You Only Live Once
3 Capítulo 3
Notas iniciais
They love you or they hate you
But they will never let you be
They'll thrill you or sedate you
But they will never let you see (...)
Evening Sun – The Strokes
Segunda-feira. Acordo com a ligação de meu chefe, perguntando como foi a entrevista com Wilde e, sem o menor ânimo, explico o fiasco. Não consegui conversar com ele decentemente, ele me mandava eu me foder, não queria responder as perguntas e não falava nada com nada. Penso em dizer isso, mas isso só complicaria as coisas, então digo que não funcionou, sem detalhes. É claro que a reação dele não foi a das melhores. Começou a gritar “Como assim não funcionou?” e eu tive que, pacientemente, explicar os motivos que fizeram Julian não se empenhar para a entrevista. Estava bêbado, provavelmente havia discutido com alguém, ou era uma ressaca brava. Disse do modo como ele me tratou e, com muita raiva, ele diz que vai dar um jeito de conseguir essa entrevista. A revista sai nesse fim de semana, e só faltava a entrevista dele para fechar. Ou eu remarcava ou mandavam outra no meu lugar. Sinceramente? Eu o disse para arranjar outra. Pra que eu iria? Pra Julian me irritar de novo? Aquele projeto de bad-boy já me irritou o suficiente para o fim-de-semana inteiro. Quando levanto, Diane nem está em casa mais. Ela dá aula cedo num colégio particular daqui de Seattle, e meu trabalho nem é fixo. Sou chamada só de vez em quando pela Rolling Stone, umas duas ou três vezes por mês, no máximo. Isso é bom em um certo ponto, afinal eu recebo bem e mal trabalho. Mas eu me sinto muito atoa, tem dias que passo horas não fazendo nada, ou apenas lendo um dos livros de Diane. Só na semana antecedente das entrevistas eu terminei 3 livros. Diane já deu a ideia de eu procurar um emprego de meio-período, assim eu poderia ganhar uma grana extra e me ocupar em algo enquanto eu não estiver nas entrevistas, ou então fazer um curso de qualquer outra coisa que eu goste. Mas sinceramente, eu prefiro trabalhar do que estudar no momento. Olho para meu relógio-despertador no criado-mudo, e marcam 10 horas da manhã. Caramba, hoje eu dormi demais.
Desço para começar a fazer alguma comida, estava com fome afinal. A casa parecia tão silenciosa e assustadora sem a animação de Diane. Preparo alguns omeletes, apenas para afastar a fome, e me sento no sofá da sala. Meu telefone toca pela terceira vez hoje, e atendo sem o menos ânimo.
– Oi?
– Oi. Você sabe quem é.
– Desculpe? – eu sinceramente não sabia quem era, e o número era totalmente estranho.
– Caralho, sou eu, Julian Wilde.
– Educado como sempre. Bom dia, Wilde. – digo irônica.
– Acostume-se, Liss. – ele segura um riso do outro lado da linha. – Olha, seu chefe me ligou..
Bufo, com raiva evidente. Por que ele fez isso? Ele não iria mandar outra garota? Eu pensei que nunca mais teria que ouvir a voz de Julian a não ser nos sons estridentes das músicas de Diane, mas estou aqui, tentando manter uma conversa decente com Julian, por telefone! Ainda mais, odeio meu chefe pelo fato de ter passado meu número pra Julian. Sinto que serei atormentada.
– O que ele queria?
– Ele me perguntou como foi a entrevista. Eu falei que eu fui um tremendo filho da puta, e ele começou a puxar meu saco, falando que deve ter sido você que foi chata demais. – ele começa a rir e eu agora odeio mais ainda esse chefe canalha. Como ele ousa? – Mas relaxa Liss, eu não iria deixar você ser demitida assim. Eu disse que a culpa foi minha e que até mandei você se foder.
“Eu não iria deixar você ser demitida assim”. Ele mal me conhece e já quer vir me defender. Isso é bom, por um lado, eu realmente podia ter perdido o emprego se Julian concordasse com as suposições dele.
– Obrigada. E aí?
– Ele pediu para remarcar com você e pedir desculpas. Até achei estranho, ninguém manda eu fazer nada. Só mamãe podia mandar em mim. – acho fofo o jeito que ele diz “mamãe”, mas decido não rir. – Só que eu não liguei, e falei que eu mesmo iria entrar em contato com você.
– Eu não quero.
– Qual é, Liss! – ele choraminga. E eu odeio esse apelido. – É sério, eu nunca peço desculpas pra ninguém.
– Então aprenda. E você não pediu.
– Ah é, desculpe Alice. Agora, podemos remarcar?
– Eu já disse que não quero.
– Caralho, você é difícil pra porra! – Julian parece perder a paciência e isso não iria o ajudar. – É, quero dizer, Alice.. Podemos remarcar aqui na minha casa?
Engulo em seco. Eu realmente não queria fazer aquilo de novo, mas Julian parecia que não iria ser estúpido novamente, estava até sendo divertido. Ele pediu desculpas e até se deu o trabalho de me ligar. Agora, está me convidando para uma entrevista em sua casa. Pra ser sincera, eu nunca entrevistei ninguém em sua própria casa, isso seria muito estranho pra mim.
– E aí? Liss?
– Tá, tá bom! – suspiro em rendição. – Eu vou, só me diga onde é que estarei aí hoje mesmo, não faço nada hoje a tarde. E que fique claro que esse é nosso último contato.
– Nossa, não gostou mesmo de mim? – ele ri – Tá tudo bem, eu te mando uma mensagem, eu realmente preciso desligar. Obrigado Liss, você é demais.
Então ele desliga o telefone sem ao menos me dar oportunidade de despedir. Eu nem queria mesmo.
Na verdade, eu não queria a entrevista, mas sei que se não fizesse iria complicar para mim. Julian disse para meu chefe que iria resolver isso, e se eu negasse algo para Julian Wilde, do jeito que todos da Rolling Stone endeusam as celebridades, eu estaria em problemas. Isso é ridículo, eu adoro minha profissão, mas algumas coisas nesse lugar me fazem ter repulsa. Termino meus omeletes e me levanto para ir tomar um banho, apenas para passar o tempo enquanto a hora não chega. Assim que saio do banho, tenho 2 mensagens de Julian.
“Eu moro numa casa afastada em Seattle, precisaria andar muito. Vou mandar um motorista pra você, olhe como sou legal ;)”
Rolo os olhos ao terminar de ler a mensagem. Pode ser até bom, mas eu não gosto que me mandem motoristas, afinal eu sei dirigir, não preciso disso. De qualquer jeito, eu sou horrível para chegar em lugares que não conheço.
“Ele estará aí as 12h00. Quanto mais cedo, melhor. Até agorinha, Liss!!”
Guardo o celular na bolsa e procuro roupas para ir a seu encontro, não me importava mais em me arrumar demais já que sei que Julian é desleixado. Ele havia marcado cedo demais, agora faltam apenas uns 15 minutos para as 12h00, o tempo passou rápido demais. Sou surpreendida pela porta sendo aberta, e logo confirmo que é Diane.
– Ally! – ela me cumprimenta assim que me vê em pé atrás do balcão. – Está arrumada pra que? Vai sair e nem me chama? – ela ri.
– Na verdade, é uma entrevista.
– Entrevista? Pensei que só tinha três na semana. – ela diz enquanto joga suas coisas no sofá e se joga no mesmo. Estava exausta, mesmo chegando mais cedo hoje. Geralmente permanece lá até as 12h30.
– Bom.. Tive que remarcar aquela com Julian. – digo sem animação na voz e Diane parece surpreendida.
– Aposto que foram ordens de Luthor. – ela se refere ao meu chefe, e tem razão. – Boa sorte, espero que esteja sóbrio.
Eu também Diane.
Nós rimos e logo ouço o interfone tocar. O porteiro me avisa que tem alguém na porta me procurando, e presumo que seja o motorista de Wilde. Mando um beijo de Diane para me despedir e desço, onde o motorista simpático está me esperando na recepção.
Eu confesso que estava com medo do motorista, eu não sou de pedir caronas a ninguém, seja táxi ou motoristas particulares, eu não os conheço afinal. Eu sempre fui careta em relação a essas coisas, mas nunca se sabe. O mundo anda cada vez mais perigoso. Ele me conduz e abre a porta da BMW preta, com vidros escuros, provavelmente Julian deve andar nesse carro. Ou é só mais um de seus milhões de carros, imagino que esses famosos tenham vários carros para não serem reconhecidos enquanto passeiam. O caminho é silencioso e, realmente, ele morava longe. Não era tão afastado como eu pensava afinal, ele é rodeado por casas do mesmo nível econômico do dele. Ou seja, ele mora num lugar cheio de palácios com milionários esnobes. Creio que a mídia deve saber de sua humilde residência, por isso é tudo tão fechado e protegido. Não é como essas casas ao lado, com seus jardins abertos, dando entrada pra porta da frente. Algumas até com fontes em sua frente. Já a de Julian, tem um grande muro com um grande portão dourado, dando entrada a aquela casa que, Jesus, era enorme. Não tinha um jardim muito cuidado, mas tem algumas roseiras. Creio que seja sua namorada que decidiu tê-las, Julian não parece do tipo que aprecia arranjos. O motorista me deixa na porta de sua casa e conduz até o que presumo ser a garagem da casa. Suspiro e, com medo, bato na porta.
Juro que estava com medo do que aquilo iria dar, juro que pensei nas possibilidades dele estar bêbado, e aquilo parecia quase óbvio. E eu, na casa de um bêbado drogado, o que poderia dar?
Em poucos segundos a porta é aberta por um sorridente bad-boy, com as mesmas roupas da última vez que o vi.
– Fique a vontade.
Sorrio de volta para ele, falsamente, e sento-me no sofá da grande sala de estar. Wow. Eu nunca pensei que a casa dele seria tão grande, limpa e bem arrumada. A empregada deve ganhar muito bem para limpar toda a bagunça dele. Ou é frescura de sua namorada. Admiro por uns minutos a grande sala e o tanto que aquela lareira deixava o ambiente agradável, devido ao grande frio lá fora. Estremeço e deixo minhas coisas em cima da mesa de centro. Julian chega por trás e se senta no sofá a frente, bem relaxado, afinal é dono da casa mesmo. Nós nos encaramos. Ele ri.
– É sempre tão humorado? – pergunto, incomodada com tantos sorrisos que já recebi desse homem.
– Depende da pessoa. Você é, de alguma forma, engraçada.
Seu comentário me ofende um pouco. Será que é pelo modo que me visto? Ou pelo meu cabelo não ser muito agradável? Eu tenho cara de palhaça? Me irrita o fato de que Julian tira sarro da minha seriedade, que eu tento expressar o tempo inteiro. Posso parecer até má, mas engraçada? Julian me irrita, mas não quero demonstrar.
– Vamos começar. – anuncio séria.
– Quando quiser. – ele se aproxima de mim e apoia-se na mesa. — Prometo não tocar no seu gravador.
Ri de seu comentário, lembrando das inúmeras vezes que me interrompeu com suas ridículas pausas no objeto.
– Ok. Só quero fazer algumas perguntas, ainda não feitas, porque você sabe.. Não me deixou concluir.
– Eu sei. Sem problemas, não me importo. Quer dizer, não tive a intenção de não falar com você ontem a noite. – ele tenta se explicar, mas parece sem graça. Eu duvido muito disso. Os bêbados costumam serem bem verdadeiros até quando não querem.
– Achei que você estava se pressionando demais para dizer alguma coisa interessante. – minto.
– Eu sabia que estava.. Eu acho que ia te dizer alguma coisa da qual me arrependeria.
Algo que me magoasse ou algo para surpreender a mídia? Acho que não tem nada mais surpreendente que sua confissão de estupro. Não passa de uma brincadeira ridícula vinda de sua parte, como sempre.
– Agradeço por aceitar a entrevista novamente. Eu sei que odeia entrevistas. – foi o meu chefe que decidiu ter isso de novo, mas não evito de ser educada em agradece-lo pela paciência. A qual tento manter também.
– Não odeio dar entrevistas. Só chego a um ponto às vezes em que sinto que o que eu digo nunca é entendido. Não sei se foi porque o gravador estava ligado, mas agi de maneira diferente. — Maneira diferente? Eu não sei como ele realmente é, mas ele foi um estúpido a todo momento. Eu tinha me arrependido muito de ter aceitado o convite, e estava odiando estar aqui novamente. Ordens são ordens, e eu recebo por isso.
– Diferente?
– É, você, não sei.. Algo dentro de mim não queria te dar porra de entrevista nenhuma e sim..
– Na verdade, eu não queria nem ao menos estar aqui agora. – desabafo, o cortando. Sua cara não foi uma das melhores, mas ele novamente lança seu sorriso sarcástico, que tenho sempre vontade de soca-lo.
– Eu estava com uma puta ressaca, dá um desconto. – ele ri
– É, você estava bem bêbado ontem. Você estava dizendo..
– Que é inútil dar entrevistas enquanto..
– Você ainda não fez nada inquestionável. – completo, interrompendo nossa pequena discussão. Ele me encara e logo desvio o olhar para os folhetos de perguntas. Odeio quando ele tem contato visual comigo.
– É.. Só sinto que seria bom se as pessoas pensassem: “Uau, isso é muito legal”, e então descobrissem mais sobre a banda a partir dali em vez de ler sobre um cara rebelde e bêbado falando de várias coisas insanas, intensas e exageradas. Sempre fui ruim em me promover, ou promover a banda, sabe.
Isso faz muito sentido. Julian só faz sucesso por causa de seu rostinho lindo, e essa é uma certeza que levo pra mim.
– Mas ninguém espera isso de você. – ele não diz nada.
Ficamos em um silêncio e procuro outras perguntas, meio sem graça.
– Você disse uma vez que treinava para as entrevistas da Rolling Stone no chuveiro. – disparo a pergunta, lendo e ditando ao mesmo tempo, e ao terminar quero me bater por perguntar uma coisa tão estúpida. Caraca, como a Diane é idiota. Ele começa a rir e então revira os olhos.
– Era mais como um grande monólogo. Sabe, eu nunca pensava, tipo, “Então como está a pressão?”, porque ninguém estava ouvindo, sua mente fica muito melhor do que quando você está sendo entrevistado por alguém. E como sabe disso?
Não entendi nada. Julian sóbrio é ainda mais incompreensível que o Julian bêbado. Deixo de lado, afinal a resposta dessa “pergunta” não me interessava e não interessaria a ninguém. Estúpida.
– Então.. Qual era a sua resposta para a questão de Leona Rogers? – ignoro sua pergunta e atrevo-me a perguntar de novo, visto que na última vez ele mandou eu me foder. Se ele fizesse-o de novo, eu jogaria esse gravador na cara dele.
– O que realmente quer saber? – revira os olhos.
– Ela está mesmo grávida? — digo rápido, sem a menor vergonha na cara. – Como está, e como é a relação de vocês?
– Todos sabem que ela é minha namorada à muito tempo e que a amo. Fim de conversa. – ele diz ríspido. Típica resposta que ele dá para todos. Mas essa não é a verdade, Julian esconde muito sobre esse relacionamento e eu quero arrancar isso.
– Julian, seja sincero, por favor.
– Quando digo que a amo, é verdade. – ele diz, agora mais sério.
Mais um contato visual. Seu olhar transmite irritação, e o meu, fome por resposta. Agora estou agindo como uma repórter pé no saco. Mas todos nós somos assim. Ninguém gosta de repórteres afinal. Preciso manter o profissionalismo e arrancar mais do que preciso. Nós continuamos a nos encarar.
– Caralho, – ele bufa. – Você é chata pra caralho. – sorrio vitoriosa e ele lambe os lábios, procurando algo pra falar. – Explicar isso me deixa enjoado. Leona é uma namorada de longo tempo, conheci ela numa première, onde minha banda teria feito uma música para a trilha sonora de um filme que ela estrelaria como papel principal. Nessa noite nós conversamos muito, por pura insistência minha. Foi uma coisa bem divertida, ela agia como você, sabe, ela tinha repulsa de mim. – ele ri enquanto conta. – Lembro-me até de seu vestido. Ela estava impecável num vermelho que realçava suas curvas. Lembro também dela ter me xingado de bêbado insano quando tentei a beijar na festa. Eu estava completamente pirado e ela provocante para caralho. Ela estava tentando me seduzir, eu sei disso, mas ela se fazia de difícil. Nós começamos a namorar 2 meses depois. Eu a atormentava todos os dias com ligações e tudo mais.. Mas nossa relação nunca foi estável, mesmo com 2 anos. Ela me ajuda, mas não em tudo. Todos sabem que nós brigamos muito. – ele carranca e limpa sua garganta, numa tentativa de procurar outras palavras, ou fugir do assunto. Algo está errado entre esses dois, e é de muito tempo. — Não gosto muito de falar dela, não tenho o que falar, e acho que a vida amorosa das pessoas deveriam ser no mínimo particulares.
– Você a ama? – se forma um silêncio entre nós.
– Eu já disse que sim, não disse? – diz impaciente.
– Ela está grávida?
– Caralho, não! – ele levanta do sofá, nervoso, e eu me assusto com seu ato. – Ela não está. E você está sendo chata pra caralho. Para de me perguntar da porra da Leona! – encolho-me e começo a encará-lo. Ele está olhando pra janela, onde lá fora se formava uma chuva. Bufa novamente. – Eu já volto.
Ele desaparece diante os grandes cômodos da casa e eu fico sentada no sofá como uma idiota, novamente. Exatamente como esperei, Julian é um inconsequente ridículo e rude. Não muda nada quando está sóbrio, e provavelmente irá buscar bebidas. Sua fuga é bebida. Julian deveria se acostumar com esse tipo de pergunta, afinal todos querem saber de Leona. E o jeito que ele fala dela parece que os dois estão em crise. Agora eu tenho a certeza que os dois brigaram antes de ele me conceder a primeira entrevista. Leona havia partido para New York no mesmo dia, fiquei sabendo disso na TV. Como Julian aguenta? Por que é tão rude?
Passou-se dois minutos desde que se foi, desde então eu desligo meu gravador. Ele volta pouco depois, com um forte cheiro de cigarro. Me remexo no sofá, e ele senta-se ao meu lado. Droga.
– Desculpe, Alice. Sério. Me desculpe, sou um caralho. – Julian pedindo desculpas? Como eu queria que meu gravador estivesse ligado, só para registrar. – Estragar duas entrevistas, só eu mesmo..
– Fica tranquilo, ainda não acabamos. – digo séria e ele sorri, voltando ao seu lugar. Volto-me a olhar para as perguntas.
– Quando foi a primeira vez que ficou bêbado? – primeira pergunta que leio que desperta minha curiosidade.
– A primeira vez eu devia ter uns 10 anos e estava em um jantar. Havia vinhos na mesa e acho que engoli todos, e pensei, tipo: “Uau, o que é isso? É ótimo!”. Meu corpo gostou imediatamente. Pensei, tipo: “A vida é maravilhosa em todos os sentidos”.
Rimos de sua resposta, e volto a fazer várias perguntas sobre sua vida, infância e algumas perguntas mandadas por fãs. Umas interessantes, outras apenas o chamando de gostoso, ou pedindo para comê-las. Como as adolescentes de hoje em dia estão absurdas. Passamos horas conversando, rindo e fazendo perguntas sem sentido um ao outro.
– Você é muito legal, Liss. – ele repete a frase que disse a mim à dois dias atrás, naquele bar na péssima entrevista.
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