Notas iniciais
Oie meus amores!
Mil perdões pela demora.
Boa leitura...

[Pov Draco]

Corri por horas ou dias, não sei direito a única coisa que me lembro é de correr e correr... Quando dei por mim estava ajoelhado na areia da praia, meu corpo todo doía e as lagrimas pareciam estar entaladas nos meus olhos queria gritar aos céus e perguntar o porquê de Deus ou os astros pra fazerem aquilo comigo? Tinha que haver alguma explicação, eu devia ter feito muito mal as pessoas, pra merecer algo assim. Senti-me roubado, violentado, num dia tinha tudo e agora nada me restava, perdi minha mulher, minha amiga, minha amada Madeleine. E pela milésima vez naquele dia corri sem rumo.

Acordei com alguém esmurrando a porta da minha casa e tentei ignorar como sempre fazia, mas dessa fez a pessoa era insistente e não parava de bater, ou melhor, de tentar colocar a porta abaixo. Haviam se passado um mês desde que a perdi e nesses dias eu apenas sobrevivi, não falava com ninguém, não trabalhava, malmente comia e bebia. No dia do enterro dela, infelizmente não tive forças de ir até lá, era demais pra mim...

- Draco Malfoy, se você não abrir essa porta agora, eu juro que a ponho abaixo! – escutei a voz autoritária do Gui.

Resmunguei e fui me arrastando escada a baixo, sabia que ele não sairia dali sem antes falar comigo, era o que ele fazia nos últimos dias, sempre trazendo noticias da minha menina, que nem tive a decência de ir conhecer. Belo pai, você é Malfoy!

- O que é Gui? – perguntei abrindo a porta.

- O que eu quero? – disse entrando na minha casa e me segurando pelos ombros. – Quero que você reaja que ande até o banheiro tome um banho, faça a barba e venha conhecer a sua filha! – gritou.

Pela primeira vez em dias olhei de verdade para o meu amigo, ele estava abatido, triste, tanto quanto eu... Nada disse apenas andei até o bar e tomei uma dose de uísque, ele me seguiu me acompanhando com a bebida.

- O que você quer fazer? Beber até não se aguentar em pé? – perguntou enchendo nossos copos. – Então vou te acompanhar. – olhei pra ele assustado. – Você quer se trancar num quarto escuro chorar a perda da sua esposa? – ele riu sem humor. – Ficarei com você também, afinal eu perdi a minha IRMÃ! – tomou toda a bebida num gole só e continuou com amargura na voz. — Você sabe o que é isso? Como é perder uma irmã? Conhecia a Lene há quanto tempo, dois anos? Eu a conhecia a vida toda, estive com ela na infância, adolescência, juventude e acredite ninguém está sofrendo mais do que eu pela perda dela. – ele jogou o copo no chão e me encarava com raiva. – Mas a diferença entre nós dois é que eu estou vivendo e você Draco prefere ficar se martirizando e se perguntando o que você fez pra merecer isso... Vê se cresce, por que dessa vez meu amigo, o mundo não está girando ao seu redor e agora você tem alguém pra cuidar!

Assisti a explosão do Gui completamente atônito, nunca tinha visto ele daquela maneira, era estranho vê-lo sem todo aquele autocontrole e somente agora pude perceber o quão idiota estava sendo, eu aqui submerso a minha própria dor e esqueci que meu melhor amigo acabara de perder a única irmã.

- Como vai ser Draco? Vamos ficar aqui os dois fazendo exatamente o oposto do que a Lene desejaria numa situação como essa! – perguntou cruzando os braços.

- Não sei se consigo. – disse.

- Tente, pelo menos tente reagir. Já se passaram três messes e você não sai dessa casa! – assustei-me quando ele frisou o tempo.

- Três messes?

- Sim, hoje fazem três messes! E a Marie saiu do hospital mês passado e você ainda nem a viu. – percebendo meu espanto Gui acrescentou. – Quando se está bêbado ou dormindo a maior parte do tempo, se perde a noção! Mas hoje vim aqui pra te resgatar, isso se você quiser.

Olhei pra ele mais uma vez, tão parecido com minha Lene e tão cabeça dura quanto ela, sabia que ele tinha razão, mas a teoria sempre foi mais fácil que a pratica. Sentei no sofá e coloquei a cabeça entre as mãos e deixando minha mente vagar pra manhã do acidente...

Flash back on

– Lene, por que você está gelada? – a virei estava ficando assustado. – Por que está chorando? – perguntei limpando as lágrimas que escorriam pelo rosto dela.

- Eu te amo tanto – murmurou Lene me abraçando forte. – Você foi à melhor coisa que poderia ter acontecido na minha vida...

- Ei amor, para com isso! Olha pra mim. – pedi levantando seu rosto. – Quer que eu fique em casa?

- Não, você tem uma audiência importante hoje. – percebi que ela tentava se recompor, mas a dor era imensa naqueles olhos verdes.

- Nada é mais importante que você. – eu a abracei e tentei transmitir todo meu amor naquele abraço. – Amo você... Amo você... – sussurrava ao seu ouvido.

- Me promete que nunca vai desistir... Promete que sempre vai amar nossa Marie, nunca a deixará sozinha... Promete que vai amar outra vez! – pediu Lene agitada.

- Marie? Gostei do nome, mas você está me assustando. – eu acariciei seu ventre e nossa pequena logo cutucou aprovando seu nome também.

- Promete Draco, por favor! – pediu com firmeza.

- Se isso vai fazer você se senti melhor, eu prometo! – falei com todo meu coração.

Flash Back off

Nem sei quanto tempo fiquei em silencio, mas quando dei por mim Gui estava indo na direção da porta, levantei-me num salto e o segurei pelo braço.

- Espera, eu vou com você! – ele me olhou incrédulo.

- Prometi a Lene que não deixaria nossa pequena sozinha, prometi que reagiria e agora eu sei o porquê dela me fazer prometer aquilo. – sentia a chama da coragem se acender no meu interior. – E ela deve está sentindo minha falta. – acrescentei.

Gui sorriu e me abraçou com força, mas logo me soltou e corri escada acima pra tentar ajeitar um pouco minha aparência, poderia sofrer pela perda dela, mas nem por isso era preciso eu parar de viver, Lene não iria querer aquilo e minha filha precisava de mim, agora tinha alguém no mundo que era meu e era a prova do amor que vivi com minha doce Madeleine.

Assim que desci Gui conversava com duas moças e logo entendi que elas iriam limpar a casa, que desde o acidente não era limpa. E agora mais sóbrio podia senti o odor horrível que impregnada o lugar, sorri envergonhado pras moças e segui meu cunhado até seu carro. Foi uma viagem silenciosa e demorada, somente agora eu podia mensurar a falta que Marie fazia, apesar de nunca tê-la visto, era como se todo meu ser clamasse por estar perto dela e a cada sinal fechado minha ansiedade só aumentava, quando enfim chegamos em frente a casa do meu amigo sai do carro rápido e entrei na casa sem nem esperar por ele, vi de relance a Liz na sala e assim que coloquei o pé no primeiro degrau da escada, escutei um choro vindo do andar de cima, Liz correu e soltou um gritinho quando me viu percebi que o Gui olhou pra ela e sem dizer nada os dois voltaram pra sala. Agradeci mentalmente por ela não fazer perguntas e subi as escadas rapidamente, parei em frente à porta de onde vinha o choro, respirei fundo e a abri... Ela estava no antigo berço de Arthur e mexia as pernhinhas agitando o lençol que a cobria, andei devagar até ela fiquei por alguns instantes sem saber o que fazer, mas logo a peguei no colo e assim que a coloquei junto ao meu corpo ela parou de chorar e abriu os olhinhos, precisei de todo meu alto controle pra não solto-la assim que vi a cor de seus olhos, que eram de um verde tão vivo e tão parecidos com os de Lene... Marie era linda, pele num tom moreno lindo, os poucos cabelos que tinha eram castanhos quase loiros e os olhos lindos e verdes como os da mãe. Inconscientemente comecei a cantarolar como sempre fazia quando ela ainda estava no ventre da mãe e sorri quando Marie esboçou um sorriso, deixando a mostra duas covinhas na suas bochechas como as minhas e logo ela voltou a dormir.

- É a primeira vez que ela dorme tão rápido. – disse Liz da porta, parecia que ela nos observava á algum tempo.

- Ela gosta quando eu canto. – falei com simplicidade.

- Marie sentia a sua falta. – falou Liz enquanto a embrulhava. – É uma menina muito experta e parecia que ela sempre esteve esperando por você!

- Eu sei, me desculpa! – pedi.

- Todos têm seu tempo Draco, e fico feliz que você esteja aqui! – dizendo isso ela me abraçou e pela primeira vez nesses dias, me senti bem.

- Obrigado por cuidar dela. – murmurei enquanto a abraçava.

- Não poderia fazer o contrario. – ela me soltou e completou. – Jamais me esquecerei do que você fez por minha Sara e eu apenas estou retribuindo todo o amor que você sempre demonstrou por nossa família... Vocês também fazem parte dessa família e nunca se esqueça disso.

- Receio que terá que aturar agente por muito tempo. – tentei sorrir, mas devido ao tempo sem fazer isso, percebi que estava um pouco enferrujado. – Acho que vou precisar de umas aulas de como cuidar dela.

- Você vai dar conta, não é muito diferente do que fez pela Sara. – riu Liz enquanto saiamos do quarto. – Agora venha jantar com agente e pois que tem uma garotinha lá em baixo ansiosa pra ver você!

- Tio Draco. – gritou Sara assim que me viu entrar na cozinha. – Senti tanta a sua falta!

- Eu também, meu anjo. – a peguei no colo e a abracei. – Não chore meu amor, estou bem! – disse limpando as lagrimas que caiam pelo rosto dela. – não chore, por favor...

- Todos ficamos triste, mas Marie é tão parecida com a titia que a saudade diminui, você vai ver. – ela sorriu entre lagrimas. – Mas logo a tristeza vira saudade e a saudade vira lembranças boas, a tia Lene vai ficar feliz agora!

- Ai meu anjinho, como pude ficar tanto tempo sem ouvir seus conselhos?! – beijei o rosto dela e fomos pra mesa.

Tinha perdido minha esposa, mas sabia que meus amigos nunca deixariam de ser minha família e agora eu tinha uma filha que precisava de mim, tanto quanto eu precisava dela.

Notas finais
E ai mereço um review??
Lindinhas, sei que o capitulo está meio sofrido, mas a fase de luto dele está findando e no capitulo que vem veremos as mudanças na vida da Mione e como tudo se encaixara!
Assim que possível irei responder aos reviews!!
mil beijinhos
PS: Ficaria muito feliz se recebesse uma recomendaçãozinha.. hehehe