You & Me - 2 Temporada
10 RUPTURA
“Amor não acaba quando alguém vai embora…
acaba quando você percebe que amar aquela pessoa pode destruir tudo o que ainda importa.”
POV BELLA
Existem momentos em que a dor não explode.
Ela não grita, não quebra objetos, não transforma o mundo em caos imediato como eu sempre fiz quando algo saía do controle. Às vezes… ela apenas se instala, silenciosa, fria, ocupando cada espaço dentro do seu corpo até que respirar se torna um esforço consciente. E naquela manhã, sentada na beira da cama, olhando para o próprio reflexo no espelho, eu entendi que aquilo não era raiva… ainda não.
Era pior.
Era clareza.
A luz suave que entrava pela janela desenhava meu rosto de forma quase cruel, destacando cada detalhe que eu normalmente ignoraria: os olhos levemente inchados, os lábios secos, o cabelo preso de qualquer jeito. Eu parecia… comum. E isso era absurdo, porque nada em mim era comum. Não depois de tudo que eu fiz. Não depois de tudo que eu aceitei fazer por ele.
Por você, Edward...
Minha mente repetia as palavras de Stefan como uma lâmina lenta, insistente, abrindo espaço dentro de mim para algo que eu não queria sentir, mas que agora não podia mais ignorar. Elena. O nome ecoava como um erro que nunca deveria ter existido. A mulher que eu matei. A mulher que eu transformei em um problema resolvido. A mulher que, segundo ele… não era apenas um acidente na nossa história.
Ela era uma escolha, sua escolha.
— Eu matei por você… — murmurei para o reflexo, a voz baixa, quase sem som — E você mentiu pra mim.
Silêncio.
Meu próprio olhar me encarava de volta, vazio e perigoso e naquele momento… eu soube.
Aquilo não tinha volta.
A casa parecia diferente quando desci as escadas. Não porque algo tivesse mudado fisicamente, mas porque eu finalmente estava vendo tudo sem a lente que eu mesma criei para sobreviver ali. Cada objeto, cada detalhe, cada memória parecia carregado de algo que antes eu ignorava. O cheiro do café ainda estava no ar, misturado ao perfume leve de lavanda que eu havia espalhado na noite anterior, tentando manter a ilusão de normalidade que agora parecia ridícula.
Você estava na sala, Edward, com Tony nos braços, balançando ele devagar enquanto caminhava de um lado para o outro, como se aquele movimento fosse suficiente para manter o mundo no lugar. Seus olhos estavam atentos, mas havia algo ali… algo cansado, tenso, como se você também estivesse esperando por algo que ainda não sabia nomear.
— Ele acabou de dormir — você disse sorrindo, em voz baixa, me observando com cuidado.
Eu não respondi de imediato, apenas caminhei até você, devagar, analisando cada expressão, cada pequeno movimento, como se estivesse vendo você pela primeira vez e talvez estivesse mesmo.
— Nós precisamos conversar — eu disse, finalmente.
Silêncio.
Você assentiu levemente e colocou Tony no cercadinho com cuidado, certificando-se de que ele não acordaria. Sempre tão meticuloso. Sempre tão… controlado.
— Sobre o quê? — perguntou, se virando para mim.
Eu dei um passo à frente.
— Sobre a Elena.
O mundo parou, literalmente.
Porque existe um momento específico em que alguém percebe que foi descoberto. E eu vi esse momento atravessar o seu rosto como uma sombra rápida, quase imperceptível, mas ainda assim… presente.
— Quem te disse isso? — você perguntou, a voz controlada demais.
— Isso não importa, Edward. — respondi séria — Você teve um caso com ela? — perguntei, olhando diretamente nos seus olhos.
Você hesitou e isso foi tudo.
— Bella… — começou.
— Responde — eu interrompi, firme.
Mais um segundo.
Mais um erro.
— Não foi assim.
Eu ri.
Baixo.
Sem humor.
— Não foi assim? — repeti, inclinando levemente a cabeça. — Então como foi, Edward?
Silêncio.
Pesado.
— Eu preciso entender — continuei, a voz ainda calma, mas carregada de algo que crescia rápido demais dentro de mim — Porque a mulher que eu matei… aparentemente não era só um problema.
Você não respondeu.
E aquilo…
Aquilo foi pior do que qualquer confissão.
— Eu matei ela por você, por nós...Porra Edward, você me ajudou a sumir com o corpo dela...— eu disse, cada palavra saindo mais pesada do que a anterior — E você mentiu pra mim.
O silêncio que veio depois foi sufocante.
Você passou a mão pelo rosto, respirando fundo, como se estivesse tentando reorganizar a situação na sua cabeça, como sempre fazia. Como se aquilo fosse apenas mais um problema a ser resolvido.
Mas não era.
— Isso não muda o que eu sinto por você — você disse tentando se aproximar.— Eu amo você como nunca amei ninguém...
Eu senti algo quebrar.
De vez.
— Não Edward, isso muda tudo...—suspirei tentando normalizar o ritmo do meu coração enquanto Edward me encarava por alguns minutos em silêncio.— Eu quero o divórcio.
A frase saiu limpa, fria, sem tremor e pela primeira vez…você não tinha resposta pronta.
— Você não quer isso, Bella — você disse, mais baixo agora, mas ainda tentando manter controle.—Por favor, não faz isso...
— Eu quero salvar o meu filho — respondi.
E ali…
Ali foi o fim.
— Nós somos perfeitos um para o outro… — continuei, sentindo a dor finalmente encontrar espaço dentro de mim — Mas somos um desastre para o Tony.
Você ficou imóvel e por um segundo…
Eu vi.
O medo.
Arrumar as coisas não levou tempo.
Porque quando você sabe que precisa ir embora… nada realmente importa além do essencial. Bree apareceu na porta do quarto sem dizer nada, apenas me observando enquanto eu colocava algumas roupas em uma bolsa, movimentos rápidos, mecânicos, como se pensar fosse um luxo que eu não podia me permitir naquele momento.
— Você tem certeza? — ela perguntou, finalmente.
Eu parei por um segundo.
Respirei.
— Não — respondi.— Mas eu vou fazer mesmo assim.
Tony estava dormindo quando o peguei no colo, o corpo pequeno e quente contra o meu, completamente alheio ao que estava acontecendo ao redor. E talvez fosse melhor assim. Talvez algumas coisas não devam ser entendidas.
Quando desci as escadas com ele, você já estava na sala.
Esperando.
— Você não vai sair por aquela porta — disse, a voz baixa, mas firme.
Eu te encarei.
— Você não vai me impedir.
Silêncio.
Pesado.
E então eu passei por você.
Simples assim.
Sem olhar para trás.
POV EDWARD
O silêncio de uma casa vazia é diferente de qualquer outro tipo de silêncio.
Ele não é apenas ausência de som… é ausência de presença. De significado. De propósito.
E quando a porta se fechou atrás de você…
Algo dentro de mim saiu junto.
Eu fiquei parado no meio da sala por um tempo que eu não consegui medir, olhando para o espaço onde você estava segundos antes, tentando entender como algo que sempre foi inevitável… conseguiu acontecer de qualquer forma.
Divórcio.
A palavra parecia absurda.
Errada.
Incompatível com tudo que nós somos.
Porque nós não somos o tipo de pessoas que se separam.
Nós somos o tipo de pessoas que se destroem juntos.
E ainda assim…
Você foi embora.
Minha respiração ficou lenta.
Controlada.
Como sempre.
Mas minha mente…
Minha mente já estava trabalhando.
Reorganizando.
Porque quando algo sai do controle… você não entra em pânico.
Você resolve.
E nesse momento…Existia um problema muito claro.
Stefan.
POV BELLA
O lugar não era bonito e isso era perfeito.
Um pequeno chalé afastado, escondido entre árvores densas, longe o suficiente de Madre Linda para que ninguém encontrasse facilmente, mas perto o suficiente para que eu pudesse voltar… se precisasse. O tipo de lugar que não chamava atenção, que não tinha história, que não existia para ninguém além de quem precisava desaparecer.
Bree entrou primeiro, olhando ao redor com cautela, analisando cada detalhe, cada canto, como se estivesse avaliando se aquilo seria suficiente para manter a gente seguro.
— Vai servir — disse ela.
Eu assenti.
Coloquei Tony no sofá improvisado com cobertas e observei ele por alguns segundos, o peito subindo e descendo em um ritmo tranquilo, completamente alheio ao peso do mundo que eu estava tentando manter longe dele.
— Bree… — chamei.
Ela se virou.
— Se eu não voltar…
— Bella, não...
— Escuta — interrompi, firme.— Você pega ele… e vai embora.
Os olhos dela encheram de algo que ela tentou esconder.
— Pra onde?
— Londres e lá você procura o Jonathan Jenks.
Ela franziu a testa.
— Quem?
— Meu advogado, ele já está ciente— respondi. — Ele vai proteger vocês.
Silêncio.
Pesado.
— E você? — ela perguntou.
Eu não respondi, porque eu já sabia.
POV EDWARD
Armadilhas não são sobre força.
Nunca foram.
Elas são sobre timing.
Sobre entender exatamente quando alguém vai dar o passo errado… e estar preparado para isso.
Eu estava encostado na sombra das árvores, observando.
Esperando.
O local era perfeito. Isolado o suficiente, silencioso o suficiente, previsível o suficiente.
E então…
Ele apareceu.
Stefan Salvatore.
Caminhando com cuidado, os olhos atentos, como alguém que sabe que está entrando em território perigoso… mas ainda acredita que consegue controlar a situação.
Erro.
Grave erro.
Ele parou no meio do caminho, olhando ao redor.
— Eu sei que você está aqui — disse ele.
Claro que sabe.
Você sempre foi perceptivo demais.
Mas não o suficiente.
Eu dei um passo à frente.
Devagar.
Controlado.
— Você devia ter ficado longe — disse, a voz baixa.
Ele virou o rosto na minha direção.
Sem medo.
— Eu não ia deixar ela sozinha com você.
Silêncio.
E então…
Eu sorri.
Porque algumas pessoas realmente acreditam que são heróis.
E isso…Sempre torna tudo mais fácil.
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