You And The Stars
34 Between heaven and truths
Notas iniciais
Posso dizer que esqueci toda a raiva, todo o ódio, todo o medo, a amargura e a mágoa que eu sentia há mais de 24 horas, tudo isso quando os lábios daquele garoto tocaram os meus. Se bem que, tocar é uma maneira delicada de se dizer. Os lábios dele se sucumbiram no meu, com tanta voracidade e desejo que eu juro que fomos para a Lua, Júpiter, Vênus e o caralho a 4 e voltamos. As mãos macias dele exploravam meu rosto, alisando e o acariciando, enquanto eu deixava minhas mãos invadirem o peitoral dele, se enfiando por baixo de sua camiseta, arranhando e alisando com carinhos. Mais de uma vez paramos para recuperar o fôlego, para dois segundos depois o desespero vencer e voltarmos a entremear nossos lábios, fundir nossas bocas. Me perguntei por que quase dois meses atrás eu não achei aquela boca tão gostosa e tão perfeita.
— Porra, Will — murmurei no ouvido dele, longos minutos de saliência depois.
Ele ofegava no meu ouvido, baixinho, excitante e insistentemente.
— Eu quero você — completei, ouvindo o peito dele bater com força.
Will riu.
— É claro que quer — ele me beijou de novo, me arrastando para a barraca enquanto eu o despia e jogava atrás de nós as coisas que havíamos roubado. Atirei a camiseta dele longe, alisei seus braços e a mão dele desceu pela minhas costas e apertou minha bunda, me fazendo rir maliciosamente.
— Ser convencido não combina com você — sussurrei e comprimi meus lábios em sua face.
Ele riu.
— Certo. Eu te quero e você me quer.
Entramos na barraca, me separei dele e a fechei. Em seguida abri meu casaco e o tirei, sentindo uma certa pressa, em seguida tirei minha blusa e meu jeans, ficando apenas de lingerie.
— Droga, Sam, eu queria tirar sua roupa — resmungou Will, jogando rapidamente vários lençóis por toda a barraca e principalmente em cima dos nossos sacos de dormir, deixando tudo mais macio e confortável.
— Mais tarde, prometo — sussurrei, decidida a fazer aquilo pela primeira vez. — Agora eu só quero você. Brincar com você, agora. Juntos, mais tarde.
O empurrei para o chão de lençóis e sacos de dormir. Will me encarava com uma expressão divertida, como se pensasse “eu sabia que ela gamava”
Mordi seu lábio e distanciei nossos corpos. Me ajoelhei frente a ele e tirei sua calça jeans.
— Caralho, Sammy, você não precisa fazer. Ontem mesmo disse que nunca faria isso — disse Will. Ele podia até falar isso, mas sua cara de puro prazer não conseguia disfarçar o quanto queria. Nem o volume na boxer.
— Eu disse que não faria, não que nunca faria — retruquei e retirei a boxer dele — Uau!
Uau, uau, uau. Me abanem.
— O que foi? — indagou ele, hesitante. Olhei-o nos olhos. O quanto mais ele poderia me surpreender?
— Nada. É que é maior do que eu esperava — murmurei.
Então comecei. Estranho de inicio. Porém era bom ver a expressão de puro êxtase de Will e ouvir seus gemidos, enquanto apertava as cobertas e ora segurava em meus cabelos, xingando baixinho e pedindo para eu chupar mais rápido, portanto valia a pena. Tentei também evitar os dentes, devia doer pra porra.
Quando terminamos, deitamos abraçados no chão macio.
— Sam, você é… minha nossa… surpreendente — sussurrou ele, resfolegante, deu um beijinho na minha testa. — Mas ainda não entendi.
Fiz uma careta.
— O que você ainda não entendeu, besta? Quer que eu desenhe? Will, eu… — cogitei a possibilidade de falar sobre o caderno, mas eu achava melhor esperar até de noite. — não preciso de mais nada que não seja você.
Ele sorriu. Sorriso perfeitamente esculpido.
— Estou tão feliz. Droga, você é mesmo louca. Não. Louca, não. Surpreendente. — Will me beijou demoradamente. — Só que, nós ainda somos amig…
Alisei o traço do rosto dele, descendo até o queixo, subindo e tocando seu lábio inferior, sentindo como era quente, bom.
— Não. Não quero ter uma amizade colorida com você. E nem uma amizade normal. Quero mais. Hoje a noite, na praia, vamos ficar juntos. Você só vai precisar fazer duas coisinhas comigo. Uma delas começa com T, ou F, ou S, ou T de novo. A outra coisa… — beijei a boca dele — você vai ter que descobrir. Mas eu já dei uma dica.
Will me fitou, confuso, com a testa levemente franzida, do seu jeito lerdo e leso de sempre, que eu adorava, então de repente pareceu entender.
— Pode deixar, baby — disse.
Pov’s Will
As coisas finalmente estavam dando certo. E cada vez mais eu tinha certeza sobre o amor que eu tinha por Samantha. Na realidade, eu sempre soube, mas cada vez mais ele parecia aumentar. As coisas que havíamos roubado estavam no canto da barraca, e no outro canto, ficava eu e Sam. Podíamos ficar o dia inteiro, abraçadinhos, juntinhos e mais vários inhos. Não importa. Eu amava aquela garota.
Quando escureceu, Samantha saiu da barraca e disse que ia à praia arrumar as coisas para “mais tarde.” Sim, a coisa ia ser quente. Ela levou consigo os lençóis, os sacos de dormir e as comidas que havíamos roubado. Por algum motivo, ela não quis a barraca.
Quando Sam saiu da barraca e sumiu por entre o bosque, peguei meu caderno da minha mochila e abri numa página aleatória:
"Apenas metade de um céu azul, meio lá, mas não muito, eu estou andando em volta com apenas um sapato. Eu sou metade de um coração, sem você — Half A Heart”
Sorri e arranquei a página, amassando e jogando fora. Por mais que adorasse aquela música e especialmente aquela parte dela, ela não tinha mais a ver com minha situação.Continuei fazendo isso com todas as frases, citações e músicas que tinham a ver com o passado. As coisas haviam mudado. Sam era totalmente minha e eu dela.
Enquanto eu sorria encarando aquele caderninho semi-queimado, me perguntei se talvez, a vida, tudo, tudo, só dependia de um pouquinho de paciência.
Algum tempo depois, saí da barraca e fui até o lago me lavar. Samantha havia dito que eu deveria vestir minha melhor roupa. Para ela tirar.
(…)
Uma hora antes da meia noite, Samantha apareceu de novo na barraca. Fiquei encarando-a, embasbacado. Tipo, uau! Por favor, alguém se habilite a pegar uma câmera, por favor? Samantha usava um vestido escuro, com corpete, sapatilhas e uma leve maquiagem que realçava seus traços com perfeição. Pela primeira vez em séculos, parecia que ela havia penteado os fios, que caía em cascata pelos ombros.
— Você está… — sussurrei.
Ela deu uma voltinha.
— Linda? Me poupe disso! Estou fútil. Odeio isso. Mas logo logo eu vou tirar então foda-se — Uma vez Samantha, sempre Samantha. Ela pegou minha mão e sorriu. — Você está uma gracinha. Sério, totalmente delícia. Vamos.
— Eu ia dizer gostosa — falei entredentes.
Ela bagunçou meus cabelos escuros e beijou minha bochecha, deixando uma marca de batom ali.
Seguimos andando pela trilha. Estava tudo completamente escuro, a não ser pela lua, que jogava em nós um brilho prateado suficiente pra iluminar nosso caminho. Alguns minutos depois, chegamos à praia.
Samantha havia colocado os lençóis próximo ao mar, dobrando-os perfeitamente, de forma que parecessem mais uma toalha de piquenique. Havia também uma cesta em cima dela, que eu sinceramente não fazia ideia de onde ela havia tirado, bem provável que tivesse roubado também, não ligava. Os sacos de dormir estavam ao lado. Não havia ninguém na praia, estava totalmente vazia. Só eu e ela. A noite era nossa.
— Ninguém faz piquenique a noite, baby — falei me sentado nos lençóis/toalha.
— Estamos quebrando as regras — falou Sam, com diversão.
Ela se sentou ao meu lado, me fitando como se esperasse algo.
— Você é perfeita — então a beijei. — Está tudo perfeito.
Comecei a desfazer os laços do vestido dela, e brincar com a pele lisa de seus ombros. Samantha tirou minha camiseta, e juntos, fomos indo lentamente até os sacos de dormir. Deitei por cima dela, crendo que naquele momento, ela gostaria de ter uma visão do céu, se bem que tudo que ela olhava eram meus olhos. Algumas ondas batiam suavemente em nossos pés, mas era tão leve e calmo, que era bom. O cheiro de maresia dançava pelo ar. Ela desabotoou meu jeans, e eu retirei o vestido dela pelas pernas, com delicadeza, enquanto distribuía beijos por seu pescoço e seios. Samantha tirou minhas últimas peças de roupas e começamos. Devagar, sem pressa, lentamente, me afundando cada vez mais no prazer. Ela pressionava os lábios no meu pescoço, e às vezes eu beijava seus lábios com gosto de batom de morango e menta. Samantha mordiscava meu ombro e puxava os fios da minha nuca, enquanto gemia alto no meu ouvido e afundava a boca no meu ombro pra não gritar.
— Sammy — gemi baixinho. — Amo você.
Ela sorriu e fechou os olhos por alguns instantes. Acelerei.
— Eu também amo você. Nunca tive tanta certeza de algo antes — murmurou quando abriu os olhos. Sam sorriu e voltou a afundar a boca em meu ombro.
— Não.. abafe — sussurrei em seu ouvido. — Grite.
Então Samantha cravou com todas as forças as unhas em minhas costas, envolveu meus quadris com as pernas e berrou e gemeu quando eu acelerei ainda mais. Eu sentia o calor do momento, o prazer em nossos corpos, o clímax nos envolvendo.
Meu Deus, isso é o paraíso. Estou no paraíso.
Caí para o lado, e a envolvi em meus braços, beijando o topo de sua cabeça. Ficamos em silêncio por alguns segundos, recuperando o fôlego e arfando. Sam alisava meu abdome, enquanto mordiscava o lóbulo da minha orelha.
— Sammy, eu…
Ela colocou o dedo frente aos meus lábios. Ofegou.
— Shhh, faz… mais de duas semanas que eu sei. Eu li o caderninho — falou, simplesmente.
O quê? Minha nossa!
— Foi a coisa mais linda que eu já vi na vida — Samantha me abraçou ainda mais forte.
— Sério? — murmurei assustado. — Droga, Sam, você deve ter pensando que eu sou algum maníaco-obsessivo ou algo assim.
Ela gargalhou, beijou meu pescoço e colocou a perna em cima da minha, enquanto eu pressionava sua cintura.
— Talvez… Brincadeira. Eu te conheço a anos para isso. Nunca. Eu fiquei confusa no começo. Não sabia o que estava sentido. Mas… no fundo eu tinha certeza que Matthew e eu não íamos dar em nada… só que eu tenho tanto, tanto, tanto carinho por ele — seus olhos marejaram. — Então eu descobri quando eu te vi com aquela garota ridícula, que sim, que eu sentia algo além de amizade por você. Aí… esses dois dias que passamos longe do mundo lá fora… me fizeram ter certeza. Eu amo você. Nunca disse essas palavras para ninguém antes, Will. Nem para Matthew. Nem para o Tyler. É você que eu quero. É só você que eu preciso. — ela aproximou os lábios do meu ouvido. — Eu te amo. Te amo. Te amo.
Peguei a mão dela e apertei.
— Eu sempre amei você — murmurei. — E… acho que já sei sobre a segunda coisa que você queria que eu fizesse… Além de Transarmos, Fodermos, Sexo e Treparmos….
Samantha riu.
— Isso quase soou rude. — ela abriu um esboço de um sorriso. — E isso vai soar brega, mas pra mim, fizemos amor. Eu fiz isso pela primeira vez. Uau. A segunda coisa é…
Amor. Havíamos feito amor pela primeira vez. Juntos. Amor. E duas pessoas que se amam, elas…
Beijei a curva de seu ombro delicadamente.
— Namora comigo? — sussurrei.
(…)
Uma hora depois, já havíamos comido metade da cesta.
O céu estava estrelado e a lua estava alta no céu. Samantha estava deitada de barriga para cima nos lençóis, fitando o horizonte.
— Sabe, algum dia vou ser astrônoma — falou ela, sonhadora.
— Vai, é? E aquele papo de ser fotógrafa? — indaguei, me jogando ao seu lado e colocando uma bala de caramelo em sua boca.
— Também vou ser. Aí, eu vou descobrir uma estrela nova. Ou um planeta. Ou vou conseguir um desses planetas e estrelas esquecidos, somente batizados por números. Vou dar seu nome a ela. Registrado. Mas quero que seja uma estrela, é mais fácil de se ver. Estrela de Will Carter. Magnífico.
Entrelacei nossos dedos:
— Já falei que você me fascina?
— Já. Umas cem vezes — ela riu maliciosamente.
A apertei junto a mim.
— Então, você me fascina — sussurrei.
Ela sorriu, se virou com o corpo para mim e olhou nos meus olhos.
— Você também me fascina. Sempre. — Sam afastou os olhos, encarando o horizonte à nossa frente. — Will, estive pensando… talvez seja uma boa a gente voltar.
Tinha certeza que era só uma questão de tempo até ela dizer isso. E eu temia. Sabia que era o certo nós voltarmos, mas eu tinha medo de alguma coisa afastar ela de novo, ou alguma coisa dar errado, não sei. Estávamos tão próximos que eu simplesmente tinha medo de que alguma coisa fodesse com isso. Que aquilo acabasse. Só que eu sabia que tínhamos que voltar, dali só alguns dias teríamos que ir embora da Califórnia, quero dizer, todos nós. Sammy, eu, Emma, Matthew, Josh e os traíras.
— Tipo, pensando melhor, ter fugido não resolveu as coisas. E… estou com você. Estou segura. Posso aguentar a pressão agora. E também, as coisas entre mim e Stonem terminaram tão mal, se é que pra ele terminou. Matthew é idiota, eu sei, é imaturo, eu sei, e não é nem um pouco confiável, mas é como eu disse…
— Ele é importante para você — completei.
Samantha ficou calada, parecendo pensativa, e depois de alguns segundos, assentiu.
— Sim. Eu gosto muito dele, Will. E talvez Matth esteja puto por termos sumido assim. Não quero magoá-lo, apesar de tudo. Eu só quero que tudo termine bem e devo uma explicação a ele. Do mesmo jeito que ele deve à mim.
Suspirei.
— Eu sei. Você tem razão. Eu só tenho medo de você voltar pra ele. Ou então quando você vê-lo novamente descobrir que sente sim, alguma coisa por esse idiota do Matthew e….
— Não. Isso não vai acontecer. Só quero colocar um ponto final. É, como eu disse, eu gosto dele, e só.
O que eu podia fazer? Talvez fosse melhor mesmo, afinal.
— Tudo bem. Quando voltamos? — perguntei.
— Amanha — respondeu Sam.
Sorri, tentando parecer confiante, ela retribuiu, me abraçou. Peguei meu celular e chequei a hora.
— São 00:01 AM, ainda, baby. Que tal uma 2° rodada?!
Ela tirou o cobertor que nos envolvia e me fitou, sexy.
— Quantas quiser.
Povs Will OFF
Voltar para a casa de praia, número 38, não havia sido com certeza nem de longe a escolha mais fácil da minha vida. Eu estava tão feliz com meu melhor amigo e agora meu namorado. Eu não queria voltar. Eu não podia voltar. Mas eu tinha que fazer isso. Eu precisava falar com Matth, com minha mãe e meu pai, ver como as coisam iriam ficar após nossa partida da Califórnia. Só que eu não queria ir embora mesmo, se eu pudesse, ficava o dia todo na barraca ou nos sacos de dormir, ou nos dois, fazendo um sexo gostoso com Will. Melhor, um amor gostoso.
Porém, ainda assim, na tarde seguinte eu e Will juntamos nossas coisas, trocamos uns amassos embaixo de um pinheiro do bosque, e partimos para a praia, seguindo reto, lado a lado ao mar.
— Olha só, eu acho que não vai ter problema algum para nossos pais saberem que estamos juntos. Mamãe sempre puxou seu saco, se bem que não importa, ela não tem mais moral comigo.
— Todos têm que saber de nós. Eu esperei demais e mereço isso — ele sorriu. Eu amava o sorriso dele, o jeito dele e cada dia mais eu descobria o quanto.
— Quando voltarmos para casa e assumirmos para todo mundo, o que você vai querer fazer primeiro? — perguntei, mudando a mochila para o outro ombro.
— Sabe o Closet? — perguntou ele, arqueando a sobrancelha.
— Sei — respondi.
— Quero te pegar de jeito lá dentro. Só que de verdade, dessa vez.
Eu gargalhei, recordando daquele dia infeliz.
— Isso parece fazer tanto tempo — comentei. — Sabe, Will, naquele dia, no Closet, eu realmente pensei em te beijar e fazer “coisinhas a mais”
Ele enxugou o suor da testa e bagunçou os fios escuros. Abriu sua mochila e tirou seu boné dos Dodgers de lá.
— O que importa é o agora, baby — respondeu. — E eu vou te pegar de jeito lá dentro.
Tirei meu celular da mochila e o liguei. Eu havia recebido 10 ligações de Matthew, que desistiu de me ligar no primeiro dia. Não havia mensagens dele ou algum indicio que ele havia me procurado depois do primeiro dia. Havia umas 40 ligações de Emma, que havia me telefonado pela última vez cinco minutos atrás e umas 100 da minha mãe, que havia me telefonado pela última vez 2 minutos atrás. Olhem só, eu super-procurada. Só faltava ter um anúncio no jornal com minha cara estampada. Eu quase conseguia enxergar a manchete “Maluca loira perigosa, desaparecida e foragida. Perigo para a sociedade.” Tendo minha mãe como mãe, era possível.
Will e eu seguimos o resto do trajeto conversando, fazendo brincadeiras, e, muito ocasionalmente — juro, tá?! — nos pegando. Quando chegamos a uma parte da praia lotada por pessoas, ficou óbvio que faltava pouco para chegarmos.
E assim aconteceu. Paramos frente a casa. Will pegou minha mão e apertou, como se dissesse “estou com você.” Suspirei e toquei a campainha.
— Sammy! — exclamou minha mãe, quando abriu a porta. — Meu Deus, estive tão preocupada! Achei que tivesse acontecido uma tragédia e já ia ligar para a mãe de William para avisar do acontecido! Meu Deus! Você me deve uma explicação! A todos nós, estávamos surtando…
Ela se afastou para que Will e eu passássemos.
— Will e eu só demos um tempo daqui. Estamos bem — respondi friamente.
— Samantha! Will! — Emma desceu pulado de dois em dois degraus na escada, e abraçou Will e eu fortemente. — Filhos da puta! Argh! Podiam me avisar que iam sumir! Porra! Vocês não prestam.
Ela sorriu e nos abraçou novamente.
— Avisar? Eles não podiam ter feito isso! — explodiu minha mãe. — Eu passei esses três dias chorando, sofrendo, sendo acusada de coisas horríveis por seu pai, me culpando e… aqui estão eles! Estão de castigo!
Revirei os olhos.
— Já é um castigo estar aqui de novo! — exclamei irritada e me virei para Emma. — Onde está Matthew, Ems?
Ela abriu a boca, pronta pra responder. Fechou novamente e desviou o olhar.
— Não é uma boa ideia ir atrás dele…
Legal. Eu me viraria sozinha.
— Will, já já a gente se vê. Preciso resolver umas coisinhas com alguém — interrompi Emma e disparei escada acima.
(…)
Entrei no meu quarto e atirei minha mochila e malas na cama. Tirei meu tênis e respirei fundo. Saí do meu quarto e caminhei a passos lentos até o quarto do loiro. Quando eu estava frente a frente a porta, ouvi uma música agitada, que eu imaginava ser alguma do Imagine Dragons. O.k, aquilo era estranho.
Eu não sabia o que esperava, talvez um Matthew dormindo sozinho, triste e abatido por ter sido trocado pelo melhor amigo da garota que gostava, esperava um Matthew me encarando com uma face do tipo “cachorrinho abandonado”. Me iludi feio.
Bati na porta e esperei. Ouvi uma risadinha. De uma garota. Já naquele momento, eu quis dar no pé, mas continuei ali.
O garoto que abriu a porta estava apenas de cueca box mal colocada, exibia um sorriso presunçoso, cabelos loiros desalinhados, uma garrafa de whysky em uma mão e um cigarro na outra. Ele me encarou bem, e seus olhos pegaram fogo. Ao seu lado, apareceu uma garota com cabelo multicolor, apenas de roupa íntima.
— Quem é tão importante que nos interrompeu?! — exclamou Jill, me fitando de cima a baixo. — Ah, você. Não, não é importante.
Senti meus olhos marejarem. Quis sair correndo, porém ainda continuei lá, como uma idiota que eu era.
— Matt — comecei.
— O que faz aqui?! — exclamou ele, me interrompendo, o rosto passou para um tom de vermelho. — Qual é?! Some por três dias com outro cara e vem esperando o quê? Um abraço? E não, eu não estava… Ah porra, não te devo explicações. Não com o que andam dizendo por aí.
Matthew tinha razão. Eu havia sumido por três dias, com outro cara. Ele não me devia explicações. Tinha todo direito de estar com raiva e de repente minha presença ali se tornou sem sentido. E, se eu havia dormido com outro cara, por que ele não podia estar dormindo com outra garota? Tentei me concentrar em não chorar.
— E-eu só vim porque… Me disseram que você estava me procurando.
Desculpa idiota, eu sei.
Ele riu, tragou o cigarro e soprou um anel de fumaça na minha cara.
— Sim. Eu te procurei. No primeiro dia que você sumiu. Antes de descobrir.
Encarei-o, perplexa:
— Descobrir… o quê?
Matthew passou o braço em torno dos ombros de Jill.
— Prepare o baldinho, loira, vai precisar de algum lugar para vomitar. — Ele fez uma pausa, apertou os lábios. Sorriu diabolicamente. — Somos irmãos.
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