You And The Stars
21 The closet
Notas iniciais
Pov’s Matthew
O sol batia bem no rosto dela, deixando-a mais bonita e seu cabelo mais claro ainda. E Samantha parecia tão triste. Peguei suas duas mãos e fiz uma leve carícia com meus polegares.
— Ei… a gente já conversou sobre isso — falei.
— Eu quero ouvir de novo. Você gosta de mim?
Olhei para ela. A testa levemente franzida, o rosto corado, as lágrimas delineando sua face, o queixo tremendo, algumas mechas colando no rosto. Soltei as mãos de Samantha e coloquei a franja dela atrás da orelha.
— Cada dia mais.
E lá estava a minha chance. A chance de fazer o que eu sempre quis. A chance de fazer ela ser minha, a chance de tê-la, a chance de acabar logo com aquilo, acabar logo com aquele desafio que eu havia feito para mim mesmo, possui-lá, mas…
— Me beije — murmurou ela.
Olhei para Sam com cara de tacho. Aquilo não estava certo.
— Eu te desafio — sussurrou. — Eu… te desafio.
Ela se aproximou mais de mim. Eu podia sentir seu hálito doce, seu lábios rosados… tão próximos. Só um beijo, só um beijo, e isso já seria suficiente pra desistir de tudo, só aquele beijo…
— Cale a boca. Você não tá legal — me afastei dela antes que fosse tarde. — Vem, vamos entrar.
Peguei a mão dela e a puxei dali. Se eu me arrependesse daquilo mais tarde, juro que cometeria suicídio.
— Você é um broxa mesmo — disse ela entredentes.
Sorri.
— Eu não tenho pressa, apenas isso.
— Bem, que bom, porque você não vai ter outras chances de me comer, o.k? — disse com a voz trêmula.
Olhei-a pelo canto dos olhos.
— Vamos ver.
Entramos na casa. A mãe dela cozinhava.
— Amanda, Samantha não tomou o remédio essa manha — falei.
Sam me olhou com raiva e eu pude jurar que se ela tivesse algo na mão naquele instante, iria ser arrebentado na minha cabeça.
Só que ela apenas se virou pra mim e apontou um dedo na minha direção antes de fugir para o quarto.
— Você é um otário. Um otário de marca maior. Eu odeio você, babaca
Fiquei observando ela sumir escada acima.
Amanda suspirou.
— Não ligue. Você se acostuma.
Certo, alguns minutos atrás ela havia quase me beijado, e agora ela me odiava.
Acho que eu podia me acostumar.
(…)
— Ei, Josh — chamei.
— E aê — disse ele.
Estávamos em um quiosque, no mesmo quiosque que eu havia conhecido Missy.
— Tudo bem? — perguntei.
Josh abriu um sorriso.
— Tudo ótimo.
Dei uma risada.
— Claro. Esqueci que você anda trepando.
Ele deu uma risada sem graça.
— Pois é. Olha, você mal chegou e elas já estão olhando pra você.
Olhei para onde ele olhava. Uma morena alta mandava olhares discretos para minha direção.
— É gata — ponderou Josh, tomando uma coca-cola diretamente da lata.
— É — murmurei olhando para os seios dela sob um fino vestido florido. Desviei os olhos. — Não tô afim agora. Ainda não deu nem meio dia.
Josh me olhou boquiaberto.
— O quê? Desde quando você tem hora?
Uau, eu realmente não tava afim, só isso.
— Sei lá. Eu só não tô afim.
Procurei no bolso do meu jeans um cigarro. Acendi e traguei.
Josh meneou a cabeça.
— Quem é você e o que fez com o Matthew.
Só porque eu não tava afim.
— Ei, sou eu ainda.
— Claro — ironizou.
Fez-se um silêncio chato. Afinal, o que tava acontecendo comigo?
Pigarreei.
— Quando você vai pedir a Emma em namoro?
Ele deu um sorriso bobo.
— Eu não sei. Acho que logo. Eu gosto dela. Tipo, bastante.
— Você sempre foi bom nessas coisas.
— Que coisas?
— Se apaixonar. Sentir. Eu nem acredito que isso exista. Amor.
— Matthew, sem querer ofender, mas eu nem sei porque eu sou seu amigo. Você é um maior babaca.
Traguei o cigarro novamente e soltei a fumaça. Girei os olhos.
— Você é meu amigo porque quando eu faço cagada, alguém precisa limpar o cocô.
Uma carranca se formou no rosto dele. Daí eu fiquei sem entender, não tinha sido engraçado?
— Ah, nossa, me sinto lisonjeado.
Soltei uma gargalhada.
— É brincadeira, Joshua. Você é meu amigo porque somos como catchup e maionese.
— Tá, chega de falar. Olha, ela ainda tá olhando pra você. — Ele deu um gole no refrigerante. -- Ela tem belos peitos.
Nem me dignei a olhar. Até porque, eu já tinha checado.
— Não vai rolar — fitei ele e estendi meu cigarro. — Toma.
Josh fez uma careta.
— Não, muito obrigado. Mas, me fale, já conseguiu tirar a calcinha da Sam? Ou desistiu?
Coloquei o cigarro nos lábios.
Se eu falasse pra ele que havia desistido, ele iria me chamar de viado, gay, cabaceiro, boiola e outros termos muito… desagradáveis.
— Por que tá me perguntando isso? Vai bancar o babaca também? — falei e franzi a sobrancelha.
— Eu nunca faria o que você faz, sabe disso, mas eu tô torcendo que você consiga a Samantha.
— Ela é amiga da Emma.
— Tanto faz. Eu gosto da Emma, não dela.
Suspirei.
— Não. Eu não desisti — desviei o olhar.
Ele olhou pra mim e deu risada.
— Ela é difícil, né? Não, pera… impossível. Já estamos há um mês nessa joça e você não conseguiu arrancar nem um selinho dela.
Ah, que saco. Tá vendo que merda que é quando você conta para seu amigo que quer tal garota mas de repente dá uma arregada?
Eu podia tê-la beijado naquela mesma manha. Por que eu não havia beijado mesmo?
Você está deixando de ser filho da puta.
— É só uma questão de tempo — falei me escorando na cadeira e amassando o cigarro com o calcanhar. — Josh… se eu te disser que…
— Aquela loira tá olhando pra mim — disse ele.
… estou gostando dela, acha que estou ficando louco? Quero dizer, eu nem sei o que é sentir, como já falei.
— É bonita, mas a Emma é mais — sussurrei aborrecido.
— Eu sei, só comentei. Mas o que você tava dizendo?
Fiz um muxoxo.
— Nada, esquece.
(…)
No meio da tarde voltou a chover. E estava ficando entediante ficar trancado dentro da casa. Eu conseguia pensar em milhares de coisas para me ocupar, mas a merda da chuva nos obrigava a ficar embaixo de um teto.
Emma e Josh haviam conhecido três garotas e dois garotos na praia. Pelo que eu havia notado, eram todos surfistas. As meninas até que eram gostosinhas. Duas semanas atrás e eu daria um jeito de comer as três de uma vez. Duas semanas atrás.
E isso fazia eu me perguntar se estava tudo bem comigo e coisa e tal.
Essa gente que Emma e Josh haviam conhecido estavam na casa. O que para mim era até divertido, zoar com bastante gente é sempre legal e logo eu descobri que os caras usavam drogas, ou seja, dinheiro para mim.
De qualquer jeito, estávamos todos no quarto da Samantha — e só para você saber, ela não parecia nem um pouco feliz com aquelas garotas desconhecidas por lá sentados no tapete em roda. Alguém havia tirado os colchões de Emma e Will do chão e recostado-os na parede. E estava todo mundo conversando. Interrogando aqueles cinco desconhecidos. Logo eu descobri que uma garota chamava Sophia — baixa, um pouco acima do peso com cabelos cor de mel — a outra Anna — morena, alta e magra -, e a última chamava-se Jill — a mais bonita com um cabelo multicolor -, e os garotos chamavam Greg e Peter. Acho que não tem necessidade falar das aparências, né? Se algum dia eu virar gay, talvez eu fale.
— Isso aqui tá meio entediante — falou Greg,
Sophia deu risada.
— Meio? Isso aqui tá muito chato.
— É, sei lá. Tá faltando emoção — falou Jill.
— A janela tá ali para o caso de algum de vocês quiserem se jogar — falou Samantha sentando-se ao meu lado. — Seria bem emocionante.
Tapei a boca dela.
— É brincadeira — falei dando risada.
Ela me deu um tapa e eu a soltei.
Ah não, ela não iria ter uma ataque de grosseria. Não perto de mim.
Samantha ficou quieta. Graças.
— Ha ha ha. Engraçado — disse Anna completamente séria.
— Samantha tem um humor aguçado — disse Will com um sorriso.
— Pode apostar que sim — assentiu Sam, arqueando a sobrancelha.
— Mas e aí? Vamos ficar no tédio mesmo? — reclamou Peter.
— A porta da rua é a serventia da casa — murmurou Sam.
— Oi? — disse Sophia com enormes olhos pregados na Samantha.
— Hein? O quê? — debochou Sam.
Josh e Emma eram os que estavam mais afastados, se beijando em um canto. Irônico, não? Eles que trouxeram aquela gente pra casa e agora não davam a mínima bola.
— Sabe o que seria bom agora? — falou Anna.
— Uma fatia gigante de pizza — sussurrou a loira do pavio curto.
— Não! Sete minutos no céu — Anna disse batendo palmas.
Samantha abriu um sorriso debochado.
— Ah, sei. As vadias com fogo no rabo da nossa escola costumavam jogar isso com vocês, né não, Will? Matthew? — disse. Ai, minha nossa senhora da bicicletinha, ela não podia por pelo menos um dia ser menos chata?!
— Vadias não, Samantha. É que esse jogo é divertido — murmurei.
Algo me dizia que Samantha estava comprando briga.
Jill se levantou e notei que discretamente ela tirava a calcinha atolada na bunda sobre um short mega apertado. Mas super discretamente, sério.
— Sete minutos do céu é o máximo! A gente arruma duas tigelas. As meninas escrevem seus nomes em papéis e colocam em uma tigela, os meninos fazem o mesmo, mas colocam na outra tigela. Alguém é sorteado e puxa algum papel. Vendamos ela e dependendo de que nome veio no papel, a outra pessoa vai para o closet com ela e faz o que quiser com ela lá dentro. Com os olhos vendados. Compreenderam? — explicou Jill.
— Sei… alguém é obrigado a ficar no meu closet, vendado, enquanto o outro faz altas putarias com essa pessoa, sem que ela possa impedir, certo? Durante sete minutos — disse Sam, pensativa.
— Exatamente isso — disse Peter.
— Sei. — Sam se virou pra mim e para Will — brincadeira de vadias com fogo no rabo.
— Ah, qual é, Sam. Vamos brincar. Eu prometo que não faço nada que não queira se você cair comigo -- falei.
— Sem chances.
— Samantha, você tá na sua casa. Se alguém passar do limites com você, é só dar um soco no olho e mandar embora. Acabou o problema — disse Will.
— Na realidade essa casa não é minha, é alugada.
Will bufou.
— Tanto faz. Eu vou brincar.
Sophia se levantou também.
— E aí? Quem vai brincar?
Eu e Will erguermos as mãos. Greg, Peter, Jill e Anna também.
— Ótimo. Pode pegar as tigelas, Matth? — falou Jill com um sorriso amarelo.
Retribui o sorriso. Aquela já era minha.
Pena que eu não queria.
Cinco minutos depois, voltei com as tigelas. Três minutos depois, todo mundo já havia dado os nomes. Menos Sam, Emma e Josh, mas Emma e Josh não iam brincar, eles não estavam afim de fazer putarias com outras pessoas a não ser com eles mesmos.
— Coloca seu nome lá logo, porra — falei para Samantha.
— Não — disse com convicção. Maldita!
— Anda logo, garota. É só uma brincadeira.
Ela estava encostada na parede do quarto. Eu segurava um pedaço de papel e uma caneta.
Me aproximei, estendi meus dois braços na parede, prendendo ela no meio. Samantha arqueou a sobrancelha. Mordi o lábio.
— Eu não vou brincar disso, Matth -- disse.
Sorri, provocativo.
— Digamos que você leve a venda nos olhos e que eu possa fazer o que quiser com você, eu inverto os papéis. Eu deixo você fazer o que quiser comigo. Ninguém vai saber mesmo. Eu vou ser todinho seu.
— Pena que eu não quero fazer nada com você.
Dei uma risada.
— Facilite as coisas, Crimsey. Só hoje, por favor, por favor. Se você jogar esse jogo e se arrepender, eu prometo que nunca mais encho o seu saco.
Samantha colocou a franja atrás da orelha.
— Você já fez essa promessa e tá aqui agora.
— Vamos lá, loira. Chegar aos 40 e não se arrepender de nada que tenha deixado de fazer, hein?
Ela suspirou.
— O.k. Eu vou brincar dessa porcaria. Mas juro que enfio a cabeça de alguém na sua bunda se passarem dos limites comigo.
— Fica tranquila. Eu tô sentindo que hoje quem vai para o closet somos nós dois juntos.
Dei o papel para Sam e ela escreveu o nome.
Sophia colocou o nome na tigela.
Mandaram Josh pegar um nome de alguma garota para ser a primeira à pegar o nome de um garoto na outra tigela.
Josh leu o nome com um sorriso sarcástico:
— Sam Crimsey.
Dei uma risada.
Samantha de cara feia foi até a tigela com os nomes dos meninos.
Com certeza seria eu que seria o escolhido. Eu tinha sorte com essas paradas.
Ela pegou o papel. Parecia nervosa. Abriu. Suspirou, jogou os cabelos para trás e um fino sorriso se abriu no rosto dela:
— Will Carter.
Olhei para o lado e lá estava o filho da puta. Ele tinha um sorriso malicioso brincando nos lábios. Samantha também.
Pov’s Matthew OFF
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