“Algumas pessoas acreditam que o amor salva…

mas às vezes ele só revela quem você realmente é.”

POV EDWARD

Você devia ter ficado longe.

A frase ainda ecoava no ar quando o silêncio voltou a ocupar o espaço entre nós, pesado, denso, quase palpável. A floresta ao redor parecia respirar junto com a gente, o som distante do vento passando entre as folhas criando um ritmo irregular que combinava perfeitamente com a tensão que se acumulava ali. O chão sob nossos pés estava levemente úmido, coberto por folhas secas que estalavam a cada movimento, denunciando qualquer tentativa de aproximação silenciosa.

Stefan não se moveu imediatamente.

Ele me observava.

E havia algo no olhar dele… algo que eu reconheci na mesma hora.

Convicção.

— Eu não ia deixar ela sozinha com você — repetiu, a voz mais firme agora, como se estivesse reafirmando para si mesmo aquilo que acreditava.

Eu dei um passo à frente, devagar e controlado.

— Você realmente acha que ela precisa ser salva? — perguntei, inclinando levemente a cabeça.

Silêncio.

Ele franziu o cenho.

— Eu sei que precisa.

Eu sorri.

Pequeno.

Errado.

— Então você não conhece a minha esposa.

E foi ali.

Naquele exato momento.

Que tudo começou a desmoronar pra ele… sem que ele percebesse.

O impacto veio rápido.

Mais rápido do que ele esperava.

Eu avancei primeiro, reduzindo a distância entre nós com um movimento seco, direto, atingindo ele com força suficiente para quebrar qualquer tentativa de controle inicial. O corpo dele reagiu quase instantaneamente, treinado, preparado, e em segundos estávamos presos em um confronto físico bruto, sem elegância, sem estratégia refinada… apenas força, instinto e sobrevivência.

Ele era forte, mais forte do que eu esperava.

O golpe que recebi no abdômen tirou o ar dos meus pulmões por um segundo, me fazendo recuar, mas não o suficiente para perder o controle. Eu tentei recuperar espaço, mas ele já estava em cima, os movimentos rápidos, precisos, como alguém que sabia exatamente onde atingir para causar dano real.

— Você é doente — ele disse entre os dentes, me empurrando contra a estrutura metálica da jaula.

A dor subiu rápida, quente.

— Você não faz ideia — respondi, desviando do próximo golpe por pouco.

Mas ele estava ganhando.

E nós dois sabíamos disso.

O corpo dele pressionava o meu com vantagem clara, cada movimento me colocando mais próximo do chão, mais próximo de perder o controle daquela situação. O gosto metálico do sangue começou a se espalhar na minha boca quando senti o impacto de um golpe mais forte, a visão ficando levemente turva por um segundo.

Errado.

Muito errado.

Mas então…O som veio.

Seco.

Inconfundível.

O clique de um revólver sendo engatilhado.

E tudo…Parou.


POV BELLA

O silêncio não foi imediato.

Ele caiu.

Como uma lâmina.

Pesado.

Final.

Os dois ficaram imóveis no mesmo instante, o corpo ainda tensionado pela briga, a respiração descompassada, o ar carregado de algo que não era apenas violência… era expectativa.

Eu dei mais um passo à frente.

A arma firme na minha mão.

Os olhos fixos neles.

— Solta ele — eu disse, a voz baixa, controlada, mas carregada de uma autoridade que não deixava espaço para dúvida.

Stefan virou o rosto na minha direção.

E por um segundo…

Eu vi.

Alívio.

Esperança.

Erro.

— Bella… — ele respirou, como se finalmente pudesse relaxar — vamos embora… a gente recomeça… você, eu e o Tony… bem longe daqui…

Silêncio.

Ele deu um pequeno passo na minha direção.

— Eu sabia que você viria me ajudar.

E então…Eu ri...

Não foi leve.

Não foi nervoso.

Foi… errado.

O tipo de risada que não pertence a alguém que está ali para salvar ninguém.

— Eu queria ser sua amiga, Stefan… — disse, inclinando levemente a cabeça, analisando cada expressão dele enquanto a compreensão começava a surgir, lenta, dolorosa — Mas você estragou tudo.

O sorriso dele desapareceu.

— Bella… — tentou de novo.

— Eu não estou aqui pra salvar você — interrompi, a voz mais firme agora — Nem pra fugir com você.

Eu olhei para Edward, só por um segundo, mas foi o suficiente.

— Eu vim pelo meu marido.

O ar mudou.

Completamente.


POV EDWARD

Eu já matei pessoas por você.

Eu já menti, manipulei, destruí vidas inteiras por você.

Mas naquele momento…eu percebi algo diferente.

Algo que eu não tinha considerado antes.

Você não precisava de mim para ser isso.

Você já era.

E talvez…sempre tenha sido.


POV BELLA

Eu ergui a arma um pouco mais.

Direcionando.

Precisando.

— Sabe qual foi o seu erro? — perguntei, dando um passo à frente.

Stefan não respondeu.

Ele só me olhava.

Como se estivesse tentando encontrar alguma versão minha que ainda fizesse sentido pra ele.

Mas ela não estava mais ali.

— Achar que eu precisava ser salva — continuei.

Silêncio.

— Ou pior…

Mais um passo.

— Achar que eu era diferente...A vítima...

Eu respirei fundo.

Calma.

Focada.

— Eu nunca gostei de armas… — murmurei, observando o revólver na minha mão por um segundo — Prefiro algo mais… pessoal...mais criativo...

Um sorriso leve.

Errado.

— Mas o Jacob, meu falecido marido, me ensinou algumas coisas...

Pausa.

— E eu aprendo rápido.

Stefan deu um passo para trás, instintivo e tarde demais.

— Você quer fazer isso… ou quer que eu faça? — disse, sem tirar os olhos dele.

Silêncio.

Edward não respondeu.

Eu esperei.

Um segundo.

Dois.

Três.

E então…

— Você matou o Damon — disse, simplesmente. — Então eu faço isso.

Eu dei mais um passo.

A arma agora encostada na cabeça dele.

— Adeus, Stefan… — inclinei levemente a cabeça — você até que fazia meu tipo…

Pausa.

— Mas fala demais.

Um sorriso pequeno.

Frio.

— E eu prefiro os vilões.

A respiração dele falhou.

— Bella…

— Sabe, Stefan… — interrompi — O seu pior erro foi tentar me convencer a destruir a única coisa que eu realmente quis proteger…

Eu olhei para Edward.

E então de volta para ele.

— A minha família.

— Bella… você não é assim…

Eu o interrompi puxando o gatilho.

O som ecoou.

Alto.

Final.

E então…

Silêncio.


POV EDWARD

O mundo pareceu desacelerar por um segundo.

O corpo de Stefan caiu no chão com um peso morto, os olhos ainda abertos, mas vazios, como se a mente dele não tivesse tido tempo de entender o que realmente aconteceu.

Eu fiquei parado.

Olhando.

Processando.

Porque eu já vi muitas mortes.

Mas aquela…

Foi diferente.

Porque não fui eu.

Foi você.

E pela primeira vez… eu não sabia se isso me deixava orgulhoso… ou com medo.

Eu caminhei até você devagar.

O som dos meus passos parecia alto demais naquele silêncio recém-criado, cada movimento carregado de algo que eu não sabia nomear completamente. Você ainda segurava a arma, o olhar fixo, a respiração estável demais para alguém que acabou de fazer o que você fez.

— Eu sabia que você não estava falando sério sobre o divórcio — murmurei, parando na sua frente.

E então eu te beijei.

Sem pedir.

Sem pensar.

Como se aquilo resolvesse tudo.

Como se aquilo fosse suficiente.

Mas não foi.

Você me empurrou.

Forte.

— Se você sonhar em me trair de novo… — disse, a voz baixa, mas mortal — Eu atiro nas suas bolas, Edward…

Silêncio.

— E decepo o seu pau com uma faca de serrinha.

Eu ri, porque claro que ri.

Porque aquilo…

Aquilo fazia total sentido.

— Eu não vou mais cometer esse erro — respondi, olhando diretamente nos seus olhos. — Eu amo você mais que tudo.

Silêncio.

Pesado.

Real.

Eu passei a vida inteira procurando alguém que me entendesse.

Alguém que visse o mundo como eu vejo, que não precisasse ser convencido…

Apenas reconhecesse.

E eu encontrei você...

Mas existe um problema nisso, porque quando você encontra alguém exatamente como você é…

Você não encontra paz.

Você encontra…um espelho.

E espelhos, mostram coisas que você nem sempre quer ver.

Mas ainda assim…

Eu não consigo ir embora.

Porque no fim…não importa o quão errado isso seja.

Você…Ainda é a minha escolha.

E eu?

Eu nunca fui o tipo de homem que sabe amar sem destruir...