You And The Stars
17 Stupidities and you are my wonderwall
Notas iniciais

Eu deveria ser a garota mais azarada do mundo. Provavelmente eu era.
Não fechei a porta quando voltei para o quarto, digo, quando fui para o quarto com as bebidas. Tomei a primeira garrafa, o.k. Liguei a televisão, uma série passava. Minha cabeça girava. O problema de beber é que você nunca sabe até onde aguenta. Tomei a segunda garrafa, o.k. Eu estava péssima, meu mundo girava e eu sentia que faria alguma coisa idiota dali alguns segundos. Se bem que eu já estava fazendo uma coisa bem idiota. Aí eu tomei a terceira, e isso foi a coisa mais idiota que eu fiz. Já não tinha noção de mais nada. Tudo girava, tudo me fazia rir, eu mal conseguir andar sem tropeçar, se bem que mesmo quando eu estava sóbria eu não conseguia, pois é.
Decidi sair do quarto, pra fazer mais burrice ainda. No momento que eu abri a porta, senti uma sensação ruim Fui puxada de volta para dentro do quarto e eu soube que tinha alguém ali comigo. Ouvi o barulho de a porta ser batida e trancada a chave.
Ele dizia alguma coisa. As palavras chegavam de muito longe, e aquelas que chegaram me causaram atordoamento, e algo me dizia que eu deveria sentir medo.
— Fica quietinha, o.k? Tudo vai acabar rápido se você colaborar — era uma voz rouca e calma que me causava um arrepio estranho.
Ele era alto. E algo me dizia que eu deveria ficar apavorada.
Ele se aproximou, e eu achava que suas mãos estavam em minha cintura, e seu cheiro era bom. Minha cabeça girava. Eu não conseguia focar direito no rosto dele…
Eu deveria estar com medo.
Suas mãos tocaram outra parte do meu corpo, e um tempo depois eu saberia que eram meus seios.
Senti algo pressionar meus lábios. Era molhado, e além da língua dele, havia outra coisa ali. Parecia metálico.
Ai meu Deus, aquilo era bom.
Mas era errada e cada vez mais eu me sentia estar sendo invadida.
As mãos dele percorriam todo o meu corpo, e eu deixava. Eu estava tão atordoada que não sabia direito de nada, mas alguma coisa distante gritava para eu sentir medo e fazer alguma coisa para ele parar com aquilo. Outra coisa me dizia que eu deveria aproveitar, que aquilo era bom, e que no dia seguinte eu não me lembraria de mais nada mesmo.
Ele falou de novo.
— Tira a blusa, vamos lá, princesa. Linda.
E quando ele me chamou de princesa, algo me dizia que eu sabia quem era que estava ali comigo. E aquilo me fez o querer mais. E ter mais medo ainda e me tocar que aquilo era errado.
Fiz o que ele pediu. E ele voltou a me beijar. Meu pescoço. Por entre meus seios ainda escondidos pela lingerie. Uma lágrima escorreu dos meus olhos, pois eu sabia que aquilo não estava certo, porém eu queria, eu desejava, e o pior, eu mal conseguia controlar meu corpo.
Minha cabeça explodia e eu sentia meu estômago revirar com a bebida.
Ele voltou a falar, e eu não compreendi.
Ele então apertou minha coxa, com a outra mão na minha cintura, ele me empurrava. Caí em algo macio. Chorei.
— Cale a boca, Sam, isso vai ser rápido. Se você sentir dor. é porque já tá acabando. — Ele me olhou nos olhos e falou alto e claramente — Eu sei que você quer… tanto quanto eu.
E eu queria, mas a parte ainda acordada do meu cérebro não. Essa parte gritava e implorava pra que eu fizesse alguma coisa.
Acerte ele com alguma coisa. Acabe com ele.
E no meio de tudo aquilo, eu me lembrei que não havia tomado meus remédios naquela manhã.
E eu comecei a chorar mais alto. Suas mãos cobriram minha boca e ele cochichou alguma coisa no meu ouvido.
— Shhh. Ainda nem começamos.
Comecei a tatear a minha volta. O criado mudo, deveria ter alguma coisa no criado mudo. Um abajur, talvez. As garrafas. Alguma coisa pra me fazer pará-lo.
Ele percebeu o que eu estava tentando fazer. Afastou o criado-mudo da cama. Eu olhei o rosto dele, sentindo tanta raiva que eu podia destruí-lo ali mesmo, se eu não estivesse tão chapada. E ele tinha alguma coisa nos lábios, um piercing, talvez, e eu sabia quem era. E aquilo me deixava com vontade de tê-lo, mas não, eu não podia.
Ele beijava meu corpo. E eu me sentia suja.
Ele me puxou, me virou, para que pudesse tirar meu jeans. E eu chorei. E meu rosto agora encarava o chão, mas eu ainda estava deitada naquilo que era macio. Senti uma vontade de vomitar. Vomitei.
E ele me trouxe de volta para a posição inicial e puxou meu jeans pelas pernas. Ele alisou minhas coxas.
— … é gostosa — entendi apenas o final da frase. E eu deixaria ele terminar o serviço, eu queria, mas uma parte de mim dizia que eu não podia. E essa parte de mim estava desacordando. Eu iria desmaiar. Antes procurei alguma coisa a minha volta pra atirar nele. Eu odiava ele. Odiava ele por ele estar destruindo minha vida, odiava ele por ele ser o que era. E eu odiava ele por me fazer ainda sim deseja-lo e eu odiava ele por estar no controle sobre mim, e ninguém nunca me controlara daquele jeito, a não ser os remédios que eu havia esquecido de tomar naquela manhã. Comecei a gritar. Arranhei o rosto dele, pois percebi que escorria sangue de sua face. Ele não podia me ter daquele jeito. Mas eu queria tanto…
Ele pressionou o corpo dele com mais força sobre o meu.
— Não tente mais nenhuma gracinha, o.k? Ninguém sabe que você está aqui comigo. Ninguém. E hoje você é minha, gata. Querendo ou não, você é minha.
E eu deixaria que ele fizesse o que quisesse comigo. Porque eu queria, mas eu o odiava por isso e por tudo. E eu deveria acabar com ele por isso. Se eu tivesse alguma coisa, eu matava ele ali mesmo. E eu nunca mais o desejaria.
E ele estava em cima de mim. O calor do corpo dele estava em choque com o meu. E algo me fazia vibrar de prazer, e outra parte de mim implorava para aquilo terminar logo, implorava para eu estourar a cara dele.
Ele selou nossos lábios em um beijo desesperando e ávido. Sua língua praticamente me sufocava. Sua boca era quente, mas o piercing era frio, o que me causava um arrepio bom. Coloquei minha mão na nuca dele e fechei minhas pernas em volta de seu quadril. Aquilo era bom pra porra. E errado pra caralho. Ele traçou uma linha de beijos no meu pescoço, brincou com o fecho do meu sutiã, mas não o abriu. Ele sugava meu pescoço, por entre meus seios, e eu fazia esforço pra não gemer alto e chorar.
Eu estava gostando. Era difícil de negar.
Minha mente era uma confusão. Eu tinha tanto medo. Tanto desejo. Só que eu tinha uma parte que sabia que aquilo daria em merda. A parte que me sentia suja de receber os toques dele.
Eu ainda tentava descobrir qual parte era maior: A parte que queria e a parte que não podia. Provavelmente competiam.
Ele me deu um último beijo antes de sair de cima de mim. Para tirar seu jeans. E eu voltei a chorar. Os soluços saiam de mim como minha última marca de acabar com aquilo. E meus sentidos pareciam tão embaraçados quanto um novelo de lã. E finalmente eu iria desmaiar, e quando eu acordasse, eu esperava não lembrar de mais nada. O que aconteceria depois, para sempre estaria perdido na minha mente. E outra lágrima caiu do meu rosto. E quando eu fechei meus olhos, certa que seria o fim, alguém gritou meu nome, de muito, muito, longe.
Pov’s Matthew
Arrombei a porta e entrei no quarto atrás de Will. Samantha estava na cama, apenas de lingerie. Will foi primeiro até ela. O rosto de Samantha estava vermelho e ela parecia ter chorado. Estava desacordada. O quarto impregnava um cheiro de vômito, colônia barata masculina, álcool e maconha. Demorei cinco segundos para perceber Nicholas no canto quarto e demorei dois segundos para derrubá-lo no chão e enfiar um soco nele.
O cara parecia estar drogado.
Ele revidou. Levei um soco no rosto e um no estômago, mas minha raiva era maior. Samantha estava bêbada, nem eu, o maior idiota do mundo faria isso com alguém. Eu estava furioso, ele não tinha aquele direito. Só que Nicholas ainda era mais forte do que eu, e deveria ter uma longa ficha de brigas.
Pensei que não fosse aguentar, eu não conseguia mais me defender, os socos viam sem parar e a dor também. Mas então alguém o empurrou e ele caiu no chão. Era Will. Will começou a chutá-lo e a socá-lo e eu me juntei a ele.
— Quem é você? — Will gritou enquanto o esmurrava. — Seu grande desgraçado! Filho da puta! Vou acabar com você, seu covarde. Não deveria ter mexido com Sam. Você já era.
Will estava mais furioso do que eu. Batia nele com tanta força que o rosto de Nicholas começou a soltar sangue da boca e do nariz.
Eles cuspia sangue sem parar. Mas não importava, ele merecia, aquele lá nunca mais iria tocar em nenhuma garota indefesa. Nunca mais.
Chutei o estômago dele. Will e éramos capazes de matá-lo.
Mas Samantha acordou chorando.
Will não ouviu e continuou batendo nele. Eu o soltei. Ela chorava com desespero. Tirei minha Camiseta e corri até ela. A abracei com força. Ela não se desvencilhou. Começou a chorar com mais força. Ela também me abraçou e eu beijei o topo da cabeça dela, sentindo medo, sentindo raiva, sentindo tanto ódio de Nicholas que naquele instante descobri que ninguém podia mexer com Samantha sem mexer comigo, pois ela era marcada para ser minha. Só minha.
Ajudei ela colocar a camiseta. Abracei-a novamente e ela vomitou em mim. Tomei noção que Will ainda batia em Nicholas. E se aquilo não parece, a coisa ia feder pro nosso lado.
Deixei Sam na cama e segurei Will.
–- Chega, cara, se a gente matar ele, a gente é que vai se foder.
E Will parou, se jogou no chão, deveria estar exausto.
Agachei no chão e chequei a respiração de Nicholas, ele ainda estava vivo, apenas desacordado.
— Chame a polícia — falei, respirando de alívio. — Denuncie-o por estupro, mesmo que ele não tenha conseguido consolidar o ato.
Will se levantou e correu até Sam. A abraçou com força. Distribuiu beijos por toda a face dela. Sussurrou alguma coisa em seu ouvido e ela chorou mais ainda, assentiu e caiu na cama, desacordando novamente.
Ele pegou o celular, e enquanto chamava a polícia, entrei no banheiro e joguei as drogas que eu tinha no bolso na privada. Dei descarga. Ainda bem que eram poucas.
Saí do quarto e dei um jeito de me livrar de toda aquela gente que estava na casa. Me perguntei sobre como Nicholas tinha tido a cara de pau de aparecer na casa mesmo depois da nossa treta no mercado. Ele era o pior idiota e hipócrita que eu já tinha tido o desprazer de conhecer. Até mais pior que eu.
Vinte minutos depois e a polícia já estava na casa. Fez um milhão de perguntas. Falei que eu era o responsável pela festa, falei que nossos pais haviam saído e só voltavam na manhã seguinte, fui sincero.
Eles subiram as escadas e entraram no quarto. Will a havia levado para outro quarto e naquele momento contava o ocorrido para Emma e para o Josh, que não haviam deixado de socarem Nicholas depois de ouvirem tudo.
A polícia levou Nicholas. Descordou do fato de termos batido nele, alegamos que foi em legítima defesa. Eles pediram o celular dos pais de Samatha e dos meus, fui obrigado a passar. Eles disseram que voltariam mais tarde, depois de levarem Nicholas. E eles se foram.
Emma começou a chorar. Entrou no quarto em que Samantha estava, no quarto dos pais dela. Abraçou uma Samantha desacordada.
Josh brigou comigo, me xingou de todos os nomes possíveis por fazer aquela festa. Não discuti, ouvi em silêncio.
Will tinha sumido. Quando voltei ao quarto de Sam, ele estava limpando-o.
Entrei no quarto e ele não ergueu os olhos para me olhar. Parecia ainda furioso.
— Will? — chamei.
Ele me encarou.
— O que quis dizer com que Sam toma remédio controlado? — indaguei, confuso. Será que Samantha tinha alguma doença séria?
Ele suspirou.
— Sam tem Transtorno bipolar. Ela toma remédios para isso, e é arriscado ela misturar com bebidas alcoólicas. Você não achava normal as mudanças de humor dela, não é? Mesmo com você, nunca foi normal. Com os remédios ela tem o controle do que faz. Mas talvez, só talvez, ela tenha esquecido de tomar os remédios hoje, por isso bebeu, ela costumava fazer esse tipo de coisa quando não sabia que era bipolar. Ou quando estava com raiva e não tomava de propósito. Aquele cara… ela podia ter matado ele, se estivesse menos bêbada.
— Ela bem que podia.
Ele me fitou. Uma fina ruga se formou em sua testa.
— Posso te pedir uma coisa, Stonem? — perguntou Will, sério.
Fixei meu olhar no dele, convidando-o a continuar.
— Se afaste dela. Você só traz problemas pra vida de Sam.
Ele saiu do quarto antes que eu respondesse.
Que sim. Que eu me afastaria dela.
(…)
Entrei no quarto dos pais de Samantha. Ela dormia na cama. Estava limpa, Emma tinha dado um banho nela e naquele momento parecia que nada havia acontecido, de tão serena que ela parecia estar.
Sentei perto da cabeça dela. Tirei uma mecha loira que caía em seus olhos. Alguém havia colocado o celular dela em cima da mesa de cabeceira. Peguei ele. Estava sem senha. Fui em sua playlist. A música mais tocada era Wonderwall, Oasis, seguida por 21 guns, Green day.
Suspirei. Da janela daquele quarto dava para ver as estrelas perfeitamente, não tão bem quanto no quarto dela, mas dava. A lua jogava no rosto de Samantha um brilho prateado. Se algum anjo aparecesse na minha vida, teria a exata aparência de Sam naquele momento.
Comecei a cantar baixinho Wonderwall, a música favorita de Sam, a música que a partir daquele momento também se tornaria a minha.
— Today is gonna be the day
That they’re gonna throw it back to you […]
on’t believe that anybody
Feels the way I do
About you now […]
Backbeat the word is on the street
That the fire in your heart is out […]
And all the roads we have to walk are winding
And all the lights that lead us there are blinding […]
Because maybe
You’re gonna be the one that saves me
And after all
You’re my wonderwall […]
I said maybe (I said maybe)
You’re gonna be the one that saves me (that saves me).
Ao terminar, reparei que ela tinha um fino sorriso nos lábios. Ou talvez fosse impressão minha. Dei um beijo na testa dela e saí do quarto, sabendo que a partir daquele momento tudo tinha mudado.
Pov’s Matthew OFF
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