You & Me - 2 Temporada
7 Intimidade
“Casamento não acaba quando o amor acaba…
ele começa a apodrecer nos pequenos silêncios que ninguém quer encarar.”
POV BELLA
Madre Linda era o tipo de lugar que transformava qualquer coisa em espetáculo… até a intimidade alheia.
O calor da sala de hot yoga envolvia meu corpo como um abraço sufocante, pesado, quase agressivo, enquanto o espelho à minha frente refletia uma versão de mim que eu não reconhecia completamente. Meu cabelo preso de qualquer jeito, a pele levemente úmida, o olhar cansado… e ainda assim, cercada por mulheres que pareciam ter saído de capas de revista, com movimentos calculados, respirações controladas e uma confiança que não era natural, era construída, ensaiada, repetida todos os dias até se tornar convincente.
Renée estava no centro de tudo, ela sempre estava.
Rindo alto, corrigindo posturas como se fosse dona do lugar, tocando os braços das outras mulheres com aquela intimidade invasiva que só ela sabia usar sem parecer deslocada. Em poucos dias, minha mãe tinha feito o que sempre fez a vida inteira: se infiltrar, observar… e dominar.
E eu estava ali, inserida e completamente exposta.
— Bella, você precisa relaxar — disse Renée, com aquele tom doce demais para ser sincero, inclinando a cabeça enquanto me analisava como se eu fosse um projeto inacabado. — Seu corpo está tenso.
Meu corpo não estava tenso.
Meu corpo estava… irritado.
— Eu estou bem — respondi, sem olhar diretamente para ela, ajustando a postura apenas para encerrar o assunto.
Caroline Mikaelson estava alguns metros à frente, perfeitamente alinhada na posição, os movimentos elegantes, controlados, quase hipnotizantes. Havia algo nela que me incomodava profundamente… não era apenas beleza, nem postura social. Era precisão. Caroline não errava. Não demonstrava. Não se expunha.
Ela observava.
E quando falou, a sala inteira pareceu escutar.
— Depois de um bebê… — disse ela, com a voz suave, quase calma demais —O casamento muda.
Silêncio.
O tipo de silêncio que não é constrangedor… é interessado.
Eu senti os olhares.
Todos.
— Ou você se adapta… — ela continuou, virando o rosto levemente na minha direção — Ou você perde o controle.
Controle.
A palavra ficou presa no ar, pesada, significativa demais para ser ignorada.
— Homem entediado é homem infiel.—Uma das mulheres soltou uma risada baixa.
Meu estômago revirou e então, como sempre, Renée decidiu atravessar qualquer limite que ainda existisse.
— Vocês não têm ideia — disse ela, rindo — Bella e Edward simplesmente não transam.
O mundo não parou, mas deveria, porque naquele instante, eu senti algo quebrar dentro de mim.
Não vergonha.
Não exatamente.
Algo pior.
Exposição.
— Mãe… — murmurei, a voz baixa, carregada de um aviso que ela ignorou completamente.
— O quê? — respondeu ela, inocente demais, teatral demais. — Eu estou ajudando.
Ajudando.
Claro.
Caroline inclinou a cabeça, me observando com um interesse mais afiado agora.
— Intimidade não é luxo, Bella— disse ela. — É manutenção.
Manutenção...Como se casamento fosse uma máquina.
Como se amor fosse algo que precisa ser alimentado… ou morre.
Eu fiquei em silêncio.
Mas dentro de mim…Algo estava acordando, porque ninguém naquela sala sabia o que era amar alguém ao ponto de destruir tudo por isso.
E ainda assim…pela primeira vez em muito tempo…
Eu me perguntei se eles estavam certos.
POV EDWARD
Bella entrou em casa como uma tempestade que ainda não tinha decidido se iria destruir tudo… ou apenas anunciar que poderia.
Eu estava no jardim, sentado na grama com Tony apoiado entre minhas pernas, segurando os dedos pequenos dele enquanto ele tentava entender o mundo com aquela concentração silenciosa que só crianças têm. O sol atravessava as árvores do quintal e desenhava sombras suaves no chão, criando uma cena absurdamente normal… quase irônica, considerando tudo o que existia por trás daquela casa.
Eu ouvi os passos dela antes mesmo de olhar.
Pesados.
Rápidos.
Carregados.
— Eu não aguento mais a minha mãe — disse ela, sem nem me cumprimentar.
Eu sorri.
Não por achar engraçado.
Mas porque era… previsível.
— Isso não é novidade — respondi, levantando os olhos para ela.
Bella passou a mão pelos cabelos, claramente tentando controlar algo que não queria explodir naquele momento.
— Pra ela tudo é sexo — disse, irritada. — Tudo.
Tony soltou um pequeno som, e eu balancei ele levemente, mantendo o ritmo tranquilo, quase como um contraste proposital com a energia dela.
— Parece que ela goza — Bella continuou, a voz mais baixa, mas ainda carregada — Falando pra todo mundo que a gente não transa.
Eu ri, não consegui evitar.
Ela me olhou.
— Não é engraçado.
— Um pouco é — murmurei.
Ela cruzou os braços.
— Edward, nós temos um bebê — disse, enfatizando cada palavra. — Como um casal consegue transar com um bebê?
Silêncio.
Eu observei ela por alguns segundos.
O cansaço.
A tensão.
A insegurança que ela nunca admitiria.
— Acho que vamos precisar deixar o Tony com a Renée.
Ela virou lentamente.
O olhar… incrédulo.
— Você tá drogado?
Eu me levantei.
Devagar.
Tony ainda nos meus braços.
— Não — disse, aproximando-me. — A gente só precisa… parar um pouco.
Ela me observou.
E naquele momento…
Não havia raiva.
Havia algo mais perigoso.
Vulnerabilidade.
— Depois do jantar — disse ela, por fim.
E aquilo não era apenas uma decisão.
Era um acordo.
POV BELLA
Eu nunca achei que me preparar para estar com o meu próprio marido pudesse parecer… tão estranho.
O banheiro estava silencioso, iluminado por uma luz quente que refletia no espelho e criava uma atmosfera quase íntima demais para aquele momento. Eu me encarei por alguns segundos, analisando cada detalhe como se estivesse tentando reconhecer alguém que tinha se perdido ao longo dos últimos meses.
Meu corpo tinha mudado, claro que tinha, mas não era só isso.
Era a forma como eu me via, como eu me sentia dentro dele.
Eu respirei fundo, tentando afastar o pensamento, concentrando-me em gestos simples… mecânicos… quase como se aquilo fosse um ritual necessário para entrar em um papel que eu mesma tinha esquecido como interpretar.
Escolher uma lingerie parecia algo ridiculamente importante naquele momento.
Ridículo… e essencial.
Eu queria me sentir desejada, mas, mais do que isso…
Eu queria lembrar como era desejar.
E isso…Isso era muito mais difícil.
— Você consegue — murmurei para mim mesma, quase em um sussurro, apoiando as mãos na pia.
Mas a verdade era outra.
Eu não sabia se conseguia.
POV EDWARD
O jantar foi… estranho.
Não pelo silêncio, nem pela tensão explícita.
Mas pelo que existia por baixo.
Renée falava como sempre, preenchendo qualquer espaço vazio com comentários, histórias e provocações disfarçadas de conselhos, enquanto Felix permanecia mais afastado, observando tudo com aquela atenção silenciosa que o tornava mais perigoso do que qualquer palavra dita naquela mesa.
Bella evitava olhar diretamente para mim.
E eu entendia.
Porque olhar significava confirmar.
— Então minha sogra querida...— eu disse, casual, apoiando o copo na mesa — Você pode ficar com o Tony hoje à noite?
Renée sorriu imediatamente, como se estivesse esperando por isso.
— Finalmente — disse ela, satisfeita. — Eu estava começando a me preocupar.
— Não começa.—Bella revirou os olhos.
Felix apenas levantou levemente o olhar.
Analisando.
Sempre analisando.
— Aproveitem — disse Renée. — Vocês precisam disso.
Precisávamos?
Sim, mas não do jeito que ela imaginava.
POV EDWARD
O porão nunca tinha sido usado daquela forma.
E ainda assim… fazia sentido.
Eu organizei o espaço com uma precisão quase automática, distribuindo velas, ajustando a iluminação, criando um ambiente que não parecia com nada do que aquele lugar já tinha sido antes. Meu laptop ainda estava aberto em cima de uma das bancadas, exibindo uma página absurdamente irônica:
"Como reacender a paixão no casamento."
Eu fechei, aquilo não era sobre técnicas, era sobre nós e isso era muito mais imprevisível.
Quando ouvi os passos dela na escada, meu corpo reagiu antes mesmo da minha mente e quando Bella apareceu…
Eu entendi e ela também estava tentando.
POV BELLA
O porão parecia outro lugar, mais quente, mais silencioso, mais… nosso.
Edward estava parado no centro, me observando como se estivesse tentando me ler, decifrar cada pensamento antes mesmo que eu pudesse organizá-los.
— Você fez tudo isso? — perguntei, a voz mais baixa do que eu esperava.
— Eu tentei — ele respondeu.
Silêncio.
Eu caminhei até ele devagar, sentindo cada passo como se fosse mais importante do que realmente era.
E quando ele tocou meu rosto, eu fechei os olhos.
Porque aquilo…Aquilo eu reconhecia.
O toque.
A presença.
A forma como ele me via.
E quando ele me beijou…
Não foi pressa.
Não foi urgência.
Foi… reencontro.
O mundo ao redor desapareceu de forma lenta, quase cuidadosa, como se aquele momento estivesse sendo reconstruído peça por peça, sensação por sensação. As mãos dele encontraram as minhas, depois minha cintura, depois meu corpo inteiro, e cada toque parecia carregar algo que tinha ficado esquecido por tempo demais.
Eu não pensei.
Pela primeira vez em muito tempo…Eu só senti e quando me permiti isso, quando parei de controlar, de analisar, de resistir…
Eu entendi.
Aquilo não era apenas desejo.
Era pertencimento.
Era lembrança.
Era… nós.
POV EDWARD
Talvez casamento não seja sobre estabilidade, talvez seja sobre sobreviver ao caos… juntos.
Sobre cair, errar, esconder… e ainda assim escolher ficar.
Porque no fim…não é o mundo lá fora que destrói você, é quem está ao seu lado ou quem decide te salvar dele.
E Bella…sempre foi as duas coisas..
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