Notas iniciais
Oie
Como estão??
Aqui está mais um capitulo e espero que gostem!
Esse capitulo é dedicado a duas leitoras, safira-pierre e Anna Paulla que recomendaram a fic e me deixaram mega feliz, amei a recomendação meninas.
Boa leitura!

[Sugiro que ouçam quando a letra começar a aparecer no capitulo.]

Miles – Christina Perri

http://www.youtube.com/watch?v=pqHe1JvL-7Y&list=ALYL4kY05133r-OaXHEr_NOpfCsxhcoQpa&index=9&feature=plcp

[Pov Hermione]

Acordei com o sol batendo no meu rosto, fiz uma careta pra claridade intensa e só então percebi onde estava, olhei pra cima e vi Draco ressonando tranquilo ao meu lado, flash’s da noite anterior inundaram minha visão e sorria como uma boba quando me levantei pra fazer minha higiene pessoal, assim que me olhei no espelho agradeci aos céus por ter acordado antes dele, pois se ele me visse assim certamente sairia correndo. Demorei bem mais do que pretendia e ao voltar pra cama ele já não estava lá, fechei as cortinas e voltei pra me aconchegado debaixo das cobertas apesar do sol brilhante era uma manhã fria e ótima pra ficar dormindo.

- Bom dia... – sussurrou Draco e só então percebi que havia cochilado.

- Bom dia. – disse me espreguiçando. – Onde você estava?

- Fui atender um telefonema. – falou beijando meus lábios e deitando ao meu lado.

- Hoje é sábado. – reclamei enquanto ele me puxava pro conforto de seus braços.

- A justiça nunca dorme, ou melhor, os que precisam dela! – explicou dando de ombros.

- Nossa que profissional mais eficiente. – brinquei mordendo o peito dele.

- Esta com fome? – perguntou com um sorriso torto e vi uma chama acender em seus olhos.

- Estou, mas prefiro ficar aqui, acho que a preguiça é maior que a vontade de comer. – murmurei enroscando-me nele.

- Por que tanto cansaço? – perguntou com um sorriso. – Fez muito esforço ontem?

- Fiz sim, minha manhã e tarde foram cansativas, muito esforço físico. – falei dando de ombro. – Modelos são muito inconstantes e tem que saber lidar com eles.

- Modelos? Sei. – Draco me olhou sério e me soltou do abraço pra se levantar.

- Ei, estou brincando loirinho. – falei gargalhando e puxando ele de volta. – A leoa encontrou a serpente ontem, por isso estou cansadinha. – disse passeando com os dedos em seu peito nu.

- Não provoca. – murmurou.

- E se eu quiser?

- Não respondo por mim... – Draco sorriu com desdém e senti meu coração parar por uns segundos ao ver aquela expressão, tão lindo.

Passamos a maior parte da manhã na cama, como se quiséssemos recuperar o tempo perdido com algumas horas de amor, mas era impossível, sempre queríamos mais e mais... Quando a fome, por alimentos orgânicos, apertou fomos até a cozinha preparar algo. Draco estava só de cueca samba-canção e eu vestia um blusão qualquer, já passava das duas da tarde quando enfim conseguimos cozinhar um macarrão ao molho de quatro queijos, especialidade do Draco e comemos como se fosse à melhor comida do mundo com a fome que estava acho que até terra teria um bom sabor. No meio do almoço percebi que algo estava incomodando ele, mas não falei nada, podia sentir a pressão ao nosso redor aumentar assim que saímos do quarto e pelo visto ele também havia percebido, conversamos pouco afinal só temos uma boca e a fome era maior que o desconforto inexplicável que pairava entre nós dois. Já estava lavando a louça quando ele disse que ia subir pra tomar um banho, Marie podia chegar a qualquer momento e ainda tínhamos que arrumar a bagunça que fizemos pela casa, assim que terminei da cozinha fui arrumar a sala, mas felizmente bastou um gesto de varinha e tudo estava no seu devido lugar.

Enquanto abria as cortinas percebi as molduras em cima da lareira e todas as fotos que ali estavam pareciam me encaram com raiva e ressentimento, eram fotos do casal, fotos da Marie, Lene grávida, Lene dormindo, Lene lendo, Lene beijando ele, Lene, Lene... Tantas fotos e todos pareciam me acusar, fiquei lá parada olhando-as, era incrível como minha alegria se dissipou no segundo que percebi a felicidade que transbordava daquelas imagens, como fotografa profissional podia ver como eles eram felizes e como Draco parecia pleno ao lado dela, meu coração apertou pela culpa e senti lagrimas se formarem em meus olhos, me sentia uma intrusa ali, aquele não era o meu lugar, ele nunca me olharia daquele jeito... Soltei um grito quando Draco tocou meu braço.

“Estou com medo hoje
Mais do que eu disse que estava ontem
Dê-me um momento para recuperar o fôlego
E me segure todos os segundos restantes
Com orgulho de mim
É só assim que eu quero que você seja
Olhe para mim e ame o que você vê”

- O que foi? – perguntou me abraçando.

- Nada, estava só distraída. – falei me afastando dele, as fotos ainda pareciam me encarar. – Posso fazer uma pergunta?

- Pode. – falou me puxando pra sentar no colo dele numa poltrona próxima, vi que ele também olhou pra fotos e senti seu corpo ficar tenso.

- Por que você ainda tem tantas fotos dela? – a pergunta saiu sem eu medir as palavras, quem eu pensava que era? Dormi com ele uma noite e já quero tirar os vestígios deles, nem eu me reconheço.

Percebi que Draco ficou sem fala e olhava atônito pras fotografias como se esperasse que elas respondessem, percebi que aquele silêncio era a pior resposta que poderia esperar, ele me encarou pelo que pareceu séculos e respondeu sem muita firmeza na voz.

- Gosto de olhar pra elas. – falou desviando o olhar do meu. – Me sinto bem, só isso!

- E até quando pretende manter elas ai? – a pergunta saltou da minha boca outra vez e reprimo o impulso de bater na minha cabeça pela pergunta intrometida.

- O que é isso Granger? – Draco me olhava sério.

- Granger. – repeti como ele tinha me chamado e levantei do seu colo, mas nem dois passos e me puxou de volta.

- Ok, desculpa Hermione! – disse meu nome com um sorriso. – Mas você tocou meu ponto fraco.

- Ela é seu ponto fraco? – não estava entendendo como estava conseguindo ser tão ridiculamente infantil.

- A Lene é minha esposa. – falou e meu corpo tremeu com o choque daquela palavra, Draco percebeu, mas já era tarde demais pra consertar as coisas.

- A Lene era sua esposa. – afirmei e levantei num salto, quase corri em direção à escada.

Conforme ia subindo os degraus escutei ele me chamar e pouco depois vir atrás de mim, no meio do caminho para meu quarto lembro do quadro imenso que tem da Lene grávida ali e passo correndo por ele como se tivesse medo dela me agarrar, bato a porta com força e sento na cama pra recuperar o fôlego, agradeço aos céus por não ter fotos ali. Logo ele entra no quarto e senta ao meu lado, não falamos nada, mas sinto que ele está esperando a oportunidade certa pra dizer algo e do nada ele começa a falar.

- Olha Hermione, não sei por que você ficou fazendo essas perguntas, mas ainda é difícil pra mim me desvencilhar dela. – ele me olha e vejo sinceridade em seus olhos. – Não vou mentir pra você e vou te contar tudo, mas temo que você na goste do que vá ouvir, no final a decisão sempre será sua.

- Então é assim que você age? Deixa as decisões difíceis para os outros? – pergunto.

- Não, eu simplesmente cansei de forçar as pessoas a fazerem minha vontade, faço tudo que está ao meu alcance pra ser como eu quero, mas se o outro não quer... Paciência! – ele sorri triste. – Acredite minha persuasão é um dom particular e á muito tempo só uso ela nos tribunais.

Olhei pra ele e me perdi naquela imensidão cinzenta como o mar em dia de tempestade: impassível, imaculado, forte e devastador. Só então percebo que o amor que nasceu em mim é exatamente como acabei de descrever e só então percebo a real mudança nele, Draco não é mais aquele menino mimado que força a todos a se submeterem a sua vontade, ele é diferente. E com essa conclusão que sinto toda fantasia da noite anterior começar a se esvair.

- Hermione, eu amo você! – ele sorri toda vez que admite isso. – Mas aconteceu tanta coisa desde á última vez que te vi, minha vida mudou, eu mudei. – ele respira fundo e segura minha mão. – Assim que cheguei nesse país tinha o objetivo de começar uma nova vida e fiz isso, conheci o Gui e a família dele ainda na faculdade, ele foi meu primeiro amigo de verdade, o primeiro que se aproximou de mim sem pedir nada em troca ou segundas intenções. – ele fechou os olhos e quase implorei pra ele abri-los outra vez, mas quando as palavras seguintes saíram por seus lábios entendi o porquê de seu gesto. — Quando a Sara ficou doente, senti pela primeira vez o desespero da perda, ela era uma criança linda e eu já tinha aquela família com minha, não pensei duas vezes em ser doador quando por milagre fui compatível e nunca me arrependerei disso, aquela garotinha é minha vida tanto quanto minha filha. – ele sorri como um bobo. – Depois susto com a Sara, minha relação com o Gui aumentou ainda mais e começamos a construímos uma vida profissional sólida e tudo estava bem, exceto a saudade imensa que sentia de você. – Draco tocou meu rosto. — Não tinha uma noite que não pensava em como você deveria estar, o que fazia ou se ainda lembrava-se de mim.

Draco levantou e começou a andar de um lado pro outro.

“Eu não vou sobreviver sozinha
Eu preciso de algo para segurar
Beije-me no ombro
E me diga que não acabou
Eu prometo sempre voltar para casa, para você
Lembre-me quando eu estiver mais velha
De ser corajosa, doce, inteligente e ousada
Não desista do que nós estamos tentando fazer
Não conte as milhas, conte os "eu te amo"”

- Mas confesso que tudo isso foi ofuscado quando conheci a Lene. – os olhos dele brilhavam cada vez que pronunciava aquele nome e o meu coração era espetado pelo ciúme. – Nossa como ela era incrível, viramos amigos de inicio, mas logo namoramos e tudo era intenso e único, pela primeira vez vivia o amor, sentia a plenitude desse sentimento... Você entende? — Fiz que sim com a cabeça, pois sabia que nada sairia da minha boca naquela hora. — A Lene me ensinou a ser uma pessoa ainda melhor. Lembro do dia que contei a ela que era bruxo e o medo que senti dela surtar e ir embora, aliás, ela fez isso, mas voltou, ela voltou pra mim! – arrisquei olhar pra ele e vi quão emocionado ele estava, a voz era firme, mas seus olhos brilhavam pelas lagrimas. – Casamos e descobrimos a gravidez, por Merlin como estávamos felizes, às vezes tinha medo de tanta felicidade, afinal eu sou Draco Malfoy e minha vida nem pode ser tão maravilhosa, mas meus medos sumiam quando ela estava comigo. – ele parou de falar e eu continuei quieta. – No fim eu estava certo, minha felicidade foi arrancada de mim, ainda dói só de lembrar o dia que ela partiu, não consegui ver minha filha no começo, tinha raiva dela, como ela poderia está viva e a Lene não? Sei que é horrível pensar assim, mas tive esse pensamento e me odeio por isso, mas a dor acalmou e consegui ver minha pequena. – ele ajoelhou-se na minha frente segurou minha mão outra vez. – Quando vi Marie pela primeira vez, foi como um bálsamo pra mim, a dor da perda diminuiu, pois ali nos meus braços eu tinha um pedacinho da Lene, algo nosso, algo que nasceu no nosso amor!

- Por que você esta me dizendo tudo isso? – perguntei num fio de voz, não aguentava mais ouvi-lo narrar aquele amor por outra mulher e me sentia suja pelo egoísmo que só então percebi que possuía.

- Estou lhe mostrando quem eu sou, ouça Hermione! – ele virou meu rosto me forçando a olhá-lo. – Eu era um miserável, mas reconstruí minha vida, amei, vi parte de mim morrer com a perda dela, mas desde que você apareceu tudo mudou, eu me sentia morto, vivia pela Marie, mas quando te vi aquela noite foi como acordar de um pesadelo. – ele me acariciou e vi as lagrimas que dançavam no mar cinza escorrerem por seu rosto. – Você me fez acordar, tudo que sentia antes da Lene voltou, a minha esposa me ensinou a ser alguém melhor, mas foi pelo teu amor que quis mudar, queria ser digno pra você!

“Nós sobrevivemos
E todas as outras pessoas estão perguntando como
Nem mesmo parece verdadeiro
Crescer de um machucado
Um dia nós vamos perceber
Como era difícil, o quanto nós tentamos
Como os nossos corações sobreviveram”

- Mas você ainda a ama. – afirmei.

- Muito e provavelmente irei amá-la pelo resto da vida, ela me deu a Marie e os melhores anos da minha juventude. – falou sincero. – Amar a Lene não anula o amor que sinto por você, ainda me sinto estranho em estar com você, mas sei que isso vai passar, é uma questão de tempo.

- Já faz cinco anos e essa casa é um santuário pra ela. – falei e até eu me assustei com a frieza em minha voz.

- Hermione, até algumas semanas atrás eu era um viúvo com uma filha pequena pra criar, agora minha vida virou de cabeça pra baixo, se você acha que vou sair rasgando as fotos dela ou me desfazer das nossas lembranças assim do nada, está muito enganada. – falou ríspido.

- Não estou pedindo isso. – murmurei.

- Tem certeza? – ele levantou-se. – Hermione, falei tudo que sinto e o que você precisa saber, a Lene foi à melhor coisa que podia ter acontecido comigo, mas nem nos momentos que estive com ela deixei de te amar, você ouviu? São amores diferentes!

- Não existe isso. – esbravejei. – Ou você a ama ou eu!

- Não seja infantil, não posso mandar no que sinto. – Draco estava ficando lívido de raiva. – Existem coisas que não são controladas.

“Beije-me no ombro
E me diga que não acabou
Eu prometo sempre voltar para casa, para você
Lembre-me quando eu estiver mais velha
De ser corajosa, doce, inteligente e ousada
Não desista do que nós estamos tentando fazer
Não conte as milhas, conte os "eu te amo"”

- Como sua obsessão pela Lene. – gritei levantando da cama. – Ela está morta á anos e você age como se esperasse ela entra pela porta da frente a qualquer momento, sério Draco acho que você nunca ira se recuperar dela e isso que você diz sentir por mim é desejo ou uma fantasia de adolescente de concretizando. – ele me olha atônito parecia que eu tinha esbofeteado ele tamanha era a vermelhidão que cobria sua face.

- É isso que você pensa? – perguntou.

- Essa é a verdade. – falei ofegante.

- Não vou ficar aqui explicando o quanto eu amo você ou quando vou deixar de amar a Lene, pois isso não está ao meu alcance, você está sendo infantil e insegura. – Draco começa a andar em direção a porta. – Se soubesse que você achava tudo isso de mim antes, as coisas não teriam chegado a esse ponto.

- O que você quer dizer? – pergunto indo pra perto dele.

“Estas são palavras que eu gostaria que você tivesse falado
Mas não foi assim que aconteceu
Porque você desistiu de nós no final

Eu não vou sobreviver sozinha
Eu preciso de algo para segurar”

- Quer dizer, que se soubesse que você me via como um louco, não teria me envolvido tanto, evitaria ao maximo os acontecimentos, pois sei que você só quer um pé pra justificar a sua fuga. – ele chegou mais perto. – Já percebi que você tem medo do que sente por mim, sempre na retaguarda, como um animal assustado e todo esse discurso envolvendo a Lene só é um meio pra justificar suas decisões, seja mulher e admita que está com medo e louca pra fugir daqui, eu assusto você, minha vida assusta você! – ele jogou os braços pra cima. – Não é qualquer mulher que tem peito de entrar na vida de um viúvo e ainda por cima ganhar uma enteada de brinde, mas quer saber o maior problema? – ele me olha com um misto de raiva e tristeza. – Você sempre esteve em nossas vidas, até Madeleine sabia de você! Até nisso ela te supera, ela soube conviver com meu amor por você e lembre-se que você estava bem viva na época... – Draco me olhou uma ultima vez antes de dizer. – Se você for embora quando eu sair por essa porta, por favor, vá antes que eu chegue com a minha filha!


“Beije-me no ombro
E me diga que não acabou
Eu prometo sempre voltar para casa, para você
Lembre-me quando eu estiver mais velha
De ser corajosa, doce, inteligente e ousada
Não desista do que nós estamos tentando fazer”

Fiquei lá olhando pra porta, escutando os passos dele descendo pela escada, abrindo a porta, ligando o carro e cantando os pneus pela estrada. Ajoelhei-me no chão e tentei processar tudo o que ele havia dito.

“Beije-me no ombro
E me diga que não acabou
Eu prometo sempre voltar para casa, para você
Lembre-me quando eu estiver mais velha
De ser corajosa, doce, inteligente e ousada
Não desista do que nós estamos tentando fazer
Não conte as milhas, conte os "eu te amo"”

Notas finais
E ai mereço um review?? Espero que Merlin continue tocando o coração de vocês. *-*
Eu sei, eu sei, mas vocês precisam entender que algumas coisas são necessárias, o Draco evoluiu muito com os anos, mas a Mione continua sendo a mesma e isso precisa ser mudado, ela ainda não merece o nosso loirinho, por tanto precisa ouvir certas verdades.
Sei que pode ter parecido duro demais o que o Draco falou, mas talvez aquilo estivesse com ele a muito tempo e a Mione nunca teve a noção do que foram aqueles anos de agonia para ele e ter a noção do amor que ele sente... Espero de coração que tenham gostado.
Bjinhos