Notas iniciais
Esperamos que gostem, estamos ansiosas ♥

Pov . Tom

Acordei cedo, como sempre. Tomo um banho, me visto com uma roupa simples e desço para tomar café da manhã. Minha irmã Cathy já estava comendo na cozinha.

─ Bom dia, esquisitão. ─ falou ela. Cathy já está na universidade e tem 21 anos. Não sei porque diabos ela ainda mora com os pais, mas continua aqui. Pelo menos em breve ela irá embora, pois ficou noiva de um cara chamado Kyle. Segundo ela, o asiático mais gatinho de todo o mundo.

Era engraçado como eu e minha irmã nos parecíamos. O mesmo tom de cabelos pretos, os olhos escuros e o formato do rosto. Porém, as personalidades sempre foram bastante distintas. Brigamos desde crianças, e ela continua insistindo em me chamar pelos piores apelidos. Tipo, esquisitão.

─ Bom dia ─ eu estava cansado demais para dar alguma resposta inteligente para ela.

Nesse momento eu percebo que nossos pais não estavam lá também. Meu pai costumava sempre sentar na cadeira encostada na parede e ler seu jornal enquanto minha mãe preparava panquecas.

─ Onde estão os pais? ─ pergunto.

─ Saíram para trabalhar. Parece que o papai tinha uma reunião importante e a mamãe foi chamada pelos chefes dela. Parecia algo urgente. ─ Cathy não pareceu nem minimamente interessada ao dar a notícia.

─ Vai encontrar com seu namoradinho idiota hoje? ─ comecei a rir ao ver que ela já estava completamente arrumada e maquiada às 7 horas da manhã.

─ Você faz perguntas demais. ─ ela saiu da cozinha e subiu para seu quarto.

Deposito um pouco de cereal num pote, pego leite na geladeira e começo a comer. Depois de um tempo, escuto a campainha tocando. Eu já sabia quem era.

─ Oi, Ian. Entra aí. ─ deixo-o entrar na minha casa. Ian era o meu vizinho e melhor amigo desde que tínhamos 7 anos. Começamos nossa amizade quando ele me viu apanhando de uns valentões no caminho da escola e prometeu que iria comigo todos os dias a partir daí. Afinal, é melhor apanhar em conjunto do que sozinho, foi o que ele me disse.

─ Cara, minha mãe começou a tentar umas receitas de um livro de culinária lá em casa. O café da manhã estava horrível. ─ se dirigiu à minha cozinha e abriu uma gaveta, onde nós escondíamos chocolate do meu pai, pois ele era diabético mas continuava querendo comer mais. Ian conhecia minha casa tão bem quanto a dele.

Ele era magro, assim como eu, e tinha os cabelos lisos ruivos flamejantes e o rosto cheio de sardas. Seus olhos eram de um tom azul esverdeado, o que me invejava muito às vezes.

─ Pode ir comendo, vou subir pra terminar de me arrumar. ─ Ian concordou, enquanto abria uma barra de cereal e engolia o troço inteiro.

Fomos andando para escola e conversando sobre os novos vídeo games que Ian havia comprado e em como estávamos ansiosos para jogar quando voltássemos da escola.

Pov. Brad

Levantei quase me arrastando, uma vez que o maldito som do despertador havia me acordado. Fiz minha higiene matinal, vesti a primeira roupa que vi no armário, colocando o casaco dos Eagles por cima.

Desci as escadas de minha casa já sentindo o cheiro de panquecas vindo da cozinha, definitivamente eu amo minha mãe.

─Bom dia, querido. ─ Cumprimentou a senhora Janine Shummer, também conhecida como minha mãe.

─Bom dia. ─ Ela fez o favor de colocar as panquecas sobre a mesa e eu comi como se não houvesse amanhã.

Percebendo que estava sem minha mochila volto à meu quarto. Acabo dando de cara com meu próprio reflexo no espelho. Cabelos loiros, olhos verdes, corpo sarado… É, nada mal.

─Já vai pra escola filho? ─ Questionou minha mãe quando eu já estava passando pela porta.

─Já vou pro inferno sim, te amo mãe! ─ Exclamei e deixei a casa, ainda pude ouvir a risada da mulher de dentro da casa. Entrei em meu carro e comecei a dirigir na direção da casa de satã, também conhecida como Rosey High. Alguma música aleatória da Taylor Swift tocava na rádio, moro um pouco distante da escola, todavia de carro essa distancia meio que some. Estaciono em uma vaga perto da entrada do colégio e aqui vamos nós.

Observei as pessoas passando pelo corredor, um garoto até bem bonitinho que não conheço, ele é alto, mas não mais que eu, magro, de cabelos castanhos e olhos no mesmo tom.. que fofo. Logo depois vi Chad e Josh, meus dois melhores amigos. Tomara que não tenham me visto olhando aquele garoto. Meus amigos me mandaram um oi e foram pra alguma sala, é acho que não viram. E por fim lá vinha ela, Amber Snow, como ela mesma diria, a menina mais gata da escola. Ruiva irritante. E além de “mais gata da escola” Amber é também minha namorada. Ter que namorar alguém pra fingir que não sou gay é um saco. É, isso mesmo, eu sou gay, mas ninguém faz ideia disso, e por conta de vários receios sobre o assunto, não pretendo que ninguém saiba tão cedo.

─Oi amor! ─ Amber veio até mim e me deu um mata leão, ou abraço como ela chama.

─Oi Amber. ─ Respondi tão entusiasmado como sempre, ou seja, sem entusiasmo algum. Seria até legal se eu tivesse uma namorada falsa legal, mas essa menina é realmente um saco! E foi assim, com um urso agarrando meu pescoço que fomos pra aula de química, onde Amber decidiu ir sentar com uma amiga e eu finalmente pude respirar.

Pov. Tom

Quando eu estava no corredor pegando meu material escolar no armário, junto de Ian, minha melhor amiga Lise veio em nossa direção.

Ela sorriu ao nos ver, e senti Ian quase morrendo atrás de mim. Ele é apaixonado por Lise desde à quinta série, mas nunca teve coragem de lhe dizer nada.

─ Oi, garotos. Prontos para enfrentar mais um dia nesse vórtice negro chamado de ensino médio? ─ esse era o jeito especial de Lise de nos cumprimentar. Mas ela não estava errada, o ensino médio é mesmo um vórtice negro. Principalmente se você é nerd, e gay, como eu.

Felizmente não dei mais um motivo para os populares enxerem meu saco, e os únicos que sabem sobre a minha sexualidade são Ian e Lise. Ainda nem tive coragem de contar aos meus próprios pais.

─ Com certeza. ─ concordou Ian, começando a corar de repente.

E então, os populares começaram a passar pelo corredor. Sofro bullying desses idiotas desde sempre. Eu e Ian até criamos a teoria de que o capacete que eles usam no futebol americano afeta o cérebro deles.

Um dos caras mais populares, Brad Shummer, pareceu estar olhando na minha direção. Tentei ignorar isso e manter a conversa com meus amigos, pois seria muito estranho se ele realmente estivesse me encarando. Mas, não era motivo para me preocupar, eu era só mais um dos nerds dessa escola e a possibilidade dele ser gay é mínima. Aliás, a namorada dele, Amber Snow, já começou a agarrá-lo. Ele não parecia muito feliz com isso, mas não era da minha conta.

─ Acho que eu vou vomitar. ─ Lise fez um ruído de desgosto.

Não entendia muito de beleza feminina, mas sempre achei Lise muito mais bonita que Amber. Ela não precisava de maquiagem ou roupinhas apertadas e curtas para ser naturalmente atraente. Ela era morena, tinha o cabelo ondulado com algumas mechas loiras e, apesar de ser baixinha, era muito magra então sua altura não era tão perceptível.

─ Vamos logo pra aula. ─ digo, enquanto fecho meu armário e vou andando para a aula de química.

Tivemos que anotar muitas coisas no caderno, mas o tempo passou bem rápido. Logo o sinal tocou e todos estavam saindo. Enquanto ia para a porta, vi o professor discutindo com Brad, e então ele me chamou. Congelei por alguns segundos até me virar e ir em direção da mesa.

─ Você é um bom aluno, senhor Lewis. ─ disse ele para mim. Eu ainda não tinha entendido o motivo dele ter me chamado.

─ Obrigada, senhor. ─ franzi o cenho esperando uma explicação. Olho para Brad, que parecia atordoado.

─ Você será o novo tutor do senhor Shummer, ele vai precisar da sua ajuda e conhecimento. ─ ele sorriu e nos dispensou antes que eu pudesse dizer não.

Minha vida estaria prestes a mudar completamente.

Notas finais
Se você tiver alguma sugestão, critica, elogio, ideia ou etc, não deixe de nos contar nos comentários.Beijos.