“Relacionamentos não terminam quando alguém trai…

eles terminam quando a verdade finalmente encontra um jeito de aparecer.”

POV EDWARD

Existe um momento específico em toda tentativa de recomeço… em que a ilusão começa a rachar.

Não de forma explosiva, não como um colapso imediato que destrói tudo de uma vez, mas como pequenas fissuras silenciosas que se espalham devagar, quase imperceptíveis, até que um dia você percebe que aquilo que parecia sólido… nunca foi.

Madre Linda continuava impecável naquela manhã, como sempre. O sol atravessava as janelas amplas da sala, iluminando os móveis claros, as superfícies limpas, o tipo de ambiente que parece ter sido desenhado para transmitir paz, uma paz que, no nosso caso, era cuidadosamente construída e constantemente ameaçada. O cheiro de café ainda pairava no ar, misturado ao aroma leve do sabonete caro que Bella usava, criando uma sensação doméstica tão perfeita que chegava a ser quase ofensiva.

Eu estava sentado à mesa, observando.

Sempre observando.

Você estava no tapete da sala, Bella, com Tony apoiado entre as pernas, incentivando ele a engatinhar em direção a um brinquedo colorido, sorrindo de um jeito leve, natural, como se aquele momento fosse suficiente para sustentar toda a realidade ao seu redor. Seus movimentos eram suaves, cuidadosos, e havia algo profundamente… humano na forma como você interagia com ele.

E isso…Isso ainda me surpreendia.

Porque você não foi feita para ser leve.

Nenhum de nós foi.

— Vai, meu amor…— você sussurrou, incentivando Tony, batendo levemente as mãos enquanto ele se movia com dificuldade.

Ele riu e o som preencheu a casa de uma forma que não combinava com o tipo de silêncio que costumava habitar nossas vidas.

Bree estava encostada na bancada da cozinha, observando a cena com uma xícara de café nas mãos, os olhos atentos, analisando tudo com aquele olhar que sempre viu mais do que deveria. Ela parecia diferente… mais madura, mais contida, mas ainda carregava aquela mesma energia inquieta que a tornava impossível de ignorar.

— Eu vou ficar — disse ela, de repente.

O som da sua voz cortou o ambiente de forma limpa, precisa.

Você levantou os olhos imediatamente.

— Ficar? — perguntou, franzindo a testa.

— Em Madre Linda — Bree completou, dando um gole no café. — Por um tempo.

Silêncio.

Eu observei a forma como você reagiu, o pequeno brilho de surpresa misturado com algo que se aproximava de alívio, e então olhei para Bree novamente, tentando entender o que existia por trás daquela decisão.

Porque Bree não fazia nada sem motivo.

Nunca fez.

— Achei que você odiava esse tipo de lugar — comentei, apoiando o cotovelo na mesa.

Ela sorriu de lado.

— Eu odeio — respondeu. — Mas gosto de vocês.

Simples.

Direto.

E ainda assim… carregado de significado.

Você se levantou, caminhando até ela sem hesitar, envolvendo-a em um abraço que não era apenas carinho, era reconhecimento. Bree retribuiu com a mesma intensidade, apoiando o queixo no seu ombro por um segundo a mais do que o necessário, como se estivesse confirmando que aquilo ainda era real.

— A gente também gosta de você — você murmurou.

E eu…

Eu apenas observei.

Porque vínculos como aquele… eram raros.

E perigosos.

O problema não começou ali.

Problemas nunca começam de forma óbvia.

Eles se constroem em pequenos detalhes, em gestos que parecem inofensivos, em presenças que vão se tornando constantes até que, quando você percebe… já ocupam espaço demais.

Eu estava no quintal algumas horas depois, encostado na cerca branca que delimitava o terreno, observando você novamente. O vento leve movimentava seus cabelos, o sol desenhava contornos suaves no seu rosto, e Tony dormia tranquilamente no carrinho ao seu lado.

E então…Ele apareceu.

Stefan Salvatore.

Com aquele mesmo jeito calmo, controlado, como se cada movimento fosse pensado para não invadir, apenas… se aproximar.

Ele parou ao seu lado, inclinando levemente o corpo na sua direção, falando baixo, com uma expressão que misturava preocupação e interesse de uma forma que não era acidental.

— Você parece cansada — ouvi ele dizer.

Você soltou um pequeno riso.

— Eu tenho um bebê — respondeu.

Ele sorriu.

— Ainda assim… parece mais do que isso.

Silêncio.

E então…

Você não respondeu.

Você apenas olhou para ele.

E aquilo…

Aquilo foi suficiente.

— Você vai ficar aí olhando ou vai fazer alguma coisa? — a voz de Bree surgiu ao meu lado, baixa, mas firme.

Eu não me movi.

— Ele quer a Bella — respondi, mantendo o olhar fixo na cena.

— Ou talvez ela só precise de um amigo — Bree rebateu imediatamente.

Eu virei o rosto para ela.

— Eu conheço esse tipo de cara.

— Não — ela disse, cruzando os braços. — Você conhece caras como você.

Silêncio.

Pesado.

— Nem todo mundo é uma ameaça, Edward.—continuou.

— Ele não é todo mundo.—rebati

Ela respirou fundo, olhando rapidamente na direção de vocês dois antes de voltar a atenção para mim.

— Então não vira o monstro que você sempre diz que não quer ser.— disse séria e se afastou logo em seguida.

Aquilo ficou, mas não o suficiente.

Porque não é sobre o que você quer ser.

É sobre o que precisa fazer.


POV BELLA

Stefan não invadia e talvez fosse exatamente isso que tornava tudo mais difícil.

Eu estava sentada no banco de madeira do jardim, sentindo a textura levemente áspera sob minhas mãos enquanto observava Tony dormir, o peito subindo e descendo lentamente, completamente alheio ao mundo ao redor. Havia algo naquele momento… algo tranquilo demais, quase frágil, como se qualquer movimento errado pudesse quebrar a sensação de normalidade que eu vinha tentando sustentar nos últimos meses.

— Você não precisa fazer tudo sozinha — Stefan disse ao meu lado, a voz baixa, quase cuidadosa.

Eu virei o rosto.

Ele estava mais próximo do que antes.

Mas não o suficiente para ser invasivo.

Nunca invasivo.

— Eu não estou fazendo tudo sozinha — respondi.

Mentira.

Ele percebeu, claro que percebeu.

Mas não pressionou.

— Eu gosto muito de você — disse ele, de repente.

Silêncio.

Meu corpo ficou rígido.

— Stefan…

Ele se aproximou um pouco mais, o suficiente para que eu pudesse sentir a intenção antes mesmo da ação.

E então…

Ele tentou.

O movimento foi lento, quase hesitante, como se estivesse me dando tempo para impedir.

E eu impedi.

Eu recuei.

— Não — disse, firme.

O ar entre nós mudou imediatamente.

— Eu amo o Edward e você sabe disso— completei, olhando diretamente para ele.

Ele fechou os olhos por um segundo, absorvendo, processando, e quando abriu novamente… havia algo diferente ali.

Algo mais frio.

— Então você merece saber a verdade — disse ele.

Meu coração acelerou.

— Que verdade?—perguntei arqueandoba sobrancelha.

— Ele mentiu pra você.— ele disse sério.

Silêncio.

Pesado.

— Sobre o quê?—perguntei confusa.

— Sobre a Elena.— ele suspirou.

O nome caiu entre nós como algo vivo.

Perigoso.

— Você está mentindo.—disse ríspido.

— Eu não tenho motivo pra mentir.— ele disse tranquilo me encarando.

Minha respiração ficou irregular.

— O Edward…

— Ele teve um caso com ela — me interrompeu Stefan

— Antes de tudo acontecer.

O mundo pareceu inclinar levemente.

— A mulher que você matou… — ele disse, mais baixo agora — não foi só uma vítima.

Eu senti.

Profundo.

— Ela foi alguém que ele escolheu, eles tiveram realmenteum caso...Enquanto você estava grávida, quando o Tony nasceu...Os dois enganaram você e o Damon, desde o início...


E naquele momento…

Algo dentro de mim começou a se partir.


POV EDWARD

Renée entrou na casa como sempre fazia.

Sem pedir.

Sem avisar.

Como se aquele espaço fosse tanto dela quanto nosso.

— Nós precisamos conversar — disse ela, fechando a porta atrás de si.

Eu já sabia.

— Você teve um caso com ela — continuou, cruzando os braços.

Direto.

— Não foi assim.—tentei mentir

— Não minta pra mim — ela rebateu imediatamente. — O Felix me contou tudo...

Silêncio.

Felix.

Sempre eficiente.

— Bella não pode saber disso — disse ela, mais baixa agora. — Em hipótese nenhuma, Edward!

Eu passei a mão pelo rosto, sentindo o peso da situação se reorganizar na minha mente.

— Então nós temos um problema.— disse irônico.

Ela me olhou.

— Qual problema?— ela arqueou levemente a sobrancelha.

— Stefan Salvatore.

Silêncio.

Frio.

— Ele está se aproximando dela — completei.—Ele sabe de mais e é muito amigo dela.

Renée não respondeu de imediato, mas os olhos dela…

Mudaram.

— Então resolva isso com o Félix.— disse, por fim.

Simples assim, como sempre.

Eu não percebi Bree no corredor.

Mas ela estava lá.

E ouviu.

Tudo.

POV BELLA

Bree entrou no quarto sem bater, com um olhar assustado, como quem acabou de ver uma visagem.

E naquele momento…Eu soube que ela sabia de algo sério.

— A gente precisa conversar — disse ela, a voz diferente.

Séria.

Pesada.

— O que foi? — perguntei, sentindo meu corpo ficar tenso enquanto colocava Tony no berço.

Ela hesitou.

E isso…

Isso nunca era um bom sinal.

— Bella…— sussurrou me olhando— O Edward vai fazer alguma coisa.

Meu coração disparou.

— Do que você está falando?

Ela me olhou.

Direto.

Sem suavizar.

— Ele quer tirar o Stefan do caminho.

O ar ficou pesado.

Difícil de respirar.

— E você precisa saber a verdade sobre ele.

Eu senti o chão desaparecer lentamente sob meus pés.

Porque no fundo…

Eu já sabia.

Só não queria ver.

POV EDWARD

Verdades não chegam de uma vez.

Elas se infiltram.

Devagar.

Silenciosamente.

Até que não podem mais ser ignoradas.

E quando isso acontece…

Você tem duas opções.

Aceitar.

Ou eliminar o problema.

E eu?

Eu nunca fui bom em aceitar.

E isso significa…

Que alguém vai desaparecer.

De novo.