You & Me - 2 Temporada
12 UMA FAMÍLIA FELIZ
“Algumas histórias terminam com justiça…
outras terminam com sobrevivência.
E as mais perigosas de todas… terminam com felicidade.”
POV EDWARD
O silêncio depois da morte nunca é realmente silêncio.
Ele tem peso, tem presença e naquela floresta, com o corpo de Stefan ainda estendido no chão, os olhos vazios encarando nada, eu senti isso de forma diferente de todas as outras vezes. Não havia urgência imediata, não havia pânico… havia algo mais próximo de conclusão. Como se uma peça tivesse finalmente se encaixado em um quebra-cabeça que nunca fez sentido completo até aquele momento.
Você estava ali.
Ao meu lado.
Segurando a arma.
Respiração estável.
Sem arrependimento.
E aquilo…
Aquilo era tudo.
— Temos que nos livrar dele — você disse, simples, prática, como se estivesse organizando qualquer tarefa doméstica.
Eu assenti, porque era isso que nós fazíamos.
Resolvemos problemas.
A mansão Salvatore parecia exatamente como eu lembrava.
Grande.
Imponente.
Vazia.
O tipo de lugar que guarda histórias mesmo quando ninguém está lá para contá-las. As janelas altas refletiam a escuridão da noite, e o vento que passava pelos corredores internos fazia com que a casa parecesse viva de uma forma desconfortável, como se estivesse observando.
Felix já estava lá quando chegamos.
Encostado na parede, mãos no bolso, postura relaxada… mas olhos atentos. Ele analisou o corpo de Stefan com a mesma frieza de sempre, como se estivesse avaliando apenas mais uma variável em um problema simples.
— Vocês complicam tudo — murmurou.
— E você resolve — respondi.
Ele assentiu, sem ego, sem emoção, apenas eficiência.
— Suicídio — disse ele, caminhando pela sala, já reorganizando o cenário mentalmente. — Motivo: colapso emocional.
— Traição — você completou.
Felix olhou pra você.
— Boa… — disse ele, com um leve sorriso de aprovação.
E então começamos.
O corpo foi posicionado cuidadosamente, nada exagerado ou dramático demais.
Porque os melhores cenários são aqueles que parecem… plausíveis.
Garrafas, desordem controlada e um ambiente que sugeria perda de controle sem parecer encenado.
Felix cuidava dos detalhes com precisão cirúrgica, ajustando objetos, apagando vestígios, criando uma narrativa invisível que qualquer investigador cansado aceitaria sem questionar.
— O irmão desaparecido… — disse ele.
— Damon — respondi.
— E a cunhada fugindo com outro— você completou.
Silêncio.
— E a vizinha linda, doce e completamente apaixonada pelo marido— Felix acrescentou, olhando rapidamente para você.
Você sorriu de leve.
Frio.
— Tadinho do Stefan, ele não lidou bem com rejeição...
Perfeito.
Simples.
Convincente.
O cheiro da gasolina começou a preencher o ambiente.
Forte.
Inconfundível.
Eu observei enquanto Felix espalhava o líquido com calma, criando pontos estratégicos que garantiriam que o fogo se espalhasse rápido… mas de forma natural.
— Três minutos — disse ele.
Você já estava com o celular na mão.
Preparada.
E então…O fósforo riscou.
O som pequeno.
Mas definitivo.
E o fogo…Começou.
POV BELLA
Eu sempre achei fascinante como o fogo resolve tudo.
Ele não questiona, não julga, apenas consome e enquanto as chamas começavam a subir pela estrutura da casa, iluminando a noite com aquele tom laranja vibrante, eu senti algo que não era culpa.
Era… alívio.
Eu disquei o número com calma, observando o reflexo do incêndio nas janelas do carro.
— Emergência, qual o problema?
— Eu… acabei de chegar em casa — disse, forçando uma leve tremida na voz — E a casa do meu vizinho está em chamas.
Pausa.
— Tem alguém lá dentro?
Olhei para o fogo.
Subindo.
Consumindo.
— Eu não sei… — sussurrei — acho que sim.
Perfeito.
POV EDWARD
Madre Linda nunca pareceu tão pequena.
Enquanto dirigíamos de volta, com você ao meu lado e o silêncio confortável ocupando o espaço entre nós, eu percebi que aquele lugar nunca foi nosso. Foi apenas um cenário temporário, um experimento… uma tentativa de normalidade que nunca teve chance real de funcionar.
Mas agora…
Agora nós tínhamos algo diferente.
Nós tínhamos escolha.
Bree abriu a porta antes mesmo de batermos.
Ela olhou para nós dois e depois para o Tony, que dormia tranquilamente.
E então…
Relaxou.
— Deu certo? — perguntou.
Você assentiu.
Simples assim.
— Então vamos embora, por favor — disse ela.
Sem perguntas.
Sem julgamentos...
Éramos uma família.
Do nosso jeito.
Do jeito que o mundo nunca entenderia.
O aeroporto estava iluminado demais para aquele tipo de despedida.
Pessoas indo e vindo, vozes misturadas, anúncios constantes… o tipo de lugar onde ninguém presta atenção em ninguém. E talvez fosse por isso que funcionava tão bem para o que estávamos fazendo.
Renée estava impecável, como sempre.
Postura perfeita e sorriso controlado, mas os olhos…
Os olhos estavam atentos.
— Londres — disse ela, analisando.
— Novo começo — você respondeu sorrindo.
Ela assentiu.
Felix estava ao lado, silencioso como sempre.
Observando.
— Qualquer problema… — ele começou.
— A gente liga, pode deixar... — completei.
Ele fez um pequeno gesto de aprovação.
— Tentem não criar muitos — murmurou.
Eu sorri.
— Sem promessas.
Renée se aproximou de você, ajeitando seu cabelo com um gesto quase maternal.
— Cuida da sua família — disse ela.
Você sustentou o olhar.
— Eu sempre cuido.
— E não estraga isso — completou ela, mais baixo, só para mim.
ALGUNS MESES DEPOIS — LONDRES
A cidade era diferente.
Mais fria.
Mais viva.
Mais… anônima.
E isso era perfeito.
O cheiro de café fresco misturado ao ar frio que entrava pela janela…
O apartamento era amplo, elegante, com janelas grandes que mostravam uma vista da cidade que parecia sempre em movimento. O som distante da rua entrava como um lembrete constante de que o mundo continuava girando… independente de quem desaparecesse no caminho.
Tony estava no chão, brincando com blocos coloridos, Bree sentada no sofá, lendo, mas claramente prestando atenção em tudo ao redor.
E você…Na cozinha.
Rindo.
Leve.
E dessa vez…Real.
Eu me aproximei devagar, encostando na bancada enquanto te observava encantado.
— Você está me encarando — disse, sem olhar.
— Estou admirando a minha linda esposa — respondi.
Você sorriu.
E aquilo ainda tinha o poder de parar tudo.
Mais tarde, naquela noite, a cidade estava silenciosa do lado de fora, as luzes refletindo nas janelas como pequenas estrelas artificiais. Tony já dormia, Bree no quarto, e pela primeira vez em muito tempo… estávamos sozinhos.
De verdade.
Eu me aproximei, segurando sua mão, puxando você devagar para perto, lhe envolvendo em meus braços.
— Bella…
Você levantou os olhos.
— Eu nunca agradeci você — comecei, a voz mais baixa — por essa vida extraordinária.
Silêncio.
Eu toquei seu rosto.
Com cuidado.
— Pela nossa família… — continuei — que é a coisa mais importante que eu tenho.
Você não respondeu com palavras.
Nunca respondeu.
Você apenas se aproximou mais e me beijou.
Lento e profundo, como se aquilo fosse suficiente para sustentar tudo.
E talvez fosse.
Nessa hora eu entendi que algumas pessoas passam a vida inteira procurando felicidade.
Outras… criam a própria.
Do jeito que conseguem.
Do jeito que sabem.
E talvez… do jeito que o mundo nunca aprovaria.
Mas no fim… não importa.
Porque felicidade não é sobre certo ou errado.
É sobre escolha.
E eu escolhi você.
De novo.
Como sempre.
E dessa vez… sem arrependimentos.
Porque amar você…
foi a única coisa na minha vida
que nunca foi um erro.
FIM…
ou talvez…
apenas um novo começo.
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