You And The Stars

20 Punches and cries


Notas iniciais
Ei, ei, ei, tô com um pouco de pressa e vou ser rápida, enfim, esse é um dos meus capítulos preferidos! Espero que vocês gostem dele tanto quanto eu Boa leitura e até lá embaixo.

— Samantha, Samantha, acorda!

Abri meus olhos com sérias dificuldades. Que porra! Quem havia ousado me acordar no meu precioso sono de beleza? Opa, pera, que beleza? A claridade do quarto tornava difícil enxergar qualquer coisa. Depois de alguns minutos em que eu fiquei verdadeiramente grogue, notei que minha mãe me observava com impaciência.

— Por que não arrancam logo essa porta?! Ninguém nunca bate mesmo! — exclamei, sonolenta.

Ela suspirou.

— Samantha, eu arrumei um psicólogo para você.

Afundei a cara no travesseiro.

— Uhum, legal. Tem comida lá?

— Eu tô falando sério.

— Eu também.

— Samantha, você precisa dele. É o sr. Richards, ele irá te ouvir e você poderá confiar nele. Eu sei que você tá tão abalada quanto eu sobre aquilo que aconteceu entre você e o drogadinho.

Nossa, que droga, realmente nunca me deixariam esquecer aquilo.

Mas, me digam, era mesmo necessário tudo isso? Eu já estava conseguindo superar sozinha, como eu sempre conseguia. Se é que eu tinha alguma coisa pra superar. E é isso aí, eu não tinha nada para superar.

— Mãe, eu tô pouco me lixando para o meu estado psicológico e emocional e blá blá blá. Eles já estão fodidos há muito tempo.

— Olha a boca, moça.

— Amanda, me deixe em paz.

— Amanda? Amanda? Desde quando você me chama de Amanda? Para você é mãe.

— Desde 5 segundos atrás, Amanda.

Ela suspirou

— Sammy, eu marquei o psicólogo para você. Ele é a 10 minutos daqui e eu vou te levar de carro até lá. E nós não vamos discutir. Pode continuar me chamando de Amanda, se quiser.

Ouvi ela se aproximar da cama e fazer um carinho no meu cabelo. Estremeci de raiva.

— Vou deixar um copo de água e o seu comprimido aqui, está bem? Não se esqueça de tomar — disse ela. Sua voz era repleta de ternura.

Ouvi o copo se chocar no criado mudo e alguns segundos depois a porta se fechar levemente.

Ergui a cabeça do travesseiro e escorei na cabeceira da cama. Abracei meus joelhos e afundei meu rosto nele.

Alguns segundos depois, joguei o comprimido na água e fiquei observando ele se dissolver. Quando isso aconteceu, joguei toda a água no vaso de planta que havia no parapeito da janela.

(…)

Vesti um moletom velho, uma calça jeans qualquer e um all star surrado. Ainda não eram dez horas. Todos já haviam se levantado. Todos estavam se divertindo e eu teria que ir pro tal psicólogo.

E assim eu fiz. Minha mãe me levou até lá e durante uma hora fui obrigada a falar sobre meus sentimentos para um cara que eu nem conhecia, mas afinal, quando fui embora, descobri que eu me sentia melhor.

— E aí? Como foi lá? — perguntou minha mãe.

— Foi tudo bem — observei as ruas por sob a janela do carro. Os outros carros, adolescentes, velhos, o semáforo e uma mulher adulta que talvez também tivesse uma filha de quinze anos. Me perguntei se aquela mulher era tão pé-no-saco para a suposta filha dela quanto a minha mãe era para mim.

Amanda sorriu, no banco do motorista do carro.

— Relaxa, Samantha. Falta menos de um mês para voltarmos para casa.

(…)

Ao chegarmos na casa, fui para a praia. Ela estava lotada.

Tipo, lotada para caramba. Fiz um coque mal-feito no meu cabelo e procurei um lugar para me enfiar. Mas como eu já disse, lá estava lotado. O mais inteligente seria eu ter ido para a área particular da praia, mas como vocês já devem ter percebido, eu sofro de ausência de um cérebro.

Enquanto eu caminhava pela areia, tentava ao máximo não esbarrar em ninguém. Só para constar: fazia dois dias desde o episódio em que Emma tirará a calcinha para o Josh, o que significava que fazia mais de quatro dias que Matthew e eu não nos odiávamos mais.

Só naquele momento eu percebi que todas as pessoas ali faziam aquelas coisinhas chatas que mostram em filmes. Tipo, as vaidosas de bunda para cima pegando um bronzeado, os caras exibindo os músculos, as crianças jogando frisbee e construindo castelos na areia. Gente, será que originalidade não existia?

Desfiz o coque de meu cabelo e um panfleto chamou minha atenção, ele estava no chão. Peguei ele. Era simples e estava sujo. Em papel pardo, dizia: "Campeonato de Vôlei, inscreva-se e participe das eliminatórias!".

Bufei. É, originalidade estava em falta. Amassei-o e atirei ele na lata de lixo mais próxima.

Por que eu simplesmente não conseguia tirar Matthew da cabeça? Era tudo o que eu pensava enquanto eu tentava me distrair com aquelas coisas banais. Tudo bem que ele era lindo, tudo bem que ele era gostoso, tudo bem que o timbre da voz dele era perfeito, tudo bem que ele tinha a fórmula certa de me tirar do sério e me fazer rir de verdade, tudo bem que ele não me pertencia… e tudo bem que ainda sim ele não conseguia me fazer tão bem quanto…

PORRA. Alguém. havia. encostado. em. mim. Pior, tinha me empurrado. Por um milésimo de segundo que alguma maldita pessoa não havia me feito comer areia. Olhei para o lado e vi uma ruiva irritante dando risadinhas com a amiga dela e olhando para mim como se eu fosse uma bosta mal cagada de algum cachorro sarnento.

Ela estava se juntando a um grupo enorme de pessoas que formavam um circulo e aplaudiam alguma coisa enquanto enchiam a cara de comida. Ela estava indo pra lá, mas não enquanto eu estivesse de péssimo humor.

— Ei — chamei. A ruiva olhou para trás. Mentira, ruiva nada, o cabelo dela era vermelho, para mim aquilo não era ruivo. — Olha para onde anda, palito de fósforo.

E com aquele cabelo e uma magreza exagerada, ela parecia mesmo um palito de fósforo.

Ela me encarou dos pés a cabeça. Se afastou da amiga dela e andou até mim. Parou na minha frente. Colocou a mão no meu ombro e me empurrou levemente para trás. Observação: ela era alta.

Nessa altura, a amiga dela já havia chegado. E adivinha quem era a amiga dela? Eu sei que você sabe, é claro que você sabe. Dica (1): começa com M e termina com y. Dica (2): o irmão dela tem piercing no lábio inferior. Dica (3): há alguns dias o irmão dela tentou me comer.

Missy.

— Olha para onde anda, você. Tá ligada? Olha para onde anda, você! — disse a “ruiva” desaforada. Ela me empurrou com mais força e dessa vez eu podia jurar que ia cair. Mas não caí. Bem, aquele dia era meu dia de sorte. Não era qualquer dia que eu acordava com equilíbrio corporal e me esquecia do mental, mas não vamos nem comentar, O.k?

Elas deram risada da minha cara e se dirigiram de volta para o tal grupo que eu só percebi dois segundos depois que era o tal campeonato de Vôlei quando uma bola voou para perto de mim.

Quem ela pensa que é? Quem ela ousa pensar que é? — a ruiva falava para Missy.

— É uma coitada — disse Missy caindo na gargalhada.

A ruiva riu junto.

— Ela é um nada.

E eu juro que se eu tivesse caído, eu não ia ouvir ela e talvez, só talvez, eu ficaria sem reação. Mas não bem foi isso que aconteceu.

Andei até elas segurando o fôlego e sentindo meu rosto quente de raiva. As duas estavam paradas assistindo a partida, provavelmente nem lembravam mais da minha existência.

Cutuquei o ombro da ruiva, antes que toda minha coragem fosse embora. Ela se virou sorrindo, um sorriso tão falso quanto o cabelo que me lembrava a tomate estragado. Fechei minha mão em punho.

EU SOU SAMANTHA CRIMSEY, PORRAe antes que alguém me segurasse, minha mão já havia socado a cara dela. E VOCÊ? QUEM É!?

Ela caiu. E a próxima foi Missy.

Um urro surgiu do grupo que observava. Alguns horrorizados, outros achando graça e me incentivando a bater mais nelas.

Acho que foi por isso que as pessoas da escola não faziam bullying comigo. Quero dizer, eu não era horrível e não tinha um nariz esquisito e uma magreza doentia, mas eu era na minha até demais, e isso já é motivo pra ser alvo de chacota. Mas não. Ninguém se arriscava. Principalmente porque na 5° série eu havia arrancado dois dentes de um idiota babaca que havia me chamado de esquisita.

Eu respirei fundo, dei uma gargalhada e antes que eu batesse em mais alguma idiota à la biscate, alguém me agarrou, me jogou nos ombros e saiu me carregando como se eu fosse um saco de batatas.

— Me solta, caralho — esmurrei as costas dele. E eu tenho certeza que você sabe quem é “ele”

— Não, Sam, você podia ter apanhado, sabia? Aquelas meninas são tretas — falou Matthew. — Desiste, eu não vou te soltar.

— Urgh, eu odeio você — falei ainda esmurrando as costas dele.

Ele continuou me segurando, como se não sentisse nada.

E depois de vários minutos ele me colocou no chão. Estávamos na área particular da praia.

— Seu ogro! — xinguei.

— Fiona! — rebateu. — Caramba, você bateu nelas legal.

Bufei de novo.

— O que você estava fazendo lá? Que saco, por que você nunca fica na sua? É tão difícil assim cuidar da própria vida?

— Eu tava participando do vôlei, e muito obrigado por me desclassificar — falou cruzando os braços

— Disponha — falei com um sorrisinho.

Matthew fez uma careta.

— Sua maluca sádica.

— Seu otário xereta.

Ele respirava com dificuldade. Parecia estar cansado por ter me carregado. Mas foda-se, eu não havia pedido para ele virar meu cavalo.

— Por que você fez isso, Sam?

Demorei um pouco pra responder, e de repente eu senti vontade de chorar. Maldito nó na garganta. Maldita raiva, a única coisa que me fazia não conseguir conter as lágrimas.

— Elas pediram — murmurei.

Matthew segurou meu rosto pelo o queixo, me obrigando a olhá-lo nos olhos.

— Você tá chorando? — sussurrou ele.

— Não — respondi baixinho. As lágrimas escorriam dos meus olhos.

Ele soltou meu queixo e limpou minhas lágrimas delicadamente com a ponta dos dedos.

Matthew sorriu.

— Você é completamente maluca. Mas eu gosto — disse. — Vai me falar o que aconteceu?

— Eu… não sei.

— Não sabe se vai me falar?

— Não sei o que aconteceu.

Ele suspirou.

— Tá, não faz mal. Deve ser sua bipolaridade. Tenho que me acostumar com ela. — Ele me olhou desconfiado. — Tomou os remédios hoje, garota?

— Não é da sua conta — disparei.

— Sam, caralho.

— Não tomei, e daí?

— Nada. Você é legal quando fica doidona — ele deu um soquinho de leve no meu ombro.

Meus olhos novamente voltaram a encher de lágrimas. Eu me sentia tão deprimida. Meu coração batia forte no peito, aquela droga de nó na minha garganta. As lágrimas caíram, e eu murmurei entre os soluços, sem saber o por quê exatamente eu estava perguntando aquilo:

— Matthew… você gosta de mim?

Notas finais
Eu adoro quando a Sam fica doidona *-----* O que vocês acharam desse capítulo? espero que tenham gostado, sei lá. Deixem reviews, amo amo amo reviews Amo vocês