You And The Stars
11 Beautiful
Notas iniciais
Povs Emma
Por que eu havia ficado com raiva de ver Samantha e Will se comendo? Porque sim.
O.k: Amigos não devem se pegar. Isso é cilada. Eu já havia feito a burrada de ter um amigo colorido, e hoje em dia, se estivermos na mesma calçada, eu mudo de lado.
O que eu queria dizer é que não gostaria de perder Will e Sam, não queria que nos separássemos, nem brincando. Eu amava aqueles dois mais do que muitas coisas por aí.
Enquanto eu lavava a louça, Josh enxugava. Eu mal conhecia esse garoto, mas ele parecia bem diferente do seu amigo, Matthew. Nenhuma vez ele tentou dar em cima de mim. Aliás, ele parecia até um pouquinho tímido quando não estava bêbado.
— Não é nada contra a Caroline, mas aquele cabelo dela é muito brega — fofoquei.
— É. Eu também achei — murmurou ele.
— E não é nada contra o Charlie, mas ele podia ser mais normal
— Tipo isso.
— E, caramba, a Laris sabe ser chata — eu enxaguava os copos.
— Tirou diploma em chatice.
— E droga, você viu aquela camiseta verde bosta do Tyler? Nunca vi coisa mais horrível.
— Torrou minhas órbitas.
— E saco, você viu como o Josh é brizado e nem percebe quando você está dizendo coisas inventadas? — falei, largando a bucha cheia de sabão dentro da pia.
Ele me encarou como se tivesse me visto pela primeira vez. Depois de alguns instantes desconfortáveis, Josh riu pelo nariz:
— Você me pegou. É que é essa ressaca desgraçada.
— Dizem que água de coco é ótimo pra essas coisas.
— Você já experimentou?
Foi minha vez de rir.
— Não. Nunca precisei de nada pra curar ressaca — corei.
— Nunca ficou bêbada, hein? — não era bem uma pergunta, mas uma afirmação.
Dei de ombros.
— Pois é.
— Isso é bom. Quero dizer, sua melhor amiga parece ser bem diferente de você — falou ele, guardando um copo no armário.
— Samantha não gosta muito de curtição, mas já tem um histórico de cachaceira.
— Tava na cara.
— Tão óbvio assim?
— Muito. Mas acho que ela deve ser boa, quero dizer, Matthew anda querendo mudar o tipo de garotas que… — ele de repente se interrompeu, guardando uma panela no gabinete da pia.
— Matthew o quê? — perguntei aumentando o tom de voz.
— Nada. Esquece. Já falei que tô de ressaca? Exatamente, eu devo estar delirando.
— Se eu souber que Matthew está aprontando alguma pra Sam, acabo com você — ameacei cerrando o maxilar.
— Não está — sussurrou ele meneando a cabeça.
Voltei a pegar a bucha e comecei a ensaboar talheres. Eu ainda tinha a estranha sensação de que Josh era bem diferente do amigo. Mais confiável.
— Ei, falta pouco pra terminar aqui. Quer tomar uma água de coco depois?
— É bom pra ressaca, né? — disse ele. Pelo o que parecia, ele era meio lerdo também.
— Dizem que sim.
Povs Emma OFF
Lá pro meio da tarde, já havíamos terminado a limpeza do porão.
— Até que não foi tão difícil assim — comentei.
— Até que não — concordou Will.
— Foi uma perca de tempo. Muito injusto esse castigo — retrucou Mathew.
Revirei os olhos.
— Não fomos santos — falei.
— Merecemos — falou Will, se dirigindo à escadinha que levava à porta. Fui atrás dele.
Matthew fez um muxoxo mas não falou nada.
— O que interessa é que agora acabou. Vou comemorar indo dormir.
— Vou também, só que vou tomar uma ducha antes. Já pode ir guardando um espaço pra mim no seu colchão. — Falou Will, com um sorriso de canto.
Folgadice, oi.
Ele parou na onde estava e esperou que eu chegasse ao seu lado, então passou seu braço em volta do meu pescoço.
— Sei não. Ainda tô decidindo se você merece ou não enfiar sua cabeleira escura no meu travesseiro — eu disse.
— Safados pensariam besteira — disse ele, com um sorriso travesso.
— Safados não é você — retribui o sorriso arqueando a sobrancelha.
— Blah, blah, blah, venham me ajudar aqui, droga — resmungou Matthew. Ele segurava dois baldes com uma vassoura e um rodo dentro de cada um deles.
— Ah é, mesmo — me desvencilhei de Will e desci pra pegar um balde. — Mas dava pra você levar sozinho.
Matthew bufou.
— Pega aquele balde com os panos, William — falou Matthew.
Will obedeceu de cara feia.
— Não gosto de receber ordens, Stonem — reclamou ele. — Muito menos de você.
— Tanto faz. Agora que essa tortura terminou, vou poder sair de novo.
— Festa? Ah, mas não vai mesmo — dei ênfase ao
"mesmo".
— Não, festa não. Ainda não. Surfar, talvez.
— Hm… prefiro dormir — murmurei mordendo o lábio.
— Claro, principalmente porque você não sabe nadar… — retrucou Matth.
Dei de ombros.
— Fazer bullying é feio.
Matthew riu enquanto subíamos a escada.
— Eu sei nadar, Sam. Se quiser eu te ensino na piscina, é menos arriscado — Disse Will soprando a franja que caia nos olhos.
— Valeu — mostrei a língua pro Matthew sem conseguir esconder o riso. — Mas sabe o que eu quero fazer agora? De verdade?
— Acho que sei — Will falou com um risinho, me olhando pelo canto do olho.
— Sabe?
Abriu a porta e saímos de lá.
— Sei. Esperar eu terminar de tomar uma ducha pra dividir o mesmo travesseiro que eu.
(…)
Quando abri meus olhos, o crepúsculo já despontava no céu com seus tons de púrpura com finas partes negras. Fiquei durante alguns instantes observando ele pela janela, então suspirei e virei para o outro lado. Will ainda dormia. Aliás, não houve essa de “dividir o mesmo travesseiro” porque quando eu dormi, ele pegou o travesseiro completamente pra ele. Tudo bem, eu não era de guardar ressentimentos. Só um pouquinho.
Ele parecia ter um sono inquieto. Sua testa franzia levemente de vez em quando e seu queixo estremecia. Ele estava sonhando, pois seus olhos se mexiam. Suas madeixas escuras lhe cobriam a testa. Era estranho lembrar que ainda naquele dia havíamos nos beijado. Olhando assim pra ele, estranho demais.
Enquanto olhava sua face, fiquei vendo o quanto a beleza dele era sutil, sem exageros e nem um pouco perfeita, apenas… bela. Dei um sorrisinho e senti meu rosto esquentar.
Os olhos verdes dele me flagraram, durante alguns instantes, a confusão era óbvia, depois ele começou a sorrir.
— Admirando a vista, mô? — ele arqueou levemente a sobrancelha.
Revirei os olhos implorando aos céus que o quarto estivesse escuro o suficiente pra ele não me ver, ou que sua visão ainda estivesse embaçada suficiente pra ele não notar meu rubor.
— Fala sério. Só estava vendo até quando você continuaria hibernando. E sem essa de “mô”.
Então fiquei de costas pra ele. Voltando a olhar a janela, levemente chutei a canela dele.
— Ai — gemeu ele.
Ri com a mão na boca, ainda de costas.
Então gritei quando meu corpo foi direto de encontro ao chão.
FILHO DAQUELE MULHER QUE SE ABRE E SE VENDE POR DINHEIRO. Vulgo puta.
Me levantei calmamente e fervendo de raiva.
— William. Corre — falei firmemente.
Não precisei repetir. Ele pulou da cama e saiu porta à fora.
(…)
Tomei um banho antes de sair do quarto. Vesti um short jeans desfiado e uma camiseta do Nirvana sem mangas. Fiz cachos nos meus cabelos. Nem me pergunte o por quê.
Desci as escadas e encontrei meus pais e os pais de Matthew fazendo churrasco no quintal. O cheiro era maravilhoso. Ainda sim, decidi comer depois.
O céu estava estrelado e o tempo estava fresco. Tempo ideal pra eu ficar sozinha. Tirei meu tênis e os deixei na soleira da porta. Meus pés encontraram areia e descobri que o formigamento que eu sentia me relaxava.
Comecei a caminhar, observando as ondas quebrarem no mar. Depois de alguns minutos de caminhada, localizei umas pedras bem próximas ao mar. Não daria para ficar lá por muito tempo; a maré estava subindo. Mas ainda sim fui e me sentei.
Cruzei os braços, sentindo um arrepio percorrer minha nuca. Abracei meus joelhos, fechando os olhos por alguns instantes. Quando abri, Matthew estava sentado ao meu lado.
Esse garoto tinha a incrível mania de chegar de surpresa que nem me assustava mais. Talvez me irritasse um pouco, mas isso era da minha natureza, então né.
— Hmm — fiz.
— Hmmm — devolveu.
— Que foi?
— Hmmm nada.
— Hmmmm o que é isso na sua mão? — perguntei.
Ele despenteou os cabelos loiros — de uma maneira incrivelmente sexy — antes de estender a mão, exibindo uma concha do tamanho da minha mão.
— Uau! — exclamei encantada. Estendi as mãos para pega-la mas hesitei. — Posso… pegar?
Matthew riu pelo nariz.
— Tome. Ela é sua. Peguei pra você — disse.
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