You And The Stars
8 He lied, meant yes
Notas iniciais
Dei de ombros. Ela achava mesmo que eu me importava? Era só ela falar e eu iria fazer minhas malas prontamente.
— Mas ao invés disso… Carly e eu andamos revistamos a casa, e, bem, descobrimos o porão e digamos que ele precisa de uma limpeza. De uma limpeza urgente. Matthew e Samantha, tenho certeza que vocês dois são os candidatos perfeitos para esse trabalhinho.
— Ah, puta que pariu! — exclamei me levantando. — Podemos ir embora! Não faz diferença para mim.
Matthew bufou. Ele estava abraçado aos joelhos, encostado na cabeceira da cama.
— Ah, qual é. Não somos mais crianças, dona…
— É criança, sim, Matthew! Se não fosse, não teriam saído no meio da noite em uma festa cheia de drogas. Justo na primeira noite nossa aqui nessa praia!
— É, mas…
— Mas, nada, Matthew! Você vai limpar o porão. Samantha também vai.
— Tudo bem. Só que tem que ser com ele…?
— É, Samantha! Tem! Porque andei observando vocês dois e cheguei a conclusão que vocês não são tão amigos quanto você é do Will e da Emma. Aliás, Emma, você e Josh irão cuidar da limpeza da casa. Louça, chão, banheiros.
Emma bufou; Josh roncou.
Minha mãe olhou para a cama atentamente. Seus olhos cravaram-se em Will.
— Will… Will… Will… O que eu faço com você? Tsc, tsc, tsc…
Ela claramente estava sem opções.
— Não precisa fazer nada comigo, dona Crimsey. Prometo ser um bom menino. — Falou docemente
Minha mãe arqueou a sobrancelha.
— Não nasci ontem, William. Você pode se juntar a Matthew e a Samantha no porão, mas sem gracinhas.
Por poucos instantes, nossos olhos se cruzaram. Será que teríamos oportunidades para conversar sobre o beijo? Como seria dali para frente? Aquele havia sido somente o primeiro dia dos dois meses na praia. Muita coisa ainda poderia acontecer. Baixei os olhos para meus pés, de repente achando-os muito interessantes.
— Matthew, pode ir para seu quarto. Leve o Josh.
É. Muitas coisas ainda poderiam acontecer. Coisas ruins ou nem tanto. Mas, por hora, era pegar os esfregões e limpar o porão.
(…)
A luz quente do sol se infiltrou pela enorme janela do quarto. Aos poucos, abri meus olhos. Minha cabeça doía e levei minha mão a ela. Fiz uma careta. Pulei da cama e meus pés se engancharam em um corpo duro abaixo de mim.
Gritei enquanto ia de encontro com o chão.
— Aah, porra! O que é isso?! — choraminguei baixinho. Ai, minha bunda doía.
— ai.. caramba? O que é… — resmungou Will.
Eu tinha esquecido completamente na onde eu estava. Tropecei no Will, dormindo em um colchão no chão. Também, por que é que ele tinha que ir dormir tão perto da minha cama?
Ele olhou pra mim e revirou os olhos.
E isso me fez lembrar do ocorrido na noite passada.
Abri a boca e fechei novamente, sem conseguir encontrar as palavras. Fiz um coque frouxo em meus cabelos. Continuei encarando-o. Maldita timidez fora de hora.
Depois que minha mãe saiu do quarto, acabamos indo dormir. Sem falar nada. Mas agora era óbvio que não daria pra ignorar aquilo para sempre.
Ai, me ajude.
Ele coçou os olhos e deu um sorriso fraco. Ele parecia tentar olhar para tudo, menos para mim.
— Não esquenta. Só tava te testando mesmo.
— Hã? — murmurei.
— Ontem a noite. O beijo não significou nada. Eu só queria te test…
WHAT?
Atirei meu travesseiro nele.
— Filho da mãe! Como assim me testando? Tá achando que eu sou o quê? — exclamei. Eu estava em cima dele, estapeando-o.
— Ai… ai… ai… calma, garota — gemeu ele.
— Eu não sou seu brinquedinho, William.
Saí de cima dele e me tranquei no banheiro.
Deslizei para o chão, encostada na porta. Abracei meus joelhos e fechei os olhos. Eu me sentia uma bagunça, confusa e perdida.
Será que… que o beijo tinha significado alguma coisa para mim? Eu me sentia machucada por Will ter dito que o beijo não significou nada para ele. E eu tinha certeza que o beijo havia sido bom, disso eu tinha certeza. Eu tinha gostado do beijo. Será que isso significava que eu também gostava do cara que me beijou?
Não, definitivamente não. Will era meu melhor amigo, e só. Um amigo muito idiota, com certeza. Provavelmente… talvez… não sei.
Ai, me ajude.
Me levantei. Abri a porta e saí do banheiro. Emma ainda dormia no colchão. Will estava sentado na minha cama, encarando os pés. Ele levantou os olhos quando apareci. Seus olhos verdes acharam os meus, finalmente me fitando profundamente.
— Desculpe — sussurrou. — Não queria te magoar. O beijo significou alguma coisa para você? Eu sinto muito. E-eu pensei que não tinha significado, então… eu menti.
Oi? Mentiu? Como assim, produção?
— Eu gostei de ter te b-beijando… mas achei que você não. Porque você gosta do Matthew — continuou.
Me sentei no pé da cama, ao lado dele.
— Não sinto nada pelo Matthew.
Ele curvou levemente a cabeça.
— Só raiva mesmo — desviei os olhos dos dele.
— Certeza?
— Sim — respondi.
Olhei-o nos olhos e vi que eles brilhavam. Abriu um largo sorriso.
— Sam, então… quer ter uma amizade colorida comigo? — perguntou passando a língua nos lábios lentamente.
E que língua. E que lábios.
— Amizade colorida? Como é isso? — indaguei.
— Quer que eu te mostre? — ele arqueou as sobrancelhas.
Sua cabeça estava cada vez mais próxima da minha.
— Por que não? — dei de ombros.
— É assim — sussurrou, seus olhos fitavam meus lábios.
Perdi o fôlego quando sua boca pressionou a minha.
Fale com o autor