You Make It Real - Draco e Mione
11 Um passo de cada vez...
Notas iniciais
Espero que estejam todos bem!
Boa leitura...
[Pov Draco]
Ouçam: http://www.vagalume.com.br/rosa-de-saron/menos-de-um-segundo.html
“Lembro de nós dois
Sorrindo na escada aqui
Estava tudo tão bem
E de repente acabou”
O primeiro mês que passei com minha filha foi no mínimo terrivelmente difícil, pelo fato de eu não conseguir de inicio tomar conta dela sozinho e por esse motivo tive que ficar na casa dos meus amigos até me habituar a rotina de um bebê e aprender tudo que eu ainda não sabia sobre eles, por um lado isso foi bom, pois enquanto eu enfrentava as fraldas sujas de Marie era quase impossível sentir o vazio imenso que a Madeleine havia deixado em mim e era dolorosamente encantador ver como a cada dia minha pequena flor se parecia cada vez mais com a mãe.
Preferi tirar mais uns messes de férias, ou melhor, fui quase que obrigado por Gui a ficar mais tempo com Marie, ele sempre dizia que tudo corria bem no escritório e aposto que sim, pois meu amigo era um ótimo advogado e ele daria conta de tudo sem mim e só podia agradecer por tudo que ele e sua família fazia por nós. Estava dormindo no antigo quarto de Madeleine e todos os dias que acordava prometia silenciosamente que ira levar flores ao tumulo dela, mas pra mim fazer aquilo era aceitar que ela não entraria jamais pela porta da frente, jamais poderia sentir ela em meus braços e aquela aceitação era pior que a realidade que vivia.
“Vozes no portão
Passos no saguão
Poderia ser você
Mas faz tempo que partiu”
Porem essa manhã foi diferente, eu não prometi nada apenas levantei da cama e fui me vestir. Dei a primeira mamadeira de Marie e a aprontei pra sair, ela estava enorme e saudável agora com quatro messes e a cada vez mais linda.
- É meu amor, vamos visitar um lugar onde o papai já deveria ter ido há muito tempo! – dizia enquanto ela sorria e fazia aqueles sons de bebês, como se quisesse falar algo.
“Deixou algo aqui, e pouco a pouco encontro seus sinais”
- Liz – chamei. – Vamos sair!
- Pra onde você vai? – perguntou preocupada, ela era um amor, mas sempre ficava com um pé atrás comigo, como se esperasse que eu fraquejasse ou simplesmente fosse embora.
- Só iremos dar um breve passeio. – falei beijando a cabeça dela. – Não se preocupe.
- Tudo bem, mas tome cuidado.
Sorri pra ela e segui pra fora da casa, coloquei a cadeirinha com a Marie no banco traseiro e segui rumo ao endereço que tentei esquecer nesses últimos quatro messes, mas agora já era tempo de tentar seguir em frente... Marie, Madeleine e eu merecíamos tentar mais uma vez. Assim que cheguei em frente ao cemitério, senti meu coração apertar, mas caminhei a passos firmes até o local onde sabia que estaria a lapide de minha esposa, segurava firme a cadeira de Marie que parecia tão ansiosa quanto eu pra aquele momento, quando enfim encontrei o mármore branco que se destacava dentre os outros e foi inevitável não lembrar de um tumulo que tinha visto a tempos atrás nos terrenos de Hogwarts, um tumulo também branco que jazia o maior bruxo de todos os tempos e que eu quase fui seu algoz. Balancei a cabeça pra espantar tais lembranças e ajoelhei-me colocando Marie no chão ao meu lado... Toquei nas letras do nome dela gravadas na pedra em tinta dourada e pude sentir as lagrimas brotarem em meus olhos, sorri concordando ao ler epitáfio.
“Grande irmã, mulher, amiga e que só agora descobrimos ser um anjo enviado pra nos salvar. Descanse em paz ‘meu anjo’”
- Oi amor – murmurei tocando a pedra fria. – Desculpa ter demorado tanto pra vir, mas você sabe como eu sou e está sendo difícil pra mim. – tentei conter o soluço pra não assustar Marie que olhava pra mim com aqueles seus olhinhos verdes. – Trouxe uma pessoa pra te ver... Nossa menina é tão linda e saudável, a cada dia parece mais com você! – peguei Marie no colo e sentei na grama. – Ela já tem quatro messes e muito calminha, deve ter herdado isso de você também... Queria tanto ter você aqui, nós precisamos de você. — desabafei sem conseguir conter o impulso e abracei forte minha pequena
“Menos de um segundo e eu já perco o ar
Quase um minuto, quero te encontrar
É um sentimento que preciso controlar
Porque você se foi
Não está aqui
Tudo que ficou
Mexe com meu interior
Isso afeta meus sentidos
Foi o seu cheiro que sumiu”
Senti gotas molharem minha mão e peguei rapidamente a fralda pra cobrir Marie, mas só então percebi que a garoa só caia ali, estávamos em pleno inverno e se algo fosse cair do céu seria neve não uma chuva fina, olhei pra Marie que tinha os olhos marejados e se aconchegava mais nos meus braços.
- É você que está fazendo isso? – sorri beijando a bochecha rosada dela.
Marie sorriu e tocou as lagrimas do meu rosto e a chuva cessou assim como as lagrimas que escorriam dos meus olhos.
- Acho que é oficial agora, você uma pequena bruxinha! – sorri fazendo cócegas nela. – Você viu isso Lene? Nossa menina será uma bruxa. – estava feliz com aquilo, pois Marie seria uma bruxa incrível e eu teria muito trabalho a partir de agora. Pude até ouvir Lene me recriminando por ter esse pensamento. “Vai ter ciúmes de um bebê? Por Deus Draco!” sorri com aquilo.
Ficamos mais um pouco ali e logo fomos embora, sai do cemitério uma nova pessoa, mas ferida do que o normal é claro, porem mesmo assim reagiria e seria feliz com minha filha. O segundo passo do dia foi mais difícil, pois já havia decidido e até providenciado tudo.
“Tudo acabou, interrompeu-se tudo que existiu...
Menos de um segundo e eu já perco o ar
Quase um minuto, quero te encontrar
É um sentimento que preciso controlar
Porque você se foi
Não está aqui”
- A casa já está pronta pra ser habitada. – argumentei com meus amigos naquela tarde. – Sempre serei grato a vocês, mas já me sinto pronto pra cuidar sozinho dela e tentar retomar minha vida.
- Draco, cuidar de um bebê não é fácil. Vocês podem ficar por mais tempo! – dizia Liz.
- Sei que sim, mas preciso fazer isso Liz. Preciso voltar a viver, prometi isso a Lene! – argumentei e vi Gui se encolher no sofá quando pronunciei o nome dela. – Contratei uma babá que irá me ajudar de dia, Marta é ótima e foi à própria pediatra da Marie que a indicou.
- Não me sinto bem com isso. – reclamava Liz.
- Amor, Draco está certo! Temos que retomar nossas vidas... – disse Gui com a voz embargada. – E ele sabe como cuidar da Marie.
- Você poderá ir lá em casa, quando quiser. – prometi.
- Poderei cuidar dela quando você tiver audiências muito longas? – perguntou Liz já chorando.
- Claro que sim, Marta só trabalhará até as 18 horas. – sorri. – E você sabe como às vezes precisamos virar a noite no escritório.
- Tudo bem, se for assim não vou ficar mais tão chata. – sorriu entre lagrimas.
Naquela mesma noite fomos embora. Entrar mais uma vez na minha casa e ver tudo aquilo que construímos com tanto zelo e carinho foi um choque de realidade, porem respirei fundo e fui mostrar a Marie seu quarto. Ficava falando com ela o tempo todo e logo ela dormiu em meus braços, a deitei no berço e comecei a reorganizar minha vida, dali em diante, seria apenas eu e minha princesa contra o mundo. Era assustador, mas necessário e bastava olhar o rostinho sereno dela pra ter a certeza de que estava certo em dar um passo de cada vez.
“Partiu num dia qualquer
Sem ao menos dizer adeus
E o que ficou?
Um coração que sofre
Como quem espera a próxima entrada da estação
E o que separa o frio do calor
É a emoção de saber que vou
Que vou poder te reencontrar um dia
Eternamente te encontrar
Eternamente encontrar você”
Londres
[Pov Hermione]
- Você só pode estar louca Mione? – falava Gina pela enzima vez.
- Gina, essa é a minha vida e faço dela o que bem entender, estou cansada de sempre ser pragmática, de sempre seguir tudo aquilo que os outros acham que eu devia fazer! – chorava enquanto arrumava minha mala. – Casei por achar que era o certo, passei anos estudando Direito, me formei e ia ficar mais anos pra alcançar o cargo de magistrado, pra que? – Gina estava muda. – Nem eu sei o porquê de querer tanto isso, talvez esteja na hora de começar a viver, sem roteiros, sem peso do passado, apenas viver por viver!
- Maldita hora que o Ron foi te apresentar a Ester! – reclamou.
- Não Gina, ela me mostrou uma nova paixão, um novo horizonte algo que dependerá apenas de mim e se você soubesse como eu a amo por isso! – sentei ao lado da cama e peguei a mão de minha amiga. – Prometo que manterei contato sempre, que assim que conseguir venho ver meus afilhados e ver vocês. Gi, você me ama? – ela fez que sim com a cabeça. – Então me apóie, por favor, sinto um vazio tão grande aqui dentro e pela primeira vez vou fazer algo por mim e apenas por mim!
- Tudo bem Mione. – choramingou Gina me abraçando apertado. – Você merece ser feliz.
Gina foi embora logo em seguida e terminei de arrumar tudo, disse que iria até a casa dela me despedir de todos, mas sabia que se fizesse aquilo iria desistir dos meus planos, pois Gina não conseguiria me convencer, mas se o Harry me olhasse com aqueles olhos verdes eu não conseguiria dizer não. Respirei fundo e disse “olá” a minha nova vida...
“Menos de um segundo e eu já perco o ar
Quase um minuto, quero te encontrar
É um sentimento que preciso controlar
Porque você se foi
Não está aqui”
Notas finais
Bom, primeiro de tudo preciso dizer que esse capitulo marca a nova fase da fic, a partir daqui teremos novos fatos, a música escolhida pra esse capitulo, foi a mesma que inspirou a fic (que acabaria aqui, mas veio a ideia de fazer uma Dramione.. hehe)
Espero que tenham gostado do capitulo, pois eu amei escrevê-lo e significou muito pra mim poder expor esses sentimentos pra vocês. E ai ficaram curiosa com o que a Mione vai fazer?? hehehe
Tentarei postar mais um capitulo antes do natal, mas não prometo nada muito certo!
Bjinhos
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