You & Me - 2 Temporada
8 Recomeços
“Algumas pessoas chamam isso de recomeço…
mas às vezes é só o caos aprendendo a se esconder melhor.”
POV EDWARD
Alguns meses podem mudar tudo… ou apenas ensinar você a fingir melhor.
Madre Linda continuava impecável, quase artificial, como se cada casa tivesse sido construída não para viver… mas para ser observada. Os gramados perfeitamente cortados, as cercas brancas alinhadas com precisão quase obsessiva, os vizinhos sorrindo com aquela cordialidade ensaiada que escondia curiosidade demais e empatia de menos.
Mas dentro da minha casa…
Dentro da nossa casa…
Havia algo diferente.
Não melhor.
Não exatamente.
Mas… mais silencioso.
Eu estava apoiado no balcão da cozinha naquela manhã, observando você, Bella, enquanto mexia a panela com movimentos lentos, quase automáticos, como se seu corpo estivesse presente, mas sua mente ainda vagasse por algum lugar entre o passado e o que estávamos tentando construir ali.
Tony estava no cercadinho, distraído com um brinquedo colorido, balbuciando sozinho, completamente alheio ao tipo de realidade que sustentava aquele ambiente.
Eu me aproximei devagar.
Como se aquele momento exigisse cuidado.
Minhas mãos encontraram sua cintura, deslizando lentamente, sentindo seu corpo reagir antes mesmo que você percebesse o que estava acontecendo.
Inclinei o rosto próximo ao seu pescoço.
— Tony está distraído no cercadinho… — murmurei baixo, sentindo sua respiração prender por um segundo — Renée está na yoga… e o Felix está na rua resolvendo algumas coisas…
Você ficou imóvel.
Silêncio.
— Acho que temos uns vinte minutos… — completei, com um leve sorriso — Para uma rapidinha.
Você virou o rosto lentamente, seus olhos encontraram os meus e naquele instante eu soube.
Ainda estava ali.
Nós ainda estávamos ali.
— Edward… — você começou, mas não terminou.
Porque eu te beijei e não foi urgente, não foi descontrolado.
Foi… preciso, como tudo entre nós sempre foi.
Seu corpo respondeu ao meu como se estivesse lembrando de algo que nunca deveria ter sido esquecido, suas mãos subindo pelos meus braços, segurando minha camisa com uma intensidade silenciosa, enquanto o espaço entre nós desaparecia pouco a pouco.
A cozinha deixou de ser apenas um espaço, virou um esconderijo.
Um lugar onde, por alguns minutos…
Nós não éramos quem o mundo achava que éramos e quando nos afastamos, sua testa encostada na minha, respiração irregular, olhos ainda fechados…
Você sorriu.
E isso…era muito perigoso, porque felicidade em você nunca vem sozinha.
POV BELLA
Caminhar em Madre Linda com um segredo no peito mudava tudo, as ruas pareciam mais silenciosas, os olhares mais longos e as conversas mais… carregadas.
Eu empurrava o carrinho de Tony ao lado de Edward, sentindo o sol bater de leve na minha pele enquanto tentava ignorar a sensação constante de que aquele lugar inteiro estava apenas esperando por algo… por alguém… para quebrar a ilusão coletiva de perfeição.
— Você soube do Damon? — uma mulher comentou, alguns passos à frente.
Meu corpo travou por um segundo.
— Ele simplesmente sumiu — respondeu outra, com curiosidade mal disfarçada.
Sumiu.
Como se pessoas simplesmente deixassem de existir.
— Sem explicação nenhuma — a primeira continuou.
Silêncio.
Eu olhei para Edward.
Direto.
— Eu não acredito que o Damon foi embora assim… — murmurei, tentando ler algo no rosto dele.
Ele não hesitou.
Claro que não.
— Algumas pessoas fogem quando não conseguem lidar com as próprias escolhas — respondeu com naturalidade.
Natural demais.
Eu conhecia aquele tom e mesmo sem provas…
Algo dentro de mim reconheceu, mas não insisti, porque às vezes saber demais também é perigoso.
FLASHBACK — POV EDWARD
Damon não bateu na porta.
Ele entrou.
Como alguém que já não se importava com consequências.
Tony estava no cercadinho e por sorte eu estava sozinho.
— Onde ela está? — ele perguntou, a voz carregada de algo que não era apenas raiva.
Era perda.
— Não está aqui — respondi.
Ele riu.
Seco.
— Eu sei o que vocês fizeram! — ele explodiu.
Claro que achava que sabia, mas não o suficiente.
— Vocês destruíram tudo — disse ele, avançando.
— Eu tive um caso com a Elena — falei, direto.
Silêncio.
Pesado.
— Você está mentindo — ele rebateu.
— Na sua própria casa — continuei, firme. — No seu quarto, no seu banheiro, na hidromassagem, na sua cama... eu fodi a Elena de várias formas em vários lugares!—continuei me aproximando dele.—Em todos os lugares que você achava que eram seus...
E então…Ele atacou.
A faca surgiu rápida, impulsiva, cortando o ar com violência. Nós nos chocamos, o impacto dos corpos derrubando uma cadeira, o som seco ecoando pela sala enquanto ele tentava me atingir de novo, mais rápido, mais desesperado.
Mas desespero…Nunca foi estratégia.
Eu desviei.
Segurei o braço dele.
Girei.
E então…
Acabei com aquilo.
A lâmina cortou.
Precisa.
Silenciosa.
A garganta.
O sangue.
O fim.
Damon caiu aos meus pés, os olhos ainda tentando entender.
— Você não deveria ter vindo aqui — murmurei.
— Eu resolvo.— disse uma voz firme surgindo atrás de mim.
Felix.
Sempre.
Ele apareceu como uma sombra, analisando tudo em segundos e então limpou.
Felix não parecia surpreso, nunca parecia.
Apagou.
Desfez.
Como se nada tivesse acontecido.
E Bella…Nunca soube.
POV BELLA
A campainha tocou naquela tarde.
Eu não esperava ninguém e quando abri a porta…
Meu coração parou por um segundo.
— Bree?
Ela estava ali, exatamente como eu lembrava.
Mas… diferente.
Mais madura.
Mais séria.
E ainda assim…com o mesmo olhar.
— Eu senti saudade — disse ela, antes mesmo que eu pudesse falar qualquer coisa e então me abraçou forte, apertado e real.
Eu retribuí sem pensar.
— Você sumiu — murmurei.
— Eu precisava de um tempo— respondeu ela.
Silêncio.
E então ela olhou para dentro da casa.
— Ele tá aí?
Eu sorri.
— Tá.
Edward apareceu no corredor e por um segundo…
Tudo parou.
Porque Bree não hesitou, ela correu até ele e o abraçou com força.
— Eu tava com saudade, seu psicopata estranho — disse ela contra o peito dele.
Ele riu e aquilo era raro.
— Eu também senti sua falta — respondeu, segurando ela com firmeza.
E não era mentira.
Porque Bree…
Bree sempre foi diferente.
Ela não precisava ser protegida.
Mas nós protegíamos mesmo assim.
De longe.
Em silêncio.
Do nosso jeito.
Ela era uma das poucas coisas naquele mundo…que ainda parecia real.
— Vocês estão… bem — disse ela, olhando entre nós dois.
Pergunta disfarçada.
Resposta necessária.
— Estamos tentando — falei.
Ela sorriu de lado.
— Isso já é muito.
POV EDWARD
Stefan estava ficando confortável demais e eu estava ficando cansado de assistir.
Você sentada no jardim.
Tony no colo.
E ele ao seu lado…
Falando baixo, calmo e presente.
— Ele escuta você… — pensei.
Mas não do jeito certo, não do jeito que importa.
— Você merece mais leveza — ouvi ele dizer.
Errado.
Você não precisa de leveza.
Você precisa de alguém que entenda o peso.
E isso…Só eu faço.
Eu fiquei observando de longe, o corpo imóvel, mas a mente trabalhando rápido, analisando cada gesto, cada olhar, cada proximidade que ele tentava construir como se estivesse… entrando.
Devagar.
Silenciosamente.
Não é sobre você gostar dele…porque você não gosta, você me ama e já provou isso de várias forma.
É sobre ele achar que pode ter você e isso…Isso eu não permito...
Algumas coisas começam devagar, quase imperceptíveis.
Um olhar.
Uma conversa.
Uma presença constante e quando você percebe…
Já estão dentro da sua vida.
Dentro da sua casa.
Dentro do que é seu.
Mas tudo bem.
Eu já vi e vivi isso antes, e eu sei como termina.
Porque pessoas como Stefan…sempre cometem o mesmo erro.
Eles acreditam que estão salvando alguém.
Quando na verdade…Estão entrando em um lugar de onde não vão sair.
E eu?
Eu só estou esperando o momento certo, como sempre.
Porque no fim…problemas não desaparecem, eles são resolvidos e eu sou muito bom nisso.
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