You Make It Real - Draco e Mione
9 Desespero...
Notas iniciais
Aqui está mais um cap, espero que vocês gostem...
E capitulo dedicado inteirinho a Ester (garota errada) pela primeira recomendação da fic!!!
E a Anna por sofrer comigo na elaboração desse cap!!! ^^
[ Pov Madeleine]
Os meses estavam passando como num filme e a felicidade era evidente em todos os gestos meus e nos do Draco; eu o amava tanto que chegava a ser estranho que aquilo tudo fosse tão forte, pois o conheci e “bum!”, tudo mudou dentro de mim, como se enfim tivesse encontrado aquilo que sempre esperei. A familiaridade que senti no instante em que vi aqueles olhos cinzentos e escutei aquela voz firme e sarcástica! Chegava a ser engraçado ser ele o dono dos olhos que sonhava desde os nove anos de idade, e desde aquele primeiro contato soube que nos seríamos um só... Mas precisei esperar ele perceber isso, afinal, não podia simplesmente chegar e dizer: “Ei, sonho com você há tempos e agora você é meu!” Ele teria que notar que também gostava de mim e teria que superar seu passado, que eu imaginava ter sido difícil, mas quando ele me contou tudo tive alguns momentos de dúvida se ele era realmente quem eu esperava... A resposta veio como uma brisa de verão, pois assim que vi o mar de São Francisco, tão cinzento pela manhã tempestuosa, foi como ver aqueles olhos em dimensões maiores e corri pra estar nos braços do meu amor... Agora estou aqui, completamente presa a esse amor e adorando cada segundo que passo ao seu lado, pois algo lá no meu íntimo diz que minha missão está terminando e que logo eu terei que deixá-lo, entretanto isso não pode afetar nossos dias e muito menos tudo de maravilhoso que está acontecendo com a chegada do nosso bebê.
Descobri a gravidez no primeiro mês de gestação, de início foi muito desgastante ter que aturar os pitis do meu querido irmão, mas logo ele entendeu que sou uma mulher casada e a vida era minha. Fora isso, os primeiros meses foram incríveis! Quase não tive enjôos, nada de muitos dramas, apenas a sensibilidade característica de uma grávida, minha barriga crescia gradativamente e eu marcava seu crescimento a cada mês em uma parede no quarto do bebê. Agora estou com sete meses e contando os dias para chegada da nossa princesa... Já sabíamos que seria menina antes dos exames e só ficamos mais felizes quando o médico confirmou.
Estava no quarto de nossa filha e olhava tudo pela enésima vez desde que havíamos finalizado a decoração, ele era grande e arejado, as paredes pintadas de branco e lilás, móveis brancos e diversos quadros decorando o local; havia acabado de marcar a evolução do meu ventre na parede e acariciava ele sem nem dar conta do meu gesto... Tudo estava perfeito como havia imaginado.
- Posso saber no que minha linda está pensando? – perguntou Draco beijando meu pescoço e me abraçando por trás.
- Estava pensando em como você me faz feliz! – disse me aconchegando nos braços dele.
- Muito bom ouvir isso. – Ele me virou e beijou meus lábios com doçura. – O que você quer comer hoje?
- Hum... – olhei pra ele com malícia.
- Por Merlin, Lene. Estou falando de comida! – falou apertando meu nariz.
- E tem coisa mais gostosa que você? – perguntei.
- Ok, me senti um pedaço de carne agora. – reclamou.
- Meu pedaço de carne. – mordisquei o lábio dele.
Draco gargalhou e me beijou mais uma vez, era sábado e ele não trabalhava, graças a Deus, pois ficar os dias em casa sozinha era horrível pra mim, apesar de recentemente ter retomado meu velho hábito de pintar e meus novos quadros estavam espalhados pela garagem. Em dias tensos eu pintava cinco ou seis, era uma terapia pro meu humor oscilante, mas agora com Draco em casa minha terapia seria outra...
Estava no melhor lugar do mundo, os braços do meu marido, e sorria enquanto ele cantarolava uma música qualquer no meu ouvido e nossa princesinha como sempre se agitou, ela parecia gostar tanto quanto eu dessa mania do Draco. Foi em um momento desses que ela chutou pela primeira vez e agora tinha virado uma espécie código entre eles e ficava fascinada sempre que via ele tão envolvido pelos toques sutis dela.
- Você será um pai muito bobo. – murmurei de encontro aos lábios dele.
- Devo confessar que serei mesmo, pois nem nos meus mais loucos sonhos, imaginei algo assim pra minha vida. – ele tirou uma mecha de cabelo que caia no meu rosto. – Você veio pra mudar até meus sonhos.
- Não, meu amor, eu vim pra fazer de você um homem melhor! – disse beijando-lhe com carinho.
- Meus pais te matariam por isso e meus inimigos te dariam recompensas por tal feito ou te mandariam pra um hospício – sorriu. Mas pude ver uma sobra da velha tristeza perpassar os olhos dele.
- Para um cara tão mal intencionado no passado, você está se redimindo muito bem... Virou um marido carinhoso, será um ótimo pai e um advogado espetacular, temido por seus adversários e respeitado por seus clientes, como dizem: Uma serpente dos tribunais! – sorri.
- Você não perde uma. – sorriu levantando da cama. – Vamos dar uma caminhada na praia.
- Sério mesmo? – reclamei. – Essa menina está pesando cada dia mais.
- Deixa de moleza, vamos e de brinde você ganha um sorvete de morango! – ele gargalhou quando levantei num pulo. – Falou de morango, você pula!
- Tenho uma idéia com morangos e chantilly pra essa noite. – disse entrando no closet.
Escutei ele suspirar em expectativa e caminhar pra sala de casa. O dia foi incrível, passeamos, brincamos, namoramos e claro, tomamos sorvete! O fim de semana foi maravilhoso e a minha inimiga de todos os dias chegou, a segunda-feira, era sempre doloroso deixar o Draco sair para trabalhar nesse dia, talvez por ter ficado com ele dois dias seguidos e de repente ele ter que voltar pra sua vida de audiências e advogadas gostosas usando ternos mínimos, essa era a pior parte dele ser um advogado lindo e talentoso, pois sempre tinha estagiárias demais perto dele e os tribunais eram cheios de novas mulheres, lisinhas e lindas pra ele. Acordei dramática demais hoje...
- Por que esse biquinho? – perguntou Draco enquanto dava um nó na gravata.
- Imaginando todas aquelas mulheres te rodeando. – bufei.
- Que mulheres? – ao ver meu olhar homicida ele acrescentou. – Não vejo nenhuma mulher além de você! – beijou-me. – E o que você vai fazer hoje?
- Vou sair pra ver uma galeria que quer expor meus quadros, uma amiga da Liz que indicou. – disse sem muito ânimo. – Depois vou ver o Arthur e a Sara.
Draco olhou preocupado pela janela e me chamou pra ver, estava tão distraída que nem percebi que chovia muito lá fora e assim que vi toda aquela água, senti um aperto no coração e um arrepio na nuca.
- Acho melhor você não dirigir nessa chuva. – falou Draco me abraçando. – Lene, por que você está gelada? – ele me virou e me olhou assustado. – Por que está chorando? – perguntou limpando as lágrimas que escorriam pelo meu rosto.
- Eu te amo tanto – murmurei abraçando ele forte. – Você foi à melhor coisa que poderia ter acontecido na minha vida...
- Ei amor, para com isso! Olha pra mim. – pediu levantando meu rosto. – Quer que eu fique em casa?
- Não, você tem uma audiência importante hoje. – tentei me recompor, mas a dor era imensa no meu peito.
- Nada é mais importante que você. – ele me abraçou e eu tentei transmitir todo meu amor naquele abraço. – Amo você... Amo você... – Draco sussurrava no meu ouvido.
- Me promete que nunca vai desistir... Promete que sempre vai amar nossa Marie, nunca a deixará sozinha... Promete que vai amar outra vez! – pedi sem entender muito bem o porquê daquilo, mas eu precisava que ele prometesse.
- Marie? Gostei do nome, mas você está me assustando. – ele acariciou meu ventre e nossa pequena logo cutucou aprovando seu nome também.
- Promete Draco, por favor! – pedi com firmeza.
- Se isso vai fazer você se senti melhor, eu prometo. – ele me levou até a cama e deitou comigo um pouco. – Agora se acalme ou não vou conseguir sair de casa.
- Tudo bem. – me aconcheguei nele e inalei seu perfume, guardando aquele aroma inebriante que eu tanto amava. – Amo você...
- Sei que sim, meu amor... – ele começou a cantarolar e sem nem perceber adormeci em meio às lágrimas e angustia.
Acordei um tempo depois e me senti uma louca por ter aquela crise sem fundamento, a chuva tinha amenizado lá fora e fui tomar um banho pra me arrumar. Assim que sai do banheiro, encontrei um bilhete do Draco em cima da mesinha de cabeceira.
Amor,
Não quis acordar você, estava atrasado e parecia que dormir um pouco te faria bem. Terei uma audiência e assim que sair dela ligo pra saber como você está!
Preferia que você não saísse, mas como te conheço sei que vai. Tome cuidado com a estrada molhada.
Amei o nome da nossa princesa, Marie Malfoy.
Amo você!
Beijos...
Sorri quando terminei de ler o bilhete e beijei o papel, como tinha certeza que ele havia feito e era claro que iria ao meu encontro, pois assim que a Marie nascesse colocaria em exposição meus quadros e algo assim precisava ser organizado com cuidado, peguei as fotos dos meus quadros e fui pro carro, mas quando estava na porta, lembrei que havia escrito algo pra minha princesa e corri pra deixar na gavetinha do berço – era uma tradição de família e assim como todas as outras mães da família Legrand eu escrevi uma carta pro meu bebê.
Realmente a estrada estava uma loucura e todos aqueles aclives e declives da cidade não melhoravam em nada o caos no trânsito... Estava próximo a galeria quando meu celular tocou e vasculhei a bolsa com uma mão pra encontrá-lo, o carro da minha frente freou bruscamente e eu rápido pisei no freio, soltei um gritinho e segurei minha barriga com alívio, mas uma senhora que estava na calçada começou a fazer sinal com as mãos e eu não entendia nada, até que um trovão me assustou e ao olhar pro lado vi um caminhão vindo na minha direção, o motorista do carro da frente saía correndo e eu não conseguia tirar o sinto, ele foi chegando cada vez mais perto, o desespero tomava conta do meu corpo, Marie...Draco... Foi o que consegui pensar antes de tudo acontecer e em alguns segundos não senti mais nada...
[Pov Draco]
Passei o dia inteiro agoniado, a maldita audiência não acabava nunca e já não sabia o que fazer pra provar aos jurados que o réu havia mesmo matado os próprios pais – e o pior era que o cara merecia um Oscar pela atuação – o juiz pediu recesso e minha assistente Suzy entrou com uma cara horrível no tribunal.
- Dr. Malfoy, acho melhor o senhor vir aqui fora um minuto. – pediu.
- O que aconteceu? – perguntei assim que saímos.
- A sua esposa... – ela olhava pra mim com pesar.
- O que tem ela? – a balancei pelos ombros. – Fala Suzy!
- Ela está no hospital Sta. Emília e...
Nem precisei esperar ela terminar de falar e já corria porta a fora, não importava a audiência, justiça ou qualquer outra coisa, Lene estava no hospital e eu precisava chegar lá, precisava pegar ela nos braços e dizer que tudo ficaria bem... Nunca deixaria nada acontecer com ela, sabia que nem devia ter saído de casa aquela manhã, ela estava tão angustiada e mesmo assim a deixei sozinha. Dirigia como um louco e me odiava por ter deixado minha varinha em casa, se pudesse aparatar estaria lá num instante, prometi que jamais ficaria sem ela, depois desse susto com a Lene eu aprenderia a lição, deixei o carro de qualquer jeito na frente do hospital e sai correndo pra recepção.
- Minha esposa, Madeleine Malfoy. – quase gritei com a atendente.
- Um minuto senhor. – falou enquanto mexia no computador.
- Querida eu não tenho um minuto. – ela me olhou e continuou mexendo no maldito computador. – Escuta aqu....
- Draco – escutei Liz me chamar e interromper meu discurso com a vaca da recepção.
- Liz, onde ela está? – perguntei aflito.
- Acalme-se, ela está na sala de cirurgia. – Liz estava com os olhos inchados de quem havia chorado muito. – Eles estão tentando salvá-las. – depois das últimas palavras sentou e caiu no choro.
- O que aconteceu? Por Merlin, alguém pode me explicar algo?! – gritava como um louco e as lágrimas já caíam livremente por meu rosto.
- Não grite com ela. – disse Gui com a voz severa. – Lene foi atingida por um caminhão na rodovia, houve um acidente e ela estava no lugar errado e na hora errada! – meu amigo estava com o rosto abatido e tentou me fazer sentar. – Agora nos só podemos esperar...
- Esperar... – repeti a última palavra dele e fiquei a andar de um lado pro outro, parecia que o tempo não passava, os médicos nada diziam e eu estava a ponto de quebrar a cara de alguém, entrei em desespero quando o auto-falante o hospital chamou por reforços na sala de parto, olhei todos aquelas pessoas de jaleco andarem por um corredor e ia começar a segui-los, quando Gui me segurou.
- Não Draco, você está nervoso e só vai piorar as coisas.
- Ela é minha mulher, Gui! – disse desesperado.
- Eu sei, irmão... – fiz força pra sair do aperto, porém ele me segurou firme, mais uma turma de pessoas passou por nós apressados e não tive alternativa a não ser dar um empurrão no meu amigo e seguir os outros.
Pela minha visão periférica vi que ele me seguia, mas não parei de correr e a cada passo que dava parecia que meu coração ia rasgar, o medo se espalhava como um veneno poderoso, algo me dizia que esperar não era a melhor saída, que eu precisava chegar perto dela o quanto antes. Entretanto quanto mais andava, mais distante ela parecia está, entrei num centro cirúrgico em que todos falavam ao mesmo tempo, o barulho dos aparelhos era ensurdecedor e havia uma maca no meio do grupo de médicos que gritavam e faziam algo com a pessoa deitada ali, meu coração apertou ao ouvir um choro fraco de um bebê, porém meu foco continuava na pessoa que estava na maca, as pessoas ao redor dela suspiraram com pesar e alguém começou a cobrir o corpo dela, seu rosto todo machucado era quase irreconhecível e demorei alguns segundos para reconhecê-la, mas não tive dúvida ao olhar melhor e ver antes que o lençol cobrisse por completo seu rosto, sim, era o lindo rosto da minha esposa, era Madeleine...
- Não, o que você está fazendo? – perguntei a mulher que acabara de cobrir o rosto da minha Lene. – Assim ela não consegue respirar!
- Quem é você? – perguntou um homem me segurando pelo braço. – Não pode estar aqui.
- Tire as mãos de mim, preciso tirar aquele lençol do rosto dela, Lene não gosta de ficar assim, ela tem medo de não consegui respirar! – ela tinha trauma desde o afogamento na infância e nunca ficava coberta assim.
Escutei o grito de dor do Gui e não entendia o porquê daquilo, afinal ela só estava dormindo...
- Sinto muito senhor, mas não há nada mais a ser feito por ela. – falou um médico próximo de mim.
- Claro que há. – me desvencilhei das mãos do enfermeiro e andei até ela, rapidamente descobri seu rosto e pude ver como ela estava machucada, acariciei seus cabelos e beijei sua testa. – Ela está gelada, arranjem um cobertor mais grosso. – uma mulher tocou meu braço gentilmente e me conduziu pra longe dela. – Ela deve estar com frio, por favor, aqueçam-na.
- Claro senhor, agora espere aqui fora! – ela me conduziu a uma cadeira e pude ver Gui abraçado com Liz e choravam como duas crianças.
A verdade me atingiu como uma bala, ela não estava dormindo, ela não abriria mais os olhos, não sorriria mais... Ajoelhei-me no chão frio e revi a imagem da minha linda Lene deitada naquela maca, o real motivo dela estar gelada e o porquê de cobrirem seu rosto... Não podia ser verdade, ela ainda estava ali, precisava estar. Passaram-se segundos ou séculos e um médico veio ao nosso encontro, com a expressão séria e impassível, anunciou a morte da minha Lene, ele disse que ela chegou consciente ao hospital, mas as hemorragias internas eram severas e ela pedia o tempo todo que salvassem o bebê, até não ter mais forças pra nada e não resistir aos ferimentos após o parto.
- Parecia que ela estava apenas esperando a neném nascer, pois assim que ela viu a filha, sua pulsação caiu e não conseguimos mais reanimá-la. – explicou à senhora que havia me tirado do centro cirúrgico. – Sinto muito, mas fizemos tudo que estava ao nosso alcance. – ela olhou pra mim com doçura. – Sua filha ficará na incubadora por um tempo, pois é muito pequena pra ficar fora do útero, ela ainda é fraquinha, mas logo poderá ir pra casa. – ela me segurou pelo braço e chamou Gui e Liz. – Venham conhecê-la!
Andava como um robô, ainda tentava processar tudo aquilo, como uma coisa assim poderia estar acontecendo? Isso não era o certo... Uma criança não poderia nascer e já não ter mãe, nossa filha precisava dela e eu também precisava dela. Parei de andar e percebi que todos fizeram o mesmo e me olharam.
- Não posso fazer isso, não posso vê-la! – falei numa voz que parecia não ser a minha.
- Draco, ela é sua filha. Precisa de você! – afirmou Liz.
- Eu simplesmente não posso...
E sai do hospital do mesmo do mesmo jeito que cheguei, correndo, entretanto dessa vez sentia que nunca mais seria o mesmo e pela primeira vez, desde que decidi mudar de vida, me senti solitário e egoísta por não conseguir nem olhar pro rostinho da minha filha, algo que desejei com todas as minhas forças durante esses meses, porém agora meu corpo só tinha lugar pra dor da perda...
Notas finais
Bom, para aquelas que sofreram junto comigo ao ler isso aqui, devem imaginar o quanto foi difícil escrever o Draquinho assim e pior ainda tirar a Lene da jogada, amei de paixão essa personagem que fez tanto bem ao nosso lindinho!!
Esse capitulo foi um marco pra mim, pois ele marcou um recomeço e uma superação pessoal ao abordar o tema, estou muito feliz e grata por vocês fazerem essa fic valer a pena!
Agora a fic vai entrar numa nova fase e espero que vocês continues firmes ai do outro lado, qualquer duvida ou sugestões podes me acionar por MP aqui do Nyah.
bjinhos e até mais...
PS:Irei responder aos reviews amanhã, oks...
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