama alta e avermelhada.
– Desculpe-me. – Pedir envergonhada e com um aceno de mãos as janelas se consertaram e o fogo diminuiu. – Então qual é o segundo passo do plano? – Perguntei voltando para os olhares espantados e receosos dos demais.
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