Notas iniciais
Esse capítulo era para ser bem menor, mas daí eu decidi juntar ele com o capítulo 12, que já estava pronto, para não ficar pequeno demais. Minha expectativa agora é só postar capítulos com mais de 1.000 palavras. Espero que vocês gostem.

— O que você quer? — falou ele, ríspido.

— Tá tudo bem? — perguntei. Não, né, sua sonsa, não tava vendo que ele estava chorando? Só eu mesmo pra perguntar isso.

— Está — murmurou ele.

— Não ligue para seu pai, ele não sabe o que f…

— Tanto faz, Samantha. Pode me dar licença?

Era a primeira vez que ele era grosseiro comigo. Ele podia ser irônico, chato, arrogante, safado, mas nunca usou a grosseria comigo. Até aquele momento.

— Matthew…

— Não preciso de mais ninguém me julgando. E se você contar pra alguém que me viu chorando, eu te mato.

— Não vou te julgar, droga. E daí que você tá chorando? Todo mundo chora, e isso não vai te fazer menos homem. Eu só quero te ajudar — falei. Não, eu não podia ter dito isso. Samantha Crimsey não podia ter dito isso. Era muita gentileza pra mim. Mas se não tinha sido eu que disse, quem foi?

Ele me olhou durante vários segundos, depois se sentou na cama. Me perguntei onde estava Josh, provavelmente já havia acordado, talvez estivesse na sala, já que não estava tomando café-da-manha.

— Eu só queria entender o que o tornou assim. Meu pai. Quero dizer, até os meus 11 anos era tudo bem em casa, com mamãe, papai e eu. Mas eu me lembro que, aos poucos, tudo mudou. Sei lá por quê, meu pai ficou estupido com nós. Eu ainda consigo aguentar, mas minha mãe não merece isso. Você viu como ele nos trata? Eu sei que fiz besteira, eu sei. Eu sei que não presto. Eu sei que sou um merda. Eu sei. Mas ele não se importa. Nunca se importou. Ele só liga em magoar. Ele não tá nem aí se eu faço burrada, ele apenas gosta de machucar, entendeu?

Assenti com a cabeça.

— Ele é um idiota, Matthew. Não fique mal por isso — falei.

— O problema é minha mãe. Eu não suporto ver ele tratando-a mal — falou.

— Ela já pensou em divórcio? — indaguei franzindo o cenho.

— Já. Mas pra ela as coisas não são simples assim. Ela é muito dependente dele. Tem medo de não encontrar outra pessoa, digo, outro marido. Mamãe tem medo de ficar sozinha.

Matthew limpou os olhos com a costa da mão. Quando terminou, me olhou, viu que eu o fitava atentamente e corou. Fiquei imaginando o quanto ele deveria estar constrangido.

— Eu vou te ajudar, O.k? Vou conversar com minha mãe, vou pedir pra que ela converse com a sua — sussurrei.

Ele meneou a cabeça em sinal afirmativo. Alguns segundos se passaram até ele abrir um sorrisinho de canto.

— Ei… já pode soltar minha mão e voltar a me odiar — disse.

Olhei pra baixo e vi que eu segurava a mão dele. Como eu era idiota, como não percebi? Ruborizei e me levantei.

— Não vá se acostumando, rapaz — falei dando risada. Dei um soquinho de leve no ombro dele.

Ele fez um beicinho extremamente fofo, seu rosto estava avermelhado por ele ter chorando, e seus olhos mais claros, colaborando ainda mais para sua fofura.

— Poxa, depois disso tudo eu esperava pelo menos um beijinho — falou.

Revirei os olhos achando graça.

— Tá pedindo demais, não acha?

— Eh… não.

— Tudo bem.

— Vai me dar um beijinho?

— Não. Mas não é proibido sonhar, então fique a vontade pra me imaginar te beijando.

— Você é má, sabia?

— Eu sei — sorri. — Hm… já vou indo. A gente se vê no porão.

Não sabia o que pensar sobre o que havia acabado de acontecer. Definitivamente isso tinha sido um acontecimento raro. Matthew chorando, nós dois conversando civilizadamente e eu tentada a realmente beijá-lo (é que ele tinha ficado fofo demais com aquela carinha, droga. Não me julgue.) Eu nem sei o que pensar. Mas eu sei que entre Matthew e eu, alguma coisa tinha mudado.

— Ei, Sam? — ouvi ele me chamar. Me virei. — Eu não sou gay, falou?

Ele abriu um sorriso. Retribui.

(...)

O porão era um ambiente bem iluminado, com um lustre simples, mas charmoso. Fora isso, o resto era trapo. Um sofá velho, uns quadros velhos, armários quebrados, madeiras fedidas e mais lixo. E o chão também estava uma sujeira, cheio de uns pozinhos estranhos. Certo, se Will e Matthew ajudasse, terminaríamos no mesmo dia.

Fiquei durante uns 10 minutos tirando aquele maldito pó com a vassoura.

Quando seria que Matthew e Will chegaria? Quer dizer, não era porque eu tinha sido um pouco gentil com o Matt — ele estava chorando! — que isso queria dizer que ele devia ficar o dia todo no quarto com as pernas pra cima, coçando o saco só porque a vida é um pouco dura com ele. E Will também já deveria ter chegado.

Quando eu já estava prestes a sair de lá e ir atrás dos dois, ouvi os dois descendo. Não me virei e nem cumprimentei eles quando apareceram.

— Oi, nanica — falou Will.

— Fala aê — murmurei.

— Uau, isso aqui tá uma bagunça — falou Matthew erguendo uma tábua do chão.

— É, está. E na lerdeza de vocês dois, vai continuar sempre assim, droga — resmunguei.

Matthew parou e ficou me encarando, impassível.

— O que aconteceu com a garotinha doce de alguns minutos atrás? — falou ele. Percebi a ironia na voz dele.

— Ela morreu — falei, sem saber exatamente por que eu estava com raiva.

— Ah, espero que ela acredite em milagres e ressuscite — disse ele com um dar de ombros.

— Que história é essa? — perguntou Will, distraído com um grande armário.

— Nada de mais. — respondi calmamente. — Deixe isso pra lá.

— Sammy doce? Você só pode ter enlouquecido — ouvi Will falar consigo mesmo.

— Ei! — exclamei me fazendo de ofendida. — Você sabe que eu sou um amor de pessoa.

— Aham, claro — falou Will e Matthew juntos.

Os dois trocaram olhares e deram risadinhas. Não iria brigar, pelo menos Matthew havia recuperado, né.

— Defina “amor de pessoa” — falou Will para Matthew.

— Rabugenta, bipolar, chata, gata, fresca, boba e irritante — ponderou Matthew.

— Essa sim é você — disse Will virando-se pra mim com um sorriso enorme.

— Hm… Bem, bem, faltou apenas uma coisa aí: — arqueei a sobrancelha, fazendo mistério — mandona! Anda logo seus grandes preguiçosos, limpem, limpem tudo!

Pov’s Matthew

Lá embaixo, até que as horas passavam rápido. Basicamente, ficamos o tempo todo contando piadas e rindo de qualquer bobeirinha. É claro que eu preferia estar fazendo várias outras coisas, como correr na praia, surfar, azarar as garotas, comer olhando o mar, conhecer garotas, entrar na internet, malhar um pouco, fumar narguilê, azarar garotas e conhecer garotas. Mas não, eu estava lá, limpando um porão emporcalhado.

Ah, sobre aquele momento ultra-gay no porão… Aquele não era exatamente eu. Era eu incorporado em um personagem de um garoto viadão. Acredite em mim, sabia sobre o que eu estava falando. Durante dois anos eu havia feito teatro. O que eu queria dizer é que… eu estava apenas encenando. Sim, eu ficava com raiva quando via meu pai tratando mal minha mãe, mas o que eu podia fazer? Ela havia escolhido se casar com ele, então o negócio era arcar com as consequências.

Eu realmente nunca choraria daquele jeito. Fala sério, muito drama. Só havia chorado porque sabia que, de certa forma, isso deixaria Samantha com pena e talvez passasse a me enxergar de outra maneira. E funcionou. Ela havia passado a me ver como um garoto sentimentaloide.

Sempre soube que no fundo, no fundo, Sam não era a garota durona que fingia ser. Ela era frágil, se importava com as pessoas ao seu redor, mesmo que elas fossem idiotas, como eu. Por isso, eu sabia que ela viria atrás de mim e se eu chorasse… ela simplesmente iria revelar esse seu lado mais dócil. E a minha grosseria? Ela odeia ser rejeitada e nunca desiste.

Como ela tinha acreditado nesse meu outro lado, as coisas iriam se tornar mais fáceis pra mim. As coisas iriam avançar com mais facilidade. Eu não tinha muita pressa, mas eu sabia que, até o final do verão, Samantha Crimsey seria minha.

Pov’s Matthew OFF

Pov’s Will

Já se perguntou sobre o que fazer da vida? Faculdade, trabalho, viajar, sexo, dormir, virar mendigo, ter um amor recíproco. Qualquer um desses seis itens aí era fácil, fácil de conseguir, menos o último. Esse último, pra mim, vinha se mostrando cada vez mais complicado. Quando você percebe que está apaixonado, automaticamente você está fodido. F-O-D-I-D-O, completamente fodido, fodido legal, fodido mesmo. E não é de sexo que eu estava falando.

Eu bem que tinha tentado uma amizade colorida com a Sam, mas ela desistiu logo que Emma abriu a boca e reclamou. Isso só provava que ela não estava fodida por mim.

Às vezes, eu me perguntava como é que tinha gente que namorava. Quando se namora, quer dizer que é um amor recíproco. E isso me fazia pensar: “Como é possível?”. Quero dizer, essas pessoas estavam vivendo um verdadeiro milagre, uma raridade, essas pessoas tinham uma sorte descomunal. Até aquele dia, todas as vezes que eu me fodi — digo, me apaixonei — não foi correspondido ou terminou rápido. Eu já tive uma namorada, nem sei como, mas não foi nada sério. Eu não era fodido por ela.

Aí outra pergunta me vinha: “O que o Stonem quer com a Sammy?” Sam não fazia o tipo de Matthew. O tipo de Matthew eram aquelas bem facinhas, oferecidas, desesperadas e boqueteiras. Nenhuma delas condiziam com a Sam.

Isso tudo só me levava a crer que fosse o que for que Matthew queria com ela, não era nada de bom.

Aliás, eu tô fodido pela Samantha.

Pov’s Will OFF

Notas finais
É, você tá fodido mesmo, colega. Ah, tenho uma notícia: ano que vem eu vou trabalhar, já é garantido, então minha expectativa é terminar essa fanfic até janeiro :C depois não vai dar mais pra escrever, vou estudar cedo e trabalhar de tarde... triste :c Não deixem de comentar, ok? Façam meu dia mais feliz *--*