You And The Stars

12 I'm Nicholas, baby


Notas iniciais
Oi, hoje vou ser breve. Obrigada pelos comentários do último capítulo, foram TODOS perfeitos. Fiz esse tumblr com os personagens e a trilha sonora da fanfic http://fanfic-yats.tumblr.com/ deem uma olhada e vejam a bunda do Matth também heuehueheu sou safada Gente, tô muito triste, tô traumatizada, nunca fiquei tão triste assim por causa de um personagem. Acabei de ver o penúltimo episódio de Skins, cara, foi muito cruel o que aconteceu. Alguém me ensina a parar de chorar? Boa leitura

Peguei a concha com muito cuidado, aproximando-a do meu ouvido direito. Eu nunca havia pegado em uma concha tão bonita e grande antes como aquela. Dizem por aí que se você coloca-la no ouvido, pode ouvir o mar. E agora eu posso garantir que pode.

Quando descolei a concha do ouvido, meus olhos cruzaram com o de Matthew e ele sorriu.

— É legal, né? — disse ele, cruzando as pernas. — Meu avô fazia coleção. Ele morava na praia. Era um sujeitinho legal.

— Bem, conchas são legais. A única pessoa que eu conheci que fazia coleção de alguma coisa, fazia coleção de figurinhas de chiclete — falei torcendo o nariz.

Matthew riu:

— O que vale é a intenção, poxa

— É, acho que sim — dei de ombros.

Fiquei passando a concha de uma mão para outra.

— E aí? Hm… como é que tá com sua família?

O sorriso dele se desfez, sendo substituído por uma expressão de desconforto total. Acho que ele não gostava muito de falar sobre sentimentos. Afinal, quem é que gosta? Acho até que ele havia se arrependido de ter desabafado comigo… era provável.

— Tá lá — disse ele, olhando o mar. — Sabe como é.

Pigarreei.

— Acho que sim.

Será que eu sabia?

— A minha mãe… também não é sempre a melhor pessoa do mundo — falei rapidamente e antes que eu me arrependesse. — Tem horas que ela some. Isso é meio confuso. Mas meu pai nunca faz nada. E ele nunca a tratou mal. Eu queria entender.

Eu riscava o dedo indicador na areia molhada. O que foi que eu tinha feito? Falando sobre isso com Matthew? Eu só podia ter enlouquecido. A única pessoa que sabia inteiramente sobre esse assunto era o Will; Emma não sabia de tudo em riqueza de detalhes.

Matthew bufou com desanimado. O vento batia no cabelo dele, de vez em quando fazendo uma mecha cair nos olhos.

— Acho que uma hora, seja lá o que for que não entendemos, vai passar a fazer sentindo — ele mexeu os ombros —, e aí isso vai simplesmente parar de nos atingir.

Ficamos em silêncio. A maré estava cada vez mais alta. Me levantei e ele se levantou junto.

— É complicado — conclui para encerrar o assunto. — Tô com fome, droga.

— Ah, é mesmo, tinha me esquecido de falar. Sua mãe falou pra você ir na cidade comprar refrigerantes e sal… o que tem aí não vai durar muito.

— Ah, saco! — exclamei irritada. — Ela não poderia simplesmente pegar o carro?

— Seu pai saiu com ele.

Bufei.

— Droga, droga, droga — xinguei entredentes enquanto fazia um coque frouxo em meus cabelos. E o Matthew rindo, achando graça da minha irritação. Palhaço.

— Não tem graça, O.k? Uma garota não pode ter um momento de descanso?

— Mas você dormiu…

— Shhh. Foda-se — girei os olhos.

— Tudo bem. Eu vou com você.

O quê? Iria comigo? Ai caralho, o que eu havia feito pra ser punida com tamanha severidade? Dancei pole dance na cruz?

— Não precisa, Stonem — falei.

— Mas foi sua mãe quem mandou eu ir com você. Ela diz que não quer sua filhinha andando desacompanhada por aí, sozinha, correndo riscos nas quais ela não conseguiria evitar. Ai ela achou um cavalheiro pra guiá-lo, eu.

Encarei-o, me perguntando se ele realmente estava falando sério. Cara, ele não podia ter dito isso que eu havia ouvido, não podia. Abri a boca pronta pra responder, entretanto me calei. Virei as costas e saí andando.

— Ei, ei, não ouviu o que eu disse? — berrou ele, atrás de mim.

Virei e olhei pra ele, com um sorriso sarcástico no rosto.

— Sabe qual é o problema, Matthew? É que seu machismo é tão grande que você acha que todas as garotas são bobocas. Acha que todas elas tem um cérebro do tamanho de uma ervilha.

Ele arqueou a sobrancelha, me convidando a continuar.

— Sério… às vezes eu te acho legal, como dois minutos atrás, mas na maioria das vezes, você se supera, cara. Eu sei que no fundo de quase tudo que você fala, seus pensamentos mais sacanas estão lá. E quando eu percebo isso, eu volto achar que você é um perdido. Um perdido que não vale a pena.

— Ah, nossa, obrigada, Crimsey — ele falou. Parecia quase que… decepcionado, mas o convencimento ainda estava lá. — Devo dizer que… você está completamente errada.

Abri outro sorriso.

— Matth, eu vou dizer o que eu jurei pra mim mesma que nunca admitiria. Eu gosto de observar as pessoas, digo, gosto muito. Nos últimos tempos, eu observei muito você. Conheço seus joguinhos.

— É mesmo? Me observando? Vou computar isso. Reparar não é algo à toa.

— Você não cresce mesmo, né?

— Bem, na realidade não… 1,81 já é altura suficiente, não acha?

1,81? Humilhou. Não falaria minha altura porque senão ele faria bullying comigo. Eu tinha 1,57.

Essa eu não aguentei. Ri alto.

— Vamos lá. Não vou gastar saliva discutindo com você. Vamos comprar logo o açúcar e os refrigerantes.

— Você não precisa gastar saliva discutindo comigo. Você pode gastar sua saliva com outras coisas, por exemplo, com minha boca. Aliás, é sal não açúcar.

Fuzilei-o com o olhar, ele realmente não dava trégua. Andávamos lado a lado. Depois de tudo que eu havia dito, ele parecia ainda mais determinado.

— Não gasto saliva com a boca de qualquer um — sussurrei.

— Oi?

— Nada.

— Ei! Eu ouvi, beleza? Você disse que quer gastar saliva com minha boca. Há!

Chegamos na casa.

— Ai, por compaixão, pare de flertar comigo — implorei enquanto subíamos a escada.

Ele deu de ombros.

— Você é meio louca, sabia disso? Foi você quem disse que quer gastar saliva com minha boca e depois fala que eu que flerto com você — ele disse com tanta seriedade que eu quase — quase! — acreditei.

— Tá bom, Matthew, vou deixar você se iludir — peguei o dinheiro no armário, enfiei na minha bolsa e saímos juntos da casa.

(…)

Pegamos uma estrada que ficava atrás da casa de praia. A cidade não era longe, dava para ver as suas luzes de onde estávamos, realmente visíveis. A cada passo nosso, dava pra enxergar cada vez melhor os prédios, ruas e avenidas pavimentadas. Matthew e eu ficamos o tempo todo trocando ironias. Era incrível a capacidade daquele garoto ser irritante.

Depois de mais ou menos quinze minutos, chegamos à cidade. Estávamos parados em uma praça, com um chafariz no centro, gramas e arbustos enfeitados, postes de iluminação multicoloridos e duas rampas de skate. Ah, e havia vários garotos bonitos, bem, na realidade, bonito era apelido. Digamos que eles deixavam Matthew no chinelo. Percebi que aquele garoto que deu a festa na noite anterior também estava lá. No momento ele usava uma blusa cavada que dava pra ver que ele tinha várias tatuagens no corpo. Tinha também um piercing no lábio que antes eu não tinha reparado. Mas é claro, não eu não deixaria de mencionar, que onde há garotos, há o quê? O quê? Eu sei que você sabe! Vadias! Isso mesmo, havia aos montes lá. Todas de vestidos ou mini-saias (se bem que pareciam tiaras) que quase era possível dar oi pras bundas delas. E só faltavam enfiar a cara dos garotos em seus decotes exagerados.

Percebi logo que o que mais parecia distante daquilo era o dono da festa. Ele estava sentando na rampa de skate cheirando alguma coisa alucinadamente. O que podia ser? Sei lá, pra mim não era normal ver alguém… ah esquece. Já sabia o que ele estava cheirando. Acho que você também sabe. Mas pros lerdos de plantão, pó.

Matthew tirou-me do meu devaneio me puxando pelo braço.

— Não fique olhando pra esses caras — recomendou ele, como se eu fosse um tremenda idiota. Será que eu era?

Ele ainda segurava meu braço, e com força.

— Tá, me solta — resmunguei me esgueirando dele. Dei uma última olhada pelo canto do olho. Senti um arrepio percorrer minha nuca ao notar que agora o cara me encarava fixamente

Atravessamos a rua.

— Afinal, onde é o supermercado? — indaguei.

— Logo ali — apontou com o queixo.

Era bem em frente à praça, um pouco distante da onde estávamos antes. Letreiro vermelho, brilhante, piscante e evidente. Como eu não tinha visto? Ah, é, eu estava muito ocupada admirando a magnífica praça.

— Você pode ir na frente? Comprar? — perguntou Matthew com o rosto corado. — Preciso urgentemente usar o banheiro. A coisa tá f…

— Tá, tá — apressei-me em dizer ao notar sua mão já no botão do jeans. — Só toma cuidado pra não afogar a privada nos seus dejetos.

— Ha ha ha, não foi engraçado — ele disse antes de sumir de vista.

Suspirei e entrei no supermercado. Peguei uma cestinha vermelha pra colocar as coisas e fui na prateleira de refrigerantes. Quando enchi a cesta com latas de coca-cola, fui em direção a outra prateleira. Mas… porra, eu era uma comedora de porcarias assumida. E não eram todos os dias que minha mãe me dava uma bolada de dinheiro. Desfiz o coque do meu cabelo enquanto escolhia qual salgadinho levar: Doritos ou Ruffles. Por um lado, batata é o paraíso, mas nachos de queijo é a lua.

— Dizem por aí… que essas coisas não fazem muito bem a saúde — disse uma voz atrás de mim. Era baixa, rouca e suave. Senti meu peito bater mais forte no peito, com o susto. Virei bruscamente e dei de cara com aquele piercing preso no lábio. Meu deus, era terrivelmente sexy e ao mesmo tempo agoniante.

— Dizem por aí que essas coisas não fazem muito bem aos pulmões — apontei meu queixo para o cigarro entre seus dedos. Pelo cheiro, era de maconha.

Ele riu abafado.

— Bem, diga isso pro seu namoradinho — falou — e… peguete da minha irmã.

Franzi o cenho.

— Namoradinho? Peguete? — perguntei confusa.

— Ele foi lá na boca atrás de folhas e bala.

Arqueei a sobrancelha.

— Dá pra falar em uma língua em que eu entenda?

Ele me fitou dos pés a cabeça.

— Você não é daqui, não é mesmo, princesa? Te vi ontem lá na minha festa.

Senti a raiva tomar conta de mim. Joguei meus cabelos para trás.

— Dá pra falar logo ou quer que eu te dê um soco?

— Ah sei lá. Nem sei o que estou fazendo aqui… é que vi que você me olhava, e isso me pareceu impossível de ignorar. — Ele parecia viajar nas palavras de tamanha calma. — Seu namoradinho, aquele que tava com você antes de entrar no mercado, tá lá na praça comprando maconha e LSD. Mas isso não é dá minha conta, é, gata?

Senti meu corpo ferver. Ele devia estar mentindo. Matthew tinha ido no banheiro! Ele disse! Matthew não usava drogas, porque estaria lá? Ele não usava, usava?

Sorri.

— Você está mentindo.

— Você sabe que não estou.

Ele não parecia estar mentido, e também eu já estava cansada de saber que Matthew não era nem um pouco confiável.

De novo meus olhos pousaram naqueles lábios. Como seria beijar uma boca com piercing? Deveria ser nojento ou… uma coisa diferente.

— Ele não é meu namorado — falei friamente.

O garoto riu. Esticou a mão e a colocou na prateleira de metal para se equilibrar. Me perguntei se, com a mão ali, ele conseguiria perceber o quanto meu coração batia descontroladamente.

— Imaginei que não fosse. Missy só pega caras descomprometidos.

Ah, então a garota chamava-se Missy. E o bagulho dela com Matthew, pelo jeito que ele falava, tinha sido mais do que beijos. Legal

— Isso é problema dele — falei.

Ele abriu um sorriso, exibindo dentes perfeitamente brancos e alinhados.

— É que diferente dela, isso pra mim não é importante.

O rosto dele estava tão próximo de mim que eu conseguia sentir seu hálito. Ele levantou o cigarro e colocou na boca, tragando. Tirou e assoprou a fumaça pelo canto da boca. Senti borboletas no estômago — clichê, bleh, mas não sei outra forma de descrever — e me senti, pro meu desespero, incitada.

Enquanto eu o analisava, soube o quanto ele era errado. A barba mal feita, o cigarro em seus dedos enquanto bem do meu lado havia uma placa avisando que ali era proibido fumar. As tatuagens sinistras, e marcas que pareciam provocadas por brigas. A festa da noite anterior. Como será que ele havia se livrado da polícia? O piercing parecia ser quase um sinal que definitivamente ele era um problema. Ainda tinha o fato de que ele deveria ser uns cinco anos mais velho e ainda sim flertava comigo.

O pior pra mim era perceber o quanto aquilo me atraía. Por que o certo nunca me atraía? Por que o errado parecia ser certo? O mesmo se aplicava a Matthew.

Porra, o que eu estava pensando? Eu nem o nome dele sabia. Tenso pra mim era perceber que eu não tava ligando a mínima pra isso. Eu só queria saber como era beijar uma boca com piercing, mesmo que eu me arrependesse depois. Ninguém iria ver mesmo.

— Se ele é tão ruim na cama quanto Missy é, se eu fosse você nem se arriscava, Sam — fui tirada como que em um choque do meu devaneio. Adivinha por quem? Por quem?! Matthew, claro.

Senti meu rosto enrubescer. O que eu estava prestes a fazer?

O garoto que eu ainda não sabia o nome tirou a mão da prateleira. Fuzilou Matthew com o olhar. Era hoje que Matthew voltava pra casa com uns dois ou três dentes quebrados.

—- Você é um idiota, não sabe o que está dizendo — falou o garoto de nome ainda desconhecido.

— Acho que você é um idiota maior. Samantha não é seu tipo.

"O de piercing" parecia furioso de tão frustrado. Me afastei dele, me sentindo ridícula e assustada.

— Não briguem… vamos embora, Matth — puxei-o pela barra da camiseta.

Então eu vi que “o de piercing” sorria.

— Ficou bravinho, não é? Ela que não é seu tipo, Matthew. Eu sei que você sai fazendo listinha de quantas garotas come por ano. Samantha é só mais uma. Se não fosse assim, você não teria pegado minha irmã ontem — ele falou em um sussurro e então gritou as últimas palavras —, SEU BROXA!

— Cale a boca, seu filho da puta! — gritou Matthew.

Matthew se desvencilhou de mim e avançou pra cima dele.

— Não! Parem! — berrei. — Parem, por favor, parem!

Puxei Matthew pra trás de novo com todas as minhas forças.

— Acalma-se, Matth, acalma-se — murmurei e consegui controlá-lo.

O garoto sem nome deu um passo pra trás, nem um pouco abalado. Sorriu pra mim e depois pro Matthew.

— Acabei de te conhecer, Samantha, mas já sei que ela não é como suas vadiazinhas. Tomara que você perceba logo também.

Ele se virou e caminhou em direção a saída do mercado, porém, de repente, parou.

— Aliás, meu nome é Nicholas. Me chame de Nico — falou com o mesmo sorriso nos lábios. Aquele sorriso parecia brilhar, mas logo percebi que só era a luz batendo no piercing. Segundos mais tarde ele já havia sumido.

Notas finais
Nicholas, seu filho da puta ME PASSEM MÚSICAS TRISTES NOS REVIEWS, EU PRECISO ESCUTÁ-LAS PRA ME DEIXAR MAIS DEPRIMIDA AINDA COM O QUE ACONTECEU COM O MEU PERSONAGEM PREFERIDO EM SKINS. Deixem reviews também sobre o que vocês acharam do capítulo, do Nicholas, da bunda do Matthew e da falta de equilíbrio mental da Sam. Beijos, amo vocês.