You Dont Know a Thing About My Sins
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Gerard’s POV
10, 15, 20 minutos. Já estava cansado de esperar por ele. Mas algo me dizia que ele não faltaria, pois se ele o fizesse eu acabaria com ele. Posso ser tudo de ruim, mas sou uma pessoa de palavra. Enquanto esperava fiquei observando as pessoas que passavam pela praça. Mães e filhos, casais, o sorveteiro, etc, essas coisas de cidade pequena. Era nessas horas que sentia falta de Nova Iorque, de todo aquele movimento do centro, e principalmente [b]dele[/b].
- Estou aqui, o que você quer? – disse Bert, fazendo com que eu voltasse a realidade.
- Robbie, eu sabia que você não me desapontaria. Senta aí, pega um cigarro, temos todo tempo. Ah, e fala direito comigo porque eu não sou a puta da sua mãe.
- Hunf! Você me dá nojo. – disse ele, sentando logo em seguida.
- Não foi isso que você sentiu quando me comeu, eu suponho. Mas, deixamos isso para lá. Por que você engana a todos fingindo ser padre?
- Não é da sua conta. – disse ele, acendendo um cigarro.
Não disse mais nada por alguns momentos, apenas o observei. Ele estava com o mesmo olhar daquela noite em que nos conhecemos, um olhar perdido. O único jeito de descobrir, o que estava acontecendo era usando meu lindo corpo, ou seja, iria seduzi-lo.
Coloquei minha mão em sua perna, no princípio ele se assustou um pouco, mas não a revidou.
- Por que uma pessoa como você resolveu ingressar no seminário? – ele perguntou, quebrando o silêncio.
- Porque eu devo lhe contar se você não me contou o seu segredinho?
- Dá pra parar de responder minha pergunta com outra pergunta? – disse ele, aproximando seu rosto do meu.
- Esta bem, não vou dizer mais nada.
Coloquei minhas mãos em volta de seu pescoço o puxando para mais perto. Nossos rostos ficaram praticamente colados, que eu podia sentir sua respiração. Passei minha língua pelos seus lábios, fazendo com que ele me desse passagem para o beijo. Mas nesse momento soltei-o e levantei-me. Bert não entendeu nada. Isso só me fez comprovar o que já sabia, eu estou no comando.
- Te vejo amanhã no seminário, Robbie!
Atravessei a rua e acendi outro cigarro, sentindo que alguém me fuzilava pelas costas.
Não sabia realmente pra onde ir. Decidi finalmente ir pra casa. Não iria se não soubesse que meus pais não estariam lá. Eles tinham um péssimo costume de ficar me perguntando como tinha sido no seminário, se eu tinha me divertido e coisas desse tipo. Até conhecer o Bert, eu não sabia que aquilo podia ser divertido.
Sim, eu estava me divertindo com o sofrimento alheio. Não que eu achasse que ele estava sofrendo. Muito pelo contrário.
Cheguei em casa, largando a grossa jaqueta no sofá e indo até o meu quarto. Estava como sempre: Cama bagunçada, roupas jogadas.
Por algum motivo comecei a vasculhar as coisas que tinha por lá. Havia me esquecido a metade das coisas que estavam no meu quarto. Afinal, a maioria dos dias da minha vida eu tinha passado fora de casa.
Abri varias gavetas da escrivaninha, parando na última, segurando algo que me chamou a atenção. Sorri.
Ali estava a carta [i]dele[/i]. Logo reconheci a caligrafia fina. Costumava dizer que parecia uma mulher escrevendo. Na verdade, seus traços eram meio femininos, não que os meus não fossem também, todo mundo dizia que eu parecia uma menina, e por algum motivo, isso não me incomodava nem um pouquinho.
O que me atraía nele era seu jeito, exatamente como o meu. Despojado, rebelde e sexy. Lembro-me muito bem do dia em que tudo começou.
- Como assim você quer terminar tudo comigo?
- Ah Gerard! Não se faça de desentendido! – disse ela, me deixando para trás.
- Eu não te entendo, Emma.
- Eu vejo como você olha para ele!
- Hã? – disse eu, fazendo uma cara de besta mesmo sabendo que era a pura verdade.
- O seu vizinho. Você passa mais tempo com ele do que comigo, na escola você só dá ouvidos a ele. Fique com ele então.
- Ah, quer saber! Nunca gostei de você mesmo, era apenas sexo. Vai ver ele sabe fazer muitas coisas que você nem imagina. – disse eu, lhe dando as costas e a deixando-a sozinha no jardim da escola.
Durante o caminho fiquei pensando no que disse a Emma. A verdade é que eu nunca tinha feito nada com ele, não que eu não tenha vontade, mas é que não depende só de mim. Sempre gostei de ambos os sexos e nada me impedia de ficar com a pessoa que eu queria. Mas com ele era tudo diferente, existia sentimento, talvez amor.
Estava chegando em casa quando o vejo vindo na minha direção.
- Estava te esperando. – disse ele, com um sorriso nos lábios.
- Ah é? Para que?
- Eu pensei que você gostaria de sair para beber algo, sei lá – como ele ficava gostoso mexendo no cabelo desse jeito.
- Claro! – Gerard, sua biba! Tente se controlar. – Me dá 15 minutos para eu tomar um banho e me arrumar.
- Ok. Te espero aqui na calçada.
Entrei e fui direto para o banheiro. Tomei banho e em menos de 10 minutos já estava quase pronto. Estava parecendo aquelas meninas que iriam ter o primeiro encontro. Dei uma olhada através da janela para ver se ele já estava lá, e o reconheci pela sua blusa do The Smiths. Desci as escadas pulando alguns degraus e apenas dizendo tchau para meus pais não dando lhes tempo de perguntar aonde ia. Não que eles fossem realmente se importar. Contanto que meus problemas estivessem fora do alcance deles, tudo estava bem.
Encontrei-o do lado de fora, e logo pusemo-nos a caminhar e conversar enquanto iamos para o bar. Quero dizer, ele começou a falar, porque eu gostava de ouvi-lo e esquecia completamente que para que aquilo fosse chamado de ‘conversa’ eu deveria interagir também.
- Gerard? Gerard? – ele chamou, estalando os dedos. – Você ouviu o que eu perguntei?
- Uuuh. Não. – eu falei, envergonhado. Juro que quis me enterrar.
Até que ele riu tão gostosamente que ao invés de querer me enterrar, eu queria era…
- Eu perguntei se você chamou Emma para ir ao bar junto conosco.
Certo, assim você deixa meu pinto mole, queridinho.
- Não! Por quê, eu deveria chamá-la? – questionei, começando a suspeitar que ele talvez estivesse interessado na presença dela.
- Não exatamente. É só que ela é sua namorada, não é? Achei que quisesse passar mais tempo com ela.
- Ew. – falei para mim mesmo, sem que ele pudesse me ouvir. – Nós terminanos, para falar a verdade. Então eu quero é distância dela. – olhei para o horizonte, tentando tomar coragem para pronunciar o que planejava. – Dela e de todas as mulheres por enquanto, obrigado.
Percebi que ele pareceu surpreso.
- Uuuh, Gerard Way vai virar padre? Vai pôr um cinto de castidade, colocar uma coleirinha, ficar fora do mercado, é?
Céus, às vezes ele era tão bobinho.
- Não, estarei apenas experimentando coisas novas.
Água, água, água! Qualquer líquido, por favor, eu acho que me engasguei em minhas próprias palavras. Notei o olhar dele, que parecia estar entre a malícia e a confusão. Minha sorte era que, como eu havia calculado que seria, já estávamos em frente ao bar. Apressei-me para entrar, deixando que ele ficasse para trás e que interpretasse minhas palavras do jeito que quisesse.
Sim, essa noite não vai ser como todas as outras. Haha.
Estava escuro lá dentro. Senti as batidas do meu coração acompanharem o som da musica alta. Havia muita gente lá. Metade das que estavam ali eu conhecia. É, eu freqüentava bastante aquele lugar… Nós freqüentávamos.
Ia ter um show naquela noite. Como sempre, uma banda desconhecida que provavelmente nunca faria sucesso. Aproximei-me do balcão, nem precisei pedir, a garota que trabalhava lá já me conhecia a tempos e sabia muito bem o que eu costumava beber. Ela apenas sorriu ao me ver e correu para dentro, voltando em seguida com um copo gigante de vodka com alguma coisa.
Vi-o se aproximando. Ele se encostou no balcão e me encarou por um tempo, ainda com aquele olhar de confusão. Um falso olhar de confusão agora. Ele sorriu. Um sorriso cheio de malicia. Um sorriso que eu nunca tinha visto antes. Depois ele saiu, me deixando sozinho, apenas com a minha bebida.
Por deus, ele estava fazendo aquilo para me irritar. Sim, ele tinha percebido. Ele não é tão bobinho assim. Ele sabe que agarrando outra menina esta deixando meu pinto mole de novo. Eu vou broxar eternamente se ele continuar a passar a mão por baixo da saia daquela garota, que devo acrescentar, não é nem um pouco bonita, obrigado.
Continuei bebendo, começando a sentir o álcool fazer efeito, fazendo com que o sentimento estranho aumentasse. Era ciúmes. E eu não queria assumir para mim mesmo que era ciúmes. Muito orgulhoso.
Depois de muito tempo se alisando, os dois saíram dali, provavelmente querendo ir a um lugar “mais intimo”. Decidi então sair dali, porque afinal, não teria mais nada para fazer sem [/i]ele[i].
Encostei-me em uma parede qualquer já fora do bar, acendendo um cigarro e observando algumas pessoas se agarrando nos becos escuros que cercavam o lugar. Estava me preparando para ir embora quando notei os longos cabelos castanhos esvoaçarem por conta do vento frio. Sorri.
Ele se aproximou, me olhando de um jeito que ele nunca tinha me olhado antes. Depois sorriu, um sorriso tão inocente.
- Por que você saiu de lá Gee? – Foi dele que nasceu o apelido, ele que um dia me disse que me chamar de Gerard soava tão rude.
- Por nada, eu só não queria ficar olhando você pegar a menina, só isso. – Eu disse, como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo.
Ele me encarou, parecendo confuso com a minha resposta.
- E por qual motivo você não queria ficar me olhando com a garota? Quer dizer, eu sempre fiquei olhando você se agarrar com a Emma e nunca reclamei, muito menos te abandonei em um bar sozinho, você sabe muito bem que eu tenho medo dessas pessoas. – ele se encostou na parede ao meu lado, dizendo a ultima frase quase que em um sussurro.
Olhei-o por um tempo. Ele parecia ter criado antenas. Eu não entendia o motivo dele estar dizendo aquilo. Na verdade, eu nunca pensei que ele olhasse muito para os meus agarramentos com Emma. Como que por impulso fiquei de frente e ele, o encarando, pensando em algo para dizer.
- Você sabe que eu não gosto de ficar olhando.
- Ah, claro. – ele falou, despreocupadamente. – Fazer é bem melhor, eu concordo.
Tentei olhar para todas as direções possíveis para não ter que encara-lo. Aquilo estava fazendo com que minhas bochechas corassem. Acendi outro cigarro e comecei a caminhar para dentro do bar, mas ele me segurou pelo braço e encostou me na parede. Nada dizemos, apenas ficamos nos encarando. Ele pegou o cigarro que se encontrava na minha mão e deu uma profunda tragada. Ele aproximou se de mim, fazendo com que nossos narizes se tocassem. Nesse momento, eu abri a boca para dizer algo, mas para minha surpresa, nossos lábios se tocaram. Ele soltou toda a fumaça dentro da minha boca, mas não me beijou. Ah, eu nem queria mesmo!
- Esperava mais de você. Já que você disse que não é daqueles que fica só olhando – disse ele, entrando no bar com um sorriso sarcástico.
Escutei a porta da cozinha bater, meus pais haviam chegado. Guardei a carta na gaveta e tentei não pensar mais nele.
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