You And The Stars

33 Kiss me, idiot


Notas iniciais
Hi! Eu meio que tenho um amor eterno por esse capítulo e espero que vocês também tenham :3 Tô postando da sala de estágio, no meu computador, comecei mais cedo do que o previsto. Por enquanto as coisas estão calmas e acho que vão ficar por tempo suficiente, dando para eu escrever por aqui e finalizar essa fanfic rapidamente! Anyway, boa leitura e até lá embaixo!

Pov’s Will

Eu estava tendo um sonho muito bom. Extremante excitante. Mas aí ela me acordou com uma mordida na orelha. E doeu. E aí eu não consegui me lembrar do sonho. Tinha alguma coisa a ver com ela, com certeza. Só que fora do sonho, Samantha me olhava com um olhar assustador. Sério, parecia que ela havia esquecido de tomar os remédios, mas eu sabia que ela havia tomado. Tinha tomado os habituais, e alguns outros para ajuda-la a aguentar a barra sem pirar, e aquilo só tornava as coisas mais assustadoras ainda, pois ela estava agindo por conta própria.

— Ah, o.k. Acho que vou arrumar alguns remédios mais fortes para você — falei e bocejei.

— Estou falando sério! — exclamou.

— É isso o mais apavorante — retruquei.

— Não vai ser nada de mais. Só vamos entrar lá, encher os bolsos e sair correndo. Não tem erro — disse ela, como se isso fosse perfeitamente normal.

Peguei meu celular embaixo do travesseiro.

Dei um tapa na minha testa, me negando a acreditar naquilo.

— Só que são duas da manha, inteligência! — disse eu, olhando a hora no celular.

Às vezes eu me perguntava como Samantha podia ficar tão burrinha, assim, do nada. E como eu gostava de uma garota que às vezes ficava tão tosca.

— Ah — murmurou e os ombros caíram. — Tudo bem, a gente vai amanha.

— Certo — falei. — Vou voltar a dormir. E você deveria fazer o mesmo.

Me enfiei no saco de dormir, de barriga para baixo e fechei os olhos. Mas bem, eu tinha certeza que eu não conseguiria pegar no sono de novo.

Abri os olhos, e Sam ainda estava lá, com uma expressão de tristeza estampada no rosto. Suspirei.

— Sam, não fique assim. Eu sei como você deve estar se sentindo horrível com tudo que aconteceu ontem — falei e me apertei no saco de dormir, dando um espaço para ela. — Vem cá. Deite aqui comigo.

Samantha abriu o zíper do casaco e o jogou para o lado. Depois entrou no saco comigo.

— Deve estar tão péssima que está louca para fazer bobeira. Bem, drogas você não pode usar. Nem bebidas. Se eu bem te conheço, você quer adrenalina. Mais tarde a gente faz essa babaquice de roubar um mercado.

Ela pegou minha mão e entrelaçou nossos dedos.

— Obrigada. — Samantha deu uma pausa e sorriu. — Estou sem sono. Acho que fomos dormir cedo demais. Passaremos a madrugada acordados.

Ficamos em silêncio, e senti gotas de suor começarem a se formar na minha testa.

— Aqui está quente — comentei. E estava mesmo. Como se já não bastasse, a proximidade estava fazendo meu coração parecer competir com uma escola de samba.

Me perguntei se eu a beijasse naquele instante qual seria sua reação. Mas descartei a ideia logo. Não achava justo deixar as coisas piores para ela. Sam havia acabado de largar Stonem.

Ela riu.

— Puta que pariu, está mesmo — sussurrou, porém não moveu um músculo para sair do saco.

Seus olhos estavam pregados nos meus. Engoli em seco e senti meu estômago afundar.

— Talvez seja uma boa ideia nós irmos lá fora — disse eu.

Ela arqueou a sobrancelha e mordeu o lábio.

— Talvez — e então saiu do saco.

Samantha abriu a barraca e eu a segui.

Lá fora, as árvores cobriam parte do céu, com seus grandes galhos e folhas. Tudo junto, pareciam que os galhos se entrelaçavam como mãos. O céu de um azul escuro e profundo, exibia pequenos pontos de brilho, estrelas. Se fizéssemos um esforcinho, conseguiríamos escutar as ondas quebrando ao longe, no mar.

Sam estava sentada numa pedra grande e achatada, abraçada aos joelhos. Estava bonita, a blusa apertada que ela vestia definia sua cintura e realçava seus seios, o que era uma visão rara, porque quase sempre ela estava enfiada em camisetas de banda. Ou seja, ela estava bonita e mais gostosa ainda.

Me joguei ao lado dela.

— Eu estive pensando aqui… Will, o que você achava de Matthew e eu? — perguntou sem me encarar.

— Hm… Sinceramente? — falei surpreso.

— Sinceramente.

Pensei um pouco antes de responder:

—- Meio sem noção. Quero dizer, o que você sabe sobre ele?

Ela me encarou confusa.

— Agora você me pegou. — Samantha coçou o queixo. — Bem, vamos ver, ele deve ter uns 15 anos, é de Winstonford como nós. É totalmente babaca, galinha, drogado e…

— E só, Sam. Só isso. Você não sabe nada sobre ele — completei. — Qual é o sonho dele? Que faculdade quer cursar? Como chama o cachorro dele? Desde quando ele se droga? Quantos filhos quer ter algum dia? Quais os filmes preferidos dele? Banda? Cantor? Qual a marca de camisinha preferida dele?

Ela riu.

— Essa última eu sei: É Mofo. Pelo menos era essa que us…

Revirei os olhos.

— Me poupe dos detalhes, tá legal? — disse. — E o que ele sabe sobre você?

Samantha ponderou um pouco:

— Meu nome, minha idade, minhas bandas preferidas por causa das minhas camisetas, sobre o meu ex. Acho que só.

— Para encurtar a história: vocês eram dois desconhecidos se comendo.

Ela deitou a cabeça no meu ombro.

— Nunca daríamos certo — murmurou.

Peguei a mão dela, que apertou a minha com força.

Ela fez um estralo com a boca e sorriu.

— Seu sonho é ver a Aurora Boreal. O meu também. Você quer cursar Medicina, área: Oncologia. Seu cachorro se chama Jack e é um Pug bonitinho de tão horroroso, sem ofensas. Não se droga. Você quer ter sete filhos, se você amar muito a mulher. Seu filme preferido é Entrevista com o vampiro. Sua banda preferida é Guns n’ roses e seu cantor é Axl Rose. Sua marca de camisinha… vou ter que deixar essa passar.

Encarei-a, admirado:

— Uau! O que é isso? É algum tipo de obsessão por mim?

Samantha ergueu a cabeça do meu ombro e me encarou desafiadoramente:

— Sua vez.

Sobre ela? Fácil:

— Seu sonho é ver a Aurora Boreal. Quer cursar fotografia. Não usa drogas há mais de seis meses, eu acho. Você não tem animais de estimação, mas sei que gosta de todo tipo de bichinho. Você quer ter sete filhos, se for com o homem certo. Seu filme preferido é Harry Potter, todos, no geral, não consegue escolher um só. Sua banda preferida é Green day e seu cantor preferido é o Billie Joe. Sua marca de camisinha…. vai ter que me desculpar.

Sobre aquele negócio de sete filhos, era zoeira, é claro. Que diabos de pessoa quer ter setes babões em pleno século XXI?

Rimos juntos, mas no fundo, no fundo, eu queria dizer que talvez ela não soubesse só uma coisa sobre mim. O quanto eu a amava.

(…)

Alguns minutos depois, entramos na praia. Samantha agarrou minha mão e fomos para a água fria.

— Porra, Sam, está muito gelada! — disse eu.

Ela jogou a cabeça para trás e riu gostosamente. Ficou esfregando os pés na água, que batia nos joelhos.

— Que graça tem nadar só de dia? — arqueou a sobrancelha.

Samantha sorriu perigosamente, me analisado, aliás, eu percebia que ela andava fazendo muito isso, me analisar. Ela deu um giro na água, agora olhando o horizonte à frente.

— Eu amo tudo isso. Isso tudo me dá paz — ela disse. — Você. O mar. Esse bosque e nossa barraca. Por mim eu ficava aqui para sempre. Mas eu sei que temos que ir embora.

Coloquei o braço nos ombros dela, sem me importar com a água em gelo que batia na batata da perna, e a brisa friorenta que me arrepiava a nuca. Só nós dois importava, pelo menos por hora.

— E vai ter que ser logo.

Samantha assentiu. Levantou a cabeça e encarou o céu, as estrelas. Sorriu:

— Estrelas e você — sussurrou.

Mostrei a língua.

— Eu brilho mais — debochei.

Ela riu e me fitou de novo:

— Metidinho.

— Eu sei. Mas ainda brilho mais. Eu e as estrelas. Elas me invejam.

Ela continuou me encarando com doçura, desviou os olhos novamente paro o céu. Não discordou.

— Você as estrelas — murmurou.

(…)

— Tudo bem, o plano é o seguinte: Nós entramos como clientes comuns, esperamos eles se distraírem com aquele jogo de baralho idiota, enfiamos tudo que podermos nos bolsos, na boca, na bunda, na cueca, no sutiã, tanto faz. Eu assobio e damos o fora correndo — explicou a loira, quando o dia clareou e quando terminamos de nos lavar em um lago que havíamos descobrido no bosque.

— Você chama isso de plano? — falei com desdém.

— Alguma ideia melhor, esperto? — resmungou, me fuzilando com o olhar.

— Bem, na realidade s…

— Não quero saber. Vamos logo — interrompeu Samantha, puxando minha mão.

Ela vestiu o casaco preto de moletom e enfiou as mãos nos bolsos.

Saímos da barraca e seguimos em direção ao mercado/bar/compretudoquequiseraqui. Particularmente, eu achava aquilo uma enorme burrice, mas, não vou negar, a adrenalina era perfeita.

— Você me faz fazer cada loucura — disse eu, com um muxoxo.

Faço loucuras com você, porque sou louco por você — pensei.

— Vai valer a pena — disse ela, sorrindo confiante para mim. Ela pegou em minha mão de novo. Nosso nível de proximidade sempre tinha sido grande, mas ultimamente, de dois em dois minutos Samantha tocava em mim: ou pegava minha mão ou bagunçava meu cabelo ou mordia minha orelha ou alisava meu pescoço ou apertava minha coxa ou me abraçava e algumas coisas a mais. Ah, teve uma vez que ela apertou minha bunda.

É.

— Sei — arqueei a sobrancelha.

Longos minutos depois, saímos do bosque, atravessando arames farpados.

— É agora — falou ela e soltou minha mão.

Atravessamos a estrada asfaltada, partindo para o outro lado. Lá tinha um enorme estabelecimento vizinho de um posto abandonado. O estabelecimento estava desgastado e velho, parecia que há muito não faziam uma limpeza na calçada ou pintavam as paredes. O nome do local já tinha praticamente sumido, sobrando apenas “A… J &” do nome.

Samantha suspirou antes de abrir a porta e então entramos.

As barracas que um dia antes havíamos comprado iguais estavam do lado esquerdo do local. E a toda volta havia prateleiras de doces, salgadinhos, sucos, Nutella, bicoitos, Alcaçuz, remédios, garrafinhas de água mineral e de tudo um pouco.

No caixa, um cara rabugento de meia idade, o cara que havia extorquido a gente por uma barraca. Segundo Samantha, só estávamos voltando para reembolsar o que já era nosso, só que agora em formato de comida. Perto dele, havia uma mulher tão vulgar e superficial que de cara eu tive certeza que era puta. No dia anterior, o cara estava jogando baralho com uns cara que pareciam irmãos dele, agora estava sozinho com uma vadia, provavelmente se perguntando quando ir dar para comê-la. Ah, e sim, ele estava distraído demais com ela, para sequer nos notar direito.

Samantha sorriu quando viu a cena.

— Isso vai ser fácil — ela sussurrou. E ia mesmo, mas mesmo assim meu coração fazia polichinelos.

Nos afastamos um do outro, ela indo para perto dos doces, e eu dos salgados.

Comecei a enfiar tudo que aparecia na minha frente nos bolsos. E Samantha também, parecia prestes a dar uma risada diabólica enquanto abria uma alcaçuz e comia lá mesmo.

Ei, aquilo era bom. Saí daquela seção e fui para uma de limpeza, enfiando pastas de dentes e desodorante que eu nunca usaria na vida nos bolsos. Enfiei camisinhas também. Quando não cabia mais nada nos meus bolsos, eu já estava nas seções dos doces e vi um pacote de Oreo lá, decidi que não fazia mal enfia-la na cueca. Então Sammy assoviou.

O cara ainda nem havia desviado o olhar, mas de repente o olhar da prostituta nos fisgou.

— Corre, corre, corre, corre -- sussurrou Samantha e saiu correndo porta à fora.

E então o olhar do cara me fisgou. Ele semicerrou os olhos e se levantou, rugindo. Peguei mais um pacote de oreo e saí correndo para a porta. Meu Deus, aquilo era muito foda. A adrenalina. A qualquer instante eu podia ser pego/preso/espancado e aquilo era muito legal.

— FILHOS DA PUTA! — berrou o cara. Com o canto dos olhos eu vi que ele estava com uma espingarda na mão e procurando balas pra reabastece-la.

E é claro que eu não sou burro nem nada, saí de lá antes que o cara decidisse experimentá-la em mim. Mas antes ergui a blusa e mostrei o dedo do meio para ele, que ainda não havia arrumado as balas para estourar meus miolos.

Chupa.

Atravessei a estrada. Samantha estava do outro lado do arame farpado, me olhando furiosa. Alcancei-a rapidamente e ela me ajudou a atravessar o arame. Atrás de mim, ouvi a porta do estabelecimento ser aberta e o homem sair de lá.

— LADRÕES — tiros explodiram e Sam agarrou meu braço e saímos correndo enquanto cada vez mais os tiros pareciam próximos, batendo nas árvores, nos galhos, em pedras, no chão, e um que passou a poucos centímetros de mim. Eu nunca senti tanto medo na vida. Então os barulhos de tiros ficaram mais baixos, depois as frequências deles foram diminuindo até que sumiram. Mas ainda assim não paramos de correr.

Duas ou três vezes eu caí e Samantha também, que parecia estar furiosa. Eu arfava e sentia minhas pernas pesarem, mas enfim, chegamos ao nosso acampamento.

— PORRA, WILL! — berrou ela, me dado um forte soco no braço, mas sinceramente, não doeu.

O rosto, os braços e as pernas dela sangravam onde galhos e espinhos bateram. Os olhos dela estavam nebulosos e raivosos. E de certa forma, eu também sabia que eu deveria estar todo machucado e arranhado.

— Por que não correu quando eu assoviei?! — exclamou ela, me dando um tapa e me encurralando em uma árvore. — Você podia ter morrido! Caralho, eu avisei para sermos espertos e você gasta tempo com um pacote de bolacha sendo que já tinha uma encuecada! E esse seu dedo… por que não enfiou no cu?! Você podia ter sido atingido, nós podíamos! Porcaria!

"Porcaria?"… Isso era, tipo, pra ofender?

O rosto dela estava vermelho e algumas mechas loiras do cabelo grudava nela por causa do suor. Seu rosto estava meio sujo e seus lábios estavam um pouco manchados do alcaçuz que ela havia comido lá na loja.

— Me deixei levar pelo momento — sussurrei, fitando os lábios dela. Aquele com certeza não era o momento em que ela estava mais linda e cheirosa, mas para mim não deixava de estar perfeita.

Ela riu de raiva:

— Se deixou levar pelo momento? Vou te falar o que é se deixar levar pelo momento: É comer porcaria demais quando não se devia. É fazer sexo quando o risco de ser flagrado é enorme. É bater numa pessoa demais quando já deveria ter parado! Mas… com certeza não é se deixar levar pelo momento quando estamos assaltado um lugar com um velho armado! Isso é idiotice! IDIOTICE! — berrou.

Eu sorri. Nem mesmo puta de raiva ela conseguia ficar menos bonita.

Samantha notou minha expressão e pareceu desconcertada, e alguns segundos depois pareceu mais furiosa ainda, hesitante, então voltou a berrar:

— Você é idiota, Will? Porque…

— Estou com uma vontade louca de te beijar — falei lentamente.

—… você se sup… E POR QUE AINDA NÃO BEIJOU?! — exclamou com mais raiva ainda.

Beijei. Seus lábios tinham gosto de alcaçuz e menta.

Pov’s Will OFF

Notas finais
Finalmente, aleluia irmãos, glorificar de pé! Enfim, já vou adiantar que no próximo capítulo, depois de muito 69 Sill, eles vão estar de volta na casa de praia 38 e vai ter uma revelação bombástica, coloco a mão no fogo que ninguém vai conseguir ter a menor vaga ideia de que revelação é. Enfim, não deixem de deixar reviews, o.k, pessoas lindas? Fanfic em seus momentos finais ainda precisa de motivação! :3 Bye bye, amo vocês.