You Dont Know a Thing About My Sins
3 Capítulo 3
- Bert\'s POV –
Porra. Eu odeio o fato de ter hiperidrose. Estou suando feito uma porca louca no cio, e a culpa é toda desse fedelho. Gerard Way, o nome dele. Eu realmente não sei que merda eu tinha na cabeça quando fui dormir com ele. Por que eu havia feito aquilo, afinal? Só por que é bonito? Só por que é uma graça? Ou por que ele chupa muito bem? Não interessa.
O que interessa é que temos esse seminário e eu apenas não consigo encará-lo. E eu estou me sentindo um completo idiota, desviando os olhos toda a vez que ele me seca. Mas o olhar dele é tão carregado de… malícia. Eu fico me perguntando se a consciência alheia não pesa, porque, bem, estamos numa igreja.
Mas quem sou eu para falar disso, não é mesmo?
- Sentem-se, por favor. – “Desejo com todas as forças que minha voz pare de tremer.” Limpei minha garganta, passando os olhos por todos os jovens que estavam reunidos, a maioria deles parecendo agradados com a idéia de estarem ali. Claro, isso não se aplica a ele. – Eu me chamo Robert McCracken e estou aqui para substituir o padre Simpson.
Gerard pigarreou, cobrindo a boca – e um sorriso – com a mão. Ignorando-o, continuei a falar e a explicar toda a situação. A cada segundo que se passava eu me sentia mais desconfortável e suado e agoniado com aquela roupa.
De fato, eu apenas sosseguei quando podia estar sentado, embora fosse naquela cadeira dura do confessionário e embora eu precisasse ouvir todas as baboseiras daqueles moleques. Tudo bem, pelo menos minhas pernas bambas não me ameaçam mais e eu posso recuperar meu equilíbrio. Um a um eles foram entrando e contando seus “pecados” e, adivinhe?, eu os mandava rezarem ave-marias. Qualquer dia desses eu ia gravar minha voz em um aparelho para que eu não precisasse gastar saliva.
- Vá concretizar sua penitência, meu filho. E quando sair, não esqueça de chamar o próximo.
Já deveríamos ter atravessado o horário do almoço. A confissão era um dos processos iniciais para quem estava ingressando nessa vida, para que eles “deixassem para trás o mundo de tentações” através dos relatos que deveriam fazer aos padres – no caso, para mim. Eu apenas deveria imaginar o quão chato isso era.
Claro que pra tudo na vida tem uma exceção. Maldita exceção. Eu realmente preferia ficar aqui ouvindo os jovenzinhos dizendo seus pecados que na verdade nem podem ser considerados como pecados do que ter que ouvir ele.
Não sabia o que esperar dele. Não sabia se ele entraria aqui e ia jogar na minha cara que fodeu a noite inteira um suposto padre. Ó Deus, onde fui me meter. Numa hora dessas eu começo a pensar seriamente em estar aqui apenas por amar o senhor, pelo menos assim conseguiria me livrar de metade dos meus pecados.
Vi ele se aproximar, sentindo meu estomago revirar levemente. Pude ver um grande sorriso em seu rosto.
-Ajoelhe-se e conte me seus pecados, meu filho.
-Por que será que toda vez que nos encontramos eu tenho de ajoelhar? – disse ele frisando a última palavra.
-Hum...- fiquei sem graça e não consegui responder as suas ironias.
-Ok, Padre Robert – disse ele entre risos – vou lhe contar o pecado que cometi ontem. Fui a uma boate encher a cara, porque estou de saco cheio da minha vida. Mas conheci um homem, que por sinal se parece muito com o senhor, e depois de pouca conversa já estávamos numa cama de motel desejando um ao outro como loucos. Agora me diga padre, é errado querer dar a bunda? – ele falou isso tão alto que metade da igreja escutou.
- Não sei te responder, meu filho. – eu falei, gotejando em suor. Passei os dedos pela gola, aquela roupa estava me fazendo derreter. Também havia aquela quentura crescente, que nada tinha a ver com essa maldita bata – Eu recomendaria cinco ave-marias, mas no seu caso são quinze, porque seus pecados são muito—
- Excitantes? É, também acho.
Esse daí nunca vai achar o equilíbrio interior.
- Sabe, quinze ave-marias dão a entender que eu sou péssimo na cama.
- Shhh! – eu fiz, alarmado. Baixei minha voz para um tom acima de um sussurro, de um jeito que acho que nem ele poderia ouvir direito – Deixe de gracinhas, Way. O que aconteceu ontem, morreu ontem.
- O QUÊÊ? Então eu fui usado?
- Pelo amor dos Céus, Gerard! Não faça esse escândalo, alguém pode escutar!
Eu não acreditava no quão… barulhento ele era. Parecia uma mulher, francamente. Okay, eu sei que era tudo de propósito para me deixar o mais contrangido quanto possível, mas Gerard estava me fazendo querer arrancar os cabelos.
- Você só se importa com a opinião dos outros, Padre? E ainda passa por cima dos meus… sentimentos. – eu me estiquei e o vi pela tela que nos separava, fazendo aqueles movimentos teatrais e forçando a voz para uma afetada. – Vou ignorar essa sua sentença, Padre. Agora, deixe-me continuar a confissão. Caham. Se eu fosse contar tudo, não iria sair daqui em menos de duas semanas – mais risadas. – Então, vou continuar com as coisas mais recentes. Ah, espere. Eu já falei do homem que me comeu ontem, não falei? Sim, sim. Como eu sou esquecido. Mas o senhor sabe, padre, não resisti às tentações da carne.
- Não, não sei. – Se um raio caísse toda vez que eu mentisse…
- Uma pena. – sarcasmo, sarcasmo. Já tinha percebido que isso parecia bem típico dele – Pois então, eu acho melhor o senhor me passar mais algumas ave-marias, Padre.
- Por quê?
- Estou prestes a fazer uma coisa bem feia aos olhos do Senhor.
Não entendi porque minhas pernas estavam tremendo. Que sorte que eu estava sentado.
- E o que é?
- Ah. Coisa básica. Chantagenzinha.
Engoli em seco, praguejando para céus e terra. Eu só me metia em barcas furadas, só conseguia arranjar mais confusões para mim mesmo. “Pau na bunda de Gerard Way.”, pensei, cerrando os pulsos automaticamente. “Digo, não!, ele gosta disso.”
- Com quem, meu filho?
- Tudo o que eu tenho a dizer é que eu devo encontrar Robbie hoje, no fim da tarde, atrás do monumento da Virgem Maria. Claro, apenas no caso de ele querer que eu mantenha minha boquinha fechada. E quem sabe, um pouco de diversão também, porque ele é tão ranzinza, Padre.
Eu quase dei um salto, tamanho era meu pânico. Puxei a tela que nos separava, mas era tarde demais. A porta do confessionário estava entreaberta e no local onde Gerard estivera não havia nada, a não ser vento.
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