You And The Stars

9 Sure, you are old


Notas iniciais
Ooooi ♥ queria agradecer vocês pelos reviews do último capítulo, alguns foram críticos, mas com certeza são importantes. Espero que vocês gostem desse capítulo. Até lá embaixo.

—- Ei, ei, ei! Que putaria é essa aqui no quarto?

Will descolou os lábios dos meus. Viramos a cabeça e encaramos Emma em pé. Ela piscava rapidamente por causa da luz, estava de braços cruzados e nos olhava de cara feia.

É mesmo, que putaria era aquela no quarto que por acaso eu estava participando?

Olhei para Will, atordoada.

— Isso é amizade colorida? — perguntei ignorando Emma. — Putaria entre amigos?

— Sem compromissos — respondeu Will, meneando a cabeça. — E aí?

— Sei lá — franzi a testa.

— Aceita ou não? — teimou.

Sem compromissos? Sem encanação?

— Mas a nossa amizade continua a mesma?

— Aham, mas com bônus.

Sorri. Por que não?

— Beleza — murmurei aproximando nossos rostos.

— Tá, tá, tá! —disparou ela — O que é que tá acontecendo aqui?

— Amizade colorida — falou Will.

— E…? — falou arqueando as sobrancelhas.

— Nada. Só amizade colorida. — Respondeu.

— E isso inclui beijos?

Assentimos com a cabeça.

Emma se aproximou de nós sem pressa alguma, pegou meu travesseiro e o rodopiou nas mãos e de repente começou a batê-lo com força — tipo, muita mesmo — em mim e Will.

— Qual é o problema de vocês dois? — berrou enquanto batia. — Vão estragar anos de amizade? Sério isso?

— Para, Emma! Caramba, para! — gritei com as mãos em frente ao rosto.

Ela parou e se jogou no chão, sentada com as pernas cruzadas. Respirava com dificuldade e nos fuzilava com o olhar.

— Isso é decepcionante, sabiam? Saber que vocês ficam se agarrando. Destruindo a amizade que tem.

— Ninguém tá destruindo nada, Emma — falou Will se jogando no chão, ao lado dela.

— Ah, será que não? Não sei por quê, mas eu tenho a impressão que vai chegar uma hora em que um de vocês dois vão querer parar com isso, e o outro vai ficar machucado. E aí vai ser o fim. — Emma abraçou os joelhos e seus olhos começaram a marejar.

Deslizei para o chão.

— Vocês não tem medo que isso possa vir a acontecer? — perguntou levantando a cabeça e nos encarando fixamente.

Will e eu trocamos olhares.

Ela tinha razão. Completa razão. E se isso simbolizasse o fim de nossa amizade? Uma amizade de anos.

Me lembro bem como conheci Will. Eu tinha acabado de entrar para o 4° ano e ele era daquele tipinho de garoto com franja quase caindo nos olhos e que ficava correndo pra lá e pra cá com seu bando de amigos (eu os chamava de cavalos, porque né). Em mais uma de suas “trotadas” matinais com seus amigos, ele trombou em mim. Era a terceira vez que algum idiota derrubava minhas coisas, isso só no primeiro dia de aula. O.k, uma parte disso era culpa minha, digamos que eu era uma destrambelhada. E talvez ainda seja, anyway, eu já estava pronta pra xingá-lo, esperando que ele continuasse correndo, mas ao invés disso, ele parou, se desculpou e me ajudou a recolher minhas coisas. E ainda me acompanhou até a sala, onde descobrimos que estudaríamos juntos. Foi aí que surgiu a amizade.

Aliás, se não estou enganada, foi Matthew Stonem que derrubou minhas coisas pela primeira vez e não me ajudou a pegar. Pois é. Puff, depois ninguém entendia o ódio que eu sentia por ele.

— Ela te razão. — Falei.

Me levantei e caminhei até o banheiro. Fechei a porta. Fiquei encarando meu reflexo no espelho por alguns segundos.

Vamos lá, Sam, o dia está só começando.

Molhei meu rosto e escovei os dentes. Prendi meu cabelo em um rabo-de-cavalo e saí do banheiro.

Emma havia se trocado e estava sentada na escrivaninha mexendo no seu Notebook. Will estava de bruços no seu colchão. Silêncio.

Me joguei na minha cama e fui chegando mais perto de Will.

Ele desviou o olhar do seu Ipod e crispou os lábios. O cabelo escuro dele estava desalinhado e seus olhos verdes estavam azuis devido a claridade que entrava pela janela. Ele era muito bonito. Não era musculoso, e não tinha o abdome definido. Mas era forte e tinha os ombros largos. Não era à toa que eu nunca conseguia escapar de seus beijos.

— Só amigos, então? — falou ele. Esperei que ele abrisse um sorriso ou se mostrasse triste, mas seu semblante não revelou nada.

— Acho que é o certo — murmurei.

Ele deu de ombros.

Droga, será que eu estava triste porque não iria mais beijá-lo? Ou por que, no fundo, era mais que isso?

— Vem cá, olha só essa música que eu baixei — ele bateu a mão em um espaço vazio no colchão e eu me joguei lá, ao seu lado.

Will me entregou os fones e eu ouvi a música. E talvez fosse melhor assim, fingir que nada havia acontecido.

— Que besteira — falei, rindo. — Sua cara essa música. Ridícula.

— Não é hoje que você vai me ofender. Magrela.

Dei um tapa de leve no ombro dele.

— Vamos lá, um porão nos espera — falei.

Ele se levantou e me puxou para cima.

— Pode ir indo na frente. — Falou. — Vou escovar os dentes e já desço.

— O.k. Vê se não demora, ou vê se não se perde dentro da pasta de dentes pra não ter que ajudar. — Falei gargalhando.

— Relaxa. Não sou tão preguiço assim.

Passei em frente da Emma em silêncio. Saí do quarto fechando a porta atrás de mim.

— // —

A mesa de café da manha estava lotada. Meus pais, a família Stonem e o Josh. Matthew e eu trocamos um rápido olhar. Pensei em fuzila-lo com os olhos, mandar uma tirada irônica ou mostrar a língua — infantil, eu sei — mas eu tava de ótimo humor, então apenas puxei a Nutella para mais perto. Me sentei e peguei uma colher, enfiei no pote de Nutella e coloquei na boca. Delicia. Depois, peguei uma banana, cortei-a em rodelinhas e joguei caramelo por cima. Enfiei na boca focando a visão na parede a minha frente. Matthew me encarava descaradamente. Ai, que saco, por que ele não parava de flertar comigo?

Foco na banana, Sam, foco.

Quase não consegui conter uma gargalha. Não pensem malícias, mas isso realmente tinha sido engraçado.

Eu tinha que parar com isso, essas oscilações de humor.

Encarei o prato, enfiando a comida na boca de uma vez, mal parando pra mastigar.

— Já sabe o que te aguarda quando terminar aí, não é, Samantha? — falou minha mãe, com cotovelo apoiado na mesa e o queixo na mão. — E você também, Matthew.

— Claro. O porão, dona Crimsey. — Falou Matthew, o retrato da sutileza. Detalhe: ele ainda me encarava.

Assenti com a cabeça.

— Isso mesmo, mocinho — falou mamãe, se recostando na cadeira.

— Sabe que por mim, você, Matth, faria muito mais do que só limpar um porão — falou o sr. Stonem, acendendo um cigarro. — Você merece. Na minha época eu cortava cana e ficava de joelhos em feijões crus quando aprontava.

— Aqui não, Henry — falou Carly tentando tomar o cigarro da mão dele. O sr. Stonem se desvencilhou e por pouco Carly não perde o equilíbrio e cai da cadeira.

— Não tenho culpa por você ter nascido na época do feudalismo. — Murmurou Matthew, fitando o prato.

— Hein? — indagou Henry. — Na minha época, se eu saísse de madrugada, mesmo que pra usar o banheiro no quintal, eu apanhava.

— Henry… se tá tão incomodado, eu tiro o celular dele por um mês. — Falou Carly, com a voz trêmula.

— Na minha época, não havia celular — retrucou.

Olhei pra Matthew que ainda encarava o prato. Ele mastigava alguma coisa com calma, mas seus punhos estavam fechados e seus músculos tensionados. Estava se controlando pra não pular da cadeira e sair xingando.

Meus pais pareciam ter perdido a fala, focados no próprio café da manha, era como se os Stonem não existissem.

— Bem, podemos tirar a conexão da internet também — sussurrou Carly.

— Não iria resolver. O negócio é ele só limpar o porão mesmo, qualquer outro tipo de punição, iguais as da minha época, as autoridades condenariam — disse ele, tragando o cigarro. — Essa sociedade de agora é um verdadeiro lixo.

— Ou poderiam me mandar para um colégio interno na suíça! — explodiu Matthew, saindo da mesa.

A cadeira dele caiu pra trás, produzindo um barulho estridente. Estremeci.

Então quer dizer que Matthew tem a quem puxar no sentido idiotice?O.k, eu estava sendo maldosa. Matthew podia ser metido e convencido, mas não achava que ele fosse ignorante.

Me levantei rapidamente e corri atrás dele. Nem sei por quê. Ouvia seus passos batendo no assoalho e logo depois começarem a subir os degraus da escada. Subi atrás dele e só parei quando cheguei na porta de seu quarto. Ele estava de costa pra mim, olhando através da janela.

Aproximei dele.

— Matth? — murmurei. Coloquei minha mão nos ombros dele e ele se virou. Matthew fungou e uma lágrima escorreu.

Matthew Stonem chorando, isso não era uma coisa que se via todos os dias.

Notas finais
Então talvez ele tenha sentimentos, talvez *u* Vamos lá, deixem reviews, eles são importantes pra mim e pra história. Leitores fantasminhas, vocês também já podem aparecer.